terça-feira, 17 de setembro de 2019

A estratégia criminal de Olavo de Carvalho e os Jacobinos de direita.



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Olhem o simbolismo ("ad dexteram") e tirem vossas conclusões. 



O primeiro passo em direção a uma ação condizente para livrar o Brasil do risco que está a correr é entender o que se passa. Não há a mínima chance de abrir uma via legítima de resistência ao governo Bolsonaro que seja, ao mesmo tempo, uma via alternativa para a reconstrução da nação, sem a compreensão da lógica que o caracteriza e do perigo que nos ameaça agora.

O governo Bolsonaro é um compósito de cinco alas: militares, protestantes, lavajatistas, olavistas, liberais. Cada uma delas tem propósitos e valores diversos o que torna o governo altamente instável por si só. Desde o começo dele ficou claro que estas facções iriam se digladiar pela hegemonia. Cabe lembrar da luta que elas travaram por ministérios antes da posse presidencial e como os militares saíram em franca vantagem no início. Um setor do generalato unido em torno de Bolsonaro, conhecendo bem os caminhos do poder e as tramas do establishment, conseguiu uma boa quantidade de cargos e ministérios, garantindo um importante espaço com 46 militares em posições estratégicas. Mas o embate dalguns milicos – como Mourão e outros que puseram barreira às pretensões israelófilas de transferência de embaixada para Jerusalém assim como aos arroubos de intervenção militar na Venezuela - com as pretensões da ala olavista – comprometida com os interesses de Israel/EUA e encalacrada no ministério do exterior quanto no da educação e contando com o apoio de Eduardo e Carlos, filhos de Bolsonaro, que tem um peso grande dentro da condução do governo – acabou trazendo a demissão dos generais Santos Cruz, Juarez Cunha e Franklimberg Ribeiro, numa clara vitória de Olavo de Carvalho pela hegemonia ideológica sobre o presidente. No começo do ano dissemos que o objetivo de Carvalho era radicalizar a direita aglutinando-a em torno de si sob a alegação de que o governo estaria repleto de “aparelhamento socialista”. A ameaça do “comunismo petista” passou a funcionar como uma “palavra talismã” capaz de suscitar o medo e a mobilização em prol do governo, numa defesa intransigente dele, a ponto de caracterizar possíveis desvios do mesmo em face as promessas de campanha ou dos princípios que legitimaram a subida de Bolsonaro ao poder como produtos de “agentes infiltrados” no governo e não como fruto da inépcia ou da conveniência. Cabe dizer que os postulados que sustentaram a candidatura Bolsonaro eram os da moralização da máquina pública, tecnicidade do estado, império da lei, eliminação dos conchavos e do “toma lá dá cá”, liberação de armas, combate ao crime, valores religiosos, anticomunismo, estado mínimo, etc, postulados estes que em sua maioria foram sendo deixados de lado, seja sob a pressão de limites reais, seja pela falta de compromisso real com estes temas, usados na eleição apenas como instrumentos de demagogia. Assim a moralização do Estado deu lugar ao filhotismo político – com a indicação de Eduardo para embaixador nos USA - e a admissão de notórios corruptos vinculados a velha política dentro da base aliada do governo e nalguns ministérios – caso de Onyx Lorenzoni – o império da lei deu lugar a política da conveniência no caso Queiroz/Flávio Bolsonaro, o toma lá dá cá voltou para passar a nefasta reforma da previdência – que penaliza os trabalhadores com mais tempo de contribuição para o Estado em troca de aposentadorias com valores menores no benefício final – a idéia de armamentismo deu lugar a um decreto pouco incisivo neste sentido, o combate ao crime, via proposta de lei de Moro, está na gaveta, os valores religiosos e morais só existem no discurso dado que o governo está mais empenhado nas reformas econômicas liberais, etc. O que restou de todo blá blá blá eleitoral foi o apoio cego de setores protestantes – que veem o presidente como um “enviado divino" - dos setores do liberalismo econômico que ainda apostam nas reformas, apesar da falta de habilidade de Bolsonaro em negociar com o congresso, e do olavismo militante cada vez mais fanático e empenhado em salvar um governo que naufraga a olhos vistos, incapaz de gerar crescimento, emprego e renda e de cumprir boa parte de suas pautas além de cada vez mais isolado de suas apoiadores de primeira hora e de suas promessas originárias. Boa parte da direita – aquela mais liberaldemocrática e centrista – já deixou o governo. Deputados do PSL – agora dividido entre a ala próLava Toga e AntiLavaToga – já ensaiam uma cisão e a formação doutra sigla o que prenuncia que a ala lavajatista deverá ser ripada do governo como fora, em parte, a ala militar. O exército, dando sinais de descontentamento, já faz movimentos em clara provocação ao governo como a recente promoção do general exchefe da segurança presidencial de Dilma Roussef somado ao fato de o general Otávio do Rego, porta-voz presidencial, ter sido preterido à indicação da quarta estrela o que fará o mesmo encaminhar-se para a reserva.

