sábado, 7 de março de 2015

Erros de Pe. Paulo Ricardo sobre o capitalismo!




Nosso objetivo, neste simples artigo, é analisar o que o Pe. Paulo Ricardo, padre neoconservador próximo da olavosfera, anda dizendo sobre a natureza do capitalismo. Com isso não queremos desmerecer o que de bom ele fez e faz mas sim dar a cada coisa que diz seu peso:  o que é bom deve ser elogiado e o que é mau combatido. 

Apresentamos as principais proposições dele, expostas no vídeo recente (Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=xQFyp6rOHp8)  buscaremos refutar as mesmas, uma a uma, quando se mostrarem errôneas:

(Obs: em negrito as falas do padre; abaixo nossa resposta)

Pe. Paulo aduz, a respeito do capitalismo, que: 

1- Foram os bancos centrais independentes do governo que permitiram a revolução industrial. 

Falso: a revolução industrial foi um fenômeno complexo que não dependeu exclusivamente dos bancos centrais que, a bem dizer, nem existiam no século 18 quando ela começou. Os fatores decisivos para o desencadear da mesma foi o acúmulo de capital pelos ingleses ao longo do século 17 por via do comércio naval, o espírito inventivo dos mesmos, a revolução newtoniana que trouxe uma série de novos saberes sobre a física e a mecânica permitido a criação de máquinas e os cercamentos que liberaram a mão de obra dos camponeses para os serviços urbanos. Os primeiros industriais não precisavam de grana emprestada pois foi justamente o fato de que eles eram capitalizados o que permitiu o salto industrial que exigia investir numa nova forma de produzir, coisa possível apenas a quem tivesse capital de sobra para correr riscos: no século 18 o produtor era ao mesmo tempo comerciante e já trazia um capital inicial conquistado por via mercantil. É claro que, depois, o capital necessário para  dar continuidade ao processo de revolução nas técnicas de produção se aumentará em razão da ampliação do mercado. Mas isso é efeito e não causa da revolução industrial. 

2- Nos Bancos Centrais acionavam a máquina de fazer grana e emprestavam a quem estivesse produzindo uma locomotiva; aquela grana emprestada resultava numa riqueza 10 vezes maior depois de aplicada, pois com a locomotiva se gerava renda.

Sim, verdade mas no tocante ao contexto do século 19 que é quando nascem os Bancos Centrais; esse processo, todavia, concentrou a riqueza no setor de capital via juros. O setor bancário, graças a tal operação, ficava com a maior parte do "bolo" sem ter produzido nada de efetivo.

Pe. Paulo aqui pratica a mais descarada desinformação sobre o papel dos bancos no capitalismo. Sua fala legitima suas atividades. Nada diz o padre sobre a máfia judaica que, nos albores do século 19, se apossou das maiores casas bancárias, através da concentração de capital nesses mesmos bancos centrais e alguns bancos privados que atuavam, na prática, como bancos centrais. A quem ele serve com isso? Creio que não preciso dizer. 

3- Emprestar grana não gera inflação; só quando o empréstimo é feito ao estado pois o estado não produz riqueza mas só despesa. 

O Estado produz moeda que é a principal fonte de riqueza no capitalismo. Os bancos emprestam a moeda emitida pelo Estado.  Ademais se o Estado tiver empresas então vai gerar riqueza. O que gera inflação não é empréstimo ao estado mas dissonância entre quantidade de moeda e mercadorias. A retórico do Padre em tela é a reprodução vulgar dos preconceitos e falsificações da Escola Austríaca de Economia, que o seu guru, Olavo de Carvalho, preconiza, Escola essa que tem em Mises, que acusa a Igreja de ser uma instituição que atrasou o progresso da humanidade, um dos seus principais representantes.

4- O sistema bancário foi uma invenção genial que na revolução industrial começou a produzir uma riqueza fantástica. 

Padre Paulo tem um claro objetivo: legitimar a máfia judia-liberal que mantém os povos sob a dominação do vil metal, Não que o dinheiro em si seja um mal (ele é um instrumento e se torna mau se o uso dado for mau) mas o sistema bancário atual é usurário, prática condenada pela Igreja. Já no Mercantilismo os bancos deixaram de ser depósitos de dinheiro para virarem instituições de financiamento do comércio através do juros, o que permitia o surgimento duma classe de investidores que viviam apenas do seu rendimento sem precisar produzir, uma casta de parasitas que vivem de juros. 

5- Aí a sociedade começou a ficar obcecada por grana e os liberais são a raiz do erro de considerar a economia como a base da sociedade. 

Nisto o Padre acerta mas deixa de nomear a causa: a operação da máfia liberal em transformar a moeda e o trabalho em produto regido pela lei de oferta e procura.  Como seria possível existir capitalismo sem isso? E como seria possível num sistema desses as pessoas não ficarem obcecadas por grana se dela passava a depender tudo? Basta lembrar o contexto pré industrial onde as pessoas ainda podiam trocar produtos por serviços e produtos por outros produtosAntes do capitalismo a terra não podia ser vendida mas apenas herdada ou arrendada, compartilhada, etc; o trabalho não era medido em um valor monetário chamado salário; era possível, por exemplo, viver sem dinheiro, produzindo numa terra e trocando o excedente da sua produção no mercado local por outros produtos; era possível empregar o trabalho sem remunerar com moeda. Depois, com a superconcentração do capital monetário nos bancos depois do começo da era industrial essa tendência a acumulação sem limites se consolidou. Mas segundo o Padre Paulo o sistema bancário foi uma invenção genial. Certamente, mas para quem? 

6- É costume associar os EUA ao capitalismo mas quando ela nasceu ela não foi fundada na obsessão por grana. Os EUA não foram fundados numa realidade que é a economia mas sim nas virtudes cívicas baseadas na obra de Montesquieu. Os EUA eram uma nação agrária em 1776. As instituições dos EUA permitiam que, com suas leis, eles conseguissem promover a virtude. Os protestantes praticavam a virtude, os EUA eram um país cristão. Se tivéssemos isso aqui no Brasil já estaria bom . Mas os EUA não criaram instituições que permitiram a educação das massas nas virtudes cívicas. 

As treze colônias - que depois se tornaram os EUA - só foram viabilizadas pelo espírito calvinista que enxergava prosperidade como graça divina. Foi com base nesse espírito que cresceu o comércio triangular feito pelos colonos do norte: os mesmos negociavam desde escravos, bebidas (rum sobretudo) e tabaco, do qual os calvinistas não podiam fazer uso em razão de seu estrito puritanismo. Ora, puritanos que vendem bebidas e tabaco, produtos que consideram pecado seu uso, não poderiam estar a fazer isso por razões morais mas tão só por interesse capitalista. Não saber disso é o cúmulo da ignorância histórica ou, quem sabe, desinformação pensada. Depois a independência dos EUA teve como uma das motivações centrais a revolta contra as "leis intoleráveis" assim chamadas pois impostas pela coroa britânica no sentido de cobrar impostos sobre o chá, o açúcar, os jornais, etc. Em resumo: a motivação básica da independência foi dinheiro. Os colonos começaram a pagar altos impostos e se rebelaram contra o rei.  

Que "virtudes cívicas" fundaram os EUA sabemos: as mesmas que fizeram  a revolução francesa e que alijaram a Igreja do espaço público, marginalizando a ordem da graça no que tange a organização política da sociedade ocidental. Tais virtudes cívicas nada mais são que o naturalismo político, avesso a fé e postuladora da laicidade. 

Em 1776 os EUA não eram uma nação mas estavam, ainda, na luta pela independência. E agrário era o sul, o norte era urbano e comercial. 

Não foi Montesquieu o inspirador da revolução americana mas Locke que via o direito natural como algo imanente, ligado ao estado de natureza, onde o homem vivia livre de leis (sejam de que tipo fossem). Para Locke a melhor sociedade seria onde houvesse menos leis e onde o indivíduo pudesse usar sua propriedade da maneira mais desimpedida possível. A noção de direito natural de Locke, não depende da idéia de natureza moral do homem; para Locke a lei natural não deve ser regulada por uma lei eterna, como em Santo Tomás. Para Locke o direito natural está ligado tão só a vontade individual.  Não a toa o mesmo Locke entendia que o direito de propriedade era regulado tão só pela razão individual, sendo portanto, absoluto: eis aí o ethos dos USA. 

7- Padre Paulo descola a virtude protestante do espírito do capitalismo. Nos EUA havia virtudes, na Inglaterra não mas tão só obsessão pelo vil metal. 

Quer dizer, Padre Paulo faz uma concessão: a Inglaterra se tornava, cada vez mais uma sociedade materialista. Os EUA, ao contrário, preservavam a tradição, a virtude, etc.  A tentativa de salvar os EUA é clara: visa dar apoio - ainda que tácito - a civilização americana -profundamente maçônica em suas bases ideológicas,e atrair os católicos incautos para que façam o mesmo.  Não nos admiremos: Padre Paulo é discípulo do guru americanista Olavo de Carvalho. 

