segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O papel da Mossad na Revolução Colorida no Irã 2026

 

A segunda onda de protestos no Irã ganhou ares de terrorismo com objetivo de derrubar o regime e reinstalar a Monarquia


Os distúrbios no Irã, iniciados no final de 2025, não ficaram sendo simples manifestações espontâneas contra a crise econômica mas terminaram se transformado em uma operação de inteligência israelense destinada a desestabilizar o país e preparar o terreno para uma guerra contra a República Islâmica. 


E não estamos perante um evento casual e sim parte de um plano deliberado para explorar a situação interna iraniana e enfraquecer o governo de Teerã.


Os protestos começaram em 28 de dezembro como manifestações de comerciantes contra a inflação e a má gestão econômica, mas rapidamente foram direcionados para episódios mais violentos, resultando em confrontos com a polícia e ataques contra prédios públicos.


Grupos armados e indivíduos mascarados iniciaram ações violentas — incluindo ataques contra membros das forças de segurança — que aparentavam ser orquestradas, e não uma expressão genuína e espontânea da população. Israel empregou agentes do Mossad e outros recursos clandestinos dentro do território iraniano, mais de uma centena de agentes teriam sido utilizados e essas redes estariam agora ativas para explorar o caos.


Esses agentes utilizaram drones, armas guiadas e campanhas de desinformação nas redes sociais para alimentar os distúrbios e provocar enfrentamentos diretos com o Estado iraniano.


Cabe destacar o uso intenso de propaganda digital e manipulação nas redes sociais para difundir imagens e narrativas que exageram os acontecimentos e criaram a impressão de um movimento popular unificado. Vídeos produzidos com inteligência artificial e conteúdos manipulados foram as ferramentas de uma campanha informacional coordenada, concebida para dar maior visibilidade às revoltas e enfraquecer a coesão interna do Irã.


Por fim a tentativa de desestabilização não se limitou ao campo informacional, mas incluiu a cooperação com grupos separatistas e células armadas, como aquelas presentes nas regiões do Baluchistão ou entre minorias curdas, com o objetivo de criar fraturas sociais e minar a confiança no governo central. Apesar disso até o momento esses esforços não foram capazes de controlar territórios ou derrubar o regime já que as forças iranianas têm conduzido exercícios de contra-insurgência para responder às ameaças percebidas reagindo a revolução colorida em curso com bloqueios da internet,  cortando as redes horizontais de mobilização terrorista nas ruas, além da execução rápida de lideranças. Os sindicatos que apoiavam as manifestações iniciais não endossaram a radicalização, provando que a nova fase das ações nas ruas corresponde a algo articulado de fora do país e não um movimento orgânico e popular. 


As falas de Trump ameaçando de intervir no Irã, caso manifestantes fossem reprimidos e mortos, revela a estruturação dessa segunda onda por agentes da CIA e Mossad. Para sustentar essas ações a mídia internacional encharcou as redes sociais de matérias sobre mortes na casa dos milhares, como a CNN que chegou a "noticiar" mais de dois mil mortos pelo regime com base em dados de um ONG norte americana que não podiam ser verificados de modo independente.  


Integrando essas observações com uma análise das falhas de inteligência do Irã e das possíveis soluções, percebe-se que uma das principais vulnerabilidades exploradas é justamente a dificuldade iraniana em prevenir e neutralizar infiltrações e operações estrangeiras em seu próprio território, situação que vem se tornando dramática desde o assassinato do General Soleimani, em 2020, comandante da força Quds, braço da Guarda Revolucionária do Irã. A morte de Soleimani não foi apenas a eliminação de um comandante militar, mas o desmonte de uma arquitetura pessoal de relações e informações que sustentava grande parte da projeção externa do Irã. A partir daí ficaram evidentes problemas que já existiam, mas que eram parcialmente mascarados por sua liderança carismática e centralizadora.


A primeira grande falha foi a subestimação da penetração estrangeira, especialmente israelense, dentro do próprio território iraniano. Nos anos seguintes multiplicaram-se sabotagens em instalações nucleares, ataques cibernéticos, explosões em bases militares e assassinatos seletivos de cientistas e oficiais. A presença de agentes externos e a difusão de desinformação indicam deficiências na contrainteligência digital e humana, na proteção das comunicações internas e no monitoramento eficaz das redes de oposição.


Para enfrentar esses problemas, o Irã precisaria fortalecer seu aparato de contrainteligência com auditorias rigorosas, sistemas avançados de segurança cibernética, formação mais profissional e menos ideologizada de analistas, além da criação de protocolos institucionais estáveis que reduzam a dependência de estruturas personalistas. 


O aprimoramento da proteção das infraestruturas informacionais e o desenvolvimento de capacidades autônomas de coleta e análise de dados estratégicos, aliados a uma cultura de avaliação realista e pragmática, poderiam ajudar Teerã a evitar manipulações semelhantes no futuro.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Modelo de Petição contra lei de Misoginia

 PETIÇÃO PÚBLICA AOS DEPUTADOS FEDERAIS


Assunto: Pedido de revisão, rejeição ou aprimoramento da legislação conhecida como “Lei da Misoginia”. 


Excelentíssimos(as) Senhores(as) Deputados(as) Federais,

Nós, cidadãos brasileiros, no exercício do direito constitucional de petição (art. 5º, XXXIV, da Constituição Federal), vimos manifestar preocupação jurídica, institucional e democrática em relação à legislação e aos projetos conhecidos publicamente como “Lei da Misoginia”.


O combate à violência não pode ocorrer à custa da segurança jurídica, da liberdade de expressão e do devido processo legal, pilares essenciais do Estado. 


Nesse sentido, apresentamos as seguintes preocupações:


1- Indeterminação conceitual


O termo “misoginia”, quando utilizado como tipo penal ampla, carece de definição objetiva e precisa, abrindo margem para interpretações subjetivas, seletivas ou ideológicas, em desacordo com o princípio da legalidade estrita.


2- Risco à liberdade de expressão e ao debate público


A tipificação excessivamente aberta pode gerar efeitos de autocensura, criminalizando críticas, opiniões, análises sociológicas, debates acadêmicos ou manifestações políticas legítimas, o que afronta o art. 5º, IV e IX, da Constituição Federal.


3- Redundância normativa


O ordenamento jurídico brasileiro já dispõe de instrumentos suficientes para punir crimes de ódio, injúria, difamação, ameaça, violência psicológica e violência física, inclusive com recortes específicos de gênero, tornando questionável a necessidade de novos tipos vagos.


