sexta-feira, 19 de março de 2021

Bispo da Bélgica rejeita a proibição do Vaticano de abençoar uniões gays

                    O arcebispo Bonny já chegou a dizer que via "sementes do Verbo" em uniões gays!
 


“Tenho vergonha de minha Igreja. Sinto principalmente uma incompreensão intelectual e moral ”, escreveu o bispo de Antuérpia Johan Bonny em um artigo de opinião para De Standaard . “Gostaria de pedir desculpas a todos para quem esta resposta é dolorosa e incompreensível. Sua dor pela Igreja é minha hoje ”, escreve ele.

A Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) do Vaticano reafirmou na segunda-feira que a Igreja não tem poder para conceder uma bênção às uniões homossexuais, uma vez que não estão de acordo com o plano de Deus para os seres humanos.

Questionado sobre se a Igreja tem o poder de dar uma bênção às uniões do mesmo sexo, o CDF respondeu: “Negativo”.

As bênçãos exigem "a intenção correta de quem participa" e "que o que é abençoado seja objetiva e positivamente ordenado para receber e expressar a graça, de acordo com os desígnios de Deus inscritos na criação", afirmou a CDF, com a aprovação expressa do Papa Francis.

“Portanto, apenas aquelas realidades que em si mesmas são ordenadas a servir a esses fins são congruentes com a essência da bênção concedida pela Igreja”, declara.

Não é lícito “dar uma bênção a relacionamentos, ou parcerias, mesmo estáveis, que envolvam atividade sexual fora do casamento”, dizia o documento, “como é o caso das uniões entre pessoas do mesmo sexo”.

O próprio Deus nunca deixa de abençoar cada um de seus filhos neste mundo, observa. “Mas Ele não abençoa e não pode abençoar o pecado.”

Em seu artigo, o bispo Bonny disse que o documento carece de base científica, nuance teológica e cautela ética, especialmente quando declara que "não há absolutamente nenhuma base para considerar as uniões homossexuais como de alguma forma semelhantes ou mesmo remotamente análogas ao plano de Deus para casamento e família.

"Intelectualmente, isso nem chega ao nível do ensino médio”, afirmou Bonny “Esse tipo de argumento, a lógica, você vê através disso. Hoje em dia, você não convence ninguém dessa maneira. ”

“Eu mesmo conheço casais gays, em casamentos civis com filhos, que formam uma família calorosa e estável, e que também participam ativamente da vida paroquial”, escreveu Bonny. “Alguns deles estão ativos em tempo integral como funcionários pastorais ou da igreja. Estou muito grato a eles. ”

“Quem tem interesse em negar que nenhuma semelhança ou analogia com o casamento heterossexual é possível aqui?” ele perguntou.

Bonny também disse que o pecado é um conceito nebuloso e não deve ser vinculado à atividade homossexual.

“O pecado é uma das categorias teológicas e morais mais difíceis de definir e, portanto, uma das últimas a se apegar aos indivíduos e à sua maneira de viver juntos”, disse Bonny.

“Uma abordagem respeitosa do casamento entre pessoas do mesmo sexo só pode ocorrer no contexto mais amplo da Ordem de Serviço para o Casamento, como uma eventual variação do tema do casamento e da vida familiar, com um reconhecimento honesto das semelhanças e diferenças reais”, ele concluiu. 

Tempos terríveis onde bispos desafiam decisões doutrinais de Roma. Basta saber se haverá disposição por parte de Bergoglio de punir Johan Bonny, bispo de Antuérpia, que chegou a afirmar que a decisão da CDF ia contra o espírito da Amoris Laetitia o que não deixa de fazer sentido. Roma precisa decidir se católicos devem seguir a Amoris ou a nota de CDF mas ao que tudo indica o objetivo de Francisco é fazer esse papel dúbio de falar ora a favor de uniões gays, ora contra. Vejamos onde isso vai parar. 



segunda-feira, 8 de março de 2021

Seis razões por que as conquistas do feminismo prejudicaram a mulher e a escravizaram ao capitalismo!

 




O dia 8 de Março é mais uma homenagem ao Feminismo que a Mulher tomada em si mesma. Isso por que não há muito o que comemorar caso você seja mulher e tenha herdado as tais “conquistas do feminismo” louvadas em verso e prosa pelo Sistema Liberal-Capitalista, esse sim o grande vitorioso nesse história.


Tempos atrás o ex-presidente Barack Obama, dizia, numa entrevista dada a Pedro Bial, que o feminismo é importante porque com ele você tem 50% por cento a mais da população pensando em soluções para os problemas atuais. Trocando em miúdos: o feminismo é importante porque coloca a mulher no mercado de trabalho, 50% por cento a mais de pessoas como mão de obra disponível é essencial para que os capitalistas lucrem mais e paguem menos pela força de trabalho. Isso é muito fácil de entender: que pai de família hoje consegue, sozinho, sustentar mulher e três a quatro filhos só com o seu salário? Poucos ou quase nenhum. Na maior parte dos casos ele precisa compor renda com a esposa; ou melhor, que mulher consegue, sozinha, pagar os custos duma casa com dois ou três filhos sem a pensão do marido, caso ela seja divorciada? Poucas ou quase nenhuma. Isso prova que aquele modelo familiar onde o pai com seu salário dava conta de sustentar todo mundo ficou impossível por que a renda caiu apesar dos lucros e da economia global ter aumentando vertiginosamente. Por isso que o feminismo é um braço do capitalismo – como foi, também, do socialismo soviético, no seu afã de fazer da mulher massa de manobra para a revolução – e que o dia 8 de Março é a data da opressão da mulher e não de sua libertação.


Vamos listar aqui seis razões pelas quais as mulheres não tem nada a agradecer ao feminismo e suas conquistas.


1- “O feminismo deu à mulher a chance de fazer uma carreira profissional no mercado de trabalho, ampliando sua qualidade de vida”.


Falso. Isso NÃO TROUXE mais qualidade de vida para a mulher que só passou a acumular mais uma atividade – como profissional - além da de mãe e esposa, ampliando seus níveis de estresse.


A mulher de hoje tem menos tempo disponível, está submetida a um nível de estresse mais alto por conta do aumento vertiginoso das exigências sobre a mulher moderna; prova disso é que os protestos da vez, na militância feminista, são por conta de questões trabalhistas ligadas a remuneração inferior dada à mulher, assédio moral, abuso sexual no ambiente de trabalho, etc. A insatisfação da mulher no mercado de trabalho é um fato reconhecido pelas feministas mas nunca jogado no colo do capitalismo que impõe as mesmas 8 horas de trabalho diário à mulher que impõe ao homem (afinal a mulher é igual ao homem, mesmo que a biologia e a psicologia digam o contrário! A quem interessa isso, afinal?): ao invés disso elas colocam a culpa num Patriarcado que já não existe mais.