8- O cristianismo não tem receita política-econômica; no islão tem isso, existem leis a serem aplicadas; já o cristianismo não: ele tem uma palavra mas que deixa as pessoas livres para construir uma civilização; não existem fórmulas prontas para implantar um civilização cristã. 

O cristianismo tem leis: os mandamentos. Claro que não tem uma constituição civil, mas nem o Islão tem: o que acontece é que o Islão não distingue religião de sociedade ou estado. Assim sendo, ele aplica as mesmas leis da religião à sociedade. O dito "o cristianismo não tem fórmulas prontas" é uma meia verdade pois embora não tenhamos uma lei civil temos princípios que podem iluminar a construção de uma: foi com base nisso que na idade média surgiu a cristandade ou sociedade cristã; nesta é preciso que os mandamentos sejam transplantados em fórmulas sociais; o cristão não é indiferente a organização social de um povo ou estado: se ela afeta tais mandamentos devemos condená-la. É o caso do capitalismo. 

9- A base da sociedade para a Igreja não é a economia nem as virtudes cívicas mas a família. Quando você junta famílias o que nasce desse organismo tem a mesma cara da família. Então a base da sociedade não são as virtudes cívicas mas as virtudes humanas. 

Novamente Padre Paulo, instado pelo naturalismo político, fala só de virtudes humanas, esquecendo que na ordem social cristã deve existir uma combinação entre ordem natural e ordem da graça. Ele enfoca apenas a ordem natural e esquece da ordem da graça, como todo bom naturalista. Por outro lado Santo Agostinho diz que a reunião das famílias é que gera a Cidade, a Urbe, que é uma realidade bem diferente da família pois o direito que a rege é privado, já o direito que rege a Urbe é público. Outrossim, antes do capitalismo o sistema de produção era familiar, de modo que economia e família eram faces da mesma moeda: aliás o termo "economia" que nasceu na Grécia Antiga significa arte de administrar o Oikos, a casa. 

10 - Santo Tomás sobre as leis humanas: está presente no homem naturalmente uma certa aptidão para a virtude mas quem não segue as virtudes precisa de leis. Como humanizar as pessoas na virtude, uma educação, uma disciplina? A pessoa precisa de aprendizado. 

Mais uma vez ele esquece da graça. Fala de educação só em termos naturais. E quem vai educar para ele é o guru Olavo: ou seja, a solução para a questão social e política segundo o padre é só de ordem cultural. 

11- O projeto da Igreja não é construir sociedades baseadas na economia, mas sim nas virtudes, no amor. A política de Montesquieu visa o bem comum. É preciso criar na sociedade meios e instituições que promovam a virtude; isso só uma profunda evangelização (nova evangelização????) 

O sacerdote não especifica de que tipo de amor está falando mas podemos deduzir que seja do amor natural. Segundo o padre Paulo basta educar as pessoas com...Montesquieu (Pasmem)! Isso criará o bem comum e virtude, obviamente, virtude meramente natural. Novamente ele ignora a ordem da graça na constituição política da cidade cristã. Aliás padre Paulo ignora o tema da cidade cristã. Para ele foi tempo em que era pertinente falar disso: seu enfoque é a cidade laical moderna. 

12- Essa realidade das virtudes cívicas já é uma deterioração em relação a Santo Tomás e Aristóteles

Padre Paulo aqui parece revalorizar a ideia de lei natural no sentido clássico, pois virtude cívica é cidadania política apenas. 

13- O socialismo não pode ser corrigido; o capitalismo pode a Igreja recusou nele o individualismo e o primado do capital e da lei do mercado sobre o trabalho humano (ora isso é a essência mesma do capitalismo é o seu traço definidor). Então é preciso regular o mercado com base na justa hierarquia dos valores fundados no bem comum

Padre Paulo mais uma vez ignora a realidade do capitalismo: se a Igreja rejeitou, no capitalismo, o primado do capital, o individualismo e a lei de mercado impondo-se ao trabalho humano, então rejeitou o capitalismo: restaria o que do capitalismo sem esses três pilares? Apenas a divisão do sistema produtivo num pólo do capital e num pólo do trabalho, restaria o capitalismo como sistema produtivo mas sem sua filosofia e sem seu sistema de mercado livre baseado na mão invisível onde o preço dos salários e coisas não pode ser regulado pelo valor justo e sim apenas pela oferta/procura.  Acontece que se a Igreja vê no capitalismo alguns elementos de lei natural ainda de pé, enquanto no comunismo a lei natural é completamente destroçada e abandonada, isso não faz dele em si mesmo algo corrigível - o mau é o mal mesmo quando mal menor e só pode ser corrigido se eliminado. Enquanto primado do capital em que o empregado é visto como peça da engrenagem econômica tendo um valor financeiro expresso pelo salário - a pessoa vale o que o mercado determina que vale - o capitalismo é incorrigível. Se alguém liberta o trabalho humano de lei de oferta e procura o capitalismo como sistema de trocas acaba, já que a prática de usura e lucro irrestrito seria inviável. O salário não podendo ser mais expresso em termos de lei de oferta e procura, ficaria livre dos caprichos do capital: assim todo o sistema econômico teria que ser modificado radicalmente, não restando aí, possibilidade de estabelecer a paga pelo trabalho com base no mercado, logo em estabelecer a paga com base em critérios capitalistas. Nem mesmo a noção de propriedade do capitalismo se salva pois absoluta devendo ser a mesma limitada no seu uso o qual deve ser conforme o bem comum.



14- A Igreja opta pelo capitalismo? Não mas uma certa economia de mercado é necessária.

Padre Paulo age como um sofista ou um dialético aqui: não opta mas opta quando reconhece que certa economia de mercado é necessária. Padre Paulo sabe que não pode dizer que a Igreja opta mas gostaria que tivesse optado: aí faz um jogo de palavras para dizer que, embora não opte, não tem opção: ou é economia de mercado ou comunismo. Mas lembremos que economia de mercado é onde o salário e o preço é definido, apenas, por critérios econômicos, é a separação da economia e da moral, a perda de horizonte do preço justo. 

15 - Por fim ele cita a fala de João Paulo II sobre o capitalismo: 

“Voltando agora à questão inicial, pode-se porventura dizer que, após a falência do comunismo, o sistema social vencedor é o capitalismo e que para ele se devem encaminhar os esforços dos Países que procuram reconstruir as suas economias e a sua sociedade? É, porventura, este o modelo que se deve propor aos Países do Terceiro Mundo, que procuram a estrada do verdadeiro progresso econômico e civil? A resposta apresenta-se obviamente complexa. Se por ‘capitalismo’ se indica um sistema econômico que reconhece o papel fundamental e positivo da empresa, do mercado, da propriedade privada e da consequente responsabilidade pelos meios de produção, da livre criatividade humana no setor da economia, a resposta é certamente positiva, embora talvez fosse mais apropriado falar de ‘economia de empresa’, ou de ‘economia de mercado’( , ou simplesmente de ‘economia livre’( livre de que??? leis que a regulem de algum modo???). Mas se por ‘capitalismo’ se entende um sistema onde a liberdade no setor da economia não está enquadrada num sólido contexto jurídico que a coloque ao serviço da liberdade humana integral e a considere como uma particular dimensão desta liberdade, cujo centro seja ético e religioso, então a resposta é sem dúvida negativa.” 

A questão levantada por João Paulo II é interessante: Pe. Paulo, espertamente, cita a encíclica de João Paulo II fora de seu devido contexto. 

Vejamos: 

Primeiro se a liberdade de mercado significa "liberdade de empresa"( ou seja, liberdade de produzir e vender sem intromissão direta do estado) ela é legítima. Mas o que é concretamente a liberdade de mercado, senão a sujeição dos fatores econômicos, somente, à lei da oferta e procura? Ela vai além, portanto da simples liberdade de empresa: é a liberdade de regular o preço final do produto ou serviço por critérios materialistas. 


O Papa considera, então, apenas a liberdade de empresa algo legítimo - e mesmo assim não em si mesma - e ele deixa claro isso ao fazer a seguinte ressalva: só se ela estiver dentro de um quadro ético que leve em conta a liberdade integral do homem (o que implica na ordem da natureza e na ordem da graça pois o homem é um ser que, integralmente, tem Deus como fim).

Ora, porventura o capitalismo é um sistema que coloca no centro da atividade econômica um eixo ético e religioso? Não, é claro. Ainda mais agora onde, no capitalismo do século 21, a regra básica é o superconsumo, ou seja, a ética do "curta a vida" do goze a todo custo. 

