domingo, 16 de novembro de 2014

Missa Rock na Catedral: mais um fruto do Concílio Vaticano II !


O título é esse mesmo: missa roqueira, definição do sacerdote espanhol Joan Enric Reverté, mais conhecido como Padre Jony. A cerimônia foi celebrada na semana passada em homenagem a padroeira da cidade de Tortosa, a Nossa Senhora da Consolação, ou Virgem da Cinta.

Acompanhado por guitarras e baixos elétricos, bateria, teclado, iluminação colorida e vídeos, o sacerdote vocalista cantou no altar suas versões roqueiras de clássicos do cancioneiro católico, como O Pescador de Homens.(https://www.youtube.com/watch?v=Q5VFC_TDkYM)

Para conseguir autorização da diocese de Tarragona (responsável pela catedral de Tortosa) para realizar sua liturgia heterodoxa, Padre Jony reconheceu que passou por dificuldades e teve que esconder vários detalhes da missa roqueira até a última hora.

"Tinha que ocultar as surpresas até o último momento para evitar outras. Eu entendo e aceito que muita gente não compreenda, nem goste deste tipo de iniciativas, mas estou muito consciente do que fazendo".

Apesar do sucesso da celebração litúrgica, o sacerdote espanhol duvida que possa haver outra missa roqueira em uma catedral.

"Acho muito difícil que se repita, porque foi uma circunstância especial, uma comemoração de um centenário da Corte de Honra à Virgem. E com a repercussão que teve, não acredito que deixem fazer isso de novo."

Ele, disse, entretanto, que é possível que haja celebrações semelhantes em outras igrejas.

"Já há pedidos. Há gente esperando algo assim, com mentes abertas e que querem ouvir mensagens de fé de uma outra forma dentro da igreja católica."

Apesar da estética e linguagem modernas, a missa roqueira teve os elementos litúrgicos de uma celebração religiosa habitual.

O sermão foi uma declaração de fé na Virgem Maria, no qual o Padre Jony alertou os jovens fiéis sobre o perigo do consumo de drogas e álcool e a falta de compromisso social com os mais carentes.

O sacerdote já tem um livro (em castelhano: Notas de un cura roquero ou, em tradução livre, Notas de um padre roqueiro) e dois discos, cuja arrecadação é destinada a obras sociais.

Padre Jony também já celebrou eventos religiosos em espaço aberto na Espanha e em outros países da América Latina. O maior deles, na Guatemala, reuniu cerca de três mil fiéis.


AGORA TENTE CONSEGUIR AUTORIZAÇÃO PARA CELBRAR UMA MISSA TRADICIONAL EM UMA CATEDRAL PARA VER O QUE ACONTECE! O CLERO ATUAL ESTÁ, COM RARAS EXCEÇÕES VENDIDO. 

QUE DEUS SE APIEDE DOS VERDADEIROS CATÓLICOS E DÊ UM BASTA NISSO O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL. 


sábado, 15 de novembro de 2014

Drogas no Ocidente: a culpa - escamoteada - dos EUA!

Ahmed Rashid

É comum ouvir nos círculos olávicos e da neodireita tupiniquim neoconservadora( que no fundo quer conservar o liberalismo e suas conquistas - configuradas na revolução inglesa e americana - que são a segunda etapa do processo da revolução que acomete o ocidente e o mundo desde o século 15-16, cujo fim é a destruição da ordem sobrenatural-cristã e da ordem natural-moral) que a Rússia é a grande culpada pela extensão do tráfico de drogas no ocidente com o claro fim de jogar lama apenas num dos lados da revolução que citamos acima, escondendo os crimes do outro lado da mesma, o lado direito dela, que tem nos EUA seu bastião.

Porém os fatos são outros: o jornalista paquistanês Ahmed Rashid relata como a CIA apoiou os extremistas islâmicos que cultivavam ópio no Afeganistão. Logo se temos atulamente um tráfico de heroína em escala mundial devemos "agradecer" aos EUA. 

Ahmed Rashid estuda o Afeganistão há mais de duas décadas. O jornalista paquistanês estava em Cabul em 1979 quando os soviéticos invadiram a capital afegã. Rashid também foi o único jornalista a ter acesso aos líderes do Taleban e seus esconderijos. O autor do livro Taliban – Islam, oil and the new great game in Central Asia fala, nesta obra, sobre como os EUA e a CIA apoiaram Talibã e deram liberdade para que o mesmo produzisse drogas: 

"Nos anos 80, ainda durante a guerra fria, os mujahedin (guerrilheiros islâmicos) tinham apoio dos americanos, que incentivavam milhares de não-muçulmanos e muçulmanos a vir ao Afeganistão para lutar contra os soviéticos. E, entre eles, estava o saudita Osama Bin Laden, que tinha uma ligação muito próxima com a CIA. Muitos desses guerrilheiros árabes que lutaram contra as tropas soviéticas foram treinados e armados pela CIA...Os americanos apoiaram o Taleban, quando essa milícia estava na oposição, entre 1994 e 1996, porque queriam usar a organização na sua política anti-Irã. Além disso, os dois aliados americanos na região, o Paquistão e a Arábia Saudita davam suporte militar  àquele grupo fundamentalista. Outra razão para que o governo americano apoiasse o Taleban foi  porque os EUA queriam uma rota que transportasse óleo e gás da Ásia Central para a região do  Paquistão. E o caminho mais curto passaria pelo Afeganistão. Em vez de buscar ajuda dos países vizinhos para prover segurança aos oleodutos, o Taleban passou a abrigar extremistas islâmicos de várias nacionalidades. Foi quando Osama Bin Laden chegou ao Afeganistão e, a partir daí, passou a haver uma enorme preocupação dos americanos com esse fato. No final, os tais oleodutos nunca foram construídos... A produção de ópio começou no Afeganistão nos anos 80, durante a ocupação soviética. A droga financiou grande parte da guerra contra Moscou e por isso Washington fez vista grossa. "


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Por que é lícito, ao católico, votar nulo nas eleições presidenciais 2014?







Respondendo aqui a uma grave acusação que o senhor Sidney Silveira fez contra aqueles católicos que, guiados por uma avaliação sérias das alternativas desta eleição presidencial, decidiram votar nulo, reproduzo uma magistral resposta de um conhecido à pataquada do senhor Sidney que, infelizmente, se aproxima, dia a dia, de uma falsa direita e de seu guru, que suspeitamos - fundados em fatos e mais fatos -  seja um servo do poder americano e da maçonaria que dá base ao mesmo.

"A comparação com Pilatos, ao meu ver caro Sidney, cairia melhor se fosse aplicada aos entusiastas do 'mal menor', afinal, foi Pilatos quem cometeu o "mal menor" ao escorraçar Jesus --mesmo sabendo que Ele era inocente(!)-- tentando assim, acalmar o povo Judeu e resguardar a vida de Jesus (bem maior)... Desnecessário dizer que tal empreitada não obteve sucesso.

Do mesmo modo, os apoiadores mais energéticos de Aécio, tentam evitar o suposto mal maior (Dilma), ainda que seja averiguável que, no campo moral, que é o primordial para os católicos, não há diferença SUBSTANCIAL entre os candidatos [indivíduos] ou mesmo nos planos OFICIAIS de seus partidos [grupo]. Logo, preferem fazer vista grossa (ou, neste caso, lavarem suas mãos) em relação á essas similaridades gritantes.

Agora, é sabido e notório, também, que em "certos casos e circunstancias" a Igreja e inúmeros de seus grandes teólogos "toleram" o voto "per accidens" no mal menor, mas estes males jamais são "obrigatórios" aos católicos, salvo se houver um candidato que reconheça e preze pelas leis da moralidade cristã; sabemos que esse não é o caso no Brasil ou em qualquer outro país do nosso mundo apóstata.

Portanto, se de acordo com a sua consciência, um eleitor chegar a conclusão de que dê [sim!] para votar em Aécio, esta ação talvez possa vir a ser legítima. O que não seria legítimo é se, por outro lado, o outro tipo de eleitor --aquele que não votaria em Aécio-- fosse quase "condenado" por negar apoio á um apóstata público, com filhos bastardos paparicados pela mídia, que apoia abertamente o aborto, o acasalamento anti-natural sodomita (inclusive com deboches crassos) e todas estas aberrações que ambos partidos apoiam publicamente; tal comportamento seria um abuso da extensão e/ou da tolerância dada pela Igreja no quesito do voto no mal menor.

