Google+ Followers

terça-feira, 28 de março de 2017

O movimento monarquista no Brasil e a maçonaria: Quo Vadis Dom Bertrand?

É claro que a monarquia é bem superior à democracia, sobretudo a de massa. Mas toda "monarquia" que busque seu fundamento abaixo de si, não acima, que se estabeleça por princípios profanos e materialistas, deve ser ridicularizada. Uma família real não faz uma monarquia; princípios superiores fazem uma monarquia. Toda "monarquia" baseada exclusivamente no elemento "humano", que, negligente com o elemento "divino", apele a alianças econômicas e discursos humanistas não passa de um simulacro de monarquia, uma casca vazia, um corpo sem alma, uma marionete de liberais. Ao rebaixar o fundamento da monarquia ao mundo profano dos homens, os "monarquistas" se filiam à estratégia discursiva moderna, a mesma que corroeu todas as monarquias por dentro. Como escreve Joseph de Maistre: "É Deus que faz os reis, literalmente. Ele prepara as estirpes reais; amadurece-as no meio de uma nuvem que encerra as suas origens. Elas depois surgem coroadas de glória e de honra; impõem-se - e é esse o maior sinal da sua legitimidade".


Em  mais uma manifestação da "falsa direita" brasileira, ocorrida em 26/03/2017, ficou evidenciado quais são as forças que estão por trás dela. Há, é verdade, um apelo de participação aos conservadores, embora as manifestações sejam feitas sob os auspícios do MBL, organismo francamente liberal que chega a defender em seu programa político o "Fim da função social da propriedade. A propriedade privada não pode ser relativizada."(https://s3-sa-east-1.amazonaws.com/mbl-wordpress-s3/wp-content/uploads/2016/05/26222920/propostas-mbl.pdf). 

A convocação de uma direita conservadora às manifestações visa, nada mais que, capturá-la para dentro do projeto liberal, este sim muito mais articulado, organizado, estruturado e com dinheiro de sobra para fazer suas pautas serem colocadas em prática. Ademais, a aliança conservadora - liberal é uma impossibilidade lógica, dado que um conservador, que se caracteriza por prezar costumes morais tradicionais, não poderá endossar, numa possível composição política entre estas duas forças em um regime hipotético de governo futuro, por exemplo, a liberdade econômica de criar uma empresa de filmes eróticos, o que afetaria a preservação de bons costumes dentro da sociedade; por outro lado, um bom liberal não vai defenestrar a empresa de filmes eróticos, pois isso poria em xeque o dogma do livre mercadismo. A pergunta que fica é que critério iria prevalecer nesse caso e em tantos outros: o da liberdade de ação econômica ou o da valorização dos costumes? Mas, apesar dessa impossibilidade lógica de conciliar as duas facções, há um número enorme de imbecis no Brasil que apostam nessa aliança espúria, aliança que só tem trazido avanços para as pautas liberais. 

Durante os protestos pró-impeachment foi o que vimos nas ruas: liberais e conservadores gritando contra Dilma. Ela caiu mas Temer, até aqui, só favoreceu políticas liberais. 

A razão disso nós mesmos já dissemos diversas vezes: só há a possibilidade de extrair ganhos reais com alianças deste tipo, contra inimigos comuns, quando se tem uma estrutura que permita forçar o lado oposto a fornecer vantagens concretas. Um exemplo clássico é o do partido nazista na Alemanha: enquanto ele era apenas um entre vários partidos nacionalistas, Hitler se recusou a fazer alianças. Depois que ele conquistou o monopólio sobre a oposição nacionalista no país e obteve boa votação, nos albores da década de 30, aceitou fazer coalização com os conservadores do General Hindenburg. Em 1933, Hitler consegue ser nomeado primeiro ministro, porque já estava numa posição de força que permitia composição sem ter de deixar de lado os princípios do NSDAP. 

Todavia, a nossa direita conservadora é inculta demais para entender isso. Some-se o fato de ser teleguiada por gurus que advogam liberdades econômicas junto com costumes morais, passando a impressão, para o "gado" que a compõe, de que estas duas realidades podem coexistir. 

No que tange ao assunto em tela, o papel do movimento monarquista é outro dado a ser considerado. Reunido em torno da figura do ilustre Dom Bertrand, que é apresentado por  hostes de fiéis escudeiros como um homem piedoso, que mereceria a alta confiança dos católicos, o movimento monarquista se coloca, por várias razões, como alternativa para o Brasil em crise. 