Em suma, o raciocínio do Papa é claro: a liberdade da empresa - de produzir sem intromissão direta do estado- é legítima se existe dentro de um quadro ético onde a liberdade plena do homem seja respeitada. O papa não legitima a lei máxima do capital mas deixa claro que a liberdade de vender algo que eu produzo é justa desde que eu seja ético nas relações que embasam essa produção e sua venda: ele defende a noção de direito a propriedade (que é de lei natural e não algo em si mesmo capitalista, embora o modo de usufruir da mesma no capitalismo seja contrário a lei natural)  mas não a lei férrea da oferta e procura, de caráter puramente material, lei que não leva em conta aspectos morais na ação econômica e na consideração do preço. 

Por fim, podemos dizer que o vídeo do referido padre é uma grande decepção: apesar de ele fazer ressalvas ao capitalismo, o tom geral é de considerá-lo mais positivo que negativo, resultando mais, ao que nos parece, como uma tentativa de americanizar a mentalidade dos católicos brasileiros na mesma via daquilo que vem sendo tentado pelo guru Olavo de Carvalho. 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O carnaval "santo" da Canção Nova!




Anos atrás eu mesmo estive nos ditos retiros da Canção Nova. O útlimo em que fui foi em 2009. Recordo-me que então eu já não possuía mais paciência para certas coisas que via por lá: meninas luxiriosas a trocar olhares indevidos com rapazes sem nada na cabeça, além da esperança de pegar alguém. gente orando em línguas debaixo do chuveiro, clima sentimentalóide, palmas até para obviedades, missas que mais pareciam programas de auditório, etc. Incomodava-me, sobremaneira, como os retirantes assistiam as missas diárias: uma multidão refastelada em colchonetes espalhados pelas arquibancadas do "rincão do meu Senhor", de bermudas, shorts curtos e chinelos como se na praia estivessem. Banheiros lotados e sem privacidade onde moleques circulavam nus a vista exterior facilitada pela ausência de portas...moçoilas assanhadas que puxavam rapazotes para dançar o forró de Jesus ao som do DDD( Doidin de Deus) na base de encoxadas que deixariam até o capeta sem graça.  

Depois desta última experiência percebi que a CN havia se perdido de vez. Outrora, apesar de tudo isso até existir - em grau bem menor -  alguns padres faziam valer a ida pois puxavam a orelha dos foliões de Cristo com broncas históricas( Recordo-me de uma em 2005 dada pelo Pe José Augusto quanto aos perigos da música eletrônica...um dia antes a CN havia feito uma balada eletro-cristã no rincão que motivou a reprimenda feita pelo Padre); ademais, os músicos convidados outrora, não eram coisas como Jake ou pagodeiros "católicos" mas gente que, embora usasse ritmação pop, tinha alguma preocupação em dar uma espiritualizada nas letras e na harmonia sem deixar a coisa cair no oba oba do axé music.

Agora o acampamento de carnaval da CN faz a seguinte divulgação de sua "folia cristã": 

"A Canção Nova em Cachoeira Paulista (SP) realiza de 13 a 17 de fevereiro de 2015 o Acampamento de Carnaval Vem Louvar com o tema “Para que a vossa alegria seja completa" (Jo 16,24). Para valorizar a alegria e a felicidade em Deus, o evento terá shows nos mais variados estilos de música, como samba, axé, reggae, forró e sertanejo.

O bloco do Jovens Sarados, de Cachoeira Paulista, sai no domingo (15) e na segunda (16) cantando e batucando pela sede da Canção Nova a partir das 12h30. Nas madrugadas de sábado à terça haverá luau com o missionário e saxofonista Brais Oss, às 1h30.

O grupo ForróNaré da comunidade Canção Nova faz show às 12h30 no sábado. No ritmo do Axé acontece o show com cantora católica Jake Trevizan no domingo (15) às 23h no Rincão do Meu Senhor. E ainda terá show com Kyrios Reggae, DDD, Cosme, Fernanda Silva, Banda Dominus, Dunga, entre outros.

As missas acontecem todos os dias no Centro de Evangelização, às 16h. Terminado o Acampamento de Carnaval, a missa de Cinzas, na quarta-feira de Cinzas (18), será às 7h, presidida por padre Arlon Cristian da Canção Nova. São esperadas mais de 40 mil pessoas para este Acampamento.

SERVIÇO
Acampamento de Carnaval Vem Louvar com tema: “Para que a vossa alegria seja completa"
Dias: 13 a 17 de fevereiro de 2015.
Local: Centro de Evangelização - Canção Nova
Endereço: Av. João Paulo II, s/n, Alto da Bela Vista - Cachoeira Paulista (SP)
Missas: diárias às 16h.

Bloco Jovens Sarados: domingo (15) e segunda (16) às 12h30."

Só ficou falando desfile de escola de samba. Quem sabe no ano que vem? 

Para quem gosta de carnaval ir a Canção Nova é uma boa pedida. Já os que querem fazer retiro deveriam procurar outro lugar. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Deus segundo Olavo: gnose reeditada!




Os modelos  filosóficos de Olavo são, todos eles, problemáticos. Alguns estão muito afastados do espírito católico e os únicos dois que estão mais próximos - Lonergam e Zubiri - tem doutrinas suspeitas. Lonergan nega que a existência de Deus possa ser afirmada a partir da existência do mundo, indo contra a escritura, além de afirmar que em nós se dá uma experiência do divino, doutrina condenada na Pascendi de São PIO X, papa, e Zubiri  foi excomungado por
heresia. É preciso dizer algo mais?
Introdução

Segundo São Tomás de Aquino nosso conhecimento natural de Deus se dá por via demonstrativa. 
Não podemos saber sobre Deus através de evidências: Deus não se evidência, pela simples razão de que evidenciar-se é mostrar-se aos sentidos.  Por exemplo: é evidente que estamos vivos. Não é preciso demonstrá-lo. Estamos presenciando nossa vida. 

Como a evidência implica na presença imediata do objeto é impossível que, em termos naturais, Deus se faça presença, na medida em que não se faz evidente a nossos sentidos. Deus só poderia fazer-se presente - em sentido estrito - se por um milagre se evidenciasse a alguém, o que, obviamente, não poderia ser uma via natural para saber sobre sua existência, já que milagres são sobrenaturais. São Tomás indica que existem cinco vias demonstrativas que provam a existência de Deus. Não é preciso insistir nas mesmas já que existem ótimas obras que abordam a questão. As cinco vias podem ser, todavia, conectadas àquilo que Blaise Pascal fala em sua obra quando diz que "Deus quis esconder-se...se não existisse obscuridade o homem não sentiria sua corrupção. Se não houvesse luz, o homem não esperaria remédio. É, pois, útil a nós que Deus esteja em parte escondido e em parte descoberto"( número 585 e 586 dos Pensamentos). Em suma: o conhecimento natural de Deus exige um grau de esforço em que nossa mente, partindo dos efeitos observados na realidade, consiga, por meio de abstrações, atingir a causa primária. Logo devemos inferir que não existe nenhum outro modo de chegar ao saber natural de Deus que não seja pela via demonstrativa. Sendo Deus espírito, não se apresenta a nossos olhos, mas somente como objeto a nossa inteligência que vê mesmo na obscuridade dos sentidos: "Vere tu es Deus absconditus" (Isaías 14, 15).

Entretanto não é isso que diz aquele que é considerado o maior filósofo  católico vivo da atualidade - isso segundo alguns. O sr. Olavo de Carvalho alega em seu artigo " o deus dos palpiteiros"( artigo de 2009, logo posterior a sua pretensa conversão) que " Se há um Deus onipotente, onisciente e onipresente, é óbvio que não podemos conhecê-Lo como objeto, ou mesmo como sujeito externo, mas apenas como fundamento ativo da nossa própria autoconsciência, maximamente presente como tal no instante mesmo em que esta, tomando posse de si, se pergunta por Ele." Olavo compreende que Deus é uma presença no interior de nossa consciência; Deus é intuído como experiência do fundamento onde repousa a consciência pessoal. 

Nesse sentido ele não é conhecido por via demonstrativa como diz São Tomás, mas sim por via direta, como aquilo que se mostra no ato mesmo da autoconsciência: na medida em que penetro nela - ou seja em mim mesmo-  intuo Deus. 

O ardil é todo muito bem montado. Claro está que Olavo não afirma que o saber sobre Deus é objeto - aliás, segundo o mesmo, Deus não pode ser jamais objeto do sujeito cognoscente - de uma evidência. O que ele diz é diferente. O que ele diz é mais sutil. Ele admite que "Tal é o método de quem entende do assunto, como Platão, Aristóteles, Sto. Agostinho, S. Francisco de Sales, os místicos da Filocalia, Frei Lourenço da Encarnação ou Louis Lavelle." Em suma: São Tomás foi retirado do rol dos que entendem do assunto.  Contudo, ele admite que - ao menos isso - Sto. Agostinho entende do tema. E admite que os místicos também entendem. Para muitos isso seria a evidência de que ele, no fundo, adota uma visão católica-agostiniana sobre o tema. Quem poderia duvidar? Alguém que se coloca na esteira de Agostinho e dos místicos não pode ser objeto de uma suspeita. Ou pode? Sim, pode. No meio de vários nomes o sr. Carvalho cita Lavelle, um filósofo suspeitíssimo. Lavelle tende a identificar consciência com a Presença do Ser. Tende, portanto, ao panteísmo, doutrina que afirma que entre Deus e a "criatura" não existe hiato; ou seja, em termos mais simplórios, que tudo é, de algum modo, divino.  E ele o faz no medida em que pretende afirmar o contrário de Tomás: para o sr. Olavo, a intelecção do ato consciente é a intuição do ser divino. 

