terça-feira, 12 de agosto de 2014

Filosofia em termos católicos: uma lição de Clemente de Alexandria.

Clemente de Alexandria, mestre autorizado pela Igreja. 


O senhor Olavo de Carvalho, dito filósofo e católico, no seu curso de filosofia se distancia radicalmente do que diz Clemente de Alexandria, padre da Igreja, sobre a filosofia. Ele nos ensina como um católico deve exercitar a atividade filosófica e com que critérios. 

Estrômates de Clemente de Alexandria

Tema da obra: fazer ver que a filosofia é, em si, uma boa coisa pois foi querida por Deus.

Contexto da obra: Igreja de Alexandria no século II DC. A mesma era formada por homens simples e sábios. Alexandria era um centro cultural e havia na Igreja alexandrina da época muitos convertidos que conheciam a filosofia grega em alto nível. Este é o caso de Clemente. Os cristãos simples de Alexandria recriminavam Clemente por se dedicar a filosofia propondo, no lugar disso, uma fé sozinha e nua não só de filosofia mas de teologia ou qualuqer especulação.

O que explicava essa tendência simplorista era o exemplo dos gnósticos que parecia provar o caráter nocivo da filosofia. Os defensores de tal tendência estimavam que um cristão devia se afastar dela.

Clemente visa provar que a filosofia pode ajudar a fé.

Conteúdo da obra: Clemente começa falando que Deus no AT fala de homens que foram cheios do espírito de sabedoria(Exôdo 28, 3). Sendo esse sentido um dom de Deus não se pode admitir que a filosofia, que é sua obra, seja uma coisa ruim e condenável aos olhos de Deus.

Alguns objetavam que a filosofia tinha se tornado algo dispensável desde que Deus substituiu-a pela fé. A isso Clemente respondia dizendo se tratar de uma incompreensão do papel da filosofia na história.

Antes de Cristo havia a lei judaica, desejada por Deus. Por outro lado havia os gregos sem fé nem lei, mas não sem recursos, pois tinham a luz da razão natural que não só os julgava, como diz São Paulo, mas os preparava para receber o cristianismo, como se pode ver lendo Platão. Deus não falava diretamente aos filósofos como fazia com os profetas ao lhes dar uma revelação, mas guiava-os indiretamente pela razão que é uma luz divina. Se Deus quis a razão foi por que ela serve para alguma coisa. Todo o curso do saber humano são dois rios: a lei judaica e a filosofia grega dos quais o cristianismo jorraria como uma nova fonte. Clemente diz que há dois antigos testamentos e um novo. A lei aos judeus, a filosofia aos gregos; a lei, a filosofia e fé aos cristãos. Antes de Cristo a filosofia servia aos gregos para sua justificação, agora continua servindo para prepará-los a fé e quando a obtiverem para defendê-la e aprofundá-la.

Notemos que ela só pode ser útil contanto que se mantivesse em seu devido lugar. A escritura diz para nos guardarmos da mulher estranha( Provérbios 7, 5)  e fazermos uso das ciências profanas sem nelas nos determos. " Elas preparam, com efeito, para receber a palavra de Deus e contêm o que, em tempos diferentes, foi dado a cada geração em seu interesse; mas aconteceu que alguns, inebriados pela beberagem das servas negligenciaram sua ama que é a filosofia. Alguns dentre eles envelheceram no estudo da música, outros no da geometria, outros ainda no da gramática, muitos no da retórica. Ora dos mesmo modo que as artes liberais servem à filosofia, que é sua ama, a própria filosofia tem por finalidade preparar a Sabedoria. A Sabedoria é senhora da filosofia como a filosofia é das disciplinas que a precedem.". Vemos esboçar nesse trecho do Estrômates a fórmula "philosophia ancilla theologiae".

Eis a imagem bíblica que Clemente usa: " Sara, esposa de Abraão era estéril. Como não concebia permitiu que ele tomasse sua escrava egípcia, Agar, na esperança que ele tivesse uma posteridade. A Sabedoria( Sara) que coabitava com o fiel ( Abraão) era, portanto, estéril nessa primeira geração; e ele queria que o fiel que tinha de progredir, se unisse primeiro a ciência do mundo - pois é o mundo que o Egito significa alegoricamente - para gerar dela Isaque, pela vontade da divina providência. Aquele que se instruiu primeiro nas ciências pode se elevar até a Sabedoria, que as domina e de onde nasce a raça de Israel. Abraão passou das verdades mais elevadas a fé e justiça que são de Deus. Abraão diz a Sara " eis aí tua serva faz com ela o que quiseres" pois ele so retém da filosofia do mundo o que ela tem de útil.

A filosofia consiste na busca da verdade e no estudo da natureza. O senhor disse: eu sou a verdade. A ciência que precede esse repouso na verdade que é a ciência de Cristo, exercita o pensamento, desperta a inteligência e aguça o espírito para se instruir na suprema verdade. A filosofia é, para a fé, uma auxiliar e um preparação. A fé e a filosofia tem raiz comum. O homem tem a faculdade de conhecer ( phronesis). Quando pode conhecer os primeiros princípios ela é pensamento( noésis); quando desenvolve esse pensamento em raciocínios é ciência( gnose); se ela se aplica aos problemas da ação é arte( tekhne); quando ela se abre à piedade, crê no Verbo e nos dirige para a prática dos seus mandamentos. É  por ser una que a Sabedoria vai colocar ordem na filosofia. Como as bacantes despedaçaram o corpo de Penteu, as seitas filosóficas quebraram a unidade natural da verdade: cada uma guarda uma pedaço dela e se gaba de possuí-la inteira.

Assim impõe-se antes de mais nada um trabalho de eliminação: há certa filosofia que o cristianismo não poderia assimilar pois é falsa. Por exemplo os textos de São Paulo sobre as as loucuras dos sábios deste mundo podem ser todos canalizados para Epicuro e seu hedonismo. O termo filosofia não designa nenhuma doutrina particular, nem a de Platão ou Aristóteles, mas antes aquele ensinamento de justiça e piedade com o qual concordam por sinal escolas assaz diferentes. A fé cristã é princípio de seleção que só permite reter de cada doutrina o que ela contém de verdadeiro e útil. Os dois mestres por excelência serão Pitágoras, homem iluminado por Deus e Platão cuja filosofia se volta toda para a piedade. A fé é senhora da filosofia como a filosofia é das artes liberais.

Fonte: Etienne Gilson. Filosofia na Idade Média. Resumo das páginas 43 a 47.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Olavo de Carvalho, o desinformante!

Olavo em alta atividade filosófica, soltando mais um de seus aforismos geniais.



Recordo-me como, tempos atrás, o sr. Carlos Velasco confrontou a visão do sr. Olavo de Carvalho com relação ao globalismo ocidental, opondo-lhe a tese de que existem conspirações sionistas no bojo do mesmo.