2- “Com possibilidade de fazer carreira a mulher agora pode ser mãe mais tarde o que traz a chance de unir profissão e maternidade, ampliando a felicidade feminina”


Falso. Vários especialistas já mostraram que mães tardias enfrentam graves problemas emocionais.


O ideal de mulher na contemporaneidade exige grandes sacrifícios na conciliação dos conflitos entre o mundo público e o privado. A pressão para ser bem-sucedida em todos os aspectos da vida atinge, principalmente, as mulheres dos mais altos segmentos sociais. Estas que tiveram mais tempo de estudo e de construção da carreira, constituem, em grande parte, o contingente das mulheres que vão engravidar mais tardiamente. Para a especialista K. Dion, as experiências anteriores de grande autonomia sobre os variados aspectos da própria vida podem ser uma grande fonte de estresse para as mulheres que se deparam com a nova e imprevisível tarefa de cuidar de um bebê além de fator incapacitante para ser uma boa mãe, o que poderá afetar as futuras gerações. Além disso, segundo Shelton e Johnson sentimentos de isolamento e perda da própria liberdade podem surgir, contrapondo-se às experiências anteriores de autonomia e independência levando a mulher a frustração e aversão ao filho. Além disso estatísticas mostram o aumento da incidência de autismo nas crianças nascidas nas últimas décadas. As chances de uma mulher mais velha ter um filho com autismo aumentam 18% a cada cinco anos. Os riscos em uma mulher de 40 anos de idade podem chegar a 50%, se comparados com os riscos de uma mulher entre 25 e 29 anos.


3-”As mulheres são mais felizes agora que quando ainda vigorava o Patriarcado.”


Falso. Um dos mais relevantes estudos nesse sentido data de 2009 e foi publicado no American Economic Journal: Economic Policy sob a autoria de Betsey Stevenson e Justin Wolfers. Intitulado de The Paradox of Declining Female Happiness [O Paradoxo do Declínio da Felicidade Feminina, em tradução literal].


Segundo o estudo, em 1972, as mulheres eram mais felizes do que os homens, em média, e a mulher mediana era tão feliz quanto um homem no percentual de 53,3 da distribuição masculina.


4- “O feminismo dispensou o homem de suas obrigações e maioria deles agradece”.


Verdadeiro. Com a ascensão do feminismo mulheres passaram a ter o dever de sustentar casa e filhos junto com o homem o que proporcionou, a homens preguiçosos, a oportunidade de reduzir a carga de trabalho que impõem-se a si mesmos.


Além do mais o Divórcio, estabelecido em quase todos os países ocidentais, se estruturou em desfavor da mulher que quase sempre fica com os filhos, quando ele acontece, passando a ter de providenciar, quase sempre sozinha ou recebendo uma mixaria de pensão, os custos de manutenção do lar e educação dos filhos enquanto o homem se diverte com uma amante, graças a liberação sexual proposta pelo feminismo – que no fim das contas prejudicou, severamente, mulheres decentes que acabam abandonadas.



5- “A mulher agora empoderada como independente e chefe do lar pode celebrar as conquistas da liberdade, graças a revolução sexual”.


Falso. A revolução sexual deu ampla vantagem ao homem e somente prejuízos à mulher.


Como agora existe o Instituto do Divórcio ele se tornou um recurso pelo qual o homem pode sair de casa, deixando filhos e mulher com uma pensão de apenas 30 por cento de sua renda, ficando com os outros 70 livre para se refastelar com putas em busca de aventura sexual. Não estranha que cresça, apesar de todo o discurso feminista, a objetificação sexual da mulher pelo homem com o crescimento vertiginoso da pornografia, do sexo livre e das relações líquidas. Numa sociedade em que homens não tem deveres de proteção, cuidado e fidelidade só podemos esperar pela crescente onda de violência e abuso contra a mulher, fruto da idéia de que a mulher empoderada dipensa o apoio dum patriarca, afinal os homens já não são mais criados para proteger a delicadeza da fêmea, já que o sistema advoga que elas não precisam de amparo masculino pois são iguais aos homens.


6- “Acesso ao mercado de trabalho representa chance de ascensão ininterrupta para a mulher”


Falso. Todos os executivos sabem que a mulher, caso seja mãe e esposa, não tem condições de fazer hora extra e se comprometer com atividades extemporâneas como podem os homens.



No mercado atual a cobrança por resultados e atitude pró-ativa, que quase sempre significa estar disponível 24 horas para a empresa, tornam a mulher menos competitiva que o homem dificultando demasiado sua ascensão sobretudo nos setores executivos. Tanto é verdade que o novo símbolo de status entre os casais é a possibilidade de o marido manter a mulher em casa, cuidando da rotina doméstica e dos filhos, sem que ela precise trabalhar para complementar a renda familiar. Depois de batalhar para conquistar espaço no mercado de trabalho, muitas mulheres estão novamente brigando para reconquistar o direito de ficar em casa. Este é o resultado de uma pesquisa conduzida pela renomada London School of Economics. O percentual de mulheres que afirmou desejar a situação beira os 70%.



O feminismo é tão ruim que nem a maioria das mulheres quer ser identificada com ele: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/noticia/2019/04/por-que-o-feminismo-e-mal-visto-pela-maioria-das-mulheres-cjuk4fssl00q001p5780644b2.html


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Diferenças entre a proposta da Legião da Santa Cruz ante a Ação Orleanista e os Cristeros.








Tempos atrás o pessoal do canal TradTalk propôs um debate entre representantes da LSC x Cristeros e Orleanistas que tinha por fito apresentar ao público a idéia duma ação católica concernente a cada iniciativa. Infelizmente o debate não aconteceu mas ele continua pertinente e seria importante que, quem sabe um dia, venha a se dar. Na falta dele é mister que esclareçamos algumas diferenças entre a proposta da LSC perante estes duas iniciativas. 

