quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Em torno do Halloween como festa neopagã e esotérica


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Festival do Samhain no século 18
Muito se fala a respeito da festa do Halloween, celebrada no dia 31 de outubro sobretudo nos EUA e que merece, por lá, até feriado. Nas últimas década a data se consolidou no Brasil como referência cultural. A data também é celebrada no México como dia dos mortos, envolvendo elementos da antiga cultura asteca no que tange a exaltação do culto aos antepassados, numa tentativa clara de combater a influência da festa norte americana do Halloween, se valendo de símbolos locais. Deste modo é preciso compreender corretamente donde vem a festa em tela, objeto de imensas polêmicas pois há quem diga que ela nada mais é que uma versão popular da festa de todos os santos, tendo origem no calendário da liturgia católica enquanto outros insistem em referi-la unicamente a cultos pré cristãos e pagãos do mundo antigo e até a práticas satânicas. 

Em primeiro lugar é preciso que se diferencie a etimologia da palavra "Halloween" (Termo que se refere diretamente à data de todos os santos: hallow - santo/ eve - véspera; em suma, dia da véspera de todos os santos que cai em 1 de novembro) da festa que lhe dá origem - o Samhain, celebrado pelos celtas e galeses, durante a idade média, na Ilha da Britânia - atual Inglaterra. Durante o século 8 o Papa Gregório 3 mudou a data de todos os santos - antes celebrada dia 13 de maio - para o dia 1 de novembro. O objetivo era claro; substituir o culto do Samhain pelo dia de todos os santos. Na época a Igreja estava em franca expansão entre os celtas e bárbaros germânicos através das missões dos monges beneditinos que abriam mosteiros e escolas nas zonas habitadas por estes povos a fim de cristianizá-los. A mudança da data contextualiza a ação do Papa dentro destes esforços evangelizadores. 

Logo, o Samhain, É uma festa que remente a celebração celta de cunho agrário ligado ao fim do verão. Na época esse festival assumia caráter sacrifical. Durante o auge da cristandade o Samhain foi semi-esquecido tendo ficado restrito a seitas que praticavam a antiga bruxaria e magia dos povos pagãos, uma religião subterrânea que sobreviveu nos porões da sociedade medieval apesar dos esforços de cristianização da Igreja. Mas a tradição do Samhain foi recuperada na Inglaterra e assumida nos EUA no século 18/19 .Na Inglaterra as leis contra bruxaria foram suspensas em 1736. Essa suspensão mantinha relação com o advento do iluminismo que considerava a crença em bruxas um sinal das "trevas da ignorância" produzida pelo império da religião católica sobre as massas. Desde então, apesar de todo o racionalismo da época, houve um ressurgimento do interesse na bruxaria mas de forma a positivá-la. As bruxas passaram a ser vistas como mulheres incompreendidas e a bruxaria como um fonte de conhecimento ignorada pelas "trevas da religião". Neste contexto se dá a retomada da prática céltica do Samhain. No século 18 esse processo teve como resultado a publicação dos Grimoires - livros populares de magia que tencionavam facultar à população o acesso a esse conhecimento oculto e a cabala. Uma nova visão sobre a bruxaria começava a ser construída nos círculos intelectuais da Europa do século, concepção que acabaria se refletindo na cultura popular do Halloween que só toma força no século 19, período onde existiu uma retomada romântica da bruxaria via ocultismo que tem muita relação com as correntes que revalorizavam os cultos agrários e de fertilidade.

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O livro do historiador Jules Michelet reabilitou a bruxaria


Em 1828 Karl Jarche argumentava que a religião agrária do Samhain e a bruxaria a ela relacionada, eram a antiga religião dos povos bárbaros que a Igreja, falsamente, qualificou de culto ao Diabo. A literatura de Walter Scott, apresentando as bruxas como mulheres perseguidas injustamente, literatura que vai ter amplo alcance popular, terá um papel fulcral para a retomada do Samhain. Franz Mone e Michelet relacionavam a bruxaria à religião do povo, das camadas baixas, oprimidas pelas nobreza e clero católico em suas manifestações sagradas. A bruxaria seria a emergência do espírito democrático dos camponeses medievais contra a opressão da aristocracia feudal, uma religião popular de massas avessa a religião da ordem e da lei (o catolicismo).

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Livro de magia dos Grimoires


Foi justamente este caldo de cultura que foi transportado para os EUA no meado do século 19 dando origem ao "Halloween" moderno. Houve uma grande fome em torno de 1840 na Irlanda levando muitos irlandeses a migrar para os EUA. Por volta de 1870, 30 anos depois dessa migração, já vemos referências à celebração do Samhain nos EUA. Nela várias tradições se misturavam como o uso de maçãs para prever o futuro - algo originado nas práticas de bruxaria medievais - com referências a elementos da vida agrária - a abóbora, o espantalho, etc. Tudo isto porém, está fortemente relacionado ao culto a natureza e aos aspectos noturnos da natureza humana - a tradição de vestir-se de fantasma e do susto, por exemplo. 

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Crowley foi um grande divulgador da bruxaria e ocultismo na Europa e em Nova Iorque, EUA. 

O Samhain é o ano novo pagão que marca o fim das colheitas e o começo dum novo ciclo natural que será iniciado com a morte invernal - não é sem razão que a festa do Halloween faça menção constante a morte e aos mortos; no hemisfério norte, outubro é o mês da queda das folhas e da última colheita, da morte da natureza para ressurgir na próxima primavera.  Os esotéricos do fim do século 19 e início do século 20 - como os seguidores de Aleister Crowley e MacGregor adoravam Pã e Ísis como símbolos da natureza. O Samhaim celta era um culto a natureza. O Halloween é uma retomada deste culto. O caldo de cultura gerado pelo Halloween é, ao mesmo tempo, causa da retomada do paganismo antigo agora sob forma esotérica - no neopaganismo - como efeito de sua restauração no século 19. Não é a toa que Halloween esteja muito presente nos EUA, país fundado pela Maçonaria - que pratica ritos ligados ao culto da mãe natureza - e de forte influência britânica e irlandesa - cabe dizer que a Inglaterra foi o pólo de onde partiu grande parte do movimento wicca moderno, da literatura esotérica vinculada a magia - Crowley, MacGregor, Graves e Gardner, esotéricos ligados a thelema, golden dawn, etc, eram todos ingleses e tiveram seus livros amplamente divulgados nos EUA - e da restauração de cultos de bruxaria em razão de eles estarem vinculados a recuperação da tradição céltica - mais preservada na Inglaterra e Irlanda que em qualquer outro lugar da Europa. Assim devemos enxergar o Halloween como uma expressão popular dessa renascença neopagã que começa no século 19 e como uma festa frontalmente anti-católica. 


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Cartão postal em celebração ao Hallowenn, EUA década de 1920. 

terça-feira, 17 de setembro de 2019

A estratégia criminal de Olavo de Carvalho e os Jacobinos de direita.



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Olhem o simbolismo ("ad dexteram") e tirem vossas conclusões. 



O primeiro passo em direção a uma ação condizente para livrar o Brasil do risco que está a correr é entender o que se passa. Não há a mínima chance de abrir uma via legítima de resistência ao governo Bolsonaro que seja, ao mesmo tempo, uma via alternativa para a reconstrução da nação, sem a compreensão da lógica que o caracteriza e do perigo que nos ameaça agora.