A primeira razão seria institucional: o poder do Rei daria estabilidade a um país cuja era republicana foi marcada por sobressaltos, golpes, impeachments, afetando a boa ordem necessária para que o país cresça. Os elementos liberais que defendem a monarquia se pautam por essa razão. 

A segunda, defendida por elementos católicos que integram o dito movimento monarquista, seria moral: o rei, que seria ou Dom Luiz, ou Bertrand, teria o poder de influenciar positivamente o povo no sentido do temor a Deus e no da prática da verdadeira religião. 

A questão é se, sobretudo a figura de Bertrand, estaria a altura desta missão de reconduzir o país a ordem e a fé. A dúvida se adensa a medida que vemos o sr. Dom Bertrand associando-se, de modo direto, a lideranças maçônicas e a eventos maçônicos, o que provaria - para dizer o mínimo - a sua falta de compreensão do contexto real das forças políticas que nos ameaçam

Em todas as manifestações do MBL lá esteve o movimento monárquico e a figura de Bertrand. Outro membro do família real presente nelas é sr. Luiz Philippe de Orleans e Bragança, um franco apoiador do liberalismo, como bem sabemos. Alguns aduzem que Philippe não representa o movimento monárquico. Que seja, mas Bertrand, sem dúvida, representa.  

Depois de frequentar eventos promovidos pelo Mises Brasil - órgão que milita pela filosofia econômica de Ludwig Von Mises que, entre outras coisas, sempre defendeu que a Igreja foi um fator de atraso para a civilização ocidental - agora eis que Dom Bertrand aparece num carro de som patrocinado pelo Avança Maçons Brasil: 



Segundo alguns elementos do movimento monárquico bertrandista, a estratégia seria usar a maçonaria como "prostituta", para implantar a monarquia e depois desfazer-se dela:





O ingenuísmo de alguns monarquistas é tamanho que ficamos deveras impressionados com ele, dado que é necessário ser muito irrealista para levar a sério esta pataquada. O mais interessante nisto tudo é que Dom Bertrand se coloca como alguém que admira Plínio Correa de Oliveira, fundador da TFP; mas vejamos o que Oliveira diz sobre a maçonaria:

"As forças propulsoras da Revolução têm sido manipuladas até aqui por agentes sagacíssimos, que delas se têm servido como meios para realizar o processo revolucionário. De modo geral, podem qualificar-se agentes da Revolução todas as seitas, de qualquer natureza, engendradas por ela, desde seu nascedouro até nossos dias, para a difusão do pensamento ou a articulação das tramas revolucionárias. Porém, a seita-mestra, em torno da qual todas se articulam como simples forças auxiliares - por vezes conscientemente, e outras vezes não - é a Maçonaria, segundo claramente decorre dos documentos pontifícios, e especialmente da Encíclica Humanum Genus de Leão XIII, de 20 de abril de 1884 19. O êxito que até aqui têm alcançado esses conspiradores, e particularmente a Maçonaria, devesse não só ao fato de possuírem incontestável capacidade de se articularem e conspirarem, mas também ao seu lúcido conhecimento do que seja a essência profunda da Revolução, e de como utilizar as leis naturais - falamos das da política, da sociologia, da psicologia, da arte, da economia, etc.- para fazer progredir a realização de seus planos. Nesse sentido os agentes do caos e da subversão fazem como o cientista, que em vez de agir por si só, estuda e põe em ação as forças, mil vezes mais poderosas, da natureza" - In:  PLÍNIO CORREA DE OLIVEIRA. REVOLUÇÃO E CONTRA REVOLUÇÃO ( PÁGINA 42).

O texto acima deixa clara a sagacidade da maçonaria em se valer de articulações e do conhecimento da natureza humana para atingir as suas metas revolucionárias. É EXATAMENTE ISTO QUE ESTÁ ACONTECENDO, AGORA, NO SEIO DO MOVIMENTO MONÁRQUICO BRASILEIRO!

Em suma: quem tem estrutura para tirar proveito da situação não é o movimento monárquico que não possuiu nenhuma chance, no momento presente, de instrumentalizar a maçonaria. Aliás, é verdade que muitos maçons querem a monarquia de volta e estão aptos a ajudar Dom Bertrand, mas eles a querem para porem em ação fins liberais-revolucionários. Querem uma monarquia por razões meramente institucionais e não para recatolicizar o Brasil.  

