quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Papolatria ou devoção ao papa?



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Francisco recebe dupla gay no Vaticano. Grassi e Bagus se sentiram apoiados pelo papa como vemos aqui: https://cdn3.uvnimg.com/dims4/default/a367c22/2147483647/thumbnail/400x225/quality/75/?url=https%3A%2F%2Fcdn2.uvnimg.com%2F73%2F2a%2F5d90f5d3450389d2b006d33fc3b3%2F79cf1c7e88364eef9b163461b6cd6338 







Sabe-se que perante o desastroso pontificado de Francisco - um dos piores papas da história que pode ser alinhado junto com os mais encarniçados inimigos de Cristo e da Igreja - há muitos católicos que vem caindo na esparrela de um falso devocionismo ao papa. Explicamos. 

É claro que a devoção ao papa é uma exigência da fé. O papa é sucessor de Pedro. Pedro é o chefe visível da Igreja de Cristo. Mas ao papa devemos veneração. Ele fala em nome de Cristo quando usa o poder da cátedra. Fala em nome dele quando ensina dogmaticamente. E ele fala no nome de Cristo não por si. Fala lendo a tradição e a escritura e ouvindo o magistério anterior de Jesus e todos os papas que o antecederam. O papa não pode interpretar contra o que já foi definido e fechado. E seu poder é tão grande que outro papa não pode mudar o que ele confirmou pelo poder de Deus. 

Nisso o veneramos; ele recebeu de Deus o poder de guiar os homens ao perdão e a salvação e de ensinar em nome de Jesus, Nosso Senhor. Veneramos porque ele não é Deus: ele deve ser respeitado mas não adorado ou posto no lugar de Deus. 

Todavia a confusão é tão grande que agora há muitos que, perdidos por conta da crise da Igreja, apostam tudo numa elevação do papa à condição divina. O papa virou Deus. Estamos perante uma papolatria descarada, aberta e abjeta. 

O neocatólico de tendências mais conservadoras, abalado pelo terrível caos que se desenha na sociedade e na vida interna da Igreja - onde pululam os sacerdotes maus, que não ensinam a fé, os pastores que não zelam pela disciplina, que promovem o secularismo e a imoralidade, deixando a peste da heresia espalhar-se pela Igreja - busca um porto seguro. Querendo escorar-se em alguma autoridade ele tenta encontrá-la. E se não acha tal segurança no atual papa ele cria uma imagem irreal e fantasista para fazer dele o "defensor fidei". Tudo que Francisco fala é elevado ao nível do dogma. Uma entrevista dada a uma revista, prenhe de ambiguidades, é colocada no mesmo pé de igualdade de uma definição doutrinal. O papa não pode ter dito isso, é a alegação dos neocatólicos conservadores. O papa, se falou tal coisa, só pode ter sido noutro sentido - ainda que tal sentido não seja o expresso na letra da fala - A mídia deturpou o papa. Francisco é mal assessorado. As desculpas são muitas. No fundo o que buscam é a segurança na ilusão: é como se o papa fosse infalível até quando solta uma nota a um jornalista. 

Não bastasse a canalhice moral desta posição que consiste em  observar com complacência a destruição da Igreja por um clero que, por seus atos e ensinos, não merece veneração mas apenas combate e denúncia pois são lobos que matam ovelhas desavisadas, com seus venenos de heresias, temos também a completa inversão da realidade dos fatos.

Porém a virtude, como ensina Aristóteles e Santo Tomás, está no meio. A virtude depende de uma medida justa. 

A temperança no comer é virtude mas não quando é preciso aumentar o teor da alimentação durante uma doença. Manter o mesmo nível de alimentação numa doença que exige um reforço de proteínas não é virtude mas insanidade mental ou vontade suicida. A virtude da prudência exige que saibamos a hora certa de atacar o inimigo. Mas no momento em que ele nos ataca já não precisamos saber a hora certa: ela está ali patenteada. No instante em que sofremos um ataque a virtude de que precisamos é a da coragem para defendermos nossa vida. 

Logo há virtudes que, em certas circunstâncias, se tornam vícios pela falta ou excesso que representam. Quando a autoridade se porta mal, venerá-la além do devido ao cargo sacro que ocupa, contribuiu para que ela continue a obrar o mal. Quando a autoridade ensina o erro, obedecê-la é suicídio moral, desobedecê-la é um dever perante Deus. Usar de prudência numa hora assim não é respeito mas covardia e leniência com o Diabo. 

Estamos exatamente nestas circunstâncias. É o caso da virtude do devido respeito, veneração ou devoção, decorrente da virtude da religião e do dom da piedade. Ora a virtude da religião e o dom da piedade é, antes de mais nada, orientada a Deus e ao zelo das coisas divinas. Antes de termos a devoção ao papa devemos a devida adoração a Deus e devoção ao papado, instituição deixada por Cristo. O papado é maior que o papa. O papado é uma instituição que traz direitos e deveres. O dever de expor a fé tal como revelada por Cristo. O direito de governar os fiéis na fé. O papa não tem o direito de exercer o papado fora destes limites. Se exercer pode ser questionado e arguido; e se ficar manifesto que está contra o bem comum da Igreja não merece veneração enquanto pessoa privada, embora seu cargo mantenha a dignidade. Se o papa se porta como Lobo deve ser denunciado. 

Nesse caso o bem comum da Igreja se coloca acima do bem devido à pessoa privada ou mesmo à veneração de sua figura em razão de ocupar um cargo sagrado. Nesse contexto é um vício moral recordar a autoridade de origem divina do Papa, isoladamente, para encobrir ou não sanar os males que ele provoca na vida da Igreja, mantendo os fiéis calados quando deveriam falar para que daí redundasse o bem geral da salvação. 

As palavras de Santa Brígida ao mau papa não deixam dúvida quanto ao trato que se deva dar ao mau pontífice que não zela pela Igreja: 

"“Agora declaro meu desgosto para contigo, cabeça de minha Igreja, tu que te sentas em minha cátedra. Concedi este cargo a Pedro e a seus sucessores para que se sentassem com uma tripla dignidade e autoridade: primeiro, para que pudessem ter o poder de ligar e desligar as almas do pecado; segundo, para que pudessem abrir o Céu aos penitentes; terceiro, para que fechassem o Céu aos condenados e àqueles que me desprezam. Mas tu, que deverias estar absolvendo almas e me as oferecendo, és realmente um assassino das minhas almas. Designei Pedro como pastor e servo de minhas ovelhas, mas tu as dispersas e as feres, és pior que Lúcifer. Ele tinha inveja de mim e não perseguiu para matar ninguém mais que a mim, de forma que pudesse governar em meu lugar. Mas tu és o pior, porque não só me matas ao apartar-me de ti por teu mau trabalho senão que, também, matas as almas devido ao teu mau exemplo. Eu redimi almas com meu sangue e te as recomendei como a um amigo fiel. Mas tu as devolves ao inimigo do qual eu as resgatei, és mais injusto que Pilatos. Ele tão somente me condenou à morte. Mas tu não somente me condenas como se Eu fosse um pobre homem indigno, como também condenas as almas de meus eleitos e deixas livres os culpados. Mereces menos misericórdia que Judas. Ele tão somente me vendeu, mas tu, não só me vendes como também vendes as almas de meus eleitos com base em teu próprio proveito e vã reputação. Tu és mais abominável que os judeus. Eles tão somente crucificaram meu corpo, mas tu crucificaste e castigaste as almas de meus eleitos para quem tua maldade e transgressão são mais afiadas que uma espada. Assim, posto que és como Lúcifer, mais injusto que Pilatos, menos digno de misericórdia que Judas e mais abominável que os judeus, meu aborrecimento contigo está justificado."In: Livro das Visões e Revelações de Santa Brígida(Visão de Sta. Brígida e o juízo de Deus a cinco homens simbólicos: do mau papa ao bom católico). Baviera, 1671, com carta introdutória do Cardeal Torquemada(O cardeal declarou isentas de erros as visões de Sta. Brígida que foram autorizadas pelo Santo Ofício).