O governo Bolsonaro é um compósito de cinco alas: militares, protestantes, lavajatistas, olavistas, liberais. Cada uma delas tem propósitos e valores diversos o que torna o governo altamente instável por si só. Desde o começo dele ficou claro que estas facções iriam se digladiar pela hegemonia. Cabe lembrar da luta que elas travaram por ministérios antes da posse presidencial e como os militares saíram em franca vantagem no início. Um setor do generalato unido em torno de Bolsonaro, conhecendo bem os caminhos do poder e as tramas do establishment, conseguiu uma boa quantidade de cargos e ministérios, garantindo um importante espaço com 46 militares em posições estratégicas. Mas o embate dalguns milicos – como Mourão e outros que puseram barreira às pretensões israelófilas de transferência de embaixada para Jerusalém assim como aos arroubos de intervenção militar na Venezuela - com as pretensões da ala olavista – comprometida com os interesses de Israel/EUA e encalacrada no ministério do exterior quanto no da educação e contando com o apoio de Eduardo e Carlos, filhos de Bolsonaro, que tem um peso grande dentro da condução do governo – acabou trazendo a demissão dos generais Santos Cruz, Juarez Cunha e Franklimberg Ribeiro, numa clara vitória de Olavo de Carvalho pela hegemonia ideológica sobre o presidente. No começo do ano dissemos que o objetivo de Carvalho era radicalizar a direita aglutinando-a em torno de si sob a alegação de que o governo estaria repleto de “aparelhamento socialista”. A ameaça do “comunismo petista” passou a funcionar como uma “palavra talismã” capaz de suscitar o medo e a mobilização em prol do governo, numa defesa intransigente dele, a ponto de caracterizar possíveis desvios do mesmo em face as promessas de campanha ou dos princípios que legitimaram a subida de Bolsonaro ao poder como produtos de “agentes infiltrados” no governo e não como fruto da inépcia ou da conveniência. Cabe dizer que os postulados que sustentaram a candidatura Bolsonaro eram os da moralização da máquina pública, tecnicidade do estado, império da lei, eliminação dos conchavos e do “toma lá dá cá”, liberação de armas, combate ao crime, valores religiosos, anticomunismo, estado mínimo, etc, postulados estes que em sua maioria foram sendo deixados de lado, seja sob a pressão de limites reais, seja pela falta de compromisso real com estes temas, usados na eleição apenas como instrumentos de demagogia. Assim a moralização do Estado deu lugar ao filhotismo político – com a indicação de Eduardo para embaixador nos USA - e a admissão de notórios corruptos vinculados a velha política dentro da base aliada do governo e nalguns ministérios – caso de Onyx Lorenzoni – o império da lei deu lugar a política da conveniência no caso Queiroz/Flávio Bolsonaro, o toma lá dá cá voltou para passar a nefasta reforma da previdência – que penaliza os trabalhadores com mais tempo de contribuição para o Estado em troca de aposentadorias com valores menores no benefício final – a idéia de armamentismo deu lugar a um decreto pouco incisivo neste sentido, o combate ao crime, via proposta de lei de Moro, está na gaveta, os valores religiosos e morais só existem no discurso dado que o governo está mais empenhado nas reformas econômicas liberais, etc. O que restou de todo blá blá blá eleitoral foi o apoio cego de setores protestantes – que veem o presidente como um “enviado divino" - dos setores do liberalismo econômico que ainda apostam nas reformas, apesar da falta de habilidade de Bolsonaro em negociar com o congresso, e do olavismo militante cada vez mais fanático e empenhado em salvar um governo que naufraga a olhos vistos, incapaz de gerar crescimento, emprego e renda e de cumprir boa parte de suas pautas além de cada vez mais isolado de suas apoiadores de primeira hora e de suas promessas originárias. Boa parte da direita – aquela mais liberaldemocrática e centrista – já deixou o governo. Deputados do PSL – agora dividido entre a ala próLava Toga e AntiLavaToga – já ensaiam uma cisão e a formação doutra sigla o que prenuncia que a ala lavajatista deverá ser ripada do governo como fora, em parte, a ala militar. O exército, dando sinais de descontentamento, já faz movimentos em clara provocação ao governo como a recente promoção do general exchefe da segurança presidencial de Dilma Roussef somado ao fato de o general Otávio do Rego, porta-voz presidencial, ter sido preterido à indicação da quarta estrela o que fará o mesmo encaminhar-se para a reserva.

Perante tudo isto Olavo se colocou na vanguarda da defesa do governo lançando-se de vez como ideólogo-mor dele. Nos seus últimos vídeos, já prevendo a crise iminente entre setores próLavaJato, que defendem o combate a corrupção em geral, e as necessidades de sobrevivência do governo Bolsonaro – que envolvem o arquivamento das investigações sobre o Senador Flávio Bolsonaro, que poderiam resvalar no presidente, abrindo brechas para a queda do governo – o velho abriu fogo e lançou críticas ao lavajatismo acusando-o de descolar o combate à corrupção do combate ideológico ao PT. Para Carvalho o fato da LavaJato realizar-se sob os auspícios da neutralidade da lei impossibilita um combate eficaz ao petismo – razão de ser máxima do governo Bolsonaro, para o astrólogo – que, no fim das contas, seria a única coisa que de fato interessaria. Isto tudo permite dizer que, pouco a pouco, Olavo vai atingindo seus fins, quais sejam o de alcançar a hegemonia ideológica sobre a direita bolsonarista reaglutinando-a em torno do combate ao “fantasma petista” - a tal palavra talismã – apresentado-se como o único que tem o conhecimento efetivo para dar cabo de tal ameaça.

A idéia força de Carvalho é a renúncia a valores e princípios para uma defesa intransigente e pragmática do “Chefe”. Nem conservadorismo, nem combate a corrupção, etc, nada do que foi prometido durante as eleições importam agora mas, tão só, impedir que “O PT volte” e que o “Chefe” caia. O pressuposto do velho astromante é que politica se faz com luta pelo poder entre grupos opostos e não com idéias abtratas ou princípios gerais, ao mesmo tempo que se vale de idéias abstratas rasas – anticomunismo vago – para separar e distinguir sua facção das outras, ao mesmo tempo que aglutina os eleitores bolsonaristas perplexos com as recorrentes crises debeladas pelo governo, em torno dum princípio geral – o combate ao “petismo” (que, no linguajar olavista, significa tudo que não condiz com a narrativa do velho da Virgínia) – evitando, assim, sua dispersão. Como a facção olavista é a única que possui um intelectual como timoneiro de suas ações, a única que tem uma ampla rede de blogs, sites e canais capazes de ecoar uma narrativa política que atue no plano do sentimento popular, qual seja a raiva anti-petista que tomou conta do país - “quem defende lava toga ajuda o petismo pois cria instabilidade”, "MBL é comunista", etc - a única que tem “intelectuais” orgânicos atuando para formatar a opinião do eleitorado bolsonarista, ela acabará engolindo de vez as demais se nada for feito. Importa dizer que a facção olavista adotou um Gramscismo de Direita: eles são o Partido do Brasil. Eles são a encarnação da vontade do povo. Olavo é o Robespierre da Direita. Seus blogueiros e youtubers são seus Jacobinos a guilhotinar, ideologicamente, os divergentes. É bem verdade que os liberais ao estilo Guedes, tem seus thinks thanks, seus círculos e seus intelectuais orgânicos, contudo eles estão pouco interessados em impedir a ascensão do círculo olavista, a não ser que ele se engaje num anti-reformismo liberal – coisa absolutamente improvável pois, por anos a fio, Olavo foi um dos grandes divulgadores da escola austríaca de economia. O cenário é de completa deterioração da vida política brasileira e do estado nacional, prestes a ser capturado, mais uma vez, por um Partido, como já fora sequestrado na era PT, pelo esquerdismo militante tresloucado e facínora.

A ala olavete não medirá esforços para tanto. Seu Gramscismo de Direita levará inevitavelmente ao mais atroz imoralismo e maquiavelismo, destruindo de vez a malha ética necessária para um vida política minimamente razoável no país - cometendo os mesmos pecados que consagraram as ações do PT uma vez no poder - abrindo caminho, quem sabe, para um conflito sem fim e a consequente divisão definitiva do Brasil em facções inconciliáveis o que exigirá, como mostra a história, uma ditadura para assegurar a governabilidade – aí se encaixam as recentes declarações de Carlos Bolsonaro em torno da necessidade de fechar o congresso para que o presidente governe em paz. Este imoralismo e maquiavelismo fica evidente nas viradas repentinas de discurso – antes o STF era inimigo público número um pois recheado de juízes a reboque do petismo, agora é preciso governar sem irritá-lo, o inimigo real é o Foro de SP e não os juízes, etc – e nas composições de conveniência – como no caso da omissão do presidente em vetar a iniciativa do STF de equiparar racismo a homofobia, indo contra seu eleitorado religioso e conservador. Cabe dizer que Gramsci era um leitor dedicado de Maquiavel e que, para o escritor florentino, a política não pode ser fundada nos preceitos da moral ou da religião. Num amplo parágrafo dos seus Cadernos, Gramsci reflete sobre isto nestes termos: “Um conflito é ‘imoral’ quando torna o fim mais distante ou não cria condições que tornem o fim mais próximo (ou seja, não cria meios mais adequados à conquista do fim)...Desse modo, não se pode julgar o político por ser ele honesto ou não...Ele é julgado não pelo fato de atuar com equidade, mas pelo fato de obter ou não resultados positivos...”. Todos os conflitos que servirem ao fim de olavetizar de vez o governo – o que significa torná-lo um instrumento dum regime de força a serviço do direitismo – serão estimulados e promovidos. Portanto, a estratégia gramsciana agora incorporada pela facção olavete vai delinear a ação política em torno de dois métodos, quais sejam, o da  violência e do consenso: acusação sistemático de petismo/comunismo contra quem apoiar a LavaToga, divergir duma vírgula, etc, e caça às bruxas (a criação duma lista de inscrição para a formação da militância bolsonarista sob a chefia de Allan dos Santos do Terça Livre e a abertura da gratuidade do COF do senhor Carvalho para policiais militares envolve este objetivo, qual seja, forjar uma malta de fanáticos e uma força paramilitar que possa ser mobilizada contra os adversários usando até mesmo a força e o recurso ao assassinato) associada a construção duma narrativa – “estamos impedindo a volta do PT e limpando o Brasil, quem discorda é inimigo do povo, etc”.

Perante tudo isto que expomos ou há uma tomada de consciência sobre o problema que se avizinha ou a nação será engolida pelo vórtice do jacobinismo olavista.

domingo, 25 de agosto de 2019

São Luís IX, rei de França, modelo de estadista católico


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Introdução


Impregnar as realidades do mundo com o espírito cristão é um dever de todo católico e São Luís IX foi quem melhor encarnou esse espírito na política. Num tempo onde tantos católicos se deixam levar pelos cantos de sereia da esquerda e da direita sem ter como norte da ação política o Estado Católico, num tempo onde tantos se contentam com participar de manifestações de mera defesa da lei natural como sói ocorrer nos chamados movimentos pró vida ou contrários a ideologia de gênero, defesa que não integra a idéia de cristandade mas apenas dum combate pela moral natural, nos limites da constituição laica do Estado atual, São Luís aparece como um farol de luz a nos indicar a via certa.

