terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Jack Donovan e seu Masculinismo não representam o Patriarcado


 


Dia destes nos deparamos com uma reportagem do The Intercept assinada por Rosana Pinheiro destacando a figura de Jack Donovan como representativa do “machismo”, conceito que reuniria num só gênero diversas espécies como o patriarcalismo tradicional, o fascismo e o ideal masculinista de Donovan. Evidentemente isto só existe na cabeça da jornalista em destaque dado que o Patriarcado tradicional e o fascismo – que descende da antiga tradição imperial romana, portando do modelo patriarcal latino - recusam o modelo masculinista por várias razões.


Primeiro é preciso elencar o que é Patriarcado que consiste numa preponderância do Pai sobre um clã familiar, um agregado extenso de pessoas que consubstanciam uma parentela. Neste quadro temos alguns modelos clássicos como o do patriarca hebreu, romano e grego.


Entre os Hebreus o Pai era chefe militar e juiz do clã. Abraão é um exemplo bem acabado do patriarca hebraico: ele controlava e dividia as funções dentro do clã, decidia que extensões das estepes cabia a cada núcleo familiar usar para alimentar seus rebanhos, tinha ingerência sobre casamentos e acordos com outros povos, etc. O Patriarca era uma espécie de Rei que tinha deveres para com parentes, esposas e filhos, estando atrelado a fortes obrigações éticas; caso não as cumprisse poderia ser derrubado por outro homem do clã que fizesse jus a tais deveres.


Entre os romanos os Pater eram chefes de clãs que se identificavam em razão dos deuses que adoravam e dos antepassados que honravam: portanto eles eram reis-sacerdotes. Entre suas obrigações estavam a manutenção do culto aos antepassados e das virtudes ancestrais. A dedicação a família, a esposa e aos filhos marcava o ethos do Pater romano sempre ocupado em manter a honra, a propriedade e a segurança da linhagem.


Entre os gregos o culto da Andreia (virilidade em grego) marca a cultura do Patriarca. Na Grécia o Pai era, nas origens da sociedade helênica, o Basileus, o rei duma tribo. Seus direitos envolviam a ordenação das atividades de produção no Oikos, terra comunal donde a família extraía sua subsistência. Isto exigia do Basileus que atuasse como chefe militar e administrador. Foi da atividade dos Patriarcas-Basileus que surgiram as primeiras aldeias muralhadas da Grécia, gênese das Cidades-Estado. Assim o Patriarca e o ideal de Homem se associaram para forjar a idéia de que ser viril é ser heróico o que quer dizer estar disposto a sacrificar-se pela Pólis e pela segurança de mulher e filhos, pondo o homem a serviço duma Idéia mais alta que ele mesmo enquanto indivíduo.


A história ensina que a elevação dum padrão cultural está diretamente ligada a um esforço moral e a uma disciplina social para alcançá-lo. Nas sociedades matrilineares, os padrões morais eram mais frouxos pois se baseavam no culto da deusa mãe, em ritos de fecundidade da natureza onde reinava a licenciosidade sexual. Tais sociedades exigiam menos esforço moral e menor grau de repressão sexual o que impedia a sublimação da energia sexual em energia criativa na arte, filosofia, religião, etc. A família patriarcal por sua vez exige mais da natureza humana pois solicita virgindade e auto sacríficio da esposa, obediência e disciplina por parte dos filhos e um pesado ônus de responsabilidade ao pai que tem de submeter seus sentimentos pessoais aos interesses da família. Isso faz dela algo SUPERIOR. Tal família não se restringe mais à função primária de reprodução sexual mas passa a ser um eixo de organização social, política, econômica e cultural de alta complexidade donde brotam valores como piedade, honra, modéstia e religião. Platão dirá que com a família patriarcal nasce no homem o sentimento da eternidade, de ultrapassar o tempo deixando depois de si filhos que possam cultuar os deuses e continuar uma tradição moral.


O masculinismo de Jack, como podemos ver, se diferencia radicalmente do Patriarcalismo. Seu ideal é brutalista, a força é a “virtude” básica do macho. Seu masculinismo vai além daquele pensado por canalhas morais que, se valendo da liberação sexual da fêmea, pensam em levar uma vida de sexo sem compromisso onde o objetivo passa a ser “meter a pica e deixar na pista”, como dirão tais degenerados. Essa cena masculinista inicialmente calcada nas idéias de Nesahan Alita, que exprimia um ressentimento ante a figura feminina moderna como sendo de uma vadia que, depois de temporadas de fornicação com os machos alfa, procura um cara médio para ser seu “cuck” - referência ao pássaro Cuco que cria o filho de outros machos – ressentimento até certo ponto justificado mas mal resolvido pois incapaz de oferecer uma solução moralizante à crise provocada pela revolução sexual, foi a base donde as sandices de Jack se desenvolveram. E isto serve de alerta a sujeitos que flertam com o ideário MGTOW, Canal do Búfalo, Blog Silvio Koerich: o futuro deles é virarem Donovan, o sodomita “viril”.


No Patriarcado a força é elemento importante mas está a serviço de uma Idéia, dum Deus, duma Tradição, duma Moral. Não é fim mas meio para realizações civilizatórias. Donovan recusa a associação do homem a mulher e prefere que homens vivam organizados em gangues a sodomizar uns aos outros. Na Grécia Antiga o máximo admitido era um rito de passagem onde jovens ficavam sob treinamento e tutoria militar de Erastas para aprender as virtudes masculinas que envolviam uma filo-sodomização pelo erômeno – o rapaz iniciado nos ritos másculos era encoxado pelo Erasta sem que isso envolvesse penetração anal a fim de indicar, apenas, a dominação, hierarquia e a virilidade do Pater; o rito em tela não envolvia paixão sexual. Logo depois desses ritos de passagem o homem deveria se associar pelo resto da vida em casamento a uma mulher. Jack recusa isso. Ele prefere que homens vivam em comunas-gangues; o sexo com mulheres seria restrito a fins reprodutivos e estaria descolado de casamento o que levaria, por tabela, a destruição das linhagens familiares restando apenas comunidades másculas sem parentesco, baseadas unicamente em gostos comuns por caçadas, artes marciais, uma “tribo” fundada nos gostos pessoais dos membros: nada mais Pós-Moderno que isso mas Donovan jura que está lutando contra a Modernidade feminizante. Ao que tudo indica a sua mentalidade masculinista foi feminizada também pois Jack não é outra coisa senão produto da pós modernidade da qual emerge o feminismo defendido por Rosana Pinheiro do The Intercept que consiste na ideologia da supremacia do desejo individual sobre a razão, tradição, religião. As sandices de Jack são o lado B, a outra face do feminismo atual: da mesma forma que essas recusam o “macho opressor” e preferem relações lésbicas, Donavan rejeita a fêmea absolutamente em prol das pequenas tribos de homens.


Jack é também um identitário como são as feministas de esquerda. Ele exalta as identidades tribais da América do Norte e defende organizações tribais de homens brancos contra o multiculturalismo. Ou seja, contra o tribalismo de esquerda ele propõe outro por isso se filiou a Igreja de Satanás e ao Wolfs Of Vinland, organização Odinista que nasceu de gangues de motoqueiros pagãos cujos membros incendeiam Igrejas como foi o caso de Maurice Michaely. Para fugir da Modernidade, Donovan preconiza um pensamento tribal: os esquerdistas foucaltianos, as feministas, o movimento LGBT, tudo que ele recusa mais que estão igualmente empenhados na demolição da razão, agradecem o serviço prestado por Jack.