E diria mais, creio que mesmo no plano financeiro, ambos continuarão sendo escravos do FMI/ONU/NOM/Etc. No campo de envolvimento com Cuba e/ou cartéis de drogas etc., também creio que ambos não apresentariam diferenças substanciais. Esta é minha posição e não me acho melhor ou mais puro que ninguém por causa dela, só queria expô-la pois parece-me que está havendo um crescente ataque á estas posições no mundo virtual brasileiro, "talvez" ela abra ao menos um pouco os olhos daqueles que a veem com desdenho ou preconceito.

Este último tipo de eleitor que se nega a votar em Aécio, que aliás eu me encaixaria nele se fosse eleitor brasileiro, vê tais eleições não como Mal Maior x Mal Menor, e sim como Satanás x Belzebu; aonde qualquer um dos dois candidatos estariam tentando saciar, uma vez mais, o desejo daquele mesmo povo que Pilatos tentou apaziguar... mas lembremos que eles não se contentam com pouco!

Rezemos o Rosário diariamente, nobre amigo, pois em breve, o que aprendemos nos livros dos santos e mártires, estará saindo das páginas para bater em nossas portas, independente de quem saia vencedor nas 'sofisticadas' eleições de urna eletrônica!"
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domingo, 28 de setembro de 2014

O que está por trás da perseguição a Dom Livieres?

Dom Rogelio Livieres.



A recente destituição, absurda e arbitrária, de Dom Rogelio Livieres, ex bispo de Ciudad del Este, reabre a discussão sobre a natureza do pontificado de Francisco. Os fatos são tão claros que, negar que são o que são demonstra ou grave deficiência intelectual, ou doença mental ou malícia.

Cremos que ela revela, de modo definitivo, o que é este pontificado, qual seu projeto e que efeitos ele visa causar na vida interna da Igreja. Caso restasse alguma dúvida em face do mesmo este episódio esclareceria de forma cabal as dúvidas ainda de pé. Como para alguns ainda restam dúvidas é preciso expor o que ela significa. E para isso é preciso fazer um histórico desse caso. Em fins de 2008, Dom Livieres entregou uma carta a Bento XVI denunciando graves situações morais relativas ao episcopado paraguaio, entre elas a situação de Lugo, recém eleito presidente da república, em dissonância com a disciplina que a lei canônica pede nesses casos: Lugo haveria mantido relações com mulheres das quais teriam nascido filhos(acusação que depois veio a ser comprovada). Livieres ficou marcado, também, por ter criado um seminário em Ciudad del Estes, em razão da deficiente formação dada pelo Seminário Nacional do Paraguai. Desejando assegurar a boa formação de seu futuro clero, retirou de lá seus seminaristas e foi zeloso na busca por uma séria educação católica que fosse fiel a doutrina e ao magistério da Igreja. 

Na época Bergoglio - intimamente unido ao episcopado progressista do Paraguai- deu início a uma perseguição a Dom Livieres, encaminhando reclamações a Roma sobre trânsito de seminaristas que saíam de Buenos Aires para Ciudad del Este. Por pedido do então Cardeal Bergoglio a Santa Sé processou o bispo paraguaio - leia-se Dom Livieres - por haver recebido um seminarista sem pedir as informações canõnicas e tendo-o ordenado sem os requisitos acadêmicos. O projeto bergogliano então, apoiado por bispos do Celam e pelo episcopado comunista do Paraguai, era o de enfraquecer o seminário de Dom Livieres, pois este aparecia como uma resistência ao progressismo. Trânsito de seminaristas aconteciam, então, aos montes na Argentina. Por que Bergloglio preferiu tratar do caso do seminário de Livieres e não dos da Argentina? A resposta é fácil: os seminários argentinos não representavam, como o de Dom Livieres, ameaças ao seu projeto liberalizante-esquerdizante de Igreja. 

A chegada de Bergoglio ao Papado deu ao mesmo a oportunidade para colocar em prática seu antigo plano. É sabido na Argentina que Bergoglio, quando cardeal, costumava acusar seus desafetos ou de prática gay ou de afinidade gay ou de proteger gays. Quando essa acusação não funcionava usava dossiês para provar que os mesmos tinham problemas psiquiátricos. A mesma estratégia está sendo usada agora: Dom Livieres é acusado de não dar conta do caso de um padre que teria cometido abusos sexuais. Ora é preciso ser muito, mas muito ingênuo para acreditar que isso bastaria para que Roma tomasse a atitude de destituir Dom Livieres. Tais casos pululam no Brasil, em dioceses conhecidas, mas nada acontece. Aqui mesmo em Nova Iguaçu - RJ onde vivemos houve um caso de abuso sexual cometido por um padre, recentemente. O que fez o Bispo? O transferiu de paróquia. Hoje ele se encontra em Minas. Roma fez o quê? Nada. Em 2007 e 2011 eu mesmo enviei cartas a Roma com dados sobre os problemas da diocese. Nenhuma resposta. Uma das cartas foi entregue nas mãos do Cardeal Canizares. Nada. O que prova que os punidos são selecionados. Quando há um interesse político na punição, ela acontece. Faltando este nada acontece. 

Em geral esse interesse se constitui sobre a noção de que o bispo ou padre em xeque não estão em comunhão, o que quer dizer que estão atrapalhando as reformas trazidas pelo Concílio Vaticano II.  É essa acusação que pesa, hoje, contra Dom Livieres. Ele mesmo o relata em sua recente carta, onde fala de uma conversa com o Núncio: 

"As conversas que tivemos, aparentemente (porque eu não vi os documentos oficiais), dão como justificativas para uma tão grave decisão uma tensão na comunhão eclesial entre os bispos do Paraguai, a minha pessoa e a Diocese: “Nós não estamos em comunhão”, o Núncio havia declarado em sua conferência."

O que é estar em comunhão hoje? Tendo sido acusado da mesma coisa aqui em minha diocese, em razão de defender a fé contra abusos do clero e de leigos, entendi que essa alegação significa que a vida eclesial hoje em dia, depois da traumática experiência do Concílio Vaticano II - responsável direto por essa noção pacifista de comunhão - deve estar fundada na concordãncia mecânica com esquemas pastorais construídos coletivamente segundo um sentir novo: esse sentir novo exclui, de cara, qualquer defesa de conteúdos dogmáticos. Esse sentir novo exige que cada católico, se ajuste as novidades do tempo presente e que aceite, no interior da Igreja, "ajustes"(o termo certo é mudanças) litúrgicos, doutrinais, pastorais aos novos tempos. O pedido de João XXIII, quando da convocação do Concílio, em prol da adaptação da doutrina ás circunstâncias dos tempos e lugares, é a base da idéia - nova - de comunhão. Comunhão sempre foi entendida na Igreja como união com a fé dos santos, apóstolos e doutores. Hoje é vista como "unidade" de ação e pensamento com as estratégias pastorais de agora. A noção de Jaques Maritain de irreversibilidade do mundo moderno e da modernidade como realizadora de certos ideais cristãos é assumida, de forma consciente em alguns, inconsciente em outros,como o novo dogma a ser assumido por católicos: a Igreja deve se pautar pelo que acontece agora no mundo, nas tendências morais de cada época; estar em comunhão é "entrar na dança": quem quer que fique "preso" a formas tradicionais é acusado de estar fora da comunhão. 

Esse primado da pastoral, dogma da neoigreja, que se impôs a partir do Concílio Vaticano II é a versão teológica do primado da práxis de Karl Marx, para o qual "é na práxis que o homem deve demonstrar a verdade, ou seja, a realidade e o poder, o que há de mundano em seu pensamento". A práxis, ou resultado político da ação na história, é, para Marx, o critério sumo da verdade das idéias. A partir do Concílio Vaticano II ficou a noção de que a missão dos pastores não é transmitir dogmas mas transformar a História por meio da fé, mas de uma fé sem dogmas é claro.Isso se esclarece a partir do que dizia o Cardeal Bea: " os frutos do Concílio devem ser procurados não nos textos fixados no papel, mas nas experiências feitas pelos participantes...isto aplica-se de modo especial ao campo ecumênico"( Bea, Agostino. Il cammino all' unione dopo il Concilio. Morcelliana, Brescia, 1966, p.10). Na neoigreja a ortopráxis passa a ser o critério de verificação da fé: se a práxis de fé altera a história no sentido de uma utopia social, então ela é verdadeira.Como Dom Livieres não conseguiu caminhar nesse sentido foi punido.