Vejam bem: a santa chama o mau papa de alguém pior que Lúcifer, Pilatos e Judas! Não nos parece nada leve tal assertiva. 

Portanto o mínimo que se pode dizer a Francisco nesta hora grave, onde a Igreja perde fiéis e vê o crescimento vertiginoso da mentira islâmica, protestante, espírita, agnóstica e secular no mundo, onde seitas diabólicas nascem a cada dia pondo almas e mais almas no inferno graças a um clero que não zela pela verdade, um clero que já não missiona por estar embebido da doutrina maçônica do ecumenismo onde o nome de Jesus é ocultado em nome do bom convívio e da paz civil, são palavras tão duras quanto as que Deus dirigiu ao mau papa na visão da santa. Os católicos que se recusam a dizê-las, nesta hora das trevas, colaboram para o adormecimento da consciência cristã e para a perdição do mundo pois quando o lobo ataca é preciso gritar para salvar as ovelhas. 

Chega desta doentia papolatria que vemos instituída hoje no seio da Santa Igreja! Francisco é inimigo a fé e deve ser deposto por um Sínodo que condene as suas heresias!   

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Santo Agostinho, Nimrod, globalismo e o papel de Kogos, Conde e a direita






Nimrod


Santo Agostinho explica na obra, "A cidade de Deus", comentando o Gênesis da Bíblia, que Nimrod - aquele que era "caçador contra o Senhor" - foi o primeiro soberano da terra. Ele foi o construtor da Torre de Babel( Babel dá origem a Babilônia que significa "confusão"). Ele era caçador, quer dizer, assassino e enganador( pois o caçador espreita disfarçando e mata). A Torre era símbolo do seu reino: o objetivo era fazê-la tão alta como o céu. A torre era a exaltação do poder do homem. Mas o verdadeiro e seguro caminho para elevar-se ao céu é a humildade. Por isso em Jó lemos: choremos ante o Senhor que nos criou. Choremos pois pecamos contra ele. 



Nimrod não chorou mas elevou o espírito ao alto. Por isso Deus confundiu as línguas. Como a palavra é o meio usado para dominar e mandar, Deus abateu a soberba de Nimrod que não quis obedecer os mandamentos, fazendo que seus súditos não entendessem o que ele mandava pela mistura das línguas. E por isso as nações se dividiram e a obra de Nimrod - que consistia em criar um império universal do homem - gorou. 


Isso permite que tiremos daí certas lições: o globalismo atual é a nova torre de Babel; outra que, embora a divisão das nações seja castigo pela soberba e decorrência do pecado, ela é um mal menor perante os projetos imperiais de um reino universal do Homem feito um deus, um reino que sirva aos caprichos dos homens contra a vontade de Deus. Logo, os nacionalismos atuam agora do mesmo modo como outrora: enquanto barreiras ao reino universal do Anticristo - prefigurado por Nimrod. Neste momento histórico só temos dois poderes estruturados capazes de exercer influxo decisivo sobre a sociedade: 

1- Os poderes globalizantes ( ONU, FMI, governo dos EUA, OTAN, ongs internacionais atreladas aos poderes globais, grande capital, movimentos organizados como verdadeiras internacionais - feminismo, movimento gay, institutos liberais, organismos de esquerda, ADL sionista, maçonaria, rotary, etc.). 

2- Os poderes nacionais ( Basicamente as estruturas burocráticas do estado nação). A única maneira de barrar, conter, reverter o avanço da agenda globalizante é se apoiando no estado nação. Não há outra via no momento. Polônia e Hungria estão aí que não nos deixam mentir. É fundando-se no discurso nacional que estão conseguindo preservar a identidade cultural e religiosa do povo.


O anticomunista Leonardo Oliveira, vulgo Conde. Mais um iludido ou alguém que trabalha subterraneamente pelo globalismo? 



Basta ligarmos os pontos senhores: vejam qual é o discurso dominante da atual direita que se articula e se organiza hoje no Brasil! 

Menos estado, menos imposto, ou então estado nenhum e imposto algum. Imposto é roubo dirão os seguidores da linha austríaca de economia. Os liberais e seus organismos ecoam a mesma doutrina. MBL e Rodrigo Constantino exaltam o ideário de sua radical redução. Os cupinchas do senhor Olavo de Carvalho, em nome do combate ao PT e ao comunismo, adotam o mesmo ponto de vista. Inclusive Paulo Kogos, o anarcocapitalista "católico", e Conde, o católico filo-liberal, lideram a cruzada anti estado em seus canais do youtube, tentando juntar tudo isso, falsa e grotescamente, a proposições católicas ( Kogos remete ao medievo orgânico onde não havia estado nação e Conde à tradição dos fueros hispânicos, passando a impressão de que defendem um modelo católico de sociedade - o que é efetivamente falso pois a Igreja não se recusou aliar a estados modernos e pesadamente burocráticos como foi o caso da monarquia lusitana e espanhola, grandes aliadas do papado dos séculos 12 a 17, inclusive tendo um forte papel de contenção do avanço protestante no século 16/17; cabe recordar também que Kogos e Conde advogam que, na hipótese de haver um estado, que ele não deve ter papel moral algum, o que diverge do parecer de Sto. Agostinho e de Leão XIII sobre a necessidade de as leis civis proibirem os vícios)

Kogos, agente consciente ou só um idiota útil ao serviço do globalismo? 


Cremos que não precisamos insistir muito para deixar clara a quem estes senhores servem e para quem trabalham - saibam ou não, sejam agentes conscientes ou apenas idiotas úteis. Não importa que eles não queiram nenhum tipo de estado a governar, nem mesmo o global. O que importa é que, dialeticamente, sua verborragia anti-estado vai favorecer quem tem poder de reorganizar a sociedade sob seu tacão depois que o estado nacional for destroçado, estado nação que é o objeto primeiro da crítica de todos estes sujeitos. A destruição ou enfraquecimento do estado nação é o grande objetivo visado pelas ações subterrâneas duma elite global. 

