sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Eleições 2018: o Brasil entre o americanismo e o utopismo igualizante pós moderno


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Caros leitores, as eleições 2018 em nosso país demonstram o cenário de completa degradação do debate público no Brasil em razão de pautas completamente estranhas ao caráter de nossa nação, tendo em vista sua formação católica, cordial, solidarista e integral. Os candidatos a presidência da república - em sua maioria - postulam posições estranhas ao nosso legado como civilização mostrando, com isso, o atrelamento da nossa opinião pública a idéias estrangeiras cuja relação com nossa realidade é nenhuma ou quase nenhuma. 

Tanto à esquerda quanto à direita vemos isso; de um lado pautas pós modernas e desconstrucionistas como direitos LGBT, anti-racismo, etc, pululam como se o Brasil fosse os EUA onde houve um processo de violento apartheid racial e onde a mestiçagem é quase nula; do outro questões como "menos estado" são ressaltadas sem levar em conta a falta de Estado no saneamento básico, na saúde, na segurança, numa aposta total na iniciativa privada como panacéia para todos os nosso problemas. No meio desse tiroteio entre esquerdas x direitas (ou o que se convencionou chamar de direita e esquerda no Brasil)  temos alguns candidatos alternativos que defendem a Doutrina Social da Igreja - como é o caso de Eymael - outros que postulam um plano nacional de desenvolvimento misturado a religiosidade cristã e solidariedade  como base para o refazimento da malha social do país - Cabo Daciolo - entre outros. Nos extremos Amoedo, um anarco-liberal que fez fortuna através de conluios com figurões do alto escalão de governos passados, Vera Lúcia do PSTU que postula uma rebelião socialista e o fim do modelo político atual ao mesmo tempo que disputa uma eleição dentro das regras do sistema que rechaça, e Boulos do PSOL que dirige uma versão urbana do MST, o MTST, candidato que promove invasões criminosas pelo país ao mesmo tempo que oprime os ocupantes dos imóveis invadidos com "aluguéis"; todo este quadro, digno do apocalipse, revela o total descalabro deste pleito, quiçá aquele que, historicamente, traz os piores candidatos já vistos no Brasil. 

Infelizmente as candidaturas alternativas - nas quais incluo também a de João Goulart Filho, de tom mais trabalhista e que lembra o velho getulismo  - não tiveram vez e voz nesta eleição por razões óbvias: são as únicas que realmente ameaçam o atual sistema e a polarização americanizante que vem sendo imposta ao país por esquerdas e direitas apátridas. E é aí, no terreno de direitas e esquerdas anti-nacionais que o pleito será, muito provavelmente, decidido. 

Neste sentido é preciso considerar que há dois projetos de país aí: um que vê na iniciativa pública, no estado, um papel preponderante na condução da questão social e econômica, e outro que aposta na iniciativa privada e no desmonte do estado. Do lado esquerdo, articulado em torno de um discurso próEstado temos Haddad e Ciro e, em certa medida, Marina. O projeto de Haddad é francamente Lulista: nada de novo sob o sol! O plano é o velho neoliberalismo no campo financeiro e uma política de bolsas no campo social, sem investir pesado num plano de desenvolvimento industrial do país, única via para nos tornar menos dependentes dos poderes globais. Junte a isso a insistência em pautas imorais como LGBT, liberação sexual feminista, aborto, etc. O PT com Haddad fala de retomar investimentos mas não explica como recuperar a confiança dado que, com um novo governo PT, a máfia partidária que saqueou o Estado, voltaria o que faria do Brasil um terreno adverso a qualquer aventura. Fora que um governo Haddad seria marcado por extrema instabilidade pois estaria a sombra de Lula e sempre sob o risco de um indulto que poderia colocá-lo de volta no poder como um superministro, acirrando ainda mais os ânimos no país. Já Ciro, que fez parte do governo PT, tenta se desvencilhar do passado de aliado do petismo, apresentando laivos de um plano nacional de desenvolvimento e de uma proposta geopolítica menos ideológica que a do PT,  mas a pergunta que cabe é se ele não vai governar com o partido dos trabalhadores caso vença o pleito, dado que terá enorme dificuldade de angariar maioria num congresso dominado pelo PMDB com o qual não pretende governar. Ciro não defendeu, nesta eleição, efusivamente pautas LGBT, aborto, etc,  mas sabemos que ele, pessoalmente, se posiciona a favor delas. Diz que não quer ser guru de costumes e que não pretende intervir nestes temas mas forçou a barra, durante as eleições, em acusações de nazismo (o que é uma inverdade dado que Jair é um americanista e um próJudeu convicto o que repudiaria a um nazista) contra o candidato Bolsonaro e encampou algumas propostas de empoderamento feminino: Ciro quer se valer da educação para reforçar a tese de que não haveria uma diferença essencial entre mulher e homem no que tange a papéis profissionais e familiares, endossando um igualitarismo perigoso pois sabemos que, segundo a tradição católica, Deus reservou ao homem o papel de chefe da família e, a mulher, o lugar de sua auxiliar, cabendo ao marido maiores responsabilidades no que tange ao sustento material da família e a mulher o dever primário do cuidado da vida doméstica. Ciro, porém, tem algumas propostas econômicas que o colocam, de certo modo, ao lado da doutrina social da Igreja: defendeu harmonia capital-trabalho postulando políticas para atender o bem estar de produtores e empregados, ofereceu um plano para facilitar o pagamento de dívidas dos cidadãos com os bancos o que é importante para recuperar a vida financeira familiar, isso a juros mais baixos, etc. Marina flerta com ambientalismo o que poria em xeque qualquer alternativa de crescimento industrial para o país, reduzindo, inclusive, nosso potencial agrário. A esquerda Marina é a pior opção. 

