segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Diferenças entre a proposta da Legião da Santa Cruz ante a Ação Orleanista e os Cristeros.








Tempos atrás o pessoal do canal TradTalk propôs um debate entre representantes da LSC x Cristeros e Orleanistas que tinha por fito apresentar ao público a idéia duma ação católica concernente a cada iniciativa. Infelizmente o debate não aconteceu mas ele continua pertinente e seria importante que, quem sabe um dia, venha a se dar. Na falta dele é mister que esclareçamos algumas diferenças entre a proposta da LSC perante estes duas iniciativas. 

A Legião da Santa Cruz se embasa num mínimo denominador comum para levar a frente uma ação católica efetiva. No que consiste esse denominador? Essencialmente na defesa dum Estado Católico. Isto impõe, obviamente, uma reformulação completa do nosso tecido político que hoje se estrutura como Estado Laico na Base da CF88. Partindo dos pressupostos elencados por Leão 13, em sua encíclica Libertas, entendemos que as leis civis devem favorecer a salvação eterna de modo que só um Estado Católico pode proporcionar uma boa ordem social capaz não só de instaurar a fraternidade social e justiça temporal como os meios necessários para o bem sobrenatural das almas humanas. A LSC, portanto, vai ao cerne do problema, qual seja na raiz da crise moderna que consiste na separação entre o poder civil e o poder espiritual, ou seja, num humanismo de onde Deus é exilado e no qual os direitos humanos são absolutizados. 

 Diversamente da LSC os Orleanistas focalizam seus esforços na restauração do Trono e da Monarquia no Brasil. Nós da LSC não temos nada a opor à Monarquia mas vemos que a restauração do Trono, por si mesmo, não garante uma solução efetiva para os problemas que acometem o país sobretudo porque boa parte dos monarquistas, hoje em dia, endossa a forma laica de Estado. Ademais tratar de Monarquia x República contribuiu para dividir os católicos em torno da forma de Estado, uma discussão que é secundária ante o conteúdo do mesmo. Deste modo a LSC, indo além destas questiúnculas sobre a forma que o Estado deve ter, prefere, como ensinou Platão em seu diálogo “As Leis”, enfatizar o conteúdo deste Estado que deve ser teocêntrico. Assim consideramos que é mais factível unir os católicos em torno do Estado Católico que importuná-los com uma discussão que, embora pertinente e válida, no momento não nos ajuda mas só nos divide em facções sobretudo quando temos uma família real que desperta tantas dúvidas e apreensões. 

Quanto aos Cristeros resta claro que o objetivo deles envolve a fundação dum partido. O problema central aí é que eles pretendem se apresentar como um partido que defende o Estado Confessional – e neste ponto eles se conectam com o que a LSC postula – mas num enquadramento eleitoral laico o que é um contrassenso. A idéia dum partido católico até faria sentido e teria chances de vingar no tocante a seu registro mesmo num quadro de laicidade, caso se limitasse a defender alguns postulados de moral natural e não a confessionalidade. 

Não sendo este o caso dos Cristeros nos parece destinada ao fracasso sua iniciativa entendendo que os esforços em torno da fundação dum partido – que ademais exige dinheiro e uma forte estrutura de militância, coisa que os Cristeros estão longe de possuir no momento - deveriam ser realocados na formação duma iniciativa ou movimento como é o caso da LSC, meio, ao nosso ver, mais adequado ao fim proposto, qual seja, o de restaurar o Estado Católico que exige um rutura com a atual estrutura política a partir da formação duma iniciativa sólida que transcenda partidos ou os atuais organismos políticos a fim de ter a necessária liberdade de ação.

 Ademais o termo “Cristeros” não tem apelo nacional dado o fato que a Guerra Cristera se passou no México e que o movimento em tela não objetivava a formação dum Partido e sim a construção duma resistência à política anticatólica de Plutarco Calles. O evento que, em nossa história, mais se aproxima dos Cristeros do México é Canudos, mas Conselheiro era um monarquista pró Dom Pedro II, personagem que é demonizado pelos Cristeros que, infelizmente, perdem energia e tempo com questões menores que mais dividem que unem como propostas de mudança do nome do país e dos símbolos nacionais; isso se dá inclusive com uma leitura demasiada negativa da nossa história – como sói ocorrer com os posicionamentos das lideranças dos Cristeros sobre o legado da fase imperial da nossa história – que mais ressalta e exagera os erros cometidos no nosso trajeto histórico do que aquilo que deu certo. Esse tipo de atitude crítica mais serve para demolir que para construir, juntar, criar. 

O problema do partido dos Cristeros é que eles querem impor à história do Brasil um modelo interpretativo baseado no que aconteceu no México. Neste sentido tomam a Monarquia e a República e transformam ambas no "Plutarco Elias" do Brasil como se aqui tivéssemos tido uma perseguição a Igreja como aquela havida no México. 

Em suma os Cristeros repetem os mesmos erros de liberais e marxistas dos mais variados matizes acostumados a ler o país a partir de categorias estrangeiras que não nos ajudam a construir o Brasil mas sim a demoli-lo.

 Por tudo isto que expusemos consideramos a proposta da LSC para uma ação católica mais consistente e razoável para o momento. Venham conosco!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Pauta LGBT está virando Política de Estado nos USA


Trump e sua filha Ivanka são fãs da causa LGBT

 




Durante a campanha Biden se comprometeu com a defesa das pautas de minorias caso vencesse para presidente dos USA o que inclui a causa LGBTQI como política de governo, o que se confirmou logo após sua posse quando ele suspendeu a proibição de que travestis ocupassem cargos nas Forças Armadas Estadunidenses. Apesar de haver diferenças significativas entre a política de governo Trump e a de Biden, neste aspecto é preciso lembrar que a Administração Trump vinha se orientando no sentido de se valer da pauta da defesa dos direitos humanos dos LGBT para impor sanções sobre países rivais dos EUA. Isto aponta ao fato de que progressivamente a pauta LGBT+QI está virando Política do Estado Americano e deixando de ser apenas política dos governos democratas.


Prova disso é que o governo Donald Trump esteve em vias de lançar uma campanha global pela descriminalização da homossexualidade em 2019 em dezenas de países onde ainda é considerado ilegal ter relações consensuais com pessoas do mesmo sexo. A informação, na época, foi noticiada pelo site da NBC.


Atualmente, mais de 70 países consideram a homossexualidade um crime e punem pessoas notadamente gays. De acordo com o site, o embaixador dos Estados Unidos na Alemanha, Richard Grenell, foi o responsável por esse esforço e teve como principais alvos o Oriente Médio, África e Caribe. Grenell foi membro do governo Trump, de mais alto cargo e era abertamente gay. Uma das motivações possíveis apontadas para esse esforço inesperado foi o caso, então, do enforcamento de um jovem gay no Irã – país desafeto de Trump. Em seu artigo no site Bild, o embaixador escreveu:


"Não é a primeira vez que o regime iraniano condenou um homem gay à morte com as acusações ultrajantes de sempre, e não será a última", e continua: "As pessoas podem discordar filosoficamente sobre homossexualidade, mas ninguém deve estar sujeito a penalizações criminais por ser gay".


Neste sentido o governo Trump usou a diplomacia da coerção buscando levar a cabo agressivas sanções econômicas como principal ferramenta de política externa em uma extensão nunca vista em décadas, ou talvez nunca. Desde que assumiu o cargo em janeiro de 2017, o presidente Donald Trump usou uma série de sanções novas e existentes contra o Irã, a Coreia do Norte e outros países por vários motivos e, entre eles, temos a defesa dos direitos humanos – o que incluiu o combate a leis antiLGBT. Seu Departamento do Tesouro, que supervisionava sanções econômicas, teve como alvo milhares de entidades com congelamento de ativos e proibição de negócios sobretudo em países do Oriente Médio e África, onde essas leis vigoram mais fortemente.