O que está por trás da destituição de Dom Livieres, senão a colocação em prática desse projeto de "Igreja" em comunhão com o mundo, projeto acalentado faz 50 anos, e hoje aplicado com afinco no novo pontificado que depois de ter vitimado os franciscanos da imaculada, afastado os poucos elementos conservadores da cúria - incluído aí o Cardeal Burke - agora persegue um bom e zeloso bispo? 

Rezemos por esse mártir da fé e pela libertação da Igreja dessa malta de hereges que hoje a governam.





quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Filosofia cristã : Tomás de Aquino e o conhecimento!


 Santo Tomás, o doutor angélico, fonte seguríssima para os católicos inclinados a filosofia.


Entre tantos objetivos, nosso blog quer contribuir para a reativação de uma autêntica visão de mundo católica, hoje abandonada até pelo clero, em avançado estado de putrefação modernizante desde o Concílio Vaticano II. 

Uma das causas dessa putrafação dogmática, moral, pastoral, etc, foi o abandono da teologia e da filosofia de Santo Tomás, apresentado por Leão XIII como a base sobre a qual o ensino da teologia nos seminários, deve estar fundado.

Para piorar ainda mais essa situação, hoje nos meios católicos ditos conservadores, a influência deletéria de Olavo de Carvalho, que ao contrário do que ensina Santo Tomás, preconiza um  método intuitivo de conhecimento, é a base de formação filósofica destes mesmos católicos, incapacitados em geral, para reconhecer os riscos e problemas daí advindos. 

Começamos aqui um estudo sistemático da filosofia de Santo Tomás de Aquino a partir de sua noção de abstração, pois entendemos que sua filosofia é o remédio para os os males atuais. 

Segundo Tomás o homem conhece, partindo, sempre dos sentidos: corpo e alma que somos, nossa forma de conhecer é conexa a nossa natureza. Dependemos, portanto, dos sentidos para iniciar nossa trajetória para o saber. O que captamos com os sentidos são os entes particulares (Ex.: Um cão da raça dálmata, fêmea, 2 anos, ou seja um ente com marcas particularíssimas, não encontradas em outro ente). As imagens ou fantasmas(gravadas na memória) dos particulares depois de captados, armazenados e preparados, progressivamente, pelos sentidos externos(olhos, ouvidos, etc.) e internos(memória), respectivamente são o terreno de onde nosso intelecto parte para obter o conhecimento. Cabe ao intelecto, ir até eles e extrair ou abstrair, desses, a sua essência (quididade), que passa a ser o objeto próprio de sua atividade, conforme diz o próprio Tomás: “O intelecto humano, unido ao corpo, tem como objeto próprio a quididade ou a natureza existente na coisa corpórea [...] que ele abstrai dos fantasmas..."(S. Th., q. 84, a. 7/85, a. 8). 

O santo estabelece que o intelecto tem duas operações básicas:

1- A intelecção dos indivisíveis: por ela conhecemos o que a coisa é. 

Ela é de acordo com o grau que ocupa entre os entes quer seja uma coisa completa(logo uma substância: um homem é uma substância pois em si mesmo é uma coisa distinta de outras,com atributos próprios) quer seja uma parte(logo um acidente: o sexo de uma pessoa humana é acidental em relação a sua natureza - para ser homem não é preciso ser macho ou fêmea, sendo acidental o sexo do mesmo- já que é aquilo que não é necessário existir para que o homem seja humano). 

2- Composição e divisão: por elas se formam enunciados verbais afirmativos ou negativos onde podemos dizer que algo é(composição) ou que não é( divisão). 

Por exemplo: enunciamos uma composição quando dizemos que o homem é racional( a racionalidade é atributo do homem compondo sua natureza) e enunciamos uma divisão quando dizemos que a cor é acidente do móvel( a cor marrom, preta ou branca de um móvel não é atributo de sua natureza, mas apenas um acidente). 

Nesta operação não podemos separar o que está unido na coisa. Não podemos, por exemplo, separar no homem, o corpo da alma, pois somos seres anímico-físicos, não somos anjos. Podemos sim distinguir o corpo da alma, como dois princípios diferentes. Não se separa na árvore o tronco do galho: na coisa substancial que é a árvore tronco e galho são partes da mesma substância. 

É na primeira operação que se dá a abstração. O intelecto agente é, eminentemente, ativo e tem duas funções: primeiro, a de extrair a natureza universal dos fantasmas, que se encontra em potência, e, segundo, atualizá-lo, para que seja impresso no intelecto possível ou passivo, agora já em forma de ato, conforme diz o próprio Tomás: “É necessário admitir-se uma virtude, no intelecto, que atualize os inteligíveis, abstraindo as espécies das condições materiais. É essa a necessidade de se admitir um intelecto agente” (S. Th. I, q. 79, a. 30).

Há dois modos de abstração:

1- Do todo em relação a parte.

Por exemplo: o estado(todo)em face de suas instituições(partes).

2- Da forma em relação a matéria.

Por exemplo: o móvel(forma) em relação a matéria(madeira) de que é feito.

Toda coisa é inteligível na medida em que está em ato que é aquilo a partir do qual uma natureza obtém sua determinação ou razão de ser. 

Quando uma natureza comporta uma dependência em relação a "algo de outro", então ela não pode ser compreendida sem este outro: 

Esta relação pode ser de três tipos:

1- Da parte em relação ao todo( o pé - parte - de um animal - todo. O pé do animal só poder inteligido como pé de um animal referido a natureza do animal.)

2- Da forma com a matéria( Arrebitado - forma - para com a matéria nariz. Arrebitado é forma própria de narizes).

3-Necessária em se tratando de coisas distintas( Pai para com o filho - um pai só é pai se tem filho).

Quando algo não depende de outro, de acordo com a determinação de sua natureza, então pode ser abstraído desse outro e ser inteligido sem ele, seja qual for a relação que tenham. 

Por exemplo : no enunciado " A brancura de um homem" temos brnacura e homem, duas coisas que podem ser inteligidas por si mesmas pois não estão referidos, necessariamente um ao outro. 

Terminamos aqui o primeiro artigo sobre a filosofia tomista. Adiante seguiremos. 

Bibliografia:

1-AQUINO, Tomás de. Suma contra gentios. Trad. de Odilão Moura, 
Ludgero Jasper e Luis Alberto de Boni. Porto Alegre: SULINA, EST, 
UCS, 1990.

2- ______. Suma teológica – parte I, questões de 75-89. In: DE BONI, 
Luis Alberto. Textos (sel. e trad.). Porto alegre: Edipucrs, 2000, p. 
223-261.

3-BOEHNER, Philotheus ; GILSON, Etienne. História da fi losofi a cristã: desde as origens até Nicolau de Cusa. 5. ed. Trad. de Raimundo 
Vier. Petrópolis: Vozes, 1995. p. 471.



domingo, 14 de setembro de 2014

Olavo "Sofista" de Carvalho: modernismo oculto?




O senhor Olavo de carvalho mesmo alegando que não é teólogo vive teologizando. 

Seus alunos - em geral semiboçalizados - costumam usar a afirmação do "mestre" para dizer que seus erros teológicos não testemunham contra seu magistério filosófico. Já que não é teólogo não pretende acertar na matéria. Mas a questão que fica é: já que não pretende por que tenta acertar, afirmando tantas coisas sobre teologia? 

Olavo é mestre em sofismar. Diz não ter objetivo de acertar em teologia mas caso fique demonstrado que ele errou - como já fizemos aqui outrora - ele dirá que não errou coisa nenhuma. Sempre há, no entanto, idiotas dispostos a acreditar no guru.

No último dia 25 de Agosto ele fez a seguinte afirmação:


Analisemos a doutrina exposta pelo "mestre", ponto a ponto:

1- Primeiro ele diz que teólogos podem discutir determinado ponto durante séculos antes que um decreto papal venha definir a questão e que isso é sinal da dificuldade inerente a teologia. 

 A afirmação é verdadeira: as verdades da fé não são autoevidentes como é evidente que isto aqui é um blog. Um esforço de interpretação e análise dos dados revelados pela ciência teológica faz-se absolutamente necessário.
 O problema começa quando olhamos o que o próprio Olavo define como "teologia": para o mesmo a diferença entre teologia e filosofia não é a diferença existente entre duas ciências ( uma superior e outra inferior e subordinada) mas, sim, a mesma diferença que há entre fatos e teoria. Já tivemos aqui mesmo a oportunidade de demonstrar o erro do sr. Olavo( Aqui: http://catolicidadetradit.blogspot.com.br/2014/07/olavo-de-carvalho-e-relacao-fe-e-razao.html). Ora mas o que é teologia para Olavo? Uma ciência ou um compêndio de fatos? Aqui ele diz que é ciência, acolá diz que não. Para quem se autodenomina filósofo seria de esperar um rigor conceitual maior.Antes de dizer que uma discussão teológica é possível ele deve definar que é teologia. O forte do Olavo, porém, não são as definições. Quanto menos definir as coisas menos meios os alunos terão de apontar as suas contradições lógicas( outra coisa que o Olavo repudia...talvez por ser tão pouco lógico em certos casos).  