4- Possibilidade de uso político e seletivo da lei


Leis formuladas com conceitos morais amplos tendem historicamente a ser usadas de forma desigual, corroendo a confiança institucional e aprofundando a polarização social.


Diante disso, solicitamos respeitosamente que Vossas Excelências:


Reavaliem o conteúdo e os impactos constitucionais da referida legislação;


Promovam amplo debate público, com juristas, acadêmicos e a sociedade civil plural;


Evitem a aprovação ou manutenção de dispositivos vagos que comprometam direitos fundamentais;


Priorize políticas públicas concretas de prevenção e educação, em vez de legislações simbólicas de efeito punitivo genérico.


Esta petição não se opõe à dignidade da mulher, mas defende o equilíbrio entre proteção social e liberdade constitucional, condição indispensável para uma democracia saudável.

Respeitosamente,


Nome


CPF


Cidade e estado


Data

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

25 de Dezembro: Tradição Cristã Anterior ao Sol Invicto pagão.


 

É comum alegarem que o Natal foi a cristianização posterior de uma data pagã e que o 25/12 corresponderia a uma mera convenção política sem lastro na tradição cristã e nos fatos históricos. Este artigo visa mostrar que Jesus realmente nasceu em 25/12. 


A narrativa lucana do nascimento de Cristo — com pastores vigiando seus rebanhos durante a noite nas proximidades de Belém — é frequentemente questionada com base na suposição de que tal prática seria inverossímil no inverno da Judeia. Essa objeção, porém, não se sustenta à luz da documentação histórica, climática e socioeconômica do Oriente Próximo antigo. A Judeia do século I possuía um clima mediterrâneo, com invernos frios, porém moderados, que não impediam a permanência de rebanhos ao ar livre. Fontes arqueológicas, rabínicas e estudos modernos de economia rural mostram que o pastoreio noturno era prática comum durante todo o ano, inclusive no inverno, sobretudo porque os campos pós-colheita serviam de pastagem sazonal. Além disso, a região de Belém era conhecida por abrigar rebanhos destinados ao culto do Templo de Jerusalém, os quais eram mantidos sob vigilância contínua e ao relento para evitar ferimentos que os tornassem impróprios para o sacrifício. Assim, o cenário descrito por Lucas corresponde com precisão às práticas reais da Judeia do período do Segundo Templo.


A questão da data — tradicionalmente fixada em 25 de dezembro — deve ser analisada em outro plano. Do ponto de vista histórico, é certo que os evangelhos não fornecem uma data explícita para o nascimento de Jesus. Contudo, isso não significa que a data natalina seja uma invenção arbitrária ou uma simples apropriação de festas pagãs. Já no século III, antes do imperador Aureliano, encontram-se tradições cristãs que situam o nascimento de Cristo em torno de 25 de dezembro, não a partir de observações astronômicas ou festivais solares, mas de um cálculo teológico conhecido como a doutrina da “data integral”. Segundo essa concepção, comum no judaísmo antigo, os grandes profetas morrem no mesmo dia em que foram concebidos. Aplicada a Cristo, essa lógica levou à fixação simbólica de sua morte em 25 de março; sua concepção, portanto, ocorreria na mesma data, e seu nascimento nove meses depois, em 25 de dezembro. Testemunhos como os de Hipólito de Roma e o tratado De Pascha Computus confirmam que esse cálculo circulava em ambientes cristãos décadas antes da reforma religiosa de Aureliano.

Quando, em 274 d.C., o imperador Aureliano instituiu oficialmente o Dies Natalis Solis Invicti em 25 de dezembro, seu objetivo foi combater diretamente o cristianismo e reagir a uma data que começava a ser estabelecida como tradição cristã. A iniciativa deve ser compreendida no contexto da Crise do século III, quando o Império Romano buscava símbolos de unidade política e religiosa. O Sol Invictus funcionava como um culto universal e imperial, capaz de integrar tradições orientais, a devoção do exército e a ideologia do poder. Esse culto ocupava o mesmo espaço simbólico: luz contra trevas, ordem cósmica, vitória sobre a morte, universalidade. Tratava-se de uma concorrência simbólica.

O que ocorre no século IV não é uma “cristianização oportunista” de uma festa pagã, mas um confronto de significados. O cristianismo, já fortalecido e agora legalizado, vai adotar o feriado cívico do 25 de dezembro, mas dentro de uma resignificação. Padres da Igreja como Sto. Agostinho e São Leão Magno insistem que os cristãos não celebram o sol criado, mas o Criador do sol; não a luz cósmica impessoal, mas a Luz verdadeira que entrou na história. O simbolismo solar, longe de ser negado, é subordinado à cristologia: Cristo é o Sol iustitiae, não por analogia naturalista, mas por cumprimento escatológico. É com Constantino em 336 D.C. que a data de Natal é fixada é com o Imperador Teodósio em 389 D.C. que a festa do Natal é colocada no calendário oficial como festa que vai substituir a do Solís Invictus. 

Assim, quando se considera o conjunto dos dados — práticas pastorais da Judeia, tradições teológicas cristãs pré-nicenas, política religiosa de Aureliano e desenvolvimento litúrgico posterior — torna-se claro que não há contradição histórica nem ingenuidade mítica na celebração do Natal em 25 de dezembro. O cristianismo não nasce da adaptação ao paganismo solar, mas do seu confronto e superação simbólica. O presépio em Belém e o solstício romano pertencem ao mesmo mundo antigo, mas apontam para concepções radicalmente distintas de luz, tempo e salvação: uma cósmica e impessoal; a outra histórica, encarnada e redentora.


Fontes históricas (primárias e historiográficas) por eixo temático: 


I. Pastoreio, clima e economia rural na Judeia (séculos I a.C.–I d.C.)

Oded Borowski

Agriculture in Iron Age Israel

Daily Life in Biblical Times

📌 Fundamentais para:

pastoreio anual,

uso dos campos pós-colheita no inverno,

guarda noturna de rebanhos.

Ze’ev Safrai

The Economy of Roman Palestine

📌 Uma das melhores sínteses:

economia camponesa,

práticas agropastoris,

integração entre agricultura e pastoreio no inverno.

Joachim Jeremias

Jerusalem in the Time of Jesus

📌 Clássico absoluto:

estrutura socioeconômica da Judeia,

rebanhos nos arredores de Belém,

relação com o Templo.