Na ocasião, além de todo histerismo criado em torno do sr Velasco, identificado (sabe-se lá como) pelo sr. Carvalho como agente da KGB, um texto foi escrito e publicado no site mídia sem máscara tratando a tese do sr. Velasco como absurda ante a complexidade dos atores globalistas. Embora em nenhum momento que me recorde, o senhor Velasco tenha descido a tamanho simplismo ao ponto de reduzir tudo a apenas isso, foi assim que o articulista do MSM tratou o assunto, com as bençãos do "filósofo da Virgínia".

A quem lesse o referido texto publicado no MSM a impressão era de que aquilo representava a reação da inteligência, promovida com maestria no círculo olavista, contra o suposto boçalismo do sr. Velasco.

Caso essa impressão ainda permaneça é hora de derrubá-la. Pois já faz tempo que o senhor Olavo, depois de ter afirmado peremptoriamente que existem três globalismos( ocidental, russo-chinês e islâmico-jihadista) e de ter dito que dos três o mais avançado é o ocidental ligado a elites que se organizam, basicamente em torno de fóruns e clubes como Bilderberg, CFR, etc, agora recuou. Faz tempo que o mesmo sequer cita o assunto se concentrando apenas na Rússia.

O papel que Olavo nega aos sionistas, ele atribui a Rússia. A Rússia é culpada por tudo. Passando pelo tráfico de drogas, pela corrupção da sociedade americana, pelo jihadismo, pelo terrorismo( seja quais forem: segundo Olavo todos são crias diratas da Rússia!!), pelo aborto, pelo homossexualismo, pela jogatina, prostituição, etc. A Rússia controlaria tudo isso com mão de ferro, injetando em tudo isso recursos.

Não estamos inventando nada. É o senhor Olavo quem o diz em sua timeline no facebook:

Olavo de Carvalho
"A profecia "Os erros da Rússia se espalharão pelo mundo" faz cada vez mais sentido. Estou lendo "Death Orders. The Vanguard of Modern Terrorism in Revolutionary Russia", de Anna Geifman, onde aprendi que o terrorismo foi de cabo a rabo uma invenção russa, que começou como um fenômeno local e hoje é um flagelo mundial."

( A pergunta que fica é: e a Al Qaeda Olavo? É cria russa ou americana? Ou será que foram agentes russos infiltrados nos EUA que plantaram a Al Qaeda usando o aparelho de estado americano???)

Apesar de todos os países ocidentais terem aderido a uma cultura secularista, anti cristã e decadente em termos de moralidade, são unicamente os agentes russos que tem corrompido o ocidente. O próprio ocidente não teria culpa de quase nada. Quantos agentes a Rússia teria espalhado pelo mundo? Um país que vive, faz anos, com dificuldades econômicas, teria meios materiais para espalhar tão grande número de agentes a soldo?

Ainda que admitamos a influência soviética na corrupção do ocidente, acreditar que ela continua via Rússia no mesmo nível da Guerra Fria é piada. Outra piada é acreditar que os problemas do ocidente, mesmo nos tempos de guerra fria, se resumiam tão só a ação da URSS, como se aqui não houvesse problemas sérios resultantes, também, da ação americana (Quem não sabe do projeto dos EUA de implementar políticas abortivas nos países da América Latina??)

Ora senhor Olavo, não é canhestrice intelectual explicar tudo - ou muita coisa - pelas ações conspiratórias sionistas? Não era ir contra a complexidade dos fatos? Se era ou é, por que não é quando se trata de explicar tudo - ou muita coisa - pelas ações conspiratórias russas?

Bom parece que a questão não era a complexidade dos fatos mas tão só o fato de falar de conspirações sionistas

Será que precisa ficar mais claro que o senhor é um agente de desinformação a serviço do sionismo?

Outrossim é preciso responder a mais nova tentativa de desinformação sobre o assunto, por parte do senhor Olavo, como exposto abaixo:



A questão não é exatamente essa. Essa afirmação é canhestra: ninguém que seja um sério propositor da tese que vê a totalidade do povo judeu como conspirador. Isso é linguajar de folhetins que não fazem as devidas distinções e as nuances necessárias numa análise histórica mais profunda. Logo podemos falar de uma forte influência de setores judaicos aqui e ali em certos planos de governança global, em acontecimentos históricos decisivos mas não caracterizar tudo como sendo obra desses setores. 

Sobre a midia ser anti judia é preciso pergunta por que qualquer crítica mais acintosa contra ações do sionismo internacional  sempre é intepretado como nazismo?  Já que setores judeus não tem influência sobre a mídia, por que Dom Willianson teve uma entrevista desenterrada logo na hora em que Bento XVI pensava em regularizar a FSSPX, entrevista que questionava o holocausto? E os filmes de Hollywood onde só o sofrimento judeu é retratado quando se trata de falar de segunda guerra mundial? 

Bohemian Grove: os encontros da elite americana da qual a Olavosfera nada diz!!

Encontro do Grove com Reagan e Nixon.


Virou moda, na olavosfera, desculpar os EUA pela Nova Ordem Mundial: os projetos de poder global são sempre dissociados do processo de expansão do poder americano no mundo e de sua elite. A dita "elite global" é sempre desvinculada da essência dos EUA que ela não representaria jamais. 

Porém a farsa, bem montada durante anos está com os dias contados. Aqui e ali pessoas vão acordando do longo sono imposto pela olavosfera. Aqui e ali informações vão surgindo para derrubar a cortina de fumaça e desinformação criada pela olavosfera. 

A elite do poder tem diretórios interligados não apenas em empresas mas na sociedade americana como um todo. Um dos exemplos é a "comunidade de política internacional de Washington" que reúne nomes como Donald Rumsfeld, Franck Carlucci, Henry Kissinger, Brzezinski, etc, todos nomes que lecionaram em universidades de elite nos EUA e que participaram de governos americanos. Esse grupo está ligado, diretamente, ás mega empresas da área financeira. Não espanta que vários membros desse grupo tenham penetrado no mundo financeiro depois de terem passado pelo cargo de secretário do tesouro americano; entre eles temos o ex-secretário John Snow da Cerberus, Paul O'Neill da Blackstone, o ex-secretário Robert Rubin do Citigroup, etc. A vinculação entre poder americano e mundo financeiro é tão evidente que negá-lo é impossível. O que resta a olavosfera é tergiversar sobre o assunto criando uma versão fantasiosa sobre isso dizendo que esses grupos são essencialmente antiamericanos pois planejariam destruir os EUA substituindo-o por um governo mundial. O que torna a versão aceitável é o fato, inegável, de que essa elite queira um governo mundial. Mas o que a versão não diz é que esse governo mundial nada mais seria que um Império Americano. 