Será que Bertrand é tão pouco sagaz que nada percebe sobre esta trama? Como católicos devemos fazer o juízo mais favorável possível de um semelhante, evitando manchar-lhe a reputação se podemos admitir razões outras para suas ações que não a malícia pura e simples. Nem sempre, porém, é tão fácil fazer isso quando alguém se imiscuiu com tanta frequência com aqueles que são inimigos declarados da Igreja.  

É patente que o movimento monárquico virou, em certa medida, vetor para o filo-liberalismo maçonizante. Basta ligarmos alguns pontos: 

1- Dom Bertrand em reunião do círculo monárquico; a sua direita, Antonyo da Cruz, presidente do  Instituto Brasil Imperial, que é notório e conhecido maçom!




2- Luiz Philippe de Orleans e Bragança em evento do Avança Maçons Brasil:


3- Manifestação do dia 26/03/2017 sob os auspícios da Maçonaria:



Sobre tudo isto resta a pergunta: por que Bertrand permite que um notório maçom seja o presidente de um instituto que pretende falar em nome dos interesses da família imperial? Por quê? Isso tudo é apenas burrice, ingenuidade, ou trata-se de estratégia de usar a maçonaria para os fins bertrandistas de restaurar o Império,se valendo das Lojas? E depois de restaurado o Império? As lojas vão continuar tendo lugar no Brasil ou ele irá fechá-las (que seria o mínimo que um monarca católico precisaria fazer para honrar a fé que professa)? Como ele pretende se livrar da maçonaria depois de ter assumido enormes compromissos com ela e depois de dever à mesma a recuperação do trono? Ou ele não pretende? 

Perguntas que não querem calar. 

No fundo o que parece é que Dom Betrand está mais perdido que cego em tiroteio. Ora participa de um evento patrocinado por MBL - que apoiou a operação carne fraca no Brasil, algo que prejudica diretamente nosso agronegócio - ora protesta contra a operação pois vê nela uma conspiração de ambientalistas como ele mesmo deixou claro em seu blog(http://www.paznocampo.org.br/Blog/popposts.asp?id=1315). Ora se o MBL apoia esta operação ele não faz parte da conspiração globalista contrária a nossos interesses como nação? Então por que fazer coro com manifestações que existem justamente para que a pauta do MBL se imponha no Brasil? 


Afinal: Quo vadis Dom Bertrand? 


Rafael G. Queiroz









15 comentários:

  1. A chave para o "mistério" e as perguntas estão expostas no trabalho do professor Loryel Rocha - Instituto IMUB.

    Pesquisem!!

    ResponderExcluir
  2. É fato que os direitóides e conservadores de redes sociais estão sendo arrastados pelos maçons como o gado que servirá como alimento para seus donos.

    Sempre digo por aí: o que estão fazendo é terminar o processo de norteamericanização do Brasil, pois o lado Democrata está consolidado através da Rede Globo, PSDB e afins e sistema econômico dominado pelos grandes bancos.Agora, resta fortalecer o lado Republicano.E isto está sendo feito.Méritos a Olavo de Carvalho e aliados.Os bodes jogam dos dois lados.Os idiotas petistas pensaram que o jogo estava ganho em 2014, agora estão sendo destroçados por quem realmente manda no jogo.

    Quanto aos "monarquistas": só lamentos.São pobres iludidos.É como diz minha mãe: a ignorância pode mais do que a lei...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Este comentário foi removido pelo autor.

      Excluir
    2. Grato irmão. Criticando ou concordando com suas posições, sempre busco ser sincero.

      Excluir
  3. Qual a intenção de Olavo de Carvalho? Uma pessoa disse que é sobrevivência, por isso ele ministra cursos. Acho muito esquisita essa direita no Brasil, ela só pensa em dinheiro, livre mercado. Alguns que eram tidos como liberais econômicos estão aparecendo hoje dizendo que são defensores da cultura "judaico-cristão". Nenhum deles fala em submeter a economia a uma moral (no caso nosso aqui moral católica). Outra coisa: a TFP parece que aderiu a esta nova direita brasileira, hoje a TFP fala em livre mercado, estado mínimo, privatização. Desculpem minha sinceridade: mas não confio em D. Bertrand e nos demais Orleans, não vejo nele um autêntico patriota, um sujeito 100% comprometido com o Brasil, até mesmo, um ex-tfp concordou comigo (é claro que podemos estar errados).

    ResponderExcluir
  4. Rafael, sinceramente, é difícil....