Yohanan Aharoni

The Land of the Bible

📌 Base geográfica e climática:

clima mediterrâneo da Judeia,

viabilidade do pastoreio invernal.

Jodi Magness

The Archaeology of the Holy Land

📌 Confirma arqueologicamente:

economia rural,

vida cotidiana fora dos centros urbanos.

II. Fontes judaicas antigas sobre pastores e rebanhos

Mishná

Shekalim 7:4

Bava Kamma 7

📌 Evidências diretas de:

rebanhos ligados ao Templo,

vigilância constante,

práticas legais envolvendo pastores.

Tosefta

Bava Kamma 7

📌 Complementa a Mishná sobre:

responsabilidades noturnas,

danos, guarda e vigilância.

Jacob Neusner

A History of the Mishnaic Law of Agriculture

📌 Interpretação crítica dos textos rabínicos.

III. Exegese histórica de Lucas 2 (pastores à noite)

Joseph A. Fitzmyer

The Gospel According to Luke I–IX (Anchor Yale Bible)

📌 Exegese técnica de Lucas 2:8:

pastores,

vigílias noturnas,

plausibilidade histórica.

Raymond E. Brown

The Birth of the Messiah

📌 Obra de referência:

historicidade do relato,

crítica às objeções climáticas,

diálogo com fontes judaicas.

Craig S. Keener

IVP Bible Background Commentary: New Testament

📌 Contexto social e cultural detalhado.

IV. Origem cristã do 25 de dezembro (antes de Aureliano)

Hipólito de Roma

Comentário sobre Daniel IV, 23

📌 Testemunho explícito:

nascimento de Cristo em 25 de dezembro,

anterior a Aureliano.

De Pascha Computus (243 d.C.)

📌 Documento-chave:

cálculo teológico da concepção em 25 de março,

nascimento em 25 de dezembro.

Thomas J. Talley

The Origins of the Liturgical Year

📌 A obra mais respeitada sobre:

formação do calendário cristão,

independência inicial em relação a festas pagãs.

V. Aureliano, Sol Invictus e política religiosa romana

Steven Hijmans

Sol: The Sun in the Art and Religions of Rome

📌 Referência central:

culto solar romano,

função política do Sol Invictus,

data de 25 de dezembro.

Mary Beard, John North, Simon Price

Religions of Rome

📌 Contexto amplo:

religião imperial,

função ideológica dos cultos oficiais.

Gastón H. Halsberghe

The Cult of Sol Invictus

📌 Estudo clássico sobre:

Aureliano,

institucionalização do culto solar.

VI. Confronto simbólico: Cristo como verdadeira Luz

Santo Agostinho

Sermones (especialmente sobre o Natal)

📌 Testemunho patrístico direto:

rejeição do culto solar,

resignificação cristológica do 25/12.

Papa Leão Magno

Sermões sobre o Natal

📌 Afirmação explícita:

Cristo como Criador do sol,

não o sol como divindade.

Joseph Ratzinger (Bento XVI)

O Espírito da Liturgia

📌 Leitura teológica e histórica:

simbolismo da luz,

cristianização do tempo cósmico.

VII. Sínteses historiográficas modernas

Paul Bradshaw & Maxwell Johnson

The Origins of Feasts, Fasts and Seasons in Early Christianity

📌 Abordagem crítica:

evita explicações simplistas de “cópia pagã”.

Andrew McGowan

Ancient Christian Worship

📌 Desenvolvimento litúrgico realista e documentado.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Oito Heresias doutrinais e sete sociais da Dilexi Te

Leão XIV ou Francisco II? 

 


Resumo dos erros da Dilexi Te de Leão 14


Cristologia socializada: Cristo é apresentado quase exclusivamente como “irmão dos pobres” e “companheiro dos que sofrem”.  Pode induzir a uma redução sociológica de Cristo, diminuindo sua dimensão redentora universal e divina.


Eclesiologia horizontal: A Igreja é descrita como “comunidade de serviço” mais do que como Corpo Místico. Pode relativizar a dimensão sacramental e hierárquica da Igreja (tendência eclesiológica próxima da teologia da libertação radical).


Soteriologia implícita:  Afirma-se que “quem cuida dos pobres se une a Cristo e já participa da salvação”. Risco de sugerir salvação por obras ou por mera solidariedade social, se não for equilibrado pela doutrina da graça.


Antropologia otimista: Ênfase forte na bondade natural do ser humano e em sua capacidade de refletir o amor divino.  Pode parecer negar a ferida do pecado original e a necessidade da graça para o bem sobrenatural.


Visão do magistério: O texto fala mais de “discernimento comunitário” do que de obediência à doutrina. Possível minimização da autoridade magisterial, ecoando tendências sinodalistas mais democráticas.


Ecumenismo implícito: Refere-se à presença do Espírito em “todas as tradições de amor e serviço”, sem distinguir religião Pode ser interpretado como relativismo religioso se entendido como equivalência entre fé cristã e outras crenças.


Erros doutrinais


1. Cristologia sociológica


Trechos: §§ 6–12 – Cristo “identifica-se plenamente com todo pobre, marginalizado e oprimido; o Reino se manifesta em cada gesto humano de ternura”.

Doutrina tradicional: Concílio de Trento, Sess. VI, cap. 1–3: a Redenção é obra sobrenatural, não mero exemplo ético. Pascendi Dominici Gregis (Pio X): condena a redução da fé ao sentimento e à experiência humana.

Grave se interpretado literalmente: parece reduzir Cristo à humanidade sofredora, esquecendo Sua divindade e missão salvífica. Tendência imanentista e humanista, próxima do modernismo condenado por Pio X.


 2. Eclesiologia horizontal e comunitarista


Trechos: §§ 20–28 – A Igreja é descrita quase exclusivamente como “povo em caminho que se escuta mutuamente e aprende com o mundo”.

Doutrina tradicional: Mystici Corporis Christi (Pio XII): Igreja é Corpo Místico, hierárquico, com Cristo como Cabeça. Lumen Gentium (Vaticano II) admite dimensão de Povo de Deus, mas sem suprimir a estrutura hierárquica.

Sugere que a autoridade é “sinodal”, o que pode relativizar o magistério petrino.


3. Soteriologia das obras sociais


Trechos: §§ 33–41 – “Quem socorre o pobre já participa da salvação e do Reino de Deus.”

Doutrina tradicional: Concílio de Trento, Sess. VI, cânones 1–4: a justificação vem pela graça, não por obras naturais. Syllabus Errorum (1864), prop. 55: rejeita a ideia de que o homem pode obter a vida eterna por suas próprias forças.