Isto posto vemos que a tentativa de aproximar o masculinismo de Donovan ao Patriarcado é frustra, a senhora Pinheiro está mais próxima dele do que pensa e nós do Patriarcalismo é que representamos a solução para o caos civilizatório no qual feministas e masculinistas querem nos lançar.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Quando Dugin se converte ao Olavismo ou a confusão sobre Trump, Trumpismo e USA

 







Quem conhece o debate havido outrora entre Dugin e Olavo a respeito do papel dos EUA na Nova Ordem Mundial sabe que as perspectivas de cada um deles eram inconciliáveis. Primeiro por que Dugin indicava acertadamente que as três possibilidades de ação para os USA, no pós queda da URSS em termos de política internacional, se articulam em torno dum mesmo eixo: consolidar a hegemonia dos EUA no Globo. Estas três possibilidades são:


A- O neoconservadorismo do Partido Republicano representado pelos governos de Bush pai e Bush filho onde através de intervenções unilaterais se objetiva espalhar as instituições americanas pelo mundo garantindo assim os interesses nacionais estadunidenses contra arroubos de líderes ditatoriais antiamericanos que poderiam desestabilizar o cenário externo, pondo em xeque o domínio dos USA.


B- O multilateralismo do Partido Democrata que busca construir uma governança global ao lado de aliados como os países da Europa Ocidental mais o Japão.


C- O Globalismo do CFR que pretende dissolver as soberanias nacionais criando um Governo Global sob auspícios da super classe mundialista que coincide com os plutocratas dos EUA e Europa.


Nos três casos o que teríamos é, de qualquer modo, a Hegemonia dos valores americanos, dos direitos humanos universais, do modelo democrático liberal, secular e laico, a prevalência dos direitos individuais, etc; o que diferencia cada projeto é o modo e a forma de implementar essa hegemonia como o modo e a forma da inserção das elites nela (No caso dum Governo Global a la CFR as nações teriam direito de voz num parlamento mundial, algo similar ao que já acontece na Assembleia Geral da ONU; não há que se falar aí duma ditadura como alguns conspirólogos vulgares fazem mas dum sistema federativo o que não quer dizer que isso não signifique uma ameaça aos povos já que suas vozes seriam deveras diluídas num sistema piramidal). Em resumo: em qualquer dos casos a Plataforma de Desenvolvimento dessa dominação seria a tradição política americana como veículo privilegiado do Iluminismo. Para Dugin a única atitude possível ante este quadro seria uma posição anti-imperialista e anti- americana o que significa recusar a hegemonia dos USA sob que forma aparecesse.


A. Dugin ressaltava, na época, um erro crasso na análise feita por Olavo de Carvalho quanto ao ocidente ser “dividido” entre os globalistas corrompidos e o ocidente profundo, livre do progressismo avançado que caracteriza os globalistas, e que seria a base duma resistência ao mesmo: para Dugin não haveria um ocidente profundo x o ocidente globalista, ambos seriam faces da mesma moeda do materialismo individualista nascido do Iluminismo: assim os EUA, o individualismo, a moral laica que marginaliza religiões, a redução ou supressão das soberanias nacionais, o universalismo demo-liberal, o governo global, são todas facetas duma mesma realidade, segundo o que expôs com competência o pensador russo no debate em tela.


Todavia desde a ascensão de Trump, em 2016, Dugin começou a flertar com a posição de Carvalho quando Donald montou sua campanha inteira com base numa proposta de isolacionismo em política externa e combate as elites políticas tradicionais em termos de política interna. Ignorando o lema da campanha “Fazer a América Grande de Novo” que exprimia o desejo de recuperar uma hegemonia combalida pela ascensão da China e contrapesada pelo multilateralismo do governo Obama, Dugin se deixou seduzir pelo discurso que apelava para um EUA profundo contra o EUA fabricado pelas elites, exatamente o mesmo esquema de pensamento de Olavo. Logo que Trump começou seu governo Dugin ficou decepcionado pelo fato dele ter sido capturado pelos falcões neocons nestes termos:


A decisão formal de atacar [A Síria] foi tomada por Donald Trump. Ao fazê-lo, ele deixou de ser Trump, e se tornou Hillary disfarçada de homem, um tipo de travesti. Tudo contra o que Trump lutou ao longo de sua campanha eleitoral e que ele prometeu mudar foi assinado por ele hoje. Portanto, não foi ele que tomou a decisão. Ele simplesmente mostrou que, a partir desse momento, ele não é capaz de decidir nada”- https://legio-victrix.blogspot.com/2017/04/aleksandr-dugin-terceira-guerra-mundial.html


Trump era apenas um homem e não um movimento e não possuía uma base, tampouco nomes nem um programa estruturado para fazer um governo alternativo àquelas três possibilidades descritas acima. Restou buscar velhos conhecidos no seu partido e apelar ao neoconservadorismo de Jhon Bolton e ao libertarianismo de Mike Pompeo, ou seja, ao intervencionismo beligerante e imperialista e ao individualismo.


Cabe dizer que havia a expectativa de Dugin e dos dissidentes em torno de Trump envolvia ilusões como a que ele iria mandar Hillary para a cadeia, que restauraria relações amistosas com Rússia, Irã, China e Síria, que acabaria com a Otan, etc. Evidente que nós jamais acreditamos nisso. Quem em sã consciência poderia apostar tão alto quando Trump dizia “Great America Make Again”? Lógico que víamos sua eleição sob uma ótica prática: se Trump for se concentrar mais nos problemas internos que externos, então teremos uma janela de oportunidade para destravar nosso desenvolvimento nacional. Era só isso, ir além dessa avaliação parcimoniosa era loucura ou ignorância profunda sobre a natureza dos USA ou, quiçá, desejo de acreditar que algo estava mudando, um sonho ou fantasia de quem pensa que prostitutas vão todas virar algum dia uma Maria Madalena. Nada disso aconteceu: Trump fez guerra comercial com a China, bombardeou a Síria, sancionou empresas russas, matou Soleimani, general iraniano, interveio no Iêmen, etc. Dugin e os dissidentes falharam em suas previsões otimistas para não dizer surreais.


Eis o herói anti-globalista!


Agora tudo volta ao que fora antes da decepção causada pelo bombardeio da Síria: Donald Trump virou, mais uma vez no discurso dissidente, o campeão do povo, como podemos ver em recente artigo de A. Dugin publicado pelo site olavista Brasil sem Medo (https://brasilsemmedo.com/alexander-dugin-o-grande-despertar/?fbclid=IwAR0lhj7TMEkVVo2lrUYtmxcdysJLXohiqfzkdiQQZFdFX4nUHTqZ4q-nz7o).


Obviamente tudo isto não passa dum absurdo. Trump fez fortuna dentro do nicho imobiliário estadunidense, um setor altamente ligado a especulação a e as altas finanças – lembro que a crise econômica de 2008, causada por rentismo, começou no setor imobiliário – nos quais o bilionário travou contatos com figuras sinistras como Roger Stones (um marketeiro libertário que apoia pauta lgbt e drogas que ajudou Trump a chegar ao poder) e Epstein, um ricaço pedófilo que promovia festas movidas a orgias com meninas de 13 anos. Trump que é também um dos pais da cultura "coach empresarial" (leia-se, "babaovismo"/"capachismo" empresarial) influenciador de figuras como Max Gehringer, Justus, e cia, que acham que funcionário tem comer até bosta de chefe e cliente para servir bem a empresa, agora é tido como o timoneiro das massas, o herói popular americano que vai salvar o país da corrosão moral inata a América.


O buraco, contudo, é menos embaixo do que pensa a imaginação fértil dessa gente. Trump é um fenômeno tornado possível graças ao espaço que as BigRedes deram a ele esses anos todos. Claro que é preciso discutir a ingerência dessas redes sociais na liberdade de expressão mas isto não autoriza caracterizar o fenômeno Trump ou o Trumpismo como a “outra América” que na verdade não passa da mesma América que no fundo é dupla: racista, protestante, conservadora e supremacista dum lado, cosmopolita, maçônica, secularista e materialista do outro. Como mostramos neste artigo (https://catolicidadetradit.blogspot.com/2020/11/trump-nao-e-o-anti-sistema-luta-pelo.html) Trump não passa duma realocação do Império, tendo tido, durante todo seu governo, apoio da maioria dos setores de Wall Street só vindo a perdê-lo no segundo semestre de 2020 quando figurões do mundo financeiro ficaram céticos quanto a sua renúncia fiscal ser capaz de recuperar a economia americana ante a pandemia.