2-A afirmação de Olavo - verdadeira - não se enquadra porém na recente polêmica aberta aqui e por um vídeo do amigo Leonardo Brum que demonstra - de modo cabal - a radical contradição entre a teologia de Olavo e a da Igreja sobre o conhecimento de Deus(Para quem interessar o vídeo é este: https://www.youtube.com/watch?v=HB3UTy1YT7M). A questão do conhecimento de Deus já foi definida por decreto papal. Ele não está autorizado a discutir isso, sendo católico como diz ser. Caso o faça incorre em heresia. Olavo trata a questão como se ela já não tivesse sido resolvida. O mesmo faz em relação a questão fé e razão já definida. O que ele deveria fazer seria calar a boca e seguir o magistério. Mas Olavo é inteligência pura e consegue encontrar, até nos textos do magistério, sentidos obscuros inexplorados, ou melhor esotéricos, que nem mesmo o magistério conseguiu perceber.Tão esotéricos que permitem exames sempre mais exaustivos, sem nunca chegarmos a uma conclusão exata sobre o problema colocado(E claro que o guia supremo nesses exames é o Olavo.Caso isso seja verdade já passou da hora de tirar Santo Tomás do trono e sagrar Olavo como o maior filósofo católico do universo).Eu não exagero: essa é a essência mesma de sua técnica filosófica, transplantada, sem mais, para a teologia. Olavo entende a filosofia como tendo a missão de deslindar os símbolos verbais que recobrem a experiência originária e direta da realidade. Como a fé cristã nasce de uma experiência, os decretos papais, na visão olávica seriam apenas símbolos verbais mais ou menos transparentes: eles não resolvem nenhum problema mas abrem outros. 

3- Depois Olavo diz que: "ninguém tem o direito de proibir que a mente individual, no empenho de compreender o sentido do dogma proclamado,siga mais ou menos os mesmos passos da discussão, detendo-se em cada dificuldade pelo tempo necessário, mesmo conhecendo de antemão o resultado a que deva chegar. Afinal, uma conclusão só faz sentido como resposta à dificuldade que a suscitou". 
   
  Sim! Mais uma vez Olavo fala uma verdade. A mente individual pode rastrear os passos da discussão para entender por que um dogma foi proclamado embora isso não seja fundamental para compreender o seu significado(Simples fiéis, desconhecedores da história eclesiástica, podem, apesar disso, compreender o dogma). 

Todavia é só isso que Olavo quer dizer mesmo? Ele pretende apenas garantir o direito de ter a informação histórica? Lendo essa passagem a luz de outras fica claro que não. Na matéria que publicamos aqui sobre Olavo e sua visão sobre a relação fé e razão, reproduzimos nela um print de uma de suas afirmações sobre o magistério: como dissemos acima, para Olavo o magistério não resolve nada quando ensina, cabendo a mente individual purificar os símbolos línguisticos com os quais o magistério recobre o mistério revelado por Deus para subir na direção da verdade ou de algum símbolo que esteja mais próximo dela. Quando ele fala de mente individual investigando o caminho histórico da discussão dogmática recorda o método modernista que é de cunho histórico. O decreto Lamentabili Sine Exitu de PIO X, de 1907, sobre os erros do modernismo, condenou a seguinte proposição: 


  1.  Os dogmas que a Igreja apresenta como revelados não são verdades caídas do Céu; são uma certa interpretação de fatos religiosos que a inteligência humana logrou alcançar à custa de laboriosos esforços.
A tendência modernista de ressaltar a necessidade de estudar o dogma a luz de sua evolução( trocado em miúdos é o que Olavo está dizendo quando fala da necessidade de a mente individual rastrear a evolução do problema até chegar a conclusão do mesmo) visa isso: dizer que dogmas não caem do céu mas são interpretações da mente humana em face de um problema religioso. Olavo, de modo habilíssimo pretende fazer seus discípulos adentrarem no interior do modernismo sem sentirem a dor de endossar uma heresia. E eles, na sua maioria, já adentrarem, e o pior achando que endossam a ortodoxia. O que não espanta pois é esse mesmo o objetivo.

Ou seja: Olavo, como bom conhecedor do esoterismo, sabe colocar sentidos ocultos - nem tão ocultos - no que escreve,com o objetivo de que tais sementes ocultas, venham a produzir impactos intelectuais a longo prazo.

Basta um rápido exame nos textos do sr Olavo sobre a origem do dogma - fáceis de achar na internet - para verificar o que estamos a dizer. 





terça-feira, 12 de agosto de 2014

Filosofia em termos católicos: uma lição de Clemente de Alexandria.

Clemente de Alexandria, mestre autorizado pela Igreja. 


O senhor Olavo de Carvalho, dito filósofo e católico, no seu curso de filosofia se distancia radicalmente do que diz Clemente de Alexandria, padre da Igreja, sobre a filosofia. Ele nos ensina como um católico deve exercitar a atividade filosófica e com que critérios. 

Estrômates de Clemente de Alexandria

Tema da obra: fazer ver que a filosofia é, em si, uma boa coisa pois foi querida por Deus.

Contexto da obra: Igreja de Alexandria no século II DC. A mesma era formada por homens simples e sábios. Alexandria era um centro cultural e havia na Igreja alexandrina da época muitos convertidos que conheciam a filosofia grega em alto nível. Este é o caso de Clemente. Os cristãos simples de Alexandria recriminavam Clemente por se dedicar a filosofia propondo, no lugar disso, uma fé sozinha e nua não só de filosofia mas de teologia ou qualuqer especulação.

O que explicava essa tendência simplorista era o exemplo dos gnósticos que parecia provar o caráter nocivo da filosofia. Os defensores de tal tendência estimavam que um cristão devia se afastar dela.

Clemente visa provar que a filosofia pode ajudar a fé.

Conteúdo da obra: Clemente começa falando que Deus no AT fala de homens que foram cheios do espírito de sabedoria(Exôdo 28, 3). Sendo esse sentido um dom de Deus não se pode admitir que a filosofia, que é sua obra, seja uma coisa ruim e condenável aos olhos de Deus.

Alguns objetavam que a filosofia tinha se tornado algo dispensável desde que Deus substituiu-a pela fé. A isso Clemente respondia dizendo se tratar de uma incompreensão do papel da filosofia na história.

Antes de Cristo havia a lei judaica, desejada por Deus. Por outro lado havia os gregos sem fé nem lei, mas não sem recursos, pois tinham a luz da razão natural que não só os julgava, como diz São Paulo, mas os preparava para receber o cristianismo, como se pode ver lendo Platão. Deus não falava diretamente aos filósofos como fazia com os profetas ao lhes dar uma revelação, mas guiava-os indiretamente pela razão que é uma luz divina. Se Deus quis a razão foi por que ela serve para alguma coisa. Todo o curso do saber humano são dois rios: a lei judaica e a filosofia grega dos quais o cristianismo jorraria como uma nova fonte. Clemente diz que há dois antigos testamentos e um novo. A lei aos judeus, a filosofia aos gregos; a lei, a filosofia e fé aos cristãos. Antes de Cristo a filosofia servia aos gregos para sua justificação, agora continua servindo para prepará-los a fé e quando a obtiverem para defendê-la e aprofundá-la.

Notemos que ela só pode ser útil contanto que se mantivesse em seu devido lugar. A escritura diz para nos guardarmos da mulher estranha( Provérbios 7, 5)  e fazermos uso das ciências profanas sem nelas nos determos. " Elas preparam, com efeito, para receber a palavra de Deus e contêm o que, em tempos diferentes, foi dado a cada geração em seu interesse; mas aconteceu que alguns, inebriados pela beberagem das servas negligenciaram sua ama que é a filosofia. Alguns dentre eles envelheceram no estudo da música, outros no da geometria, outros ainda no da gramática, muitos no da retórica. Ora dos mesmo modo que as artes liberais servem à filosofia, que é sua ama, a própria filosofia tem por finalidade preparar a Sabedoria. A Sabedoria é senhora da filosofia como a filosofia é das disciplinas que a precedem.". Vemos esboçar nesse trecho do Estrômates a fórmula "philosophia ancilla theologiae".