Perante tudo isto Olavo se colocou na vanguarda da defesa do governo lançando-se de vez como ideólogo-mor dele. Nos seus últimos vídeos, já prevendo a crise iminente entre setores próLavaJato, que defendem o combate a corrupção em geral, e as necessidades de sobrevivência do governo Bolsonaro – que envolvem o arquivamento das investigações sobre o Senador Flávio Bolsonaro, que poderiam resvalar no presidente, abrindo brechas para a queda do governo – o velho abriu fogo e lançou críticas ao lavajatismo acusando-o de descolar o combate à corrupção do combate ideológico ao PT. Para Carvalho o fato da LavaJato realizar-se sob os auspícios da neutralidade da lei impossibilita um combate eficaz ao petismo – razão de ser máxima do governo Bolsonaro, para o astrólogo – que, no fim das contas, seria a única coisa que de fato interessaria. Isto tudo permite dizer que, pouco a pouco, Olavo vai atingindo seus fins, quais sejam o de alcançar a hegemonia ideológica sobre a direita bolsonarista reaglutinando-a em torno do combate ao “fantasma petista” - a tal palavra talismã – apresentado-se como o único que tem o conhecimento efetivo para dar cabo de tal ameaça.

A idéia força de Carvalho é a renúncia a valores e princípios para uma defesa intransigente e pragmática do “Chefe”. Nem conservadorismo, nem combate a corrupção, etc, nada do que foi prometido durante as eleições importam agora mas, tão só, impedir que “O PT volte” e que o “Chefe” caia. O pressuposto do velho astromante é que politica se faz com luta pelo poder entre grupos opostos e não com idéias abtratas ou princípios gerais, ao mesmo tempo que se vale de idéias abstratas rasas – anticomunismo vago – para separar e distinguir sua facção das outras, ao mesmo tempo que aglutina os eleitores bolsonaristas perplexos com as recorrentes crises debeladas pelo governo, em torno dum princípio geral – o combate ao “petismo” (que, no linguajar olavista, significa tudo que não condiz com a narrativa do velho da Virgínia) – evitando, assim, sua dispersão. Como a facção olavista é a única que possui um intelectual como timoneiro de suas ações, a única que tem uma ampla rede de blogs, sites e canais capazes de ecoar uma narrativa política que atue no plano do sentimento popular, qual seja a raiva anti-petista que tomou conta do país - “quem defende lava toga ajuda o petismo pois cria instabilidade”, "MBL é comunista", etc - a única que tem “intelectuais” orgânicos atuando para formatar a opinião do eleitorado bolsonarista, ela acabará engolindo de vez as demais se nada for feito. Importa dizer que a facção olavista adotou um Gramscismo de Direita: eles são o Partido do Brasil. Eles são a encarnação da vontade do povo. Olavo é o Robespierre da Direita. Seus blogueiros e youtubers são seus Jacobinos a guilhotinar, ideologicamente, os divergentes. É bem verdade que os liberais ao estilo Guedes, tem seus thinks thanks, seus círculos e seus intelectuais orgânicos, contudo eles estão pouco interessados em impedir a ascensão do círculo olavista, a não ser que ele se engaje num anti-reformismo liberal – coisa absolutamente improvável pois, por anos a fio, Olavo foi um dos grandes divulgadores da escola austríaca de economia. O cenário é de completa deterioração da vida política brasileira e do estado nacional, prestes a ser capturado, mais uma vez, por um Partido, como já fora sequestrado na era PT, pelo esquerdismo militante tresloucado e facínora.