Cabe lembrar que em 2014 os USA- sob governo de Obama – pressionaram Uganda em razão de suas leis antiLGBT como noticiamos aqui https://catolicidadetradit.blogspot.com/2014/04/eua-patrocinam-leis-pro-lgbt-no-mundo-o.html.


Portanto parece bastante sensato falar que a pauta LGBTQI já virou política do estado americano dado o fato de já perpassar três governos diferentes (dois democratas e um republicano), confirmando o fato de que os EUA estão a promover a derrubada de valores cristãos. 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Francisco barra a canonização do Cardeal Stepinac para agradar sérvios e socialistas

Para agradar socialistas e ortodoxos Bergoglio brecou a canonização de Stepinac

 

Em 3 de outubro de 1998, o papa João Paulo II beatificou o cardeal Alojzije Stepinac no santuário nacional de Marija Bistrica diante de 500.000 croatas. O próximo passo seria a canonização. No dia 10 de fevereiro de 2014, na memória do Beato Stepinac, o Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, anunciou que a canonização seria possível no ano de 2015 durante a celebração eucarística que presidiu na igreja de São Jerônimo em Roma.

Mas o que parecia uma coisa certa em 1998, entretanto, nunca aconteceu, e por que isso nunca aconteceu tornou-se um objeto de intensa especulação e discussão desde então.

Os croatas, como é de se esperar, culparam os sérvios, em grande parte porque o Papa Francisco convocou “uma comissão de líderes católicos e ortodoxos”, sob a presidência de um representante da Santa Sé, para examinar o registro do tempo de guerra do beato Aloysius.

O Papa Francisco estabeleceu a comissão em “maio de 2016 depois de receber uma carta do Patriarca da Igreja Ortodoxa Sérvia Irinej, que declarou sua oposição à canonização do cardeal.”

Em vez de chegar a um acordo sobre a vida de uma das figuras mais heróicas na Igreja pós-Segunda Guerra Mundial na Europa oriental, a comissão concluiu seu trabalho no prazo previsto de um ano, encerrou sua investigação no verão de 2017 sem alcançar nenhum resultado “concordando em discordar” sobre a causa de canonização do cardeal croata em vez de chegar a um acordo sobre a vida de uma das figuras mais heróicas da Igreja pós-Segunda Guerra Mundial na Europa oriental.

Quando o Papa Francisco foi questionado sobre Stepinac em seu retorno da Bulgária em 17 de março de 2019, ele respondeu:


A canonização de Stepinac é um caso histórico. Ele é um homem virtuoso para esta Igreja, que o proclamou bem-aventurado, você pode rezar [por sua intercessão]. Mas em um determinado momento do processo de canonização há pontos obscuros, pontos históricos, e devo assinar a canonização, é minha responsabilidade, rezei, refleti, pedi conselhos, e vi que deveria pedir a Irinej, um grande patriarca, por ajuda. Fizemos uma comissão histórica juntos e trabalhamos juntos, e tanto Irinej quanto eu estamos interessados ​​verdade. Quem é ajudado por uma declaração de santidade se a verdade não é clara? Sabemos que [Stepinac] era um bom homem, mas para dar esse passo procurei a ajuda do Irinej e eles estão estudando. Em primeiro lugar, a comissão foi constituída e deu o seu parecer. Estão estudando outras fontes, aprofundando alguns pontos para que a verdade fique clara. Não tenho medo da verdade, não tenho medo. Tenho medo do julgamento de Deus”.

Como em tantos casos ultimamente, o Papa Francisco mais uma vez espalhou confusão no próprio ato de fazer um esclarecimento. Se a vida de Stepinac é um exemplo de virtude heróica, como afirmou o Papa João Paulo II, o que está impedindo a canonização? Ou ele é, como diz o papa, “um homem virtuoso somente para esta igreja”? E se sim, o que isso significa? Em que ponto seu status se tornou obscuro após sua beatificação? A comissão que aprovou sua beatificação não deveria ter examinado os pontos históricos pouco claros antes de beatificá-lo? Ou estamos falando sobre a diferença entre João Paulo II, que, como Stepinac, viveu sob o domínio nazista e comunista, e Francisco, que não experimentou nenhum dos dois? Por que tamanho rigor na canonização de Stepinac e quase nenhum na de outros candidatos? Obviamente fica claro que as atuais canonizações acabam mais atendendo a intentos políticos que a Glória de Deus. 

Ainda de acordo com Matija Stahan, os sérvios não apresentaram novas evidências e Irinej fez uso de fontes que “perpetuaram alegações fabricadas pelo governo iugoslavo após a Segunda Guerra Mundial para remover Stepinac do público como um símbolo do cristianismo e do patriotismo croata”. Que Stepinac não era culpado dos crimes que o Patriarca Irinej impôs a seus pés, Stahan cita evidências de Stepinac: 

“Esse projeto - como o próprio Stepinac bem entendeu - significava que, na prática, o Partido Comunista Iugoslavo e elementos dentro da Igreja Ortodoxa Sérvia, que de outra forma nada tinham em comum, compartilhavam um objetivo comum. Isso consistia em demonizar a Igreja Católica (à qual pertenciam quase todos os croatas) e a nação croata (que numericamente, culturalmente e economicamente estava, sozinha, em posição de desafiar a supremacia sérvia). A existência desta combinação profana e silenciosa ajuda a explicar por que a lenda negra contra Stepinac foi tão persistente e sua promoção tão eficaz.”


O tom brando que esperamos dos comunicados à imprensa emitidos pelas comissões oficiais do Vaticano não conseguiu acalmar a indignação e a traição que os croatas católicos sentiram nas mãos do Vaticano. Os católicos suspeitavam da comissão desde o seu início. Em 2016, o professor Ronald J. Rychlak, que escreveu sobre o Papa Pio XII, cuja canonização foi paralisada pelo Vaticano por falta de um milagre - embora ele tenha sido proclamado “venerabilis” em 2009 - anunciou que o caso sérvio contra Stepinac foi “uma falsa narrativa criada por agentes soviéticos”.


Traduzido do Culture Wars de E. Michael Jones. 



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Francisco muda o sentido de magistério para legitimar o caótico Vaticano II

No neo magistério de Francisco há lugar até para o Budismo. 

 


Francisco, numa audiência ao Departamento Nacional de Catequese da Itália em 30/01/2021, sublinhou que o Concílio Vaticano II faz parte do “Magistério da Igreja”.


A fala provocou reações seja na cena sedevacantista, seja na cena neoconservadora quanto na progressista.


Os primeiros a usaram para provar que a Sé esta vacante, pois, argumentam, Francisco ao tentar impor um conciliábulo como magistério não pode mesmo ser Papa, não restando outra norma de conduta senão a de proclamar a vacância do trono petrino.


Os segundos a usaram para provar que o único caminho é o da hermenêutica da continuidade, numa síntese entre tradição e CVII; enquanto que os progressistas se valeram da fala para sublinhar que as mudanças na Igreja são fatais e que já não é possível voltar atrás na virada modernizante operada em 1962.


Em ambos os casos a metralhadora se volta contra os católicos de posição lefebvrista cuja posição é a da mediania e prudência que nos assegura que nem podemos dizer, peremptoriamente, que a sé esteja vacante, nem que o Vaticano II faça parte da Tradição da Igreja.


Deste modo é preciso pesar a fala de Francisco sem cair em leituras enviesadas com base em viés de confirmação.