Santo Agostinho e o conhecimento de Deus. 

Alguns poderão alegar que a tese sustentada por Olavo tem o mesmo sentido da tese agostiniana: enquanto Tomás parte dos dados exteriores para atingir Deus, Agostinho e Olavo partiriam dos dados internos para chegar ao mesmo fim. 

Sto. Agostinho não dizia quase o mesmo que o sr. Carvalho? A teoria da iluminação dele não se alinha ao argumento do sr. Carvalho? Sobre esse ponto é preciso entender, antes de tudo, o que é a prova agostiniana da existência de Deus. Agostinho diz que nós, seres temporais e mutáveis, podemos conceber verdades eternas e imutáveis; ora só Deus é eterno; logo tais verdades nos seriam conhecidas por um contato de nossa mente com Deus. Assim Olavo teria razão a dizer que Deus é fundamento da nossa consciência: ao conhecer que conhecemos a verdade intuímos Deus. 

Agostinho alega que a verdade está no interior do homem. “Não queiras sair para fora; é no interior do homem que habita a verdade”. Verdades são constantes, inalteráveis. Dois mais dois serão sempre quatro. Essas verdades eternas só podem ter por autor Aquele que é eterno: Deus. São reflexos da verdade eterna. Nisso consiste o que depois ficou conhecido como “doutrina da iluminação”; porém, desde já é preciso dizer que Santo Agostinho não a apresenta nunca como uma “teoria”. Já no final da sua vida, diz nas "Retractationes" que o homem tem em si, enquanto é capaz, “a luz da razão eterna, na qual vê as verdades imutáveis”. Como Platão, Agostinho afirma que  conhecer verdadeiramente é estar em contato com o mundo inteligível. Porém, Santo Agostinho nunca dirá que vemos as verdades em Deus, mas que participamos da luz da razão eterna; Agostinho jamais formulou que ao vermos tais verdades temos a presença imediata de Deus em nossa consciência, em razão de conhecermos a nós mesmos.  

Mesmo admitindo a validade da idéia da iluminação de Agostinho não podemos  ignorar, por outro lado, que essa solução para o tema do conhecimento corre o risco de não distinguir de forma adequada o conhecimento natural do conhecimento sobrenatural. As discussões no interior da tradição da filosofia medieval provam os riscos. 

A explicação que expõe como o espírito trava contato com as verdades eternas, não se esclarece pela noção de que Deus é o "fundamento ativo de nossa autoconsciência" ( o que equivale a dizer que nós mesmos seríamos Deus ) mas sim pela analogia da natureza racional do homem com a de Deus.  Ele não pode estar maximamente presente em nós dado que nossa natureza não comportaria a presença total( exatamente a tese de Lavelle).   Logo a tese de Olavo embora parta do mesmo método utilizado por Agostinho, ela se afasta dele na medida em que afirma a presença total, coisa que o Santo jamais afirmou. 

O Intelecto agente

Segundo Tomás nosso intelecto depende de uma luz para inteligir, luz essa que, na tradição filosófica, chamamos "intelecto agente"; ela é, para a inteligência o que o sol é para os olhos: como sem o sol não podemos ver mesmo que nosso globo ocular esteja funcionando perfeitamente, sem essa luz nossa mente não pode inteligir. 

Existia uma discussão no interior do pensamento medieval sobre o caráter desse intelecto agente: seria ele algo exterior a nossa alma ou faria parte dela? Platão admitia que o conhecimento é dado ao homem por participação e pela influência de formas inteligíveis em ato e subsistentes. As idéias existem por si e nossa mente contemplou tais idéias no mundo superior antes de abitar no corpo. Sabemos, então, por rememoração ou anamnese( lembrança ou recordação): ao vermos as coisas sensíveis lembramos das idéias eternas que vimos no céu na medida em que estas coisas são cópias imperfeitas daquelas idéias. Tal tese platônica  foi combatida por Aristóteles  com a ideia do intelecto agente. Na filosofia aristotélica, o intelecto agente foi a solução encontrada por Aristóteles para a questão do conhecimento. Esse intelecto seria o responsável pela potência ativa, que tem uma função transitiva e não cognoscitiva, de forma a atuar nas imagens de nossa memória, para produzir no intelecto possível a espécie impressa. O intelecto possível é passivo o agente é ativo pois torna as coisas captadas pelos sentidos em formas( ou seja em essências dotadas de atributos) inteligíveis, compreensíveis a nossa mente através de um conceito onde podemos definir o que é a coisa.

Alguns afirmavam que tal intelecto agente era Deus mesmo, que atualiza em nossa mente, a capacidade de entender. Poderia o sr. Olavo estar falando disso? Sua tese seria ressonância dessa doutrina medieval sobre a questão da origem do saber humano? Olavo ao falar de Deus como fundamento ativo de nossa autoconsciência estaria se referindo a mesma coisa que Santo Tomás? 

Vejamos o que diz o Aquinate: 

"O intelecto agente, de que se fala o Filósofo, faz parte da alma. E isso se evidencia considerando que é necessário admitir-se, além da alma intelectiva humana, a existência de um intelecto superior, do qual a alma obtém a virtude de inteligir. Pois, sempre, o ser participante, móvel, imperfeito, preexige algo de anterior a si, que seja tal, por essência, imóvel e perfeito. Ora, a alma humana é intelectiva, por participação da virtude intelectual. E a prova está em que é intelectiva, não na sua totalidade, mas só em parte; pois, chega à inteligência da verdade, pelo discurso e pelo movimento, argumentando. E também tem inteligência imperfeita, quer por não inteligir tudo, quer por passar da potência para o ato, quando intelige. Logo, é necessário exista um intelecto mais alto, que ajude a alma a inteligir. Ora, certos ensinaram que esse intelecto, separado por substância, é o intelecto agente que, iluminando, por assim dizer, os fantasmas, torna-os inteligíveis em ato. ― Mas, dado que exista tal intelecto agente separado, ainda assim é necessário admitir, na alma humana mesma, alguma virtude participada desse intelecto superior, pela qual a alma atualize os inteligíveis. Do mesmo modo que nos outros seres naturais perfeitos, existem, além das causas universais agentes, as virtudes próprias ínsitas neles, singularmente, e derivadas dos agentes universais. Assim, não somente o sol gera o homem, mas há ainda, em cada homem, a virtude geratriz de outro; e o mesmo se dá com os outros animais perfeitos. Ora, dentre os seres inferiores, não há nenhum mais perfeito que a alma humana. Por onde, é necessário concluir que há, nela, uma virtude derivada do intelecto superior e pela qual ela pode iluminar os fantasmas. E isto conhecemos pela experiência, quando nós percebemos abstrair as formas universais, das condições particulares; o que é torná-las inteligíveis em ato. Ora, nenhuma ação convém a uma coisa, senão por um princípio que lhe seja formalmente inerente, como antes se disse (q. 76, a. 1), ao tratar do intelecto potencial ou possível. Logo, é necessário que a virtude ― princípio de tal ação ― faça parte da alma. E, por isso, Aristóteles comparou o intelecto agente com a luz, que se dissemina no ar. Ao passo que Platão comparou o intelecto separado, que imprime em as nossas almas, com o sol, como refere Temístio."(in: Suma Teológica. 1 parte, tratado sobre o homem, Q. 79, das potências intelectivas, Art. 4 se o intelecto agente faz parte da alma). 

Basicamente o que Santo Tomás diz é que, ainda que possamos falar de um intelecto agente separado - que seria Deus mesmo, fundamento de toda a verdade - é preciso que em nossa alma haja uma virtude intelectual própria - ainda que participada-  pela qual nossa alma intelige. Logo o intelecto agente faz parte da alma: não é algo distinto dela mas ela mesma, ou uma parte sua.  Em suma: o fundo ativo de nossa autoconsciência - responsável por nosso conhecimento - somos nós mesmos em virtude do fato de participarmos da virtude intelectual divina, pois fomos criados a imagem de Deus. O intelecto divino é apenas o suporte ou a causa de nosso intelecto: não a causa direta ou imediata mas indireta e mediata. 

Logo, atribuir a Deus o papel de fundamento ativo de nossa autoconsciência seria o mesmo que dizer que não existiria nenhum ato próprio de nossa alma no que tange aos atos intelectuais: Deus conheceria no nosso lugar e, assim sendo, ao nos conhecermos em nosso ato mental, não nos conheceríamos mas a Deus, que intelige em nós. A pergunta que fica então é a seguinte: haveria nesse caso espaço para afirmar a individualidade da alma?  