Eis a imagem bíblica que Clemente usa: " Sara, esposa de Abraão era estéril. Como não concebia permitiu que ele tomasse sua escrava egípcia, Agar, na esperança que ele tivesse uma posteridade. A Sabedoria( Sara) que coabitava com o fiel ( Abraão) era, portanto, estéril nessa primeira geração; e ele queria que o fiel que tinha de progredir, se unisse primeiro a ciência do mundo - pois é o mundo que o Egito significa alegoricamente - para gerar dela Isaque, pela vontade da divina providência. Aquele que se instruiu primeiro nas ciências pode se elevar até a Sabedoria, que as domina e de onde nasce a raça de Israel. Abraão passou das verdades mais elevadas a fé e justiça que são de Deus. Abraão diz a Sara " eis aí tua serva faz com ela o que quiseres" pois ele so retém da filosofia do mundo o que ela tem de útil.

A filosofia consiste na busca da verdade e no estudo da natureza. O senhor disse: eu sou a verdade. A ciência que precede esse repouso na verdade que é a ciência de Cristo, exercita o pensamento, desperta a inteligência e aguça o espírito para se instruir na suprema verdade. A filosofia é, para a fé, uma auxiliar e um preparação. A fé e a filosofia tem raiz comum. O homem tem a faculdade de conhecer ( phronesis). Quando pode conhecer os primeiros princípios ela é pensamento( noésis); quando desenvolve esse pensamento em raciocínios é ciência( gnose); se ela se aplica aos problemas da ação é arte( tekhne); quando ela se abre à piedade, crê no Verbo e nos dirige para a prática dos seus mandamentos. É  por ser una que a Sabedoria vai colocar ordem na filosofia. Como as bacantes despedaçaram o corpo de Penteu, as seitas filosóficas quebraram a unidade natural da verdade: cada uma guarda uma pedaço dela e se gaba de possuí-la inteira.

Assim impõe-se antes de mais nada um trabalho de eliminação: há certa filosofia que o cristianismo não poderia assimilar pois é falsa. Por exemplo os textos de São Paulo sobre as as loucuras dos sábios deste mundo podem ser todos canalizados para Epicuro e seu hedonismo. O termo filosofia não designa nenhuma doutrina particular, nem a de Platão ou Aristóteles, mas antes aquele ensinamento de justiça e piedade com o qual concordam por sinal escolas assaz diferentes. A fé cristã é princípio de seleção que só permite reter de cada doutrina o que ela contém de verdadeiro e útil. Os dois mestres por excelência serão Pitágoras, homem iluminado por Deus e Platão cuja filosofia se volta toda para a piedade. A fé é senhora da filosofia como a filosofia é das artes liberais.

Fonte: Etienne Gilson. Filosofia na Idade Média. Resumo das páginas 43 a 47.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Olavo de Carvalho, o desinformante!

Olavo em alta atividade filosófica, soltando mais um de seus aforismos geniais.



Recordo-me como, tempos atrás, o sr. Carlos Velasco confrontou a visão do sr. Olavo de Carvalho com relação ao globalismo ocidental, opondo-lhe a tese de que existem conspirações sionistas no bojo do mesmo.

Na ocasião, além de todo histerismo criado em torno do sr Velasco, identificado (sabe-se lá como) pelo sr. Carvalho como agente da KGB, um texto foi escrito e publicado no site mídia sem máscara tratando a tese do sr. Velasco como absurda ante a complexidade dos atores globalistas. Embora em nenhum momento que me recorde, o senhor Velasco tenha descido a tamanho simplismo ao ponto de reduzir tudo a apenas isso, foi assim que o articulista do MSM tratou o assunto, com as bençãos do "filósofo da Virgínia".

A quem lesse o referido texto publicado no MSM a impressão era de que aquilo representava a reação da inteligência, promovida com maestria no círculo olavista, contra o suposto boçalismo do sr. Velasco.

Caso essa impressão ainda permaneça é hora de derrubá-la. Pois já faz tempo que o senhor Olavo, depois de ter afirmado peremptoriamente que existem três globalismos( ocidental, russo-chinês e islâmico-jihadista) e de ter dito que dos três o mais avançado é o ocidental ligado a elites que se organizam, basicamente em torno de fóruns e clubes como Bilderberg, CFR, etc, agora recuou. Faz tempo que o mesmo sequer cita o assunto se concentrando apenas na Rússia.

O papel que Olavo nega aos sionistas, ele atribui a Rússia. A Rússia é culpada por tudo. Passando pelo tráfico de drogas, pela corrupção da sociedade americana, pelo jihadismo, pelo terrorismo( seja quais forem: segundo Olavo todos são crias diratas da Rússia!!), pelo aborto, pelo homossexualismo, pela jogatina, prostituição, etc. A Rússia controlaria tudo isso com mão de ferro, injetando em tudo isso recursos.

Não estamos inventando nada. É o senhor Olavo quem o diz em sua timeline no facebook:

Olavo de Carvalho
"A profecia "Os erros da Rússia se espalharão pelo mundo" faz cada vez mais sentido. Estou lendo "Death Orders. The Vanguard of Modern Terrorism in Revolutionary Russia", de Anna Geifman, onde aprendi que o terrorismo foi de cabo a rabo uma invenção russa, que começou como um fenômeno local e hoje é um flagelo mundial."

( A pergunta que fica é: e a Al Qaeda Olavo? É cria russa ou americana? Ou será que foram agentes russos infiltrados nos EUA que plantaram a Al Qaeda usando o aparelho de estado americano???)

Apesar de todos os países ocidentais terem aderido a uma cultura secularista, anti cristã e decadente em termos de moralidade, são unicamente os agentes russos que tem corrompido o ocidente. O próprio ocidente não teria culpa de quase nada. Quantos agentes a Rússia teria espalhado pelo mundo? Um país que vive, faz anos, com dificuldades econômicas, teria meios materiais para espalhar tão grande número de agentes a soldo?

Ainda que admitamos a influência soviética na corrupção do ocidente, acreditar que ela continua via Rússia no mesmo nível da Guerra Fria é piada. Outra piada é acreditar que os problemas do ocidente, mesmo nos tempos de guerra fria, se resumiam tão só a ação da URSS, como se aqui não houvesse problemas sérios resultantes, também, da ação americana (Quem não sabe do projeto dos EUA de implementar políticas abortivas nos países da América Latina??)

Ora senhor Olavo, não é canhestrice intelectual explicar tudo - ou muita coisa - pelas ações conspiratórias sionistas? Não era ir contra a complexidade dos fatos? Se era ou é, por que não é quando se trata de explicar tudo - ou muita coisa - pelas ações conspiratórias russas?

Bom parece que a questão não era a complexidade dos fatos mas tão só o fato de falar de conspirações sionistas

Será que precisa ficar mais claro que o senhor é um agente de desinformação a serviço do sionismo?

Outrossim é preciso responder a mais nova tentativa de desinformação sobre o assunto, por parte do senhor Olavo, como exposto abaixo:



A questão não é exatamente essa. Essa afirmação é canhestra: ninguém que seja um sério propositor da tese que vê a totalidade do povo judeu como conspirador. Isso é linguajar de folhetins que não fazem as devidas distinções e as nuances necessárias numa análise histórica mais profunda. Logo podemos falar de uma forte influência de setores judaicos aqui e ali em certos planos de governança global, em acontecimentos históricos decisivos mas não caracterizar tudo como sendo obra desses setores. 

Sobre a midia ser anti judia é preciso pergunta por que qualquer crítica mais acintosa contra ações do sionismo internacional  sempre é intepretado como nazismo?  Já que setores judeus não tem influência sobre a mídia, por que Dom Willianson teve uma entrevista desenterrada logo na hora em que Bento XVI pensava em regularizar a FSSPX, entrevista que questionava o holocausto? E os filmes de Hollywood onde só o sofrimento judeu é retratado quando se trata de falar de segunda guerra mundial? 

Bohemian Grove: os encontros da elite americana da qual a Olavosfera nada diz!!

Encontro do Grove com Reagan e Nixon.


Virou moda, na olavosfera, desculpar os EUA pela Nova Ordem Mundial: os projetos de poder global são sempre dissociados do processo de expansão do poder americano no mundo e de sua elite. A dita "elite global" é sempre desvinculada da essência dos EUA que ela não representaria jamais. 

Porém a farsa, bem montada durante anos está com os dias contados. Aqui e ali pessoas vão acordando do longo sono imposto pela olavosfera. Aqui e ali informações vão surgindo para derrubar a cortina de fumaça e desinformação criada pela olavosfera. 