Em primeiro lugar importa destacar o que significa “magistério” para os papas conciliares. O Vaticano II inverteu a ordem de causa e efeito entre Magistério – o ensino ordinário e extraordinário dos papas, sínodos, concílios e bispos – e sensus fidei, o senso comum da fé dos simples fiéis. No passado concebia-se que o Magistério é causa do sensus fidei. Desde o Vaticano II passou-se a considerar que o sensus fidei é a causa do Magistério – ou melhor do neo “magistério”. Para o CVII o magistério tem a função de unificar a pluralidade dos sentires do povo fiel. Justamente neste esquema que os sínodos vem sendo realizados desde que as reformas do Vaticano II passaram a vigorar: a cada 5 anos os bispos recolhem as tendências eclesiais dominantes em cada região, discutem uma questão sob perspectivas opostas e terminam os debates propondo textos de compromisso entre posições doutrinais contrastantes, processo que lembra o de um parlamento democrático moderno onde vige o consenso e não a verdade.


Outrossim a noção de Igreja que subjaz ao Vaticano II é de Povo. A Igreja seria, neste esquema, primacialmente, um Povo. A Lumen Gentium, documento do Vaticano II sobre a natureza da Igreja, entende o sacerdócio como pertencente a todo Povo de Deus. O sacerdócio ministerial dos padres e bispos seria apenas uma função que emana do sacerdócio geral do Povo, algo que ecoa a noção de sacerdócio universal em Lutero. Por dois milênios os católicos acreditaram que a função de Cristo como rei, sacerdote e profeta era participada, integralmente, apenas pelo papa e bispos em razão de seu poder de ensinar, reger, santificar. A LG, todavia, mudou isto: no número 11/12 diz que todos participam igualmente do ofício de santificar, profetizar, etc.


Onde queremos chegar? É simples: a chave de leitura da recente preleção de Bergoglio sobre Magistério e Igreja é que o significado destes dois termos no discurso dele tem, respectivamente, base na noção de sensus fidei e povo de Deus é não no que o Magistério perene definiu como sendo Magistério – causa e não efeito do sensus fidei – e Igreja – Corpo de Cristo antes de Povo de Deus.


Vamos examinar a fala inteiriça de Francisco para situarmos a questão, partindo do seguinte link (https://domtotal.com/noticia/1497033/2021/02/vaticano-ii-faz-parte-do-magisterio-quem-nao-o-segue-nao-esta-com-a-igreja-diz-o-papa/):


No seu discurso, o papa sublinhou a importância da catequese e recordou palavras do papa Paulo VI no primeiro encontro com a CEI depois do concílio, em que considerou este acontecimento magno da Igreja Católica como "o grande catecismo dos novos tempos". "Por isso, observou Francisco, a catequese inspirada pelo Concílio é uma escuta contínua do coração do homem, sempre com o ouvido alerta, sempre atento a renovar-se". E foi justamente neste seguimento que o papa deixou de lado o texto que tinha preparado e disse, em jeito de reflexão: "O concílio é Magistério da Igreja. Ou nós estamos com a Igreja e, portanto, seguimos o concílio, ou se não seguimos o concílio ou o interpretamos à nossa maneira, à nossa própria vontade, não estamos com a Igreja””



Notem a ênfase dada ao CVII como “catecismo dos novos tempos” e como “escuta do homem”, ou seja, o Vaticano II seria expressão do sentir humano, do sentir moderno, do sentir dos fiéis afinado com os novos tempos. Obviamente essa noção nada tem que ver com a noção tradicional de Magistério que julga o espírito do tempo com base no depósito da revelação e não a revelação a partir do sentir de cada época.



Neste caso estar com a Igreja, dentro da lógica bergogliana, é estar com o Povo de Deus – a Igreja de Bergoglio é, antes de mais nada, povo sacerdotal que Corpo Hierárquico - em seu sentir afinado com os tempos modernos, em que a escuta do homem tem primazia sobre a revelação. A seguinte expressão confirma nossa tese:



Retomando a leitura do discurso, o papa incentivou os responsáveis pela catequese a "não ter medo de falar a linguagem das mulheres e dos homens de hoje", de "falar a linguagem do povo".



Ou seja: em vez de falar a linguagem da revelação, falar a linguagem do “povo”. O que isso tem a ver com a fé tradicional da Igreja? Nada!



Que fique claro: um católico que recuse a noção de Magistério e de Igreja tal como a entende o Vaticano II e Francisco não está fora da Igreja tampouco estaria praticando desobediência ao Papa. É Bergoglio quem desobedece o parecer perene da Igreja sobre o que é Magistério ao alegar que o CVII constitui Magistério. A acusação de desobediência deve pesar sobre ele e não sobre nós que recusamos tais novidades.



Por outro lado, faltando uma vontade objetiva de impor uma doutrina em razão de Bergoglio escorar-se no sensus fidei como causa do magistério, não é possível tratar essa preleção como magistério ordinário, que exigiria uma concepção hierárquica que é faltante em Francisco. Logo tampouco tem razão sejam os sede vacantistas, quanto neo conservadores e progressistas: a fala não obriga de maneira nenhuma a consciência católica.



No mais os possíveis delitos contra a fé perpetrados por Bergoglio não atentam em nada contra a Sede Apostólica pois são delitos da pessoa privada do pontífice e não da fides apostolica sedis, não do cargo papal. O romano pontífice não perde o livre arbítrio ao ser eleito e nem o fato dele poder ser seduzido pelo Diabo põe em xeque a promessa de Cristo que é a de estar todos os dias com a Igreja e a feita em favor da fé de Pedro enquanto pessoa pública e restrita a ensinamentos dados pelo Magistério supremo. Preleções em encontros de catequese tem a mesma autoridade que a duma homilia e não podem ser elevados ao status de ato de magistério ainda que Bergoglio tivesse noções ortodoxas de Magistério e Igreja.



Santo Tomás expõe que é a heresia, e não a verdade, que causa escândalo. Resistir na fé de sempre não é escandaloso; incensar o neo magistério conciliar é que constituiu escândalo para ouvidos pios.



Há que haver escândalos, diz Nosso Senhor, mas ai dos homens por quem o escândalo vem, melhor seria não terem nascido.



terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Jack Donovan e seu Masculinismo não representam o Patriarcado


 


Dia destes nos deparamos com uma reportagem do The Intercept assinada por Rosana Pinheiro destacando a figura de Jack Donovan como representativa do “machismo”, conceito que reuniria num só gênero diversas espécies como o patriarcalismo tradicional, o fascismo e o ideal masculinista de Donovan. Evidentemente isto só existe na cabeça da jornalista em destaque dado que o Patriarcado tradicional e o fascismo – que descende da antiga tradição imperial romana, portando do modelo patriarcal latino - recusam o modelo masculinista por várias razões.


Primeiro é preciso elencar o que é Patriarcado que consiste numa preponderância do Pai sobre um clã familiar, um agregado extenso de pessoas que consubstanciam uma parentela. Neste quadro temos alguns modelos clássicos como o do patriarca hebreu, romano e grego.


Entre os Hebreus o Pai era chefe militar e juiz do clã. Abraão é um exemplo bem acabado do patriarca hebraico: ele controlava e dividia as funções dentro do clã, decidia que extensões das estepes cabia a cada núcleo familiar usar para alimentar seus rebanhos, tinha ingerência sobre casamentos e acordos com outros povos, etc. O Patriarca era uma espécie de Rei que tinha deveres para com parentes, esposas e filhos, estando atrelado a fortes obrigações éticas; caso não as cumprisse poderia ser derrubado por outro homem do clã que fizesse jus a tais deveres.


Entre os romanos os Pater eram chefes de clãs que se identificavam em razão dos deuses que adoravam e dos antepassados que honravam: portanto eles eram reis-sacerdotes. Entre suas obrigações estavam a manutenção do culto aos antepassados e das virtudes ancestrais. A dedicação a família, a esposa e aos filhos marcava o ethos do Pater romano sempre ocupado em manter a honra, a propriedade e a segurança da linhagem.