A consequência lógica da tese do sr. Olavo

"O que dá sua coerência e inteireza ao conhecimento é a unidade do sujeito cognoscente, mas não no sentido kantiano, pois não se trata aqui do sujeito individual --ou geral que é uma simples extensão do individual - e sim o sujeito identificado e reintegrado ao Absoluto; é a unidade da inteligência mesma, não enquanto manifestação individual, mas enquanto participação no Intelecto Agente, à objetividade plena portanto, e, a fortiori à verdade mesma. A unidade do mundo repousa na unidade do Intelecto, ou Logos, que é a unidade de Deus" (Olavo de Carvalho, Astrologia e Religião, p. 63 e 64.)

O texto acima é antigo: vão alegar que agora, depois de convertido em católico, Olavo não pensa mais assim. Porém basta compararmos a tese central de seu artigo " o deus dos palpiteiros" com o que ele dizia anos atrás: o fundo doutrinal é o mesmo. Logo podemos asseverar que o sr. Olavo de Carvalho ainda professa o gnosticismo, pois em ambos os textos ele afirma a tese central da Gnose: que pelo conhecimento, o homem se identifica com o Absoluto, isto é, com Deus. A doutrina do sr. Carvalho ainda é a mesma de anos atrás:  identificação, através do conhecimento, do intelecto humano com o Intelecto de Deus, com o Logos, que é a tese central da gnose averroísta. É também a mesma identidade das coisas do mundo com Allah, que se encontra na Gnose sufi de Ibn Arabi. 

Basta unirmos os dados e tirarmos a única conclusão lógica possível: na medida em que Olavo encaminha seus alunos ao Instituto Lux et Sapientiae de Luiz Gonzaga, astrólogo e filho do sr. Carvalho, e na medida que o tal curso de cosmologia de Gonzaga está, agora, recebendo assistência de Tales, irmão de Gonzaga responsável por uma Tariqa, fica claro que o COF nada mais é que porta de entrada para o esoterismo e que a doutrina do sr. Olavo é repleta de indicações sutis de perenialismo. Sua pretensa conversão não mudou sua doutrina. Olavo continua o mesmo de sempre. O que mudou foi o método: se valendo de uma série de sutilezas, impossíveis de serem compreendidas por sua platéia, ele vai, pouco a pouco, penetrando em meios católicos sob a aparência de quem professa uma filosofia compatível com a fé. 


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Nota de esclarecimento sobre o sr. Allan dos Santos.



Recentemente o blog prometeo liberto - no qual eu colaboro - trouxe uma matéria sobre o círculo olavista em que a figura do sr. Allan dos Santos é referida como personagem central do mesmo. A matéria em questão diz que o sr. Allan teria estudado em Arujá, no seminário dos Legionários de Cristo. Ademais o mesmo teria insinuado - segundo alguns - uma possível relação do sr. Allan com Tales, filho de Olavo, que é membro de uma tariqa.

Sobre a afirmação de ter estudado em Arujá queremos nos retratar. Sabendo que o sr. Allan esteve num seminário dos legionários anos atrás e, sabendo da existência de um seminário dos mesmos em Arujá, imaginamos que o referido havia estudado lá, por uma conclusão lógica. Porém o sr. Allan esclareceu-nos que estudou, na verdade, em Itapecerica da Serra onde existe outro seminário dos legionários.  O sr. Allan também afirma que jamais teve contato com o sr. Tales. Abrimos portanto o espaço aqui no blog para um direito de defesa do sr. Allan, daquilo que ele considera ter sido uma insinuação injusta e inverídica, pois nosso objetivo é, acima de tudo, a verdade seja lá qual for.

Quanto a afirmação de que estudou em Arujá, a mesma foi feita em boa fé, pelos motivos expostos acima, qual seja, a ignorância da existência de um seminário legionário em Itapecerica.

A "insinuação" da relação entre Allan e Tales foi na verdade, a admissão de uma possibilidade em face da relação do sr. Allan com o sr. Olavo, não constando jamais de uma afirmação categórica.

Segundo o sr. Allan não existe nenhuma relação dele com a tariqa. Nós - nem mesmo o blog prometeo liberto - não fizemos, em tempo algum, afirmações categóricas sobre essa relação. Suspeitas não devem ser confundidas com acusações. Todavia nem sempre é possível, a príncipio, não levantá-las, em razão de tudo que se sabe sobre o círculo olavista.

Assim sendo, em nome da verdade, acolhemos aqui a defesa do sr. Allan e sua alegação de inocência quanto a não estar informado sobre Tales - segundo o sr. Allan ele sequer sabia da existência do sr. Tales.

Outrossim deixo claro que o sr. Carlos Velasco do blog prometeo, não tem nada a ver com o erro da informação sobre a estada de Allan em Arujá. Quem errou fui eu e não ele. 

No mais lamentamos, sinceramente, a relação do sr. Allan dos Santos, alguém que conhecemos pessoalmente e que passamos a admirar como seminarista íntegro e defensor acérrimo da fé, com o referido círculo. Já expusemos aqui os erros teológicos professados pelo sr. Olavo e só temos mesmo que deplorar que alguém, antes tão firme na defesa da fé, tenha se deixado seduzir-  por que motivos não sabemos - pelo hábil prestidigitador. Rezamos, portanto, para que o sr. Allan volte a defender a fé como antes e entenda os riscos inerentes a pertença a esse círculo.






sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Curso Luiz Gonzaga de advinhação!

Vai um mapa astral aí? 
O sr.e professor Luiz Gonzaga de Carvalho, filho de Olavo de Carvalho, é conhecido como mestre em cosmologia e astrologia dita "tradicional". Segundo alguns alunos do COF a astrologia praticada pelo mesmo é absolutamente condizente com a fé católica em nada ferindo seus dogmas ou os mandamentos divinos. Segundo os mesmos, Gonzaga pratica uma outra "astrologia", diversa da moderna; a moderna se caracterizaria como prática advinhatória já a "tradicional" seria "metafísica". Gonzaga alega que faz a mesma coisa que Santo Alberto Magno fazia nos tempos medievais: ou seja, segundo Gonzaga, o que ele praticaria seria nada mais que uma astrologia filosófica; não consta que Santo Alberto praticasse a advinhação, que é pecado contra o primeiro mandamento da lei de Deus. Logo Gonzaga, ao dizer que faz o mesmo que ele fazia, exclui de suas práticas a advinhação. No entanto não é o que vemos neste vídeo: 
                                        


Gonzaga entre outras diz aí que:

1- É possível "prever a morte de alguém" desde que existe uma situação de morte.

2- Que as casas zodiacais do mapa astral ajudam a "determinar acontecimentos futuros"

A quem veja o vídeo não restará dúvida do que tratam suas aulas de astrologia "tradicional": não passam de arte divinatória condenada pela Igreja, pois vejamos: 

Hipólito: “Quão impotente é o sistema [astrológico] para comparar as formas de disposições dos homens com os nomes das estrelas!” (Refutação de Todas Heresias 4:37).
Santo Atanásio: “Donde ser verdade que os autores de tais livros [os astrólogos] acarretaram a si próprios uma dupla reprovação, pois aprofundaram-se em uma desprezível e mentirosa ciência” (Carta de Páscoa 39:1).

São Basílio Magno: “Aqueles que ultrapassam os limites, fazendo das palavras da Escritura sua apologética para a arte de calcular temas de genitura [horóscopos], pretendem que nossa vida dependa da moção dos corpos celestes, e assim os Caldeus lêem nos planetas o que nos ocorrerá”. (Os 6 dias da Criação 6:5)

São João Crisóstomo: “(…) E de fato uma treva profunda oprime o mundo. É ela que devemos fazer dissipar e dissolver. E tal treva não se encontra somente entre os heréticos e os gregos, mas também na multidão do nosso lado, no que diz respeito às doutrinas da vida. Pois muitos [os Católicos] descrêem inteiramente na ressurreição; muitas fortificam-se com o horóscopo; muitos aderem a práticas supersticiosas, augúrios e presságios”. (Homilias sobre Coríntios I, 4:11)”.

Santo Agostinho: “O bom cristão deve precaver-se de astrólogos ou de qualquer um daqueles que praticam impiamente a adivinhação” (apud Sto. Tomás, II-II, Q. 95, art. 5).

“Se alguém pensa que se deve crer na astrologia, seja anátema” (DENZINGER, nº 35).

Importa dizer que Olavo estimula seus alunos a fazer o curso do Gonzaga. Para quem duvida basta ver isso aqui: 




Mas ainda tem quem confie na sinceridade de Olavo quando diz ser católico. 

Deus ilumine os que ainda acreditam nisso para que vejam a realidade dos fatos. 



sábado, 27 de dezembro de 2014

Por que os EUA substituíram a Bíblia pela constituição?