A ala olavete não medirá esforços para tanto. Seu Gramscismo de Direita levará inevitavelmente ao mais atroz imoralismo e maquiavelismo, destruindo de vez a malha ética necessária para um vida política minimamente razoável no país - cometendo os mesmos pecados que consagraram as ações do PT uma vez no poder - abrindo caminho, quem sabe, para um conflito sem fim e a consequente divisão definitiva do Brasil em facções inconciliáveis o que exigirá, como mostra a história, uma ditadura para assegurar a governabilidade – aí se encaixam as recentes declarações de Carlos Bolsonaro em torno da necessidade de fechar o congresso para que o presidente governe em paz. Este imoralismo e maquiavelismo fica evidente nas viradas repentinas de discurso – antes o STF era inimigo público número um pois recheado de juízes a reboque do petismo, agora é preciso governar sem irritá-lo, o inimigo real é o Foro de SP e não os juízes, etc – e nas composições de conveniência – como no caso da omissão do presidente em vetar a iniciativa do STF de equiparar racismo a homofobia, indo contra seu eleitorado religioso e conservador. Cabe dizer que Gramsci era um leitor dedicado de Maquiavel e que, para o escritor florentino, a política não pode ser fundada nos preceitos da moral ou da religião. Num amplo parágrafo dos seus Cadernos, Gramsci reflete sobre isto nestes termos: “Um conflito é ‘imoral’ quando torna o fim mais distante ou não cria condições que tornem o fim mais próximo (ou seja, não cria meios mais adequados à conquista do fim)...Desse modo, não se pode julgar o político por ser ele honesto ou não...Ele é julgado não pelo fato de atuar com equidade, mas pelo fato de obter ou não resultados positivos...”. Todos os conflitos que servirem ao fim de olavetizar de vez o governo – o que significa torná-lo um instrumento dum regime de força a serviço do direitismo – serão estimulados e promovidos. Portanto, a estratégia gramsciana agora incorporada pela facção olavete vai delinear a ação política em torno de dois métodos, quais sejam, o da  violência e do consenso: acusação sistemático de petismo/comunismo contra quem apoiar a LavaToga, divergir duma vírgula, etc, e caça às bruxas (a criação duma lista de inscrição para a formação da militância bolsonarista sob a chefia de Allan dos Santos do Terça Livre e a abertura da gratuidade do COF do senhor Carvalho para policiais militares envolve este objetivo, qual seja, forjar uma malta de fanáticos e uma força paramilitar que possa ser mobilizada contra os adversários usando até mesmo a força e o recurso ao assassinato) associada a construção duma narrativa – “estamos impedindo a volta do PT e limpando o Brasil, quem discorda é inimigo do povo, etc”.

Perante tudo isto que expomos ou há uma tomada de consciência sobre o problema que se avizinha ou a nação será engolida pelo vórtice do jacobinismo olavista.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Bolsonaro pode privatizar o Rio Amazonas à empresa Mekorot de Israel? Por Alfredo Jalife











Senhores, trazemos aqui em nosso sítio, um importante artigo do jornalista Alfredo Jalife Rahme, sobre as pretensões de Israel na água da Amazônia e, por tabela, na privatização do Rio Amazonas:

(Tradução nossa)

“Bolsonaro e Netanyahu poderiam privatizar o rio Amazonas em benefício dos israelenses Mekorot? Por Alfredo Jalife Rahme


Foi criado um eixo Trump / Netanyahu / Bolsonaro, onde a “cola teogeopolítica” é o 'evangelismo sionista', uma continuação da Aliança Paleo-Bíblica Sagrada dos 'cristãos sionistas' assentados no 'cinturão bíblico', bastião eleitoral do presidente Trump e seu supremacismo branco, aliado ao supremacismo sionista.

Como diz o apotegma criminal, com uma confissão das partes não há necessidade de provas. Foi exatamente isso que o primeiro ministro israelense, Netanyahu, declarou, tendo sido recompensado com um selo postal com sua efígie (também impressa em hebraico com a palavra 'salvador'), durante sua visita triunfante ao Brasil, quando ele disse: «Não temos melhores amigos no mundo (sic) do que a comunidade evangelista» ( https://www.acritica.com/channels/cotidiano/news/netanyahu-diz-que-evangelicos-sao-os-melhores-amigos-de-israel )

O estado do Amazonas é um dos 26 estados da federação, localizado no noroeste do Brasil: mede quase 1,6 milhão de quilômetros quadrados, sua capital é Manaus e sua população é de quatro milhões. Quase 32% do estado do Amazonas é evangelista, comparado a 60% dos católicos.