Entre os gregos o culto da Andreia (virilidade em grego) marca a cultura do Patriarca. Na Grécia o Pai era, nas origens da sociedade helênica, o Basileus, o rei duma tribo. Seus direitos envolviam a ordenação das atividades de produção no Oikos, terra comunal donde a família extraía sua subsistência. Isto exigia do Basileus que atuasse como chefe militar e administrador. Foi da atividade dos Patriarcas-Basileus que surgiram as primeiras aldeias muralhadas da Grécia, gênese das Cidades-Estado. Assim o Patriarca e o ideal de Homem se associaram para forjar a idéia de que ser viril é ser heróico o que quer dizer estar disposto a sacrificar-se pela Pólis e pela segurança de mulher e filhos, pondo o homem a serviço duma Idéia mais alta que ele mesmo enquanto indivíduo.


A história ensina que a elevação dum padrão cultural está diretamente ligada a um esforço moral e a uma disciplina social para alcançá-lo. Nas sociedades matrilineares, os padrões morais eram mais frouxos pois se baseavam no culto da deusa mãe, em ritos de fecundidade da natureza onde reinava a licenciosidade sexual. Tais sociedades exigiam menos esforço moral e menor grau de repressão sexual o que impedia a sublimação da energia sexual em energia criativa na arte, filosofia, religião, etc. A família patriarcal por sua vez exige mais da natureza humana pois solicita virgindade e auto sacríficio da esposa, obediência e disciplina por parte dos filhos e um pesado ônus de responsabilidade ao pai que tem de submeter seus sentimentos pessoais aos interesses da família. Isso faz dela algo SUPERIOR. Tal família não se restringe mais à função primária de reprodução sexual mas passa a ser um eixo de organização social, política, econômica e cultural de alta complexidade donde brotam valores como piedade, honra, modéstia e religião. Platão dirá que com a família patriarcal nasce no homem o sentimento da eternidade, de ultrapassar o tempo deixando depois de si filhos que possam cultuar os deuses e continuar uma tradição moral.


O masculinismo de Jack, como podemos ver, se diferencia radicalmente do Patriarcalismo. Seu ideal é brutalista, a força é a “virtude” básica do macho. Seu masculinismo vai além daquele pensado por canalhas morais que, se valendo da liberação sexual da fêmea, pensam em levar uma vida de sexo sem compromisso onde o objetivo passa a ser “meter a pica e deixar na pista”, como dirão tais degenerados. Essa cena masculinista inicialmente calcada nas idéias de Nesahan Alita, que exprimia um ressentimento ante a figura feminina moderna como sendo de uma vadia que, depois de temporadas de fornicação com os machos alfa, procura um cara médio para ser seu “cuck” - referência ao pássaro Cuco que cria o filho de outros machos – ressentimento até certo ponto justificado mas mal resolvido pois incapaz de oferecer uma solução moralizante à crise provocada pela revolução sexual, foi a base donde as sandices de Jack se desenvolveram. E isto serve de alerta a sujeitos que flertam com o ideário MGTOW, Canal do Búfalo, Blog Silvio Koerich: o futuro deles é virarem Donovan, o sodomita “viril”.


No Patriarcado a força é elemento importante mas está a serviço de uma Idéia, dum Deus, duma Tradição, duma Moral. Não é fim mas meio para realizações civilizatórias. Donovan recusa a associação do homem a mulher e prefere que homens vivam organizados em gangues a sodomizar uns aos outros. Na Grécia Antiga o máximo admitido era um rito de passagem onde jovens ficavam sob treinamento e tutoria militar de Erastas para aprender as virtudes masculinas que envolviam uma filo-sodomização pelo erômeno – o rapaz iniciado nos ritos másculos era encoxado pelo Erasta sem que isso envolvesse penetração anal a fim de indicar, apenas, a dominação, hierarquia e a virilidade do Pater; o rito em tela não envolvia paixão sexual. Logo depois desses ritos de passagem o homem deveria se associar pelo resto da vida em casamento a uma mulher. Jack recusa isso. Ele prefere que homens vivam em comunas-gangues; o sexo com mulheres seria restrito a fins reprodutivos e estaria descolado de casamento o que levaria, por tabela, a destruição das linhagens familiares restando apenas comunidades másculas sem parentesco, baseadas unicamente em gostos comuns por caçadas, artes marciais, uma “tribo” fundada nos gostos pessoais dos membros: nada mais Pós-Moderno que isso mas Donovan jura que está lutando contra a Modernidade feminizante. Ao que tudo indica a sua mentalidade masculinista foi feminizada também pois Jack não é outra coisa senão produto da pós modernidade da qual emerge o feminismo defendido por Rosana Pinheiro do The Intercept que consiste na ideologia da supremacia do desejo individual sobre a razão, tradição, religião. As sandices de Jack são o lado B, a outra face do feminismo atual: da mesma forma que essas recusam o “macho opressor” e preferem relações lésbicas, Donavan rejeita a fêmea absolutamente em prol das pequenas tribos de homens.


Jack é também um identitário como são as feministas de esquerda. Ele exalta as identidades tribais da América do Norte e defende organizações tribais de homens brancos contra o multiculturalismo. Ou seja, contra o tribalismo de esquerda ele propõe outro por isso se filiou a Igreja de Satanás e ao Wolfs Of Vinland, organização Odinista que nasceu de gangues de motoqueiros pagãos cujos membros incendeiam Igrejas como foi o caso de Maurice Michaely. Para fugir da Modernidade, Donovan preconiza um pensamento tribal: os esquerdistas foucaltianos, as feministas, o movimento LGBT, tudo que ele recusa mais que estão igualmente empenhados na demolição da razão, agradecem o serviço prestado por Jack.


Isto posto vemos que a tentativa de aproximar o masculinismo de Donovan ao Patriarcado é frustra, a senhora Pinheiro está mais próxima dele do que pensa e nós do Patriarcalismo é que representamos a solução para o caos civilizatório no qual feministas e masculinistas querem nos lançar.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Quando Dugin se converte ao Olavismo ou a confusão sobre Trump, Trumpismo e USA

 







Quem conhece o debate havido outrora entre Dugin e Olavo a respeito do papel dos EUA na Nova Ordem Mundial sabe que as perspectivas de cada um deles eram inconciliáveis. Primeiro por que Dugin indicava acertadamente que as três possibilidades de ação para os USA, no pós queda da URSS em termos de política internacional, se articulam em torno dum mesmo eixo: consolidar a hegemonia dos EUA no Globo. Estas três possibilidades são:


A- O neoconservadorismo do Partido Republicano representado pelos governos de Bush pai e Bush filho onde através de intervenções unilaterais se objetiva espalhar as instituições americanas pelo mundo garantindo assim os interesses nacionais estadunidenses contra arroubos de líderes ditatoriais antiamericanos que poderiam desestabilizar o cenário externo, pondo em xeque o domínio dos USA.


B- O multilateralismo do Partido Democrata que busca construir uma governança global ao lado de aliados como os países da Europa Ocidental mais o Japão.


C- O Globalismo do CFR que pretende dissolver as soberanias nacionais criando um Governo Global sob auspícios da super classe mundialista que coincide com os plutocratas dos EUA e Europa.