    Todos sabemos que o liberalismo é um grande mal. Todos concordamos que o liberalismo é causador do socialismo. Plinio Corrêa de Oliveira: “[...]Leão XIII acabou, entretanto, com esse artifício diabólico [de acharem que só havia dois caminhos]. Mostrou ele com clareza invencível que socialismo e liberalismo estão entre si como o efeito e a causa; que de um erro se escorrega insensivelmente para o outro”... (http://www.pliniocorreadeoliveira.info/LEG%20390709_LIBERALISMODESLEAL.htm)

    Também concordamos que as divergências entre um e outro são apenas e tão somente acidentais. De novo, Plinio Corrêa de Oliveira, o grande líder católico do século XX: “[...]há certas contradições entre socialismo e liberalismo. E isto conduz a fáceis objeções contra o que acabo de afirmar. Assim, o totalitarismo econômico facilmente destrói a liberdade política. E reciprocamente. Mas esta contradição existe apenas nas etapas intermediárias que ainda não são o anarquismo total, se bem que predisponham para ele. Pois tanto se pode chegar a este último por uma liberdade absoluta, quanto e principalmente por uma igualdade absoluta.”[...] (http://www.pliniocorreadeoliveira.info/OUT_79-06-09_A_justica_esta_na_desigualdade_crista.htm#.WNw0_PkrLIU). Uma coisa que me serviu para melhor visualizar essa realidade foi um debate entre liberais e socialistas, principalmente entre Rodrigo Constantino e Ciro Gomes. Este, num momento afirma que almeja uma situação política em que todos tenham total “liberdade” de fazerem o que bem entenderem de suas vidas sobre qualquer assunto, em qualquer circunstância; ao que o oponente fica num silêncio (de acordo). E os liberais falam ad nauseam dessa pseudo-liberdade (libertinagem) também – a última vez que vi foi numa reunião do mbl.

    Agora, o senhor diz que “a aliança conservadora - liberal é uma impossibilidade lógica”. É verdade. Mas, que aliança os conservadores poderiam fazer que enquadrasse-se numa situação inteiramente lógica? A aliança conservadora-socialista seria uma possíbilidade lógica? Ou a aliança católico-protestante? Lembremos apenas que o protestantismo tem função direta na origem do laiscismo – o caráter processivo da revolução mostra isso, “a revolução francesa realizou uma obra de todo em todo simétrica à da pseudo-reforma”.

    Sobre “extrair ganhos reais com alianças desse tipo” e a ideia de busca da monarquia pelos liberais somente pela estabilidade institucional, concordo que temos que melhorar e aperfeiçoar a estrutura do verdadeiro consevadorismo, mas também é preciso levar em conta que a estabilidade é boa para todos, e um regime que preze por estabelecer uma verdadeira representatividade (Dom Bertrand sempre lembra da relação dos reis medievais com seus súditos) irá beneficiar de modo eficaz o povo. Por exemplo, hoje, mesmo na república, já é difícil para os progressistas vencerem com metas legislativas no Congresso com leis impopulares como aborto, ideologia de gênero (basta ver o que aconteceu ano passado) e casamento homossexual, por exemplo. Então, eles mudaram de estratégia, passaram a buscar essas aprovações no judiciário (que não representa o povo). O poder moderador, com seu papel estabilizador característico, além de impedir futuras aprovações mesmo no congresso (com leis inconstitucionais), pois a opinião pública pode mudar, iria impedir a invasão de competências entre os poderes constitucionais.

    ResponderExcluir
  5. Outra coisa: o evento não era “maçônico” ou do MBL. Tratava-se de um evento público. Geralmente, hoje, tais eventos aparecem com a seguinte organização: “realização” (instituição tal), “apoio” empresas tais e instituições tais – que patrocinam com dinheiro ou publicidade. O mbl e a maçonaria foram alguns dos que patrocinaram-lo. Outros que participaram e convocaram as pessoas foram: “Vem pra rua”, que é repbublicano, foi o único que eu pessoalmente vi convocar; “Nas ruas”; “Revoltados Online”; pró-intervenção militar. Alguns defendem o liberalismo, outros limitam-se (mais absurdamente ainda que os liberais) a apenas lutarem “contra a corrupção”; outros com pautas consevadoras (não que sejam necessariamente católicos). Porém, as pautas principais dessas manifestações eram o apoio à Lava-Jato (o todo dela, que é o combate direto à corrupção, e não aos detalhes), fim do estatuto do desarmamento (pauta conservadora), fim do foro privilegiado, pela volta da monarquia (em menor escala). No mais havia muitas outras reivindicações – o que torna, é claro, algo vago e ineficaz. Porém, vendo essas outras reivindicações, percebe-se que são reações salutares do povo brasileiro (contra o aborto, o feminismo, a ideologia de gênero – algo que temos que valorizar). O Bolsonaro, por exemplo, que luta contra o casamento homossexual, foi ovacionado em Copacabana.