A elite do poder tem diretórios interligados não apenas em empresas mas na sociedade americana como um todo. Um dos exemplos é a "comunidade de política internacional de Washington" que reúne nomes como Donald Rumsfeld, Franck Carlucci, Henry Kissinger, Brzezinski, etc, todos nomes que lecionaram em universidades de elite nos EUA e que participaram de governos americanos. Esse grupo está ligado, diretamente, ás mega empresas da área financeira. Não espanta que vários membros desse grupo tenham penetrado no mundo financeiro depois de terem passado pelo cargo de secretário do tesouro americano; entre eles temos o ex-secretário John Snow da Cerberus, Paul O'Neill da Blackstone, o ex-secretário Robert Rubin do Citigroup, etc. A vinculação entre poder americano e mundo financeiro é tão evidente que negá-lo é impossível. O que resta a olavosfera é tergiversar sobre o assunto criando uma versão fantasiosa sobre isso dizendo que esses grupos são essencialmente antiamericanos pois planejariam destruir os EUA substituindo-o por um governo mundial. O que torna a versão aceitável é o fato, inegável, de que essa elite queira um governo mundial. Mas o que a versão não diz é que esse governo mundial nada mais seria que um Império Americano. 

Mas vamos ao Bohemian Grove, um encontro da elite americana, pretensamente para relaxar. O lema "aranhas tecedeiras, não venham aqui" simboliza a filosofia do encontro: expressão retirada da obra de Shakespeare, sonho de uma noite de verão,  é uma alerta contra discutir negócios ou outras preocupações mundanas durante o Grove. Os membros são estimulados a se concentrar em artes, literatura e outros prazeres dentro dos espaços do encontro que acontece sempre ao norte da Califórnia. Durante duas semanas, sempre ao fim de julho, o local recebe cerca de 1500 sócios do clube fundado em 1872. Não há boletins informativos do grupo que é ultrasecreto. Entre os convidados recentes temos membros da elite do partido republicano ligados a promoção do neoconservadorismo como Dick Cheney, Donald Rumsfeld, Karl Rove e George W. Bush. Há relatos de que foi durante um encontro do clube que foi decidido o planejamento da bomba atômica. Foi no local de reunião do grupo que gente do projeto Manhattan se reuniu, na época da segunda guerra.

A filiação ao Grove é altamente seletiva e só pode acontecer por meio de convite. Há um rito iniciático que constitui de uma "cremação das preocupações" onde os participantes queimam uma efígie que representa as preocupações trazidas de fora. 

É fato que as conversas no lago, eventuais discursos feitos durante o Grove, historicamente serviram como fundamental plataforma de promoção de políticos. Um exemplo revelador da importância dessas conversas é o relato feito por Nixon sobre a aparição daquele que seria o futuro presidente americano Dwigth Eisenhower, durante o evento: " no verão de 1950 eu o vi bem de perto no Grove...depois do discurso de Eisenhower nós voltamos para o acampamente do homem das cavernas e nos sentamos ao redor da fogueira fazendo uma avaliação. Todos tinham gostado dele...me marcou sua personalidade e mística que impressionaram a platéia cética". Nixon depois alega que um discurso que fez no Grove pode tê-lo lançado para a presidência dos EUA:" Se tivesse de escolher o discurso que me deu mais prazer e satisfação em minha carreira política, seria o discurso do lago no Bohemian Grove em julho de 1967...de modos muito importantes foi a primeira pedra no meu caminho para a presidência". 

Foi em 1995, também, que de uma conversa entre Newt Gingrich, então presidente da câmara dos EUA, e o ex-presidente George Bush durante um encontro do Grove que ficou acertada a candidatura de George W. Bush, filho de G. Bush. 
O especialista Domhoff observa que nos anos 90 - época da consolidação da corrente neoconservadora ligada, basicamente as idéias de Francis Fukuyama, que falava de fim da história que estaria ligada a queda da URSS e a vitória definitiva das instituições liberais dos EUA que iriam se espalhar, fatalmente, pelo mundo. O projeto neoconservador, consiste em fazer avançar esse "fim da história", espalhando o modo americano de vida- a ausência dos membros do governo Clinton e do partido democrata tornou o Grove o centro das mais avançadas articulações entre lideranças republicanas, marcadas pela ideologia neoconservadora. Hoje os membros do Grove são solidamente republicanos.
Fukuyama, intelctual a serviço do neoconservadorismo americano, autor do livro "O fim da história e o último homem"


O Grove exibe uma reveladora mistura de membros dos grupos políticos, financeiros e empresariais da elite americana. Em um lista das 1,144 maiores corporações dos EUA, o sociólogo Peter Philips descobriu que 24 por cento tinham pelo menos um moembro ou diretor convidado em 1993. No caso das 100 maiores corporações o percentual era de 42 por cento. . Embora o Grove seja um encontro de "diversão" é inevitável que, quando as elites se reúnem, falem sobre negócios. O fato de que homens ricos de todo o EUA se reúnam em circunstâncias tão próximas quanto o Grove é prova da exist~encia de uma classe alta, dotada de projetos comuns e de alta coesão social. Esses homens não apenas se conhecem mas formam uma rede social. O Grove é um encontro que gera uma coesão de classe jamais vista pois capaz de influenciar, não apenas acontecimentos em um país, mas no mundo, pois muitos de seus menbros são chefes de instituições financeiras que se relacionam com países, governos, empresas, dinastias, etc. 

Entendem por que a Olavosfera nada diz sobre o Grove? É bem simples: a Olavosfera serve a causa neoconservadora, a hegemonia mundial dos EUA a quem o Grove serve e prepara o terreno através de seus encontros, únicos no mundo. Nem mesmo a elite global reunida no Clube Bilderberg tem tamanha coesão quanto a elite do Grove, majoritariamente, hoje, dedicada a realizar os planos republicanos e a tese de Fukuyama relativa a história ter como meta o modelo político-social-econômico dos EUA.   

Fontes Bibliográficas:

Domhoff, Willian. Social cohesion e the Bohemian Grove. sociology.ucsc.edu/whorulesamerica/index.html

Philips, Peter. San Francisco Bohemian Club: power, prestige and globalism. Sanoma Comunity Free Prees, 8 de junho de 2001. 

Rothkopf, David. Superclasse. Rio de Janeiro, Agir, 2008.


quarta-feira, 30 de julho de 2014

A contra revolução pode contar com apoio de grupos e indivíduos não católicos?

Para alguns católicos a saída para escapar do marxismo é adotar o liberalismo de Smith.


















Existe hoje uma tendência - sobretudo em certos ambientes ditos "conservadores" vinculados a influência de Olavo de Carvalho - entre certos católicos e acreditar que associar-se a liberais dos mais variados matizes pode trazer resultados positivos. Muitos, sem nenhuma cerimônia, se imiscuem em rodas liberais na esperança de opor obstáculo a escalada de esquerda no Brasil e América Latina, sem levar em conta os riscos e limites inerentes a estas associações. 

Como já tivemos oportunidade de dizer, não faz sentido que católicos se associem a tais rodas sem um anteparo organizacional que lhes dê uma base segura de ação e meios eficazes de extrair disso vantagens em prol da cristandade. Tais associações só se justificam nesse contexto e sob o título de serem provisórias e esporádicas em função de um combate a um mal maior. 

A contra-revolução é essencialmente católica. E é no bojo da fé católica que encontra sua principal força. É DISSO QUE NOS FALA PLÍNIO CORREA DE OLIVEIRA: 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Resposta a Olavo de Carvalho sobre a relação fé e razão

Enrolavo de Carvalho.





















O Sr. Olavo de Carvalho respondeu o artigo que publicamos ontem referente a sua visão sobre a relação fé  e razão ,aqui:

https://www.facebook.com/olavo.decarvalho/posts/10152518463017192

Olavo de Carvalho

O boboca da "Catolicidade" diz que você tem de acreditar na doutrina da Igreja por si mesma, independentemente de qualquer tentativa interior de apreender os fatos a que ela se refere. Bonito, né? Só há um problema: ACREDITAR na doutrina CONSISTE em admitir que o conteúdo dela são fatos e não meras afirmações. Por exemplo, "Ressuscitou no terceiro dia." Aconteceu ou não aconteceu? Ressuscitou ou não ressuscitou? Se acredito, é porque acho que aconteceu, que é um fato. Como dizia o Apóstolo: "Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé." Tentar acreditar no Credo fazendo abstração dos fatos a que se refere é como aquela história do Quico: 
-- Mãe, posso entrar na piscina?
-- Pode, filhinho, só não vá se molhar.
Só no Brasil um BURRO incapaz de perceber uma coisa tão óbvia pode posar de "defensor da fé" e acusar de heresia quem não seja tão lesado mentalmente quanto ele. O ridículo dessa gente não tem fim. Cada dia capricham mais.