Estátua em referência a Bafomet, personagem cultuado pela maçonaria, erguido nos EUA, Oklaroma em 2012.





Enquanto isso os conservadores americanóides olavóides continuam a crer que os EUA são o bastião da ordem ocidental e nação surgida sob os auspícios da verdade. 

Os EUA nasceram sob o signo da revolta. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Eis que um sinal vos será dado: uma virgem conceberá e dará a luz à LUZ!




O nascimento virginal do Senhor 

São Gregório de Nissa

Do Sermão Sobre o Natal de Cristo 
(P.G. 46, 1128 ss.)

"Ouve a exclamação de Isaías: "um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado!" . Aprende do mesmo profeta como isso aconteceu. Foi acaso segundo a lei da natureza? De modo algum, responde o profeta. Pois não está sujeito às leis da natureza aquele que é o Senhor da natureza. De que maneira então nasceu esse filho? "Eis - diz o profeta - uma virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual receberá o nome de Emanuel", que significa" Deus conosco" 2. Ó acontecimento admirável! Uma virgem se torna mãe permanecendo virgem! Considera a nova ordem da natureza. Qualquer outra mulher, se permanece virgem, não pode tornar-se mãe; tornando-se mãe, já não conserva a virgindade. Neste caso porém as duas qualidades se mantêm. A mesma pessoa é mãe e virgem. A virgindade não a impediu de gerar, o parto não lhe tirou a virgindade. Era conveniente que, vindo para fazer os homens íntegros e incorruptos, o Salvador fizesse seu ingresso na vida humana a partir da integridade total, consagrada a ele sem reserva...

E isto parece-me que o grande Moisés tenha conhecido antecipadamente, através da luz na qual se lhe manifestou o Senhor Deus e quando a sarça ardia incandescente mas não se consumia 3. "Irei e verei este grande espetáculo", disse ele, referindo-se, penso eu, não a uma aproximação local mas a uma aproximação no tempo. O que então estava prefigurado no fogo e no arbusto tornou-se, no momento oportuno, claramente revelado no mistério da Virgem. Da mesma forma que a sarça ardente não se consumia, também a Virgem não se corrompeu gerando a Luz."

domingo, 21 de dezembro de 2014

Olavo "Hegel" de Carvalho: sobre insinuações maçônicas e excomunhão ipso facto.





Uma das marcas da dialética hegeliana é a justaposição dos opostos: na filosofia metafísica clássica, o um é sempre um e o dois sempre dois; na dialética hegeliana não: o um pode virar dois e o dois um tudo a depender do processo histórico, que é o que faz as coisas "serem" o que são; no entanto, não se enganem: o ser, na visão hegeliana, não passa de uma estabilização momentânea a espera da próxima etapa onde o mesmo deixará de ser o que é; em suma tudo é devir, nada é. Por isso tal dialética pode ser considerada como a expressão filosófica da torre de Babel, onde as línguas foram confundidas e ninguém mais se entendia. 

Que marxistas usem a dilética hegeliana não espanta: Marx deu a ela uma forma materialista. Faz parte da tradição marxista - seja de que viés for - o uso largo da mesma. 

O que espanta mesmo é ver alguém como Olavo, que diz lutar contra a esquerda socialista-marxista, fazer uso dela. Mentira? Nada disso: a mais pura verdade. Leiam: 



Vamos analisar algumas frases:

"Defendo as idéias conservadoras porque elas foram excluídas da sociedade e elas são tão necessárias quanto quaisquer outras idéias".

As palavras são suficientes: o que Olavo diz é que idéias conservadoras, liberais, marxistas, etc, são absolutamente necessárias; o que Olavo advoga é o pluralismo ideológico puro e simples, como todo bom liberal faria. E como todo bom marxista também: afinal é preciso que existam idéias contrastantes para que exista luta cultural, política, social, ideológica, e daí, se extraia o progresso dos tempos. Em suma: Olavo diz que não importa se as idéias conservadoras são idéias verdadeiras mas se são úteis politicamente. Além de pluralista, Olavo é pragmatista, o que quer dizer imanentista, o que significa que recai na condenação da Pascendi e, por tabela, em heresia.

"O Brasil precisa de uma corrente política conservadora forte e atuante, para contrabalançar quatro ou cinco décadas de comunismo x tucanismo."

Basta isso: para Olavo basta que o conservadorismo seja o contrapeso. Espanta que ao mesmo tempo ele diga que é preciso banir o comunismo? Só espanta a quem jamais leu Hegel. Para quem leu, entender isso é simples: Olavo fala a vários públicos. O primeiro precisa de palavras de ordem, convocações bélicas e mandamentos absolutos. O segundo, formado por um círculo mais interno de alunos do cof, recebem uma instrução mais precisa: " é o seguinte vamos combater o comunismo mas não é para acabar com ele...é só para abrir espaço...no fundo precisamos do contrapeso, do embate de idéias". 

Como explicar isso senão pela simpatia que Olavo tem pela democracia liberal? E como explicar tal simpatia senão pelo fato de que todo maçom defende a mesma porque ela dá às lojas possibilidades de ação na sociedade através das liberdades que elas proporcionam? E o que a atual democracia senão o espaço da luta ideológica total? 

Olavo mesmo já admitiu - várias vezes -  que o importante não é a unidade doutrinal mas sim a abertura de espírito à "totalidade da realidade", que insistir nisso é desnecessário. Para ele são os símbolos, e não os dogmas, as vias do saber. Nada, portanto, de doutrinas sistemáticas. Nem mesmo no campo político. 

Quem sempre combateu a idéia de unidade doutrinal senão a maçonaria? Não é típico da mesma estimular a divisão doutrinal? Quem diz isso? Olavo mesmo diz:

 "uma sociedade iniciática, qualquer que seja, não tem necessidade de controlar as opiniões de seus membros, já que tem pleno domínio, sobre seu imaginário. Na verdade quanto mais a liberdade de crença vigore ali dentro, quanto mais frouxa e menos dogmática for a doutrina da organização, mais eficaz será esse controle, que tem todas as vantagens em permanecer implícito. Uma organização que timbre em defender um dogma explícito não em outro remédio senão explicitá-lo...a partir desse instante tornam-se objetos de raciocínio, de assentimento ou discordância intelectual, de crítica... Ao contrário de todas as organizações dogmáticas, as sociedades secretas, pela dialética de sua busca de sobrevivência, alimentam as dissidências e as cisões; pois cisão aí, significa automaticamente isolamento e isolamento significa imposibilidade de um confronto direto"-In: Olavo de Carvalho. Jardim das Aflições. Páginas 241-242. Segunda edição, revista, 2004. 

Lendo isso cabe perguntar: Olavo não insiste numa assistematicidade da filosofia? Olavo não insiste no cof sobre a formação do imaginário através, exclusivamente, da literatura que ele indica?

O que ele está a fazer senão impor, por vias implícitas,  seu controle sobre o imaginário do alunado sem dar ao mesmo uma filosofia sistemática e dogmática que possa ser objeto de análise?
    
E qual seu objetivo em termos políticos, quando estimula uma corrente conservadora, senão o mesmo controle do imaginário, sem que seja necessário eliminar as idéias "adversárias", abrindo espaço para o exercício desse poder implícito ? Ou seja o que Olavo advoga para a sociedade é o mesmo que se faz no interior da maçonaria e a mesmíssima coisa que ela faz nas suas ações dentro da sociedade civil. 

A estratégia de Olavo não passa de modus operandi maçônico. 

"Se não elevarmos o patamar de consciência intelectual deste país, o de consciência moral vai permanecer abaixo da linha de pobreza. A moral não existe no ar, solta e independente. Vem com a CULTURA e é parte dela."

Não sr. Olavo: consciência moral não depende - necessaraimente - de elevada consciência intelectual. Fosse isso Satã não seria mau já que se destaca pela grandíssima inteligência. Dizer que uma depende de outra - rigorosamente - seria colocar abaixo toda a teologia moral de Santo Agostinho e da Igreja que admite o pecado de malícia - que é querer o mal sabendo que é o mal. A maior prova de que inteligência não traz, necessariamente, moralidade, são cafajestes como o sr. 

Em tempo: o que Olavo quer é criar uma casta intelectual sob seu controle; como quem determina a moral determina as ações da sociedade e das pessoas, tal casta terá poder absoluto, ou melhor o seu "pai-guru" terá poder absoluto. O que está por trás disso tudo é a tentativa de construir uma nova "casta sacerdotal"( uma elite intelectual portadora da tradição primeva que é nada mais que o perenalismo) no sentido que Guenón dava a isso: casta que estará a serviço do sr. Olavo.  

Imaginação nossa? Não: Olavo mesmo não disse que se soubessem o que ele deseja o considerariam megalomaníaco??? 