A Legião da Santa Cruz se embasa num mínimo denominador comum para levar a frente uma ação católica efetiva. No que consiste esse denominador? Essencialmente na defesa dum Estado Católico. Isto impõe, obviamente, uma reformulação completa do nosso tecido político que hoje se estrutura como Estado Laico na Base da CF88. Partindo dos pressupostos elencados por Leão 13, em sua encíclica Libertas, entendemos que as leis civis devem favorecer a salvação eterna de modo que só um Estado Católico pode proporcionar uma boa ordem social capaz não só de instaurar a fraternidade social e justiça temporal como os meios necessários para o bem sobrenatural das almas humanas. A LSC, portanto, vai ao cerne do problema, qual seja na raiz da crise moderna que consiste na separação entre o poder civil e o poder espiritual, ou seja, num humanismo de onde Deus é exilado e no qual os direitos humanos são absolutizados. 

 Diversamente da LSC os Orleanistas focalizam seus esforços na restauração do Trono e da Monarquia no Brasil. Nós da LSC não temos nada a opor à Monarquia mas vemos que a restauração do Trono, por si mesmo, não garante uma solução efetiva para os problemas que acometem o país sobretudo porque boa parte dos monarquistas, hoje em dia, endossa a forma laica de Estado. Ademais tratar de Monarquia x República contribuiu para dividir os católicos em torno da forma de Estado, uma discussão que é secundária ante o conteúdo do mesmo. Deste modo a LSC, indo além destas questiúnculas sobre a forma que o Estado deve ter, prefere, como ensinou Platão em seu diálogo “As Leis”, enfatizar o conteúdo deste Estado que deve ser teocêntrico. Assim consideramos que é mais factível unir os católicos em torno do Estado Católico que importuná-los com uma discussão que, embora pertinente e válida, no momento não nos ajuda mas só nos divide em facções sobretudo quando temos uma família real que desperta tantas dúvidas e apreensões. 

Quanto aos Cristeros resta claro que o objetivo deles envolve a fundação dum partido. O problema central aí é que eles pretendem se apresentar como um partido que defende o Estado Confessional – e neste ponto eles se conectam com o que a LSC postula – mas num enquadramento eleitoral laico o que é um contrassenso. A idéia dum partido católico até faria sentido e teria chances de vingar no tocante a seu registro mesmo num quadro de laicidade, caso se limitasse a defender alguns postulados de moral natural e não a confessionalidade. 

Não sendo este o caso dos Cristeros nos parece destinada ao fracasso sua iniciativa entendendo que os esforços em torno da fundação dum partido – que ademais exige dinheiro e uma forte estrutura de militância, coisa que os Cristeros estão longe de possuir no momento - deveriam ser realocados na formação duma iniciativa ou movimento como é o caso da LSC, meio, ao nosso ver, mais adequado ao fim proposto, qual seja, o de restaurar o Estado Católico que exige um rutura com a atual estrutura política a partir da formação duma iniciativa sólida que transcenda partidos ou os atuais organismos políticos a fim de ter a necessária liberdade de ação.

 Ademais o termo “Cristeros” não tem apelo nacional dado o fato que a Guerra Cristera se passou no México e que o movimento em tela não objetivava a formação dum Partido e sim a construção duma resistência à política anticatólica de Plutarco Calles. O evento que, em nossa história, mais se aproxima dos Cristeros do México é Canudos, mas Conselheiro era um monarquista pró Dom Pedro II, personagem que é demonizado pelos Cristeros que, infelizmente, perdem energia e tempo com questões menores que mais dividem que unem como propostas de mudança do nome do país e dos símbolos nacionais; isso se dá inclusive com uma leitura demasiada negativa da nossa história – como sói ocorrer com os posicionamentos das lideranças dos Cristeros sobre o legado da fase imperial da nossa história – que mais ressalta e exagera os erros cometidos no nosso trajeto histórico do que aquilo que deu certo. Esse tipo de atitude crítica mais serve para demolir que para construir, juntar, criar. 

O problema do partido dos Cristeros é que eles querem impor à história do Brasil um modelo interpretativo baseado no que aconteceu no México. Neste sentido tomam a Monarquia e a República e transformam ambas no "Plutarco Elias" do Brasil como se aqui tivéssemos tido uma perseguição a Igreja como aquela havida no México. 

Em suma os Cristeros repetem os mesmos erros de liberais e marxistas dos mais variados matizes acostumados a ler o país a partir de categorias estrangeiras que não nos ajudam a construir o Brasil mas sim a demoli-lo.

 Por tudo isto que expusemos consideramos a proposta da LSC para uma ação católica mais consistente e razoável para o momento. Venham conosco!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Pauta LGBT está virando Política de Estado nos USA


Trump e sua filha Ivanka são fãs da causa LGBT

 




Durante a campanha Biden se comprometeu com a defesa das pautas de minorias caso vencesse para presidente dos USA o que inclui a causa LGBTQI como política de governo, o que se confirmou logo após sua posse quando ele suspendeu a proibição de que travestis ocupassem cargos nas Forças Armadas Estadunidenses. Apesar de haver diferenças significativas entre a política de governo Trump e a de Biden, neste aspecto é preciso lembrar que a Administração Trump vinha se orientando no sentido de se valer da pauta da defesa dos direitos humanos dos LGBT para impor sanções sobre países rivais dos EUA. Isto aponta ao fato de que progressivamente a pauta LGBT+QI está virando Política do Estado Americano e deixando de ser apenas política dos governos democratas.


Prova disso é que o governo Donald Trump esteve em vias de lançar uma campanha global pela descriminalização da homossexualidade em 2019 em dezenas de países onde ainda é considerado ilegal ter relações consensuais com pessoas do mesmo sexo. A informação, na época, foi noticiada pelo site da NBC.


Atualmente, mais de 70 países consideram a homossexualidade um crime e punem pessoas notadamente gays. De acordo com o site, o embaixador dos Estados Unidos na Alemanha, Richard Grenell, foi o responsável por esse esforço e teve como principais alvos o Oriente Médio, África e Caribe. Grenell foi membro do governo Trump, de mais alto cargo e era abertamente gay. Uma das motivações possíveis apontadas para esse esforço inesperado foi o caso, então, do enforcamento de um jovem gay no Irã – país desafeto de Trump. Em seu artigo no site Bild, o embaixador escreveu:


"Não é a primeira vez que o regime iraniano condenou um homem gay à morte com as acusações ultrajantes de sempre, e não será a última", e continua: "As pessoas podem discordar filosoficamente sobre homossexualidade, mas ninguém deve estar sujeito a penalizações criminais por ser gay".