Do lado direito, pela demolição ou redução do estado temos Amoedo, Dias, Meirelles, Alckmin (apesar de ser um centrista ele encampa pautas da direita liberal) e Bolsonaro. As propostas de Meirelles, Alckmin e Bolsonaro giram em torno do mesmo eixo: privatizações, abertura indiscriminada ao capital estrangeiro, menos direitos trabalhistas, etc. Dias mistura medidas de redução do estado com posições de centro. Há algumas diferenças: Alckmin e Meirelles defendem efusivamente a reforma da previdência coisa que não acontece com Bolsonaro; Alckmin se opôs ao imposto igual de 20 por cento para todos, proposto por Guedes, o futuro ministro da economia num governo Bolsonaro; Mourão vice de Bolsonaro acenou com fim do décimo terceiro salário. A candidatura de Jair ainda tem outras facetas: a ausência de proposta claras para áreas como saúde, educação, transporte e segurança. Isso o distingue de Alckmin que tem propostas mais concretas. O fato de a candidatura Bolsonaro não apresentar projetos  claros e definidos para o país precisa ser bem entendida. Não é uma ocasionalidade tal fato nem fruto da "burrice" de Jair: ela é fruto de um projeto. O discurso implícito a candidatura de Bolsonaro é que o governo não deve apresentar soluções mas sim diminuir o Estado, inclusive reduzindo a arrecadação, deixando as pessoas livres para que se virem. E suma: a filosofia por trás de tal candidatura é o velho modelo de sociedade americana/estadunidense, o calvinismo politico puro e simples; o estado não fará nada por vocês, não contem com ele, contem somente consigo mesmos. Aqui é que se explica a idéia de armar o cidadão ( algo até justo pois temos o direito de nos defender mas que não é a solução para o combate ao crime organizado nem um enfrentamento efetivo das causas da criminalidade e sim uma medida tópica para combater efeitos ), deixando de lado propostas mais específicas de segurança pública ( Seria possível enfrentar o crime organizado apenas dando armas a particulares? É possível enfrentar a violência coletiva com ações individuais?). Junte a isto a expectativa de uma baixa burguesia de ascender socialmente com menos impostos, o que não passa de ilusão num país descapitalizado e onde o acesso ao dinheiro para financiar a produção é sempre caro; ademais sem mão de obra especializada fica deveras complicado imaginar um salto econômico, coisa que só poderia acontecer com a atuação forte do estado no campo da educação formando quadros mais qualificados a fim de fomentar a iniciativa produtiva do setor privado. Ao que parece a candidatura de Jair não pretende enfrentar a máfia bancária que impõe pesados juros ao país, reduzindo sua atuação a reduzir impostos o que, num quadro de dívida pública monstruosa, pode levar o país a um quadro semelhante ao da Argentina, onde Macri desonerou setores exportadores perdendo receita e acabando na mão do FMI. Outrossim as candidaturas Bolsonaro, Alckmin e Meirelles caso viessem a ganhar o pleito poderiam desencadear, em razão das medidas antipopulares no campo do trabalho, pois prenunciam um arrocho severo sobre os trabalhadores ( "ou tem emprego ou tem direitos", "reforma da previdência", "ajuste fiscal", são os slogans das três candidaturas, respectivamente), uma luta de classes aberta no país, liderada por setores do PT, MST, sindicatos, o que ganharia força pois a classe trabalhadora seria - em razão de tais medidas - jogada no colo dos setores mais radicais da esquerda. O fato é que, muitos, teleguiados pura e simplesmente por uma aversão ao PT apostaram em Bolsonaro como uma alternativa mas ela vem se mostrando falha e incapaz de unir o país. Isso não se deve, como alguns pensam, a sua verve autoritária. Houve líderes autoritários até mais enfáticos que Jair que conseguiram unir nações em torno de um projeto pois souberam conciliar setores, coisa que Bolsonaro e sua campanha não conseguem. A direita liberal/conservadora apostou numa candidatura mambembe, inimiga dos pobres. A recente fala de Mourão, vice de Jair, sobre acabar com o décimo terceiro é mais uma revelação do que nos espera caso o 17 vença. Bolsonaro nunca ofereceu uma proposta para a classe trabalhadora a fim de que pudesse trazê-la para seu lado anulando o perigo do PT, que digamos, nunca esteve de fato compromissado com os mais pobres, se valendo de seu desespero para ofertar bolsas fajutas comprando as eleições com migalhas para depois leiloar o Brasil a poderes financeiros estrangeiros. E nunca ofereceu por que o núcleo da campanha Bolsonaro é composto por olavistas imbecilizados que enxergam comunismo em qualquer ação ou medida do Estado para assegurar o bem estar social, não compreendendo que foi exatamente o Welfare State que impediu que o ocidente caísse nas mãos do comunismo no pós crise de 29 e que o socialismo avançasse sobre a Europa Ocidental no pós Segunda Guerra. Seu discurso se limita a proposta de reduzir impostos para atender a classe produtiva, não mostrando nenhuma disposição em unir capital-trabalho. A candidatura Bolsonaro não se compromete com medidas trabalhistas - aliás exigidas pela doutrina social da Igreja - para o incremento do mercado de consumo e de nossa economia nacional. O script de uma derrota num hipotético segundo turno com Haddad está pronto. E a culpa será da própria direita que não soube dialogar com setores populares deixando-o livre para a ação de utopistas aproveitadores. 

Ainda é preciso que se diga que não há um voto católico óbvio nestas eleições. Se há pautas positivas em Bolsonaro - como rechaço a kit gay e a aborto, fim das demarcações de reservas indígenas que comprometem a exploração das riquezas minerais da Amazônia, etc - mesmo elas ficam severamente combalidas se levarmos em consideração a Geopolítica que o referido candidato pretende realizar, dando primazia a EUA - cujo ordenamento jurídico já permite a união gay em todos os estados do país - Israel - único país do Oriente Médio a ter paradas gays e cujo Estado financia o movimento gay- Europa - onde pulula a degeneração moral, o ateísmo, etc. A idéia de um candidato conservador capaz de enfrentar o lobby mundial em torno de pautas feministas, gays, anti-família só funciona de modo muito precário: sua geopolítica e seu projeto econômico impedem ao Brasil independência financeira para poder fazer frente a esta escalada do mal. Cabe lembrar o exemplo do Zimbabué e Uganda que tiveram severos problemas com perda de investimentos europeus e americanos, quando anunciaram leis anti-LGBT no país, tendo que se voltar para outros blocos de poder geopolítico a fim de compensar as perdas financeiras. Outrossim a política anti-trabalhista de Jair, na medida em que  pode precarizar a vida familiar dos mais pobres, acaba podendo ter como efeito, um aumento das taxas de abortos por conta do empobrecimento; quadros de violência também podem piorar já que um a miserabilização pode forçar os pais de família a buscarem "bicos" ficando mais tempo fora de casa deixando os filhos sob os cuidados da rua e da tv ou do tráfico de drogas (sabemos que um dos motivos mais decisivos para a violência é a falta de estrutura familiar). Logo, não há certezas de que seu governo vá ser mesmo uma barreira conservadora a degeneração dos costumes, podendo, até, alimentar o processo por vias indiretas. 

Em suma, o Brasil está numa encruzilhada da qual será bastante difícil escapar. Peçamos a Deus que ajude nossa pátria a se reerguer o que passa por recuperamos nossa identidade como nação a fim de fazermos frente ao colosso do internacionalismo inimigo de Deus que se veste de esquerda ou de direita para levar os povos a ruína. 

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

7 DE SETEMBRO: INDEPENDÊNCIA OU SECESSÃO?




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Afinal, ficamos independentes em 7 de setembro? A versão oficial dos fatos diz que sim. Porém a questão é mais complexa. Antes de respondermos isso precisamos entender o que se passou no Brasil entre 1790 e 1822.

Em primeiro plano precisamos entender que a separação do Brasil de Portugal se dá através de um processo, em etapas. A primeira etapa envolveu a conjuração baiana e a inconfidência mineira que jogaram colonos contra a coroa. A segunda envolve a chegada da família real ao Brasil. Com a abertura dos portos em 1808, Dom João VI, príncipe regente, assegurou nossa liberdade econômica pondo fim ao exclusivo metropolitano, garantindo que os produtores do Brasil pudessem vender e comprar para quem considerassem mais conveniente. A vinda da corte régia para o Brasil atendia ao fim de proteger a coroa de um ataque napoleônico em face do não cumprimento do bloqueio continental decretado por Bonaparte. Fato é que em 1815 as guerras napoleônicas acabam com a derrota de Bonaparte. Mesmo assim Dom João VI decide permanecer no Brasil e elevar-nos a condição de reino unido a Portugal e Algarves. Ao que tudo indica havia um projeto de mudar a sede do Império Marítimo Português para o RJ, fortalecendo a posição de Portugal no Atlântico Sul e impedindo um processo de ruptura que já começava a se desenvolver nas colônias espanholas sob o influxo do interesse inglês.

A Inglaterra nesta época era a maior potência industrial e naval do mundo e a ela interessava abrir portos e mares para a livre circulação de suas mercadorias e ampliação de seus lucros. Ao mesmo tempo o congresso de Viena se realizava sob os auspícios da contra-revolução. Neste sentido é que nasce a Santa Aliança, acordo que envolvia a luta de países como Portugal, Espanha, Rússia, Áustria, contra a expansão dos ideais da revolução francesa e contra a independência da América. Foi a França via Talleyrand que estimulou Dom João VI a ficar no Brasil. O acordo foi feito no tratado de Viena e envolveu uma troca. A França apoiava a empresa de Dom João VI em manter sua corte no RJ e, em troca, recebia de volta a Guiana Francesa, conquistada pelo Brasil em 1809. Evidentemente isto não interessava aos ingleses. Daí que desde 1816/1817 as Lojas Maçônicas, no geral a soldo inglês, resolveram criar um clima para fazer voltar Dom João a Portugal e estimular a secessão do território brasileiro.