Nossa resposta é a seguinte:

1- Olavo nada respondeu acerca da sua alegação - errônea - sobre a distinção entre filosofia e teologia. Ele alega que a diferença entre as mesmas é a que existe entre fatos e teorias. No entanto filosofia e teologia são ciências: a diferença entre as duas nada tem a ver com a que existe entre fatos e teorias( Não é preciso ser muito inteligente para entender. Só o Olavo não entende.).

2- Olavo diz que nós afirmamos que "você tem de acreditar na doutrina da Igreja por si mesma, independentemente de qualquer tentativa interior de apreender os fatos a que ela se refere". Começamos destrinchando o termo "apreensão". Apreensão é o ato pelo qual a mente intelige uma natureza ou essência. Quando falamos "homem", "animal", por exemplo, estamos inteligindo a essência dos objetos referidos. Embora o conhecimento intelectual dependa do sensível, ele o transcende. O intelecto vê a natureza das coisas mais profundamente que os sentidos. Para que a essência se torne inteligível é preciso desindividualizá-la das condições materiais.  Quanto as realidades naturais, somos capazes de as inteligir pois nossa mente está apta a isso. Mas, quanto as realidades sobrenaturais, não: se nossa mente não for iluminada do alto, por uma graça divina, não poderemos apreender nada a respeito do sentido dos fatos referentes às ações pelas quais Deus se revelou. Fatos por fatos, Lázaro resuscitou também, mas, tal fato, não tem o mesmo significado que a ressurreição de Jesus. Antes de Jesus profetas realizaram milagres, mas, os milagres de Cristo, tem outro significado pois revelam a sua divindade. Os acontecimentos só encontram seu sentido à luz da revelação feita por Deus. Muitos viram Jesus realizar milagres, mas só Pedro, movido por divina revelação, foi capaz de dizer: tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo. E a ele Jesus disse: não foi nem a carne nem o sangue que te revelaram mas o Pai. Dizer que o conteúdo da fé são fatos é um erro, uma heresia: o conteúdo da fé é antes o sentido dos fatos,na sua essência inteligível. O esforço interior de apreender estes fatos não pode produzir nada em si mesmo, a não ser que seja movido antes e depois pela graça: sem uma moção divina que ilumine o intelecto nada feito, por uma simples razão: o conteúdo da fé transcende nosso intelecto. A forma das coisas naturais não: para conhecê-las basta nosso esforço intelectual. Para saber da coisas do alto não basta a luz da nossa razão. 

3- Olavo se aproxima- se é que não recai diretamente - no naturalismo. Ele tende a pensar que a fé precisa ser destrinchada, em seus conteúdos, pela esforço da consciência. O Concílio Vaticano I diz que: " Se alguém disser que o homem não pode ser por Deus elevado a conhecimento e perfeição, que supere as forças da natureza, mas por si mesmo pode e deve, com incessante progresso, chegar finalmente a possuir toda a verdade e todo o bem, seja anátema (De Revel Cân. 3)".

4-Olavo se aproxima daquilo que a Pascendi fala sobre o modernista filósofo: "na doutrina dos modernistas, chegamos a um dos pontos mais importantes, que é a origem e mesmo a natureza do dogma. A origem do dogma põem-na eles, pois, naquelas primitivas fórmulas simples que, debaixo de certo aspecto, devem considerar-se como essenciais à fé, pois que a revelação, para ser verdadeiramente tal, requer uma clara aparição de Deus na consciência. O mesmo dogma porém, ao que parece, é propriamente constituído pelas fórmulas secundárias. Mas, para bem se  conhecer a natureza do dogma, é preciso primeiro indagar que relações há entre as fórmulas religiosas e o sentimento religioso.Não haverá dificuldade em o compreender para quem já tiver como certo que estas fórmulas não têm outro fim, senão o de facilitarem ao crente um modo de dar razão da própria fé. De sorte que essas fórmulas são como que umas intermediárias entre o crente e a sua fé; com relação à fé, são expressões inadequadas do seu objeto e pelos modernistas se denominam símbolos; com relação ao crente, reduzem-se a meros instrumentos.Não é portanto de nenhum modo lícito afirmar que elas exprimem uma verdade absoluta; portanto, como símbolos, são meras imagens de verdade." Olavo continua alegando que dogmas são produzidos a posteriori, pela reflexão eclesial; seu pensamento cotinua ligado ao modernismo já denunciado, anos atrás, pelo apologista Orlando Fedeli, já falecido e de feliz memória pelos serviços prestados a fé. 

5- Por fim partilho aqui as pertinentes observações feitas pelo amigo Carlos Lombizani, sobre o assunto:"Não se deve confundir a verdade com o seu registro em palavras. Este é apenas verdade potencial, que só se atualiza no ato concreto da sua apreensão por uma consciência individual." São Pio X fala claramente na Pascendi que os dogmas não são mera representação da verdade, mas que contêm absolutamente a verdade. As palavras dependem da apreensão duma consciência individual para "se atualizarem"?A Lamentabili Sane Exitu condena a seguinte afirmação: "Os dogmas que a Igreja apresenta como revelados não são verdades caídas do Céu; são uma certa interpretação de fatos religiosos que a inteligência humana logrou alcançar à custa de laboriosos esforços.".Ora, se a doutrina se refere a fatos, não está então sujeita a interpretação? É isso o que o Olavo está dizendo: a doutrina não é a verdade, ela é um registro em palavras de fatos. Fatos são meros acontecimentos do passado. A verdade é a conformidade com a realidade. Se a doutrina é verdade caída do céu, então ela não descreve fatos. A ressurreição é um fato, claro, mas e o dever de amar a Deus? Como é que se diz que algo é um "fato" e não mera "afirmação"? Um fato é apenas um acontecimento. Uma afirmação é uma proposição, isto é, algo que se propõe (como verdadeiro), então é mais geral que um fato."

6- Reproduzo também a importante análise feita por Alberto Leopoldo Batista Neto:
"Se a fé católica dependesse de alguma "apreensão individual de fatos" - como diz Olavo de Carvalho -, ela teria que esperar até que o próprio conceito de "fato" se tornasse disponível, ao menos para a consideração filosófica - o que só ocorre na modernidade.Até mesmo a ideia de "conhecimento", tradicionalmente, não coincide com a de um simples reconhecimento de alguma coisa que "lá está". Conhecer envolve a apreensão de um conceito que só pode ser "extraído" da realidade porque esta possui, por si, uma estrutura inteligível (uma vez que é fruto de uma inteligência ordenadora). "O que aconteceu" é algo que só tem sentido numa ordem de significado, que só pode ser descortinada pela reflexão - no caso em pauta, teológica.Uma velhinha analfabeta dificilmente terá uma "apreensão individual" de "fatos" como os ensinamentos concernentes às processões e missões trinitárias - mas estes, nem por isso, são menos parte da doutrina católica, a que ela adere por aceitação da autoridade da Igreja. As pessoas que não conseguem "contemplar" em suas "consciências individuais" os conteúdos do credo niceno-constantinopolitano não são menos católicas quando o recitam na missa dominical e mantêm suas vidas de devoção e obediência.Essa reconstrução fenomenológica da fé cristã é bastante característica de certas teologias modernistas do século XX. Estas podem se tornar complexas, sofisticadas, e mesmo convincentes para uns ou outros - o que não as torna ortodoxas.O pior é que O. de C. faz pouco de quem ele julga incapaz de compreender suas teses, mas uma multidão de pessoas, sem o mínimo preparo para saber do que ele está falando, dá o seu entusiástico assentimento a qualquer coisa que o homem diga. Um lembrete aqui é válido: a "consciência individual" de Olavo de Carvalho não é a de vocês."

Diante do exposto, fica claro que Olavo sabe pouco do que fala. Não sabe sequer usar o termo apreensão com rigor( Em termos aristotélicos-tomistas é impossível apreender fatos mas tão só essências, fatos são particulares, essências são gerais: Aristóteles já disse, faz dois mil, anos que nosso intelecto só apreende o geral. Apesar de Olavo ter escrito uma obra sobre o mesmo, não aprendeu isso?).