Neste sentido o governo Trump usou a diplomacia da coerção buscando levar a cabo agressivas sanções econômicas como principal ferramenta de política externa em uma extensão nunca vista em décadas, ou talvez nunca. Desde que assumiu o cargo em janeiro de 2017, o presidente Donald Trump usou uma série de sanções novas e existentes contra o Irã, a Coreia do Norte e outros países por vários motivos e, entre eles, temos a defesa dos direitos humanos – o que incluiu o combate a leis antiLGBT. Seu Departamento do Tesouro, que supervisionava sanções econômicas, teve como alvo milhares de entidades com congelamento de ativos e proibição de negócios sobretudo em países do Oriente Médio e África, onde essas leis vigoram mais fortemente.


Cabe lembrar que em 2014 os USA- sob governo de Obama – pressionaram Uganda em razão de suas leis antiLGBT como noticiamos aqui https://catolicidadetradit.blogspot.com/2014/04/eua-patrocinam-leis-pro-lgbt-no-mundo-o.html.


Portanto parece bastante sensato falar que a pauta LGBTQI já virou política do estado americano dado o fato de já perpassar três governos diferentes (dois democratas e um republicano), confirmando o fato de que os EUA estão a promover a derrubada de valores cristãos. 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Francisco barra a canonização do Cardeal Stepinac para agradar sérvios e socialistas

Para agradar socialistas e ortodoxos Bergoglio brecou a canonização de Stepinac

 

Em 3 de outubro de 1998, o papa João Paulo II beatificou o cardeal Alojzije Stepinac no santuário nacional de Marija Bistrica diante de 500.000 croatas. O próximo passo seria a canonização. No dia 10 de fevereiro de 2014, na memória do Beato Stepinac, o Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, anunciou que a canonização seria possível no ano de 2015 durante a celebração eucarística que presidiu na igreja de São Jerônimo em Roma.

Mas o que parecia uma coisa certa em 1998, entretanto, nunca aconteceu, e por que isso nunca aconteceu tornou-se um objeto de intensa especulação e discussão desde então.

Os croatas, como é de se esperar, culparam os sérvios, em grande parte porque o Papa Francisco convocou “uma comissão de líderes católicos e ortodoxos”, sob a presidência de um representante da Santa Sé, para examinar o registro do tempo de guerra do beato Aloysius.

O Papa Francisco estabeleceu a comissão em “maio de 2016 depois de receber uma carta do Patriarca da Igreja Ortodoxa Sérvia Irinej, que declarou sua oposição à canonização do cardeal.”

Em vez de chegar a um acordo sobre a vida de uma das figuras mais heróicas na Igreja pós-Segunda Guerra Mundial na Europa oriental, a comissão concluiu seu trabalho no prazo previsto de um ano, encerrou sua investigação no verão de 2017 sem alcançar nenhum resultado “concordando em discordar” sobre a causa de canonização do cardeal croata em vez de chegar a um acordo sobre a vida de uma das figuras mais heróicas da Igreja pós-Segunda Guerra Mundial na Europa oriental.

Quando o Papa Francisco foi questionado sobre Stepinac em seu retorno da Bulgária em 17 de março de 2019, ele respondeu:


A canonização de Stepinac é um caso histórico. Ele é um homem virtuoso para esta Igreja, que o proclamou bem-aventurado, você pode rezar [por sua intercessão]. Mas em um determinado momento do processo de canonização há pontos obscuros, pontos históricos, e devo assinar a canonização, é minha responsabilidade, rezei, refleti, pedi conselhos, e vi que deveria pedir a Irinej, um grande patriarca, por ajuda. Fizemos uma comissão histórica juntos e trabalhamos juntos, e tanto Irinej quanto eu estamos interessados ​​verdade. Quem é ajudado por uma declaração de santidade se a verdade não é clara? Sabemos que [Stepinac] era um bom homem, mas para dar esse passo procurei a ajuda do Irinej e eles estão estudando. Em primeiro lugar, a comissão foi constituída e deu o seu parecer. Estão estudando outras fontes, aprofundando alguns pontos para que a verdade fique clara. Não tenho medo da verdade, não tenho medo. Tenho medo do julgamento de Deus”.

Como em tantos casos ultimamente, o Papa Francisco mais uma vez espalhou confusão no próprio ato de fazer um esclarecimento. Se a vida de Stepinac é um exemplo de virtude heróica, como afirmou o Papa João Paulo II, o que está impedindo a canonização? Ou ele é, como diz o papa, “um homem virtuoso somente para esta igreja”? E se sim, o que isso significa? Em que ponto seu status se tornou obscuro após sua beatificação? A comissão que aprovou sua beatificação não deveria ter examinado os pontos históricos pouco claros antes de beatificá-lo? Ou estamos falando sobre a diferença entre João Paulo II, que, como Stepinac, viveu sob o domínio nazista e comunista, e Francisco, que não experimentou nenhum dos dois? Por que tamanho rigor na canonização de Stepinac e quase nenhum na de outros candidatos? Obviamente fica claro que as atuais canonizações acabam mais atendendo a intentos políticos que a Glória de Deus. 

Ainda de acordo com Matija Stahan, os sérvios não apresentaram novas evidências e Irinej fez uso de fontes que “perpetuaram alegações fabricadas pelo governo iugoslavo após a Segunda Guerra Mundial para remover Stepinac do público como um símbolo do cristianismo e do patriotismo croata”. Que Stepinac não era culpado dos crimes que o Patriarca Irinej impôs a seus pés, Stahan cita evidências de Stepinac: 

“Esse projeto - como o próprio Stepinac bem entendeu - significava que, na prática, o Partido Comunista Iugoslavo e elementos dentro da Igreja Ortodoxa Sérvia, que de outra forma nada tinham em comum, compartilhavam um objetivo comum. Isso consistia em demonizar a Igreja Católica (à qual pertenciam quase todos os croatas) e a nação croata (que numericamente, culturalmente e economicamente estava, sozinha, em posição de desafiar a supremacia sérvia). A existência desta combinação profana e silenciosa ajuda a explicar por que a lenda negra contra Stepinac foi tão persistente e sua promoção tão eficaz.”


O tom brando que esperamos dos comunicados à imprensa emitidos pelas comissões oficiais do Vaticano não conseguiu acalmar a indignação e a traição que os croatas católicos sentiram nas mãos do Vaticano. Os católicos suspeitavam da comissão desde o seu início. Em 2016, o professor Ronald J. Rychlak, que escreveu sobre o Papa Pio XII, cuja canonização foi paralisada pelo Vaticano por falta de um milagre - embora ele tenha sido proclamado “venerabilis” em 2009 - anunciou que o caso sérvio contra Stepinac foi “uma falsa narrativa criada por agentes soviéticos”.