Tudo começou com o Areópago do Itambé, primeira organização maçônica do Brasil a se instalar em Pernambuco na área de Itambé em 1796. Como suspeitava da atividade maçônica em Itambé denúncias levaram maçons a fugir dali para o Recife. Em 1816 foi criada uma Loja no RJ: a Beneficência liderada pelo Conde de Paraty. Dom João VI tendo descoberto as atividades desta Loja em semear postulados iluministas que envolviam a idéia de uma contestação ao absolutismo, mandou fechá-la. No Alvará de 1818, Dom João VI, manda fechar todas as Lojas do Brasil e Portugal. Elementos maçons da Beneficência, Loja do RJ, junto com os remanescentes do Itambé, ajudaram a fundar a Grande Loja Provincial que já em 1816 começou a reunir clérigos, juízes, fazendeiros, comerciantes, para uma revolução que explodiria em 1817 e tentaria a separação de Pernambuco com a consequente criação de uma república maçônica no nordeste. No mesmo ano o maçom Domingos José Martins, comerciante que tinha negócios em Londres, voltou da Inglaterra pra liderar a revolução pernambucana. Ele havia jurado a Francisco Miranda, mestre maçom venezuelano que havia fundado a Loja Grande Reunião Americana em Londres, que lideraria a independência de Pernambuco. O movimento falhou e Dom João VI conseguiu manter o controle do Brasil mas em 1820 uma nova investida maçônica viria através da revolução do Porto.

A revolução do Porto queria recolonizar o Brasil e reduzir o poder de Dom João VI criando uma monarquia parlamentar, aos moldes liberais e maçônicos. Antes dela o general Gomes Freire, em 1817, já havia conspirado contra Dom João VI. Gomes era grão mestre maçom. Gomes Freire e outros conjurados maçons foram executados sob ordem do Rei. Mas isso não desanimou a maçonaria em Portugal, pois se reorganizou. Foi então que no Porto, o desembargador da Relação, Manuel Fernandes Tomás, fundou o chamado “Sinédrio”. Integrado por maçons, visava “afirmar” o Exército Português no país. Aproveitando a ausência de Beresford no Brasil, o Sinédrio cooptou militares que pudessem materializar o seu projeto revolucionário. O Sinédrio foi uma associação secreta para-maçônica, fundada no Porto em Janeiro de 1818, que interveio na organização da revolução liberal de 24 de Agosto de 1820. Os fundadores (todos maçons) foram, além de Fernandes Thomaz (pertenceu á Loja Fortaleza, à Loja Patriotismo), José Ferreira Borges (advogado, pertenceu à Loja 24 de Agosto), José da Silva Carvalho (advogado, juiz, Ministro da Justiça, da Fazenda e da Marinha, pertenceu à Loja 1º Outubro, Loja 15 de Outubro, foi Grão-Mestre do GOL, fundador do primeiro Supremo Conselho do Grau 33), assim como outros líderes maçônicos.

Ao mesmo tempo que isso acontecia no Porto e forçava a volta de Dom João VI a Portugal, aqui no Brasil, José Moncorvo organizava a Loja Comércio e Artes para preparar a “independência do Brasil”. Uma divisão na Loja Comércio e Artes se deu no que tange a forma de estado que o Brasil deveria assumir depois de independente, se seria republicana – linha defendida por Gonçalves Ledo – ou monárquica – linha de José Bonifácio. A posição de Ledo na maçonaria era mais forte pois Bonifácio só havia sido eleito Grão Mestre por uma necessidade política – organizar a separação do Brasil. A literatura maçônica é unânime em apontá-lo como “profano”, alguém sem iniciação mas que foi aceito na maçonaria por seu papel chave junto a Dom Pedro I, que havia ficado como príncipe do Brasil depois que o pai teve de voltar a Portugal para conter os revolucionários. A ascensão de Bonifácio era uma manobra de Ledo para atrair Dom Pedro I para a causa maçônica. Percebendo que a separação seria proclamada pela maçonaria de qualquer forma, o príncipe para poder fazer parte do movimento se iniciou na Loja Comércio e Artes em 2 de agosto de 1822. Ledo foi entendendo que a melhor forma de conduzir a separação era mantendo a monarquia dado que isso facilitaria a aceitação da mesma pelas casas dinásticas européias. Ademais fazer a independência com república seria não contar com Dom Pedro I como rei, porém ele tinha o apoio da Província do RJ e de SP e sem o apoio destas duas províncias dificilmente se faria a separação. Em 9 de setembro Ledo, na sessão do Grande Oriente Maçônico declarou Dom Pedro I como rei e defensor constitucional do Brasil no que foi seguido pelas demais lideranças maçônicas.

Em razão de todos estes fatos podemos inferir que o processo de nossa separação de Portugal não se tratou de uma independência legítima, dado que ela já havia acontecido em 1815 quando recebemos nossa liberdade política das maos de Dom João Vi pela elevação do Brasil a reino unido a Portugal. Antes sofremos uma secessão, fruto de uma conjura espúria para destruir o belo ideal de Dom João VI de uma união definitiva entre Portugal e Brasil e facilitar o crescente poder da Inglaterra sobre a América assim como da maçonaria. A maçonaria tencionava criar novos países títeres de seu poder e do poder de Londres. O que podemos fazer hoje, passados quase dois séculos? Reconstruir os laços é ideal quase irrealizável mas lutar contra a opressão maçônica sobre o Brasil é algo possível e necessário. Lutemos contra o Grande Oriente e veremos uma autêntica liberdade reinar sobre o Brasil, não a liberdade licenciosa da maçonaria mas a liberdade cristã.



Professor Rafael G. Queiroz. 


Bibliografia


ANDRADE, João. “A Revolução de 1820: a conspiração“. Porto Editora, 1983 

DURÃO, João Ferreira. Pequena história da maçonaria no Brasil. Madras, 2008.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Em decisão inédita, Francisco decide reescrever a Bíblia!



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Diretamente da Cidade do Vaticano, 03 de Agosto de 2018 em #NEWSVA#. 

   Em primeira mão, noticiamos quem em breve a Congregação da Doutrina da Fé irá lançar uma nova versão da Bíblia Sagrada. A decisão inédita na história foi tomada pelo Papa Francisco que assevera "ser necessário adequar o texto bíblico aos novos tempos onde a compreensão da dignidade humana cresce, dos direitos humanos, da não violência, da paz social e da igualdade, de modo que certos trechos da sagrada escritura, que dizem respeito ao contexto cultural de uma época, não tem mais razão de ser, nem de aparecer no bojo das narrativas que são destinadas a liturgia da missa e a catequese"

   Ainda segundo o Papa, estes trechos "serão recolhidos a uma coleção de versículos a serem reunidos numa suma de antiguidades bíblicas, destinada apenas ao estudo cultural e histórico do passado da humanidade, a fim de compreender como crenças arcaicas foram sendo superadas pela evolução dos tempos". 

Os evangelhos, inclusive, serão objeto de modificações, como adiantou o Cardeal Luis Ladaria, SJ, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Ladaria diz que " passagens nas quais Jesus fala que veio trazer a espada e o fogo serão extraídas, assim como as invectivas mais duras contra os fariseus". Ladaria explica que tais passagens, hoje, não são mais necessárias pois vivemos uma época de ecumenismo; para o Cardeal, Jesus usou tais palavras apenas por que, na época, havia uma animosidade entre seus discípulos e os judeus, coisa já superada graças ao diálogo inter-religioso com os judeus.  