É bem verdade que Trump polariza a insatisfação de parcelas do povo com o sistema americano cuja fachada é democrática mas a realidade oligárquica mas não nos enganemos: essa insatisfação não tem a mínima chance de se tornar eficaz pois falta conscientização. Primeiro por que Trump é também um oligarca preso a oligarcas e a dinastias como a histórica dinastia Rothschild, basta ver como o barão David René de Rotshchild apoia Trump no poderoso Congresso Mundial Judaico que ele preside. Segundo por que o movimento que invadiu o Capitólio se embasa nos ideais americanos – que construíram o sistema – ou será que ninguém viu as bandeiras do Tea Party tremulando no meio da multidão? Terceiro por que a direita trumpista está dentro da semântica democrática, que no fim é a semântica americanista que dá base ao progressismo democrata! A “deusa” democracia jamais é posta em questão mesmo pelos que se enxergam como anti-sistema, o que aponta para uma cegueira fatal afinal foi a institucionalidade legal democrática que permitiu a ascensão das oligarquias ao poder. O economista pró Trump Paul Craig Roberts, por exemplo, de modo esquizofrênico, apela a Primeira Emenda para defender a causa trumpista esquecendo que foi com ela na mão que o mass media boicotou o governo Trump por 4 anos sem que ele pudesse fazer nada. Só uma refundação dos USA em bases fascistas e iliberais poderia resolver o quadro mas isso exigira uma conversão do povo americano o que é improvável.


Diante do exposto resta ao sr. A. Dugin e aos seus alunos dissidentes se matricularem no COF de Olavo e redigirem uma nota pública decretando a vitória de Carvalho no debate sobre o EUA e a Nova Ordem Mundial. Eles, ao que tudo indica, abandonaram o fronte de luta anti-americano – até que uma nova decepção os faça abandonar suas fantasias - mas nós, aqui, daremos seguimento ao embate intelectual contra o Grande Satã em sua dupla face, democrata e republicana, ensimesmada e cosmopolita, qual o deus pagão romano janus!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

A pandemia é um complot da China ou do Globalismo? Resposta aos conspirologistas ralés!


 

O vírus não é uma conspiração mas as medidas que envolvem seu combate podem, por vias indiretas, favorecer a idéia de um globalismo político ou, caso ele não decole, favorecer a China, mas isso está em aberto coisa que os teóricos da conspiração rastaquera não entendem. Vejamos:


1-A Covid-19 ajuda a Globalização?


Não. O corona trouxe muitos prejuízos a globalização, fronteiras fechadas, cadeias produtivas paradas, etc. Isso não ajuda em nada a globalização mas exige antes que os estados nacionais fechem fluxos e comércio para assegurar o bem estar sanitário interno. Então esse pessoal que fala de corona como complot global, vírus criado para favorecer globalização, etc, não sabe como funciona a globalização, porque uma crise dessa pode despoletar uma nova onda nacionalista anti-global. Não há como prever um resultado favorável ao globalismo simplesmente lançando um vírus no planeta por que os efeitos disso não são perfeitamente controláveis.


2- Elites globais apostam no vírus para levar adiante seus planos?


Não. Isto tanto é verdade que no começo da pandemia intelectuais pró globalização como Yuval Harari argumentavam que era preciso continuar acreditando na globalização e que os países deviam colaborar pela solução em vez de competir por uma vacina, em razão do medo duma onda nacional que pusesse em xeque duma vez a integração global.


3- O vírus foi criado para impor o Great Reset do Fórum Econômico Mundial?


Não. Quanto ao Reset, isso é uma tentativa de salvar a globalização econômica que está severamente comprometida pelo Covid-19 via uma globalização política pois como dissemos todo mundo fechando fronteira é perigoso para o projeto novordista. Por outro lado a não solução da Pandemia força a transição imediata para um novo modelo de economia mais digital que só tem condições de se impor via plataformas de Bigdata. Vejam como a história é contraditória e dialética; o que vai sair disso não sabemos; por isso que essa leitura conspirologista ralé da direita de que Covid-19 foi criada para favorecer China ( Bigdata está sediada no Vale do Silício e não em China ) é burrice: a coisa não é simples. Direitistas não entendem como funciona a globalização. Ela precisa de cadeias de produção e comércio internacional que ficam ameaçadas com a paralisia. Perante isso propor um reset funciona como instrumento para redesenhar a globalização com base em compartilhamento de plataformas digitais, ou seja, um capitalismo colaborativo. A reunião do Fórum Econômico é agora em Janeiro de 2021. O que eles querem é apresentar mecanismos de colaboração tecnológica entre países para facilitar a vitória sobre a pandemia e assim gerar um novo formato de competição onde a compartilhamento de dados, possa estimular a pesquisa e a criação de soluções para o "novo normal". Um exemplo disso é a questão energética que emergiu esse ano quando ficamos com de navios parados nos mares cheios de petróleo sem poder descarregar por que portos estavam fechados e por que tudo estava parado gerando reduzidíssima demanda por combustível. Então o Fórum quer aproveitar o quadro para caminhar na direção do tal capitalismo verde, ou seja, não tem nada a ver com Conjuração de Pequim que vai ter que se virar do avesso para entrar nesse capitalismo verde já que é hoje a grande emissora de carbono


4- Globalistas criaram o vírus propositalmente?


Não. É bom recordar que no começo ninguém queria fechar nada; Milão que é uma cidade globalizada da moda não fechou e o norte da Itália acabou vendo centenas de mortos dia e só quando a pressão sobre os hospitais e a falta de leitos foi sentida é que os prefeitos decidiram brecar a coisa. Quer dizer, essa gente não sabe sequer descrever como os fatos aconteceram mas se considera habilitada a falar de conspirações. Em suma, são ignorantes.


5-O vírus não seria um complot de forças ocultas para promover medidas de controle?


Ações ocultas até existem mas o vírus é real, as mortes são reais e as medidas só foram tomadas a contragosto, a OMS mesmo em fevereiro disse que não era para fechar nada, demorou a decretar pandemia mesmo com o vírus em mais de 50 países, ninguém queria fechar pois sabiam do prejuízo que ia ser, nenhum globalista queria esse fechamento mas já que ele veio por força das circunstâncias viram nisso a oportunidade de transitar para um novo modelo de economia digital que pode facultar uma retomada de investimentos que tire o mundo da paralisia e salve a globalização pois pandemia impõe mitigações e isolamentos e, por tabela, falta de previsão o que breca investimentos pela impossibilidade de planejar.


6- Bilionários estão se dando bem com a pandemia?


Depende. Os bilionários do setor informacional se deram bem, os do setor petrolífero não, há bilionários e bilionários nem todos tem os mesmos interesses, o setor têxtil perdeu muito, o de carros idem. Muitos bancos tiveram prejuízos líquidos gigantescos como foi o caso do Santander que registrou 11,3 bilhões de euros de perdas; o sistema bancário enfrenta riscos de inadimplência então o cenário não é tão positivo assim mesmo para os grandes bancos como podemos ver aqui: https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2020/07/30/internas_economia,1171369/pandemia-arrasta-bancos-para-crise-sem-precedente.shtml


6- Por que a direita liberal conservadora não entende do que se passa no mundo quanto a Covid-19?


A direita libcon está apavorada com o Great Reset mas só ele pode impedir que o Ocidente que ela quer salvar perca a guerra pela Hegemonia Global para a China. Explico.


A China teve no primeiro trimestre uma retração de 7 por cento, a primeira em meio século. Agora as previsões são de crescimento de cerca de 1.9 por cento frente a retração do PIB global em 4.4 por cento. Neste ritmo a China supera os USA em 2028. Se o Grande Reset do Fórum Econômico Global conseguir impor o capitalismo verde então a China vai ter problemas pois vai precisar duma reestruturação completa de seu parque produtivo para competir no mercado global e é óbvio que as potências do Norte estão mais aptas a disputar a Hegemonia num Capitalismo Verde que a China pois ela ainda se estrutura na economia do carbono.


Ou seja, a direita precisa torcer pelo Grande Reset se quer salvar o tal “ocidente” da ameaça chinesa.