Traduzido do Culture Wars de E. Michael Jones. 



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Francisco muda o sentido de magistério para legitimar o caótico Vaticano II

No neo magistério de Francisco há lugar até para o Budismo. 

 


Francisco, numa audiência ao Departamento Nacional de Catequese da Itália em 30/01/2021, sublinhou que o Concílio Vaticano II faz parte do “Magistério da Igreja”.


A fala provocou reações seja na cena sedevacantista, seja na cena neoconservadora quanto na progressista.


Os primeiros a usaram para provar que a Sé esta vacante, pois, argumentam, Francisco ao tentar impor um conciliábulo como magistério não pode mesmo ser Papa, não restando outra norma de conduta senão a de proclamar a vacância do trono petrino.


Os segundos a usaram para provar que o único caminho é o da hermenêutica da continuidade, numa síntese entre tradição e CVII; enquanto que os progressistas se valeram da fala para sublinhar que as mudanças na Igreja são fatais e que já não é possível voltar atrás na virada modernizante operada em 1962.


Em ambos os casos a metralhadora se volta contra os católicos de posição lefebvrista cuja posição é a da mediania e prudência que nos assegura que nem podemos dizer, peremptoriamente, que a sé esteja vacante, nem que o Vaticano II faça parte da Tradição da Igreja.


Deste modo é preciso pesar a fala de Francisco sem cair em leituras enviesadas com base em viés de confirmação.


Em primeiro lugar importa destacar o que significa “magistério” para os papas conciliares. O Vaticano II inverteu a ordem de causa e efeito entre Magistério – o ensino ordinário e extraordinário dos papas, sínodos, concílios e bispos – e sensus fidei, o senso comum da fé dos simples fiéis. No passado concebia-se que o Magistério é causa do sensus fidei. Desde o Vaticano II passou-se a considerar que o sensus fidei é a causa do Magistério – ou melhor do neo “magistério”. Para o CVII o magistério tem a função de unificar a pluralidade dos sentires do povo fiel. Justamente neste esquema que os sínodos vem sendo realizados desde que as reformas do Vaticano II passaram a vigorar: a cada 5 anos os bispos recolhem as tendências eclesiais dominantes em cada região, discutem uma questão sob perspectivas opostas e terminam os debates propondo textos de compromisso entre posições doutrinais contrastantes, processo que lembra o de um parlamento democrático moderno onde vige o consenso e não a verdade.


Outrossim a noção de Igreja que subjaz ao Vaticano II é de Povo. A Igreja seria, neste esquema, primacialmente, um Povo. A Lumen Gentium, documento do Vaticano II sobre a natureza da Igreja, entende o sacerdócio como pertencente a todo Povo de Deus. O sacerdócio ministerial dos padres e bispos seria apenas uma função que emana do sacerdócio geral do Povo, algo que ecoa a noção de sacerdócio universal em Lutero. Por dois milênios os católicos acreditaram que a função de Cristo como rei, sacerdote e profeta era participada, integralmente, apenas pelo papa e bispos em razão de seu poder de ensinar, reger, santificar. A LG, todavia, mudou isto: no número 11/12 diz que todos participam igualmente do ofício de santificar, profetizar, etc.


Onde queremos chegar? É simples: a chave de leitura da recente preleção de Bergoglio sobre Magistério e Igreja é que o significado destes dois termos no discurso dele tem, respectivamente, base na noção de sensus fidei e povo de Deus é não no que o Magistério perene definiu como sendo Magistério – causa e não efeito do sensus fidei – e Igreja – Corpo de Cristo antes de Povo de Deus.


Vamos examinar a fala inteiriça de Francisco para situarmos a questão, partindo do seguinte link (https://domtotal.com/noticia/1497033/2021/02/vaticano-ii-faz-parte-do-magisterio-quem-nao-o-segue-nao-esta-com-a-igreja-diz-o-papa/):


No seu discurso, o papa sublinhou a importância da catequese e recordou palavras do papa Paulo VI no primeiro encontro com a CEI depois do concílio, em que considerou este acontecimento magno da Igreja Católica como "o grande catecismo dos novos tempos". "Por isso, observou Francisco, a catequese inspirada pelo Concílio é uma escuta contínua do coração do homem, sempre com o ouvido alerta, sempre atento a renovar-se". E foi justamente neste seguimento que o papa deixou de lado o texto que tinha preparado e disse, em jeito de reflexão: "O concílio é Magistério da Igreja. Ou nós estamos com a Igreja e, portanto, seguimos o concílio, ou se não seguimos o concílio ou o interpretamos à nossa maneira, à nossa própria vontade, não estamos com a Igreja””



Notem a ênfase dada ao CVII como “catecismo dos novos tempos” e como “escuta do homem”, ou seja, o Vaticano II seria expressão do sentir humano, do sentir moderno, do sentir dos fiéis afinado com os novos tempos. Obviamente essa noção nada tem que ver com a noção tradicional de Magistério que julga o espírito do tempo com base no depósito da revelação e não a revelação a partir do sentir de cada época.



Neste caso estar com a Igreja, dentro da lógica bergogliana, é estar com o Povo de Deus – a Igreja de Bergoglio é, antes de mais nada, povo sacerdotal que Corpo Hierárquico - em seu sentir afinado com os tempos modernos, em que a escuta do homem tem primazia sobre a revelação. A seguinte expressão confirma nossa tese:



Retomando a leitura do discurso, o papa incentivou os responsáveis pela catequese a "não ter medo de falar a linguagem das mulheres e dos homens de hoje", de "falar a linguagem do povo".



Ou seja: em vez de falar a linguagem da revelação, falar a linguagem do “povo”. O que isso tem a ver com a fé tradicional da Igreja? Nada!



Que fique claro: um católico que recuse a noção de Magistério e de Igreja tal como a entende o Vaticano II e Francisco não está fora da Igreja tampouco estaria praticando desobediência ao Papa. É Bergoglio quem desobedece o parecer perene da Igreja sobre o que é Magistério ao alegar que o CVII constitui Magistério. A acusação de desobediência deve pesar sobre ele e não sobre nós que recusamos tais novidades.



Por outro lado, faltando uma vontade objetiva de impor uma doutrina em razão de Bergoglio escorar-se no sensus fidei como causa do magistério, não é possível tratar essa preleção como magistério ordinário, que exigiria uma concepção hierárquica que é faltante em Francisco. Logo tampouco tem razão sejam os sede vacantistas, quanto neo conservadores e progressistas: a fala não obriga de maneira nenhuma a consciência católica.