Mas vamos ao Bohemian Grove, um encontro da elite americana, pretensamente para relaxar. O lema "aranhas tecedeiras, não venham aqui" simboliza a filosofia do encontro: expressão retirada da obra de Shakespeare, sonho de uma noite de verão,  é uma alerta contra discutir negócios ou outras preocupações mundanas durante o Grove. Os membros são estimulados a se concentrar em artes, literatura e outros prazeres dentro dos espaços do encontro que acontece sempre ao norte da Califórnia. Durante duas semanas, sempre ao fim de julho, o local recebe cerca de 1500 sócios do clube fundado em 1872. Não há boletins informativos do grupo que é ultrasecreto. Entre os convidados recentes temos membros da elite do partido republicano ligados a promoção do neoconservadorismo como Dick Cheney, Donald Rumsfeld, Karl Rove e George W. Bush. Há relatos de que foi durante um encontro do clube que foi decidido o planejamento da bomba atômica. Foi no local de reunião do grupo que gente do projeto Manhattan se reuniu, na época da segunda guerra.

A filiação ao Grove é altamente seletiva e só pode acontecer por meio de convite. Há um rito iniciático que constitui de uma "cremação das preocupações" onde os participantes queimam uma efígie que representa as preocupações trazidas de fora. 

É fato que as conversas no lago, eventuais discursos feitos durante o Grove, historicamente serviram como fundamental plataforma de promoção de políticos. Um exemplo revelador da importância dessas conversas é o relato feito por Nixon sobre a aparição daquele que seria o futuro presidente americano Dwigth Eisenhower, durante o evento: " no verão de 1950 eu o vi bem de perto no Grove...depois do discurso de Eisenhower nós voltamos para o acampamente do homem das cavernas e nos sentamos ao redor da fogueira fazendo uma avaliação. Todos tinham gostado dele...me marcou sua personalidade e mística que impressionaram a platéia cética". Nixon depois alega que um discurso que fez no Grove pode tê-lo lançado para a presidência dos EUA:" Se tivesse de escolher o discurso que me deu mais prazer e satisfação em minha carreira política, seria o discurso do lago no Bohemian Grove em julho de 1967...de modos muito importantes foi a primeira pedra no meu caminho para a presidência". 

Foi em 1995, também, que de uma conversa entre Newt Gingrich, então presidente da câmara dos EUA, e o ex-presidente George Bush durante um encontro do Grove que ficou acertada a candidatura de George W. Bush, filho de G. Bush. 
O especialista Domhoff observa que nos anos 90 - época da consolidação da corrente neoconservadora ligada, basicamente as idéias de Francis Fukuyama, que falava de fim da história que estaria ligada a queda da URSS e a vitória definitiva das instituições liberais dos EUA que iriam se espalhar, fatalmente, pelo mundo. O projeto neoconservador, consiste em fazer avançar esse "fim da história", espalhando o modo americano de vida- a ausência dos membros do governo Clinton e do partido democrata tornou o Grove o centro das mais avançadas articulações entre lideranças republicanas, marcadas pela ideologia neoconservadora. Hoje os membros do Grove são solidamente republicanos.
Fukuyama, intelctual a serviço do neoconservadorismo americano, autor do livro "O fim da história e o último homem"


O Grove exibe uma reveladora mistura de membros dos grupos políticos, financeiros e empresariais da elite americana. Em um lista das 1,144 maiores corporações dos EUA, o sociólogo Peter Philips descobriu que 24 por cento tinham pelo menos um moembro ou diretor convidado em 1993. No caso das 100 maiores corporações o percentual era de 42 por cento. . Embora o Grove seja um encontro de "diversão" é inevitável que, quando as elites se reúnem, falem sobre negócios. O fato de que homens ricos de todo o EUA se reúnam em circunstâncias tão próximas quanto o Grove é prova da exist~encia de uma classe alta, dotada de projetos comuns e de alta coesão social. Esses homens não apenas se conhecem mas formam uma rede social. O Grove é um encontro que gera uma coesão de classe jamais vista pois capaz de influenciar, não apenas acontecimentos em um país, mas no mundo, pois muitos de seus menbros são chefes de instituições financeiras que se relacionam com países, governos, empresas, dinastias, etc. 

Entendem por que a Olavosfera nada diz sobre o Grove? É bem simples: a Olavosfera serve a causa neoconservadora, a hegemonia mundial dos EUA a quem o Grove serve e prepara o terreno através de seus encontros, únicos no mundo. Nem mesmo a elite global reunida no Clube Bilderberg tem tamanha coesão quanto a elite do Grove, majoritariamente, hoje, dedicada a realizar os planos republicanos e a tese de Fukuyama relativa a história ter como meta o modelo político-social-econômico dos EUA.   

Fontes Bibliográficas:

Domhoff, Willian. Social cohesion e the Bohemian Grove. sociology.ucsc.edu/whorulesamerica/index.html

Philips, Peter. San Francisco Bohemian Club: power, prestige and globalism. Sanoma Comunity Free Prees, 8 de junho de 2001. 

Rothkopf, David. Superclasse. Rio de Janeiro, Agir, 2008.


quarta-feira, 30 de julho de 2014

A contra revolução pode contar com apoio de grupos e indivíduos não católicos?

Para alguns católicos a saída para escapar do marxismo é adotar o liberalismo de Smith.


















Existe hoje uma tendência - sobretudo em certos ambientes ditos "conservadores" vinculados a influência de Olavo de Carvalho - entre certos católicos e acreditar que associar-se a liberais dos mais variados matizes pode trazer resultados positivos. Muitos, sem nenhuma cerimônia, se imiscuem em rodas liberais na esperança de opor obstáculo a escalada de esquerda no Brasil e América Latina, sem levar em conta os riscos e limites inerentes a estas associações. 

Como já tivemos oportunidade de dizer, não faz sentido que católicos se associem a tais rodas sem um anteparo organizacional que lhes dê uma base segura de ação e meios eficazes de extrair disso vantagens em prol da cristandade. Tais associações só se justificam nesse contexto e sob o título de serem provisórias e esporádicas em função de um combate a um mal maior. 

A contra-revolução é essencialmente católica. E é no bojo da fé católica que encontra sua principal força. É DISSO QUE NOS FALA PLÍNIO CORREA DE OLIVEIRA: 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Resposta a Olavo de Carvalho sobre a relação fé e razão

Enrolavo de Carvalho.





















O Sr. Olavo de Carvalho respondeu o artigo que publicamos ontem referente a sua visão sobre a relação fé  e razão ,aqui:

https://www.facebook.com/olavo.decarvalho/posts/10152518463017192

Olavo de Carvalho

O boboca da "Catolicidade" diz que você tem de acreditar na doutrina da Igreja por si mesma, independentemente de qualquer tentativa interior de apreender os fatos a que ela se refere. Bonito, né? Só há um problema: ACREDITAR na doutrina CONSISTE em admitir que o conteúdo dela são fatos e não meras afirmações. Por exemplo, "Ressuscitou no terceiro dia." Aconteceu ou não aconteceu? Ressuscitou ou não ressuscitou? Se acredito, é porque acho que aconteceu, que é um fato. Como dizia o Apóstolo: "Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé." Tentar acreditar no Credo fazendo abstração dos fatos a que se refere é como aquela história do Quico: 
-- Mãe, posso entrar na piscina?
-- Pode, filhinho, só não vá se molhar.
Só no Brasil um BURRO incapaz de perceber uma coisa tão óbvia pode posar de "defensor da fé" e acusar de heresia quem não seja tão lesado mentalmente quanto ele. O ridículo dessa gente não tem fim. Cada dia capricham mais.