Apesar de alguns protestos - isolados - de católicos mais aferrados ao passado - chamados de tradicionalistas - a maioria dos bispos apoia a decisão. Até mesmo um bispo ligado a missa tradicional se pronunciou, tentando tranquilizar os fiéis. Dom Gusmão ensina que "tais passagens nunca foram de fé divina ou mesmo objetos de declarações solenes dos papas; Jesus as usou mais como força de expressão e metáfora...é apenas uma compreensão mais aprofundada do contexto da sagrada escritura, nada mudou". Dom Gusmão ressaltou que os tradicionalistas devem se libertar das concepções do AT sobre a divindade. Segundo o mesmo "Jesus se valeu de uma linguagem didática pois o povo da época não entenderia de outro modo; logo, ele precisou se valer dos conceitos de um Deus terrível, típico do AT...mas o nosso Deus é o Deus da pura misericórdia; não tem nada mais tradicional que isso". 

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Os EUA como origem do movimento gay

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   Há quem diga que existe uma conexão exclusiva entre movimento LGBT e a cultura marxista passando por cima das relações entre a cultura individualista americana e os primeiros grupos ligados a causa gay no ocidente. Se é verdade que há doutrinas marcusianas, de tom neomarxista, fundamentando o movimento homossexual, também é verdade que o pós-modernismo ocidental, o individualismo liberal e a revolução sexual e hippie nos EUA - ligada não apenas a cultura gay mas, inclusive, ao império da da pornografia com publicações que revolucionaram o comportamento sexual, estimulando a fornicação, o adultério e a prostituição, como a Playboy - tiveram impacto decisivo na eclosão das pautas LGBT. Cabe explicar que já na década de 20, na Broadway tínhamos uma pré-revolução sexual, movida a música foxtrot e charleston que imprimiam um ritmo alucinante, estimulando o "esfrega-esfrega" entre casais que frequentavam os salões e os bailes da época; marca da década de 20 eram, diga-se de passagem, as dublês de dançarinas/prostitutas do charleston que ofertavam seus serviços nos eventos de antanho. 


   Sobre o facto de que foi nos EUA que tiveram origem as lutas gays e as organizações pró-LGBT fizemos um resumo mostrando, como a cultura estadunidense, é a raiz onde prosperou o movimento:

- Desde a década de 20 a máfia tinha o poder e os recursos financeiros para criar bares e clubes gay, apesar de proibição oficial. 

-No início dos anos 1960, Dick Leitsch, o presidente do Mattachine Society de Nova York, defendeu a ação direta em prol dos direitos gays, encenando a primeira apresentação pública de manifestações homossexuais na década de 1960. Frank Kameny, fundador da Mattachine de Washington em 1961, havia defendido uma ação militante recordativa da campanha de direitos civis dos negros, ao mesmo tempo defendendo a moralidade da homossexualidade.

-O Julius Bar (Nova Iorque), em Greenwich Village, foi o primeiro estabelecimento gay na história ocidental reconhecida e registrada legalmente. O caso ganhou uma atenção extensiva da mídia em vista da ação judicial contra o um órgão público local; a partir de então não era mais possível revogar licenças com base na solicitação de homossexuais. 

-Em 1969 foi alterada a política de Nova York de aprisionamento dos gays pela polícia. 

- Los Angeles viu o primeiro grande movimento gay em 1967 trazendo uma demonstração de centenas de pessoas durante vários dias depois protestando contra invasões da polícia em bares gays.

-Em 1966 Adrian Ravarour e Billy Garrison fundaram a "Vanguard, Incorporated" uma organização de juventude LGBT que em seus discursos, humanizaram a homossexualidade como uma relação humana normal. A Vanguarda também realizou um fim de semana de danças do mesmo sexo. Em agosto de 1966 um protesto no Doggie Diner foi seguido pelo apoio do Compton's Cafeteria. No final de 1966 o grupo juvenil se mudou para um teatro e depois para a Grove Street, 330, onde mudou seu nome para o The Gay and Lesbian Center (Centro de gays e lésbicas), o primeiro no ocidente.

-Em 28 de março de 1969 em San Francisco, Laurence Leo (o editor da Vetor, a revista da maior organização dos Estados Unidos sobre a homossexualidade, a Sociedade pelos Direitos Individuais) conclamou a uma "Revolução Homossexual de 1969", exortando os homens gays e lésbicas a se unir a um grupo militante, o Comitê de Liberdade Homossexual com Gale Whittington - um jovem que tinha sido demitido da States Steamship Company por ser abertamente gay, depois que sua foto apareceu na Berkley Barb, ao lado da manchete "HOMOS, Don't Hide It!", artigo revolucionário escrito por Leo Laurence. No mesmo mês Carl Wittman, um membro da CHF, começou a escrever o "Refugiados da Amerika: Um Manifesto Gay" (Refugees from Amerika: A Gay Manifesto), que mais tarde seria descrito como "a bíblia da libertação gay". Foi primeiramente publicado pela pela San Francisco Free Press e distribuído a nível nacional até a cidade de Nova York. 


Bibliografia: 

- Carter, David, 2004. Stonewall:The Riots that Sparked the Gay Revolution.

- Sibalis, Michael. 2005. Gay Liberation Comes to France: The Front Homosexuel d’Action Révolutionnaire (FHAR), Published in 'French History and Civilization. Papers from the George Rudé Seminar. Volume 1. ( In: https://h-france.net/rude/wp-content/uploads/2017/08/vol1_Sibalis2.pdf)


segunda-feira, 28 de maio de 2018

Nota sobre a greve dos caminhoneiros, Nougué e a inconsciência de certos católicos.


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O Brasil vive um caos político, moral, social, econômico poucas vezes vista em toda a sua história. Tomado por gangues políticas da pior espécie, o país sangra sob sua batuta, somada a desinformação gerada pela grande mídia que não quer que a população acorde e se una. 

A greve recente dos caminhoneiros é um momento importante para fazer uma análise geral do que está acontecendo com nosso país. No entanto, nos meios católicos, vige uma espécie de criticismo de origem claramente midiática contra a greve, vista por alguns elementos como agenda petista ou como mero egoísmo de classe dos motoristas. 

Este criticismo fica bem patente numa fala recente do professor Carlos Nougué que disse: 


O referido professor repete a lenga lenga jornalística de que tal greve seria responsável pelo caos mas, ora, o caos é anterior a mesma: 13 milhões de desempregados, violência urbana a níveis estratosféricos, trabalhadores que estão deixando de comprar o essencial para sobreviver com menos que o básico, indústrias paradas, lojas falidas, etc. Os caminhoneiros não visam o desabastecimento mas uma melhora do preço do diesel para desestrangular nossos transportes. De facto: não se pode fazer omeletes sem quebrar ovos. Que Nougué mostre- nos qual a façanha capaz de dar origem a uma omelete sem que se faça isso! Nougué inverte a realidade ao dizer que efeitos de uma crise geral são meios visados conscientemente. Inverte ainda mais quando fala de "país ainda mais falido" quando ignora que sem custeio de combustível e energia podemos parar. O país não pode se limitar a pagar dívidas: deve estimular crescimento ainda que o governo só possa fazer isso timidamente, é preciso voltar a investir, e a desoneração do diesel passa por isso; sem investimentos é que o pagamento da dívida ficará impossível. Há um caso recente que mostra que, sem subsídio a combustível, não há crescimento! A Malásia, que passou a subsidiar 30% da gasolina e do diesel, puxou seu recente crescimento assim. Nos últimos dois anos isso trouxe aumento dos gastos públicos mas, por outro lado, ajudou o país a reduzir sua dívida pública em dois bilhões ( https://pt.tradingeconomics.com/malaysia/government-debt-to-gdp) . Segundo o diretor da UHY, Eric Waidergorn, em pesquisa recente, “enquanto o governo da Malásia perde uma grande quantidade de dinheiro por ter um subsídio aos combustíveis, ele argumenta que faz tal contribuição para ajudar no crescimento do PIB do e que está disposto a aceitar a perda. Isso poderia ser um estímulo para o pensamento do governo brasileiro“. O preço dos combustíveis influencia diretamente o custo dos bens de consumo e alimentos no Brasil, uma vez que 60% da produção industrial nacional é transportada por rodovias.