Cremos que, com tudo que viemos expondo aqui esse ano, passo a passo, e ao que outros também expuseram - destaco aqui o papel do blog prometeo liberto - fica claro o seguinte:

1- A forma mentis e o modus operandi de Olavo é perenialista/maçônica. 

2- Que Olavo vem, pouco a pouco, ensinando e aplicando princípios maçônicos que orientam a teoria e a prática de seus alunos. 

3- Que, assim sendo, seus alunos, cônscios ou não, promovem, destarte, a maçonaria e um iniciado que está a serviço do Grande Oriente. 

Partindo daí podemos dizer que: 

A- Olavo está excomungado ipso facto. 

B- Os alunos que, tendo tomado ciência de tudo isso, continuam a segui-lo, promovendo-o direta ou indiretamente, mesmo que seja apenas pagando a taxa do cof,  também estão excomungados ipso facto. 

E por que dizemos isso? Por que a Igreja Católica considera motivo de excomunhão quem quer que se aliste na maçonaria como quem quer que a ajude ou promova de algum modo.

Quem tiver olhos que veja. 

Para quem ainda duvida da ligação estreitíssima  de Olavo - a ponto de defender o caráter cristão da mesma - com a maçonaria e seus objetivos, reproduzo aqui um artigo publicado por Mirian Macedo, ex aluna do mesmo. 

O link é este: http://blogdemirianmacedo.blogspot.com.br/2014/06/recordar-e-viver-e-maconaria-olavo-de.html

"sexta-feira, 20 de junho de 2014

Recordar é viver: e a maçonaria, Olavo de Carvalho?
     Mírian Macedo: "Citando René Guénon, o senhor defendeu a união da maçonaria com o cristianismo. E pode?!"
            Olavo de Carvalho: "Parece que houve aí uma divisão de trabalho: a maçonaria ficou com os Pequenos Mistérios e a Igreja com os Grandes Mistérios. Não é preciso dizer que este simples fato é causa de inumeráveis desequilíbrios. Enquanto estas duas ordens de conhecimento não forem de novo articuladas, a unidade espiritual do Ocidente não será reconquistada."

          Íntegra da resposta de Olavo de Carvalho*: "Este problema que você coloca é dos mais cabeludos. Eu dificilmente poderia explicá-lo aqui. Mas é preciso considerar que a maçonaria tal como a conhecemos hoje se origina no século XVIII, a partir da unificação de antigas iniciações de ofícios, sobretudo dos construtores medievais que, durante mil anos, tinha funcionado perfeitamente bem dentro do contexto cristão sem nenhum problema.

     A encrenca começa a partir do momento em que, dentro da própria maçonaria, começam a surgir outras sociedades, estas sim verdadeiramente secretas, que se apossam de áreas inteiras com o objetivo de transformar a maçonaria em instrumento da revolução.
     
     Isto é muito bem explicado num livro já clássico, de um mestre maçom chamado John Robinson, intitulado Proof of Conspiracy. O livro saiu no começo da história republicana aqui nos Estados Unidos.
     
     Evidentemente, foi bastante lido pelos maçons da época, inclusive o presidente George Washington, que, vendo a penetração destas idéias revolucionárias na maçonaria, confirmou que aquilo existia e disse: "Eu espero que isto não se propague aqui nos Estados Unidos (pois isto estava acontecendo na Europa, principalmente na França).
      
      Quando se fala de maçonaria, não se pode falar  de um negócio assim em  bloco, porque existem camadas e camadas de complexidade aí. Mas, em todo caso, o fato da maçonaria originar-se nestas comunidades de ofício mostra que ela não tem originariamente uma inspiração anti-cristã.
      
      Por outro lado, estas comunidades legaram à maçonaria inumeráveis conhecimentos, sobretudo sobre a constituição da ordem política, da ordem do Estado. E estes conhecimentos são realmente  importantes para a administração do mundo. 

      Como havia aquela distinção dos Pequenos Mistérios e Grandes Mistérios (Pequenos Mistérios são aqueles que se referem aos conhecimentos de ordem cosmológica, ordem do mundo, constituição do mundo, inclusive do mundo histórico, social, político; e por outro lado, os Grandes Mistérios, que se referem à ordem puramente espiritual, da imortalidade da alma, Deus  etc), parece que houve aí uma divisão de trabalho: a maçonaria ficou com os Pequenos Mistérios e a Igreja com os Grandes Mistérios. 

      Não é preciso dizer que este simples fato é causa de inumeráveis desequilíbrios. Enquanto estas duas ordens de conhecimento não forem de novo articuladas, a unidade espiritual do Ocidente não será reconquistada. 

      Pior ainda: à medida que o tempo passa, aparecem sociedades secretas dentro de sociedades secretas, conspirações dentro de conspirações, tornando tudo uma bagunça monumental. 


     É evidente que as conspirações existem, mas também é tolo imaginar, como faz este senhor Armindo Abreu, que certas sociedades secretas são controladoras do mundo.
Ninguém controla o mundo, o pessoal disputa poder e faz confusão.
     
      Pior ainda, quando os elementos causadores de uma situação contêm um forte elemento secreto, é muito difícil entender até historicamente o que aconteceu. A história do mundo, além de tornar-se extremamente violenta, ainda tem a questão de que ninguém sabe quem fez o quê. A prevalência do segredo como elemento histórico importante é um dado do século XX."

*PS: . Olavo de Carvalho respondeu às minhas perguntas no dia 12/02/2007  (a resposta está no link, a partir de 13 min20seg até 20min36seg. O email (abaixo) foi enviado ao programa True Outspeak. http://www.olavodecarvalho.org/midia/070212true.html



 "Professor Olavo, como vai?
     
     Sou Mírian Macedo, de São Paulo. Tenho acompanhado a sua participação no podcast de Yuri Vieira e ouvido seu programa de rádio True Outspeak. Brilhantes, parabéns. Eles têm sido muito esclarecedores para mim, mas, por outro lado, também me confundiram, principalmente no que se refere à união da maçonaria com o cristianismo. E pode?!

      A propósito: não entendo de profundidades filosóficas, sou só uma esforçada e curiosa ex-jornalista e rainha do lar que tem o vício de gostar de assuntos de que nada entende e que são, em geral, difíceis e complicados. Fazer o quê?

     Na conversa com Yuri, o senhor, citando René Guenón, defendeu a união da maçonaria com o cristianismo como única saída para o furdunço em que está transformado o mundo. O professor falou em maçonaria anti-cristã e maçonaria pró-cristã. O que seria uma e outra? 

     E esta última, é um clube de bondades e bons propósitos, uma entidade de princípios éticos, dedicada ao culto da fraternidade, respeitosa de todas as religiões e do Deus de cada uma? E como fica a encíclica Humanus Genus e o documento que a ratifica, escrita pelo cardeal Ratzinger em 83?

     Outra coisa: falar em mistérios, mesmo que sejam pequenos mistérios, não é contrariar o próprio Senhor Jesus Cristo, que mandou gritar sobre os telhados o que se ouvisse na surdina, garantindo que nada havia para ser ocultado?

     A tese de que todas as religiões (inclusive o cristianismo) têm sua gnose é cara a muitos estudiosos do assunto, como é o caso do romeno Mircea Eliade. Ele cita, em defesa de sua idéia, o Evangelho de Mateus, as obras de Orígenes e Clemente de Alexandria e a carta aos Efésios, de São Paulo. 

      Segundo ele, a hierarquia eclesiástica da Igreja dos primeiros tempos combateu a gnose e o esoterismo pelo temor de que certos gnósticos pudessem introduzir no cristianimso doutrinas e práticas radicalmente opostas ao éthos do Evangelho. Eliade afirma:

      - Não era o " esoterismo" e a "gnose" como tais que se revelaram perigosos, mas as "heresias" que se infiltravam sob o manto do "segredo iniciatório".

       Vale lembrar: Eliade faz a ressalva de que, no caso do cristianismo, a existência de um ensinamento esotérico praticado por Jesus e continuado pelos seus discípulos é negada pelos Padres da Igreja e historiadores antigos e modernos.

       E, de volta à questão: não é heresia negar as próprias palavras de Jesus Cristo de que não existe nada secreto?
        Um abraço.
        Mírian Macedo
São Paulo,capital"

domingo, 16 de novembro de 2014

Missa Rock na Catedral: mais um fruto do Concílio Vaticano II !


O título é esse mesmo: missa roqueira, definição do sacerdote espanhol Joan Enric Reverté, mais conhecido como Padre Jony. A cerimônia foi celebrada na semana passada em homenagem a padroeira da cidade de Tortosa, a Nossa Senhora da Consolação, ou Virgem da Cinta.

Acompanhado por guitarras e baixos elétricos, bateria, teclado, iluminação colorida e vídeos, o sacerdote vocalista cantou no altar suas versões roqueiras de clássicos do cancioneiro católico, como O Pescador de Homens.(https://www.youtube.com/watch?v=Q5VFC_TDkYM)

Para conseguir autorização da diocese de Tarragona (responsável pela catedral de Tortosa) para realizar sua liturgia heterodoxa, Padre Jony reconheceu que passou por dificuldades e teve que esconder vários detalhes da missa roqueira até a última hora.