    Agora, o Antônyo da Cruz é “liderança maçônica”? Sei que hoje há muitas pessoas iludidas dentro da seita maçonica, sem saber o que ela é realmente, achando que é mera instituição de filantropia e de ajuda mútua. Antônyo da Cruz não parece ser assim, parece ser instruído, mas também não podemos saber se é uma “liderança maçônica”. E ele não fala “em nome dos interesses da família imperial”. Não, quem o faz são os próprios membros da mesma, e, secundariamente, sua secretaria, o Pró-Monarquia. Constitucionalmente vigora a (maçônica) liberdade de associação – que não é possível derrubar pela via institucional. O máximo que a família imperial pode fazer é admoestá-los. Foi o que fez dom Luíz de Orleans e Bragança, quando Antônio da Cruz promovia a formação do RDP, seu partido. Dom Luíz mostrou, numa nota, sua contrariedade, fazendo valer, como sempre, sua intransigência nos princípios.

    Também temos que admitir que a maçonaria é uma instituição complexa. E dividida: há ramos que defendem uma certa religiosidade de seus membros e outros “declaradamente inimigos da Igreja”, como o senhor disse sobre estes últimos, Rafael. A maçonaria, seja ela qual for, é inimiga da Igreja. Mas nem todos os ramos o são declaradamente. E já li em alguns textos que hoje ela não goza de tanto poder quanto antigamente, apesar de haver maçons em altos cargos. Ela continua sendo a seita mestra no sentido filósofico com seu naturalismo e relativismo que dominam a sociedade e engendraram a formação de outras seitas menores e mais influentes ainda, e no sentido histórico por ter engendrado os grandes males atuais da civilização. Mas, politicamente já li que não está isso tudo. Mas, sinceramente, não tenho como fundamentar este argumento.

    ResponderExcluir
  6. E dom Bertrand assumiu “enormes compromissos” com a maçonaria? O senhor poderia citar pelo menos um deles, Rafael? E isso seria porque falou uns quinze minutinhos no seu carro de som? - aliás nem era seu, ela ajudou a alugar (e se ajudou, junto com a associção médica brasileira, era porque, possivelmente, não tinha dinheiro suficiente para arcar sozinha com as despesas). Era um simbolozinho entre outros. Por que ele falou um pouco no carro de som teve que vender sua alma? Isso é lógico? Ele agora, por isso, virou “marionete” da maçonaria? O carro não era nem dela. E muito provavelmente foi ela quem pediu para ele discursar. Se assim o foi, Dom Bertrand não está na posição de devedor. Não sabemos. Eu pelo menos não sei.

    E – o senhor não falou isto, Rafael, só falo a título de melhor explanação – dom Bertrand não discursou em defesa da maçonaria. Isto sim seria contra a doutrina católica: “quem promover [...] uma dessas associações, seja punido com interdito" (canon 1374 do novo código canônico). Este deve ser o nosso critério de análise enquanto católicos. Assim, vamos ao código mais legítimo, o de 1917, já que o novo sequer fala de maçonaria. “Todo aquele que se inicia na maçonaria, incorre, por este fato, na pena de excomunhão” (cân. 2335/1917). Dom Bertrand não foi iniciado. Cân. 2333: "Os que dão seu próprio nome à seita maçônica ou a outras associações do mesmo gênero, que maquinam contra a Igreja ou contra os legítimos poderes civis, incorrem ipso facto na excomunhão simpliciter reservata à Sé Apostólica". Este seria o caso de não iniciados que vão às lojas ou a eventos maçonicos – isto é, eventos (realmente) organizados pela maçonaria, como este em que o Bispo Dom Lelis Lara foi: https://fratresinunum.com/2009/06/25/consultor-juridico-da-cnbb-discursa-em-loja-maconica/ Este bispo disse que o CVII abriu as portas para a maçonaria. E quem foi o único homem que posicionou-se contra o CVII antes, durante e depois do mesmo? Plinio Corrêa de Oliveira, que é o responsável pela brilhante formação de S.A.I.R Dom Bertrand. O cânon 684 do CDC/1917, sendo vago, tanto que não comporta punição, foi retamente interpretado pelo Supremo Magistério: “Os fiéis são dignos de louvores quando se agregam a associações fundadas ou, pelo menos, recomendadas pela Igreja. Evitem, porém, associações secretas, condenadas, sediciosas, suspeitas ou que tentam subtrair-se à legítima vigilância da Igreja.” Parece muito bem ser este o cânon que enquadra-se ao caso concreto de Dom Bertrand. Esta interpretação foi dada por Sua Santidade o Papa Pio XII, em 11 de janeiro de 1951. Pautemo-nos na doutrina católica. Vejamos o que a Doutrina Católica diz sobre o casamento de católicos com maçons: “Os fiéis devem ser vivamente desaconselhados de contrair matrimônio com maçons” (cân. 1065, § 2). “Só após prévia consulta do bispo e garantida a educação católica dos filhos, pode o pároco assistir ao casamento com um maçom” (cân. 1065, § 2). A doutrina católica permite até casamento, uma união essencialmente íntima. Agora falar quinze minutinhos no carro de som é, em qualquer hipótese e circunstância, proibido?