Nos três casos o que teríamos é, de qualquer modo, a Hegemonia dos valores americanos, dos direitos humanos universais, do modelo democrático liberal, secular e laico, a prevalência dos direitos individuais, etc; o que diferencia cada projeto é o modo e a forma de implementar essa hegemonia como o modo e a forma da inserção das elites nela (No caso dum Governo Global a la CFR as nações teriam direito de voz num parlamento mundial, algo similar ao que já acontece na Assembleia Geral da ONU; não há que se falar aí duma ditadura como alguns conspirólogos vulgares fazem mas dum sistema federativo o que não quer dizer que isso não signifique uma ameaça aos povos já que suas vozes seriam deveras diluídas num sistema piramidal). Em resumo: em qualquer dos casos a Plataforma de Desenvolvimento dessa dominação seria a tradição política americana como veículo privilegiado do Iluminismo. Para Dugin a única atitude possível ante este quadro seria uma posição anti-imperialista e anti- americana o que significa recusar a hegemonia dos USA sob que forma aparecesse.


A. Dugin ressaltava, na época, um erro crasso na análise feita por Olavo de Carvalho quanto ao ocidente ser “dividido” entre os globalistas corrompidos e o ocidente profundo, livre do progressismo avançado que caracteriza os globalistas, e que seria a base duma resistência ao mesmo: para Dugin não haveria um ocidente profundo x o ocidente globalista, ambos seriam faces da mesma moeda do materialismo individualista nascido do Iluminismo: assim os EUA, o individualismo, a moral laica que marginaliza religiões, a redução ou supressão das soberanias nacionais, o universalismo demo-liberal, o governo global, são todas facetas duma mesma realidade, segundo o que expôs com competência o pensador russo no debate em tela.


Todavia desde a ascensão de Trump, em 2016, Dugin começou a flertar com a posição de Carvalho quando Donald montou sua campanha inteira com base numa proposta de isolacionismo em política externa e combate as elites políticas tradicionais em termos de política interna. Ignorando o lema da campanha “Fazer a América Grande de Novo” que exprimia o desejo de recuperar uma hegemonia combalida pela ascensão da China e contrapesada pelo multilateralismo do governo Obama, Dugin se deixou seduzir pelo discurso que apelava para um EUA profundo contra o EUA fabricado pelas elites, exatamente o mesmo esquema de pensamento de Olavo. Logo que Trump começou seu governo Dugin ficou decepcionado pelo fato dele ter sido capturado pelos falcões neocons nestes termos:


A decisão formal de atacar [A Síria] foi tomada por Donald Trump. Ao fazê-lo, ele deixou de ser Trump, e se tornou Hillary disfarçada de homem, um tipo de travesti. Tudo contra o que Trump lutou ao longo de sua campanha eleitoral e que ele prometeu mudar foi assinado por ele hoje. Portanto, não foi ele que tomou a decisão. Ele simplesmente mostrou que, a partir desse momento, ele não é capaz de decidir nada”- https://legio-victrix.blogspot.com/2017/04/aleksandr-dugin-terceira-guerra-mundial.html


Trump era apenas um homem e não um movimento e não possuía uma base, tampouco nomes nem um programa estruturado para fazer um governo alternativo àquelas três possibilidades descritas acima. Restou buscar velhos conhecidos no seu partido e apelar ao neoconservadorismo de Jhon Bolton e ao libertarianismo de Mike Pompeo, ou seja, ao intervencionismo beligerante e imperialista e ao individualismo.


Cabe dizer que havia a expectativa de Dugin e dos dissidentes em torno de Trump envolvia ilusões como a que ele iria mandar Hillary para a cadeia, que restauraria relações amistosas com Rússia, Irã, China e Síria, que acabaria com a Otan, etc. Evidente que nós jamais acreditamos nisso. Quem em sã consciência poderia apostar tão alto quando Trump dizia “Great America Make Again”? Lógico que víamos sua eleição sob uma ótica prática: se Trump for se concentrar mais nos problemas internos que externos, então teremos uma janela de oportunidade para destravar nosso desenvolvimento nacional. Era só isso, ir além dessa avaliação parcimoniosa era loucura ou ignorância profunda sobre a natureza dos USA ou, quiçá, desejo de acreditar que algo estava mudando, um sonho ou fantasia de quem pensa que prostitutas vão todas virar algum dia uma Maria Madalena. Nada disso aconteceu: Trump fez guerra comercial com a China, bombardeou a Síria, sancionou empresas russas, matou Soleimani, general iraniano, interveio no Iêmen, etc. Dugin e os dissidentes falharam em suas previsões otimistas para não dizer surreais.


Eis o herói anti-globalista!


Agora tudo volta ao que fora antes da decepção causada pelo bombardeio da Síria: Donald Trump virou, mais uma vez no discurso dissidente, o campeão do povo, como podemos ver em recente artigo de A. Dugin publicado pelo site olavista Brasil sem Medo (https://brasilsemmedo.com/alexander-dugin-o-grande-despertar/?fbclid=IwAR0lhj7TMEkVVo2lrUYtmxcdysJLXohiqfzkdiQQZFdFX4nUHTqZ4q-nz7o).


Obviamente tudo isto não passa dum absurdo. Trump fez fortuna dentro do nicho imobiliário estadunidense, um setor altamente ligado a especulação a e as altas finanças – lembro que a crise econômica de 2008, causada por rentismo, começou no setor imobiliário – nos quais o bilionário travou contatos com figuras sinistras como Roger Stones (um marketeiro libertário que apoia pauta lgbt e drogas que ajudou Trump a chegar ao poder) e Epstein, um ricaço pedófilo que promovia festas movidas a orgias com meninas de 13 anos. Trump que é também um dos pais da cultura "coach empresarial" (leia-se, "babaovismo"/"capachismo" empresarial) influenciador de figuras como Max Gehringer, Justus, e cia, que acham que funcionário tem comer até bosta de chefe e cliente para servir bem a empresa, agora é tido como o timoneiro das massas, o herói popular americano que vai salvar o país da corrosão moral inata a América.


O buraco, contudo, é menos embaixo do que pensa a imaginação fértil dessa gente. Trump é um fenômeno tornado possível graças ao espaço que as BigRedes deram a ele esses anos todos. Claro que é preciso discutir a ingerência dessas redes sociais na liberdade de expressão mas isto não autoriza caracterizar o fenômeno Trump ou o Trumpismo como a “outra América” que na verdade não passa da mesma América que no fundo é dupla: racista, protestante, conservadora e supremacista dum lado, cosmopolita, maçônica, secularista e materialista do outro. Como mostramos neste artigo (https://catolicidadetradit.blogspot.com/2020/11/trump-nao-e-o-anti-sistema-luta-pelo.html) Trump não passa duma realocação do Império, tendo tido, durante todo seu governo, apoio da maioria dos setores de Wall Street só vindo a perdê-lo no segundo semestre de 2020 quando figurões do mundo financeiro ficaram céticos quanto a sua renúncia fiscal ser capaz de recuperar a economia americana ante a pandemia.


É bem verdade que Trump polariza a insatisfação de parcelas do povo com o sistema americano cuja fachada é democrática mas a realidade oligárquica mas não nos enganemos: essa insatisfação não tem a mínima chance de se tornar eficaz pois falta conscientização. Primeiro por que Trump é também um oligarca preso a oligarcas e a dinastias como a histórica dinastia Rothschild, basta ver como o barão David René de Rotshchild apoia Trump no poderoso Congresso Mundial Judaico que ele preside. Segundo por que o movimento que invadiu o Capitólio se embasa nos ideais americanos – que construíram o sistema – ou será que ninguém viu as bandeiras do Tea Party tremulando no meio da multidão? Terceiro por que a direita trumpista está dentro da semântica democrática, que no fim é a semântica americanista que dá base ao progressismo democrata! A “deusa” democracia jamais é posta em questão mesmo pelos que se enxergam como anti-sistema, o que aponta para uma cegueira fatal afinal foi a institucionalidade legal democrática que permitiu a ascensão das oligarquias ao poder. O economista pró Trump Paul Craig Roberts, por exemplo, de modo esquizofrênico, apela a Primeira Emenda para defender a causa trumpista esquecendo que foi com ela na mão que o mass media boicotou o governo Trump por 4 anos sem que ele pudesse fazer nada. Só uma refundação dos USA em bases fascistas e iliberais poderia resolver o quadro mas isso exigira uma conversão do povo americano o que é improvável.