Quem tiver olhos que veja. 






quarta-feira, 3 de maio de 2017

Suposto ataque muçulmano em SP e a histeria da nova direita: mais uma armação do globalismo.





Direita SP: mais um órgão a serviço do americanismo e globalismo no Brasil. 




Nós assistimos, ultimamente, a uma onda neodireitista no Brasil que copia cacoetes e temas recorrentes na direita americana. Um destes temas é o do "perigo muçulmano" enquanto faz vista grossa aos autênticos problemas brasileiros. O sonho da nova direita é emplacar, no Brasil, o mesmo tom ideológico das discussões políticas dos EUA. Enquanto a nova esquerda cultural faz seu trabalho trazendo para cá as lutas de liberação feminina e antiracismo - ou seja os mesmos temas da esquerda americana  - acusando nossa cultura nacional de ser machista e racista - a nova direita completa o serviço criando, em nossas terras, o avesso ideológico disso, buscando nos convencer que estamos à beira de uma onda de invasão islâmica. 

O mote para provocar tal histeria coletiva vem sendo a nova lei de imigração no Brasil de autoria de Aloysio Nunes, senador pelo PSDB de SP. Embora o projeto já tramite desde 2015, só agora é que a nova direita resolveu focar de forma mais incisiva sobre o assunto. 

O motivo que a nova direita encontrou para levar a cabo tal projeto é um suposto atentado terrorista que teria ocorrido em SP, no dia 02/05/2017, durante uma manifestação do grupo "Direita São Paulo", um grupo anti-imigração. 

Primeiro falemos sobre o suposto atentado. 

Antes de mais nada devemos definir o que é terrorismo: " Terrorismo é o uso de violência, física ou psicológica, através de ataques localizados a elementos ou instalações de um governo ou da população governada, de modo a incutir medo, pânico e, assim, obter efeitos psicológicos que ultrapassem largamente o círculo das vítimas, incluindo, antes, o resto da população do território ( HOFFMAN, Bruce. Inside terrorism 2006, p. 16)".

Definido o que é terrorismo temos aqui o relato dos fatos ocorridos no suposto atentado: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/05/1880596-lider-do-palestina-para-tods-e-preso-apos-confronto-com-direita-anti-imigracao.shtml

A Folha online mostra, em sua matéria, como pode ser conferido acessando o link; 

1- Que a PM deteve dois palestinos numa briga havida entre eles e o grupo Direita São Paulo

2- Que Zarif, dono de um bar no Bixiga, milita pela causa palestina, ou seja, pela causa da fundação de um estado palestino. A causa palestina envolve a idéia da criação de um estado nacional na Palestina que abrigue a população dos refugiados em decorrência das guerras de conquista de Israel, que, desde os anos 40,  obrigou-os a se deslocarem para Gaza e outras áreas. Ora, entre os refugiados palestinenses há cristãos também. Zarif não milita pela criação de um estado islâmico na Palestina mas por um estado em moldes ocidentais, um estado-nação.   

3- Segundo o grupo Direita São Paulo a agressão partiu dos palestinos mas Nur, amigo palestino de Zarif, apresentava escoriações e ferimentos. 

4- O grupo Direita São Paulo admite que houve trocas de socos e chutes entre os dois lados o que ficou comprovado por um vídeo lançado pelo grupo na internet. 

5- André Petros, líder do grupo, é filho de imigrantes: mãe boliviana e pai grego, mas é anti-imigração de muçulmanos. Segundo Petros, o problema é só um: o fundamentalismo islâmico. 

6- Para Edson Salomão o problema, na verdade, é que os palestinos seriam " Anti-Israel". 


O grupo alega que uma bomba teria sido lançada sobre eles e que um integrante do Direita SP teria se machucado. Mas o vídeo que lançaram na internet não permite muitas conclusões sobre o culpado pelo lançamento: https://www.facebook.com/direitasaopaulo/videos/1162667133837951/?hc_location=ufi

O grupo " Direita São Paulo" está articulado à figuras tarimbadas da nova direita brasileira, como Luiz Philippe de Orleans e Bragança, da dinastia dos Bragança, amigo de liberais e maçons, Bia Kicis, Olavo, etc. O sr. Edson Salomão é protestante e está articulado à família Bolsonaro que, recentemente, teve seu patriarca - o Deputado Jair Bolsonaro - convertido a heresia protestante. 














Pelo que a matéria da Folha expõe, não é possível dizer que houve ataque terrorista: não há provas de que Zarif faça parte de um grupo que articule ataques para desestabilizar um governo ou criar terror psíquico sobre a população como um todo, indo alem dos círculos das vítimas, como bem define Hoffman quando trata da natureza do terrorismo. De modo que fica evidente que o discurso do Direita SP não passa de tentativa de impor uma agenda ao Brasil. Que agenda é esta? 

É a seguinte: nos idos de 2001, G. W. Bush, presidente dos EUA, usou o impacto do ataque às torres gêmeas para justificar não apenas a invasão do Iraque mas para criar o Patriot Act. Ele permitiu, entre outras medidas, que órgãos de segurança e de inteligência dos EUA interceptassem ligações telefônicas e e-mails de organizações e pessoas supostamente envolvidas com o terrorismo, sem necessidade de qualquer autorização da Justiça, sejam elas estrangeiras ou americanas. 

O ato de Bush abriu caminho significativo para que um controle informacional seja exercido de forma direta e ilimitada sobre todos. Criou, em suma, a base e a justificação para uma vigilância mundial, o que abre vias para um governo mundial. A mídia mundialista passou, nas últimas décadas, a tratar o terrorismo muçulmano como guerra contra um inimigo sem estado; sendo assim a guerra vira um empreendimento mundializado, a-territorial, ilimitado e global. Há uma inimigo comum a ser combatido e para ele é preciso tomar medidas comuns, o que exige um governo global. 

Sobre este governo global há duas tendências: uma que quer fundá-lo em órgãos globais como ONU, etc - linha esta que estaria mais atrelada ao partido democrata dos EUA, uma linha mais progressista e igualitária, favorável a abertura indiscriminada de fronteiras - e outra que quer que este governo global seja o Império Americano - linha atrelada aos neocons americanos, à extrema direita do partido republicano e ao Tea Party, que quer espalhar as liberdades e a cultura americana pelo mundo de forma a dominar, mental e economicamente, povos e civilizações. Ambas as tendências usam o mote do "terrorismo como problema global" para impor a sua agenda. No caso do Direita SP o que está em jogo é a promoção da linha republicana e neoconservadora. A insistência do grupo em falar de Israel e Trump é proposital. Basta lembrarmos do fato de que Trump - atual presidente dos EUA - é o presidente americano mais pró-Israel dos últimos tempos. 