A Europa do Século 13

A época em que São Luís desenvolveu sua atividade foi uma das mais fecundas da história pois nela desabrochou a arte gótica, a autonomia das Universidades e a escolástica de Santo Tomás. O século 13, segundo Regine Pernoud em sua obra Lumiére du Moyen Age”, é o apogeu duma era que marcou a máxima organicidade da sociedade medieval, na expressao de Jean de Salisbury. Por sua complexidade e a multidão de órgãos interligados concorrendo todos a existência como ao equilíbrio, a sociedade medieval apresentava notável semelhança com o organismo humano. Senhorias e províncias ciosas de suas prerrogativas, conquistadas através do tempo, corporações e Universidades com insenções garantidas pela tradição em correspondência com o saber dos seus mestres, respeitadas pelos reis e barões – um admirável mosaico de direitos e obrigações onde entre o indivíduo e o Estado se interpunham os corpos intermédios onde o poder era temperado pela tradição, lei divina e lei natural. Nesta época o poder central do rei é o árbitro entre os súditos: o poder que ele exerce é um direito de controle, um poder de julgar as querelas entre os vassalos, apaziguando a vida social e protegendo os usos e costumes.

São Luís IX encarnou o chefe de Estado dentro do ideal de Santo Tomás: o povo não foi feito para o príncipe mas o príncipe para o povo, levando ao mais alto grau a figura do detentor do poder soberano, numa sociedade orgânica e de cariz sobrenatural, inspirada pelo Evangelho como lembra Leão 13:

Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos príncipes e à proteção legítima dos magistrados. Então o sacerdócio e o império estavam ligados em si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, frutos cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer.”- Encíclica Immortale Dei, número 28

São Luís o pacificador

O fato de ter vivido em tais condições sociais e politicas que favoreceram sua função não tira mas antes realça o mérito do santo rei. Já no século 13 víamos os primeiros sinais de decadência moral dos reis onde tendiam a se afastar da orientação da Igreja seguindo, assim uma busca por independência em face ao poder do Papa. É o que explica, por exemplo, as lutas entre Frederico II, imperador alemão, e o Papa Inocêncio III, entre os barões ingleses e os herdeiros do Rei João Sem Terra. São Luís, fiel às tradições de seus antepassados foi, ao contrário, o pacificador e justiceiro defensor dos pequenos atingindo a santidade no exercício do poder público. A grande tentação que sempre assaltou os governantes foi o orgulho e a busca da glória, vício oposto às duas virtudes que seu cargo requer, quais sejam a moderação e a justiça.


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São Luís atendendo aos leprosos
Quando pediram a São Luís para deixar seus barões combaterem entre si, a fim de que eles enfraquecessem, respondeu: “ Se eles vissem que eu os deixo combater poderiam perceber e dizer: o rei nos deixa lutar por malícia; então eles viriam e, por ódio a mim, me combateriam e eu perderia e atrairia para mim a cólera divina pois Cristo diz: bem aventurados os pacíficos”. Por isto o santo rei proibiu toda guerra privada em seus domínios.

A virtude da justiça, não menos importante num chefe de Estado, para o católico se reveste de enorme valor pois foi com ela que os Evangelhos distinguiram São José: “José, seu esposo, que era justo”( São Mateus 1, 19). Ela que é uma virtude cardeal, tem graus. E ela chega ao grau máximo quando significa o sacrifício do próprio interesse. Foi o que praticou São Luís ao devolver aos ingleses, mesmo depois de conquistados, os territórios de Quercy, de Périgord, de Limousin, dizendo: “Estou cero que os antepassados do rei da Inglaterra perderam tudo por direito de conquista que possuo; as terras que lhes devolvo não as dou senão para manter na paz e amizade os meus filhos e os deles que são primos-irmãos. E parece-me que ainda assim faço bom uso da terra pois o rei da Inglaterra antes não era meu vassalo e agora será”. E com isto seu rival mais terrível tornou-se seu súdito, por ter terras na França e a paz ficou garantida entre os dois países por meio século.

Não só nas causas públicas mas também nas privadas Luis IX era o anjo pacificador da França. Como conta o cronista e biógrafo dele, Jean Sire de Joinville, onde mostra a disposição do rei de despachar diretamente os processos durante sua estadia em Vincennes durante o verão, atendado a cada pessoa em sua petição na medida do justo e adequado. Por isto Cesar Cantu disse: “Luís IX era São Francisco de Assis no trono”. São Luís aconselhava o filho nestes termos: “ Faze-te amar pelo povo pois preferiria eu deixar o trono a um escocês para governar bem que deixá-lo a ti se vier a governar mal”.

O santo rei fundou vários institutos de beneficência: O hospital dos cruzados para os cavaleiros que voltavam mutilados das expedições no Oriente, o Colégio da Sorbonne, abrigos para donzelas, etc.

São Luís pai da unidade cristã européia.

Regine Pernoud, na obra citada acima, fala sobre as relações internacionais na idade média ns seguintes termos: “ Praticamente a cristandade pode se definir como a universalidade dos príncipes e povos cristãos, obedecendo a uma mesma doutrina, animados duma mesma fé e reconhecendo o mesmo magistério espiritual. Ela repousa essencialmente sobre um acordo ou entente mística entre os povos. Essa comunidade de fé traduziu-se por uma ordem européia complexa em suas ramificações e grandiosa...a paz dos séculos 12 e 13 foi precisamente, segundo a bela definição de Santo Agostinho, a tranquilidade da ordem”

A autoridade de São Luís, numa sociedade deste naipe, só poderia ser enorme. Sua santidade e sabedoria era reconhecida em toda a Europa mas acima de tudo, sua largueza de vistas políticas ficou evidente pelas relações com a Inglaterra. Quando o rei Henrique III, filho de João Sem Terra se nega a reconhecer as autonomias que seu pai assinara ao chancelar a Carta Magna dos Barões ingleses em 1215, é a São Luís que os Barões vão recorrer. Na sentença arbitral de Amiens, o santo fá-los ceder em algumas exigências a Henrique III chegando a um bom termo e trazendo a concórdia para os dois lados do Canal da Mancha.

Se entendermos que as cruzadas foram guerras defensivas contra a ameaça islâmica que dominando todo o Oriente Próximo, invadindo a Espanha e ameaçando o sul do Mediterrâneo, veremos que São Luís foi o primeiro defensor da Europa contra as hordas orientais e que sua ida a Terra Santa como cruzado foi baseada no amor da cristandade, dessa unidade européia em torno da fé católica.


O perfeito cavaleiro cristão


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Sétima cruzada


São Luís foi o modelo perfeito de cavaleiro cristão que, nas cruzadas, mostrou outras virtudes raras: desprendimento e zelo pela causa da Igreja. Salientar o seu desprendimento é importante para rebater historiadores que não veem nas cruzadas senão ambição material. Claro que houve nas cruzadas e entre os cruzados elementos que, se aproveitando do entusiasmo geral, faziam valer seu proveito próprio. Mas a história relata a legenda dourada de cavaleiros que partiram com real pureza de intenções: Godofredo de Buillion, Tancredo de Siracusa, Luís VII da França, Conrado da Alemanha, Ricardo Coração de Leão, mas entre todos brilha São Luís.

Quando ele, sentindo-se chamado por Deus para a nobre empresa, se ergueu do leito e, mesmo depois de longa enfermidade, não puderam retê-lo: sua mão fez longas considerações políticas sobre os ricos da empresa mas de nada valeram: estava convicto de deixar França e seguir para salvar a Cristandade de seus inimigos. O seu cronista Joinville conta como foi amargo deixar terras, castelos, mulher e filhos à proteção da Igreja para se aventurar no Oriente. O sacrifício do rei que ia sem saber se voltaria foi imenso. Isto foi um daqueles atrevimentos cristãos dos quais fala Camões nos Lusíadas.

No Oriente o entusiasmo de São Luís levou a conquista de Damieta, caminho para o Oriente através do Egito. Como bem diz Michaud, a tática de atacar as cidades do Egito, dificultando a comunicação do Sultão do Cairo com Jerusalém foi digna dum hábil estrategista. A queda de Damieta trouxe o pavor aos mouros que voltaram a respeitar os francos como eram chamados os cavaleiros cruzados. Apesar disso São Luís não conseguiu liberar Jerusalém por conta das atitudes quixotecas de seu irmão, o Conde D'Artois, que mandou atacar as Muralhas de Mansourah, enquanto o grosso do exército estava retido na travessia do Nilo. Isto resultou a prisão dos chefes cruzados incluso São Luís. Em razão da devolução de Damieta como resgate, São Luís fora libertado. O santo rei não quis admitir a devolução mas sua esposa a rinha Margarida de Navarra, para salvar a vida do esposo, devolveu a cidade. Depois deste desastre o santo rei ainda permaneceu no Oriente tentando ajudar os templários e hospitalários na luta contra os islamitas. Eles que andavam divididos por rivalidades foram unidos pela mediação de São Luís. O santo chegou a carregar pedras para reconstruir castelos templários como um simples pedreiro, o que mostra seu intenso ardor cruzadístico. Em virtude da morte de sua mãe, Branca de Castela, ela volta a França mas logo é consumido pela tristeza de ter retornado sem a conquista de Jerusalém. Logo que obteve víveres e dinheiro voltou para o Oriente onde tenciona converter o Sultão de Túnis depois de vencê-lo em batalha. Mas uma epidemia de escorbuto interrompeu o cerco de Túnis que dizimou o exército católico. O filho de São Luís, Tristão, morre durante este evento. Por fim o próprio rei foi atingido e faleceu as 3 horas da tarde - a mesma hora em que Cristo morreu na cruz – do dia 25 de agosto de 1270, com os braços em cruz, deitado sobre cinza como poderia aos que o assistiam.