Eu não torço pelo Reset do Fórum Econômico nem pela China. Torço pelo fim da globalização. Acontece que a direita não tem outra alternativa senão apostar no Reset na medida em que quer "salvar o Ocidente" pois hoje o Ocidente é o capitalismo liberal e só um Reset com base em tecnologia e digitalização pode criar um novo dinamismo ao capital ocidental que impeça um domínio chinês em breve. O que, obviamente mostra a insanidade das posições da direita que rechaça o reset por ser globalista mas apoia o bloco ocidental que é globalista, o que mostra que não passa de oposição controlada.


7- Se o Corona não constitui parte dum complot o que ele representa em termos de política internacional?


A crise gerada por ele está sendo usada, de certa maneira, para realizar uma transição que salve o capitalismo global. Se vai dar certo não tem como saber mas para o bocó conspiracionista de plantão imagina que os próximos capítulos já estão escritos. Evitem esse tipo de idiotas. Ninguém tem esse poder de determinar previamente fatos, se globalistas tivessem tal capacidade seriam deuses e já não haveria nada a fazer para confrontá-los, este tipo de posição só favorece um pavor que estimula o derrotismo. Qualquer ação política nacional consistente contra medidas globais precisa estar estribada em conhecimento do real contexto internacional e não em fantasias que só tem potencial de juntar retardados ou de desmobilizar através da desesperança. E tal politica não pode ser calcada em rechaço automático a qualquer medida sanitária mesmo quando tenha um cariz nacional para evitar que o estado nacional fique paralisado em sua dinâmica econômica interna.








terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Três argumentos em favor da Imaculada Conceição da Virgem Maria


"Toda pura és Maria, em vós não há a mácula original".


São três as provas teológicas da imaculada conceição de Maria: 


1- Já que Deus é onipotente deve não apenas poder sanar os pecados e não apenas preveni-los. 


Se Deus os sanasse apenas perdoando-os não os sanaria de modo perfeitíssimo. Então, para expressar que é perfeitíssimo devia preservar ao menos um filho de Adão do pecado original. Por isso ele preservou Maria. 


2- Jesus sendo um perfeitíssimo mediador consegue pelos seus méritos afastar toda pena de quem é reconciliado. Ora o pecado original é uma pena maior que não poder ver a Deus no paraíso pois este pecado é a origem de todos os males. Portanto se Cristo foi um reconciliador perfeitíssimo ele deveria fazer que ao menos uma pessoa fosse preservada do pecado original. 


3- Uma pessoa só pode ser plenamente reconciliada com Jesus quando recebe dele o bem supremo que só Ele pode dar. E com Cristo se pode obter a inocência livrando-se da culpa a ser contraída ou já contraída. Ninguém teria Cristo como sumo mediador se ele não tivesse preservado ao menos alguém da culpa a ser contraída, ou seja, do pecado original.  


Poderia se objetar que Maria sofreu as penas e carências comuns a  impostas a nossa natureza humana, cansaço, fome, carências, em decorrência do pecado original. Portanto ela teria o pecado original. 


Ao que devemos dizer que Deus ao reconciliar alguém quer afastar dele as penas inúteis e deixar as penas úteis, o pecado original teria sido prejudicial a Maria mas ao suportar as penas temporais ela poderia merecer, como de fato mereceu, ser ascendida aos céus.  Se alguém nascesse sem o pecado original não seria em vista de seus méritos mas dos de Cristo, que mereceria na cruz, o que significa que Deus pode dar a graça da imaculada conceição sem dar a graça do livramento das penas úteis.



terça-feira, 17 de novembro de 2020

Refutação da difamação de Dom Lefebvre pelo site "Catequista"


 

Nos 50 anos de fundação da FSSPX, obra criada por Dom Marcel Lefebvre para preservar a missa de sempre e o ensino imutável da Igreja contra as novidades instauradas no seio dela pelas reformas do Vaticano II, era de se esperar que setores progressistas e neoconservadores fizessem uma campanha de difamação do seu legado e figura. Neste sentido o site “O Catequista” que tem como marca uma “nova evangelização”, através duma linguagem irreverente – exemplo disso são artigos que exibem os seguintes títulos: “Periquita, se eu não der, vou encalhar?” - publicou um artigo injurioso afirmando que Dom Marcel foi um “rebelde insolente, tal qual Lutero”, escrito pela pena de Daniel Fernandes, sujeito que se define como um alto intelectual o que nos deixa deveras espantados pois não é do feitio de intelectuais associar-se a uma choldra que trata as coisas sagradas com um linguajar de bordel.


No mais além do site em tela, o canal “Santa Carona”, que se vale da mesma barafunda do “Catequista”, fez a divulgação do artigo o que aponta para uma articulação nos bastidores. Lembramos que nos últimos dias um novo escândalo envolvendo a figura de João Paulo II - tido como exemplo por estes nichos conservadores que o enxergam como o Papa que uniu a tradição com a novidade, a síntese do impossível já condenada na Pascendi de São Pio X com o nome de modernismo que consiste na heresia de reinterpretar os dogmas da fé com base nas inovações modernas no campo do pensamento teológico e filosófico - veio a tona mostrando que ele promoveu McCarrick a arcebispo de Washinton D.C. mesmo sabendo de sua má conduta sexual. Isto põe em xeque sua canonização feita a toque de caixa para viabilizar o projeto de um novo modelo de Igreja sob os auspícios do Vaticano II e da abertura ao mundo – que o site “Catequista” sabe encarnar bem ao usar a mixórdia do mundanismo para tratar de coisas divinas que só podem ser comunicadas corretamente com uma linguagem grave e solene. Evidente que interessa a tais grupos desviar a atenção do público católico de mais um grave escândalo que põe em questão os pontificados pós Vaticano II levando-os a crer que o problema está nos lefebvristas que sempre se levantaram para denunciar o arruinamento da fé e dos costumes por obra dos clérigos que deviam defendê-la.


Vamos ao artigo e a sua refutação. Em tempo é preciso lembrar que o seu articulista é formado em história mas, desconsiderando a metodologia comezinha para qualquer historiador, passou por cima dos fatos, não consultou as fontes e preferiu montar uma narrativa fantasiosa que não encontra estofo nos documentos primários.


1- Em primeiro lugar o artigo admite que Santo Atanásio pode ter sido excomungado injustamente mas não concede, ao caso da excomunhão de Dom Lefebvre, o mesmo direito a admiti-lo. Em havendo um caso na história por que não poderia haver outro? Ademais a retirada da excomunhão dos 4 bispos ordenados em Ecône por Dom Marcel em 1988, por ordem de Bento 16, prova que podemos estar perante um caso de excomunhão injusta similar a que atingiu, hipoteticamente, Santo Atanásio.


2- O artigo assevera que Lefebvre se recusou a rezar a missa nova dando a entender que isto era um ato de rebeldia contra a autoridade mas vejamos:


- A Bula Quo Primum Tempore, do Papa São Pio V, canonizou o rito gregoriano – dita missa tridentina porque confirmada pelo Concílio de Trento mas que vem da era dos apóstolos tendo ganho forma definitiva na sua parte essencial na época do Papa Gregório Magno – nestes termos:


Ordenamos que a Missa, no futuro e para sempre não seja cantada nem rezada de modo diferente do que está conforme este missal por nós publicado...em virtude de nossa Autoridade Apostólica...concedemos e damos o indulto seguinte: Doravante em qualquer Igreja se possa sem restrição seguir este missal com permissão de usá-lo livre e licitamente sem nenhum escrúpulo de consciência e sem que se possa incorrer em nenhuma pena, sentença e censura e isto para sempre...não sejam obrigados ( Bispos e Padres ) a celebrar a missa doutro modo...a presente Bula não poderá JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, ser revogada nem modificada mas permanecerá sempre firme e válida.