Não podemos esquecer que Israel é bastião dos EUA no Oriente Médio, assim como boa parte da elite econômica americana é  constituída por setores judeus que atuam na área financeira. Quando G. W. Bush chegou ao poder as empresas que mais doaram para sua campanha foram empresas de famílias judaicas como a Morgan Stanley,  Goldman Sachs,  Lehman Brothers e Bear Sterns, que ficaram entre os dez maiores doadores. Trump não é diferente: seu governo tem vários judeus em postos chave como podemos ver aqui: http://glorinhacohen.com.br/?p=34783. 

Portanto o objetivo do Direita SP é nada mais, nada menos, que acostumar o público brasileiro com a idéia de uma ameaça muçulmana generalizada e, junto a isso, fazer crer que a saída é nos identificarmos com a causa de Israel e com as pautas do partido republicano. 

A narrativa do Direita SP se mostra ainda mais absurda quando vemos que Zarif é dono de um bar onde bebida alcoólica é vendida, como verificamos aqui( http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2016/11/1829396-imigrantes-trazem-novidades-gastronomicas-e-culturais-a-sao-paulo-veja-guia.shtml); lembremos que o Islam proíbe o consumo deste tipo de bebidas pelos adeptos, o que prova que Zarif está longe de ser um fundamentalista islâmico como o Direita SP tenta fazer parecer. 


O foco do grupo vem sendo, ultimamente, fazer manifestações contra a nova lei da imigração que, de fato, tem problemas, como a abertura de nossas fronteiras e o fim do critério de segurança nacional,  para selecionar quem entre e fica, existente na lei de imigração da época militar. Esta agenda abarca a linha democrata do globalismo; contra  tal linha o Direita SP nos quer fazer engolir o globalismo da Doutrina Monroe americanista falando dum perigo imediato de invasão muçulmana, criando assim uma identidade entre nossos problemas e os dos EUA. Na medida em que isso acontece passamos a ter nossa política pautada no ponto de vista americano e é isso, exatamente isto, que a nova direita quer.

 Sobre esta questão candente de imigração algumas coisas devem ser lembradas: 

1- Não há um problema migratório no Brasil. Temos apenas 0,9 % de imigrantes em nossa população, a maioria, regular. 

2- O número de muçulmanos no Brasil é de 0,5%, cerca de um milhão. Um número pequeno e que mostra que a curto ou médio prazo não há a mínima chance de nos islamizarmos. 

3- A maior parte dos migrantes que vem para cá são haitianos ou bolivianos; recentemente tivemos o aumento de venezuelanos entrando aqui. Estes imigrantes tiram empregos de trabalhadores brasileiros pois recebem menos, são mão de obra barata. Se a nova lei da imigração passar a ameaça real será aos empregos dos brasileiros em razão dos riscos duma invasão de hispano-americanos pobres de países vizinhos. ( http://exame.abril.com.br/brasil/o-panorama-da-imigracao-no-brasil/)

4- Não temos fronteiras com países islâmicos. Não estamos envolvidos em conflitos com países islâmicos que nos torne foco de ataques jihadistas. Não gozamos de um estado de bem estar social como Europa e América do Norte que atraia imigrantes. Não existe perigo muçulmano imediato aqui, portanto. 

Desta maneira fica claro que o grupo Direita SP é só mais um "cachorro doido" treinado pela nossa nova direita, para explorar o tema do perigo muçulmano a fim de que perigos reais - como a sujeição do pais a organismos financeiros internacionais, nosso subdesenvolvimento em razão de nossa sujeição ao capital americano e global, a expansão das seitas protestantes que destroem nossa malha religiosa e social católica, etc - não sejam conhecidos e compreendidos. Afinal, o que interessa a nova direita é que o Brasil vire colônia dos interesses sionistas, americanos e protestantes. Com a alegação do Direita SP sobre o suposto "primeiro atentado muçulmano terrorista no Brasil" fomos postos na lista de países que "sofrem" com o perigo muçulmano, desculpa usada para estender as garras da Nova Ordem Mundial.

 Estejamos atentos.  








sexta-feira, 28 de abril de 2017

O americanismo cultural: o fantasma que ameaça o Brasil – Parte 1: Proclamação da República e o americanismo





 Introdução

   Pretendemos dar início a uma série de estudos, em forma de artigos, a respeito da invasão do Brasil pela cultura e padrões norte americanos. A neodireita brasileira tem falado bastante do perigo do “marxismo cultural” ao mesmo tempo que envereda pelo americanismo cultural e por uma visão de que devemos copiar as instituições dos EUA, a fim de sermos uma “civilização”. Todavia é preciso denunciar uma coisa sem ignorar a outra, dado que as duas correntes ameaçam nossa identidade profunda.

   Neste primeiro momento falaremos da invasão americanista ocorrida na era do Império, a partir da obra de Eduardo Prado, “ A ilusão americana ”.

Parte 1 : Quem foi Prado?

   Eduardo Prado era filho de um aristocrata paulista do café. Bacharelou-se em direito e tinha interesses intelectuais em história, literatura e política. Foi membro do IHGB ( Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro ) e criou um círculo intelectual de estudos brasileiros e lusos em Paris.


Parte 2: Prado e a República de 1889.

   Para Prado a república substituiu o país ético, tradicional, monárquico e católico, por uma cópia mal feita dos EUA, sem tradições e anticatólico. A monarquia podia ser referida a uma série de valores comuns, partilhados por todos. Ademais a figura de uma autoridade centrada no Rei era mais conforme nosso espírito e nossas necessidades que a idéia de poder emergindo das massas. A noção de uma autoridade monárquica dava ao país princípios mais ou menos fixos a partir dos quais podíamos conduzir a pátria e mesmo orientar as reformas e mudanças necessárias. Ainda segundo o autor, Pedro II foi um rei civilista que, em razão de seu amor aos estudos e de seu afastamento dos quartéis, teria evitado que o Brasil seguisse o mesmo caminho das repúblicas latino-americanas de origem hispânica, onde o caudilhismo sufocava as nações com golpes e contra-golpes contínuos trazendo um clima de perpétua instabilidade. O começo do fim do Império se deu quando Pedro II permitiu que o ensino dos militares se bacharelizasse. Foram os bacharéis fardados que, cheios de ideologias novas que deram o golpe no Império.

   Mesmo levando em conta a presença forte da maçonaria no governo imperial – maçonaria que empre foi portadora da ideologia americanista – é preciso entender que a aplicação destes postulados aqui no Brasil , durante o império, foram tímidos, reduzidos a um constitucionalismo temperado pelo poder moderador do Imperador. Isso mostra que apesar dos pesares, no Império sobreviviam elementos do Brasil profundo, orgânico e católico, que não podiam ser simplesmente ignorados e eliminados. A elite governamental do Império, ainda que maçônica, foi obrigada a um termo de compromisso com este Brasil profundo.

Parte 3: O abismo Brasil – EUA.

   Prado ressalta a diferença radical entre a cultura brasileira e a norte-americana para demonstrar que a constituição de uma república no Brasil era uma insanidade, dado que não tínhamos o perfil cultural para abrigar um sistema como o dos EUA.