Embora sem ter conseguido seu objetivo São Luís cobriu-se de glória em razão de seu zelo destemido pela causa da Igreja. Com sua morte se desvanecia o maior ideal medieval, o da criação dum reino de Cristo na cidade onde ele havia sido crucificado e onde lhe recusaram o trono que lhe era de direito.

Neste dia 25 de agosto de 2019 em que vivemos um crise de fé jamais vista, pedimos a São Luís que rogue por nós a fim de que novos cruzados se levantem no sei da Igreja! Deus Vult!

Professor Rafael G. de Queiroz



segunda-feira, 15 de julho de 2019

Os erros da direita "católica", por Arthur Rizzi.



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A direita pseudo católica aposta em pessoas como Bolsonaro - um apoiador do liberalismo, sionismo e do protestantismo, doutrinas condenadas pelos papas. 




Os dois erros que ainda subsistem na dita direita católica são:

1- A crença falsa, baseada numa fake news de Murray Rothbard, de que a Escola Austríaca é o fruto moderno da Escola de Salamanca.

2- De que subsidiariedade é meramente absenteísmo estatal, de modo em que nada se pode fazer pelos pobres em matéria de governo, pois seria violação do princípio de subsidiariedade, e que portanto, os mais pobres deveriam confiar apenas na providência divina e na caridade individual. ( Para entender melhor isto cabe ler o importante artigo "O mito do distributismo sem Estado" aqui: http://www.integralismo.org.br/?cont=920&ox=21

Os dois erros estão interligados, e ambos se mantém por causa de uma correlação de forças na qual essa mesma direita católica se vê presa.

Como a direita católica não tem meios de mobilização de fiéis própria, não tem apoio da hierarquia, e pela própria natureza costumeira do catolicismo local (apolítico e não doutrinal) ser deveras difícil de mobilizar, eles se veem presos ao governo americanista do Brasil. Governo que como todo americanismo, é liberal e se alicerça sobre as pautas morais dos evangélicos, eles se veem forçados a tolerar e até apoiar o que vem no conjunto do pacote: liberalismo econômico, anti-estatismo burro, sionismo bucéfalo, etc.

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O professor Arthur Rizzi

Isso faz com que liberais que são maus católicos (católico liberal não existe), ajudem a criar uma defesa intelectual e teórica desse tipo de promiscuidade ideológica. O que faz perpetuar essas duas falsas noções acima.

Agregue-se ainda, o fato de que o meio tradicional e conservador da Igreja, embora esteja crescendo para setores das classes C e D devido a internet, concentra-se em indivíduos das classes B e A. Nesse caso entra ainda o interesse de classe em jogo. Foi basicamente o que ocorreu no caso da TFP e seu liberalismo prático.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

4 de Julho ou os EUA como início da Babilônia anticristã

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O governo Bolsonaro - talvez o mais identificado com os EUA, na história do Brasil - representa a entrada definitiva do país no esfera da ideologia da grande Babilônia moderna



Há uma verdadeira tara por parte dos “conservadores” brasileiros em torno dos EUA e de símbolos como a data de sua independência – o infausto 4 de Julho - que torna deveras contraditória a posição conservantista dos mesmos, afinal, a idéia por trás dela é a de que o “conservadorismo” seria a ideologia perfeita para garantir, dentro da vida social, a prevalência de certos costumes morais e religiosos contra a degeneração da new left, ou nova esquerda, a mesma que defende direitos lgbt, feminismo, laicismo, cotismo, relativismo moral, etc. O americanismo dos “conservadores” brasileiros é uma posição esquizóide pois postula “conservar” uma tradição – a dos EUA - estranha à sua própria nação. O que esperar, normalmente, de conservadores senão que conservem a própria forma de viver, ser, pensar? Todavia aqui no Brasil a atual onda de “conservadorismo” é um fato sui generis, único na história e no mundo: é a primeira que visa , não a sua identidade mas a dos outros, o que prova que o Brasil caminha – infelizmente – para deixar de ser um país normal. Não custa lembrar que o culpado mor deste processo de deformação moral, que acontece agora aqui, é o senhor Olavo de Carvalho. O velho guru acostumou o seu público cativo a acreditar em três coisas:

1- Os EUA são a nação mais cristã da história;

2- A independência dos EUA não foi uma revolução mas uma contra-revolução (um oposto, portanto, da revolução francesa, que seria aí o símbolo mor das revoluções) e portanto o antídoto para todas as revoluções.

3- O Brasil deve adotar o modelo social americano para evitar o comunismo e virar uma civilização.

Primeiro é preciso que se diga que os EUA não são a maior nação cristã da História mas a maior nação protestante da História. Alguns vão objetar que “protestantes são cristãos”, o que não deixa de ser verdade mas uma verdade fraturada pois eles só são cristãos pela metade. O ato fundador dos EUA, como modelo de sociedade, foi a chegada do Navio Mayflower em 1620, época das 13 colônias. Em que consistiu este fato senão na idéia de que aquela nova terra era uma terra de liberdade onde todas as profissões de fé, modos de ser, variedades de costumes, poderiam florescer sem a interferência do poder do rei da Inglaterra que impunha uma religião oficial aos súditos, opondo à liberdade, uma autoridade absoluta? Os calvinistas do Mayflower só queriam um lugar onde pudessem adorar a Deus do seu modo, com liberdade. A lógica por trás da colonização começada em 1620, de forma espontânea sem a interferência inglesa, era a de que se você era um calvinista que fosse para uma colônia puritana, se fosse quaker que fosse para uma colônia quaker, se fosse batista que fosse para uma colônia batista. Havia tantas colônias e vilas quanto o número de cabeças e de filosofias/religiões. O que estava em jogo ali não era assegurar a reconstrução da sociedade católica destroçada pelos reis anglicanos da Inglaterra. Se 1620 significasse um êxodo dos perseguidos pelo rei para refazer a cidade católica que fora a glória e salvação da Inglaterra anterior ao ato de supremacia de Henrique VIII, em 1532 , aí a história americana seria uma epopéia digna de ser louvada e cantada pelos séculos. Entretanto as 13 colônias foram a vitória da renascença pagã no mundo cristão protestante – e nada mais anticristão que o renascimento e seu culto da liberdade de pensamento, ou seja, da liberdade de renunciar aos dogmas da fé. As 13 colônias eram um “paraíso” anárquico onde a liberdade de pensamento renascentista, na forma de liberdade religiosa, finalmente podia florescer, longe do poder autocrático dos monarcas absolutos – preocupados em manter alguma unidade de pensamento em seus domínios, alguma unidade moral/religiosa. 

Segundo que, por tudo isto, a Independência dos EUA, iniciada em 1776, foi apenas um capítulo dum longo processo de maturação duma nova sociedade que nascia, não baseada na obrigatoriedade do dogma ou da lei divina, ou na obrigatoriedade da obediência mas no direito de desobedecer e de pensar livremente. E, por isso, ela foi uma revolução pois ela coloca início ao fim da era moderna dos reis absolutos em que se apostava na união entre rei-igreja e no controle do pensamento, sujeitando-o à verdade religiosa. Ela poderia ter sido uma revolta justa se seus colonos, rechaçando seus pais fundadores protestantes dissessem: nós queremos voltar a ser católicos e então vamos desobedecer às leis intoleráveis de Jorge III e restaurar aqui a Inglaterra Católica. Só aí ela não seria uma revolução mas uma contra-revolução que sempre tem caráter restaurador. Entretanto a Independência teve móveis mais mundanos: luta contra os impostos, considerados abusivos já que os colonos não tinham representação no Parlamento Inglês, o que inaugurava uma nova era, a da liberdade negativa, aquela que não afirma nenhuma verdade mas nega todas elas a fim de dar ao homem infinitas possibilidades; luta contra a autoridade, o que implodia a noção tradicional de nobreza, trazendo, com isso, a era da autonomia do indivíduo frente ao poder constituído, o que constitui uma inversão, uma reviravolta política, e, logo, uma revolução pois o que são elas senão mudanças de 360 graus na história? Neste caso os governantes, que antes tutelavam, passam a ser governados e tutelados pelos indivíduos e pelo pacto social; em suma a autoridade e o poder, que antes seguia de cima para baixo, agora passava a vir de baixo para cima.