Nossa resposta é a seguinte:

1- Olavo nada respondeu acerca da sua alegação - errônea - sobre a distinção entre filosofia e teologia. Ele alega que a diferença entre as mesmas é a que existe entre fatos e teorias. No entanto filosofia e teologia são ciências: a diferença entre as duas nada tem a ver com a que existe entre fatos e teorias( Não é preciso ser muito inteligente para entender. Só o Olavo não entende.).

2- Olavo diz que nós afirmamos que "você tem de acreditar na doutrina da Igreja por si mesma, independentemente de qualquer tentativa interior de apreender os fatos a que ela se refere". Começamos destrinchando o termo "apreensão". Apreensão é o ato pelo qual a mente intelige uma natureza ou essência. Quando falamos "homem", "animal", por exemplo, estamos inteligindo a essência dos objetos referidos. Embora o conhecimento intelectual dependa do sensível, ele o transcende. O intelecto vê a natureza das coisas mais profundamente que os sentidos. Para que a essência se torne inteligível é preciso desindividualizá-la das condições materiais.  Quanto as realidades naturais, somos capazes de as inteligir pois nossa mente está apta a isso. Mas, quanto as realidades sobrenaturais, não: se nossa mente não for iluminada do alto, por uma graça divina, não poderemos apreender nada a respeito do sentido dos fatos referentes às ações pelas quais Deus se revelou. Fatos por fatos, Lázaro resuscitou também, mas, tal fato, não tem o mesmo significado que a ressurreição de Jesus. Antes de Jesus profetas realizaram milagres, mas, os milagres de Cristo, tem outro significado pois revelam a sua divindade. Os acontecimentos só encontram seu sentido à luz da revelação feita por Deus. Muitos viram Jesus realizar milagres, mas só Pedro, movido por divina revelação, foi capaz de dizer: tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo. E a ele Jesus disse: não foi nem a carne nem o sangue que te revelaram mas o Pai. Dizer que o conteúdo da fé são fatos é um erro, uma heresia: o conteúdo da fé é antes o sentido dos fatos,na sua essência inteligível. O esforço interior de apreender estes fatos não pode produzir nada em si mesmo, a não ser que seja movido antes e depois pela graça: sem uma moção divina que ilumine o intelecto nada feito, por uma simples razão: o conteúdo da fé transcende nosso intelecto. A forma das coisas naturais não: para conhecê-las basta nosso esforço intelectual. Para saber da coisas do alto não basta a luz da nossa razão. 

3- Olavo se aproxima- se é que não recai diretamente - no naturalismo. Ele tende a pensar que a fé precisa ser destrinchada, em seus conteúdos, pela esforço da consciência. O Concílio Vaticano I diz que: " Se alguém disser que o homem não pode ser por Deus elevado a conhecimento e perfeição, que supere as forças da natureza, mas por si mesmo pode e deve, com incessante progresso, chegar finalmente a possuir toda a verdade e todo o bem, seja anátema (De Revel Cân. 3)".

4-Olavo se aproxima daquilo que a Pascendi fala sobre o modernista filósofo: "na doutrina dos modernistas, chegamos a um dos pontos mais importantes, que é a origem e mesmo a natureza do dogma. A origem do dogma põem-na eles, pois, naquelas primitivas fórmulas simples que, debaixo de certo aspecto, devem considerar-se como essenciais à fé, pois que a revelação, para ser verdadeiramente tal, requer uma clara aparição de Deus na consciência. O mesmo dogma porém, ao que parece, é propriamente constituído pelas fórmulas secundárias. Mas, para bem se  conhecer a natureza do dogma, é preciso primeiro indagar que relações há entre as fórmulas religiosas e o sentimento religioso.Não haverá dificuldade em o compreender para quem já tiver como certo que estas fórmulas não têm outro fim, senão o de facilitarem ao crente um modo de dar razão da própria fé. De sorte que essas fórmulas são como que umas intermediárias entre o crente e a sua fé; com relação à fé, são expressões inadequadas do seu objeto e pelos modernistas se denominam símbolos; com relação ao crente, reduzem-se a meros instrumentos.Não é portanto de nenhum modo lícito afirmar que elas exprimem uma verdade absoluta; portanto, como símbolos, são meras imagens de verdade." Olavo continua alegando que dogmas são produzidos a posteriori, pela reflexão eclesial; seu pensamento cotinua ligado ao modernismo já denunciado, anos atrás, pelo apologista Orlando Fedeli, já falecido e de feliz memória pelos serviços prestados a fé. 

5- Por fim partilho aqui as pertinentes observações feitas pelo amigo Carlos Lombizani, sobre o assunto:"Não se deve confundir a verdade com o seu registro em palavras. Este é apenas verdade potencial, que só se atualiza no ato concreto da sua apreensão por uma consciência individual." São Pio X fala claramente na Pascendi que os dogmas não são mera representação da verdade, mas que contêm absolutamente a verdade. As palavras dependem da apreensão duma consciência individual para "se atualizarem"?A Lamentabili Sane Exitu condena a seguinte afirmação: "Os dogmas que a Igreja apresenta como revelados não são verdades caídas do Céu; são uma certa interpretação de fatos religiosos que a inteligência humana logrou alcançar à custa de laboriosos esforços.".Ora, se a doutrina se refere a fatos, não está então sujeita a interpretação? É isso o que o Olavo está dizendo: a doutrina não é a verdade, ela é um registro em palavras de fatos. Fatos são meros acontecimentos do passado. A verdade é a conformidade com a realidade. Se a doutrina é verdade caída do céu, então ela não descreve fatos. A ressurreição é um fato, claro, mas e o dever de amar a Deus? Como é que se diz que algo é um "fato" e não mera "afirmação"? Um fato é apenas um acontecimento. Uma afirmação é uma proposição, isto é, algo que se propõe (como verdadeiro), então é mais geral que um fato."