Diante do exposto resta ao sr. A. Dugin e aos seus alunos dissidentes se matricularem no COF de Olavo e redigirem uma nota pública decretando a vitória de Carvalho no debate sobre o EUA e a Nova Ordem Mundial. Eles, ao que tudo indica, abandonaram o fronte de luta anti-americano – até que uma nova decepção os faça abandonar suas fantasias - mas nós, aqui, daremos seguimento ao embate intelectual contra o Grande Satã em sua dupla face, democrata e republicana, ensimesmada e cosmopolita, qual o deus pagão romano janus!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

A pandemia é um complot da China ou do Globalismo? Resposta aos conspirologistas ralés!


 

O vírus não é uma conspiração mas as medidas que envolvem seu combate podem, por vias indiretas, favorecer a idéia de um globalismo político ou, caso ele não decole, favorecer a China, mas isso está em aberto coisa que os teóricos da conspiração rastaquera não entendem. Vejamos:


1-A Covid-19 ajuda a Globalização?


Não. O corona trouxe muitos prejuízos a globalização, fronteiras fechadas, cadeias produtivas paradas, etc. Isso não ajuda em nada a globalização mas exige antes que os estados nacionais fechem fluxos e comércio para assegurar o bem estar sanitário interno. Então esse pessoal que fala de corona como complot global, vírus criado para favorecer globalização, etc, não sabe como funciona a globalização, porque uma crise dessa pode despoletar uma nova onda nacionalista anti-global. Não há como prever um resultado favorável ao globalismo simplesmente lançando um vírus no planeta por que os efeitos disso não são perfeitamente controláveis.


2- Elites globais apostam no vírus para levar adiante seus planos?


Não. Isto tanto é verdade que no começo da pandemia intelectuais pró globalização como Yuval Harari argumentavam que era preciso continuar acreditando na globalização e que os países deviam colaborar pela solução em vez de competir por uma vacina, em razão do medo duma onda nacional que pusesse em xeque duma vez a integração global.


3- O vírus foi criado para impor o Great Reset do Fórum Econômico Mundial?


Não. Quanto ao Reset, isso é uma tentativa de salvar a globalização econômica que está severamente comprometida pelo Covid-19 via uma globalização política pois como dissemos todo mundo fechando fronteira é perigoso para o projeto novordista. Por outro lado a não solução da Pandemia força a transição imediata para um novo modelo de economia mais digital que só tem condições de se impor via plataformas de Bigdata. Vejam como a história é contraditória e dialética; o que vai sair disso não sabemos; por isso que essa leitura conspirologista ralé da direita de que Covid-19 foi criada para favorecer China ( Bigdata está sediada no Vale do Silício e não em China ) é burrice: a coisa não é simples. Direitistas não entendem como funciona a globalização. Ela precisa de cadeias de produção e comércio internacional que ficam ameaçadas com a paralisia. Perante isso propor um reset funciona como instrumento para redesenhar a globalização com base em compartilhamento de plataformas digitais, ou seja, um capitalismo colaborativo. A reunião do Fórum Econômico é agora em Janeiro de 2021. O que eles querem é apresentar mecanismos de colaboração tecnológica entre países para facilitar a vitória sobre a pandemia e assim gerar um novo formato de competição onde a compartilhamento de dados, possa estimular a pesquisa e a criação de soluções para o "novo normal". Um exemplo disso é a questão energética que emergiu esse ano quando ficamos com de navios parados nos mares cheios de petróleo sem poder descarregar por que portos estavam fechados e por que tudo estava parado gerando reduzidíssima demanda por combustível. Então o Fórum quer aproveitar o quadro para caminhar na direção do tal capitalismo verde, ou seja, não tem nada a ver com Conjuração de Pequim que vai ter que se virar do avesso para entrar nesse capitalismo verde já que é hoje a grande emissora de carbono


4- Globalistas criaram o vírus propositalmente?


Não. É bom recordar que no começo ninguém queria fechar nada; Milão que é uma cidade globalizada da moda não fechou e o norte da Itália acabou vendo centenas de mortos dia e só quando a pressão sobre os hospitais e a falta de leitos foi sentida é que os prefeitos decidiram brecar a coisa. Quer dizer, essa gente não sabe sequer descrever como os fatos aconteceram mas se considera habilitada a falar de conspirações. Em suma, são ignorantes.


5-O vírus não seria um complot de forças ocultas para promover medidas de controle?


Ações ocultas até existem mas o vírus é real, as mortes são reais e as medidas só foram tomadas a contragosto, a OMS mesmo em fevereiro disse que não era para fechar nada, demorou a decretar pandemia mesmo com o vírus em mais de 50 países, ninguém queria fechar pois sabiam do prejuízo que ia ser, nenhum globalista queria esse fechamento mas já que ele veio por força das circunstâncias viram nisso a oportunidade de transitar para um novo modelo de economia digital que pode facultar uma retomada de investimentos que tire o mundo da paralisia e salve a globalização pois pandemia impõe mitigações e isolamentos e, por tabela, falta de previsão o que breca investimentos pela impossibilidade de planejar.


6- Bilionários estão se dando bem com a pandemia?


Depende. Os bilionários do setor informacional se deram bem, os do setor petrolífero não, há bilionários e bilionários nem todos tem os mesmos interesses, o setor têxtil perdeu muito, o de carros idem. Muitos bancos tiveram prejuízos líquidos gigantescos como foi o caso do Santander que registrou 11,3 bilhões de euros de perdas; o sistema bancário enfrenta riscos de inadimplência então o cenário não é tão positivo assim mesmo para os grandes bancos como podemos ver aqui: https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2020/07/30/internas_economia,1171369/pandemia-arrasta-bancos-para-crise-sem-precedente.shtml


6- Por que a direita liberal conservadora não entende do que se passa no mundo quanto a Covid-19?


A direita libcon está apavorada com o Great Reset mas só ele pode impedir que o Ocidente que ela quer salvar perca a guerra pela Hegemonia Global para a China. Explico.


A China teve no primeiro trimestre uma retração de 7 por cento, a primeira em meio século. Agora as previsões são de crescimento de cerca de 1.9 por cento frente a retração do PIB global em 4.4 por cento. Neste ritmo a China supera os USA em 2028. Se o Grande Reset do Fórum Econômico Global conseguir impor o capitalismo verde então a China vai ter problemas pois vai precisar duma reestruturação completa de seu parque produtivo para competir no mercado global e é óbvio que as potências do Norte estão mais aptas a disputar a Hegemonia num Capitalismo Verde que a China pois ela ainda se estrutura na economia do carbono.


Ou seja, a direita precisa torcer pelo Grande Reset se quer salvar o tal “ocidente” da ameaça chinesa.


Eu não torço pelo Reset do Fórum Econômico nem pela China. Torço pelo fim da globalização. Acontece que a direita não tem outra alternativa senão apostar no Reset na medida em que quer "salvar o Ocidente" pois hoje o Ocidente é o capitalismo liberal e só um Reset com base em tecnologia e digitalização pode criar um novo dinamismo ao capital ocidental que impeça um domínio chinês em breve. O que, obviamente mostra a insanidade das posições da direita que rechaça o reset por ser globalista mas apoia o bloco ocidental que é globalista, o que mostra que não passa de oposição controlada.


7- Se o Corona não constitui parte dum complot o que ele representa em termos de política internacional?