Terceiro que, por mais que os ridículos “conservadores” brasileiros tentem afirmar uma diferença cabal entre a Independência dos EUA – ou melhor dizendo, revolução americana, a mãe de todas as revoluções – e a revolução francesa, o fato é que a história desautoriza esta leitura. O amor das liberdades chegou a França através da Inglaterra e dos EUA. A juventude nobre da França, contagiada pelo exemplo de 1776, mostrava enorme entusiasmo pelas maneiras igualitárias e desprezo pelo “espírito aristocrático” já na década de 1770/1780, anos que antecederam a revolução em Paris. A jovem nobreza, a primeira a ser invadida pelo contágio do espírito filosófico, trazia, do exemplo americano ,um gosto entusiasmado pelas formas do governo representativo e pelas liberdades da tribuna. 1776 passara a servir de farol aos que pensavam em revolucionar também a França:

“Embora não houvesse dez republicanos de verdade, em Paris em 1789, como disse Camilo Desmoulins, que era certamente um desses dez, era “chic”, em Versalhes, dizer-se republicano, à moda americana. Foi por isso que muitos jovens nobres seguiram Laffayete à América, para ajudar a causa dos rebeldes democráticos yankees (L. Madelin - Les Hommes de la Révolution, pg. 8).

“O entusiasmo pela jovem América se manifestou inicialmente em panfletos, canções, libelos contra a monarquia caduca; mas não parou lá; toda a jovem nobreza, de repente enamorada pela democracia, embarcou e atravessou o Oceano, indo até aos EUA, para contemplar de perto a aurora dos novos tempos” (G.Lenotre, En France, jadis-pg.190).

A mania democrática chegou a tal ponto que se deixou de jogar o whist, jogo inglês, e se passou a jogar o “Boston”, cujo nome – que lembrava o Tea Party, episódio da independência americana - dava ao jogador um “que” de insurreto. (Hugues de Montbas, La Police Parisienne seus Louis XVI, pg.169).

Não sem razão Hanna Arendt, em sua obra “ A vida Do Espírito”, examinando a mentalidade dos pais fundadores dos EUA, nota que 1776 buscava ser um novo começo para a história, um novo início da humanidade, identificada na frase lapidar que se encontra num dos símbolos numismáticos do país, o dito “Novus Ordo Seclorum”, ou seja, Nova Ordem dos Tempos. 1776 quis ser o sepulcro do passado e o nascedouro do futuro – da era de liberdade/igualdade, da era maçônica. Para ritualizar esta nova fundação do mundo – não mais em Deus mas no Homem feito um “deus” - George Washington, primeiro presidente dos EUA, ergueu a pedra inicial do futuro Capitólio, vestido com os paramentos maçônicos, onde, dirigindo orações ao “deus” natureza, à divindade da maçonaria, se valeu do rito do lançamento da pedra angular existente nas Lojas do Grande Oriente, em que  consagrava a mesma com trigo, vinho e azeite e a media, simbolicamente, com um triângulo de madeira e um régua em T, significando que aquela era a Nova Pedra Fundamental do Mundo, a pedra perfeita. Ora sabemos que, na tradição cristã, Cristo é a Pedra Angular. Porém não foi nesta pedra que os EUA foram fundados e sim na Pedra Maçônica que significa o esforço do homem em tornar-se, pelo uso da razão em liberdade e igualdade, alguém que seja capaz de despertar, em si, a “centelha divina”. A idéia aí é: o homem deve desenvolver ao máximo o seu poder até igualar-se a divindade. Os EUA são a concretização desta ideia na forma política, um Estado que serve ao homem como a um “deus”. Esta é a mesma base ideológica na qual a new left se escora, new left pela qual os conservadores brasileiros sentem repulsa. E isto só prova que o movimento criado pelo senhor Carvalho é, não a alta cultura, mas Satanás revestido de anjo de luz; no fim das contas trata-se de um regimento de imbecis crentes de que estão a servir a Deus quando, na verdade, estão a acender uma vela para o cabrunco e a preparar, sem saber, o seu reinado definitivo sobre o mundo.

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Washington lançado a pedra maçônica de fundação do capitólio em 1793

Em quarto lugar nos 243 ANOS da Independência Americana o que tivemos foram guerras contra monarquias católicas, saque ao México, apoio a revolucionários de toda sorte, criação da cultura de massas, revolução sexual, expansão da democracia iluminista laica, nascimento do tráfico internacional de drogas na década de 1920, bombas atômicas, apoio irrestrito ao infame ESTADO DE ISRAEL, 5 MILHÕES DE MAÇONS, guerras ininterruptas – de modo que os historiadores falam de intervalos pequeníssimos sem algum envolvimento em conflitos bélicos por parte dos EUA, ao longo de sua existência como Estado – etc. Não há nada a comemorar nem a aprender de positivo com os norte americanos. O Brasil não precisa emulá-lo para se tornar uma civilização pois os EUA não são uma civilização mas uma barbárie com verniz de prosperidade econômica. O homem de hoje, levado pelo brilho da matéria e do poder do dinheiro se deixa fascinar por esta sociedade neopagã mas aqueles que realmente amam a Deus e querem conservar a vera tradição cristã não podem ter outra atitude senão odiar, do mais fundo da alma, a Babilônia do Norte.





terça-feira, 28 de maio de 2019

9 razões por que Ernesto Araújo é um inepto que não conhece história

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O fenômeno do imbecil coletivo - antes restrito a esquerda - agora toma também a direita. E o pior: se encarna até em personagens que, pela sua condição profissional, deviam prezar pela inteligência aguçada dos fatos e das coisas. Falo aqui no sr. Ministro das relações exteriores e aluno de Olavo de carvalho, Ernesto Araújo. 

Recentemente Araújo lançou um artigo em seu blog "Metapolitica", aproximando - como é de costume na esfera olavética - marxismo e nazismo numa tentativa espúria de santificar a direita. Sim o objetivo é esse: canonizar a direita liberal-conservadora como a única via possível, decente, digna, moral. Aqui o objetivo não é discutir, agora, se nazismo e marxismo prestam. Na verdade esta tendência a abordar as ideologias primariamente por um crivo maniqueísta - é bom ou mau? - beira a infantilidade. Sou professor e costumo receber perguntas deste tipo quando leciono sobre guerras e revoluções, coisa absolutamente compreensível para mentes inexpertas e que ainda não entendem que o mundo é mais "cinzento" que "preto no branco".  O que não é compreensível é que alguém que se considera um intelectual se comporte da mesma maneira. Um aluno a gente perdoa, um diplomata não. 


Não vamos nos ater a refutar ponto a ponto mas a fazer alguns apontamentos gerais que derrubam os pés de barro das alegações de Ernesto. 

Primeiro que fique claro: aliança liberal - conservadora é a bola quadrada. Uma impossibilidade lógica fácil de compreender. Chegamos aqui a pensar que o sr. Araújo fosse razoavelmente inteligente, quando, tempos atrás, nos deparamos com alguns artigos seus, mas foi um rotundo engano. O sr. Araújo pensa que é alguém livre de ideologia mas não é. O sr. Araújo é alguém que reconta a história conforme a conveniência política da hora. 

Sobre a questão de o nazismo ser de esquerda ou não, o sr. Araújo ignora, por exemplo, que:

1- Se Hitler e o NSDAP eram de esquerda, por que Otto Strasser saiu do partido nazi e fundou o Partido Nacional-Socialista revolucionário e que postulava a luta de classes?

2-Por que Hitler fez acordos com os barões da indústria alemã assegurando-lhes a propriedade privada dos meios de produção caso viesse a governar um dia, desagradando a ala strasserista do NSDAP? 

3-Sim o nazismo era anticapitalista mas por que era contra o "capitalismo internacional" e não por que fosse defensor da coletivização dos meios de produção. Como bem mostra o historiador Tyrrel:

 "Hitler entendia que a terra era destinada à coletividade do povo mas o que se produz nela com o talento individual era de posse privada". 

Isso coloca o nazismo na condição de  "terceira posição nacional" e não de esquerda ou direita.  É comum nos meios direitistas e esquerdistas do Brasil reduzir tudo a estas duas categorias. Todavia "esquerda" e "direita", são conceitos cambiantes e relativos e não ajudam muito a entender a realidade múltipla da política. O PT é de direita em face ao PSTU e de esquerda em face ao PSDB. Logo, para entender uma doutrina política não podemos nos valer tão só desta categoria relativística, mas sobretudo duma análise acurada da substância das doutrinas em tela. Por exemplo: tanto o bolchevismo quanto o nazismo falavam de um "novo homem". A uma mente superficial isso pode parecer equivalência mas sabemos que não é. O cristianismo também fala do "novo homem", nem por isso pode ser classificado como irmão do nazismo ou do bolchevismo. O novo homem soviético e o novo homem nazista são tão distantes que jamais se encontram a não ser para se digladiar: não há a mínima chance de conexão ou simbiose aí. Estar a direita, no século 19, era ser contra a igualdade de todos perante a lei. Já hoje o direitista padrão defende a igualdade perante a lei contra as políticas afirmativas da esquerda que postulam privilégios legais para grupos marginalizados. Essa atitude de classificar tudo em termos de direita/esquerda está no plano da sub-intelectualidade e de um método que se baseia apenas na aparência das coisas. Foi Platão quem disse que as aparências eram enganosas e ele tem toda a razão. Sofista é justamente aquele que, não conseguindo ir além das aparências para subir ao céu das idéias, se fixa na doxa produzindo um conceito enganoso da realidade. O sr. Araújo é um sofista. 

4- Foi o nazismo quem lutou contra a URSS e não os EUA. Quem fez acordo com o comunismo em Yalta e Teerã dividindo o mundo com o bolchevismo foram os EUA e a Inglaterra capitalista, países de tradição liberal, e não a Alemanha nazista. 

