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| A segunda onda de protestos no Irã ganhou ares de terrorismo com objetivo de derrubar o regime e reinstalar a Monarquia |
Os distúrbios no Irã, iniciados no final de 2025, não ficaram sendo simples manifestações espontâneas contra a crise econômica mas terminaram se transformado em uma operação de inteligência israelense destinada a desestabilizar o país e preparar o terreno para uma guerra contra a República Islâmica.
E não estamos perante um evento casual e sim parte de um plano deliberado para explorar a situação interna iraniana e enfraquecer o governo de Teerã.
Os protestos começaram em 28 de dezembro como manifestações de comerciantes contra a inflação e a má gestão econômica, mas rapidamente foram direcionados para episódios mais violentos, resultando em confrontos com a polícia e ataques contra prédios públicos.
Grupos armados e indivíduos mascarados iniciaram ações violentas — incluindo ataques contra membros das forças de segurança — que aparentavam ser orquestradas, e não uma expressão genuína e espontânea da população. Israel empregou agentes do Mossad e outros recursos clandestinos dentro do território iraniano, mais de uma centena de agentes teriam sido utilizados e essas redes estariam agora ativas para explorar o caos.
Esses agentes utilizaram drones, armas guiadas e campanhas de desinformação nas redes sociais para alimentar os distúrbios e provocar enfrentamentos diretos com o Estado iraniano.
Cabe destacar o uso intenso de propaganda digital e manipulação nas redes sociais para difundir imagens e narrativas que exageram os acontecimentos e criaram a impressão de um movimento popular unificado. Vídeos produzidos com inteligência artificial e conteúdos manipulados foram as ferramentas de uma campanha informacional coordenada, concebida para dar maior visibilidade às revoltas e enfraquecer a coesão interna do Irã.
Por fim a tentativa de desestabilização não se limitou ao campo informacional, mas incluiu a cooperação com grupos separatistas e células armadas, como aquelas presentes nas regiões do Baluchistão ou entre minorias curdas, com o objetivo de criar fraturas sociais e minar a confiança no governo central. Apesar disso até o momento esses esforços não foram capazes de controlar territórios ou derrubar o regime já que as forças iranianas têm conduzido exercícios de contra-insurgência para responder às ameaças percebidas reagindo a revolução colorida em curso com bloqueios da internet, cortando as redes horizontais de mobilização terrorista nas ruas, além da execução rápida de lideranças. Os sindicatos que apoiavam as manifestações iniciais não endossaram a radicalização, provando que a nova fase das ações nas ruas corresponde a algo articulado de fora do país e não um movimento orgânico e popular.
As falas de Trump ameaçando de intervir no Irã, caso manifestantes fossem reprimidos e mortos, revela a estruturação dessa segunda onda por agentes da CIA e Mossad. Para sustentar essas ações a mídia internacional encharcou as redes sociais de matérias sobre mortes na casa dos milhares, como a CNN que chegou a "noticiar" mais de dois mil mortos pelo regime com base em dados de um ONG norte americana que não podiam ser verificados de modo independente.
Integrando essas observações com uma análise das falhas de inteligência do Irã e das possíveis soluções, percebe-se que uma das principais vulnerabilidades exploradas é justamente a dificuldade iraniana em prevenir e neutralizar infiltrações e operações estrangeiras em seu próprio território, situação que vem se tornando dramática desde o assassinato do General Soleimani, em 2020, comandante da força Quds, braço da Guarda Revolucionária do Irã. A morte de Soleimani não foi apenas a eliminação de um comandante militar, mas o desmonte de uma arquitetura pessoal de relações e informações que sustentava grande parte da projeção externa do Irã. A partir daí ficaram evidentes problemas que já existiam, mas que eram parcialmente mascarados por sua liderança carismática e centralizadora.
A primeira grande falha foi a subestimação da penetração estrangeira, especialmente israelense, dentro do próprio território iraniano. Nos anos seguintes multiplicaram-se sabotagens em instalações nucleares, ataques cibernéticos, explosões em bases militares e assassinatos seletivos de cientistas e oficiais. A presença de agentes externos e a difusão de desinformação indicam deficiências na contrainteligência digital e humana, na proteção das comunicações internas e no monitoramento eficaz das redes de oposição.
Para enfrentar esses problemas, o Irã precisaria fortalecer seu aparato de contrainteligência com auditorias rigorosas, sistemas avançados de segurança cibernética, formação mais profissional e menos ideologizada de analistas, além da criação de protocolos institucionais estáveis que reduzam a dependência de estruturas personalistas.
O aprimoramento da proteção das infraestruturas informacionais e o desenvolvimento de capacidades autônomas de coleta e análise de dados estratégicos, aliados a uma cultura de avaliação realista e pragmática, poderiam ajudar Teerã a evitar manipulações semelhantes no futuro.

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