    ResponderExcluir
  7. E o mais correto seria afirmar que o carro foi alugado (entre outros grupos) por maçons. Por que maçons há que apoiaram, por exemplo, o Aécio Neves nas últimas eleições; lembro que até falaram “Aécio já ganhou, a maçonaria está com ele.” Mas outros maçons também apoiaram a Dilma. E há maçons republicanos, como os há monarquistas. Sendo tão divididos, é possível dizer que foi “a” maçonaria que alugou o carro de som? Não seria mais acertado dizer que foram alguns maçons que o fizeram? Especificamente o “Avança Maçons Brasil”? O que quero frisar é que a situação é superlativamente simplória.

    Os pontos que quero colocar são dois. Primeiro, a forma de reação. Digo sobre a reação de modo geral que alguns tradicionalistas têm sobre assuntos da crise da Igreja. Seu texto deveras não chegou a ser desrespeitoso nas partes, na linguagem. Quanto ao todo (o fato de escrever o texto e divulgá-lo) cabe interrogação. Digo isto pensando na forma como muitos lefevbristas, por exemplo, reagem a certas situações da Igreja, que são extremamente delicadas, sim, mas que permitem indagar se são (as reações) adequadas e proporcionais ao caso. Por que o católico médio muitas vezes não entende nada, por exemplo, quando tradicionalistas vociferam contra o Papa. Estão certos quanto ao objeto da crítica, mas e quanto ao modo? Isso que pergunto. É uma questão realmente discutível (precisaríamos de orientação do magisterio, mas ele também está na crise...) Mas neste caso, prefiro seguir o exemplo de reação do próprio Dom Bertrand que escreveu uma “Filial Súplica a Sua Santidade o Papa Francisco”, sobre questões delicadas que o Papa implementava.

    ResponderExcluir
  8. O segundo, que envolve o primeiro, é sobre a postura. O senhor falou dos quinze minutinhos no carro de som, Rafael. Mas e quanto a muitas outras coisas louváveis de Dom Bertrand? O senhor falou de “discursos humanistas”, Rafael. Mas vejamos discursos nada humanistas:

    1) E quando Dom Bertrand denunciou a conjuração maçônica anti-cristã? http://ipco.org.br/ipco/video-principe-imperial-do-brasil-fala-sobre-a-conspiracao-anticrista/#.WN1_UPkrLIU Houve elogios? Nesse vídeo ele enfatiza os aspectos metafísicos da Revolução, o que é muito importante. Fala também da importância da devoção a Nossa Senhora.
    2) E quando o Príncipe, num evento de conservadores que defendem o liberalismo econômico – sim, incoerência deles, mas falei sobre isso no começo –, defende a regulação sadia da economia pelo Estado (sem excessos regulamentadores ou liberais – como a posição da TFP)? https://www.youtube.com/watch?v=qr2koulMMh0 Neste vídeo também posiciona-se contra o homossexualismo, não somente contra o casamento homossexual. Pergunto: quem faz isso hoje? A importância disso é enorme.
    3) E quando o príncipe fala que a burguesia se auto-destrói com seu materialismo e egoísmo (que não pensa no lado coletivo da sociedade, pois são individualistas)? https://www.youtube.com/watch?v=PQh3oyo2HX4
    4) E quando Dom Bertrand explica que a derrubada das últimas monarquias foi obra da maçonaria? Cairam o Império Áustro-Húngaro e o Império Russo com a Primeira Guerra Mundial, por obra das lojas americanas https://www.youtube.com/watch?v=WKmq50RtGwQ Fala isso ao final do vídeo.
    5) Falou também, em rede nacional, que a Igreja Católica é a única e verdadeira Igreja. https://www.youtube.com/watch?v=HiApDzJdAg0 Isso é simplesmente estupendo! Quem fala isso em rede nacional? Isso deve ter tido efeitos exorcísticos, pois a televisão é imunda.