Mesmo que a gestão da dívida seja posta em primeiro plano há que dizer que o Brasil só retomará investimentos puxando a produção. E isso só com subsídio do Estado, já ensinava Keynes. Numa crise as forças de mercado tendem a estagnar a economia. Isso é facto histórico indiscutível. Com uma economia parada é que ninguém paga dívida nenhuma. A leitura dos factos é uma só: de um lado há quem defenda o neoliberalismo de Temer e seus preços flutuantes e doutro há quem queira a retomada do papel indutor do estado na economia, subsidiando uma área estratégica - dos transportes - levando o país a sair aos poucos da lógica perversa em que foi lançado a dois anos - sem nenhum resultado consistente na geração de empregos. A opção é entre ficar refém da dívida ou tentar ajustar aqui e ali para puxar a produção.

Sobre tal situação consideramos que a fala do amigo Lucas Muniz Hadade foi a melhor leitura do que está acontecendo agora: 

"Empresariado nacional e trabalhadores brasileiros VS Burocratas vendidos e especuladores internacionais

A greve dos caminhoneiros tem, obviamente, a articulação e o apoio das transportadoras, do patronato - por isso é tão eficiente. Tudo isso mostra que a cooperação entre classes é muito mais forte e intimidadora aos burocratas e especuladores internacionais que a "luta de classes" - não à toa essa última sempre foi fomentada pelo grande capital especulativo, vide a história das revoluções.

De um lado está a força produtiva nacional (transportadoras e caminhoneiros); do outro estão os burocratas e especuladores internacionais (políticos financiados por carteis bancários, agentes da usura que ganham dinheiro com juros e também precificando moedas e ações, gente que nada produz). Uns querem nossa petrolífera servindo a quem produz, a quem usa dos insumos produzidos para agregar valor transportando bens e prestando serviços; outros querem apenas o produto sendo vendido a preço de mercado internacional para que possam tirar dividendos de negociatas.

A grande mídia, em especial a Globo, já divulgou uma notícia falsa que houve acordo, quando não houve. Já há colunistas criticando a participação da classe patronal chamando tudo de "locaute". Pois eu digo que o empresariado brasileiro do setor de transporte e seus funcionários estão de parabéns por darem aula do que a cooperação entre classes pode fazer.

Escolham seus lados."


Alguns católicos que fizeram críticas a esta greve devem lembrar do Solidariedade da Polônia que em 1989 parou o país por meses, fechando inclusive linhas férreas, montando milícias operárias e tudo com apoio de João Paulo II. O governo ficou tão desesperado que teve cortar as linhas telefônicas para impedir a articulação. Devem lembrar também dos Cristeros que, sob a liderança do padre Vega, mataram 51 civis dum comboio do governo; devem se lembrar de Victoriano Ramirez, um dos chefes Cristeros, que matou 14 sujeitos que haviam sido contratados para matá-lo. A brigada Cristera de Zapopan roubava armas, provisões e dinheiro para suster a frente de batalha. Assim como não há maquiavelismo algum aí,  não teve maquiavelismo algum na greve dos caminhoneiros. Eles deixaram passar caminhão que visava forças armadas, hospitais e serviços essenciais. A pauta do diesel - pouco interessa agora se ela de início foi uma pauta só de uma classe ou não - mostrou sua capacidade de unir pessoas de diversas classes numa unidade nacional contra três inimigos: o governo Temer, o legado petista e o globalismo financeiro. Evidente que a mídia não poderia deixar isto acontecer. Ela precisava inventar que agora vai faltar comida - como se estivéssemos comprando tudo a preço baixo e como se todo mundo não tenha deixado de comprar muita coisa nestes últimos anos - e que o caos se instalará como se 13 milhões de desempregados já não fosse o caos. Infelizmente - aí sim infelizmente - muitos católicos se deixaram levar por este discurso mentiroso e farsesco da mídia. 


O advogado Roberto Cavalcanti, deu, a nosso ver a melhor caracterização deste cenário midiático: 

"Na mídia corporativa entra em cena o ingrediente emocional: falta de medicamentos, carências nos hospitais, tudo, enfim, por causa do movimento dos caminhoneiros. Porém, nada disso é novidade na estrutura da saúde pública de nosso país. Eu reforço, então, com um solene "CENSURADO"! O movimento deve continuar a estrangular a população, conduzindo-a não contra o caminhoneiro, mas contra o verdadeiro inimigo: o Governo Federal. Deve ser declarada GUERRA TOTAL ao Governo Federal, e em todo tipo de GUERRA o elemento "SACRIFÍCIO" é FUNDAMENTAL. Em toda GUERRA há baixas, e essa GUERRA é legítima! Este sacrifício, aliás, nos ELEVA como seres humanos. A cultura de paz, que é o que a Rede Globo mais quer, nos torna passivos e auto-suficientes. A cultura de guerra fomenta um comportamento ativo e solidário entre membros de um mesmo povo, a ponto de nos vermos como elos de uma mesma cadeia."


Senhor Nougué! Não é maquiavelismo! É sacrifício em prol dum bem maior. 

terça-feira, 15 de maio de 2018

Por que o valor da missa depende da santidade do papa reinante?

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Francisco buscando união com falsas religiões. Isso afeta e reduz os frutos da missa resultando em menor santidade para todo o corpo da Igreja. 




Caros leitores, é importante que, sobre a santa missa façamos a distinção entre o sacrifício redentor e os frutos dele na vida pessoal de cada fiel. Sabemos que a missa é o único sacrifício de Cristo, perpetuado e perenizado na história humana através da qual chegam aos indivíduos particulares as graças da salvação. Na cruz, Cristo alcançou um mérito infinito diante do Pai: pela sua obediência até o fim conquistou a expiação dos pecados, de todos os pecados de todos os homens. Eis a redenção no seu aspecto objetivo! A missa, neste sentido é a aplicação destes méritos aos que participam dela. Eis a redenção no seu aspecto subjetivo! É aí que entra a questão dos frutos da missa. Uma missa mais bem celebrada, segundo o espírito da Igreja e as normas do culto, produz mais frutos pois é mais sacral e, portanto, mais agradável a Deus. Embora o sacrifício de Cristo que é apresentado na missa ao Pai seja um sacrifício de suave odor, pelo qual nos descem as bençãos celestes, a atitude dos fiéis e a santidade dos clérigos pode contribuir para uma maior ou menor abertura espiritual a tais graças e, consequentemente, para a produção de frutos de santidade maiores. 

Na missa nos associamos a  Nosso Senhor Jesus Cristo que se oferta ao Pai; quanto maior nossa devoção, nosso espírito contrito e penitente, nossa santidade pessoal, maiores os frutos para nós, individualmente tomados. Isso quanto aos fiéis. Mas e quanto ao clero?  Segundo o teólogo La Taille os frutos da missa são maiores para a toda a Igreja quando o Papa é mais santo, quando os bispos são mais santos, quando os padres são mais santos. Um mau papa, um mau episcopado, um mau padre, reduzem os frutos adicionais da missa; mas se temos um Papa santo, os frutos da missa são mais abundantes, resultando numa maior santificação geral; vejamos o que diz La Taille:

"O valor da missa é dependente da maior ou menor santidade do papa reinante, dos bispos e do clero pelo mundo. Quanto mais santa é a Igreja em seus membros, especialmente o papa e o episcopado, mais agradável tem de ser o seu sacrifício aos olhos de Deus ( ...) Com Cristo e a Igreja o sacerdote celebrante é associado em terceiro lugar, ele que é representante por meio de quem Cristo oferta o sacrifício. Se for um homem de grande devoção pessoal, santidade e pureza, isto resultará em frutos adicionais, que o beneficiarão e aqueles em favor de quem oferece a missa. Por isso os fiéis, são guiados por um instinto saudável quando preferem ter a missa celebrada por um sacerdote correto e santo em vez de por outro de menor dignidade (...) Em quarto lugar, devem ser mencionados aqueles que tomam parte ativa no sacrifício da missa, por exemplo, acólitos, sacristãos, organistas, cantores e finalmente a congregação dos fiéis". In: M. de La Taille. The mistery of faith. Vol.  II. Londres, 1950. Tese XXVI, p. 914-915.  