No mais os possíveis delitos contra a fé perpetrados por Bergoglio não atentam em nada contra a Sede Apostólica pois são delitos da pessoa privada do pontífice e não da fides apostolica sedis, não do cargo papal. O romano pontífice não perde o livre arbítrio ao ser eleito e nem o fato dele poder ser seduzido pelo Diabo põe em xeque a promessa de Cristo que é a de estar todos os dias com a Igreja e a feita em favor da fé de Pedro enquanto pessoa pública e restrita a ensinamentos dados pelo Magistério supremo. Preleções em encontros de catequese tem a mesma autoridade que a duma homilia e não podem ser elevados ao status de ato de magistério ainda que Bergoglio tivesse noções ortodoxas de Magistério e Igreja.



Santo Tomás expõe que é a heresia, e não a verdade, que causa escândalo. Resistir na fé de sempre não é escandaloso; incensar o neo magistério conciliar é que constituiu escândalo para ouvidos pios.



Há que haver escândalos, diz Nosso Senhor, mas ai dos homens por quem o escândalo vem, melhor seria não terem nascido.



terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Jack Donovan e seu Masculinismo não representam o Patriarcado


 


Dia destes nos deparamos com uma reportagem do The Intercept assinada por Rosana Pinheiro destacando a figura de Jack Donovan como representativa do “machismo”, conceito que reuniria num só gênero diversas espécies como o patriarcalismo tradicional, o fascismo e o ideal masculinista de Donovan. Evidentemente isto só existe na cabeça da jornalista em destaque dado que o Patriarcado tradicional e o fascismo – que descende da antiga tradição imperial romana, portando do modelo patriarcal latino - recusam o modelo masculinista por várias razões.


Primeiro é preciso elencar o que é Patriarcado que consiste numa preponderância do Pai sobre um clã familiar, um agregado extenso de pessoas que consubstanciam uma parentela. Neste quadro temos alguns modelos clássicos como o do patriarca hebreu, romano e grego.


Entre os Hebreus o Pai era chefe militar e juiz do clã. Abraão é um exemplo bem acabado do patriarca hebraico: ele controlava e dividia as funções dentro do clã, decidia que extensões das estepes cabia a cada núcleo familiar usar para alimentar seus rebanhos, tinha ingerência sobre casamentos e acordos com outros povos, etc. O Patriarca era uma espécie de Rei que tinha deveres para com parentes, esposas e filhos, estando atrelado a fortes obrigações éticas; caso não as cumprisse poderia ser derrubado por outro homem do clã que fizesse jus a tais deveres.


Entre os romanos os Pater eram chefes de clãs que se identificavam em razão dos deuses que adoravam e dos antepassados que honravam: portanto eles eram reis-sacerdotes. Entre suas obrigações estavam a manutenção do culto aos antepassados e das virtudes ancestrais. A dedicação a família, a esposa e aos filhos marcava o ethos do Pater romano sempre ocupado em manter a honra, a propriedade e a segurança da linhagem.


Entre os gregos o culto da Andreia (virilidade em grego) marca a cultura do Patriarca. Na Grécia o Pai era, nas origens da sociedade helênica, o Basileus, o rei duma tribo. Seus direitos envolviam a ordenação das atividades de produção no Oikos, terra comunal donde a família extraía sua subsistência. Isto exigia do Basileus que atuasse como chefe militar e administrador. Foi da atividade dos Patriarcas-Basileus que surgiram as primeiras aldeias muralhadas da Grécia, gênese das Cidades-Estado. Assim o Patriarca e o ideal de Homem se associaram para forjar a idéia de que ser viril é ser heróico o que quer dizer estar disposto a sacrificar-se pela Pólis e pela segurança de mulher e filhos, pondo o homem a serviço duma Idéia mais alta que ele mesmo enquanto indivíduo.


A história ensina que a elevação dum padrão cultural está diretamente ligada a um esforço moral e a uma disciplina social para alcançá-lo. Nas sociedades matrilineares, os padrões morais eram mais frouxos pois se baseavam no culto da deusa mãe, em ritos de fecundidade da natureza onde reinava a licenciosidade sexual. Tais sociedades exigiam menos esforço moral e menor grau de repressão sexual o que impedia a sublimação da energia sexual em energia criativa na arte, filosofia, religião, etc. A família patriarcal por sua vez exige mais da natureza humana pois solicita virgindade e auto sacríficio da esposa, obediência e disciplina por parte dos filhos e um pesado ônus de responsabilidade ao pai que tem de submeter seus sentimentos pessoais aos interesses da família. Isso faz dela algo SUPERIOR. Tal família não se restringe mais à função primária de reprodução sexual mas passa a ser um eixo de organização social, política, econômica e cultural de alta complexidade donde brotam valores como piedade, honra, modéstia e religião. Platão dirá que com a família patriarcal nasce no homem o sentimento da eternidade, de ultrapassar o tempo deixando depois de si filhos que possam cultuar os deuses e continuar uma tradição moral.


O masculinismo de Jack, como podemos ver, se diferencia radicalmente do Patriarcalismo. Seu ideal é brutalista, a força é a “virtude” básica do macho. Seu masculinismo vai além daquele pensado por canalhas morais que, se valendo da liberação sexual da fêmea, pensam em levar uma vida de sexo sem compromisso onde o objetivo passa a ser “meter a pica e deixar na pista”, como dirão tais degenerados. Essa cena masculinista inicialmente calcada nas idéias de Nesahan Alita, que exprimia um ressentimento ante a figura feminina moderna como sendo de uma vadia que, depois de temporadas de fornicação com os machos alfa, procura um cara médio para ser seu “cuck” - referência ao pássaro Cuco que cria o filho de outros machos – ressentimento até certo ponto justificado mas mal resolvido pois incapaz de oferecer uma solução moralizante à crise provocada pela revolução sexual, foi a base donde as sandices de Jack se desenvolveram. E isto serve de alerta a sujeitos que flertam com o ideário MGTOW, Canal do Búfalo, Blog Silvio Koerich: o futuro deles é virarem Donovan, o sodomita “viril”.