5- No Mein Kampf, Hitler deixa claro que seu objetivo principal consistia em destroçar a URSS e o bolchevismo. Seu intento não era atacar a Europa Ocidental mas a Rússia. As coisas mudaram em 1939 por que a Inglaterra declarou guerra a Alemanha, obrigando o III Reich a abrir dois fronts na década de 40. 

6- A União Soviética não foi a primeira a tentar um acordo com o Terceiro Reich, mas a última. A Liga das Nações, formada majoritariamente por países capitalistas, antes mesmo do Pacto nazi-soviético - meramente tático, coisa evidenciada pela Operação Barbarossa - já havia concedido a Hitler o direito aos Sudetos e Áustria. Forçar uma proximidade ideológica entre URSS e Terceiro Reich é pura ignorância de fatos que deveriam ser comezinhos para um diplomata. 

7-  Se analisarmos as grandes crises históricas, notaremos que todas elas terminaram por provocar uma concentração do poder nas mãos de um líder mais ou menos autocrático: a Primeira Revolução inglesa desaguou no poder pessoal de Cromwell; a Revolução Francesa, naquele de Robespierre e, sobretudo, anos depois, no de Napoleão; o resultado da revolução dos escravos negros de Santo Domingo foi a ditadura militar, primeiro, de Toussaint Louverture, e mais tarde de Dessalines; a Revolução Liberal na França de 1848 levou ao poder pessoal de Luís Bonaparte ou Napoleão III. A categoria de totalitarismo para dizer que "nazismo é de esquerda"  pode servir, no máximo, à análise comparada das formas práticas de governo a que se recorrem em situações de crise mais ou menos agudas mas nunca para determinar substâncias. Assim, se nos esquecemos do caráter formal dessa categoria e a absolutizarmos, corremos o risco de constituir uma família de irmãos gêmeos demasiadamente numerosa e heterogênea. No que se refere ao período entre as duas grandes guerras mundiais do século XX, são inúmeras as crises que culminaram na instauração de uma ditadura pessoal. De fato, uma análise mais atenta permite observar que esse é que vai ser o destino de quase todos os países da Europa continental e do Hemisfério Norte Ocidental. Os únicos que ficaram fora disto foram os dois países de origem anglo-saxã: EUA  e Inglaterra. Mas inclusive esses países, a despeito de terem atrás de si uma sólida tradição liberal e de gozarem de uma situação geográfica e geopolítica particularmente favorável, viram a manifestação da tendência à personalização do poder, à acentuação do poder executivo sobre o legislativo, à restrição do rule of law: nos Estados Unidos, bastou uma ordem de F. D. Roosevelt para que os cidadãos estadunidenses de origem japonesa fossem presos num campo de concentração. Quer dizer, a análise das práticas de governo, na qual se funda a categoria de totalitarismo, acaba atacando, ou ao menos roçando, até mesmo os mais insuspeitos países. Isso demonstra, por a mais b, que o sr. Araújo não sabe do que fala. 

8-  A junção URSS - EUA durante a Segunda Guerra Mundial não foi mera necessidade da hora contra um inimigo em comum mas um consórcio possível graças a identidade ideológica entre os dois sistemas. Em 23 de julho de 1944, Alcide De Gasperi, que se preparava para ser o presidente do Conselho na Itália livre do Fascismo, pronunciou um discurso em que afirmava enfaticamente: " Hitler e Mussolini... inventavam aquela pavorosa legislação antijudaica que conhecemos...porém ao mesmo tempo vejo o povo russo, composto por 160 raças, buscar sua fusão, superando a diversidade existente entre a Ásia e a Europa, essa tentativa, esse esforço pela unificação do consórcio humano". As palavras de De Gasperi são bem significativas: mostram que o ideal soviético era o da cosmópolis; o mesmo ideário se encontra nos EUA com sua religião da liberdade universal. O que é interessante é observar que o sr. Araújo, ao mesmo tempo que se diz anti-globalista, aposta justamente numa leitura globalista da história em que exalta o modelo da cosmópolis estadunidense.

A antítese ao esforço nazi-fascista em defesa da supremacia da Europa era não só o universalismo da democracia americana em sua raiz liberal, onde todos os indivíduos são iguais perante a lei independente de seu valor pessoal, ideologia que justificava o anticolonialismo europeu mas também o bolchevismo da URSS na qual a herança européia vinha sendo contestada e destruída desde 1917. O principal inimigo da Europa, a quem Hitler desejava defender, era a União Soviética, que incitava a revolta dos povos (URSS que nada mais era que a expressão da vontade judaica revolucionária de um imperium utopista) contra o senhorio da Europa e de sua cultura tradicional. A partir da ascensão dos bolcheviques ao poder – escrevia Oswald Spengler –, a Rússia retirou a “máscara branca” para se tornar “de novo uma grande potência asiática, mongol, animada pelo ódio contra a humanidade branca. Logo não havia nada de comum, essencialmente falando, entre nazismo e a esquerda bolchevique. A referência ao fato de que nazismo e comunismo ambos "destroem as estruturas tradicionais da sociedade" vale até para o liberalismo que Araújo apoia, dado que, por onde passou, destruiu as antigas corporações e poderes intermediários. Será que o liberalismo é de esquerda também? O que Araújo usa para identificar esquerda e nazismo são aspectos acidentais. Mas aliás, que estruturas tradicionais o nazismo destruiu que já não estivessem destruídas pelo capitalismo liberal, desde o século 19? A afirmação de Araújo é completamente demencial. Se na Rússia o bolchevismo destruiu a antiga sociedade feudal que ainda restava de pé no campo, o nazismo encontra a Alemanha já na era industrial de massas, onde as antigas hierarquias já haviam desaparecido. O que restava delas, precariamente, era o baronato descendente dos junkers prussianos, justamente com quem Hitler atrelou-se. Falta à análise de Ernesto - é até bondade chamar o artigo em tela de análise, que fique bem claro -  uma avaliação séria sobre as doutrinas nazistas e o bolchevismo, talvez por que Araújo não tenha a profundidade intelectual para fazê-la, preferindo repetir um lugar comum da olavosfera, o que lhe coloca na condição, não de um intelectual sério em busca da verdade mas na de um retórico interessado nos aplausos da platéia cativa: ou seja, na de um sofista.  

9- Em suma: EUA/URSS representavam, por suas ideologias de fundo, um cosmopolitismo, quer dizer, repreentavam a idéia de unidade do mundo através da igualdade e liberdade comum a todos os homens. A Alemanha postulava outra coisa: a supremacia da Europa contra a barbárie da massificação liberal/igualitária típica da sociedade pós 1789, ainda que se possa discordar do caminho por ela escolhido em 1933 quando da ascensão do nazismo, o fato inegável é que ela é quem significa, verdadeiramente, uma viragem anticosmopolita. E é essa barbárie significada por EUA/URSS a mesma que está levando-nos ao globalismo, o qual Araújo diz que combate apesar de lhe fazer coro quando defende o ethos americano. 



terça-feira, 23 de abril de 2019

Explicando a aproximação entre Olavo de Carvalho e Steve Bannon.


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Olavo e Bannon juntos contra o Brasil



A NRx, também chamada de Neoreação ou Dark Enlightenment, é uma filosofia fundada por Mencius Moldbug/Curtis Yarvin (meio-judeu) e por Nick Land (cripto-maçon). Na NRx existem três seguimentos (tricotomia): tradicionalistas "cristãos-esotéricos", racialistas etno-nacionalistas e tecno-comercialistas.

No grupo tradicionalista teonomista, conhecido como orthosphere, as grandes influências são autores tradicionalistas católicos e neopagãos, além dos perenialistas. Nesse nicho, acredita-se muito nas idéias de Holiness Spirals e Benedict Option, isso sem falar no conceito de sociedade dividida em castas, não biológicas - como fazem Yarvin e os racialistas -, mas espirituais.

A Alt-Rigth teve, em partes, além de influências duguinistas, uma certa influência do segundo grupo, o grupo racialista, por vezes denominado Heroic Reaction ou HRx. Curtis Yarvin, demonstra simpatizar com o catolicismo jacobita - mesmo sendo filho de pai judeu - e acredita que o ideal para o mundo é um governo étnico e neo-cameralista, algo próximo do Estado de Israel atual, tirando a parte do neo-cameralismo que ainda não existe em Israel. Isso explica um pouco o porquê de muitos supremacistas brancos norte-americanos apoiarem Israel. Esses etno-nacionalistas crêem também em um mundo divido em castas - aliás, os três grandes seguimentos da NRx crêem nisso -, mas castas biológicas e não meramente espirituais.

O último seguimento, o do Land, apoia o aceleracionismo, idéia adaptada de Deleuze, segundo a qual o capitalismo deve ser acelerado ao máximo para só assim ser superado, ou pior, para que a condição decadente do homem seja superada (pós-humanismo). Land estudou esoterismo durante um bom tempo, após juntar-se com alguns alunos e professores e abandonar a universidade.

Vale lembrar que na NRx, por influência de Nick Land, profundo conhecedor de kabbalah e gnosticismo, a divindade passou a ser denominada "Gnon" (Nature Or Nature’s God) ou de TAofU (The Arbiter of the Universe). "Gnon" ou "GNON" (com maiúsculas) é um acrônimo modificado de "Nature or Nature's God". Refere-se à personificação da Lei Divina, ou Lei Natural, dependendo da perspectiva metafísica de quem adota o termo.

