CDB: centro católico ou militância olavista? |
Os fatos assomam e exigem que falemos deles. Propositalmente demos um tempo para avaliar se o que supúnhamos era mesmo real, até que os eventos foram confirmando nossas suspeitas. Estamos falando da estratégia dos Centros Culturais. Nos últimos meses vários deles surgiram pelo Brasil com um fito claro: agregar católicos para iniciativas de luta cultural. Faz tempo que uma certa direita - que de católica não tem muito já que flerta com liberalismo, tradição estadunidense e capitalismo usurário - vem plantando a semente de uma guerra ideológica/cultural contra a esquerda; crentes de que ela se pauta por guerra cultural gramsciana, a direita adotou a mesma tática o que passou a envolver, inclusive, a instrumentalização da Igreja Católica como fez a esquerda com suas CEBs e os padres vermelhos que orientaram, por anos a fio, o eleitorado católico para o voto no PT. Assim tais Centros Culturais, embora falem de luta pela Igreja e sua Tradição, se portam mais como veículos para guiar fiéis na direção dos ensinos de Olavo de Carvalho - o mesmo que diz que a salvação do Ocidente passa pelo restauro da Maçonaria e duma aliança dela com a Igreja - seja para se valer disso a fim de criar uma militância anticomunista reativa que se embasa em contestação ao socialismo mas não com a Doutrina Social da Igreja na mão e sim com conservadorismo americano, Burke, Russel Kirk, et caterva.
Comecemos tratando do caso do Centro Dom Bosco do RJ. Liderado por neoconservadores que reconhecem o Concílio Vaticano II - Concílio que se calou sobre o comunismo; é bastante irônico que anticomunistas se baseiem num Concílio que abriu a Igreja para o diálogo com o comunismo como bem mostra a Ostpolitik de Paulo VI, bem estudada pelo historiador Roberto De Mattei - o Centro referido recentemente publicou um jornal - ou seria panfleto? - onde, pasmem, não se encontra um único artigo de espiritualidade, teologia revelada, magistério romano, nada relativo a fé católica! Nada! O jornal do referido Centro Católico, fala de Bolsonaro, põe Olavo na capa e traz Carlos Nougué num rodapé, o que deixa claro por quem o CDB é pautado. Nougué é apenas um professor coadjuvante no CDB tanto que, depois de um bom tempo contribuindo para o grupo, não conseguiu orientar nenhum dos líderes do Centro para longe das diretivas de Olavo de Carvalho nem para longe do neoconservadorismo baseado na absurda hermenêutica da continuidade.
Também é preciso que se fale da conexão estreita entre os vários Centros Culturais "Católicos", todos nascidos sob os auspícios dos alunos de Olavo. O Centro Anchieta, no Espírito Santo, é mais um caso; o referido Centro tem em Garschagen, um seguidor das idéias de Von Mises, que classificava o Evangelho de Jesus Cristo como abjeção comunista, uma referência :
Outro caso igualmente estranho é do Instituto Hugo de São Vítor. O Instituto que tem em Clístenes Fernandes uma de suas lideranças oferece curso de "Astros e Símbolos" como podemos ver abaixo:
![]() |
Sumário do livro de Olavo, Astros e Símbolos. Centros católicos oferecendo isso como curso? Como é possível? |
O curso sobre Astros e Símbolos é a base da astrologia perenialista que vê nos planetas e estrelas símbolos da atuação de poderes angélicos - quer dizer, de demônios - ensinada por Olavo de Carvalho e seu filho Luiz Gonzaga de Carvalho. Astrologia mil vezes condenada pela Igreja mas exaltada por várias linhas esotéricas. Será que o Sr. Clístenes desconhece o que vem sendo ensinado em seu Instituto? Se não desconhece por que permite? E será que o CDB desconhece que o Instituto do sr. Clístenes oferece um curso herético e malsão? Um Centro que quer defender a fé católica pode associar-se a um Instituto que oferta tal coisa? Os líderes do CDB deviam ler o referido livro de Olavo onde o mesmo diz que o Islam é uma dos pilares da tradição e um lugar onde podemos ouvir o eco da Palavra dirigida por Deus aos homens!
![]() |
Página 11 do Astros e Símbolos de Olavo de Carvalho.
Que a atuação dos referidos centros está articulada a Olavo está mais que provado pelo próprio testemunho de Bruno Mendes, uma das lideranças do CDB; percebam que a maioria das referências intelectuais do CDB são de alunos do sr. Carvalho:
A pergunta que não quer calar é: até que ponto tudo isto é católico? Ao que nos parece tudo não passa de estratégia cultural dum perenialismo difuso, associado a direitismo americanista chulé, a qual talvez nem os líderes destes Centros compreendam dado que tais coisas são organizadas desde o cimo de sociedades secretas.
Quem tiver olhos que veja!
|