Não estaria aí, senhores, a resposta para o baixo nível dos católicos de hoje, que não dão frutos de vida cristã, santidade, verdade e fé? Afinal os últimos papas, além de não terem sido santos foram verdadeiros comprometedores do bem comum da Igreja, deixando-a a mercê de hereges e heresias e da corrupção da missa, entrando em diálogos com falsas religiões, desviando-se por palavras e atos, da fé de sempre ao favorecer ecumenismos, aberturas e diálogos com o mundo, liberdades modernas, etc, o que resultou num estímulo geral para a lassidão moral que vemos pulular hoje entre os fiéis e até entre o clero. 

Que Deus nos ajude e suscite um clero santo!



sábado, 21 de abril de 2018

Vargas na história pátria: refutando as mentiras do Brasil Paralelo!

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Vargas mandou fechar lojas maçônicas e se aproximou de setores católicos da vida política nacional; a CLT foi, em grande parte, fruto da influência destes setores que prezavam pela aplicação da Doutrina Social da Igreja nas relações sociais a fim de impedir a luta de classes. A partir daí entendemos o ódio do Brasil Paralelo a Vargas, na medida em que o BP se atrela ao liberalismo maçonizante. 





Senhores, trazemos aqui o parecer do ilustre professor de História Eduardo Cruz* sobre o mais novo absurdo do Brasil Paralelo, que abriu um processo acusatório difamante contra a figura do Presidente Getúlio Vargas. No fundo, a acusação se pauta por uma defesa escrachada do liberalismo. Nos vídeos anteriores do Brasil Paralelo tal defesa era implícita, misturada com apelos à tradição católica do Brasil. O objetivo do embuste era capturar a simpatia do público católico para a iniciativa e fazê-lo aceitar, de modo quase imperceptível, uma narrativa liberal da nossa História. Uma tática parecida com a do estuprador que, pretendendo atrair a vítima para seu terreno, a adula com carícias a fim de seduzi-la e violentá-la. O Brasil Paralelo é o "estupro liberal" da nossa memória: é uma ressignificação esdrúxula do nosso passado a fim de justificar um futuro desejado, qual seja, um futuro onde o Brasil seja pautado por Estado mínimo, liberalismo econômico nas relações de trabalho, individualismo, americanismo. A releitura da nossa História, feita pelo BP, é claramente ideológica: é um recorte canhestro que serve a fins políticos subordinados a uma causa estranha ao nosso interesse nacional. Para o Brasil Paralelo, Vargas foi, ao mesmo tempo, pró-comunista, fascista, positivista, psicopata, gênio da política, simpatizante do nazismo, etc. Como foi possível ele ter sido tudo isto é o grande mistério. O Brasil Paralelo transformou Getúlio no "Tio Chico" (aquele pentecostal maluco que disse ter sido maçom, islâmico, pai de santo, rosa cruz, travesti, etc.) da nossa História. Sobre a péssima qualidade do documentário é preciso dizer que:


1 - Logo de cara há uma propaganda em prol das monarquias liberais - Noruega, Inglaterra, etc. - e dos EUA e Alemanha, vistos como exemplos de democracia para países que respeitam as "liberdades". Os coitados não entendem que a noção de democracia no século 19 se dirige para o igualitarismo jacobino que abrirá caminho para o comunismo em razão duma coisa simples: as liberdades para as classes baixas eram só nominais; elas passarão a desejar uma liberdade real e concreta; para isso os Estados serão instados a criar leis igualizantes/democratizantes. 

Liberdades liberais geram democracia, que gera insatisfação com a nominalidade dos direitos jurídicos, que gera o anseio pelo socialismo. A panacéia proposta pelos membros do Brasil Paralelo só será capaz de fazer com que o pesadelo comunista – o qual eles deploram – venha a vingar no Brasil.

2 - A República Velha é apresentada como "época estagnada onde nada aconteceu". Só analfabetos em História podem levar isso a sério.

3 - Sem citar prova alguma, Olavo acusa Vargas de chacinar todos os seus inimigos no Nordeste após desarmá-los. Não especifica onde e quando teria ocorrido tal episódio.

4 - O vídeo é feito, quase todo, por propagandistas do liberalismo como Constantino et caterva. Historiador, quase nenhum.

5 - Vargas é chamado de positivista e gênio político por Olavo; logo depois o mesmo Olavo diz que Vargas era um psicopata; outro "especialista" diz que ele era fascista. Entre fascismo e positivismo há uma distância imensa. Eles não sabem disso? Positivistas se fundam na idéia de um exército formal; fascistas fundam seu ativismo em grupos paramilitares, pois perderam a confiança nas Forças Armadas; SS nazi e Squadristi de Mussolini provam-no. Positivistas são pró1789, fascistas são anti1789.

6 - Pondé – até Pondé! O que o dinheiro de institutos liberais não é capaz de fazer, hein? – diz que fascismo, comunismo e varguismo são a mesma coisa! Pondé vendeu sua inteligência ao poder do dinheiro.

7 - Narloch aparece chiando porque Vargas controlou bancos. Agora já está tudo claro: o BP serve à velha elite bancária talmudista. Nós dissemos!

8 - Nada é dito sobre o fato dos fazendeiros paulistas terem movido uma guerra contra Vargas por razões econômicas, dado que ele havia quebrado a política de valorização do café e acabado com o esquemão de eleições fraudadas. Tudo é apresentado como se os paulistas lutassem apenas por Constituição e direitos! Os paulistas queriam continuar escravizando o Brasil aos seus interesses; não havia nada de moralizante na "revolução constitucionalista".


O Brasil Paralelo ainda assevera que o "Plano Cohen" foi inventado por Vargas para justificar a implantação do Estado Novo em 1937. Ora, em 1935 houve uma insurreição comunista liderada por Prestes e havia fundadas razões para se temer um novo assalto, como veremos adiante. Depois Narloch, aos 43 minutos, diz que Vargas foi um "cara mau" porque proibiu a usura. Um sujeito reclama que Vargas "acabou" com nossa "tradição liberal". Enfim eles deixaram claras as coisas: são apenas liberais e nada mais. Servos dos bancos, inimigos do povo - há uma crítica geral à CLT no vídeo do BP - etc. Que anticomunismo é este que deplora o ditador que impediu uma revolução comunista? É a pergunta ser feita!


Sobre os erros do documentário, demos a palavra ao Prof. Eduardo Cruz, que comenta o seguinte sobre a Revolução Constitucionalista:

"Aos 29:16 do vídeo, o entrevistado Rafael Brodbeck afirma que os paulistas se rebelaram em 1932 porque Getúlio não cumpriu sua promessa de entregar uma nova Constituição. Não sei quem é este senhor, mas a afirmação está FACTUALMENTE ERRADA. Getúlio agendou a eleição da Assembléia Constituinte em 14 de maio de 1932, quando assinou o Decreto nº 21.402, tendo designado, no mesmo ato, a comissão encarregada de redigir o anteprojeto da Carta. A Revolução eclodiu em 9 de julho, ou seja, dois meses depois. Logo, é incorreto estabelecer uma relação de causa e efeito entre a protelação da promessa e a insurreição. A suposta causa da revolta deixou de existir dois meses antes da sua deflagração".