Grave se entendida como negação da graça. O texto não nega formalmente a graça, mas quase a omite — típica formulação semi-pelagiana.


4. Relativismo religioso e pneumatologia ampla


Trechos: §§ 70–73 – “O Espírito Santo sopra onde quer, inspirando todo gesto autêntico de amor, em qualquer tradição religiosa.”

Doutrina tradicional: Dominus Iesus (2000): unicidade e universalidade salvífica de Cristo e da Igreja. Mortalium Animos (Pio XI): condena o indiferentismo religioso.

Grave, pois sugere equivalência entre religiões. É eco de um ecumenismo pluralista que dilui a singularidade de Cristo.


5. Antropologia otimista


Trechos: §§ 46–49 – “O homem, portador do amor, é sinal visível de Deus no mundo.”

Doutrina tradicional: Concílio de Trento, Sess. V: o pecado original feriu a natureza humana. Humani Generis (Pio XII): alerta contra visões naturalistas do homem.

Risco de naturalismo moral: exalta a bondade humana sem reconhecer a necessidade da redenção.


6. Magistério e discernimento


Trechos: §§ 100–105 – “A autoridade eclesial é serviço de escuta; o discernimento do povo é expressão da presença do Espírito.”

Doutrina tradicional: Pastor Aeternus (Vaticano I): primado de jurisdição e infalibilidade papal. Pascendi e Humani Generis: condenam a substituição da verdade revelada pelo consenso comunitário.

Grave, se o discernimento comunitário for apresentado como fonte normativa da fé. Poderia minar o caráter dogmático do magistério.


7. Escatologia imanente


Trechos: §§ 110–115 – “O Reino de Deus realiza-se já nas estruturas de fraternidade e justiça entre os povos.”

Doutrina tradicional: Catecismo Romano e Spe Salvi (Bento XVI): o Reino é realidade escatológica, não sociopolítica.

Tendência ao milenarismo mitigado ou à “salvação intramundana” (teologia da libertação).


8. Mariologia simbólica


Trechos: §§ 116–119 – Maria é apresentada mais como símbolo de ternura e humanidade do que como Mãe de Deus e corredentora.

Doutrina tradicional: Ineffabilis Deus (Pio IX), Lumen Gentium §§ 62–66: Maria participa singularmente na obra redentora.

Reducionismo do papel de Maria. 


Erros sociais


1. Redução do Evangelho a uma mensagem social


Trechos: §§ 24–30, 33–36, 54–58


Conteúdo: o texto afirma repetidamente que “o Evangelho é essencialmente uma boa nova para os pobres”, que “a fé é autêntica quando transforma as estruturas sociais” e que “a missão da Igreja é promover a fraternidade universal”.

Problema teológico: A tradição ensina que o Evangelho é ordem sobrenatural — visa a salvação das almas, e não a reforma social como fim primário (Quadragesimo Anno, § 120; Rerum Novarum, § 24).

Pode resvalar no “evangelho social” ou “cristianismo sociológico”, reduzindo a mensagem de Cristo a ética horizontal, o que Pio X chamou de modernismo prático (Pascendi, § 38).


2. Visão igualitária e anti-hierárquica da sociedade


Trechos: §§ 40–47, 92–95


Conteúdo: afirma que “todas as formas de autoridade devem nascer do consenso popular” e que “a desigualdade econômica e política é contrária ao Reino”.

Problema teológico: O magistério de Leão XIII (Diuturnum, Immortale Dei) e de Pio XI (Quadragesimo Anno) reconhece que a autoridade legítima e a desigualdade natural derivam da ordem criada por Deus.

A negação de desigualdades legítimas (por mérito, função ou natureza) aproxima-se de igualitarismo revolucionário.

Confunde caridade com nivelamento social absoluto.


3. Desconfiança estrutural contra a propriedade privada


Trechos: §§ 48–53, 68–70


Conteúdo: “A propriedade é um dom a ser compartilhado” e “toda acumulação é injusta enquanto houver pobres”.

Problema teológico: Rerum Novarum (§ 15) e Quadragesimo Anno (§ 44–45) defendem o direito natural à propriedade privada.

Afirmar que toda acumulação é injusta implica negar esse direito e ecoa princípios socialistas ou comunistas. Contradiz o equilíbrio católico entre propriedade e destino universal dos bens.


4. Salvação por meio da transformação social


Trechos: §§ 33–39, 75–79


Conteúdo: o texto fala da “redenção das estruturas”, “conversão ecológica e social”, e afirma que “o Reino acontece quando a injustiça é vencida”.

Problema teológico: A doutrina católica distingue entre redenção espiritual (pela graça) e melhoria temporal (pela justiça).

Confundir ambas é forma de imanentismo, ou seja, deslocar a salvação para o plano histórico e político.

Parece uma espécie de “soteriologia estrutural” próxima da Teologia da Libertação radical (criticada em Libertatis Nuntius, 1984).


5. Primazia do “povo” sobre o magistério


Trechos: §§ 96–104


Conteúdo: “O discernimento dos pobres e das comunidades é fonte do Espírito” e “a voz do povo precede o ensinamento”.

Problema teológico: A Doutrina Social da Igreja afirma que o Magistério interpreta a lei natural e divina — não o consenso popular (Mater et Magistra, § 47).


Inverter essa ordem é traço de democratismo eclesial condenado por Pio VI (Auctorem Fidei). O Espírito é reduzido à consciência coletiva.


6. Universalismo político (fraternidade globalista)


Trechos: §§ 105–110


Conteúdo: “A humanidade deve caminhar para uma governança comum e solidária” e “as fronteiras são construções a superar em nome da fraternidade”.

Problema teológico: Embora o ideal de fraternidade seja cristão, o globalismo político desconsidera a legitimidade da soberania dos povos e a noção de bem comum subsidiário (Quadragesimo Anno, § 79–80).


Tende a substituir o Reino de Cristo por uma utopia política universal.


 7. Confusão entre justiça e caridade


Trechos: §§ 59–63, 87–89


Conteúdo: “A caridade exige mudanças estruturais” e “a justiça social é a forma mais alta de amor”.

Problema teológico: Pio XI (Divini Redemptoris, § 51) e Bento XVI (Caritas in Veritate, § 6) distinguem que caridade é virtude sobrenatural, enquanto justiça é virtude moral natural.

