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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Filosofia cristã : Tomás de Aquino e o conhecimento!


 Santo Tomás, o doutor angélico, fonte seguríssima para os católicos inclinados a filosofia.


Entre tantos objetivos, nosso blog quer contribuir para a reativação de uma autêntica visão de mundo católica, hoje abandonada até pelo clero, em avançado estado de putrefação modernizante desde o Concílio Vaticano II. 

Uma das causas dessa putrafação dogmática, moral, pastoral, etc, foi o abandono da teologia e da filosofia de Santo Tomás, apresentado por Leão XIII como a base sobre a qual o ensino da teologia nos seminários, deve estar fundado.

Para piorar ainda mais essa situação, hoje nos meios católicos ditos conservadores, a influência deletéria de Olavo de Carvalho, que ao contrário do que ensina Santo Tomás, preconiza um  método intuitivo de conhecimento, é a base de formação filósofica destes mesmos católicos, incapacitados em geral, para reconhecer os riscos e problemas daí advindos. 

Começamos aqui um estudo sistemático da filosofia de Santo Tomás de Aquino a partir de sua noção de abstração, pois entendemos que sua filosofia é o remédio para os os males atuais. 

Segundo Tomás o homem conhece, partindo, sempre dos sentidos: corpo e alma que somos, nossa forma de conhecer é conexa a nossa natureza. Dependemos, portanto, dos sentidos para iniciar nossa trajetória para o saber. O que captamos com os sentidos são os entes particulares (Ex.: Um cão da raça dálmata, fêmea, 2 anos, ou seja um ente com marcas particularíssimas, não encontradas em outro ente). As imagens ou fantasmas(gravadas na memória) dos particulares depois de captados, armazenados e preparados, progressivamente, pelos sentidos externos(olhos, ouvidos, etc.) e internos(memória), respectivamente são o terreno de onde nosso intelecto parte para obter o conhecimento. Cabe ao intelecto, ir até eles e extrair ou abstrair, desses, a sua essência (quididade), que passa a ser o objeto próprio de sua atividade, conforme diz o próprio Tomás: “O intelecto humano, unido ao corpo, tem como objeto próprio a quididade ou a natureza existente na coisa corpórea [...] que ele abstrai dos fantasmas..."(S. Th., q. 84, a. 7/85, a. 8). 

O santo estabelece que o intelecto tem duas operações básicas:

1- A intelecção dos indivisíveis: por ela conhecemos o que a coisa é. 

Ela é de acordo com o grau que ocupa entre os entes quer seja uma coisa completa(logo uma substância: um homem é uma substância pois em si mesmo é uma coisa distinta de outras,com atributos próprios) quer seja uma parte(logo um acidente: o sexo de uma pessoa humana é acidental em relação a sua natureza - para ser homem não é preciso ser macho ou fêmea, sendo acidental o sexo do mesmo- já que é aquilo que não é necessário existir para que o homem seja humano). 

2- Composição e divisão: por elas se formam enunciados verbais afirmativos ou negativos onde podemos dizer que algo é(composição) ou que não é( divisão). 

Por exemplo: enunciamos uma composição quando dizemos que o homem é racional( a racionalidade é atributo do homem compondo sua natureza) e enunciamos uma divisão quando dizemos que a cor é acidente do móvel( a cor marrom, preta ou branca de um móvel não é atributo de sua natureza, mas apenas um acidente). 

Nesta operação não podemos separar o que está unido na coisa. Não podemos, por exemplo, separar no homem, o corpo da alma, pois somos seres anímico-físicos, não somos anjos. Podemos sim distinguir o corpo da alma, como dois princípios diferentes. Não se separa na árvore o tronco do galho: na coisa substancial que é a árvore tronco e galho são partes da mesma substância. 

É na primeira operação que se dá a abstração. O intelecto agente é, eminentemente, ativo e tem duas funções: primeiro, a de extrair a natureza universal dos fantasmas, que se encontra em potência, e, segundo, atualizá-lo, para que seja impresso no intelecto possível ou passivo, agora já em forma de ato, conforme diz o próprio Tomás: “É necessário admitir-se uma virtude, no intelecto, que atualize os inteligíveis, abstraindo as espécies das condições materiais. É essa a necessidade de se admitir um intelecto agente” (S. Th. I, q. 79, a. 30).

Há dois modos de abstração:

1- Do todo em relação a parte.

Por exemplo: o estado(todo)em face de suas instituições(partes).

2- Da forma em relação a matéria.

Por exemplo: o móvel(forma) em relação a matéria(madeira) de que é feito.

Toda coisa é inteligível na medida em que está em ato que é aquilo a partir do qual uma natureza obtém sua determinação ou razão de ser. 

Quando uma natureza comporta uma dependência em relação a "algo de outro", então ela não pode ser compreendida sem este outro: 

Esta relação pode ser de três tipos:

1- Da parte em relação ao todo( o pé - parte - de um animal - todo. O pé do animal só poder inteligido como pé de um animal referido a natureza do animal.)

2- Da forma com a matéria( Arrebitado - forma - para com a matéria nariz. Arrebitado é forma própria de narizes).

3-Necessária em se tratando de coisas distintas( Pai para com o filho - um pai só é pai se tem filho).

Quando algo não depende de outro, de acordo com a determinação de sua natureza, então pode ser abstraído desse outro e ser inteligido sem ele, seja qual for a relação que tenham. 

Por exemplo : no enunciado " A brancura de um homem" temos brnacura e homem, duas coisas que podem ser inteligidas por si mesmas pois não estão referidos, necessariamente um ao outro. 

Terminamos aqui o primeiro artigo sobre a filosofia tomista. Adiante seguiremos. 

Bibliografia:

1-AQUINO, Tomás de. Suma contra gentios. Trad. de Odilão Moura, 
Ludgero Jasper e Luis Alberto de Boni. Porto Alegre: SULINA, EST, 
UCS, 1990.

2- ______. Suma teológica – parte I, questões de 75-89. In: DE BONI, 
Luis Alberto. Textos (sel. e trad.). Porto alegre: Edipucrs, 2000, p. 
223-261.

3-BOEHNER, Philotheus ; GILSON, Etienne. História da fi losofi a cristã: desde as origens até Nicolau de Cusa. 5. ed. Trad. de Raimundo 
Vier. Petrópolis: Vozes, 1995. p. 471.



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