   Primeiro o autor apresenta o fato de que os EUA sempre foram voltados para a América, já que sua independência fora uma ruptura radical com a Inglaterra. O Brasil seria voltado à Europa, dada sua independência como transição. Há inclusive a geografia que nos separa dos países andinos e nos isola, tornando-nos uma “ilha” na América ( a tese da ilha Brasil ). A história nos destaca pois a América Espanhola – assim como os EUA – adotou desde o começo de sua independência, o modelo de república democrática americana. No mundo das repúblicas de origem espanhola ( Argentina, México, Peru, etc) o que reinava no século 19 eram sedições, ruína econômica, ditaduras, etc. Já o Brasil Imperial havia adotado a máxima de se reformar dentro de si mesmo, com a própria substância
Portanto para Prado não havia sentido falar de “fraternidade americana”. A história prova os imensos ódios nacionais entre Bolívia, Chile, Argentina, Paraguai, etc, o que, por tabela, atesta que a república é essencialmente dissolvente e semente de divisões irreconciliáveis.

   Há ainda outro ponto a frisar que é o da Diplomacia dos EUA durante o século 19, baseada no princípio de dividir para reinar. Há muitos exemplos sobre isso. Durante conflitos entre Brasil, Argentina e Uruguai sobre navegação no Rio da Prata, os EUA fizeram exigências exorbitantes ao Brasil, exatamente para jogar o país contra seus vizinhos. Durante a Guerra do Paraguai o governo americano foi cúmplice de Solano Lopez. Quando se tratou de tomar o Texas, o governo dos EUA estimularam a revolta interna contra o governo do México.

   O caso do rei Maximiliano, que chegou ao Ttrono no México, é um belo exemplo. O príncipe francês fazia uma reforma no campo, combatendo a servidão camponesa, buscando a moralização das relações entre camponeses e donos de terras. Os EUA ajudaram a derrubá-lo, pondo no lugar um governo mais aberto à sua influência. Com os generais Diaz e Gonzalez os EUA obtiveram vantagens enormes em vários negócios no México como a execução de obras públicas, concessões de terras e de estradas, o que deixou a infraestrutura do país nas mãos de cias estadunidenses.

   Em 1831 os EUA tomam as Malvinas da Argentina e dão aos ingleses. Promoveram também a separação do Panamá da Colômbia para construir o Canal que favorece seu comércio naval é outro exemplo. Antes disso os EUA fizeram malograr o plano de um canal transoceânico no México a ser feito por uma Cia francesa. O caso do Peru também merece menção: o governo americano passou a apoiar generais que queriam nacionalizar a exploração do Guano – riqueza mineral que funciona como excepcional fertilizante dado seu alto índice de nitrogênio – e depois que eles chegavam ao poder cobravam a conta do apoio exigindo acesso à exploração do mesmo. Isso tudo prova que o papel dos EUA foi extremamente danoso aos países independentes da América espanhola, mais ligados à sua zona de influência, dado o fato de compartirem simpatias políticas com os norte americanos, em razão de terem adotado o mesmo sistema político.

Parte 4: Os EUA de 1776 e os EUA do século 19.

   Ademais Prado mostra que os EUA da independência ainda tinham algum valor moral, alguma exemplaridade para apresentar. Já os EUA do século 19 depravou-se irremediavelmente. Em 1776 tínhamos uma sociedade abnegada, patriótica e agrária. Prevalecia um capitalismo com religião e moral puritana. Ganhar dinheiro mas para a Glória de Deus. Já em 1870 os EUA havia se tornado outra coisa: agora era uma sociedade industrial burguesa, onde reinavam as grandes cidades, onde imperava a ganância, o capitalismo selvagem e o egoísmo materialista. A partir daí a política nacional começa a ter como base o interesse das grandes corporações. A solidariedade dos tempos tradicionais é abandonada. A cultura do faça por si mesmo, crie a si mesmo, vire-se por si mesmo, vira a lei.

   Isto se refletirá na política externa estadunidense que não será mais baseada, no fim do século 19, em valores mas em alfandegarismo econômico ( política de fronteiras abertas para assegurar lucros de sua indústria em outros países ). A plutocracia – uma nova classe de ricos banqueiros – tomou os partidos políticos e o Estado americano. Andrew Carnegie, grande industrial do aço, usou, nesta época, milícias privadas para matar e reprimir grevistas, com a anuência do governo. Tal contexto levou a uma grave promiscuidade entre público e privado: o homem público, no sistema americano, virara um ventríloquo da plutocracia sem a qual não poderia se eleger. Sua dignidade e independência se perdiam definitivamente.

Parte 5: Influência moral dos EUA sobre o Brasil.

   Segundo Prado o pior de tudo foi a influência moral americanista sobre o Brasil. Seu exemplo impõe uma nova cultura fundada no individualismo onde preponderam os interesses de grupos econômicos sobre quaisquer outros. Na medida em que os EUA havia virado, de vez, uma sociedade de aventureiros egoístas, ele não tinha nada a oferecer ao Brasil em 1889 a não ser corrupção moral já que nos EUA a corrupção administrativa é a essência dos governos e dos partidos, vendidos ao poder das grandes corporações, já que passaram a depender do dinheiro delas para vencer eleições.

Parte 6: A monarquia, salvação do Brasil.

   Prado termina sua obra fazendo uma ode à Monarquia. Segundo o mesmo ela ofereceria:

- Estabilidade;
-Princípios de virtude, oposição ao materialismo, abnegação e predomínio do interesse comum sobre o particular; na medida em que o monarca não é eleito ele fica livre de obter o poder via eleição, libertando o poder político, por tabela, da influência plutocrática.
- Solução proletária: monarcas tem interesse direto em solucionar a questão social do trabalho pois sabem que isto pode lhes custar o trono.

   Em certa medida alguns poderiam contra-argumentar que na França de 1792 e na Rússia de 1917 os reis perderam o poder porque não foram sensíveis aos reclamos proletários, o que é verdade. Mas isso se deveu muito mais a falta de visão dos dois monarcas que a um princípio ínsito ao monarquismo.

   Prado também alega que a monarquia no Brasil jamais legitimou a escravidão. Já nos EUA ela foi justificada por panfletos científicos, políticos e religiosos. Aqui no Brasil os escravocratas não foram cínicos a tal ponto, o que só foi possível graças ao espírito essencialmente lusitanista da nossa monarquia, dado que a tradição portuguesa sempre teve a integração de raças como princípio – como bem mostra, aliás, o sociólogo Gilberto Freyre - sendo Portugal mesmo, um país resultante de uma fusão racial entre celtiberos, romanos, visigodos e árabes. Prado prova que, para a monarquia, a escravidão nunca fora uma questão de princípio tanto que foi a Lei Áurea que sedimentou a queda do trono ( o que provaria, mais uma vez, a independência entre trono e os interesses econômicos, dado que tal lei afetava de forma direta a elite agrária ).