Em troca da transferência da Embaixada do Brasil de Tel-Aviv para Jerusalém, o líder israelense ofereceu uma panóplia de instrumentos, de vigilância de segurança à venda de drones com reconhecimento facial.

A cooperação de Netanyahu e Bolsonaro também cobrirá a economia e a agricultura. Em que grau e escopo será a colaboração militar de ambos?

Em geral, católicos no mundo (1,2 bilhão dos quais 40% estão na América Latina), nem o Vaticano em particular, falaram sobre o amasiamento político dos 'evangelistas sionistas' do Brasil, liderados pelo presidente Bolsonaro, com Netanyahu.



Cabe destacar que o Brasil possui o maior número de católicos do mundo, com 64,6% (135 milhões) de sua população, seguido pelo México (111 milhões), Filipinas (83,6 milhões) e EUA (72,3 milhões).

Cabe lembrar que no radar teogeopolítico do Brasil, pode haver um futuro confronto entre um setor fundamentalista dos 135 milhões de católicos e outro setor de evangelistas sionistas pertencentes aos 46 milhões de protestantes protestados pelo eixo Trump / Netanyahu / Bolsonaro.

Não faltam grupos católicos no Brasil que criticam como um grave erro geoestratégico que o Colégio dos Cardeais não tenha selecionado um papa brasileiro, Odilo Scherer, em vez do papa jesuíta argentino Bergoglio.

No México, o PSE, um partido evangelístico de formação recente, mas que teve um desempenho eleitoral terrível a ponto de perder seu registro, pronunciou-se a favor de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, em um site que se mostra como porta-voz de A comunidade judaica 9 https://www.enlacejudio.com/2018/02/01/ganar-las-elecciones-2018-pes-promovera-reconocimiento-jerusalen-capital-israel/ )

A aliança com Israel de um grupo de voluntários 'evangelistas sionistas', vindos do 'cinturão bíblico' dos EUA, que conspiraram com colonos israelenses nos assentamentos da Cisjordânia ocupada da Palestina, está indo bem.





Hoje, o evangelista Bolsonaro foi rebatizado nas águas do rio Jordão e dois de seus filhos exibiram camisetas do Mossad (a agência de espionagem israelense) e do Exército de Israel.

Por coincidência ou não, em seu primeiro ato de governo, o evangelista Bolsonaro emitiu um decreto que abre a exploração da Amazônia que favorece o poderoso agro lobby agroindustrial e minerador. A possibilidade concedida a Netanyahu pelo estado da Amazônia foi altamente significativa, onde a poderosa indústria agrícola de Israel poderá obter negócios lucrativos, ainda que ambientalistas continuem a gritar para o céu sobre a possível depredação futura da região que contribuirá para mudanças climáticas.

No passado eram bem conhecidos os laços estreitos entre Israel e uma porção de evangelistas americanos, principalmente da ala fundamentalista do Partido Republicano, que foram batizados como 'cristãos sionistas' e professam a crença de que o estabelecimento do Estado de Israel e o retorno dos israelitas. Os judeus da Terra Santa cumpririam, para esses 'cristãos sionistas' as profecias bíblicas. Apesar da fé religiosa ser muito respeitável, o problema é que haveria antes tudo de definir o significado de 'judeu', já que hoje a maioria dessa religião respeitável é feita de ashkenazis convertidos de origem centroasiático mongol jázaro, no século. VIII d.C.

Para o círculo de "cristãos sionistas", muito poderoso no chamado "cinturão bíblico", localizado no sudeste dos Estados Unidos: da Virgínia ao norte da Flórida; e no oeste do Texas, Oklahoma e Missouri, especialmente os 'batistas do sul' e metodistas, coincidentemente fervorosos eleitores da supremacia branca de Trump, o cumprimento de tais profecias paleo-bíblicas anuncia a parusia de Cristo. Bolsonaro se juntou ao eixo Trump / Netanyahu, razão pela qual ele foi definido como o Trump tropical. Esse eixo na América Latina envolverá características do hipermilitarismo devido às três personalidades que o compõem e que, a partir de agora, colocarão o Chavismo em xeque por meio de seu mantra anticomunista.