Subordinar a caridade à ação política é erro de ordem teológica. Moralismo social e imanentização da caridade.


quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Putin anti comunista ou refutando as mentiras da velha TFP

 

O IPCO, herdeiro da TFP, insiste em ligar a Rússia pós soviética a um comunismo reformulado sob a figura de V. Putin com o intento de manter os católicos alinhados ao "anticomunismo" de linha norte americana como frente e vanguarda da luta católica. 

É preciso, portanto, desmentir a fraude narrativa do IPCO. Muita gente ainda pensa na Rússia atual como uma continuação da URSS, quando, na verdade, o sistema de Putin é fortemente capitalista, e sua relação com o Partido Comunista da Federação Russa (KPRF) é de rivalidade política.

 1-Como a Rússia de Putin é capitalista?

Após o colapso da URSS (1991), o país passou por uma “terapia de choque” econômica que privatizou rapidamente empresas estatais. Isso criou os oligarcas, bilionários que enriqueceram adquirindo ativos estratégicos (petróleo, gás, mineração, bancos).

Putin, que chegou ao poder em 1999, não reverteu a privatização nem restaurou a economia planificada socialista. O que ele fez foi:

Reforçar o capitalismo de Estado: empresas estratégicas como a Gazprom e a Rosneft estão sob controle estatal, mas funcionam com lógica de mercado e geram lucro como qualquer multinacional.

Manter propriedade privada e acumulação de capital: bancos, indústrias e comércio continuam sendo privados; há um mercado de ações em Moscou; e a desigualdade social é marcante.

Integração ao mercado mundial: até as sanções recentes, a Rússia fazia parte da OMC, recebia investimentos estrangeiros e dependia da exportação de commodities para a economia global.

Ou seja, a Rússia de Putin não é socialista: é um capitalismo oligárquico e extrativista, onde o Estado centraliza poder político, mas a economia é orientada pelo lucro e pelo mercado.

 2-Por que Putin é inimigo do Partido Comunista?

O KPRF (Partido Comunista da Federação Russa), herdeiro do PCUS soviético, é o maior partido de oposição “tolerada” na Rússia. Ele:

Defende a re-nacionalização de setores privatizados, promove políticas sociais mais redistributivas,

É crítico do enriquecimento dos oligarcas e da "corrupção" do sistema de Putin.

A hostilidade entre Putin e os comunistas se deve a vários fatores:

Competição eleitoral: O KPRF já foi a principal força de oposição e frequentemente fica em 2º lugar nas eleições presidenciais. Putin garante a vitória restringindo a oposição.

Visão histórica diferente: Putin critica abertamente Lênin por “plantar a bomba” do separatismo na URSS. Para ele, a prioridade é um nacionalismo russo conservador, não a luta de classes.

Uso político do comunismo: Putin tolera o KPRF como “oposição permitida” (não pode ameaçar de verdade o poder), mas impede que se torne alternativa real. Muitos líderes comunistas sofrem perseguições, censura e exclusão eleitoral.

A Rússia de Putin é capitalista, baseada em um capitalismo de Estado e oligarquia, mas sem economia planificada.

Putin e o Partido Comunista são rivais políticos: os comunistas acusam Putin de governar para os ricos e oligarcas, enquanto ele os marginaliza para manter um sistema nacionalista e autoritário, sem espaço para o socialismo.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Refutando o Padre José Eduardo: quem é mesmo Galicano?

 

Padre José num momento de "êxtase pentecostal" com o seu "rebanho"






O padre José Eduardo, em sua cruzada contra o tradicionalismo,  recentemente lançou um vídeo apresentação de mais de três horas, no seu canal no youtube, acusando os tradicionalistas de professarem várias heresias entre elas as do Galicanismo e do Joaquimismo. Descarto as demais acusações como a de Donatismo e Messianismo por carecerem de  fundamento absoluto me concentrando nas duas anteriores afinal, a primeira vista pode parecer que os tradicionalistas fazem mesmo parte de uma realidade paralela a Igreja pois a mesma é identificada frequentemente, pelo senso comum,  ao contexto conciliar e da missa nova com as suas dioceses e todo a estrutura burocrática de tribunais e congregações vaticanas.

Mas o que é Galicanismo? Trata-se de uma concepção eclesiológica onde o poder do Papa é limitado pela Igreja Nacional, que tem autonomia administrativa, e também pelos concílios gerais e decisões dos Bispos e que concede soberania do estado perante a Igreja em matérias temporais.

Ora é justamente na Igreja Conciliar onde o Galicanismo está redivivo: se os tradicionalistas tomam decisões autônomas em relação a Roma – como no caso dos tribunais da FSSPX que julgam nulidades matrimoniais – fazem-no por estado de necessidade e não por que possuem uma Doutrina Galicana como acontece com o conceito de Colegialidade adotado durante o Concílio Vaticano II e que ofereceu certa resistência e profunda desconfiança entre os Padres. Muitos bispos tinham em mente, ou mesmo evocavam, erros como o conciliarismo, o Galicanismo, com o temor de que, ao afirmar a colegialidade se colocava em risco o primado do Romano Pontífice: pois bem, é por esse conceito ambíguo que agora mesmo o Galicanismo se faz redivivo na Seita Conciliar.

Para mostrar que este conceito foi assumido numa chave heretizante basta recordar a intervenção que o padre Ratzinger escreveu em parceria com Gustave Martelet e Karl Rahner, para uma das seções do Concílio intitulado “O primado e o colégio episcopal no governo de toda a Igreja”:

“para demonstrar a existência do Colégio dos Bispos basta ter sempre presente desde o começo o texto de Mt 28,18ss. Ali se declara a potestade plena e única de Cristo, se proclama a missão única ao mundo inteiro, missão que contém o triplo ofício de ensinar, santificar e governar. Esta missão e potestade única é confiada a todos os apóstolos em comunhão”.

Do texto se conclui a igualdade entre papa e demais bispos: foi ao Colégio a quem foi confiada a potestade em geral na Igreja e não ao Papa em especial.