Conclusão

   A república dos EUA é fundada, historicamente, no interesse econômico. Foi ele que gestou sua independência e foi ele, também, que conduziu toda sua história no século 19. Tal interesse é que gera o motor para as luta de classe e para a imanentização final dos valores. Logo é a república americana a preparação necessária para a revolução socialista. Na medida em que ela espalha seus postulados capitalistas-liberais pelo mundo, ela prepara o terreno a fim de que o marxismo, em suas diversas facetas, se instale. Portanto erra a nova direita quando acredita numa solução americanista para o Brasil. Se copiarmos o modelo dos EUA estaremos fadados a ver o país naufragar em revoluções sem fim. Hoje se há marxismo cultural nos EUA é graças à forma republicana de sua vida política, que leva, necessariamente, por força da sua lógica interna, às lutas classistas intestinas em prejuízo da pátria. Um movimento monárquico que não tenha a consciência disso não passa de espantalho de um americanismo que assume uma forma semi-oculta para dominar a vida nacional brasileira com todas as consequências funestas que daí advirão.



sexta-feira, 14 de abril de 2017

A paixão de Cristo segundo São João da Cruz





“Tendo dito que Cristo é o caminho e que, para segui-lo, é preciso morrer à própria natureza tanto nas coisas sensíveis quanto nas espirituais, quero explicar agora como se realiza isto; pois ele é nosso modelo e luz.

Quanto ao primeiro ponto, é certo que Nosso Senhor morreu a tudo quanto era sensível, espiritualmente durante a vida e naturalmente em sua morte. Na verdade, segundo suas próprias palavras, não teve onde reclinar a cabeça na vida e muito menos na morte. Quanto ao segundo ponto, é manifesto ter ficado na hora da morte também aniquilado em sua alma, sem consolo nem alívio algum, no desamparo e abandono do Pai, que o deixou em profunda amargura na parte inferior da alma. Tão grande foi esse desamparo que o obrigou a clamar na cruz: “ Meu Deus, Meu Deus, por que me desamparastes?( Mt 27, 46). Nessa hora em que sofria o maior abandono sensível, realizou a maior obra que superou os grandes milagres e prodígios operados em toda a sua vida: a reconciliação do gênero humano com Deus, pela graça. Foi precisamente na hora do maior aniquilamento do Senhor em tudo que essa obra se fez: aniquilamento quanto à sua reputação, reduzida a nada aos olhos dos homens, e estes, vendo-o morrer na cruz, longe de estimá-lo, dele zombavam; quanto à natureza, pis nela se aniquilava morrendo; e, enfim, quanto ao seu espírito igualmente exposto ao desemparo pela privação do consolo interior do Pai que o abandonava para que pagasse puramente a dívida da humanidade culpada, efetuando a obra da redenção nesse aniquilamento completo. Profetizando sobre isso diz Davi: “Também eu fui reduzido a nada e não sabia” ( Sl 72, 22). Compreenda agora o bom espiritual o mistério dessa porta e desse caminho – Cristo – para unir-se com Deus. Saiba que quanto mais se aniquilar por Deus segundo as duas partes, sensitiva e espiritual, tanto mais se unirá a ele e maior obra fará. E quando chegar a reduzir-se a nada, isto é, à suma humildade, se consumará a união da alma com Deus, que é o mais alto estd que se pode alcançar nesta vida. Não consiste a vida cristã em recreações, nem gozos, nem sentimentos espirituais e sim, numa viva morte de cruz para o sentido e para o espírito, no interior e no exterior.” In: São João da Cruz. A Subida do Monte Carmelo. Editora Vozes, Petrópolis, 2010. P. 117.


“Todos pediam sua morte, todos O odiavam, todos O injuriavam. Tudo isto fazia Jesus sofrer imensamente mais que as inexprimíveis dores que pesavam sobre seu corpo. E havia pior. Havia o pior dos males. Havia o pecado, o pecado declarado, o pecado protuberante, o pecado atroz. Se todas aquelas ingratidões fossem feitas ao melhor dos homens já seriam absurdas, mas elas eram feitas ao Homem – Deus e constituíam contra a Trindade Santíssima um pecado supremo. Eis aí o mal da injustiça e da ingratidão. “- Plínio Correa de Oliveira; in: Via Sacra. Pigma Gráfica e Editora, São Paulo, 2017. P. 11

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Olavo nega a fé católica!




Senhores, desta vez não há mais para onde os aluninhos "católicos" do guru paulista correrem. Não é mais possível dizer que ele é católico, pois o mesmo acaba de afirmar que não é. 


Pois vejamos: 






Reparem; Olavo diz textualmente que:

1- Mesmo depois da queda de Adão a nossa inteligência pode alcançar POR SI MESMA, POR SUAS FORÇAS, o infinito e o absoluto, ou seja, Deus. 

Contra isso diz a Igreja: 

" Nas condições históricas em que se encontra o homem enfrenta muitas dificuldades para conhecer a Deus apenas com a luz de sua razão: 

[...] As verdades que se referem a Deus e às relações entre os homens e Deus são verdades que transcendem completamente a ordem das coisas sensíveis...a inteligência humana, na aquisição destas verdades, encontra dificuldades tanto por parte dos sentidos e da imaginação como por parte das más inclinações, provenientes do pecado original" - Catecismo da Igreja Católica, número 37(In: Pio XII, Encíclica Humani Generis).

2- A inteligência é que dá acesso a esfera do infinito ( a esfera do divino )

Contra isso diz a Igreja que, mesmo no estado pré-queda, Adão foi elevado a esfera do infinito - da união com Deus - pela graça. 

Olavo nega os efeitos do pecado original e o papel da graça. 


Para não deixar dúvidas de que o mesmo nega o papel da graça mas uma confissão do próprio:


Vejam que ele frisa o SOMENTE!

Somente o cultivo da inteligência leva o homem para além e acima de si. É como se a inteligência humana fosse, no fundo, divina. 


Isso mostra que Olavo continua seguidor das doutrinas do esotérico e maçom René Guénon pois vejamos: 

1- Guénon diz que o Intelecto humano é o próprio Logos divino, e que, por isso, o conhecimento identifica sujeito e objeto; que conhecer é ser; 

2- Guénon usa intelectualidade como sinônimo de espiritualidade, já que, para ele, e para os "tradicionalistas", o Intelecto humano é o Espírito divino, o Logos:

"não pode haver para ele - para o homem - nenhuma diferença efetiva entre seu espírito e o intelecto, nem, em conseqüência, entre espiritualidade e intelectualidade verdadeiras."(René Guénon, Espírito e Intelecto in Mélanges, p.52).

Ora esta é a mesma doutrina de Olavo, confessada por ele em 1998; ele continua o mesmo, pensando igual; apenas disfarça bem o seu perenialismo sob a capa de uma mentirosa conversão ao catolicismo:

"a Filosofia no sentido mais puro", buscando "a unidade do conhecimento" encontra Deus no mais fundo da consciência humana " (Cfr. Olavo de Carvalho, Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho, bloco 8, junho de 1998, p. 15).