A crise gerada por ele está sendo usada, de certa maneira, para realizar uma transição que salve o capitalismo global. Se vai dar certo não tem como saber mas para o bocó conspiracionista de plantão imagina que os próximos capítulos já estão escritos. Evitem esse tipo de idiotas. Ninguém tem esse poder de determinar previamente fatos, se globalistas tivessem tal capacidade seriam deuses e já não haveria nada a fazer para confrontá-los, este tipo de posição só favorece um pavor que estimula o derrotismo. Qualquer ação política nacional consistente contra medidas globais precisa estar estribada em conhecimento do real contexto internacional e não em fantasias que só tem potencial de juntar retardados ou de desmobilizar através da desesperança. E tal politica não pode ser calcada em rechaço automático a qualquer medida sanitária mesmo quando tenha um cariz nacional para evitar que o estado nacional fique paralisado em sua dinâmica econômica interna.








terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Três argumentos em favor da Imaculada Conceição da Virgem Maria


"Toda pura és Maria, em vós não há a mácula original".


São três as provas teológicas da imaculada conceição de Maria: 


1- Já que Deus é onipotente deve não apenas poder sanar os pecados e não apenas preveni-los. 


Se Deus os sanasse apenas perdoando-os não os sanaria de modo perfeitíssimo. Então, para expressar que é perfeitíssimo devia preservar ao menos um filho de Adão do pecado original. Por isso ele preservou Maria. 


2- Jesus sendo um perfeitíssimo mediador consegue pelos seus méritos afastar toda pena de quem é reconciliado. Ora o pecado original é uma pena maior que não poder ver a Deus no paraíso pois este pecado é a origem de todos os males. Portanto se Cristo foi um reconciliador perfeitíssimo ele deveria fazer que ao menos uma pessoa fosse preservada do pecado original. 


3- Uma pessoa só pode ser plenamente reconciliada com Jesus quando recebe dele o bem supremo que só Ele pode dar. E com Cristo se pode obter a inocência livrando-se da culpa a ser contraída ou já contraída. Ninguém teria Cristo como sumo mediador se ele não tivesse preservado ao menos alguém da culpa a ser contraída, ou seja, do pecado original.  


Poderia se objetar que Maria sofreu as penas e carências comuns a  impostas a nossa natureza humana, cansaço, fome, carências, em decorrência do pecado original. Portanto ela teria o pecado original. 


Ao que devemos dizer que Deus ao reconciliar alguém quer afastar dele as penas inúteis e deixar as penas úteis, o pecado original teria sido prejudicial a Maria mas ao suportar as penas temporais ela poderia merecer, como de fato mereceu, ser ascendida aos céus.  Se alguém nascesse sem o pecado original não seria em vista de seus méritos mas dos de Cristo, que mereceria na cruz, o que significa que Deus pode dar a graça da imaculada conceição sem dar a graça do livramento das penas úteis.



terça-feira, 17 de novembro de 2020

Refutação da difamação de Dom Lefebvre pelo site "Catequista"


 

Nos 50 anos de fundação da FSSPX, obra criada por Dom Marcel Lefebvre para preservar a missa de sempre e o ensino imutável da Igreja contra as novidades instauradas no seio dela pelas reformas do Vaticano II, era de se esperar que setores progressistas e neoconservadores fizessem uma campanha de difamação do seu legado e figura. Neste sentido o site “O Catequista” que tem como marca uma “nova evangelização”, através duma linguagem irreverente – exemplo disso são artigos que exibem os seguintes títulos: “Periquita, se eu não der, vou encalhar?” - publicou um artigo injurioso afirmando que Dom Marcel foi um “rebelde insolente, tal qual Lutero”, escrito pela pena de Daniel Fernandes, sujeito que se define como um alto intelectual o que nos deixa deveras espantados pois não é do feitio de intelectuais associar-se a uma choldra que trata as coisas sagradas com um linguajar de bordel.


No mais além do site em tela, o canal “Santa Carona”, que se vale da mesma barafunda do “Catequista”, fez a divulgação do artigo o que aponta para uma articulação nos bastidores. Lembramos que nos últimos dias um novo escândalo envolvendo a figura de João Paulo II - tido como exemplo por estes nichos conservadores que o enxergam como o Papa que uniu a tradição com a novidade, a síntese do impossível já condenada na Pascendi de São Pio X com o nome de modernismo que consiste na heresia de reinterpretar os dogmas da fé com base nas inovações modernas no campo do pensamento teológico e filosófico - veio a tona mostrando que ele promoveu McCarrick a arcebispo de Washinton D.C. mesmo sabendo de sua má conduta sexual. Isto põe em xeque sua canonização feita a toque de caixa para viabilizar o projeto de um novo modelo de Igreja sob os auspícios do Vaticano II e da abertura ao mundo – que o site “Catequista” sabe encarnar bem ao usar a mixórdia do mundanismo para tratar de coisas divinas que só podem ser comunicadas corretamente com uma linguagem grave e solene. Evidente que interessa a tais grupos desviar a atenção do público católico de mais um grave escândalo que põe em questão os pontificados pós Vaticano II levando-os a crer que o problema está nos lefebvristas que sempre se levantaram para denunciar o arruinamento da fé e dos costumes por obra dos clérigos que deviam defendê-la.


Vamos ao artigo e a sua refutação. Em tempo é preciso lembrar que o seu articulista é formado em história mas, desconsiderando a metodologia comezinha para qualquer historiador, passou por cima dos fatos, não consultou as fontes e preferiu montar uma narrativa fantasiosa que não encontra estofo nos documentos primários.


1- Em primeiro lugar o artigo admite que Santo Atanásio pode ter sido excomungado injustamente mas não concede, ao caso da excomunhão de Dom Lefebvre, o mesmo direito a admiti-lo. Em havendo um caso na história por que não poderia haver outro? Ademais a retirada da excomunhão dos 4 bispos ordenados em Ecône por Dom Marcel em 1988, por ordem de Bento 16, prova que podemos estar perante um caso de excomunhão injusta similar a que atingiu, hipoteticamente, Santo Atanásio.


2- O artigo assevera que Lefebvre se recusou a rezar a missa nova dando a entender que isto era um ato de rebeldia contra a autoridade mas vejamos:


- A Bula Quo Primum Tempore, do Papa São Pio V, canonizou o rito gregoriano – dita missa tridentina porque confirmada pelo Concílio de Trento mas que vem da era dos apóstolos tendo ganho forma definitiva na sua parte essencial na época do Papa Gregório Magno – nestes termos:


Ordenamos que a Missa, no futuro e para sempre não seja cantada nem rezada de modo diferente do que está conforme este missal por nós publicado...em virtude de nossa Autoridade Apostólica...concedemos e damos o indulto seguinte: Doravante em qualquer Igreja se possa sem restrição seguir este missal com permissão de usá-lo livre e licitamente sem nenhum escrúpulo de consciência e sem que se possa incorrer em nenhuma pena, sentença e censura e isto para sempre...não sejam obrigados ( Bispos e Padres ) a celebrar a missa doutro modo...a presente Bula não poderá JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, ser revogada nem modificada mas permanecerá sempre firme e válida.


Se alguém, contudo, tiver a audácia de atentar contra estas disposições saiba que incorrerá na indignação de Deus todo poderoso e de seus bem-aventurados apóstolos São Pedro e São Paulo”


Ora foi justamente nesta Bula que Dom Marcel se baseou para recusar a missa nova e foi justamente indo contra ela que Paulo VI ab-rogou a missa de sempre cometendo um ato ilegítimo pois o que um Papa liga na terra é ligado no céu e nenhum papa posterior pode desligar quando for da vontade do papa anterior a perpetuidade daquela decisão (é o caso da Bula Quo Primum Tempore). Portanto quem agiu como Lutero que se insurgiu contra a autoridade não foi Marcel mas o Papa Montini.