No Patriarcado a força é elemento importante mas está a serviço de uma Idéia, dum Deus, duma Tradição, duma Moral. Não é fim mas meio para realizações civilizatórias. Donovan recusa a associação do homem a mulher e prefere que homens vivam organizados em gangues a sodomizar uns aos outros. Na Grécia Antiga o máximo admitido era um rito de passagem onde jovens ficavam sob treinamento e tutoria militar de Erastas para aprender as virtudes masculinas que envolviam uma filo-sodomização pelo erômeno – o rapaz iniciado nos ritos másculos era encoxado pelo Erasta sem que isso envolvesse penetração anal a fim de indicar, apenas, a dominação, hierarquia e a virilidade do Pater; o rito em tela não envolvia paixão sexual. Logo depois desses ritos de passagem o homem deveria se associar pelo resto da vida em casamento a uma mulher. Jack recusa isso. Ele prefere que homens vivam em comunas-gangues; o sexo com mulheres seria restrito a fins reprodutivos e estaria descolado de casamento o que levaria, por tabela, a destruição das linhagens familiares restando apenas comunidades másculas sem parentesco, baseadas unicamente em gostos comuns por caçadas, artes marciais, uma “tribo” fundada nos gostos pessoais dos membros: nada mais Pós-Moderno que isso mas Donovan jura que está lutando contra a Modernidade feminizante. Ao que tudo indica a sua mentalidade masculinista foi feminizada também pois Jack não é outra coisa senão produto da pós modernidade da qual emerge o feminismo defendido por Rosana Pinheiro do The Intercept que consiste na ideologia da supremacia do desejo individual sobre a razão, tradição, religião. As sandices de Jack são o lado B, a outra face do feminismo atual: da mesma forma que essas recusam o “macho opressor” e preferem relações lésbicas, Donavan rejeita a fêmea absolutamente em prol das pequenas tribos de homens.


Jack é também um identitário como são as feministas de esquerda. Ele exalta as identidades tribais da América do Norte e defende organizações tribais de homens brancos contra o multiculturalismo. Ou seja, contra o tribalismo de esquerda ele propõe outro por isso se filiou a Igreja de Satanás e ao Wolfs Of Vinland, organização Odinista que nasceu de gangues de motoqueiros pagãos cujos membros incendeiam Igrejas como foi o caso de Maurice Michaely. Para fugir da Modernidade, Donovan preconiza um pensamento tribal: os esquerdistas foucaltianos, as feministas, o movimento LGBT, tudo que ele recusa mais que estão igualmente empenhados na demolição da razão, agradecem o serviço prestado por Jack.


Isto posto vemos que a tentativa de aproximar o masculinismo de Donovan ao Patriarcado é frustra, a senhora Pinheiro está mais próxima dele do que pensa e nós do Patriarcalismo é que representamos a solução para o caos civilizatório no qual feministas e masculinistas querem nos lançar.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Quando Dugin se converte ao Olavismo ou a confusão sobre Trump, Trumpismo e USA

 







Quem conhece o debate havido outrora entre Dugin e Olavo a respeito do papel dos EUA na Nova Ordem Mundial sabe que as perspectivas de cada um deles eram inconciliáveis. Primeiro por que Dugin indicava acertadamente que as três possibilidades de ação para os USA, no pós queda da URSS em termos de política internacional, se articulam em torno dum mesmo eixo: consolidar a hegemonia dos EUA no Globo. Estas três possibilidades são:


A- O neoconservadorismo do Partido Republicano representado pelos governos de Bush pai e Bush filho onde através de intervenções unilaterais se objetiva espalhar as instituições americanas pelo mundo garantindo assim os interesses nacionais estadunidenses contra arroubos de líderes ditatoriais antiamericanos que poderiam desestabilizar o cenário externo, pondo em xeque o domínio dos USA.


B- O multilateralismo do Partido Democrata que busca construir uma governança global ao lado de aliados como os países da Europa Ocidental mais o Japão.


C- O Globalismo do CFR que pretende dissolver as soberanias nacionais criando um Governo Global sob auspícios da super classe mundialista que coincide com os plutocratas dos EUA e Europa.


Nos três casos o que teríamos é, de qualquer modo, a Hegemonia dos valores americanos, dos direitos humanos universais, do modelo democrático liberal, secular e laico, a prevalência dos direitos individuais, etc; o que diferencia cada projeto é o modo e a forma de implementar essa hegemonia como o modo e a forma da inserção das elites nela (No caso dum Governo Global a la CFR as nações teriam direito de voz num parlamento mundial, algo similar ao que já acontece na Assembleia Geral da ONU; não há que se falar aí duma ditadura como alguns conspirólogos vulgares fazem mas dum sistema federativo o que não quer dizer que isso não signifique uma ameaça aos povos já que suas vozes seriam deveras diluídas num sistema piramidal). Em resumo: em qualquer dos casos a Plataforma de Desenvolvimento dessa dominação seria a tradição política americana como veículo privilegiado do Iluminismo. Para Dugin a única atitude possível ante este quadro seria uma posição anti-imperialista e anti- americana o que significa recusar a hegemonia dos USA sob que forma aparecesse.


A. Dugin ressaltava, na época, um erro crasso na análise feita por Olavo de Carvalho quanto ao ocidente ser “dividido” entre os globalistas corrompidos e o ocidente profundo, livre do progressismo avançado que caracteriza os globalistas, e que seria a base duma resistência ao mesmo: para Dugin não haveria um ocidente profundo x o ocidente globalista, ambos seriam faces da mesma moeda do materialismo individualista nascido do Iluminismo: assim os EUA, o individualismo, a moral laica que marginaliza religiões, a redução ou supressão das soberanias nacionais, o universalismo demo-liberal, o governo global, são todas facetas duma mesma realidade, segundo o que expôs com competência o pensador russo no debate em tela.