Cabe dizer que outras denominações cristãs, como os católicos e os ortodoxos, denunciaram, na Declaração Conjunta de Jerusalém, o sionismo cristão 'como um mero' programa político-militar '.

Como aduzi em meu recente livro 'Trump e supremacismo branco: palestinização dos mexicanos', esse eixo prolonga a guerra religiosa do século XVII para uma nova guerra dos 30 anos entre protestantes e católicos, onde os membros evangelistas presbiterianos de Trump e a ultra-ortodoxa filiação talmúdica de seu controverso genro Jared Kushner visam atacar o ethos católico dos países mais ao centro/sul da América.

Para a situação atual, a categoria necessária porém insuficiente, de "esquerda" e "direita" foi definitivamente substituída pela disputa entre globalistas "contra" nacionalistas.

Portanto, não surpreende a afirmação do novo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Araújo, que se manifestou contra o "globalismo" com a singularidade de que Bolsonaro praticará um neoliberalismo microeconômico sem aderir à macroeconomia neoliberal da globalização.


Gostando ou não, essa nova dicotomia entre 'globalistas' versus 'nacionalistas' é a que mais reflete, com suas próprias nuances, a realidade contemporânea que consiste em dois eixos antagônicos: o primeiro, dos globalistas, pelo eixo dos banqueiros de Rothschild / George Soros / os Clintons / Obama; e o segundo, os chamados nacionalistas, menosprezados pela mídia como velho populismo, pelo eixo Trump / Rockefeller / Kissinger / Jared Kushner / Sheldon Adelson / Netanyahu, ao qual Bolsonaro se uniu abertamente.

Todavia é preciso destacar que o grupo "globalista" Soros / Clinton / Obama está em nossa opinião alinhado com os Rockefellers - anfitriões históricos de Bilderberg e também fundadores da Comissão Trilateral - e o grupo "nacionalista" Trump / Kissinger / GoldmanSachs / Adelson / Netanyahu com a histórica dinastia Rothschild - que também sempre aposta nos diferentes pólos de qualquer oposição, basta ver como o barão David René de Rotshchild apoia Trump no poderoso Congresso Mundial Judaico que ele preside, enquanto o outro ramo da família defenestra do The Economist.”



Perante tudo isto devemos recordar o que foi recentemente escrito por Arthur Rizzi aqui - https://reacaonacional.wordpress.com/2019/08/27/a-estupidez-bolsonarista-na-questao-amazonica/ - quando afirma que

“a diferença entre o globalismo (internacionalismo democrata) e o imperialismo republicano é apenas de espécie. Democratas e republicanos querem apenas redefinir, cada um a seu modo, o papel que os Estados Unidos desempenham na ordem liberal global.”








Em suma: não existe nada de antiGlobalismo na atuação de Bolsonaro em termos de “defesa da Amazônia” mas sim um atrelamento de seu governo a uma outra faceta do globalismo, de cariz republicana e sionista.

O Jornalista Alfredo Jalife destaca, com base em todo este círculo ao qual o presidente Bolsonaro está alinhado, aqui - https://www.jornada.com.mx/2016/06/19/opinion/012o1pol - o papel da empresa estatal de Israel, Mekorot, que está a privatizar a água na Argentina e México, e que pode vir a atuar na Amazônia. Cabe dizer que o governo Bolsonaro conta com a “ajuda” de Israel para combater as queimadas na região – ajuda absolutamente desproposital já que nossas forças armadas governos estaduais tem meios para solucionar o quadro – o que pode significar uma maneira de legitimar futuras concessões a Israel na região.

domingo, 25 de agosto de 2019

São Luís IX, rei de França, modelo de estadista católico


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Introdução


Impregnar as realidades do mundo com o espírito cristão é um dever de todo católico e São Luís IX foi quem melhor encarnou esse espírito na política. Num tempo onde tantos católicos se deixam levar pelos cantos de sereia da esquerda e da direita sem ter como norte da ação política o Estado Católico, num tempo onde tantos se contentam com participar de manifestações de mera defesa da lei natural como sói ocorrer nos chamados movimentos pró vida ou contrários a ideologia de gênero, defesa que não integra a idéia de cristandade mas apenas dum combate pela moral natural, nos limites da constituição laica do Estado atual, São Luís aparece como um farol de luz a nos indicar a via certa.