6- Reproduzo também a importante análise feita por Alberto Leopoldo Batista Neto:
"Se a fé católica dependesse de alguma "apreensão individual de fatos" - como diz Olavo de Carvalho -, ela teria que esperar até que o próprio conceito de "fato" se tornasse disponível, ao menos para a consideração filosófica - o que só ocorre na modernidade.Até mesmo a ideia de "conhecimento", tradicionalmente, não coincide com a de um simples reconhecimento de alguma coisa que "lá está". Conhecer envolve a apreensão de um conceito que só pode ser "extraído" da realidade porque esta possui, por si, uma estrutura inteligível (uma vez que é fruto de uma inteligência ordenadora). "O que aconteceu" é algo que só tem sentido numa ordem de significado, que só pode ser descortinada pela reflexão - no caso em pauta, teológica.Uma velhinha analfabeta dificilmente terá uma "apreensão individual" de "fatos" como os ensinamentos concernentes às processões e missões trinitárias - mas estes, nem por isso, são menos parte da doutrina católica, a que ela adere por aceitação da autoridade da Igreja. As pessoas que não conseguem "contemplar" em suas "consciências individuais" os conteúdos do credo niceno-constantinopolitano não são menos católicas quando o recitam na missa dominical e mantêm suas vidas de devoção e obediência.Essa reconstrução fenomenológica da fé cristã é bastante característica de certas teologias modernistas do século XX. Estas podem se tornar complexas, sofisticadas, e mesmo convincentes para uns ou outros - o que não as torna ortodoxas.O pior é que O. de C. faz pouco de quem ele julga incapaz de compreender suas teses, mas uma multidão de pessoas, sem o mínimo preparo para saber do que ele está falando, dá o seu entusiástico assentimento a qualquer coisa que o homem diga. Um lembrete aqui é válido: a "consciência individual" de Olavo de Carvalho não é a de vocês."

Diante do exposto, fica claro que Olavo sabe pouco do que fala. Não sabe sequer usar o termo apreensão com rigor( Em termos aristotélicos-tomistas é impossível apreender fatos mas tão só essências, fatos são particulares, essências são gerais: Aristóteles já disse, faz dois mil, anos que nosso intelecto só apreende o geral. Apesar de Olavo ter escrito uma obra sobre o mesmo, não aprendeu isso?).

E esse é o maior filósofo vivo na atualidade?

Quanto as heresias afirmadas pelo mesmo já sabemos qual a desculpa que virá: o mesmo já afirmou que, no decurso das investigações, um filósofo pode cometer heresias. Os discípulos confrontados com elas dirão que se trata de um exercício dialético légítimo do supremo mestre e que, diante delas, não há nada a opor, tampouco que duvidar da sua fé católica. 

Quanto a isso cabe a quem realmente ama a doutrina da Igreja cerrar fileiras 
contra aquele que, se apresentando como mestre, ensina embustes e põe em risco a verdadeira fé.  

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Olavo de Carvalho e a relação fé e razão: mais um embuste!!


Olavo numa de seus elevados exercícios lógico-demonstrativos
O filósofo Olavo de Carvalho vem se apresentando, faz tempo, como católico: tendo passado bom tempo longe da verdadeira fé teria feito o caminho de retorno. Graças a isso tem tido ótima penetração em meios católicos afeitos aos estudos. A sua pretensa conversão exorcizou as denúncias feitas por Orlando Fedeli, apologeta católico fundador do Instituto Cultural Montfort, que anos atrás demonstrou, em seus artigos, como a filosofia olavética divergia radicalmente da doutrina da Igreja.  Mas já que Olavo teria se convertido não existiria mais nenhum empecilho para que um católico se sujeite ao seu magistério filosófico. 

Mas os fatos começam, pouco a pouco, a aparecer, de modo que a pretensa conversão de Olavo de Carvalho cada vez mais se afigura como uma peça teatral bem montada. 

Nosso objetivo aqui é mostrar, pouco a pouco, como o sr Olavo de católico tem só o nome: sua filosofia continua divergindo radicalmente daquilo que a Igreja ensina. 

Começamos recordando que "Não haveria, certamente, tais desvios da verdade que deplorar se também no terreno filosófico todos olhassem com a devida reverência ao magistério da Igreja, ao qual compete, por divina instituição, não só custodiar e interpretar o depósito da verdade revelada, mas também vigiar sobre as disciplinas filosóficas para que os dogmas católicos não sofram dano algum da parte das opiniões não corretas." (Pio XII, Humani Generis)". Portanto ao filósofo católico cabe submeter-se as orientações do magistério supremo até em matéria estritamente filosófica. Ou seja: a consciência individual aí deve sujeitar-se aquelas determinações da Igreja no que tange as doutrinas filosóficas que não se ajustam ao dogma. Destas o filósofo católico deve manter distância. Na Humani Generis, PIO XII recorda a obrigação de os pensadores católicos evitarem o existencialismo, o evolucionismo,etc. 

Para compreendermos a visão do Sr Olavo sobre a relação fé e razão devemos, antes de mais nada, entender o que ele diz sobre a filosofia. 

Para o senhor Olavo de Carvalho só a consciência individual é capaz de conhecimento. Para Olavo uma vez que toda expressão social depende de uma expressão individual e interior, e uma vez que esta só se torna possível após uma condensação de significado sob a forma do juízo, este, antes de se tornar proposição – em sentido lógico – dotada de compreensibilidade pública, deve ser afirmado pelo indivíduo de si para si mesmo –  deve passar por um recenseamento socrático do que se sabe e não se sabe para daí seguir-se o processo de extrusão, pelo qual o indivíduo dá forma lingüística e simbolicamente articulável à própria experiência.

O que isso quer dizer? Muito simples: para Olavo o processo do conhecimento - incluído aí o conhecimento da fé - não pode ser transmitido por uma autoridade coletiva - quer dizer por um magistério público como o magistério da Igreja - mas tão só por indivíduos que tenham elaborado a "verdade fática" do cristianismo interiormente para dar a ela forma teórica. A um outro indivíduo que recebesse a teorização da fé em forma de dogma caberia fazer o processo de ligação entre a teoria e os fatos que são a essência mesma da fé; ou seja, não basta para cada fiel receber as fórmulas dogmáticas para terem acesso a fé: eles devem obrigatoriamente reconstituir a "verdade fática" originária em seu interior. Só aí o legítimo entendimento do dogma seria possível. Segundo Olavo o dogma não garante a verdade doutrinal, asim sendo os ensinamentos solenes do magistério nada resolvem, pois toda fórmula, pelo caráter simbólico que tem, pode deslindar para a heresia já que sempre permitiria- segundo o "mestre" Olavo -   diversas interpretações. O magistério, dentro dessa visão, seria incapaz de assegurar a fé. 

É o próprio Olavo quem o diz aqui:

















A noção de uma verdade apenas potencial nos dogmas parece-me proposição condenada: Etiam post fidem conceptam, homo non debet quiescere in dogmatibus religionis, eisque fixe et immobiliter adhaerere, sede semper anxius manere progrediendi ad ulteriorem veritatem, nempe evolvendo in novos sensus, immo et corrigendo id quod credit"(mesmo depois de concebido na fé o homem não deveria repousar nos dogmas da religião)In: Monitore Ecclesiastico, 1925, p. 194; na Documentation catholique, 1925, t. I, pp. 771 ss, e em Praelectiones theologicae naturalis, do P. Descoqs, 1932, t. I, p. 150, e t. II, pp. 287 ss.