Se alguém, contudo, tiver a audácia de atentar contra estas disposições saiba que incorrerá na indignação de Deus todo poderoso e de seus bem-aventurados apóstolos São Pedro e São Paulo”


Ora foi justamente nesta Bula que Dom Marcel se baseou para recusar a missa nova e foi justamente indo contra ela que Paulo VI ab-rogou a missa de sempre cometendo um ato ilegítimo pois o que um Papa liga na terra é ligado no céu e nenhum papa posterior pode desligar quando for da vontade do papa anterior a perpetuidade daquela decisão (é o caso da Bula Quo Primum Tempore). Portanto quem agiu como Lutero que se insurgiu contra a autoridade não foi Marcel mas o Papa Montini.


3- O artigo alega que Lefebvre afirmou que Roma tinha se tornado sede do Anticristo. Isto é falso pois Dom Marcel, para dizer isto, precisaria afirmar que o Papa havia apostatado da fé, colocando o trono pontifício nas mãos dum negador de Jesus Cristo. Mas não é o caso pois em 1977, 78, 79 e 82 Dom Marcel reafirmou reiteradas vezes que a situação da crise da Igreja era incerta e que, portanto, não era possível afirmar categoricamente a apostasia do Papa; vejamos:


18/03/77:


"Se o Papa fosse apóstata, herege ou cismático, conforme a opinião provável de alguns teólogos (se fosse verdadeira), o Papa não seria Papa e, por conseguinte, estaríamos na situação de Sede Vacante. Essa é uma opinião. Não digo que não possa ter alguns argumentos a seu favor... Porém, por ora creio que seria um erro seguir essa hipótese".


16/01/79:


Enquanto não tenha a evidência de que o Papa não é Papa, tenho a presunção a favor dele. Não digo que não haja argumentos que possam pôr uma certa dúvida. Porém, é necessário ter a evidência: não é suficiente uma dúvida, inclusive se é válida. Se o argumento é duvidoso, não há direito de tirar conclusões que têm conseqüências imensas. Não se pode partir de um princípio duvidoso. Prefiro partir do principio de que há que defender nossa fé.”



29/06/1982:


"Também nós nos sentimos tentados de dizer: ‘Não é Papa, não pode ser Papa, se faz o que ele faz'. Ou senão, em troca, como outros que divinizariam a Igreja ao ponto de que tudo seria perfeito nEla, poderíamos dizer: 'Não é questão de fazer algo que se oponha ao que vem de Roma, porque tudo é divino em Roma e devemos aceitar tudo o que venha dali'. Quem assim diz procede como aqueles que diziam que Nosso Senhor era de tal maneira Deus que não lhe era possível sofrer, mas que todo aquilo era aparência de sofrimento, que na realidade não sofria, que na realidade seu Sangue não escorria, que não eram senão aparências que impressionavam os olhos de quem o rodeavam, porém não é uma realidade. O mesmo sucede hoje em dia com alguns que continuam dizendo: 'Não, nada pode ser humano na Igreja, nada pode ser imperfeito na Igreja'. Também esses se equivocam. Não admitem a realidade das coisas. Até onde pode chegar a imperfeição da Igreja, até onde pode chegar - diria eu - o pecado na Igreja, o pecado na inteligência, o pecado na alma, o pecado não coração e na vontade? Os fatos no-lo mostram”.


Por outro lado o artigo retira do devido contexto a fala de Dom Lefebvre na carta dirigida aos futuros Bispos escrita em 1987, conjuntura esta que é bem explicada por Dom Lourenço, conforme vai abaixo:


Estando a Cadeira de Pedro e os postos de autoridade de Roma ocupados por anticristos, a destruição do Reino de Nosso Senhor alastra rapidamente no seio de seu Corpo Místico nesta terra, especialmente pela corrupção da Santa Missa, expressão magnífica do triunfo de Nosso Senhor pela Cruz – “Regnavit a ligno Deus” – e fonte de extensão do seu Reinado nas almas e nas sociedades.” - Carta de Mgr. Lefebvre aos futuros bispos [Nota de D. Lourenço: A expressão é forte, mas deve ser entendida sem preconceitos: Mgr. Lefebvre não diz que tal ou tal pessoa é o Anti-Cristo, e sim que os postos do Vaticano estão ocupados por anti-cristos, ou seja, autoridades que trabalham para a destruição da Igreja, e não para sua edificação. Nesse sentido lemos na 1ª Ep. de São João: "todo o espírito que divide Jesus não é de Deus; mas este é um Anticristo."]



Portanto Dom Marcel entendia que o papa pode se cercar de maus colaboradores e favorecer a ruína da Igreja sem comprometer sua infalibilidade pois há uma dimensão humana na Igreja. Uns dizem que a Igreja sendo tão divina não podemos ter um papa que favoreça a ruína então ou ele não é papa – como pensam os sedevacantes – ou ele é e devemos aceitar a ruína como verdade de fé – como pensam os conservadores. Não era desta forma que Dom Lefebvre pensava.


4- O artigo aduz que Lefebvre, ao fazer as consagrações de Ecône,pecou por desesperança” na promessa duma autorização de Roma para ordenar um bispo da FSSPX a fim de dar sequência ao seu trabalho. Essa é outra falsidade pois:


- Dom Marcel clamou, por 20 anos, às autoridades romanas uma solução para a crise da fé sem sucesso. Alguém que pede, clama, suplica ao Papa, ao Cardeal Villot da congregação para a doutrina da fé, etc, medidas para resolver a crise pode ser apontado como alguém desesperançado nas autoridades? Dom Marcel foi, antes de tudo, paciente demais mesmo com os sinais de má vontade que vinham continuamente de Roma como as perseguiões a missa de sempre promovida pelo Bispo de Versalhes e de Bourges contra o Padre Lecareux, tirania perante as quais Roma não moveu um dedo.


- Quanto a carta de Ratzinger datada de 1987, esta impunha um cardeal visitador a FSSPX a fim de encontrar uma forma jurídica para a mesma, forma esta que seria baseada no código de direito canônico de 1983. O cardeal ficaria responsável por ordenar os futuros padres formados no seminário da FSSPX. Isso tiraria certa autonomia de Dom Marcel que, apesar disso, aceitou a proposta mostrando sua boa vontade. A carta estipulava que a FSSPX teria o direito de formar seus padres em seu “carisma” como se o trabalho da Fraternidade não se tratasse não da defesa da fé mas dum modelo arcaico de Igreja defendido por costume arraigado. Esse cardeal, além do mais, seria o garantidor da ortodoxia no seminário da FSSPX. Apesar de todas estas limitações Dom Lefebvre aceitou conversar para chegar a um termo. O Cardeal Gagnon foi recebido festivamente na Fraternidade em 1987 e ficou a esperança de que fosse ele o visitador. Isto levou a assinatura do protocolo de acordo em 05/05/88 onde ficava acertada a ordenação do bispo o que levou Dom Marcel a entregar a terna ( três nomes para Bispo). Logo após a assinatura Lefebvre passou a cobrar uma data para a definição do bispo. Mas Roma recusou apresentar o nome em 30 de junho, recusou entre 15 de julho e 15 de setembro alegando ser período de férias, recusou definição para início de novembro e para o Natal! Foi então que Dom Marcel percebeu ter sido enganado. Isso levou-o a decidir pelas consagrações. Lefebvre seguiu apostando paciente numa solução de Roma mas acabou traído apesar de sua boa vontade. Para quem ainda duvida que a hierarquia desejava enganar Dom Marcel basta lembrar do caso do Mosteiro do Barroux no qual o prior recebeu a oferta do Vaticano para que traísse Lefebvre e assinasse o protocolo no lugar dele ainda em 1988. Foi o que foi feito. Todavia o Barroux, que virou Fraternidade São Pedro, nunca recebeu o direito de ter um bispo e acabou vendo Dom Gerard, seu líder, celebrando a Missa de Paulo VI por exigência de Roma; na época do acordo as autoridades romanas davam a entender a Gerard que eles não precisariam reconhecer o Vaticano II e que tudo seguiria como antes mas não foi o que se deu. Quem estava movido de má vontade eram as autoridades romanas e não Dom Marcel.


Isto posto fica provado que Dom Marcel nem foi desobediente, nem rebelde nem desesperado mas fiel, leal e esperançoso. É frustra a acusação do catequista!




terça-feira, 10 de novembro de 2020

Trump não é o anti-sistema: a luta pelo rumo da globalização entre democratas e republicanos!