E esse é o maior filósofo vivo na atualidade?

Quanto as heresias afirmadas pelo mesmo já sabemos qual a desculpa que virá: o mesmo já afirmou que, no decurso das investigações, um filósofo pode cometer heresias. Os discípulos confrontados com elas dirão que se trata de um exercício dialético légítimo do supremo mestre e que, diante delas, não há nada a opor, tampouco que duvidar da sua fé católica. 

Quanto a isso cabe a quem realmente ama a doutrina da Igreja cerrar fileiras 
contra aquele que, se apresentando como mestre, ensina embustes e põe em risco a verdadeira fé.  

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Olavo de Carvalho e a relação fé e razão: mais um embuste!!


Olavo numa de seus elevados exercícios lógico-demonstrativos
O filósofo Olavo de Carvalho vem se apresentando, faz tempo, como católico: tendo passado bom tempo longe da verdadeira fé teria feito o caminho de retorno. Graças a isso tem tido ótima penetração em meios católicos afeitos aos estudos. A sua pretensa conversão exorcizou as denúncias feitas por Orlando Fedeli, apologeta católico fundador do Instituto Cultural Montfort, que anos atrás demonstrou, em seus artigos, como a filosofia olavética divergia radicalmente da doutrina da Igreja.  Mas já que Olavo teria se convertido não existiria mais nenhum empecilho para que um católico se sujeite ao seu magistério filosófico. 

Mas os fatos começam, pouco a pouco, a aparecer, de modo que a pretensa conversão de Olavo de Carvalho cada vez mais se afigura como uma peça teatral bem montada. 

Nosso objetivo aqui é mostrar, pouco a pouco, como o sr Olavo de católico tem só o nome: sua filosofia continua divergindo radicalmente daquilo que a Igreja ensina. 

Começamos recordando que "Não haveria, certamente, tais desvios da verdade que deplorar se também no terreno filosófico todos olhassem com a devida reverência ao magistério da Igreja, ao qual compete, por divina instituição, não só custodiar e interpretar o depósito da verdade revelada, mas também vigiar sobre as disciplinas filosóficas para que os dogmas católicos não sofram dano algum da parte das opiniões não corretas." (Pio XII, Humani Generis)". Portanto ao filósofo católico cabe submeter-se as orientações do magistério supremo até em matéria estritamente filosófica. Ou seja: a consciência individual aí deve sujeitar-se aquelas determinações da Igreja no que tange as doutrinas filosóficas que não se ajustam ao dogma. Destas o filósofo católico deve manter distância. Na Humani Generis, PIO XII recorda a obrigação de os pensadores católicos evitarem o existencialismo, o evolucionismo,etc. 

Para compreendermos a visão do Sr Olavo sobre a relação fé e razão devemos, antes de mais nada, entender o que ele diz sobre a filosofia. 

Para o senhor Olavo de Carvalho só a consciência individual é capaz de conhecimento. Para Olavo uma vez que toda expressão social depende de uma expressão individual e interior, e uma vez que esta só se torna possível após uma condensação de significado sob a forma do juízo, este, antes de se tornar proposição – em sentido lógico – dotada de compreensibilidade pública, deve ser afirmado pelo indivíduo de si para si mesmo –  deve passar por um recenseamento socrático do que se sabe e não se sabe para daí seguir-se o processo de extrusão, pelo qual o indivíduo dá forma lingüística e simbolicamente articulável à própria experiência.

O que isso quer dizer? Muito simples: para Olavo o processo do conhecimento - incluído aí o conhecimento da fé - não pode ser transmitido por uma autoridade coletiva - quer dizer por um magistério público como o magistério da Igreja - mas tão só por indivíduos que tenham elaborado a "verdade fática" do cristianismo interiormente para dar a ela forma teórica. A um outro indivíduo que recebesse a teorização da fé em forma de dogma caberia fazer o processo de ligação entre a teoria e os fatos que são a essência mesma da fé; ou seja, não basta para cada fiel receber as fórmulas dogmáticas para terem acesso a fé: eles devem obrigatoriamente reconstituir a "verdade fática" originária em seu interior. Só aí o legítimo entendimento do dogma seria possível. Segundo Olavo o dogma não garante a verdade doutrinal, asim sendo os ensinamentos solenes do magistério nada resolvem, pois toda fórmula, pelo caráter simbólico que tem, pode deslindar para a heresia já que sempre permitiria- segundo o "mestre" Olavo -   diversas interpretações. O magistério, dentro dessa visão, seria incapaz de assegurar a fé. 

É o próprio Olavo quem o diz aqui:

















A noção de uma verdade apenas potencial nos dogmas parece-me proposição condenada: Etiam post fidem conceptam, homo non debet quiescere in dogmatibus religionis, eisque fixe et immobiliter adhaerere, sede semper anxius manere progrediendi ad ulteriorem veritatem, nempe evolvendo in novos sensus, immo et corrigendo id quod credit"(mesmo depois de concebido na fé o homem não deveria repousar nos dogmas da religião)In: Monitore Ecclesiastico, 1925, p. 194; na Documentation catholique, 1925, t. I, pp. 771 ss, e em Praelectiones theologicae naturalis, do P. Descoqs, 1932, t. I, p. 150, e t. II, pp. 287 ss.


Indo agora para a questão da relação fé e razão vejamos o que Olavo diz: 




Pois vejamos: Olavo nega que deva existir uma  subordinação da filosofia a teologia como manda a fé católica. Em segundo lugar a referência de Olavo a teologia como conjunto de "fatos" é , tipicamente, modernismo. A fé não é uma coleção de fatos observáveis, embora ela esteja relacionada a fatos que, outrora, puderam ser vistos. Vejamos o que diz Hugo de São Vítor: " Como pode São Pedro ter tido fé na paixão de Cristo, se ele a viu com seus próprios olhos e a fé é de coisas que não se vêem?...o mérito de São Pedro não foi o de ter visto a paixão de Cristo mas o de ter crido ser Deus aquele homem que viu pendendo da cruz...a fé é sempre de coisas que não se podem ver" (In: Summa Sententiarum, L 1, c. 2, PL 176,45.) 

Ademais Olavo não distingue a revelação da teologia. Para dizermos o mínimo, o que ele fala demonstra uma ignorância indesculpável para um filósofo. Olavo fala de realidade mas que isso tem a ver, diretamente, com a relação entre teologia e filosofia? O cerne dessa relação - de caráter gnosiológico - não tem a ver, diretamente, com o problema do que seja a " realidade" . A filosofia é uma ciência (ou um corpo de ciências) que é, sim, ao menos em suas conclusões, subordinada à teologia, que é uma ciência superior. A expressão ancilla theologiae não tem a ver com o que ele diz. 

A teologia tem um conteúdo. Nesse sentido podemos citar o dogma da divindade de Cristo: Jesus é Deus e homem: isso é uma doutrina revelada. A filosofia afirma a não contradição( uma coisa não pode ser ela mesma e o oposto); aparentemente dizer que Jesus é Deus e homem soa como contradição. O filósofo católico não pode, em nome disso, negar o dogma; antes deve submeter a filosofia ao dogma mostrando como ele não contradiz a razão natural. É disso que se trata a relação fé e razão. 

 A  tese de que o cristianismo é um fato - que poderia ser reconstruído experiencialmente -  ordena-se a diminuir o valor da Doutrina Católica, pois geralmente a contraposição que ela faz não é entre FATO e TEORIA como no caso acima, mas entre FATO e DOUTRINA. Reduzida a importância da Doutrina, reduz-se , por conseqüência, a importância que se deve dar aos erros em matéria doutrinal (especialmente os dele).

A filosofia serve a teologia com suas noções e seus métodos. A união entre as naturezas divina e humana em Jesus Cristo é substancial; nossa união com Deus pela graça é acidental. Substância e acidente são noções pelas quais o pensamento filosófico "serve" a teologia. O problema não tem nada a ver sobre fatos serem superiores a teorizações. 

Assim das duas uma: ou Olavo é ignorante no assunto ou é mal intencionado. Creio que a primeira hipótese é improvável. A tentativa de levar católicos para dentro de uma visão alternativa sobre a relação fé e razão me parece algo muito bem articulado para por os mesmos sob sua esfera de influência intelectual, onde ele possa atuar como supremo mestre até em matéria teológica. Na visão de Olavo a teologia não é senão uma experiência de fatos  religiosos que encontrou sua expressão intelectual. Ao dizê-lo incorre em heresia caso seja católico como diz que é. 

Diante dessas evidências ainda haverá quem diga que Olavo é católico?