3- O artigo alega que Lefebvre afirmou que Roma tinha se tornado sede do Anticristo. Isto é falso pois Dom Marcel, para dizer isto, precisaria afirmar que o Papa havia apostatado da fé, colocando o trono pontifício nas mãos dum negador de Jesus Cristo. Mas não é o caso pois em 1977, 78, 79 e 82 Dom Marcel reafirmou reiteradas vezes que a situação da crise da Igreja era incerta e que, portanto, não era possível afirmar categoricamente a apostasia do Papa; vejamos:


18/03/77:


"Se o Papa fosse apóstata, herege ou cismático, conforme a opinião provável de alguns teólogos (se fosse verdadeira), o Papa não seria Papa e, por conseguinte, estaríamos na situação de Sede Vacante. Essa é uma opinião. Não digo que não possa ter alguns argumentos a seu favor... Porém, por ora creio que seria um erro seguir essa hipótese".


16/01/79:


Enquanto não tenha a evidência de que o Papa não é Papa, tenho a presunção a favor dele. Não digo que não haja argumentos que possam pôr uma certa dúvida. Porém, é necessário ter a evidência: não é suficiente uma dúvida, inclusive se é válida. Se o argumento é duvidoso, não há direito de tirar conclusões que têm conseqüências imensas. Não se pode partir de um princípio duvidoso. Prefiro partir do principio de que há que defender nossa fé.”



29/06/1982:


"Também nós nos sentimos tentados de dizer: ‘Não é Papa, não pode ser Papa, se faz o que ele faz'. Ou senão, em troca, como outros que divinizariam a Igreja ao ponto de que tudo seria perfeito nEla, poderíamos dizer: 'Não é questão de fazer algo que se oponha ao que vem de Roma, porque tudo é divino em Roma e devemos aceitar tudo o que venha dali'. Quem assim diz procede como aqueles que diziam que Nosso Senhor era de tal maneira Deus que não lhe era possível sofrer, mas que todo aquilo era aparência de sofrimento, que na realidade não sofria, que na realidade seu Sangue não escorria, que não eram senão aparências que impressionavam os olhos de quem o rodeavam, porém não é uma realidade. O mesmo sucede hoje em dia com alguns que continuam dizendo: 'Não, nada pode ser humano na Igreja, nada pode ser imperfeito na Igreja'. Também esses se equivocam. Não admitem a realidade das coisas. Até onde pode chegar a imperfeição da Igreja, até onde pode chegar - diria eu - o pecado na Igreja, o pecado na inteligência, o pecado na alma, o pecado não coração e na vontade? Os fatos no-lo mostram”.


Por outro lado o artigo retira do devido contexto a fala de Dom Lefebvre na carta dirigida aos futuros Bispos escrita em 1987, conjuntura esta que é bem explicada por Dom Lourenço, conforme vai abaixo:


Estando a Cadeira de Pedro e os postos de autoridade de Roma ocupados por anticristos, a destruição do Reino de Nosso Senhor alastra rapidamente no seio de seu Corpo Místico nesta terra, especialmente pela corrupção da Santa Missa, expressão magnífica do triunfo de Nosso Senhor pela Cruz – “Regnavit a ligno Deus” – e fonte de extensão do seu Reinado nas almas e nas sociedades.” - Carta de Mgr. Lefebvre aos futuros bispos [Nota de D. Lourenço: A expressão é forte, mas deve ser entendida sem preconceitos: Mgr. Lefebvre não diz que tal ou tal pessoa é o Anti-Cristo, e sim que os postos do Vaticano estão ocupados por anti-cristos, ou seja, autoridades que trabalham para a destruição da Igreja, e não para sua edificação. Nesse sentido lemos na 1ª Ep. de São João: "todo o espírito que divide Jesus não é de Deus; mas este é um Anticristo."]



Portanto Dom Marcel entendia que o papa pode se cercar de maus colaboradores e favorecer a ruína da Igreja sem comprometer sua infalibilidade pois há uma dimensão humana na Igreja. Uns dizem que a Igreja sendo tão divina não podemos ter um papa que favoreça a ruína então ou ele não é papa – como pensam os sedevacantes – ou ele é e devemos aceitar a ruína como verdade de fé – como pensam os conservadores. Não era desta forma que Dom Lefebvre pensava.


4- O artigo aduz que Lefebvre, ao fazer as consagrações de Ecône,pecou por desesperança” na promessa duma autorização de Roma para ordenar um bispo da FSSPX a fim de dar sequência ao seu trabalho. Essa é outra falsidade pois:


- Dom Marcel clamou, por 20 anos, às autoridades romanas uma solução para a crise da fé sem sucesso. Alguém que pede, clama, suplica ao Papa, ao Cardeal Villot da congregação para a doutrina da fé, etc, medidas para resolver a crise pode ser apontado como alguém desesperançado nas autoridades? Dom Marcel foi, antes de tudo, paciente demais mesmo com os sinais de má vontade que vinham continuamente de Roma como as perseguiões a missa de sempre promovida pelo Bispo de Versalhes e de Bourges contra o Padre Lecareux, tirania perante as quais Roma não moveu um dedo.


- Quanto a carta de Ratzinger datada de 1987, esta impunha um cardeal visitador a FSSPX a fim de encontrar uma forma jurídica para a mesma, forma esta que seria baseada no código de direito canônico de 1983. O cardeal ficaria responsável por ordenar os futuros padres formados no seminário da FSSPX. Isso tiraria certa autonomia de Dom Marcel que, apesar disso, aceitou a proposta mostrando sua boa vontade. A carta estipulava que a FSSPX teria o direito de formar seus padres em seu “carisma” como se o trabalho da Fraternidade não se tratasse não da defesa da fé mas dum modelo arcaico de Igreja defendido por costume arraigado. Esse cardeal, além do mais, seria o garantidor da ortodoxia no seminário da FSSPX. Apesar de todas estas limitações Dom Lefebvre aceitou conversar para chegar a um termo. O Cardeal Gagnon foi recebido festivamente na Fraternidade em 1987 e ficou a esperança de que fosse ele o visitador. Isto levou a assinatura do protocolo de acordo em 05/05/88 onde ficava acertada a ordenação do bispo o que levou Dom Marcel a entregar a terna ( três nomes para Bispo). Logo após a assinatura Lefebvre passou a cobrar uma data para a definição do bispo. Mas Roma recusou apresentar o nome em 30 de junho, recusou entre 15 de julho e 15 de setembro alegando ser período de férias, recusou definição para início de novembro e para o Natal! Foi então que Dom Marcel percebeu ter sido enganado. Isso levou-o a decidir pelas consagrações. Lefebvre seguiu apostando paciente numa solução de Roma mas acabou traído apesar de sua boa vontade. Para quem ainda duvida que a hierarquia desejava enganar Dom Marcel basta lembrar do caso do Mosteiro do Barroux no qual o prior recebeu a oferta do Vaticano para que traísse Lefebvre e assinasse o protocolo no lugar dele ainda em 1988. Foi o que foi feito. Todavia o Barroux, que virou Fraternidade São Pedro, nunca recebeu o direito de ter um bispo e acabou vendo Dom Gerard, seu líder, celebrando a Missa de Paulo VI por exigência de Roma; na época do acordo as autoridades romanas davam a entender a Gerard que eles não precisariam reconhecer o Vaticano II e que tudo seguiria como antes mas não foi o que se deu. Quem estava movido de má vontade eram as autoridades romanas e não Dom Marcel.


Isto posto fica provado que Dom Marcel nem foi desobediente, nem rebelde nem desesperado mas fiel, leal e esperançoso. É frustra a acusação do catequista!