Trump anti-sistema é a falácia da hora. Vamos ver como ele apenas defende uma realocação dentro do sistema nascido em 1945 para fortalecer o império combalido pela perda de espaço em razão do processo de globalização e não uma refundação das bases que estruturam o mundo desde então. 


1- O sistema que emergiu da vitória aliada na 2GM foi o do Padrão Dólar. Há dois modos de dominar um povo: pelas armas e pelos meios financeiros. Na medida em que o dólar virou o lastro de todas as moedas os USA passaram a governar o mundo de modo sutil mas real. 


2- Deste sistema emergiram instituições como ONU/FMI/BID/CFR/OMC/OIT/OCDE etc. Eles tinham por fim assegurar os direitos humanos - cujo principal fiador era e é os USA via ONU cujo grosso do financiamento vem de Washington -  além do padrão dólar que instituiu mecanismos para um mercado global onde os USA teriam a hegemonia financeira mas abrindo espaço para uma co-hegemonia com Alemanha, França, Reino Unido, Japão e, a partir dos anos 70, China. 


3- Neste desenho a elite americana, europeia, chinesa e japonesa dividiriam o mundo entre si. Só que o pedaço do bolo foi ficando cada vez menor para os USA. Apesar disso Clinton, Bush e Obama não se mexeram por que o capitalismo americano - cada vez mais financeirizado e terceirizado quanto a produção -  parecia ainda bem robusto. Foi a crise de 2008 que acendeu o alerta pois quem forneceu boa parte dos recursos financeiros para os bancos americanos se recuperarem foi a China, detentora de grande parte dos títulos públicos americanos. A China passou a cobrir os défices orçamentários dos EUA. O BC chinês não comprou títulos do Tesouro americano visando a auferir juros. Ele comprou dólares apenas para manter o valor do dólar apreciado em relação ao yuan, para que os americanos pudessem comprar mais produtos dos exportadores chineses. E então utilizou esses dólares para comprar títulos do Tesouro americano.


4- Trump percebendo isso busca virar o jogo e não acabar com ele.  Ele desvaloriza o dólar para enfraquecer a China, aumenta tarifas para cobrir défice comercial, repatriando capital. Só da Apple, Trump repatriou mais de 800 bilhões de dólares. Para que repatriar capital? Simples: para que seja o fluxo de dinheiro no mercado interno e a obtenção de dólares via exportação quem garanta o financiamento do orçamento dos USA que, com isso, reduziria sua dependência da China. 


5- O que dissemos no início? Que se domina um povo pelas armas ou pelas finanças.  A China, ao se tornar a grande financiadora dos USA, passou a pautar, em parte, a política econômica dos EUA. Por outro lado isto era interessante às mega corporações americanas que pagam menos imposto na China (Nos EUA, antes de Trump, pagavam 35 por cento) e menos pela força de trabalho. Donald, então, fez uma reforma tributária para as grandes corporações ( Trump quer manter a hegemonia delas, não é um revolucionário anti-sistema coisa alguma) voltarem a exportar dos EUA em vez de fazerem isso da China. Para isto reduziu as garantias trabalhistas, reduziu impostos sobre bancos e grandes companhias para 21% ( menor taxa dos últimos anos) aumentando a concentração de renda. Isso reforçou sobretudo o setor de Big Techs ( Apple e Microsoft de Gates foram as grande beneficiadas). A reforma de Trump reduziu a progressividade do imposto de renda favorecendo os grandes bilionários além de isenção para heranças.  Não a toa Starbucks, Comcast, Disney Company, JP Morgan, Walmart e Big Techs apoiaram a reforma do presidente. Onde isso é ser anti-sistêmico? Nunca foi nem será. 


6- O FMI passou a temer que isso trouxesse desaceleração do comércio global - se você levanta tarifas a tendência é que todos levantem para se proteger num efeito cascata. Trump quer, com isso, destruir a globalização? Não. Desacelerar é ganhar tempo. Imagine um time que está perdendo um jogo por que o adversário toca rápido a bola. O segredo é cadenciar, reduzir o ritmo da partida para retomar o fôlego e contra-atacar, virando o placar. O que Trump imagina é: os EUA precisam refortalecer seu mercado interno primeiro. Só depois de recuperá-lo é que podemos falar de acelerar o jogo do comércio global. O fechamento do Império traz perdas mas ele tenta, enquanto ganha tempo, compensá-las com governos títeres como o do Brasil de Bolsonaro. 


7- Então que peças do sistema não apoiam Trump? Wall Street e o Global Research apontavam um alto risco para os mercados caso Biden vencesse: 


"Uma vitória dos Democratas pode ameaçar políticas defendidas por Trump e geralmente saudadas por Wall Street, incluindo taxas mais baixas de impostos corporativos e menor regulação, disseram analistas...Uma vitória em potencial de Joe Biden... e, em maior medida, uma 'virada Democrata", geralmente são consideradas resultados mais hostis ao mercado"


https://www.cnnbrasil.com.br/business/2020/06/09/investidor-se-prepara-para-volatilidade-conforme-trump-cai-nas-pesquisas


O que fez Wall Street mudar no fim da eleição se Trump apoiou a retirada da lei Dodd-Frank que impunha restrições a derivativos, criada depois da crise de 2008 como as desregulações dos fundos de pensão como pedia Wall Street? 


Simples: o pessimismo, de setores do mundo financeiro, em uma recuperação econômica dos USA sem um pacote de políticas sociais e sem arrecadação com impostos (lembrem que Trump cortou impostos). Stiglitz e Soros passaram a apostar no discurso de que, com a renúncia fiscal americana, o défice não será coberto e o crescimento impossível num quadro de covid-19 que demandaria política orçamentária e não apenas monetária. Por outro lado o temor de que a globalização sofra ainda mais retrocessos com a pandemia fê-los apostar em Biden que não parece tão disposto a uma guerra comercial. 


Em conclusão: há setores financeiros ao lado de Trump e outros contra Trump, ele não quer o fim da globalização mas o USA com o maior naco da riqueza gerada pela globalização, quer as instituições globais - FMI/FED/OCDE, etc. - seguindo os ditames duma retomada industrial da economia americana e, por isso, menos dedicadas a fomentar abertura comercial , além de suster a politica de baixos juros do governo estadunidense para reassegurar aos EUA o espaço perdido. LOGO, O QUE ESTÁ A ACONTECER É APENAS UMA LUTA INTRASISTÊMICA PELO SENTIDO DA GLOBALIZAÇÃO E NÃO ENTRE O SISTEMA E O ANTI-SISTEMA.  


Abaixo uma MATÉRIA de 2016 do site "Politico Magazine" com o título: "Por que Wall Street está de repente apaixonada por Trump? Não é apenas o retorno de ‘Government Sachs’ na pessoa do novo estrategista da Casa Branca Steve Bannon. Os comerciantes estão pensando que as políticas de Trump podem realmente funcionar - pelo menos para eles".


https://www.politico.com/magazine/story/2016/11/wall-street-donald-trump-2016-214452



segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Manifesto contra a autonomia do Banco Central que fará do Brasil escravo definitivo do mercado financeiro.


 


Nos anos 70 a crise do petróleo desencadeou a subida da dívida externa dos países latino-americanos (inclusive do Brasil). O serviço da dívida (o pagamento dela), então, passou a requerer mais de 80 por cento das nossas exportações impedindo investimentos que resultassem em desenvolvimento. Foi este cenário que fez nosso país virar refém do poder financeiro estadunidense sob a direção do FMI/FED. Exportar a inflação americana para a América Latina via subida dos juros foi mortal pois isso levou-nos a perder a nossa autonomia na execução da política macroeconômica. Porém nada é tão ruim que não possa piorar. A recente notícia de que o BC ganhará autonomia reforça uma tendência histórica na direção dum projeto americano e neoliberal de destruição de nossa soberania que vem sendo posto em prática mais decisivamente desde os anos 1980.


