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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Por que há diferenças radicais entre a missa nova e a missa tradicional?


Começaremos uma série de estudos sobre a missa nova em contraste com a missa tradicional, sendo este o primeiro artigo de uma série.

Como a missa é um verdadeiro sacrifício em que se imola de modo incruento aquele que se ofereceu de modo cruento na cruz a Tradição da Igreja nos tornou manifesto "o sacrifício dessa oblação pura " ( ML 1, 11) por meio de um rito explicitamente sacrifical.

A missa romana assumiu a estrutura de um sacrifício : oblação da vítima ( ofertório ) , imolação ( dupla consagração) e consumação ( comunhão).Para que o homem entenda que este ritual não é mais que uma simples irradiação do único ato sacrifical de Cristo a liturgia usa . desde sempre um método pedagógico : o que ainda é pão e vinho já é considerado o corpo e o sangue imolado( No Te igitur da missa já se faz menção aos sacrificia ilibata; no temporal da missa tradicional as orationes super oblata ou secretas empregam 31 vezes o termo hóstia e 39 o termo sacrificium )

Mas no novo missal esta estrutura é quase eliminada.Os promotores da reforma litúrgica de 1969 entendiam que Cristo, ao instituir a eucaristia durante a ceia da quinta feira santa , instituiu antes uma ceia que um sacrifício, antes um banquete festivo , um memorial de sua Páscoa que uma imolação.No lugar do ofertório os redatores do novo missal julgavam que era preciso por o relato da instituição no seu devido contexto : o das bençãos judaicas da mesa. Na missa nova há, no lugar do ofertório, a apresentação das oferendas; a diferença é radical pois vejamos :

1-No missal tradicional o padre diz "Recebei , Pai santo , Deus onipotente e eterno , está hóstia imaculada , que eu , vosso indigno servo , vos ofereço a Vós , meu Deus vivo e verdadeiro , pelos meus inumeráveis pecados, ofensas e negligências , por todos os que estão aqui presentes e por todos os fiéis , vivos e defuntos , para que tanto a mim como a lês aproveite para a salvação eterna"

 
2-No missal novo diz –se : "Bendito sejais senhor Deus do Universo , pelo pão que recebemos da vossa bondade , fruto da terra e do trabalho humano , que agora vos apresentamos ; e para npós se vai tornar pão da vida"

3-No missal tradicional o caráter sacrifical da missa é bem frisado ; no missal novo não : um pastor protestante poderia tranquilamente se servir desta benção na apresentação das ofertas em um culto luterano , calvinista , batista por que ele simplesmente suprime a menção a reapresentação do sacrifício de Cristo na missa católica.A apresentação das ofertas no novo missal não deixa claro, tampouco,  que o pão se tornará corpo de Cristo pois não se refere a ele como hóstia imaculada.

A Instrução geral ao missal romano, que regula a celebração do novo missal de 69, deixa evidente que na missa nova as coisas mudaram : passou –se de um sentido direto de ofertório a uma simples apresentação e colocação dos dons sobre o altar.A instrução diz que apresenta o Canon da missa – oração eucarística – como simples oração de ação de graças e de santificação ( IGMR 54 ) a semelhança das orações de ações de graças judaicas que acompanhavam as refeições rituais .

