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domingo, 18 de maio de 2014

Resposta católica ao herege Júlio Severo




Júlio Severo, o herege protestante, soltou recentemente essa pérola que exemplifica até onde a doença moral do protestantismo pode levar a mente de um homem:

"Quanto à acusação de que a Reforma foi uma espécie de movimento revolucionário, façam a comparação: você é um homem ou mulher que está buscando a verdade, ou pensa que a achou, mas o sistema não aceita sua liberdade de buscar fora de seu próprio padrão, que é ditatorial. Aliás, por sua adesão a uma verdade fora do sistema você é julgado, torturado e até morto. Pensou que eu falei da União Soviética? Não, embora na União Soviética você sofreria as mesmas coisas. Estou falando da Igreja Católica antes da Reforma. Muitos que, como Martinho Lutero, denunciaram o sistema corrupto e aceitaram Jesus foram mortos. Era um sistema tão ditatorial quanto a União Soviética. Agora, me respondam: quem está mais próximo do movimento revolucionário? Se o protestantismo trouxe o movimento revolucionário, conforme alegam esses tais conservadores do catolicismo moderno, por que todos eles sem exceção adoram ir para os EUA, uma nação fundada não com princípios católicos, mas protestantes? Eles estão se fazendo de bobos ou querendo nos fazer de bobos. Claro que se você apontar tudo isso a eles, vão lhe cobrir de palavrões. A verdade dói."


 



Júlio Severo consegue unir, em si mesmo, dois vícios: é mal intencionado e burro ao mesmo tempo.Primeiro que falar de ditadura em relação a influência da Igreja no século 16 - século da "reforma" de Lutero- é ignorância histórica total. Ditadura é termo que só se aplica a política jamais a religião. 

Em segundo lugar ainda que o termo fosse usado em sentido análogo a Igreja no século 16 já não tinha mais o poder do século 12-13 - e mesmo nessa época já existiam contestações a sua autoridade, cabendo lembrar aqui do caso de Frederico Barba Ruiva da Alemanha-  quando os reis a obedeciam sem titubear. O século 16 - é o tempo de teóricos do poder do estado como Maquiavel -  vê tomar forma a razão de estado sem a qual a "reforma" seria impossível. Foi graças a ela que Lutero pode fugir de ser preso ou morto como ele diz. Foi graças a proteção dos príncipes alemães que Lutero pode estabelecer a "reforma". Com isso a religião passou a estar dependente do Estado. 

Vide o Anglicanismo que, rompendo com a tradição de divisão dos poderes políticos e religiosos une na mesma mão - do rei - o poder espiritual e o gládio político-militar. Ora as revoluções operam concentrando todo o poder na mão do Estado e eliminando as funções sociais dos poderes intermédios. Quem iniciou esse processo senão Lutero? Quem realmente servia ao sistema era Lutero que não foi capaz de opor resistência a laicização da política, muito pelo contrário deu um contributo decisivo a isso. A "reforma" não seria possível sem a relação direta de Lutero com os interesses da nobreza alemã e de Calvino com a burguesia, ambas desejosas de se verem livres dos limites morais impostos pela moral católica. Para a nobreza alemã falida era preciso se livrar da tutela do Papa e açambarcar as terras da Igreja para recuperar seu status feudal. Sobre a burguesia pesava a proibição da usura e as invectivas católicas contra a ganância. Ambas se orientaram para o protestantismo por conta da necessidade de uma religião que atendesse seus impulsos vitais. Quanto a biografia de Lutero, ela não permite afirmar essa visão heróica que o Severo - burramente - propaga. As recentes pesquisas historiográficas mostram um Lutero complexo, contraditório, entrecortado por culpa sexual, dificuldades vocacionais, influências do gnosticismo, alucinações diabólicas, fixações apocalípticas, verborragia doentia, repúdio a relação entre fé e razão( o que faz de Lutero um moderno em todos os sentidos. Não foi a toa que nos países protestantes prosperaram as filosofias que tentaram fundamentar a total separação entre a reflexão teológica e a ciência, contribuindo para a exclusão do cristianismo da esfera pública, meta de todas as revoluções) relativismo moral - cabe lembrar sua relação com Felipe de Hesse a quem autorizou a bigamia - recorrência mental  dos temores do século 14-15,etc. Lutero a bem dizer teve todo o direito de expor e defender suas teses.A Lutero de 1517 a 1521 lhe foram dadas todas as chances de se defender das acusações de heresia. O Papa só o condenou depois de 4 anos de paciente diálogo. Essa acusação do Júlio não resiste a meia hora de análise dos fatos. 

Ao Júlio Severo recomendamos a leitura de obras essenciais da historiografia sobre a Reforma como a de Jean Delumeau que é, de tantas existentes, a mais completa por trazer todo o debate historiográfico sobre o assunto. A visão de Júlio Severo faz parte da mitologia protestante usada para justificar a "reforma" embelezando os fatos ou os distorcendo radicalmente a fim de que se encaixem num apriori. Querer historiografar o sentido da "reforma" partindo da visão que os "reformadores" tinham de si mesmos como apóstolos da verdade é piada. Ler a história acreditando piamente no depoimento de seus atores é típico de crianças ingênuas ou de ignorantes incapazes de abordar a realidade com espírito analítico. A dispensa apriorística do exame das fontes e das visões sobre a reforma por parte do Júlio não se enquadra no caso de ingenuidade - a malícia dele deixa claro isso- mas de ignorância somada a falta de vontade de estudar a fundo o assunto para continuar no mundo da fantasia protestante onde vive. 

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