Vejam o que Olavo dizia outrora: 

"O que dá sua coerência e inteireza ao conhecimento é a unidade do sujeito cognoscente, mas não num sentido kantiano, pois não se trata aqui do sujeito individual - ou geral, que é uma simples extensão do individual - e sim do sujeito identificado e reintegrado ao Absoluto... A unidade do mundo repousa na unidade do Intelecto, ou Logos, que é a unidade de Deus". (Olavo de Carvalho, Astrologia e Religião, p. 63-64). 

"Deus não é "exterior" à consciência: é o seu núcleo mais íntimo e pessoal" "Todo ser humano possui esse núcleo". "Descoberto sob a dupla aparência de consciência e de presença, é o mesmo Logos, a mesma Inteligência que se manifesta dentro e em torno de nós, que dialoga comigo sempre que um homem vê uma pedra e a pedra é mostrada ao homem"(Olavo de Carvalho, artigo Lux in Tenebris", in Jornal da Tarde, 25- XII- 1997).


Então, segundo Olavo, o homem teria faculdades em comum com o próprio Deus. 


O guru ainda dá ênfase ao esforço intelectual mais que ao moral na vida espiritual:


A Igreja, no que tange a vida espiritual, sempre frisou a necessidade do combate moral à tríplice concupiscência e as más paixões; mas Olavo seguindo Guénon que coloca a moral no plano da ação, logo coloco-a no plano da manifestação o que em sua teoria esotérica é o mundo da ilusão:

Manifestação=ação=ilusão x metafísica=inteligência= verdade. 

Por que Guénon põe a moral no plano da ilusão e engano? Porque ele, como bom esotérico, advoga que este mundo é fruto da criação do Demiurgo, um ser inferior ao Deus Infinito. Este mundo não seria exatamente criação de Deus e nem a moral que rege nossa conduta, seria decorrente de Deus mas sim do Demiurgo. Por isso o repúdio à moral e a exaltação do intelecto como meio de se libertar e atingir Deus. 

Para provar de vez que Olavo considera que é a vida intelectual o topo da vida espiritual e não as virtudes cristãs teologais - fé, esperança e caridade - vejamos:




Olavo diz que:

1- Alta cultura é a MÁXIMA PERFEIÇÃO DA CONSCIÊNCIA

2- Alta cultura é a parte mais NOBRE DA ASCESE ( E a penitência? E o combate espiritual?)


Mediante tais critérios nos perguntamos como santos analfabetos como Santa Joana D' Arc e São Benedito, ou santos com imensas dificuldades cognitivas, como São João Maria Vianney, puderam se santificar já que estavam completamente alheios a alta cultura!

O que fica de tudo isto é que devemos duvidar, decididamente, da capacidade cognitiva de católicos que ainda conseguem ver na doutrina olavista alguma compatibilidade com a fé da Igreja. Chamar um miserável como Olavo de "filósofo católico" é uma blasfêmia. O homem continua seguidor da Gnose de Guénon e só finge ser católico para penetrar os postulados esotéricos na Igreja via criação de uma elite intelectual a seu serviço. 


Rafael G. Queiroz



terça-feira, 28 de março de 2017

O movimento monarquista no Brasil e a maçonaria: Quo Vadis Dom Bertrand?

É claro que a monarquia é bem superior à democracia, sobretudo a de massa. Mas toda "monarquia" que busque seu fundamento abaixo de si, não acima, que se estabeleça por princípios profanos e materialistas, deve ser ridicularizada. Uma família real não faz uma monarquia; princípios superiores fazem uma monarquia. Toda "monarquia" baseada exclusivamente no elemento "humano", que, negligente com o elemento "divino", apele a alianças econômicas e discursos humanistas não passa de um simulacro de monarquia, uma casca vazia, um corpo sem alma, uma marionete de liberais. Ao rebaixar o fundamento da monarquia ao mundo profano dos homens, os "monarquistas" se filiam à estratégia discursiva moderna, a mesma que corroeu todas as monarquias por dentro. Como escreve Joseph de Maistre: "É Deus que faz os reis, literalmente. Ele prepara as estirpes reais; amadurece-as no meio de uma nuvem que encerra as suas origens. Elas depois surgem coroadas de glória e de honra; impõem-se - e é esse o maior sinal da sua legitimidade".


Em  mais uma manifestação da "falsa direita" brasileira, ocorrida em 26/03/2017, ficou evidenciado quais são as forças que estão por trás dela. Há, é verdade, um apelo de participação aos conservadores, embora as manifestações sejam feitas sob os auspícios do MBL, organismo francamente liberal que chega a defender em seu programa político o "Fim da função social da propriedade. A propriedade privada não pode ser relativizada."(https://s3-sa-east-1.amazonaws.com/mbl-wordpress-s3/wp-content/uploads/2016/05/26222920/propostas-mbl.pdf). 

A convocação de uma direita conservadora às manifestações visa, nada mais que, capturá-la para dentro do projeto liberal, este sim muito mais articulado, organizado, estruturado e com dinheiro de sobra para fazer suas pautas serem colocadas em prática. Ademais, a aliança conservadora - liberal é uma impossibilidade lógica, dado que um conservador, que se caracteriza por prezar costumes morais tradicionais, não poderá endossar, numa possível composição política entre estas duas forças em um regime hipotético de governo futuro, por exemplo, a liberdade econômica de criar uma empresa de filmes eróticos, o que afetaria a preservação de bons costumes dentro da sociedade; por outro lado, um bom liberal não vai defenestrar a empresa de filmes eróticos, pois isso poria em xeque o dogma do livre mercadismo. A pergunta que fica é que critério iria prevalecer nesse caso e em tantos outros: o da liberdade de ação econômica ou o da valorização dos costumes? Mas, apesar dessa impossibilidade lógica de conciliar as duas facções, há um número enorme de imbecis no Brasil que apostam nessa aliança espúria, aliança que só tem trazido avanços para as pautas liberais. 

Durante os protestos pró-impeachment foi o que vimos nas ruas: liberais e conservadores gritando contra Dilma. Ela caiu mas Temer, até aqui, só favoreceu políticas liberais. 

A razão disso nós mesmos já dissemos diversas vezes: só há a possibilidade de extrair ganhos reais com alianças deste tipo, contra inimigos comuns, quando se tem uma estrutura que permita forçar o lado oposto a fornecer vantagens concretas. Um exemplo clássico é o do partido nazista na Alemanha: enquanto ele era apenas um entre vários partidos nacionalistas, Hitler se recusou a fazer alianças. Depois que ele conquistou o monopólio sobre a oposição nacionalista no país e obteve boa votação, nos albores da década de 30, aceitou fazer coalização com os conservadores do General Hindenburg. Em 1933, Hitler consegue ser nomeado primeiro ministro, porque já estava numa posição de força que permitia composição sem ter de deixar de lado os princípios do NSDAP. 

Todavia, a nossa direita conservadora é inculta demais para entender isso. Some-se o fato de ser teleguiada por gurus que advogam liberdades econômicas junto com costumes morais, passando a impressão, para o "gado" que a compõe, de que estas duas realidades podem coexistir. 