Indo agora para a questão da relação fé e razão vejamos o que Olavo diz: 




Pois vejamos: Olavo nega que deva existir uma  subordinação da filosofia a teologia como manda a fé católica. Em segundo lugar a referência de Olavo a teologia como conjunto de "fatos" é , tipicamente, modernismo. A fé não é uma coleção de fatos observáveis, embora ela esteja relacionada a fatos que, outrora, puderam ser vistos. Vejamos o que diz Hugo de São Vítor: " Como pode São Pedro ter tido fé na paixão de Cristo, se ele a viu com seus próprios olhos e a fé é de coisas que não se vêem?...o mérito de São Pedro não foi o de ter visto a paixão de Cristo mas o de ter crido ser Deus aquele homem que viu pendendo da cruz...a fé é sempre de coisas que não se podem ver" (In: Summa Sententiarum, L 1, c. 2, PL 176,45.) 

Ademais Olavo não distingue a revelação da teologia. Para dizermos o mínimo, o que ele fala demonstra uma ignorância indesculpável para um filósofo. Olavo fala de realidade mas que isso tem a ver, diretamente, com a relação entre teologia e filosofia? O cerne dessa relação - de caráter gnosiológico - não tem a ver, diretamente, com o problema do que seja a " realidade" . A filosofia é uma ciência (ou um corpo de ciências) que é, sim, ao menos em suas conclusões, subordinada à teologia, que é uma ciência superior. A expressão ancilla theologiae não tem a ver com o que ele diz. 

A teologia tem um conteúdo. Nesse sentido podemos citar o dogma da divindade de Cristo: Jesus é Deus e homem: isso é uma doutrina revelada. A filosofia afirma a não contradição( uma coisa não pode ser ela mesma e o oposto); aparentemente dizer que Jesus é Deus e homem soa como contradição. O filósofo católico não pode, em nome disso, negar o dogma; antes deve submeter a filosofia ao dogma mostrando como ele não contradiz a razão natural. É disso que se trata a relação fé e razão. 

 A  tese de que o cristianismo é um fato - que poderia ser reconstruído experiencialmente -  ordena-se a diminuir o valor da Doutrina Católica, pois geralmente a contraposição que ela faz não é entre FATO e TEORIA como no caso acima, mas entre FATO e DOUTRINA. Reduzida a importância da Doutrina, reduz-se , por conseqüência, a importância que se deve dar aos erros em matéria doutrinal (especialmente os dele).

A filosofia serve a teologia com suas noções e seus métodos. A união entre as naturezas divina e humana em Jesus Cristo é substancial; nossa união com Deus pela graça é acidental. Substância e acidente são noções pelas quais o pensamento filosófico "serve" a teologia. O problema não tem nada a ver sobre fatos serem superiores a teorizações. 

Assim das duas uma: ou Olavo é ignorante no assunto ou é mal intencionado. Creio que a primeira hipótese é improvável. A tentativa de levar católicos para dentro de uma visão alternativa sobre a relação fé e razão me parece algo muito bem articulado para por os mesmos sob sua esfera de influência intelectual, onde ele possa atuar como supremo mestre até em matéria teológica. Na visão de Olavo a teologia não é senão uma experiência de fatos  religiosos que encontrou sua expressão intelectual. Ao dizê-lo incorre em heresia caso seja católico como diz que é. 

Diante dessas evidências ainda haverá quem diga que Olavo é católico?

terça-feira, 24 de junho de 2014

Missa Sertaneja: falta mais o quê?

A crise da Igreja lança a cada dia mais o catolicismo nos estertores.

A crise é tal que já não é mais possível negá-la a não ser a custa de um auto-suicídio intelectual. Porém esse auto-suicídio é mais comum que se pensa: os fiéis em geral e os clérigos estão em estado avançado de cegueira. Ninguém vê nada ou não quer ver. Cegueira que começa em cima: mesmo o sumo pontífice nada enxerga e acredita que tudo vai muito bem e que a Igreja vive tempos de primavera.

As fotos que vamos aqui exibir se explicam perfeitamente através do artigo recém publicado por Dom Lourenço: http://permanencia.org.br/drupal/node/4627

A Igreja está humanamente morta.







domingo, 18 de maio de 2014

Dom Castro Mayer responde ao Sr. Rafael Vitola sobre apologética!

Recentemente o sr Rafael Vitola Brodbeck - apologeta afamado, que promoveu anos atrás o "selo de ortodoxia"-  afirmou que "apologética não é UFC", querendo dizer que ações como o do Caiafarsa são duras demais e que devemos, portanto, ser mais dóceis na defesa da doutrina. É como se ele dissesse a soldados em uma guerra que diminuíssem os tiros. Levando em conta que os inimigos não diminuem os ataques, reduzir os tiros seria nada mais que suicídio. 

Mas eu não irei responder a alegação do sr Vitola. Deixarei que Dom Castro Mayer citando exemplos da escritura, tradição e magistério esclareça tudo isso. Evidente que excessos devem ser corrigidos: mas entre os excessos de zelo e a amenização dele o segundo caso é bem mais grave. Num tempo de debandada geral ficar preocupado com os "novos zelotas" é dar prova de alienação. O que menos precisamos, nestes tempos de dialoguismos e traições desde o alto, são de apelos a moderação na defesa da fé. 







Resposta católica ao herege Júlio Severo




Júlio Severo, o herege protestante, soltou recentemente essa pérola que exemplifica até onde a doença moral do protestantismo pode levar a mente de um homem:

"Quanto à acusação de que a Reforma foi uma espécie de movimento revolucionário, façam a comparação: você é um homem ou mulher que está buscando a verdade, ou pensa que a achou, mas o sistema não aceita sua liberdade de buscar fora de seu próprio padrão, que é ditatorial. Aliás, por sua adesão a uma verdade fora do sistema você é julgado, torturado e até morto. Pensou que eu falei da União Soviética? Não, embora na União Soviética você sofreria as mesmas coisas. Estou falando da Igreja Católica antes da Reforma. Muitos que, como Martinho Lutero, denunciaram o sistema corrupto e aceitaram Jesus foram mortos. Era um sistema tão ditatorial quanto a União Soviética. Agora, me respondam: quem está mais próximo do movimento revolucionário? Se o protestantismo trouxe o movimento revolucionário, conforme alegam esses tais conservadores do catolicismo moderno, por que todos eles sem exceção adoram ir para os EUA, uma nação fundada não com princípios católicos, mas protestantes? Eles estão se fazendo de bobos ou querendo nos fazer de bobos. Claro que se você apontar tudo isso a eles, vão lhe cobrir de palavrões. A verdade dói."


 



Júlio Severo consegue unir, em si mesmo, dois vícios: é mal intencionado e burro ao mesmo tempo.Primeiro que falar de ditadura em relação a influência da Igreja no século 16 - século da "reforma" de Lutero- é ignorância histórica total. Ditadura é termo que só se aplica a política jamais a religião. 