O Concílio Vaticano I havia combatido a ideia dos juristas protestantes que haviam falado a respeito de uma estrutura colegial da Igreja Universal e haviam, assim, expresso a ideia da igualdade perfeita de todos os membros da Igreja, manifestando uma característica da "Reforma". Por esta razão, para muitos bispos, ligados à tradição da cúria, a palavra “colégio” soava mal e de maneira equívoca. Foi este termo que foi assumido no Vaticano II quando a Lumen Gentium disser que “ A ordem dos Bispos...é sujeito do supremo e pleno poder sobre toda a Igreja” Para melhor ilustrar a coisa toda citamos a Amoris Laetitia de Francisco que no número 3 afirma:

Recordando que o tempo é superior ao espaço, quero reiterar que nem todas as discussões doutrinais, morais ou pastorais devem ser resolvidas através de intervenções magisteriais. Naturalmente, na Igreja, é necessária uma unidade de doutrina e práxis, mas isto não impede que existam maneiras diferentes de interpretar alguns aspectos da doutrina ou algumas consequências que decorrem dela. Assim há-de acontecer até que o Espírito nos conduza à verdade completa (cf. Jo 16, 13), isto é, quando nos introduzir perfeitamente no mistério de Cristo e pudermos ver tudo com o seu olhar. Além disso, em cada país ou região, é possível buscar soluções mais inculturadas, atentas às tradições e aos desafios locais. De facto, «as culturas são muito diferentes entre si e cada princípio geral (...), se quiser ser observado e aplicado, precisa de ser inculturado”.

A passagem sublinhada tem o mesmo espírito do terceiro artigo de Declaração do Clero Galicano de 1682 que afirma que a jurisdição do papa deve ser regulada pelos costumes das igrejas locais e nacionais. Dito isto quem é mesmo Galicano, Padre José Eduardo? 



sexta-feira, 30 de maio de 2025

Resenha da obra "Legado da Violência: Uma História do Império Britânico"

A Pérfida Albion, símbolo da maldade inglesa



Recentemente a BBC de Londres, arma de propaganda anglosaxã, pubicou uma matéria em pleno dia 13 de Maio de 2025, data que nós brasileiros comemoramos a libertação dos escravos pela Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, afirmando que o "clero católico vivia do trabalho escravo", uma verdade que sonega outra a de que todo o circuito econômico da era colonial dependia dos excedentes obtidos pela escravidão, inclusive as bolsas de Londres, alimentadas pelos ganhos com o tráfico negreiro dirigido por mercadores judeus associados a economia inglesa que se financeiriza na altura do século 17. Como base nisso é comum vermos a demonização da colonização ibérica e pouco ou nada sobre a violência da neocolonização britânica durante a era dos impérios - século 19/20. Para revelar seu legado de infâmia e morte sem precedentes o livro de Caroline Elkins é fundamental. Esta é uma história incrível, que deveria estar na lista de todas as aulas de história que tratem de história moderna, história do Império Britânico e, mais adiante, para aqueles que estudam economia, política e estratégias geopolíticas. Para qualquer outra pessoa, deveria ser uma leitura obrigatória para compreender os eventos atuais, conforme se desenrolam em todo o mundo, pois nossos cenários geopolíticos atuais são fortemente baseados no  Legado de Violência da Grã-Bretanha .


O livro abrange cerca de duzentos anos de história imperial britânica, deixando de lado as depredações do império na América do Norte – que precederam e motivaram grande parte do que se seguiu – e termina com a dissolução do império após a Segunda Guerra Mundial. Entre eles, há uma sórdida história de violência, revestida de propaganda, arrogância, racismo, uma imprensa submissa e um público doméstico ignorante. Vários temas são consistentes nos esforços imperiais da Grã-Bretanha.




A violência é obviamente o primeiro tema, e ela surgiu e continua surgindo de muitas formas: violência militar aberta, violência militar secreta e espionagem, uma ampla gama de torturas, execuções extrajudiciais (assassinatos), campos de concentração, remoções, fome, abuso sexual, armas químicas e assim por diante...

Em todas as colônias examinadas em Legacy of Violence,  todas essas ações são semelhantes e, à medida que a experiência colonial de repressão avança ao longo dos anos, as técnicas foram refinadas para serem mais dolorosas, ao mesmo tempo em que fingiam estar mais de acordo com o direito internacional em desenvolvimento.

Direito internacional

O direito internacional tornou-se cada vez mais codificado, especialmente após as Grandes Guerras Mundiais do século XX, mas o Império Britânico sempre encontrou maneiras de contornar a crescente vigilância sobre suas ações. Embora a responsabilidade final sempre recaísse sobre Londres, os governadores coloniais locais tinham carta branca legalizada para fazer o que achassem necessário para infundir civilização aos selvagens sob seu controle.

A violência absoluta da dominação foi quase legalizada pela declaração de colônias ou áreas de colônias como zonas de terror e rebelião, permitindo a promulgação da lei marcial. Sob esses regimes, milhares de leis foram criadas pelo governo colonial para reprimir quaisquer motins, protestos, distúrbios ou rebeliões declaradas. Essas leis forneciam o "verniz de permissibilidade legal".

Ocasionalmente, notícias desses eventos chegavam à terra natal e eram descartadas como a desculpa padrão de "maçã podre no barril" ou eram viradas de outra forma e culpavam os povos indígenas por serem selvagens sem moral, e que a força era necessária para lidar com sua intransigência e incapacidade de trabalhar em um estado civilizado.

À medida que o direito internacional se tornou mais codificado, os poderes constituídos permitiram "derrogações" ou isenções ao Estado de Direito em caso de "terror" ou "rebelião" nas colônias. Como resultado, "a Grã-Bretanha tornou-se sinônimo de um 'regime de derrogação' que... normalizou a exceção no direito e na prática internacionais". Talvez seja vista de forma mais óbvia na linguagem moderna e sem sentido de hoje como o "Estado de Direito... um termo consagrado pelo tempo no império da ilegalidade legalizada".

Ao longo do livro de Elkins, a ideia de moralidade e selvageria permeia todas as eras e regiões coloniais, da África do Sul, Malásia, Índia, Palestina, Quênia, passando pelo Chipre do pós-guerra e, muito mais perto de casa, a Irlanda. Os britânicos sempre reivindicaram uma civilização e moralidade superiores, e as "populações incivilizadas e selvagens do mundo... precisavam de um conjunto diferente de regras".

Moralidade

Ao discutir a rebelião árabe na Palestina pré-guerra, Chaim Weizmann refletiu sobre o uso da violência contra os árabes, ficando "encorajado ao saber que 'produziu um efeito moral salutar'". Essa visão perdura até a propaganda atual sobre os eventos em Gaza.

Produziu o efeito de considerar o significado de "moralidade" em relação ao massacre em Gaza, já que Israel sempre proclamou ter o exército mais "moral" do mundo. Os eventos em Gaza, e de fato em toda a Palestina, indicam que a Força de Ocupação Israelense aprendeu bem a aplicação imperial britânica da moralidade.