Muitos entusiastas desse sistema filosófico fazem críticas ao globalismo tentando desvinculá-lo do judaísmo e jogá-lo apenas nas costas dos protestantes, em especial dos calvinistas. Eles denominam o sistema globalista ocidental "calvinista" de  The Cathedral e alegam que o mesmo domina a academia, a mídia e outros setores da sociedade. Para eles, não são os revolucionários judeus os grandes culpados pelos males do mundo moderno, mas apenas, unicamente, os calvinistas.

Steve Bannon é influenciado não só por Curtis Yarvin, mas também por autores esotéricos e perenialistas, como Guénon, logo imagino que seu novo amigo guenoniano, Olavo de Carvalho, possa querer trazer isso para o Brasil. O The Movement (a Internacional Populista) de Steve Bannon é simbolicamente o braço político da NRx.

Fiquemos de olhos bem abertos, pois o neoconservadorismo está se desgastando, o que abre espaço para que idéias desse porte ocupem o abismo que o mesmo deixará em breve. É sabido que no Brasil é comum o hábito de importar lixo estrangeiro.


Autor: Fernando Souza

Fontes:

Tricotomia:

http://greyenlightenment.com/nrx-concepts-a-review/
https://techcrunch.com/2013/11/22/geeks-for-monarchy/
https://altexploit.wordpress.com/2017/05/08/the-political-nrx-neoreactionism-archived/
http://neoreaction.net/bestofnrx.html
http://www.xenosystems.net/trichotomy/

Aceleracionismo:

https://jacobitemag.com/2017/05/25/a-quick-and-dirty-introduction-to-accelerationism/
http://www.thedarkenlightenment.com/the-dark-enlightenment-by-nick-land/
https://vastabrupt.com/2018/08/15/ideology-intelligence-and-capital-nick-land/
https://genius.com/Nick-land-meltdown-annotated
https://www.meta-nomad.net/nick-land-accelerationism-neoreaction-overview-guide/
https://www.meta-nomad.net/on-left-and-right-accelerationism/
http://www.xenosystems.net/re-accelerationism/

Ocultismo de Nick Land:

https://not.neroeditions.com/accelerazionismo-esoterico/
energyflashbysimonreynolds.blogspot.com/2009/11/renegade-academia-cybernetic-culture.html?m=1
http://divus.cc/london/en/article/nick-land-ein-experiment-im-inhumanismus
http://merliquify.com/blog/articles/hyperstition-an-introduction/#.XLerKB5v80P
http://www.zero-books.net/books/malign-velocities
http://securemail.kipsu.com/accelerationism-how-a-fringe-philosophy-predicted-the.pdf
http://www.xenosystems.net/pythia-unbound/
Racialismo de Curtis Yarvin:
https://www.unqualified-reservations.org/
http://greyenlightenment.com/nrx-vs-hrx/
https://froudesociety.wordpress.com/2016/03/02/hrx-takes-its-exit/
https://www.socialmatter.net/2016/12/16/a-brief-defense-of-the-hereditarian-caste-system/
http://www.xenosystems.net/caste/
http://www.moreright.net/books/MenciusMoldbug/AmericanCastes.pdf
https://alternativeright.blog/2014/1

sexta-feira, 1 de março de 2019

A mentira de Van Hattem e o papel do ocidente católico na prosperidade européia

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Recentemente o sr. Deputado Marcel Van Hattem deu declarações polêmicas relacionando a pobreza do Brasil ao facto de ser um país católico e de colonização lusitana. Hattem repetiu o velho clichê de que protestantismo é igual a riqueza e desenvolvimento e, com base nesta pretensa relação, exaltou o modelo social e econômico holandês. Partindo daí nosso objetivo neste breve artigo é discutir se isto realmente procede, desde o ponto de vista histórico, ou não.

1- As origens da prosperidade européia

Primeiro é preciso situar a assertiva de Hattem: ela está ligada à conjuntura da expansão comercial européia e de uma sua hegemonia a partir da era colonial-mercantil, coincidente com o que chamamos idade moderna, o que corresponde aos séculos 16/17. Foi aí que a Holanda atingiu a sua independência em face ao Império Espanhol – alcançada em torno dos anos de 1580 – e que ela virou uma nação dedicada ao comércio naval, colonização e finanças. Sabe-se que a Holanda, nesta época, lançou-se em busca dos mercados da Ásia, África e de colônias na América (Vide o caso da conquista do nordeste do Brasil, em 1630) sob o influxo de capitais judaicos que migraram para a região batava, fugindo da península ibérica donde a inquisição, em sua ação persecutória, expulsava frações desta burguesia financeira judia ligada, desde a muito, ao ofício de financiar navegações em troca de lucros advindos das trocas comerciais e dos monopólios coloniais. Segundo Hattem o sucesso da Holanda se deveu, sobretudo, à sua cultura protestante. Basicamente Hattem se vale do argumento de que o capitalismo só amadureceu graças ao influxo da mentalidade reformada, sem a qual, nem a Holanda, nem a Europa, teriam dado um salto econômico. Ainda para Hattem, a reforma, tendo liberado os agentes econômicos de contribuírem com seus dízimos ao Papa, facilitou a desconcentração do capital e da propriedade – antes centralizada nas mãos da Igreja – dinamizando a economia européia e dando, assim, o passo decisivo para que o capitalismo e a prosperidade econômica se estabelecessem.

É preciso examinar se Hattem tem mesmo razão: será que os instrumentos econômicos criados pelos protestantes foram assim tão decisivos para a consolidação do dinamismo econômico europeu nos séculos 16/17? Vejamos.

2- Teologia e negócios: a práxis e a teoria no mundo católico

Cumpre destacar neste assunto os importantes contributos da Escola de Altos Estudos de Paris que, desde 1950, tem ajudado a compreender melhor a vida comercial, bancária e industrial do fim da idade média.

É seguro que a teologia católica recusou, bem para além do século 15, o empréstimo a juros sob qualquer título. Os teólogos admitiam apenas o reembolso das despesas do emprestador, recusando elementos especulativos no negócio bancário. Condenações a usura nos Concílios de Lyon(1274) e de Viena(1312) foram renovadas no Concílio de Latrão de 1515. A posição teórica da teologia católica sobre usura se manteve constante o que é provado pelas inúmeras obras de casuística sobre o tema lançadas entre o século 16/17. Porém a doutrina escolástica sobre o empréstimo a juros aplicasse a um contexto bem preciso: a proteção dos mais pobres contra os emprestadores sob caução. Na prática esta doutrina se revelou inaplicável aos fabricantes de panos que iam dum país a outro e que precisavam tomar emprestado para manter seu negócio – o que implicava em risco significativo ao emprestador – e aos banqueiros que emprestavam a príncipes e papas – sobretudo para financiar guerras. Os canonistas, nestes casos, tiveram que admitir o princípio do “dannum emergens”, do “lucrum cessans” e o do “periculum sortis” ( respectivamente, o cálculo dum possível prejuízo, o ganho deixado de auferir pelo tempo do empréstimo e o risco de falência do tomador de empréstimo e o consequente dever de indenizar).

Isto tudo se dá no contexto dos séculos da expansão naval européia que pode ser dividida em duas fases:

A- A fase inicial ou mediterrânea (séculos 13/14);
B- A fase madura ou atlântica ( séculos 15/16).

Na primeira fase as cruzadas tiveram um papel decisivo pois a necessidade urgente de fornecer víveres às tropas católicas no oriente exigia a formação de portos e de emprestadores que garantissem transporte, navios, armas, cavalos e alimentos para os soldados. Isto trouxe a formação de cidades portuárias como Gênova na Itália, que não só fornecia suprimentos como recebia as mercadorias que vinham das praças conquistadas ( ouro, especiarias, tecidos, etc) que impulsionavam as feiras da época. Os Templários, neste sentido, criaram as primeiras técnicas comerciais-bancárias avançadas. Quando da fundação da Ordem do Templo ela passou a funcionar não só como milícia católica na Palestina mas como banco, senhora feudal, casa comercial. Os templários inventaram o cheque, o que permitia que nobres entregassem suas terras na Europa para a Ordem em troca de um resgate em dinheiro vivo que lhes seria pago na Palestina a fim de que pudessem comprar armas, contratar homens, construir fortes e castelos, etc. Esta operação de crédito envolvia não a usura, proibida na época, mas despesas de comissão, corretagem, hipoteca e amortização, taxas que garantiam um lucro vultoso, dinamizando a velocidade das trocas na Europa, gerando portanto, as condições para sua prosperidade. Por outro lado havia muitas doações de fazendas e praças fortes urbanas ao Templo feitas por príncipes, barões, duques cristãos interessados em ajudar nas cruzadas. Tais áreas eram livres de dízimas, impostos, direitos feudais, etc, o que, evidentemente, favorecia o comércio e a multiplicação de agentes econômicos privados. Por outro lado a Ordem se tornou uma corporação comercial que fazia exploração de minérios na Palestina, vendia armas, mobiliário, curtumes, lã, etc, o que representou um avanço industrial no fim do medievo, abrindo perspectiva para a transição em direção a uma economia manufatureira. Seu serviço bancário incluía o transporte de valores em dinheiro por via marítima assim como o depósito e a guarda de tesouros reais. Os peregrinos que partiam para a Terra Santa também designavam à Ordem seus bens em moeda a fim de que não fossem pilhados no caminho, valor que resgatavam via cartas de crédito. O papel dos Templários, durante as cruzadas, foi decisivo para criar um novo modelo de negócio onde a segurança das trocas financeiras foi assegurada, tornando o ambiente mais favorável ao comércio e às atividades financeiras. Outrossim a oferta de moeda pelos bancos templários pode assegurar que a economia européia não ficasse paralisada em face ao aumento seja da demanda por produtos do oriente, seja do afluxo destes produtos, garantindo os meios financeiros para manter e ampliar as trocas comerciais entre ocidente e oriente.