O Prof. Eduardo desmente uma suposta colaboração de Vargas com os comunistas, veiculada no documentário, cujo narrador sugere que a Intentona de 1935 teria resultado do rompimento desta [inexistente] aliança:


"Além disso, aos 40:30 o narrador afirma o seguinte, referindo-se ao período 1930-1935: 'Por muito tempo, Vargas se aproveitou de ambos os movimentos. Com habilidade e oportunismo, engajou comunistas e integralistas. Utilizava ambas as vertentes a seu favor, comparecia a eventos políticos de ambos e trocava favores com seus líderes. A relação seria estremecida até o rompimento, quando lideranças comunistas acusaram Vargas de caminhar para uma ditadura fascista. Passam a postular o poder para si e tornam-se inimigos do Presidente. O primeiro grande ataque foi lançado pelos comunistas, em mais uma tentativa de golpe que a jovem república brasileira assistiu. O capitão do Exército convertido ao comunismo Luiz Carlos Prestes comandou o levante: a Intentona Comunista [de 1935]' ------- Não sei quem redigiu o texto lido pelo narrador, mas esta alegação é rigorosamente FALSA!!! Jamais houve qualquer colaboração entre Vargas e o PCB entre 1930 e 1935. Não houve sequer negociações! Vargas não 'compareceu a eventos' do PCB nem 'trocou favores' com líderes do Partido, que naquele período atuava sob a capa da UOC (União Operária e Camponesa) e da ANL (Aliança Nacional Libertadora). O Partido Comunista Brasileiro seguia as diretrizes da União Soviética, que determinava oposição irrestrita ao governo Vargas, conforme resoluções aprovadas na II Conferência dos Partidos Comunistas da América Latina, realizada em Moscou, de 2 a 10 de outubro de 1930, e na III Conferência dos Partidos Comunistas da América Latina, realizada em Moscou, de 16 a 28 de outubro de 1934 (Fonte: OLIVEIRA, Marcos Aurélio Guedes de. 'O Cominter e a Aliança Nacional Libertadora'. Recife: Edições Bagaço, 1996, pp. 92-128). A informação pode ser confirmada nas memórias de Luiz Carlos Prestes ('Prestes: lutas e autocríticas', p. 67) e outros líderes do PCB, como Gregório Bezerra ('Memórias', Vol. I, pp. 233-236), Leôncio Basbaum ('Uma vida em seis tempos', pp. 96-140), Paulo Cavalcanti ('O caso eu conto como o caso foi, Vol. I', pp. 121-130), Apolônio de Carvalho ('Vale a pena sonhar', p. 53), Apparício Torelly ('Entre sem bater', pp. 170 e 211-213) e Ivan Pedro Martins ('A flecha e o alvo', pp. 86-87 e 92-95). Portanto, em 1935 não houve nenhum 'rompimento' entre Vargas e os comunistas, como os autores afirmam, dando a entender que existia uma aliança com o PCB. Tal aliança não existiu! Em toda a História do Brasil, houve apenas um momento em que o PCB apoiou Vargas, não porque tivesse afinidades ideológicas com ele, mas por razões meramente táticas: o período 1943-1945, quando o Brasil se engajou na 2ª Guerra Mundial ao lado dos EUA e da URSS. Durante essa fase, por ordem de Moscou, os comunistas brasileiros promoveram intensa propaganda pró-EUA, sob cobertura de uma entidade recreativa denominada 'Sociedade de Amigos da América', conforme consta nas memórias de vários militantes do PCB, como João Falcão ('O Partido Comunista que eu conheci', pp. 214-218) e Moisés Vinhas ('O Partidão: a luta por um partido de massas', pp. 73-76). A respeito desse breve namoro de conveniência, Gregório Bezerra relata que 'estávamos contentes por Vargas ter rompido com as potências do Eixo, cedido bases militares aos EUA, assinado a Carta do Atlântico e declarado guerra ao fascismo alemão' ('Memórias', Vol. I, p. 306). Obviamente, os idealizadores do documentário não explicarão este contexto nem entrarão em tais detalhes, porque isso quebraria a narrativa que busca equiparar comunistas e getulistas, retratando-os como parceiros na luta contra o liberalismo anglo-americano, supostamente o mocinho da História. Aliás, este é o subtexto que permeia todo o enredo costurado pelo vídeo".

Expondo a ignorância crassa do Sr. Rodrigo Constantino, o Prof. Eduardo Cruz observa que:


"Rodrigo Constantino, com sua habitual ignorância, acrescenta aos 42:05 que Olga Benario era 'ligada à KGB'. Na verdade, ela pertencia ao GRU, serviço secreto das Forças Armadas da União Soviética. O GRU é bem menos conhecido do que a KGB. Olga foi recrutada para os seus quadros em 1932, conforme comprovam os relatórios arquivados no Departamento de Quadros do Comintern (Fonte: WAACK, William. 'Camaradas'. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, pp. 94-95)."

A respeito do golpe que instituiu a ditadura em 1937, o Prof. Eduardo Cruz destaca outra falácia do documentário, que, por descuido ou má-fé, repete a lenda esquerdista segundo a qual Getúlio usou o Plano Cohen como pretexto para implantar o Estado Novo:

"Aos 42:45, o narrador alude ao Plano Cohen: 'As eleições [de 1938] se aproximavam e Vargas poderia perder a Presidência pela via democrática. Foi nesse momento que Getúlio se aproveitou de um falso plano que representaria uma nova revolução comunista para justificar a necessidade de dar um golpe de Estado' ------- Esta fábula já ganhou ares de fato, graças à persistência com que é repetida por ideólogos interessados em retratar a esquerda como eterna vítima de armações reacionárias. Ironicamente, alguns liberais lhe dão crédito, pondo de lado sua alergia ao socialismo, tamanha a sua obsessão de atacar o nacionalismo – talvez julguem o primeiro um mal menor frente ao segundo. É possível que tenham engolido essa lorota por descuido, como muitos incautos  que passam ao largo das fontes primárias. Quem se der ao trabalho de ler o discurso proferido por Vargas em 10 de novembro de 1937 descobrirá que em NENHUM momento ele citou o Plano Cohen para justificar a implantação do novo regime. A fúria do Presidente recaía sobre dois governos estaduais, ambos acusados de tramar uma insurreição armada contra o Governo Federal, situação que no limite poderia desembocar em guerra de secessão, nas palavras de Getúlio: 'Os preparativos eleitorais foram substituídos, em alguns Estados, pelos preparativos militares, agravando os prejuízos que já vinha sofrendo a Nação, em conseqüência da incerteza e instabilidade criadas pela agitação facciosa. O caudilhismo regional, dissimulado sob aparências de organização partidária, armava-se para impor à Nação as suas decisões, constituindo-se, assim, em ameaça ostensiva à unidade nacional' (Fonte: VARGAS, Getúlio Dornelles. 'A nova política do Brasil – Vol. V'. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1938, p. 25). O Presidente referia-se a São Paulo e ao Rio Grande do Sul, cujos governos vinham adquirindo vultosos arsenais no Exterior sob pretexto de equipar suas PMs, comprando inclusive baterias antiaéreas, armamento incompatível com qualquer missão policial. Os fatos foram registrados pelo Marechal Eurico Gaspar Dutra, na época Ministro da Guerra, que ao escrever suas memórias teve o cuidado de documentá-las com cópias de relatórios, ofícios e alertas produzidos pelo Exército entre 05/10/1936 e 30/05/1937 ('O dever da verdade', pp. 158-163, 194-197 e 247-256). Chamo atenção para as datas, todas bem anteriores ao aparecimento do Plano Cohen. Isso significa que a decisão de implantar o Estado Novo não foi influenciada pela percepção de ameaça comunista? Foi, mas esta percepção não foi gerada pelo referido plano. Ela decorreu de um episódio anterior, conhecido como 'Macedada', quando o Ministro da Justiça, José Carlos de Macedo Soares, concedeu habeas-corpus a 300 suspeitos implicados na Intentona Comunista, em 8 de junho de 1937. A decisão enfureceu os comandantes militares, que dirigiram uma advertência a Macedo Soares, conforme atesta ofício datado de 26 de junho de 1937, reproduzido nas memórias de Dutra ('O dever da verdade', pp. 245-246). Beneficiados por aquela soltura coletiva, centenas de comunistas voltaram a promover agitação nas ruas, inclusive atentados com vítimas fatais. E aqui vamos ao documento decisivo: a ata da reunião realizada pelo Alto Comando do Exército em 27 de setembro de 1937, quando tomou-se a decisão de implantar o Estado Novo. Quem examiná-la descobrirá que o Plano Cohen (uma pista falsa) foi mencionado pelos militares uma única vez, em meio a várias pistas verdadeiras, entre elas as evidências da atividade subversiva que se avolumava nas ruas e na Câmara dos Deputados, graças à liberalidade do Ministro da Justiça ('O dever da verdade', pp. 232-238). Até hoje, no intuito de limpar sua barra, a esquerda se agarra ao Plano Cohen para forjar uma narrativa que oculta sua parcela de responsabilidade pelas turbulências que convulsionaram o Brasil entre maio e outubro de 1937".