Em segundo lugar ainda que o termo fosse usado em sentido análogo a Igreja no século 16 já não tinha mais o poder do século 12-13 - e mesmo nessa época já existiam contestações a sua autoridade, cabendo lembrar aqui do caso de Frederico Barba Ruiva da Alemanha-  quando os reis a obedeciam sem titubear. O século 16 - é o tempo de teóricos do poder do estado como Maquiavel -  vê tomar forma a razão de estado sem a qual a "reforma" seria impossível. Foi graças a ela que Lutero pode fugir de ser preso ou morto como ele diz. Foi graças a proteção dos príncipes alemães que Lutero pode estabelecer a "reforma". Com isso a religião passou a estar dependente do Estado. 

Vide o Anglicanismo que, rompendo com a tradição de divisão dos poderes políticos e religiosos une na mesma mão - do rei - o poder espiritual e o gládio político-militar. Ora as revoluções operam concentrando todo o poder na mão do Estado e eliminando as funções sociais dos poderes intermédios. Quem iniciou esse processo senão Lutero? Quem realmente servia ao sistema era Lutero que não foi capaz de opor resistência a laicização da política, muito pelo contrário deu um contributo decisivo a isso. A "reforma" não seria possível sem a relação direta de Lutero com os interesses da nobreza alemã e de Calvino com a burguesia, ambas desejosas de se verem livres dos limites morais impostos pela moral católica. Para a nobreza alemã falida era preciso se livrar da tutela do Papa e açambarcar as terras da Igreja para recuperar seu status feudal. Sobre a burguesia pesava a proibição da usura e as invectivas católicas contra a ganância. Ambas se orientaram para o protestantismo por conta da necessidade de uma religião que atendesse seus impulsos vitais. Quanto a biografia de Lutero, ela não permite afirmar essa visão heróica que o Severo - burramente - propaga. As recentes pesquisas historiográficas mostram um Lutero complexo, contraditório, entrecortado por culpa sexual, dificuldades vocacionais, influências do gnosticismo, alucinações diabólicas, fixações apocalípticas, verborragia doentia, repúdio a relação entre fé e razão( o que faz de Lutero um moderno em todos os sentidos. Não foi a toa que nos países protestantes prosperaram as filosofias que tentaram fundamentar a total separação entre a reflexão teológica e a ciência, contribuindo para a exclusão do cristianismo da esfera pública, meta de todas as revoluções) relativismo moral - cabe lembrar sua relação com Felipe de Hesse a quem autorizou a bigamia - recorrência mental  dos temores do século 14-15,etc. Lutero a bem dizer teve todo o direito de expor e defender suas teses.A Lutero de 1517 a 1521 lhe foram dadas todas as chances de se defender das acusações de heresia. O Papa só o condenou depois de 4 anos de paciente diálogo. Essa acusação do Júlio não resiste a meia hora de análise dos fatos. 

Ao Júlio Severo recomendamos a leitura de obras essenciais da historiografia sobre a Reforma como a de Jean Delumeau que é, de tantas existentes, a mais completa por trazer todo o debate historiográfico sobre o assunto. A visão de Júlio Severo faz parte da mitologia protestante usada para justificar a "reforma" embelezando os fatos ou os distorcendo radicalmente a fim de que se encaixem num apriori. Querer historiografar o sentido da "reforma" partindo da visão que os "reformadores" tinham de si mesmos como apóstolos da verdade é piada. Ler a história acreditando piamente no depoimento de seus atores é típico de crianças ingênuas ou de ignorantes incapazes de abordar a realidade com espírito analítico. A dispensa apriorística do exame das fontes e das visões sobre a reforma por parte do Júlio não se enquadra no caso de ingenuidade - a malícia dele deixa claro isso- mas de ignorância somada a falta de vontade de estudar a fundo o assunto para continuar no mundo da fantasia protestante onde vive. 

terça-feira, 13 de maio de 2014

Evangélicos a serviço do dinheiro!

POLÍCIA FEDERAL NA COLA DE PARLAMENTARES PROTESTANTES

História que se repete todo dia. Mas o rebanho protestante não consegue enxergar os fatos, preferindo alienar-se com os "louvores" enquanto a liderança tira até o tutano de seus ossos. 


Mais uma vez fica claro qual o "deus' a que a canalha protestante no congresso serve. E não é ao Deus da Bíblia mas sim ao ídolo chamado Mamon, o "deus" do dinheiro.

Nomes como Eduardo Cunha (PMDB-RJ, Filho do Dono da Rádio Melodia-RJ)

Marcelo Aguiar (DEM-SP), Benedita da Silva (PT-RJ),

Magno Malta (PR-ES),

Marcelo Crivella (PRB-RJ CANDIDATO A GOVERNADOR NO RIO),

Walter Pinheiro (PT-BA), entre outros.

Parlamentares da bancada evangélica integram uma lista de beneficiados por empresas fornecedoras da petroleira que estão sendo investigadas pela Polícia Federal.

De acordo com a revista Veja, a Polícia Federal descobriu que os “grupos empresariais ambicionavam estabelecer relações com um espectro amplo de partidos e políticos” e que “um em cada cinco deputados e um em cada três senadores eleitos receberam alguma doação oficialmente das empresas” ligadas de alguma forma ao esquema de corrupção do doleiro Alberto Yousef ou ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

O deputado evangélico Eduardo Cunha aparece como recebedor de R$ 500 mil em doações do grupo de empresas.

Já o cantor gospel Marcelo Aguiar recebeu R$ 100 mil, enquanto Benedita da Silva, R$ 3 mil.

A deputada Bruna Furlan (PSDB-SP), ligada à Congregação Cristã no Brasil e filha do ex-prefeito de Barueri, aparece como beneficiada das empresas em R$ 400 mil.

O senador Magno Malta, postulante à presidência da República, teria recebido R$ 200 mil em doações, assim como seu colega Walter Pinheiro.

O pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, bispo Marcelo Crivella, teria recebido R$ 100 mil.

O Congresso tem dado andamento à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os fatos em torno do esquema, mas há quem se preocupe com a eficácia das investigações, uma vez que boa parte dos membros da Câmara e do Senado estão envolvidos de alguma forma.

Dom Rifan explica os limites da obediência às autoridades!

                                                              Verdade X Autoridade




Nosso Senhor fundou uma Igreja hierárquica, com Papa e Bispos 
a quem se deve obedecer. Esses hierarcas não são donos ou 
proprietários da Igreja. São administradores; e o que deles a Igreja 
exige é que sejam fiéis transmissores (Concílio Vaticano I – Denz. 
3070). Seu poder é grande, mas não absoluto ou sem limites. E o 
fiel pode muito bem usar do direito – e da obrigação – de 
comparação entre o que se lhe ensina hoje e o que foi sempre 
ensinado; conforme proclama o Apóstolo São Paulo: “Mas, ainda 
que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie um Evangelho 
diferente daquele que vos tenho anunciado, seja anátema” (Gal. 1, 
8). A Igreja quando manda obedecer não o faz incondicionalmente, 
mas dá ao fiel o direito de analisar, comparar e resistir, se for 
preciso, como o disse e fez São Paulo com relação a São Pedro, 
primeiro Papa (Cfr. Gal. 2, 11-14 e Suma Teológica II-II, q. 33, a. 
IV). 