As técnicas que eles usaram durante a colonização da Palestina foram adotadas da ocupação britânica anterior: remoções, tortura, campos de concentração (a própria Gaza) e assim por diante, conforme listado acima.

Este exército, o mais "moral", adotou a moralidade da violência como meio de superar a resistência à sua ocupação e ao assentamento de uma cultura indígena. Expressou-se plenamente como um meio de limpeza étnica em Gaza, por meio da remoção ou do genocídio – com a ressalva de que a definição oficial de genocídio envolve a intenção de matar, e também a intenção de destruir a cultura e a sobrevivência do povo, mesmo que não seja diretamente assassinado por meios militares.

O Novo Império Anglo-Americano

Após a Segunda Guerra Mundial, a criação da ONU e a redação da Declaração dos Direitos Humanos, mas, mais importante, o enfraquecimento da "área da libra esterlina" financeira e o fortalecimento do império financeiro e militar dos EUA, a Grã-Bretanha foi forçada a fechar seu império... ao mesmo tempo em que fazia o melhor para manter algum tipo de poder por meio de sua Comunidade das Nações, incluindo, de forma mais poderosa, os estados coloniais de assentamento do Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

Com o advento da Guerra Fria e os medos fabricados do comunismo, a manutenção da área da libra esterlina exigiu o apoio dos EUA, pois "os americanos precisavam pisar levemente nos desígnios imperiais para que não antagonizassem seus tão necessários parceiros da OTAN... permanecendo firmes contra os soviéticos".

Um manual de contrainsurgência britânico de 1966, voltado para insurgências comunistas, "incluía a necessidade de aderir ao Estado de Direito e conquistar os corações e mentes da população civil". Segundo Elkins, voltando à Malásia, o manual "surgiu como o  [itálico no original] ponto de referência para o sucesso da contrainsurgência, influenciando a Doutrina Petraeus dos Estados Unidos no Iraque e moldando as operações de contrainsurgência ocidentais até hoje".

Corações e mentes, juntamente com o Estado de Direito, são essencialmente termos de propaganda que encobrem a remoção e o reassentamento forçados de populações indígenas, acompanhados de torturas e execuções mais ocultas.

Isso não apenas influenciou a Doutrina Petraeus, mas o legado imperial de violência da Grã-Bretanha deixou brechas para que regimes pós-independentes praticassem violência coercitiva de todos os tipos dentro de suas próprias nações, nações frequentemente divididas por etnias previamente manipuladas para melhor ou pior pelos governadores britânicos e seus comparsas.

Hoje em Gaza

Tudo isso culmina na violência e no massacre de hoje – genocídio – em Gaza, apoiados pelo poderio financeiro e militar dos Estados Unidos e suas ambições imperiais. O Legado da Violência, de Elkin  , foi escrito antes desses eventos e, sabiamente, ela não tentou trazer sua obra para o âmbito dos eventos atuais. No entanto, é óbvio que as ações israelenses decorrem de sua herança como colônia britânica, iniciada há muito tempo, nos dias de suprema potência colonial, imediatamente após a Primeira Guerra Mundial.

O Legado de Violência do Império Britânico  transformou-se num regime de violência anglo-americano, com a violência e as regras advindas principalmente dos Estados Unidos. No entanto, como nação beligerante e racista com armas nucleares, Israel direciona suas próprias ações em Gaza, uma atitude descarada em relação às tentativas frágeis dos EUA de parecerem humanitários, ao mesmo tempo em que fornecem os meios financeiros e militares para que Israel mantenha o massacre.

Epílogo

O império britânico continua vivo, subsumido pelo poder militar-industrial-financeiro dos Estados Unidos, além de ser evidente em muitas regiões ainda latentes do mundo, onde povos indígenas estão tentando superar o legado de violência perpetrado pela antiga potência britânica e pela atual potência imperial dos EUA.

A obra de Caroline Elkins é leitura obrigatória para quem se interessa em compreender melhor o contexto da violência geopolítica atual. As informações são muito bem referenciadas e pesquisadas, e fornecem detalhes significativos – apesar da queima de registros coloniais pelo império – juntamente com referências anedóticas em primeira mão.

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Heresias Públicas de Bergoglio, servo de Satã.




Face a morte do heresiarca Jorge Mario Bergoglio que ocupava o trono de Pedro, ilicitamente, é fundamental lembrar das suas Heresias Públicas. Não deixemos nossa alma ser contaminada por elas, sobretudo agora que a mídia estabelecida vai promover um culto a sua memória em razão de ter servido as causas de uma sociedade que jaz no maligno. 


1- O Inferno não é eterno 


Afirmação de que Judas pode não estar no Inferno: Francisco sugeriu que Judas Iscariotes pode ter sido salvo, contrariando a tradição que o considera condenado. 


Fonte: L’ Osservatore Romano, 2 de Março de 2018, pág. 4.


2. Todas as religiões vem de Deus


 Declaração de que a diversidade de religiões é desígnio de Deus: Ele afirmou que a existência de múltiplas religiões é parte do plano divino, o que é interpretado como promoção do indiferentismo religioso 


Fonte: "O pluralismo e as diversidades de religião, de cor, de sexo, de raça e de língua fazem parte daquele sábio desígnio divino com que Deus criou os seres humanos. "- https://www.vatican.va/content/francesco/pt/travels/2019/outside/documents/papa-francesco_20190204_documento-fratellanza-umana.html


3- Proselitismo é pecado 


Afirmação de que esforços para converter pessoas "sempre" levam a lugar nenhum: Francisco desencorajou o proselitismo, sugerindo que tentar converter outros à fé católica é ineficaz.

Fonte: "Por outras palavras, os caminhos da missão não passam através do proselitismo. Por favor, isto não; aqueles não passam através do proselitismo!"- https://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/march/documents/papa-francesco_20190331_sacerdoti-marocco.html


4. Ecumenismo é dogma de fé. 


 Crítica à denúncia de heresia e promoção do ecumenismo como "irreversível": Ele desestimulou a identificação de heresias e promoveu o ecumenismo como um caminho sem retorno. 


Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-05/francisco-ecumenismo-papa-igreja.html#:~:text=Um%20caminho%20essencial%20para%20os%20disc%C3%ADpulos%20de%20Cristo&text=Assim%20como%20seguimos%20o%20mesmo,Conc%C3%ADlio%20Vaticano%20II%2C%20%C3%A9%20irrevers%C3%ADvel.