    Lembremos que não é qualquer pessoa. Se eu falo essas coisas – e falo – ninguém dá importância, e eu também nem percorro o Brasil todo como ele o faz. Mesmo se fosse um padre do baixo clero não teria tanto peso como ele que é da Família Imperial e fala com convicção notória e admirável. Logo, qualquer país com bom senso daria graças a Deus por ter como compatriota e líder monarquista S.A.I.R Dom Bertrand de Orleans e Bragança. Quem o conhece já o admira e segue. Por isso é papel dos monarquistas divulgar os ideais monárquicos e a família imperial, que além de ter legitimidade dinástica, a tem também de exercício, porque, como vimos, encarna os princípios monárquicos.

    ResponderExcluir
  9. Mas, além de não provar muitas dessas coisas que vi, só vejo críticas e mais críticas. Se por um lado está certo, porque o senhor não foi contaminado pelo catolicismo progressista, claramente irenista e inimigo da polêmica (o que é contrário à doutrina católica), por outro, parece que não busca valorizar os acertos e pontos positivos, como certos grupos de católicos que dizem-se tradicionalistas o fazem... Acontece que a virtude está, como o senhor sabe, em aprimorar o bem e cortar o mal, não só em uma ou outra coisa. Digo isso, Rafael, porque vendo essas coisas, parece, aos olhos de quem observa, que pode haver parcialidade na sua posição. Ou mesmo animus delendi, vontade de destruir o trabalho extremamente árduo de Dom Bertrand. Eu sei que não é essa sua posição porque conheço-te pessoalmente. Mas e quem não o conhece?


    Rafael, o senhor fala de fechar a maçonaria. Isso está absolutamente certo, pois de acordo com a Doutrina Católica. Eu, entretanto, pergunto: qual seria o efeito de tal medida (correta)? Isso iria acabar com o livre-pensamento? Iria acabar com a liberdade de consciência? Iria acabar com a liberdade de imprensa? Iria acabar com o liberalismo econômico (que já vigora, em certa medida, apesar de os liberais dizerem que não)? E a liberdade de expressão? Iria acabar com as liberdades maçônicas? Não, pois são coisas que se instalaram em todo ocidente não somente por obra dos fatos políticos da Revolução Francesa. Isso tudo, como mostra PCO, tem sua origem primeira nas tendências, e são obras dos demônios (http://www.pliniocorreadeoliveira.info/1958_086_CAT_Primeiro_marco_do_ressurgimento.htm#.WN2LA_krLIU) . São erros que estão entranhados não somente nas instituições, mas nas próprias pessoas. Quem, por exemplo, hoje, estaria disposto a fazer como os padres de antigamente mandavam: “jogue fora a televisão.” Isso está longe da cabeça das pessoas, nem passa por elas, aliás. O senhor falou dos filmes eróticos do liberalismo econômico; mas e as novelas? Enquanto tais filmes tem 20% de contexto narrativo/enredo e o resto de.... as novelas são o contrário (80% enredo e 20% de [já sabemos o quê]). A pessoa pode até objetar que não vê novela, mas sempre há programas com nudez explícita ou implícita, ou, no mínimo com todos aqueles erros liberais acima, que injetam o diabólico vírus do relativismo na sociedade, que leva as pessoas a abstrairem sobre o que é certo ou errado, sobre o que é o bem ou o que é o mal, tomando essas coisas como sendo de cunho individual. Quando a Escritura diz: “esquadrinharei a Jerusalém com lanternas, e castigarei os homens que estão mergulhados em suas fezes, que dizem no seu coração: O Senhor não faz bem nem mal.” (Sofonias 1, 12). Temos, por causa da televisão, a sociedade mais burrificada da História. Nunca tantas pessoas foram tão relativistas e atéias práticas.

    ResponderExcluir
  10. Outro exemplo é o facebook. Há exemplo mais perfeito de liberdade de expressão – de libertinagem de expressão para ser mais exato, pois a maçonaria subverteu o verdadeiro sentido da palavra liberdade, transformando-a numa paralavra talismã – , oh! lugar para falarem tanta besteira! Praticamente todos têm facebook – que, alías, diferentemente da televisão, muitos jovens estão abrindo os olhos e deixando-o, graças a Deus.