"Tinha que ocultar as surpresas até o último momento para evitar outras. Eu entendo e aceito que muita gente não compreenda, nem goste deste tipo de iniciativas, mas estou muito consciente do que fazendo".

Apesar do sucesso da celebração litúrgica, o sacerdote espanhol duvida que possa haver outra missa roqueira em uma catedral.

"Acho muito difícil que se repita, porque foi uma circunstância especial, uma comemoração de um centenário da Corte de Honra à Virgem. E com a repercussão que teve, não acredito que deixem fazer isso de novo."

Ele, disse, entretanto, que é possível que haja celebrações semelhantes em outras igrejas.

"Já há pedidos. Há gente esperando algo assim, com mentes abertas e que querem ouvir mensagens de fé de uma outra forma dentro da igreja católica."

Apesar da estética e linguagem modernas, a missa roqueira teve os elementos litúrgicos de uma celebração religiosa habitual.

O sermão foi uma declaração de fé na Virgem Maria, no qual o Padre Jony alertou os jovens fiéis sobre o perigo do consumo de drogas e álcool e a falta de compromisso social com os mais carentes.

O sacerdote já tem um livro (em castelhano: Notas de un cura roquero ou, em tradução livre, Notas de um padre roqueiro) e dois discos, cuja arrecadação é destinada a obras sociais.

Padre Jony também já celebrou eventos religiosos em espaço aberto na Espanha e em outros países da América Latina. O maior deles, na Guatemala, reuniu cerca de três mil fiéis.


AGORA TENTE CONSEGUIR AUTORIZAÇÃO PARA CELBRAR UMA MISSA TRADICIONAL EM UMA CATEDRAL PARA VER O QUE ACONTECE! O CLERO ATUAL ESTÁ, COM RARAS EXCEÇÕES VENDIDO. 

QUE DEUS SE APIEDE DOS VERDADEIROS CATÓLICOS E DÊ UM BASTA NISSO O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL. 


sábado, 15 de novembro de 2014

Drogas no Ocidente: a culpa - escamoteada - dos EUA!

Ahmed Rashid

É comum ouvir nos círculos olávicos e da neodireita tupiniquim neoconservadora( que no fundo quer conservar o liberalismo e suas conquistas - configuradas na revolução inglesa e americana - que são a segunda etapa do processo da revolução que acomete o ocidente e o mundo desde o século 15-16, cujo fim é a destruição da ordem sobrenatural-cristã e da ordem natural-moral) que a Rússia é a grande culpada pela extensão do tráfico de drogas no ocidente com o claro fim de jogar lama apenas num dos lados da revolução que citamos acima, escondendo os crimes do outro lado da mesma, o lado direito dela, que tem nos EUA seu bastião.

Porém os fatos são outros: o jornalista paquistanês Ahmed Rashid relata como a CIA apoiou os extremistas islâmicos que cultivavam ópio no Afeganistão. Logo se temos atulamente um tráfico de heroína em escala mundial devemos "agradecer" aos EUA. 

Ahmed Rashid estuda o Afeganistão há mais de duas décadas. O jornalista paquistanês estava em Cabul em 1979 quando os soviéticos invadiram a capital afegã. Rashid também foi o único jornalista a ter acesso aos líderes do Taleban e seus esconderijos. O autor do livro Taliban – Islam, oil and the new great game in Central Asia fala, nesta obra, sobre como os EUA e a CIA apoiaram Talibã e deram liberdade para que o mesmo produzisse drogas: 

"Nos anos 80, ainda durante a guerra fria, os mujahedin (guerrilheiros islâmicos) tinham apoio dos americanos, que incentivavam milhares de não-muçulmanos e muçulmanos a vir ao Afeganistão para lutar contra os soviéticos. E, entre eles, estava o saudita Osama Bin Laden, que tinha uma ligação muito próxima com a CIA. Muitos desses guerrilheiros árabes que lutaram contra as tropas soviéticas foram treinados e armados pela CIA...Os americanos apoiaram o Taleban, quando essa milícia estava na oposição, entre 1994 e 1996, porque queriam usar a organização na sua política anti-Irã. Além disso, os dois aliados americanos na região, o Paquistão e a Arábia Saudita davam suporte militar  àquele grupo fundamentalista. Outra razão para que o governo americano apoiasse o Taleban foi  porque os EUA queriam uma rota que transportasse óleo e gás da Ásia Central para a região do  Paquistão. E o caminho mais curto passaria pelo Afeganistão. Em vez de buscar ajuda dos países vizinhos para prover segurança aos oleodutos, o Taleban passou a abrigar extremistas islâmicos de várias nacionalidades. Foi quando Osama Bin Laden chegou ao Afeganistão e, a partir daí, passou a haver uma enorme preocupação dos americanos com esse fato. No final, os tais oleodutos nunca foram construídos... A produção de ópio começou no Afeganistão nos anos 80, durante a ocupação soviética. A droga financiou grande parte da guerra contra Moscou e por isso Washington fez vista grossa. "


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Por que é lícito, ao católico, votar nulo nas eleições presidenciais 2014?







Respondendo aqui a uma grave acusação que o senhor Sidney Silveira fez contra aqueles católicos que, guiados por uma avaliação sérias das alternativas desta eleição presidencial, decidiram votar nulo, reproduzo uma magistral resposta de um conhecido à pataquada do senhor Sidney que, infelizmente, se aproxima, dia a dia, de uma falsa direita e de seu guru, que suspeitamos - fundados em fatos e mais fatos -  seja um servo do poder americano e da maçonaria que dá base ao mesmo.

"A comparação com Pilatos, ao meu ver caro Sidney, cairia melhor se fosse aplicada aos entusiastas do 'mal menor', afinal, foi Pilatos quem cometeu o "mal menor" ao escorraçar Jesus --mesmo sabendo que Ele era inocente(!)-- tentando assim, acalmar o povo Judeu e resguardar a vida de Jesus (bem maior)... Desnecessário dizer que tal empreitada não obteve sucesso.

Do mesmo modo, os apoiadores mais energéticos de Aécio, tentam evitar o suposto mal maior (Dilma), ainda que seja averiguável que, no campo moral, que é o primordial para os católicos, não há diferença SUBSTANCIAL entre os candidatos [indivíduos] ou mesmo nos planos OFICIAIS de seus partidos [grupo]. Logo, preferem fazer vista grossa (ou, neste caso, lavarem suas mãos) em relação á essas similaridades gritantes.

Agora, é sabido e notório, também, que em "certos casos e circunstancias" a Igreja e inúmeros de seus grandes teólogos "toleram" o voto "per accidens" no mal menor, mas estes males jamais são "obrigatórios" aos católicos, salvo se houver um candidato que reconheça e preze pelas leis da moralidade cristã; sabemos que esse não é o caso no Brasil ou em qualquer outro país do nosso mundo apóstata.

Portanto, se de acordo com a sua consciência, um eleitor chegar a conclusão de que dê [sim!] para votar em Aécio, esta ação talvez possa vir a ser legítima. O que não seria legítimo é se, por outro lado, o outro tipo de eleitor --aquele que não votaria em Aécio-- fosse quase "condenado" por negar apoio á um apóstata público, com filhos bastardos paparicados pela mídia, que apoia abertamente o aborto, o acasalamento anti-natural sodomita (inclusive com deboches crassos) e todas estas aberrações que ambos partidos apoiam publicamente; tal comportamento seria um abuso da extensão e/ou da tolerância dada pela Igreja no quesito do voto no mal menor.

E diria mais, creio que mesmo no plano financeiro, ambos continuarão sendo escravos do FMI/ONU/NOM/Etc. No campo de envolvimento com Cuba e/ou cartéis de drogas etc., também creio que ambos não apresentariam diferenças substanciais. Esta é minha posição e não me acho melhor ou mais puro que ninguém por causa dela, só queria expô-la pois parece-me que está havendo um crescente ataque á estas posições no mundo virtual brasileiro, "talvez" ela abra ao menos um pouco os olhos daqueles que a veem com desdenho ou preconceito.

Este último tipo de eleitor que se nega a votar em Aécio, que aliás eu me encaixaria nele se fosse eleitor brasileiro, vê tais eleições não como Mal Maior x Mal Menor, e sim como Satanás x Belzebu; aonde qualquer um dos dois candidatos estariam tentando saciar, uma vez mais, o desejo daquele mesmo povo que Pilatos tentou apaziguar... mas lembremos que eles não se contentam com pouco!

Rezemos o Rosário diariamente, nobre amigo, pois em breve, o que aprendemos nos livros dos santos e mártires, estará saindo das páginas para bater em nossas portas, independente de quem saia vencedor nas 'sofisticadas' eleições de urna eletrônica!"
·