A Europa do Século 13

A época em que São Luís desenvolveu sua atividade foi uma das mais fecundas da história pois nela desabrochou a arte gótica, a autonomia das Universidades e a escolástica de Santo Tomás. O século 13, segundo Regine Pernoud em sua obra Lumiére du Moyen Age”, é o apogeu duma era que marcou a máxima organicidade da sociedade medieval, na expressao de Jean de Salisbury. Por sua complexidade e a multidão de órgãos interligados concorrendo todos a existência como ao equilíbrio, a sociedade medieval apresentava notável semelhança com o organismo humano. Senhorias e províncias ciosas de suas prerrogativas, conquistadas através do tempo, corporações e Universidades com insenções garantidas pela tradição em correspondência com o saber dos seus mestres, respeitadas pelos reis e barões – um admirável mosaico de direitos e obrigações onde entre o indivíduo e o Estado se interpunham os corpos intermédios onde o poder era temperado pela tradição, lei divina e lei natural. Nesta época o poder central do rei é o árbitro entre os súditos: o poder que ele exerce é um direito de controle, um poder de julgar as querelas entre os vassalos, apaziguando a vida social e protegendo os usos e costumes.

São Luís IX encarnou o chefe de Estado dentro do ideal de Santo Tomás: o povo não foi feito para o príncipe mas o príncipe para o povo, levando ao mais alto grau a figura do detentor do poder soberano, numa sociedade orgânica e de cariz sobrenatural, inspirada pelo Evangelho como lembra Leão 13:

Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos príncipes e à proteção legítima dos magistrados. Então o sacerdócio e o império estavam ligados em si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, frutos cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer.”- Encíclica Immortale Dei, número 28

São Luís o pacificador

O fato de ter vivido em tais condições sociais e politicas que favoreceram sua função não tira mas antes realça o mérito do santo rei. Já no século 13 víamos os primeiros sinais de decadência moral dos reis onde tendiam a se afastar da orientação da Igreja seguindo, assim uma busca por independência em face ao poder do Papa. É o que explica, por exemplo, as lutas entre Frederico II, imperador alemão, e o Papa Inocêncio III, entre os barões ingleses e os herdeiros do Rei João Sem Terra. São Luís, fiel às tradições de seus antepassados foi, ao contrário, o pacificador e justiceiro defensor dos pequenos atingindo a santidade no exercício do poder público. A grande tentação que sempre assaltou os governantes foi o orgulho e a busca da glória, vício oposto às duas virtudes que seu cargo requer, quais sejam a moderação e a justiça.


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São Luís atendendo aos leprosos
Quando pediram a São Luís para deixar seus barões combaterem entre si, a fim de que eles enfraquecessem, respondeu: “ Se eles vissem que eu os deixo combater poderiam perceber e dizer: o rei nos deixa lutar por malícia; então eles viriam e, por ódio a mim, me combateriam e eu perderia e atrairia para mim a cólera divina pois Cristo diz: bem aventurados os pacíficos”. Por isto o santo rei proibiu toda guerra privada em seus domínios.

A virtude da justiça, não menos importante num chefe de Estado, para o católico se reveste de enorme valor pois foi com ela que os Evangelhos distinguiram São José: “José, seu esposo, que era justo”( São Mateus 1, 19). Ela que é uma virtude cardeal, tem graus. E ela chega ao grau máximo quando significa o sacrifício do próprio interesse. Foi o que praticou São Luís ao devolver aos ingleses, mesmo depois de conquistados, os territórios de Quercy, de Périgord, de Limousin, dizendo: “Estou cero que os antepassados do rei da Inglaterra perderam tudo por direito de conquista que possuo; as terras que lhes devolvo não as dou senão para manter na paz e amizade os meus filhos e os deles que são primos-irmãos. E parece-me que ainda assim faço bom uso da terra pois o rei da Inglaterra antes não era meu vassalo e agora será”. E com isto seu rival mais terrível tornou-se seu súdito, por ter terras na França e a paz ficou garantida entre os dois países por meio século.

Não só nas causas públicas mas também nas privadas Luis IX era o anjo pacificador da França. Como conta o cronista e biógrafo dele, Jean Sire de Joinville, onde mostra a disposição do rei de despachar diretamente os processos durante sua estadia em Vincennes durante o verão, atendado a cada pessoa em sua petição na medida do justo e adequado. Por isto Cesar Cantu disse: “Luís IX era São Francisco de Assis no trono”. São Luís aconselhava o filho nestes termos: “ Faze-te amar pelo povo pois preferiria eu deixar o trono a um escocês para governar bem que deixá-lo a ti se vier a governar mal”.