O referido professor ainda revela a incapacidade analítica de Luiz Philippe de Orléans e Bragança:

"Surpreende-me o que foi dito aos 59:52 pelo Príncipe Luiz Philippe de Orléans e Bragança: 'Ao final da guerra, o Brasil estava arruinado financeiramente, com uma dívida externa imensa' -------- Esta afirmação não é apenas incorreta. É fraudulenta. Foi durante a 2ª Guerra Mundial que o Brasil renegociou e reduziu sua dívida externa pela metade, nos termos do Plano Souza Costa, aprovado pelo Decreto-Lei nº 6.019 de 23 de novembro de 1943. Isso tudo graças à firmeza do governo, que soube aproveitar a conjuntura favorável para redefinir os termos do nosso relacionamento financeiro com os EUA e a Inglaterra (Fonte: COSTA, Artur de Souza. 'Dívida externa do Brasil'. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1943, pp. 7-20)."


Eduardo Cruz ainda aponta outros equívocos gravíssimos para um documentário que se pretende histórico:

"Aos 41:45, o narrador afirma que 'apesar do apoio dos tenentistas, os ideais comunistas não haviam sido bem recebidos pela grande maioria das Forças Armadas' ------- O movimento tenentista estava agrupado no Clube 3 de Outubro, que jamais apoiou o PCB, formalmente ou informalmente. Seu programa foi aprovado na I Convenção Nacional do Clube, realizada de 5 a 9 de julho de 1932. Era um típico programa nacionalista-autoritário, do qual tenho cópia nos meus arquivos. Basicamente, antecipava tudo que seria feito durante o Estado Novo: nacionalização no petróleo, dos minérios e setores de base, assimilação dos imigrantes, centralização do poder político, implantação da siderurgia, etc. Prestes estava afastado do movimento tenentista desde 1928. Ingressou no PCB em 1934, época em que o Clube 3 de Outubro já havia inclusive se dissolvido. Quase todos os seus quadros foram aliciados por Vargas e pela Ação Integralista. Pouquíssimos se bandearam para a ANL (Fonte: WIRTH, John. 'Os tenentes na Revolução de 30'. In: FIGUEIREDO, Eurico de Lima (Org.). 'Os militares e a Revolução de 30'. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p. 41)...Aos 55:25, Flávio Morgenstern afirma que Vargas 'queria entrar na 2ª Guerra Mundial apoiando o Eixo' ------ Isso também é mentira. Vargas nunca cogitou engajar o Brasil no conflito ao lado da Alemanha. Quem se der ao trabalho de ler os relatórios produzidos pelo Estado-Maior do Exército em 1939-1945 descobrirá que o governo discutia apenas duas alternativas: manter o País neutro ou lutar ao lado dos Aliados, conforme recomendasse o interesse nacional. O que houve, sim, foram negociações muito difíceis e desagradáveis com os americanos, a cujas exigências descabidas era preciso resistir (Fonte: ESTEVES, Diniz. 'Documentos históricos do Estado-Maior do Exército'. Brasília: EME, 1996, pp. 226-285). O segundo volume dos diários de Getúlio confirma que ele temia a vitória da Alemanha tanto quanto repelia pressões dos EUA (Fonte: VARGAS, Getúlio Dornelles. 'Diário - Vol. II'. São Paulo: Siciliano, 1995, pp. 313 e 396)" ...Aos 01:03:00, o narrador afirma que Carlos Lacerda deixou a militância comunista aos 25 anos, ou seja, em 1939, 'quando entrou em conflito com o líder do Partido, Luiz Carlos Prestes' ----- De onde os editores tiraram isso? Prestes só foi nomeado Secretário-Geral do PCB em 1943, por determinação de Moscou. Em 1939 o líder do PCB ainda era Antônio Maciel Bonfim, vulgo 'Miranda', a quem Prestes estava subordinado. Além disso, o rompimento de Lacerda com o Partido não decorreu de nenhum atrito com Prestes, mas de um artigo que ele publicou na revista Observador Econômico e Financeiro ...Ainda aos 01:04:30, o narrador afirma que 'Getúlio, em troca do seu apoio à candidatura de Dutra, não teve seus direitos cassados, não sofreu qualquer processo judicial' ----------- Esta afirmação é rigorosamente FALSA. Quem impediu represálias contra Vargas foi o General Pedro Aurélio de Góes Monteiro, então Ministro da Guerra. Logo após a queda do Estado Novo, alguns inimigos do Presidente deposto propuseram que seus direitos políticos fossem cassados por 10 anos. O General não permitiu, até porque isso abriria um precedente para a punição de outros expoentes da ditadura, inclusive ele próprio. O episódio está registrado nas memórias de Góes Monteiro ('O general Góes depõe', pp. 462-463). Eurico Dutra, por sua vez, lançou sua candidatura à Presidência da República em 27 de março de 1945. Vargas foi deposto em 29 de outubro e só manifestou seu apoio à candidatura do Marechal em 27 de novembro, por insistência de João Neves da Fontoura e José de Segadas Vianna, conforme relatado pelo General Osvaldo Cordeiro de Farias em depoimento autobiográfico ('Meio século de combate', pp. 400-402). Por conseguinte, é falacioso afirmar que a impunidade de Vargas foi garantida em troca do seu apoio à candidatura de Dutra. Tal negociata nunca ocorreu!"


Em face de todos os esclarecimentos prestados pelo Prof. Eduardo, fica evidenciado a chanchada que o Brasil Paralelo representa. A idéia de manchar a imagem de Vargas atende a vários fins, entre eles retratar a odiada figura de Lula como fruto do Varguismo, o que é falso, dado que o modelo sindical apregoado por Vargas era autoritário e ligado ao Estado, controlado por ele e conduzido com fins a uma colaboração capital-trabalho; já o modelo do sindicalismo lulista é comunista, pois aposta na luta de classes e no confronto do trabalhador com a orientação do Estado "burguês". Entre outros fins, os idealizadores do BP têm o propósito de convencer o público letrado de que seríamos um país melhor se fôssemos mais liberais, o que evidentemente não é verdade: em toda a República Velha, quando fomos liberais em economia e federalistas em política, nosso País era a 24ª economia mundial e, depois de termos passado pelo industrialismo e centralismo da Era Vargas e dos governos militares, galgamos a 8ª posição na economia global. Os números não mentem. Os liberais sim.
Agradecemos ao Professor Eduardo Cruz pelas análises e contribuições!


* Eduardo Cruz é professor de Geopolítica, História das Relações Internacionais e Política Externa Brasileira. Cursou graduação em Relações Internacionais e mestrado em História na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. As opiniões transcritas refletem a posição do autor, não das instituições às quais ele está ou esteve vinculado.