Quando os tempos são normais e as autoridades nos transmitem a 
verdadeira doutrina tradicional, não há porque não obedecer, como 
o fizeram os santos de tais épocas. Mas se não, eles sabiam resistir e 
arrostar todas as pressões, arbitrariedades e abusos de poder. 
O célebre hagiógrafo católico Dom Guéranger assim resume esta 
posição, comentando a resistência oposta pelos fiéis às autoridades 
que patrocinaram o erro, no tempo da heresia do Bispo Nestório: 
“Quando o pastor se transforma em lobo, é ao rebanho que, em 
primeiro lugar, cabe defender-se. Normalmente, sem dúvida, a 
doutrina desce dos Bispos para o povo fiel, e os súditos, no domínio 
da Fé, não devem julgar seus chefes. Mas há, no tesouro da 
revelação, pontos essenciais, que todo cristão, em vista de seu 
próprio título de cristão, necessariamente conhece e 
obrigatoriamente há de defender. O princípio não muda, quer se 
trate de crença ou procedimento, de moral ou de dogma. (...) Os 
verdadeiros fiéis são os homens que extraem de seu Batismo, em  
tais circunstâncias, a inspiração de uma linha de conduta; não os 
pusilânimes que, sob pretexto especioso de submissão aos poderes 
estabelecidos, esperam, para afugentar o inimigo, ou para se opor 
a suas empresas, um programa, que não é necessário, que não lhes 
deve ser dado” (L’Année Liturgique, p. 340 ss). 

Evidentemente, viver em tempos de crise, como os que nós 
vivemos, é muito penoso e exige-se então, de cada um, verdadeiro 
heroísmo. É muito fácil defender causas já vitoriosas. O difícil é 
trabalhar arduamente pela vitória de uma causa justa. É muito fácil 
ser o corajoso adepto de uma verdade já vencedora. O difícil é 
aderir à vontade quando ela está perseguida e humilhada. É mais 
cômodo juntar-se às fileiras do exército vencedor. É mais agradável 
seguir a maioria, estar bem com quem está no poder. Mas é 
tremendamente incômodo lutar pela verdade quando até as 
autoridades patrocinam a causa contrária e favorecem o erro. 
Hoje, quando a história já deu ganho de causa a Jesus Cristo, 
contra Anás e Caifás, não há quem julgue que, se vivesse naquele 
tempo, teria sido um fiel discípulo do Salvador e jamais teria 
tomado o partido de Caifás. Mas, teriam esses mesmos coragem de 
enfrentar as autoridades oficiais da religião verdadeira de então? 
Caifás era o Sumo Pontífice, cercado de outros representantes 
oficiais do poder de Deus. E nós vemos pelo Evangelho a "pressão" 
que essas autoridades faziam sobre os que queriam seguir a Jesus. 
São João no seu Evangelho (9, 22) narra aquela passagem dos pais 
do cego curado por Cristo negando-se a confessar o milagre porque 
os judeus tinham decidido expulsar quem aderisse a Jesus. É difícil 
ficar com a verdade até contra a autoridade. Por isso Jesus ficou 
com bem poucos amigos, porque a maioria não suportou a pressão e 
o peso da autoridade religiosa e preferiu ficar do lado do Sumo 
Pontífice Caifás e condenar a Jesus como impostor, ladrão e 
agitador do povo. 

Hoje, séculos depois, quando vemos na História da Igreja (Cfr. 
Denz.-Sch. 561 e 563) que o Papa Honório I favoreceu a heresia e 
por isso foi condenado pelo seu sucessor Papa São Leão II e pelo VI 
Concílio Ecumênico por estar em desacordo com a tradição da  
Igreja, fica fácil dizer que nós, naquele tempo, também estaríamos 
do lado de São Máximo e São Sofrônio, que resistiram ao Papa e 
foram canonizados, isto é, colocados pela Igreja como modelo de 
fidelidade para todos os cristãos. Mas se defendêssemos o "dogma" 
da obediência incondicional ao Papa, como muitos hoje o fazem, 
estaríamos sim do lado dos hereges. 

Assim também no confronto entre o Papa Libério e Santo 
Atanásio, este, defensor da ortodoxia e por isso expulso de sua 
igreja, e aquele, o Papa, que assinou uma fórmula ambígua e 
heretizante, ao sabor dos hereges e excomungou Atanásio porque 
este se recusava acompanhá-lo na sua defecção. O Papa Libério 
então, em nome da paz e da concórdia, declarou-se em união com 
todos os Bispos, inclusive os semi-arianos, menos com Atanásio, ao 
qual proclamou alheio à sua comunhão e à comunhão da Igreja 
Romana (Cfr. Denz.-Sch. 138). Santo Atanásio, por defender a sã 
doutrina, foi condenado como perturbador da comunhão eclesial! 
Hoje, depois que a Igreja canonizou Santo Atanásio como ínclito 
defensor da Fé e da Tradição, fica fácil dizer que estavam certos 
aqueles poucos que ficaram ao lado do Santo e foram expulsos das 
igrejas oficiais, sendo obrigados a se reunirem nos desertos debaixo 
de sol e chuva, mas conservando a fé intacta e respondendo aos 
hereges: vocês têm os templos, nós temos a Fé! (Cfr. São Basílio, 
ep. 242, apud Cardeal Newman - Arians of the Fourth Century, 
apêndice V). Mas, como ficariam, se vivessem naquele tempo, 
aqueles que põem na obediência o seu universo mental? 

Evidentemente do lado mais fácil e cômodo da autoridade, e da 
heresia por ela favorecida. 

Hoje, a história da Revolução Francesa nos ensina quão covardes 
foram aqueles padres e bispos que, para conservarem as suas igrejas 
e seus cargos, aceitaram um compromisso com os dominantes e 
fizeram o juramento revolucionário, e quão heróicos foram aqueles 
sacerdotes que a isso se recusaram e foram expulsos, tendo que 
atender ao povo fiel nos paióis, escondidos e perseguidos. 
De nossa parte, temos a plena convicção de que o melhor serviço 
que podemos prestar à Igreja, ao Papa, ao Bispo e ao povo cristão é  
defendermos a tradição, a doutrina que a Igreja sempre ensinou, 
mesmo à custa de sermos perseguidos, injuriados e até expulsos das 
igrejas. Podem nos tirar os templos, mas jamais a nossa Fé! Assim o 
dizemos, confiados unicamente na Graça de Deus. 
A história nos dará razão! E, mais do que o tribunal da história, o 
tribunal de Deus, para o qual apelamos! Que Nossa Senhora nos dê coragem e perseverança.

Fonte: Rifan, Pe Fernando Arêas. Quer agrade, quer desagrade. Páginas 46 a 49.