A missa nova tem portanto mais dimensão comemorativa que sacrifical .O que indica esta mudança são as modificações feitas nas palavras da consagração :No novo missal foi introduzido na forma do sacramento as palavras "tomais e comei todos vós " , " tomai e bebei todos vós" que no missal tradicional estão separadas da palavra da consagração para não confundir o sacrifício com um banquete.Na missa nova estas palavras postas na consagração dão mais relevo ao aspecto de banquete comunitário que ao de imolação da vítima.Assim enquanto no missal tradicional as palavras consecratórias da missa deixam aparecer em primeiro lugar a transubstanciação e a dimensão sacrifical e de modo secundário o aspecto comemorativo; já as do missal novo põe ênfase primeiro no aspecto convival , comemorativo da missa invertendo a ordem litúrgica pois a missa é antes de tudo sacrifício.Nesta oferenda comemorativa onde o novo missal pretende que se estabeleça a missa , já não fica clara que o sacerdote oferta Jesus morto na cruz ; antes se coloca a ênfase no Cristo vitorioso e ressurreto. A oração eucarística III do Novo Missal exprime isso "Celebrando agora , ó Pai , a memória de vosso filho , da sua paixão que nos salva , de sua gloriosa ressurreição e da sua ascensão ao céu , e enquanto esperamos a sua nova vinda , nos vos oferecemos este sacrifício de vida e santidade.O novo missal pretende realizar um memorial de ação de graças , sendo um dos fatos aí comemorados o sacrifício.É IMPRESSIONANTE A PROXIMIDADE DO NOVO MISSAL COM A LITURGIA JUDAICA( A insistente referência a missa como memorial ou recordação deixa isso evidente ) E COM AS LITURGIAS PROTESTANTES QUE SUPRIMIRAM A REFERÊNCIA A MISSA COMO SACRIFÍCIO.

As modificações feitas no rito da comunhão confirmam esta primazia do banquete no novo missal.O gesto da fração do pão , desenvolveu-se amplamente na missa nova "por que este rito, próprio da refeição judaica , foi usado por Jesus "( CI 1329).Por isso na missa nova se introduziu a novidade do padre partir a hóstia em partes diversas e distribuir a alguns fiéis como orienta o IGMR no número 283 , para evidenciar a primazia da refeição comunitária.

Como é o aspecto comunitário que prevalece na missa nova relativiza-se a santificação pessoal que a comunhão representa.Na missa nova as palavras do missal tradicional " O corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo guarde a tua alma para a vida eterna".Ou seja no missal novo o tom é de valorizar a comunhão eclesial , a comunhão entre os irmãos mais que a comunhão com o Senhor.O gesto da paz amplamente difundido apresenta bem esse princípio: na missa nova a meditação , o espírito de penitência, são substituídos pelo horizontalismo da relação comunitária e afetiva com o próximo – mas do que voltar o espírito para o alto a missa nova estimula a voltá-lo para baixo na medida em que insiste no aspecto de convívio fraternal diante de um banquete , de uma mesa.Daí também a mudança do altar que passa ter forma de mesa e estar não mais assentado abaixo da cruz ,que representa o Cristo sacrificado como vítima agradável a Deus por nossa salvação, mas colocado no meio do presbitério como um móvel destinado a reunir os irmãos em torno de uma refeição sob a presidência do padre.

Portanto os abusos na missa nova que vemos ocorrer diariamente pelo mundo nada mais são que a aplicação dos princípios que orientaram a formulação do novo missal , princípios que se distanciam muito da Tradição litúrgica que vê a missa sobretudo como sacrifício.

No novo missal o mistério da fé não é associado a morte de Cruz de Nosso Senhor e a reapresentação de seu sacrifício na missa mas sim a toda vida de Cristo : " Eis o mistério da fé.Anunciamos Senhor a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição.Vinde Senhor Jesus". A segunda exclamação a escolher separa totalmente o mistério da fé da transubstancia e da consagração relacionando-o ao rito da comunhão depois da Oração eucarística : "Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice , anunciamos Senhor a vossa morte enquanto esperamos vossa vinda".O vinho e o cálice não são referidos como copro e sangue de Cristo explicitamente: novamente temos aí uma fórmula de oração litúrgica que poderia ser usada em qualquer seita protestante dado que não se refere a transubstanciação.

Voltaremos ao assunto.

Siglas :

IGMR : Instrução Geral ao Missal Romano( 1969)

CI : Catecismo da Igreja Católica , Vozes, 1993.

Bibliografia :

Louis Boyer , Eucaristia , Herder , 1969.

Martin Patino , A. Pardo , A. Iniesta e P. Farnés.Nuevas formas de La misa.BAC , 1969.

Pierre Le Brun.Explication de La messe.Cerf , Paris 1949.


Um comentário:

  1. Era só questao do pessoal do cv2 lerem direitinho o Evangelho: TERMINADA a ceia (banquete), Jesus (instituiu a Eucaristia). A palavra TERMINADA encerra tudo.

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