Isto vai resultar que os teólogos passarão a admitir o “trinus contractus”, ou contrato de participação nos lucros e perdas. Passou-se a admitir o ágio de uma divisa sobre outra, nas operações de câmbio. No fim do medievo, o ocidente católico usava amplamente, no dia a dia, o empréstimo a certo juros, camuflado por detrás dos câmbios de praça e dos empréstimos públicos fixados aos detentores de títulos como taxa de transação de compra e venda. Desde 1387 o Bispo de Genebra – muito antes de Calvino chegar por lá com sua teologia que relacionava salvação e prosperidade – Ademar Fabri, concedeu à cidade o direito legal do uso do juros com a condição do respeito às taxas urbanas reguladoras do máximo permitido. Mesmo os frades mendicantes, que veneravam a pobreza, em razão de viverem nas cidades e não no campo como os monges, perceberam a utilidade social do mercador, grandes financiadores da atividade dos mendicantes. Foi, portanto, dentro do mundo medieval católico que surgiram as condições sem as quais nem o espírito capitalista nem o modelo de empresa mercantil internacionalizada, fulcral para a expansão européia, teriam existido. A legislação canônica embora impusesse limites morais não bloqueou este processo. Ela, antes, obrigou os agentes comerciais/financeiros a criar técnicas legais que permitiam contornar a proibição da usura, assegurando o crescimento do comércio.

A reforma protestante, ao inverso, não acelerou, notadamente em seu começo, o crescimento comercial e financeiro. No século 16 todos os banqueiros da família Fugger permaneceram católicos. Durante as guerras de religião de Flandres e na França, a mais importante praça bancária da Europa seguiu sendo Gênova e seus principais banqueiros eram espanhóis, florentinos ou genoveses, todos católicos. Quais eram as maiores empresas industriais do século 16? As dos Fugger, as minas de alúmen de Tolfa e o arsenal de Veneza, três empresas católicas. Outrossim Antuérpia, cidade do Flandres, no decorrer do século 15 e 16 tinha muito mais relevância que a protestante Amsterdã. O porto antuerpino adquiriu grande relevância no comércio internacional, com a pioneira fundação de primitiva "bolsa" na cidade, que rapidamente transformou Antuérpia num dos mais bem sucedidos centros comerciais e produtores da época. Os primeiros capitalistas de Antuérpia foram estrangeiros, muitos deles italianos Duas bolsas funcionavam na cidade, bem antes de existirem bolsas em Amsterdã: a de mercadorias e a de instrumentos financeiros, como as letras de câmbio, hipotecas e certificados de aforro, uma experiência que herdara e melhorara de Bruges. Logo é falso dizer que a Bolsa de Amsterdã é a primeira da história. Bem antes dela tal instituição existiu na Antuérpia católica, que, naquele tempo, era uma cidade cosmopolita, uma comuna livre ao final da Idade Média, uma cidade de igrejas e de congregações religiosas católicas, fortemente apoiadas pela população rica. Quando os católicos portugueses abriram a rota marítima para a Índia, Antuérpia se tornou um centro de comércio ainda mais proeminente, porque o rei de Portugal para lá enviava quase tudo que chegava a Lisboa, vindo da Ásia; as corporações da cidade compravam carregamentos inteiros que daí seguiam para o resto do mundo ofuscando o brilho comercial de Veneza. Com os portugueses, instalou-se igualmente forte colônia mercantil espanhola, passando os negócios das coroas ibéricas a fazer-se por Antuérpia. Assim, ao longo do século 16, Antuérpia tornou-se centro da "economia do mundo". Cabe dizer que o historiador H. Luthy, em sua obra “La Banque Protestante em France”, mostra que Antuérpia foi superada por Amsterdã no século 17 não em razão da superioridade econômica das instituições holandesas mas em face a guerra que moveu contra sua rival: no dizer de Luthy, “pelo assassinato metódico de Antuérpia”.

Por fim a reforma protestante trouxe um desmoronamento econômico na Alemanha. Enquanto isto, no Principado de Liége, governado por um príncipe bispo, um estado católico e principado do Sacro Império Romano Germânico, portanto parte da Alemanha, vivia-se um boom financeiro sob a direção dos funcionários cônegos do principado, que promoveram várias inovações econômicas. Na mesma época a Genebra de Calvino, conforme foi exposto pelo historiador e economista André Sayoux no artigo publicado na Revue Economique Internationale “A banca de Genebra nos séculos 16,17 e 18”, não viu nenhum crescimento capitalista significativo contrariamente ao que pensaram Weber e Troeltsch. Genebra fora mais parada economicamente no ´seculo 16, sob controle protestante, que no século 15 quando ali havia feiras e quando os Médicis, família católica da nobreza italiana, tinham filiais de seus negócios por lá.

3- Conclusão: a tese de Hattem é falsa!

A Holanda protestante-calvinista foi uma força naval/financeira hegemônica por pouco tempo: basicamente entre 1620/1650, época que coincide com o avanço batavo sobre o nordeste do Brasil e com o controle sobre a navegação no Mar do Norte que acabou com os atos de navegação de Oliver Cromwell em 1652, ano que marca o começo da hegemonia inglesa nos mares e a consequente queda do poder marítimo holandês. Segundo Hattem o sucesso do holandês protestante deveria ser contrastado com o fracasso econômico do Portugal católico mas o facto é que a Holanda jamais chegou a ter um império marítimo universal como teve Portugal. Os holandeses exerceram poder numa breve janela da história do século 17, em boa parte por que Portugal se encontrava sob ocupação espanhola (1580-1640), a Espanha envolvida na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e a Inglaterra enfrentava conflitos políticos (Desde a ascensão de Carlos I nos anos de 1620) que acabaram num guerra civil e na revolução puritana. O máximo que a Holanda conseguiu consolidar nesta fase foi um certo domínio sobre o Caribe. Depois de 1648 o controle Holandês foi destruído na Angola, tendo-a recuperado o rei português Dom João IV.

Portugal, diferentemente da Holanda, mesmo sendo um país pequeno, conseguiu montar o primeiro império verdadeiramente global da história, espargido por América. África, Ásia, que só viria a cair em 1974, isto por que os lusitanos souberam transcender as forças da história, impondo-se sobre suas limitações territoriais até ao ponto de moldar a história, feito este jamais igualado pela Holanda. O legado do Portugal católico, país de cruzados, aventureiros e navegantes pioneiros, para a história mundial, é muito mais significativo que o da Holanda protestante, um país de lojistas/ banqueiros e atravessadores; a diferença entre Portugal e Holanda é, ainda, aquela distinção entre a casta guerreira, dotada da qualidade de inventar instituições politicas e sociais sólidas construindo grandes culturas, e a casta dos mercadores, meros possibilitadores das trocas materiais que, na escala tradicional de valores, deve ser uma atividade subordinada aos fins estipulados pela casta guerreira. No máximo o que a casta mercantil consegue criar é a miragem do “homo economicus” como observou Sombart quando notou a destruição espiritual e o vazio que o homem criou em torno de si mesmo, depois que ele se tornou materialista em seus objetivos últimos - obra da reforma protestante - e um grande empreendedor capitalista o que forçou-o a transformar sua atividade (lucro, negócios, prosperidade) num fim em si mesma, para amá-la e desejá-la pelo seu próprio propósito até que ele caisse vítima da vertigem do abismo e o horror de uma vida que é totalmente sem sentido. Se a reforma teve um “mérito” econômico foi este: o de subordinar todas as atividades humanas a um fim material, na medida em que fez do trabalho um fim e não mais um meio para atingir fins superiores. Nada define melhor o espírito holandês que isto. Todavia, é preciso dizer que a reforma protestante forneceu apenas uma nova justificação para a atividade de fazer dinheiro: no plano da técnica econômica, a Holanda e o mundo protestante não tiveram o pioneirismo que o ocidente católico teve já que, muito antes dele já havia criado, como demonstramos, os meios materiais da expansão econômica européia – que aliás, sem o espírito guerreiro e aventureiro português singrando os mares e abrindo os caminhos do globo, teriam sido ineficazes por si sós.

Bibliografia

Fanfany, A. Cattolicesimo e protestantesimo nella formazione storica del capitalismo. Roma, Saggi, 2006.

Heers, J. L'Occident aux XIV et XV siécles. Paris, Nouvelle Clio, Paris, 1963.

Luthy, H. La banque protestante en France de la révocation de l’édit de Nantes à la révolution. Ecole Pratique des Hautes Etudes, Vlème section, Centre de Recherches Historiques. Collection “Affaires et gens d’affaires", XIX. Tome I.

Sombart, W. Le Bourgeois. Paris, 1926.