Na década de 80 a América Latina e o Brasil passaria, em vista do contexto acima referido a ser um exportador líquido de recursos à media anual de 5% de seu PIB! FMI/FED resolveram na época que cabia ao Brasil e países latino-americanos buscar, por conta própria, soluções que resolvessem o problema orçamentário o que passaria a envolver a contração das importações mais que expansão das exportações. Isso levou a uma expropriação de 195 bilhões de dólares da América Latina por parte dos bancos americanos, o dobro do valor que os EUA destinou ao Plano Marshall! O governo brasileiro teve que se virar aumentando a receita tributária, pegando crédito interno a curto prazo e a taxas de juros altas. Na época o Plano Baker, do tesouro americano, previu, até, que o Brasil pagasse a sua dívida com ações de suas empresas! Com o Plano Brady os EUA passam a acenar para renegociação da dívida desde que os países da América Latina abram suas economias: isso aponta para o fato de que a abertura neoliberal no Brasil se deveu mais a chantagem norte-americana que aos méritos da teoria neoliberal. Só para termos uma ideia isso levou a uma redução de nosso saldo comercial com os USA que saiu dos 3.6 bilhões de dólares para cerca de 1.5 bilhões de dólares. Tudo isto aplainou o caminho para o Consenso de Washington ( Baseado em 10 pontos: Disciplina fiscal, reforma tributária, liberalização financeira, desregulação, privatizações, etc.) que passou a servir de modelo de modernização imposto sobre as costas dos países da América Latina e que convergem para dois lados: a redução drástica do Estado e a corrosão do conceito de Nação. Nessa abordagem só resta o modelo ortodoxo de Estado reduzido à função de manutenção da lei e ordem que emergiria da soberania absoluta do mercado que nem a Inglaterra – pátria de Adam Smith que preconizava o Laissez Faire – nem os EUA jamais praticaram pois nestes países de capitalismo avançado se destacam as grandes corporações dirigidas por executivos e não mais por seus proprietários, empresas socializadas e oligopolísticas, num quadro de competição imperfeita onde preços são administrados a salvo das incertezas da lei de oferta e procura, economias onde o Estado exerce atividade de regulador da atividade econômica para garantir o pleno emprego, o consumo de massa e o desenvolvimento.


A panaceia neoliberal vem acompanhada do discurso de que monopólios estatais são ineficazes mas ele não leva em conta que aqui no Brasil e no resto da América Latina, a gestão delas foi sacrificada pela contenção dos preços públicos em função dum combate equivocado a inflação que acabou refletindo no orçamento dos governos. Na maior parte dos casos a privatização vira desnacionalização como no caso das Aerolíneas Argentinas que passaram para o controle da Ibéria, empresa da Espanha. Como dizia Foster Dulles, secretário de estado do governo Eisenhower: “há duas maneiras de conquistas um povo, uma é pela força das armas, outra por meios financeiros”. Foi exatamente pela segunda maneira que os USA/Mercado Financeiro capturou o Brasil ao conseguir que, no governo Collor, o país se dobrasse às demandas neoliberais que exigem abertura completa ao capital especulativo. Os USA, ao contrário, controlam, por exemplo, o investimento estrangeiro em seu território como o investimento das empresas americanas no exterior podendo exigir aumento de remessas de dividendos de suas multinacionais para repatriar capital isso por que as multinacionais americanas não tem só papel comercial mas também como instrumentos da politica externa de Washington. A decolagem do Consenso de Washington com Collor levou o mesmo a negociar bilateralmente com os USA forçando o Brasil a rever sua lei de propriedade industrial, lei de informática, etc., exigindo aprovação do congresso nacional nessas matérias. Com a nomeação de Marcílio Marques Moreira, homem da comunidade financeira internacional, Collor renunciou ao papel de dirigir a economia nacional dando aos credores o poder de definir os rumos do país. De lá para cá tivemos FHC criando o plano real num quadro de monetarismo onde a estabilidade da moeda é posta acima do pressuposto do desenvolvimento nacional criando as condições para a contração da demanda, as privatizações e a consequente redução do papel macroeconômico do Estado que foi o receituário seguido pelo governo Lula graças a presença de Henrique Meirelles no BC, pelo governo Dilma via Joaquim Levy na economia e agora pelo governo Bolsonaro através de Paulo Guedes, super ministro da economia.


Com a autonomia do BC se fecha um ciclo iniciado pelo Consenso de Washington. O mercado tenta fazer valer a proposta sob a alegação de que ela visa blindar a instituição de “interferências políticas” como se estas fossem negativas. Decerto para os investidores, cujo interesse máximo é especular sem o risco de desvalorização da moeda, a interferência política no BC é extremamente negativa. Interferência política consiste em que o presidente tenha a autonomia para definir nossa política monetária em razão de nossas necessidades de crescimento. A panaceia é apresentada como saída para a questão fiscal, ou seja, para os neoliberais de plantão o país não existe mas tão só os investidores. Apesar dos especialistas do mercado financeiro apontarem a autonomia do BC como solução para atrair investimentos e gerar crescimento os mesmos especialistas insistem que “só isso não basta, precisa passar todas as reformas” numa clara tentativa de chantagear a sociedade brasileira a aceitar toda a agenda de destruição da soberania nacional. A pergunta que fica é que crescimento a reforma trabalhista e previdenciária proporcionaram, apontadas como soluções pelo mercado na época em que eram debatidas, trouxeram ao país? O que tivemos foi o crescimento do desemprego. Levando em conta as necessidades de retomada geradas pelo quadro da Covid-19 e duma política orçamentária condizente com elas, implantar a autonomia do BC fará de nosso país não mais um refém do sistema financeiro mas um escravo sem nenhuma perspectiva de uma futura alforria. Diga não a autonomia do BC!


Encaminhe este artigo no formato de envio de mensagem/formulário ao Senado Federal para evitar a escravidão do nosso povo aos banqueiros internacionais por este link: https://www12.senado.leg.br/institucional/falecomosenado


Professor Rafael Gonçalves de Queiroz, membro fundador da Legião da Santa Cruz, a iniciativa de nacionalismo católico na Terra de Santa Cruz.  



segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Lista de heresias e erros da Fratelli Tutti de Bergoglio

Francisco a receber o ídolo Pachamama, divindade dos incas


Cada ponto representa um resumo dos erros e heresias da FT distribuídos nos seus 287 parágrafos. No termo de cada ponto está indicado o parágrafo corresponde ao erro/heresia encontrada. 




- Felicidade é amar o outro ( o amor a Deus não recebe destaque ) n1


- Encíclica dedicada a amizade social ( naturalismo - filantropia - amor natural ) n2


- Perverte a história de São Francisco de Assis com o Sultão dando-lhe caráter humanista ( não ressalta que o santo foi ter com ele para lhe converter a fé católica, antes dá a vista um caráter de universalismo humanista - algo que vence a diferença de cor, nação, religião ) n3


- Diz que São Francisco de Assis não impunha doutrina ( Falso pois foi pregar a fé católica ao Sultão defendendo Cristo diante dos doutores muçulmanos reunidos contra ele na corte de Al Kamil anunciando que todos deviam se converter ao Salvador ) n4


- Dá tom ecumênico a encíclica ao citar o Patriarca Bartolomeu e o Imã Ahmad n5


- Lamenta perda de força do projeto da UE e da Pátria Grande Bolivariana na América Latina n10/11


- Crítica positiva ao globalismo n12


- Crítica a colonização cultural ( ao mesmo tempo propõe uma cultura humanitária universal que é, nada mais, que a dissolução das identidades pátrias e colonização cultural progressista ) n14


- Crítica aos poderes econômicos da globalização enquanto advoga um projeto comum ( globalismo político sim, econômico não) n17


-Critica positiva ao descarte da pessoa pelos poderes econômicos n18/21


- Exaltação da cultura dos direitos humanos como base para superar a falta de qualidade de vida de populações excluídas dos bens da criação n22


- Advoga o feminismo amplo e geral ( igualitarismo mulher-homem) / não ressalta os diferentes papéis de cada sexo n23