No que tange ao assunto em tela, o papel do movimento monarquista é outro dado a ser considerado. Reunido em torno da figura do ilustre Dom Bertrand, que é apresentado por  hostes de fiéis escudeiros como um homem piedoso, que mereceria a alta confiança dos católicos, o movimento monarquista se coloca, por várias razões, como alternativa para o Brasil em crise. 

A primeira razão seria institucional: o poder do Rei daria estabilidade a um país cuja era republicana foi marcada por sobressaltos, golpes, impeachments, afetando a boa ordem necessária para que o país cresça. Os elementos liberais que defendem a monarquia se pautam por essa razão. 

A segunda, defendida por elementos católicos que integram o dito movimento monarquista, seria moral: o rei, que seria ou Dom Luiz, ou Bertrand, teria o poder de influenciar positivamente o povo no sentido do temor a Deus e no da prática da verdadeira religião. 

A questão é se, sobretudo a figura de Bertrand, estaria a altura desta missão de reconduzir o país a ordem e a fé. A dúvida se adensa a medida que vemos o sr. Dom Bertrand associando-se, de modo direto, a lideranças maçônicas e a eventos maçônicos, o que provaria - para dizer o mínimo - a sua falta de compreensão do contexto real das forças políticas que nos ameaçam

Em todas as manifestações do MBL lá esteve o movimento monárquico e a figura de Bertrand. Outro membro do família real presente nelas é sr. Luiz Philippe de Orleans e Bragança, um franco apoiador do liberalismo, como bem sabemos. Alguns aduzem que Philippe não representa o movimento monárquico. Que seja, mas Bertrand, sem dúvida, representa.  

Depois de frequentar eventos promovidos pelo Mises Brasil - órgão que milita pela filosofia econômica de Ludwig Von Mises que, entre outras coisas, sempre defendeu que a Igreja foi um fator de atraso para a civilização ocidental - agora eis que Dom Bertrand aparece num carro de som patrocinado pelo Avança Maçons Brasil: 



Segundo alguns elementos do movimento monárquico bertrandista, a estratégia seria usar a maçonaria como "prostituta", para implantar a monarquia e depois desfazer-se dela:





O ingenuísmo de alguns monarquistas é tamanho que ficamos deveras impressionados com ele, dado que é necessário ser muito irrealista para levar a sério esta pataquada. O mais interessante nisto tudo é que Dom Bertrand se coloca como alguém que admira Plínio Correa de Oliveira, fundador da TFP; mas vejamos o que Oliveira diz sobre a maçonaria:

"As forças propulsoras da Revolução têm sido manipuladas até aqui por agentes sagacíssimos, que delas se têm servido como meios para realizar o processo revolucionário. De modo geral, podem qualificar-se agentes da Revolução todas as seitas, de qualquer natureza, engendradas por ela, desde seu nascedouro até nossos dias, para a difusão do pensamento ou a articulação das tramas revolucionárias. Porém, a seita-mestra, em torno da qual todas se articulam como simples forças auxiliares - por vezes conscientemente, e outras vezes não - é a Maçonaria, segundo claramente decorre dos documentos pontifícios, e especialmente da Encíclica Humanum Genus de Leão XIII, de 20 de abril de 1884 19. O êxito que até aqui têm alcançado esses conspiradores, e particularmente a Maçonaria, devesse não só ao fato de possuírem incontestável capacidade de se articularem e conspirarem, mas também ao seu lúcido conhecimento do que seja a essência profunda da Revolução, e de como utilizar as leis naturais - falamos das da política, da sociologia, da psicologia, da arte, da economia, etc.- para fazer progredir a realização de seus planos. Nesse sentido os agentes do caos e da subversão fazem como o cientista, que em vez de agir por si só, estuda e põe em ação as forças, mil vezes mais poderosas, da natureza" - In:  PLÍNIO CORREA DE OLIVEIRA. REVOLUÇÃO E CONTRA REVOLUÇÃO ( PÁGINA 42).

O texto acima deixa clara a sagacidade da maçonaria em se valer de articulações e do conhecimento da natureza humana para atingir as suas metas revolucionárias. É EXATAMENTE ISTO QUE ESTÁ ACONTECENDO, AGORA, NO SEIO DO MOVIMENTO MONÁRQUICO BRASILEIRO!

Em suma: quem tem estrutura para tirar proveito da situação não é o movimento monárquico que não possuiu nenhuma chance, no momento presente, de instrumentalizar a maçonaria. Aliás, é verdade que muitos maçons querem a monarquia de volta e estão aptos a ajudar Dom Bertrand, mas eles a querem para porem em ação fins liberais-revolucionários. Querem uma monarquia por razões meramente institucionais e não para recatolicizar o Brasil.  

Será que Bertrand é tão pouco sagaz que nada percebe sobre esta trama? Como católicos devemos fazer o juízo mais favorável possível de um semelhante, evitando manchar-lhe a reputação se podemos admitir razões outras para suas ações que não a malícia pura e simples. Nem sempre, porém, é tão fácil fazer isso quando alguém se imiscuiu com tanta frequência com aqueles que são inimigos declarados da Igreja.  

É patente que o movimento monárquico virou, em certa medida, vetor para o filo-liberalismo maçonizante. Basta ligarmos alguns pontos: 

1- Dom Bertrand em reunião do círculo monárquico; a sua direita, Antonyo da Cruz, presidente do  Instituto Brasil Imperial, que é notório e conhecido maçom!




2- Luiz Philippe de Orleans e Bragança em evento do Avança Maçons Brasil:


3- Manifestação do dia 26/03/2017 sob os auspícios da Maçonaria:



Sobre tudo isto resta a pergunta: por que Bertrand permite que um notório maçom seja o presidente de um instituto que pretende falar em nome dos interesses da família imperial? Por quê? Isso tudo é apenas burrice, ingenuidade, ou trata-se de estratégia de usar a maçonaria para os fins bertrandistas de restaurar o Império,se valendo das Lojas? E depois de restaurado o Império? As lojas vão continuar tendo lugar no Brasil ou ele irá fechá-las (que seria o mínimo que um monarca católico precisaria fazer para honrar a fé que professa)? Como ele pretende se livrar da maçonaria depois de ter assumido enormes compromissos com ela e depois de dever à mesma a recuperação do trono? Ou ele não pretende? 

Perguntas que não querem calar. 

No fundo o que parece é que Dom Betrand está mais perdido que cego em tiroteio. Ora participa de um evento patrocinado por MBL - que apoiou a operação carne fraca no Brasil, algo que prejudica diretamente nosso agronegócio - ora protesta contra a operação pois vê nela uma conspiração de ambientalistas como ele mesmo deixou claro em seu blog(http://www.paznocampo.org.br/Blog/popposts.asp?id=1315). Ora se o MBL apoia esta operação ele não faz parte da conspiração globalista contrária a nossos interesses como nação? Então por que fazer coro com manifestações que existem justamente para que a pauta do MBL se imponha no Brasil? 


Afinal: Quo vadis Dom Bertrand? 


Rafael G. Queiroz