Todavia desde a ascensão de Trump, em 2016, Dugin começou a flertar com a posição de Carvalho quando Donald montou sua campanha inteira com base numa proposta de isolacionismo em política externa e combate as elites políticas tradicionais em termos de política interna. Ignorando o lema da campanha “Fazer a América Grande de Novo” que exprimia o desejo de recuperar uma hegemonia combalida pela ascensão da China e contrapesada pelo multilateralismo do governo Obama, Dugin se deixou seduzir pelo discurso que apelava para um EUA profundo contra o EUA fabricado pelas elites, exatamente o mesmo esquema de pensamento de Olavo. Logo que Trump começou seu governo Dugin ficou decepcionado pelo fato dele ter sido capturado pelos falcões neocons nestes termos:


A decisão formal de atacar [A Síria] foi tomada por Donald Trump. Ao fazê-lo, ele deixou de ser Trump, e se tornou Hillary disfarçada de homem, um tipo de travesti. Tudo contra o que Trump lutou ao longo de sua campanha eleitoral e que ele prometeu mudar foi assinado por ele hoje. Portanto, não foi ele que tomou a decisão. Ele simplesmente mostrou que, a partir desse momento, ele não é capaz de decidir nada”- https://legio-victrix.blogspot.com/2017/04/aleksandr-dugin-terceira-guerra-mundial.html


Trump era apenas um homem e não um movimento e não possuía uma base, tampouco nomes nem um programa estruturado para fazer um governo alternativo àquelas três possibilidades descritas acima. Restou buscar velhos conhecidos no seu partido e apelar ao neoconservadorismo de Jhon Bolton e ao libertarianismo de Mike Pompeo, ou seja, ao intervencionismo beligerante e imperialista e ao individualismo.


Cabe dizer que havia a expectativa de Dugin e dos dissidentes em torno de Trump envolvia ilusões como a que ele iria mandar Hillary para a cadeia, que restauraria relações amistosas com Rússia, Irã, China e Síria, que acabaria com a Otan, etc. Evidente que nós jamais acreditamos nisso. Quem em sã consciência poderia apostar tão alto quando Trump dizia “Great America Make Again”? Lógico que víamos sua eleição sob uma ótica prática: se Trump for se concentrar mais nos problemas internos que externos, então teremos uma janela de oportunidade para destravar nosso desenvolvimento nacional. Era só isso, ir além dessa avaliação parcimoniosa era loucura ou ignorância profunda sobre a natureza dos USA ou, quiçá, desejo de acreditar que algo estava mudando, um sonho ou fantasia de quem pensa que prostitutas vão todas virar algum dia uma Maria Madalena. Nada disso aconteceu: Trump fez guerra comercial com a China, bombardeou a Síria, sancionou empresas russas, matou Soleimani, general iraniano, interveio no Iêmen, etc. Dugin e os dissidentes falharam em suas previsões otimistas para não dizer surreais.


Eis o herói anti-globalista!


Agora tudo volta ao que fora antes da decepção causada pelo bombardeio da Síria: Donald Trump virou, mais uma vez no discurso dissidente, o campeão do povo, como podemos ver em recente artigo de A. Dugin publicado pelo site olavista Brasil sem Medo (https://brasilsemmedo.com/alexander-dugin-o-grande-despertar/?fbclid=IwAR0lhj7TMEkVVo2lrUYtmxcdysJLXohiqfzkdiQQZFdFX4nUHTqZ4q-nz7o).


Obviamente tudo isto não passa dum absurdo. Trump fez fortuna dentro do nicho imobiliário estadunidense, um setor altamente ligado a especulação a e as altas finanças – lembro que a crise econômica de 2008, causada por rentismo, começou no setor imobiliário – nos quais o bilionário travou contatos com figuras sinistras como Roger Stones (um marketeiro libertário que apoia pauta lgbt e drogas que ajudou Trump a chegar ao poder) e Epstein, um ricaço pedófilo que promovia festas movidas a orgias com meninas de 13 anos. Trump que é também um dos pais da cultura "coach empresarial" (leia-se, "babaovismo"/"capachismo" empresarial) influenciador de figuras como Max Gehringer, Justus, e cia, que acham que funcionário tem comer até bosta de chefe e cliente para servir bem a empresa, agora é tido como o timoneiro das massas, o herói popular americano que vai salvar o país da corrosão moral inata a América.


O buraco, contudo, é menos embaixo do que pensa a imaginação fértil dessa gente. Trump é um fenômeno tornado possível graças ao espaço que as BigRedes deram a ele esses anos todos. Claro que é preciso discutir a ingerência dessas redes sociais na liberdade de expressão mas isto não autoriza caracterizar o fenômeno Trump ou o Trumpismo como a “outra América” que na verdade não passa da mesma América que no fundo é dupla: racista, protestante, conservadora e supremacista dum lado, cosmopolita, maçônica, secularista e materialista do outro. Como mostramos neste artigo (https://catolicidadetradit.blogspot.com/2020/11/trump-nao-e-o-anti-sistema-luta-pelo.html) Trump não passa duma realocação do Império, tendo tido, durante todo seu governo, apoio da maioria dos setores de Wall Street só vindo a perdê-lo no segundo semestre de 2020 quando figurões do mundo financeiro ficaram céticos quanto a sua renúncia fiscal ser capaz de recuperar a economia americana ante a pandemia.


É bem verdade que Trump polariza a insatisfação de parcelas do povo com o sistema americano cuja fachada é democrática mas a realidade oligárquica mas não nos enganemos: essa insatisfação não tem a mínima chance de se tornar eficaz pois falta conscientização. Primeiro por que Trump é também um oligarca preso a oligarcas e a dinastias como a histórica dinastia Rothschild, basta ver como o barão David René de Rotshchild apoia Trump no poderoso Congresso Mundial Judaico que ele preside. Segundo por que o movimento que invadiu o Capitólio se embasa nos ideais americanos – que construíram o sistema – ou será que ninguém viu as bandeiras do Tea Party tremulando no meio da multidão? Terceiro por que a direita trumpista está dentro da semântica democrática, que no fim é a semântica americanista que dá base ao progressismo democrata! A “deusa” democracia jamais é posta em questão mesmo pelos que se enxergam como anti-sistema, o que aponta para uma cegueira fatal afinal foi a institucionalidade legal democrática que permitiu a ascensão das oligarquias ao poder. O economista pró Trump Paul Craig Roberts, por exemplo, de modo esquizofrênico, apela a Primeira Emenda para defender a causa trumpista esquecendo que foi com ela na mão que o mass media boicotou o governo Trump por 4 anos sem que ele pudesse fazer nada. Só uma refundação dos USA em bases fascistas e iliberais poderia resolver o quadro mas isso exigira uma conversão do povo americano o que é improvável.


Diante do exposto resta ao sr. A. Dugin e aos seus alunos dissidentes se matricularem no COF de Olavo e redigirem uma nota pública decretando a vitória de Carvalho no debate sobre o EUA e a Nova Ordem Mundial. Eles, ao que tudo indica, abandonaram o fronte de luta anti-americano – até que uma nova decepção os faça abandonar suas fantasias - mas nós, aqui, daremos seguimento ao embate intelectual contra o Grande Satã em sua dupla face, democrata e republicana, ensimesmada e cosmopolita, qual o deus pagão romano janus!