O santo rei fundou vários institutos de beneficência: O hospital dos cruzados para os cavaleiros que voltavam mutilados das expedições no Oriente, o Colégio da Sorbonne, abrigos para donzelas, etc.

São Luís pai da unidade cristã européia.

Regine Pernoud, na obra citada acima, fala sobre as relações internacionais na idade média ns seguintes termos: “ Praticamente a cristandade pode se definir como a universalidade dos príncipes e povos cristãos, obedecendo a uma mesma doutrina, animados duma mesma fé e reconhecendo o mesmo magistério espiritual. Ela repousa essencialmente sobre um acordo ou entente mística entre os povos. Essa comunidade de fé traduziu-se por uma ordem européia complexa em suas ramificações e grandiosa...a paz dos séculos 12 e 13 foi precisamente, segundo a bela definição de Santo Agostinho, a tranquilidade da ordem”

A autoridade de São Luís, numa sociedade deste naipe, só poderia ser enorme. Sua santidade e sabedoria era reconhecida em toda a Europa mas acima de tudo, sua largueza de vistas políticas ficou evidente pelas relações com a Inglaterra. Quando o rei Henrique III, filho de João Sem Terra se nega a reconhecer as autonomias que seu pai assinara ao chancelar a Carta Magna dos Barões ingleses em 1215, é a São Luís que os Barões vão recorrer. Na sentença arbitral de Amiens, o santo fá-los ceder em algumas exigências a Henrique III chegando a um bom termo e trazendo a concórdia para os dois lados do Canal da Mancha.

Se entendermos que as cruzadas foram guerras defensivas contra a ameaça islâmica que dominando todo o Oriente Próximo, invadindo a Espanha e ameaçando o sul do Mediterrâneo, veremos que São Luís foi o primeiro defensor da Europa contra as hordas orientais e que sua ida a Terra Santa como cruzado foi baseada no amor da cristandade, dessa unidade européia em torno da fé católica.


O perfeito cavaleiro cristão


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Sétima cruzada


São Luís foi o modelo perfeito de cavaleiro cristão que, nas cruzadas, mostrou outras virtudes raras: desprendimento e zelo pela causa da Igreja. Salientar o seu desprendimento é importante para rebater historiadores que não veem nas cruzadas senão ambição material. Claro que houve nas cruzadas e entre os cruzados elementos que, se aproveitando do entusiasmo geral, faziam valer seu proveito próprio. Mas a história relata a legenda dourada de cavaleiros que partiram com real pureza de intenções: Godofredo de Buillion, Tancredo de Siracusa, Luís VII da França, Conrado da Alemanha, Ricardo Coração de Leão, mas entre todos brilha São Luís.

Quando ele, sentindo-se chamado por Deus para a nobre empresa, se ergueu do leito e, mesmo depois de longa enfermidade, não puderam retê-lo: sua mão fez longas considerações políticas sobre os ricos da empresa mas de nada valeram: estava convicto de deixar França e seguir para salvar a Cristandade de seus inimigos. O seu cronista Joinville conta como foi amargo deixar terras, castelos, mulher e filhos à proteção da Igreja para se aventurar no Oriente. O sacrifício do rei que ia sem saber se voltaria foi imenso. Isto foi um daqueles atrevimentos cristãos dos quais fala Camões nos Lusíadas.