    Rafael, a sociedade, não só a brasileira, mas todo o ocidente parece cantar em uníssono o hino desgraçado da república: “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós!” Vivemos tristes tempos. O mesmo hino fala do canalha Tiradentes. Temos a abençoada chance de escolher entre os descendentes de São Nuno Álvares e São Luís IX ou continuar no diabólico abismo republicano em que o avanço revolucionário correu em alta velocidade, com o divócio, a propagação do protestantismo, o avanço do socialismo no partidarismo, do liberalismo nas instituições e, principalmente, nas pessoas, além de todas aquelas coisas que já sabemos como estados de sítio, revoluções, golpes, etc, etc, etc.

    E qual a solução que o insígne líder católico Plinio Corrêa de Oliveira apontou contra toda essa ânsia diabólica por liberdade, tendo em vista que isso é principalmente sobrenatural? Se o demônio usa como arma a apetência desenfreada de liberdade para afastar as pessoas a grande distância do Divino Redentor, Jesus Cristo, temos que tornar-mo-nos, volutariamente, escravos da Santíssima Virgem, que é o canal único para chegar a Cristo, como ensina Sâo Luís Maria Grignion de Monfort: “Nada há, do mesmo modo, que mais absolutamente nos faça pertencer a Jesus Cristo
    e a sua Mãe Santíssima do que a escravidão voluntária, conforme o exemplo do próprio
    Jesus Cristo, que, por nosso amor, tomou a forma de escravo: “Formam servi accipiens” (Filip 2, 7), e da Santíssima Virgem, que se declarou a escrava do Senhor (Lc 1, 38).” Esse é o único caminho!

    ResponderExcluir
  11. Porém, vivemos uma situação híbrida. Se por um lado as pessoas anseiam cegamente por (libertinagem), por outro começam, inconscientemente, a se darem conta de que estão num abismo, e que “as coisas precisam mudar, porque do jeito que está não dá.” Uns, espertamente, percebem essa insatisfação geral e tentam arrebanhar as pessoas apontando falsas soluções. Uns falam que o problema é econômico; são os socialistas. Outros dizem que o problema é o liberalismo; são, dentre outros, os integralistas, os neo-nazistas, os maurrassianistas (falsas direitas). E outros há que dizem que o problema é cultural; são, no Brasil, toda essa gama de “conservadores-liberais”. Quem aponta que a raiz desses problemas todos, que realmente existem, está na imoralidade e na irreligião? Quem assim diz é que merece confiança.

    Não podemos abstrair Fátima. Nossa Senhora, em Aljustrel, disse para três pobres pastorinhos que os pecados do mundo se tornaram de um peso insuportável na balança divina. É o próprio Dom Bertrand um divulgador infatigável dessa necessária mensagem: https://www.youtube.com/watch?v=hej8UMbxFNs

    Enfim, eu sou pecador, mas não sou herege. Mas, o Dom Bertrand é um homem piedoso, virtuoso e sábio. Se achares uma heresia sequer em sua vida, eu o deixo de seguir. Mas uma coisa importante que Nossa Senhora de Fátima disse é que precisamos emendar nossas vidas. Ela falou dos problemas políticos e nacionais. Citou até um país, a Rússia. Mas disse que a solução de tudo é a conversão. Parece que faz-nos um convite a mudar de discurso. Precisamos deixar de dizer que somos pecadores, mas não hereges, para dizermos que lutamos veementemente contra o pecado, e graças a Deus não somos hereges. Para nós a conversão é impossível. "Eu vos repito: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus. A estas palavras seus discípulos, pasmados, perguntaram: Quem poderá então salvar-se? Jesus olhou para eles e disse: Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível." (Mat. XIX, 24-26).

    ResponderExcluir
  12. Portanto, precisamos fazer tudo o que está ao nosso alcance para restaurar a civilização cristã, fazer o possível. Sobre isso também muito ensinou PCO, que foi um homem de intensa ação. Quanto ao impossível deixemos nas mãos de Deus. Peçamos a Nossa Senhora para fazer em nós a Contrarrevolução. Ela é quem restaurará o que deve ser restaurado, instaurará o que deve ser instaurado e destruirá o que deve ser destruído. Depois do castigo que Ela prometeu, disse: “Por fim o meu Imaculado Coração triunfará.”




    Acredite em mim, meu amigo.


    Observação: todos esses comentários constituem uma só resposta.



    1 de abril 2017, Dia das impressão das chagas de Santa Catarina de Sena. Quaresma.

    ResponderExcluir