5- Muçulmanos são fiéis


 Ensino de que os muçulmanos são "crentes autênticos": Francisco reconheceu os muçulmanos como verdadeiros crentes, o que é visto como equiparação entre o Islã e o Cristianismo. 


Fonte: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/letters/2018/documents/papa-francesco_20180110_lettera-imam-al-azhar.html


6- Os livros budistas são textos sagrados


 Recebimento e valorização do "Livro Sagrado" dos budistas: Ele aceitou o texto budista como "precioso", demonstrando apreço por uma religião não cristã. 


Fonte: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2018/may/documents/papa-francesco_20180516_delegazione-buddista.html



7.Pecados sexuais não anulam a Graça


 Publicação de documentos sobre "Amoris Laetitia" como "Magistério Autêntico": Francisco promoveu ensinamentos controversos sobre moral sexual e comunhão para divorciados. 

Fonte: A directiva dos bispos intitulada “Critérios básicos para a aplicação do capítulo VIII de Amoris Laetitia” diz que em cicunstâncias “complexas” quando o casal em segundo matrimónio não pôde “obter a declaração de nulidade,” os padres podem, no entanto, prosseguir concedendo-lhes o acesso à Eucaristia. Se o padre reconhece que “num caso concreto há limitações que atenuam a responsabilidade e a culpabilidade (cf. 301-302), particularmente quando uma pessoa considere que cairia numa falta ulterior ao prejudicar os filhos da nova união,” diz a directiva, “Amoris Laetitia abre a possibilidade de acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia (cf. notas 336 e 351).”


8.Lutero, Testemunha do Evangelho


 Celebração da "Reforma" de Lutero e concordância com luteranos sobre Justificação: Ele elogiou a Reforma Protestante e expressou acordo com luteranos sobre a doutrina da justificação. 


Fonte: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2018/january/documents/papa-francesco_20180125_evengelici-luterani-finlandia.html


9. Paganismo indígena valorizado


 Elogio à "riqueza espiritual" dos nativos do Rio Amazonas: Francisco valorizou práticas espirituais indígenas, o que é interpretado como sincretismo. 


Fonte: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2018/january/documents/papa-francesco_20180119_peru-puertomaldonado-popoliamazzonia.html


10- Não há inferno


Afirmação de que o Inferno não existe: Ele teria declarado que o Inferno não é real, negando um dogma tradicional. 

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/papa-francisco-disse-que-inferno-nao-existe-afirma-jornal-italiano/#:~:text=%E2%80%9CO%20inferno%20n%C3%A3o%20existe%2C%20o,artigo%20dispon%C3%ADvel%20somente%20para%20assinantes.


11 - As religiões precisam sintetizar suas crenças


Promoção do "Diálogo Inter-religioso" em vídeos: Francisco apareceu em vídeos incentivando a colaboração entre diferentes religiões. 


12 - Deus precisa do Homem  


 Afirmação de que "Deus não pode ser Deus sem o homem": Ele sugeriu que a existência de Deus está ligada à humanidade, o que é visto como heresia já que tornaria Deus dependente de uma criatura. 


Fonte: https://www.imissio.net/artigos/48/295/papa-deus-nao-pode-ser-deus-sem-o-homem-um-grande-misterio/


13 - Preceito da missa pode ser cumprido na Seita Anglicana 


Permissão para católicos frequentarem igrejas anglicanas aos domingos: Francisco autorizou a participação em cultos não católicos, contrariando a exclusividade da Missa. 

Fonte: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2017/documents/papa-francesco_20170226_omelia-visita-allsaints.html


14 - Fora da Igreja há salvação 


Todas as religiões levam a Deus. Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=LQcpRTqsJ90


15 - Endosso a prática LGBT 


Aceitação do "transexualismo" e do "casamento" gay: Francisco demonstrou abertura em relação a questões de identidade de gênero e uniões homossexuais. 


Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/10/22/papa-defende-uniao-civil-gay-o-que-francisco-ja-disse-sobre-homossexualidade.ghtml



16. Aprovação da contracepção


 Aprovação explícita da contracepção artificial e incentivo à fornicação: Ele teria apoiado métodos contraceptivos e minimizado a gravidade da fornicação. 

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/02/18/internacional/1455808373_120037.html


17. Dogmas levam ao mal 


Rejeição da verdade absoluta e afirmação de que crer nela é "fazer o mal": Francisco criticou a crença em verdades absolutas, associando-a ao mal. 


Fonte: Em 30 de Novembro de 2015, durante a sua recente viagem de retorno da África, o Antipapa Francisco concedeu mais uma entrevista repleta de heresias. Alguns dos pontos de maior relevância na entrevista foram noticiados por Joshua McElwee, correspondente para o Vaticano do National Catholic Reporter, e por outros. Durante a entrevista:

«Francisco pronunciou-se com vigor contra o fundamentalismo religioso novamente, dizendo que fundamentalismo existe em todas as religiões e que deve ser combatido com esforços de amizade. Ele disse que prefere não falar de tolerância para com outros religiosos, mas de “convivência, amizade.”
«“O fundamentalismo é uma doença que existe em todas as religiões. Nós, católicos, temos alguns – não alguns, muitos – que crêem ter a verdade absoluta e avançam enxovalhando os outros com a calúnia, com desinformação, e fazendo o mal.”
«“Eles fazem o mal,” disse o papa. “E digo isto porque acontece na minha Igreja.”
«“E deve-se combater,” disse. “O fundamentalismo religioso não é religioso. Porquê? Porque falta Deus. É idolátrico, como é idolátrico o dinheiro.”»



18. Igreja cometeu discriminação injusta


 Afirmação de que a Igreja deve pedir desculpas aos homossexuais: Ele sugeriu que a Igreja deve se desculpar por "ofensas" aos gays. 


Fonte: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2016/june/documents/papa-francesco_20160626_armenia-conferenza-stampa.html


19 - Reabilitação do Judaísmo


Visita à Sinagoga Romana: Francisco participou de cerimônias judaicas, o que é visto como reconhecimento de outra fé e disse que judeus e católicos fazem parte da "família de Deus" esquecendo que os judeus negam Cristo, o Filho de Deus.  

Link: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2016/january/documents/papa-francesco_20160117_sinagoga.html


20 - Veneração da Pachamama 


Permissão do culto à "Mãe Terra": Ele incentivou práticas que envolvem a veneração da natureza, interpretadas como paganismo.


Fonte: https://ipco.org.br/por-que-o-culto-a-pachamama-no-vaticano-nao-era-uma-bagatela/