- Quer uma globalização com um rumo comum ( governo global? Parlamento global? Medidas globais? Tomadas por quem? Que forma teria? Certamente calcada apenas na tal amizade social sem um horizonte sobrenatural) n29/31


- Pede abertura irrestrita de fronteiras mesmo em países europeus ameaçados pela mistura cultural com populações não católicas ( caso de Polônia, Hungria, etc) n37/41


-Condena o “fanatismo católico” dizendo que se trata de violência verbal n46


-Condena o colonialismo cultural dos países desenvolvidos sobre os subdesenvolvidos dizendo que isso cria baixo autoestima nacional que não ajuda no crescimento de cada povo conforme sua peculiaridade e cultura ( ao mesmo tempo, porém, ele pede uma cultura universal humanitária! Que contradição!) n51


- Fala de esperança num sentido meramente humano como sede do que é pleno, sem referência a vida eterna n55


- Se vale da Parábola do Bom Samaritano para embasar um conjunto de direitos humanos calcados em Deus mas há zero referência ao fato que só pela graça e fé em Cristo podemos amar perfeitamente o próximo e que poderia ser a via para reconstruir a cristandade. n57/62


- Faz uma provocação para que as barreiras históricas entre cristãos e judeus sejam superadas como se os segundos não fossem inimigos encarniçados dos primeiros e negadores de Cristo n84


- Fala da caridade apenas como virtude voltada para o homem, como abertura para o outro, reduzindo o seu caráter sobrenatural enquanto amor de Deus n91


- Assevera que amar é abrir-se e faz a leitura de que isso exige uma “sociedade aberta” ( mesma tese de Karl Popper que consiste numa sociedade sem “preconceitos”- leia-se sem valores religiosos e morais católicos mas aberta a todo tipo de costume e conduta ) n96/98


- Propõe um universalismo democrático multicultural sem homogeneização e eliminação das diferenças ( globalismo pluralista ) n99


- Critica positiva a liberdade econômica que por si só não cria condições dignas a todos. n 110


- Pede desenvolvimento do bem moral sem referência explícita ao fato que só na fé católica existe essa plena possibilidade n112/113


- Pede uma solidariedade meramente humana sem Cristo n114/117


- Ênfase positiva na destinação universal dos bens e na necessidade de colocar a propriedade privada orientada ao bem comum, enquanto direito relativo em vez de absoluto n118/120


- Ênfase positiva na necessidade de apoio às nações mais fracas a fim de que atinjam seu melhor IDH n124/127


-Diz que, no tocante aos grandes fluxos migratórios, as decisões dos estados nacionais não são legítimas nem suficientes pois todas elas recaem sobre a comunidade internacional n132


- Bergoglio pede uma governança global (legislação) para as migrações ( destruição prática das fronteiras nacionais ) n132


- Bergoglio pede uma síntese ocidente—oriente onde o Ocidente deve buscar no Oriente a cura para seu materialismo ( como se a Igreja Católica não pudesse oferecer isso duma maneira melhor que o Oriente!) n136


- Pede um ordenamento jurídico, politico e econômico global ( Governo Global ) n138


- Condena a defesa intransigente duma cultura e tradição como narcisismo localista/ toda cultura só é saudável se aberta aos outros ( não considera o caso de povos cristãos estarem sendo bombardeados por uma cultura laica anticatólica, pelo americanismo cultural, pela pressão da jihad islâmica em algumas áreas do Oriente, pelo Sionismo na Palestina, etc, e que, em muitos casos, esse fechamento é necessário para manter uma religião de pé e uma cultura milenar dotada de valores católicos) n146


- Povo é uma categoria aberta, é um vir a ser, não pode se fechar ( apelo a uma abertura multicultural que destrói a tradição dum povo ou apenas abertura na medida em que a novidade pode entrar em síntese com a tradição? Não fica claro) n160


- Crítica positiva a visão liberal: o indivíduo todo poderoso é uma falácia, o mercado não resolve tudo, a vida privada sem a ordem pública não subsiste n163/169


- Lamenta a perda de poder dos estados nacionais ante o crescimento dos poderes financeiros, mas, ao mesmo tempo, advoga um poder global comum para erradicar a fome e estabelecer os direitos humanos universais ( globalismo mercantil não pode/ globalismo político pode!) n172


- Pede autoridade mundial sem citar a Igreja Católica, a única autoridade mundial estabelecida por Deus na terra n172


- A política não deve se submeter a economia mas aos direitos humanos e bem comum mas nada de referir que a potestade política deve estar ligada a autoridade espiritual da Igreja ( humanismo laico ) n 177


- Amor social como caminho para uma civilização do "amor" sem referência a uma sociedade católica que embase isso; civilização do amor meramente humano. n183


- Fala da necessidade de buscar a verdade e que o relativismo não é o caminho para construir o bem comum mas nada de referir-se a Cristo como a Verdade. n206/209


- Defende o diálogo para chegar a verdades fundamentais e esquece de dizer que a Igreja já possui estas verdades: no mais tais verdades seriam, no máximo, aquelas naturais e acessíveis a razão e não as verdades reveladas sem as quais uma sociedade não pode ser redimida de suas feridas morais n211/214


- Paz social baseada na cultura do encontro e diálogo e não na redenção de Jesus Cristo: nada de restaurar todas as coisas Nele mas sim em confiar no homem ( otimismo iluminista ) n216/217

- Erra ao dizer que Jesus não autorizou o uso da violência e da intolerância; Nosso Senhor espancou os cambistas do templo, fazendo ele mesmo uso dela, assim como não mandou Pedro jogar fora a espada mas guardá-la ( base da doutrina do poder temporal dos papas que deu origem aos estados pontifícios durante a Idade Média e que foi consagrada na Bula Unam Sanctam ); outrossim deixou o mandamento de que aquele que depois de três admoestações não ouvir a Igreja que seja tratado como pagão e excomungado, consagrando o princípio da intolerância; São Paulo também diz em Romanos 16, 17 que os fiéis se afastem dos hereges n238


- Mente ao afirmar que as primeiras comunidades cristãs eram tolerantes com o mundo pagão em que vivia citando fora de contexto passagens de 2 Timóteo e Tito. Ora o Apóstolo São Paulo que pedia correção com suavidade se referia na mesma carta de 2 Timóteo 3, 1-9, do perigo que representam os homens de espírito corrupto desprezadores de Deus de quem os fiéis deveriam se precaver. São Paulo insiste que Timóteo no capítulo 4 de 2 Tim que combata o erro pois dias virão em que as pessoas não suportarão a sã doutrina. n239


- Heretiza ao rechaçar, in totus, a guerra e a pena de morte como recursos em casos graves; ora Santo Agostinho e Urbano II, papa que convocou as cruzadas, deram base teológica a guerra santa cristã e a Igreja sempre ensinou a liceidade da pena de morte como recurso em casos em que não resta outra via para restaurar a boa ordem. Se a guerra revela a condição de queda do homem nem sempre ela é má ou injusta como quer fazer parecer Bergoglio no número 261 n 255/270


-Apela a que todas as religiões se unam no reconhecimento de que somos filhos de Deus mas nem todas creem em Deus n271


-Lamenta o materialismo do mundo moderno mas numa clave de defesa dos “valores religiosos” em vez de se referir, claramente a que a única via para solucionar isto é a Igreja Católica, mãe e mestra da Verdade, e não valores de quaisquer religiões como se todas fossem igualmente boas n276


- Heretiza ao dizer que Deus age em outras religiões quando, na verdade, a Igreja é a única religião que guarda a revelação de Deus e pela qual ele continua a falar com o mundo n278


- Pede a intercomunhão plena das seitas protestantes e da Igreja Católica ( para que trabalhem pela humanidade não pela glória de Deus ) como se a unidade ainda estivesse por construir e não fosse, a própria Igreja Católica, o único rebanho de Cristo a quem todos devem se converter n280


-Diz que é possível a Paz entre a verdadeira religião e as falsas n281


-Condena as cruzadas e a inquisição como se derramar sangue culpado e herético fosse avesso a lei divina que permite o uso da força e da violência santa quando a salvação das almas e a vida da cristandade correm perigo n285