No Oriente o entusiasmo de São Luís levou a conquista de Damieta, caminho para o Oriente através do Egito. Como bem diz Michaud, a tática de atacar as cidades do Egito, dificultando a comunicação do Sultão do Cairo com Jerusalém foi digna dum hábil estrategista. A queda de Damieta trouxe o pavor aos mouros que voltaram a respeitar os francos como eram chamados os cavaleiros cruzados. Apesar disso São Luís não conseguiu liberar Jerusalém por conta das atitudes quixotecas de seu irmão, o Conde D'Artois, que mandou atacar as Muralhas de Mansourah, enquanto o grosso do exército estava retido na travessia do Nilo. Isto resultou a prisão dos chefes cruzados incluso São Luís. Em razão da devolução de Damieta como resgate, São Luís fora libertado. O santo rei não quis admitir a devolução mas sua esposa a rinha Margarida de Navarra, para salvar a vida do esposo, devolveu a cidade. Depois deste desastre o santo rei ainda permaneceu no Oriente tentando ajudar os templários e hospitalários na luta contra os islamitas. Eles que andavam divididos por rivalidades foram unidos pela mediação de São Luís. O santo chegou a carregar pedras para reconstruir castelos templários como um simples pedreiro, o que mostra seu intenso ardor cruzadístico. Em virtude da morte de sua mãe, Branca de Castela, ela volta a França mas logo é consumido pela tristeza de ter retornado sem a conquista de Jerusalém. Logo que obteve víveres e dinheiro voltou para o Oriente onde tenciona converter o Sultão de Túnis depois de vencê-lo em batalha. Mas uma epidemia de escorbuto interrompeu o cerco de Túnis que dizimou o exército católico. O filho de São Luís, Tristão, morre durante este evento. Por fim o próprio rei foi atingido e faleceu as 3 horas da tarde - a mesma hora em que Cristo morreu na cruz – do dia 25 de agosto de 1270, com os braços em cruz, deitado sobre cinza como poderia aos que o assistiam.

Embora sem ter conseguido seu objetivo São Luís cobriu-se de glória em razão de seu zelo destemido pela causa da Igreja. Com sua morte se desvanecia o maior ideal medieval, o da criação dum reino de Cristo na cidade onde ele havia sido crucificado e onde lhe recusaram o trono que lhe era de direito.

Neste dia 25 de agosto de 2019 em que vivemos um crise de fé jamais vista, pedimos a São Luís que rogue por nós a fim de que novos cruzados se levantem no sei da Igreja! Deus Vult!

Professor Rafael G. de Queiroz



sábado, 24 de agosto de 2019

As contradições da direita sobre Macron: o Brasil sob o comando dos idiotas



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O governo Bolsonaro - ou desgoverno - acaba de nos alçar a um cenário crítico jamais visto antes. Em poucos dias, por conta de declarações inábeis e nada estratégicas do "chimpanzé" que ocupa a cadeira presidencial, o país virou o foco de críticas severas de Alemanha, França e órgãos ambientais do mundo todo, unidos em torno do lobby já conhecido que é o de travar crescimento de países emergentes por razões ecológicas enquanto as potências ocidentais (As maiores poluidoras do mundo), a China, etc, praticam crimes ambientais sem sofrer nenhuma sanção o que demonstra o caráter falacioso de boa parte destes protestos. Todavia aqui não é nosso objetivo entrar diretamente na polêmica ambiental mas entender as relações de força que isso produz no plano das relações internacionais. Para enfrentar Lobbys deste naipe é preciso ter um plano e entender o lugar que o Brasil ocupa. O governo Bolsonaro optou por orientar nossa geopolítica para EUA/Europa que costumam impor limites e proteção aos seus mercados internos, em face a nossos produtos, muito com base em crivo ecológico-sanitário. Portanto, a opção do presidente de fazer declarações bombásticas sobre meio ambiente dificulta a aplicação concreta da escolha feita por uma política externa de cariz ocidentalista-capitalista, pelo Itamaraty. Se isto não corrobora, decisivamente, a inépcia do atual governo, que não consegue sequer criar uma estratégia condizente com sua política exterior, não sabemos o que ainda é necessário para demonstrá-lo.  

Nó dissemos, dias atrás no canal via romana - aqui: https://www.youtube.com/watch?v=sjAMJ8U2AdQ&lc=z23uhnrijyjmhr3mlacdp431ypzyggtlvwwchbdwkkxw03c010c - que Bolsonaro não tinha meios para fazer frente ao ambientalismo internacional. Nós também não apreciamos o ambientalismo histérico atual mas, para enfrentar esse lobby, faz-se mister a busca por tornar-se uma potência e a política do governo Bolsonaro é de fazer do Brasil uma colônia, um protetorado dos EUA/Israel. 

Em face ao exposto, viemos, nos últimos anos. alertando nossos leitores sobre o problema de apostar numa leitura do contexto político em termos de direita x esquerda como saída política para o país, insistindo que precisávamos nos livrar desta dicotomia ideológica dado que ambos os lados jogam contra a nação. O Terça Livre não nos deixará mentir. 

Pois bem, em maio de 2017, em plena campanha eleitoral na França, o TL, canal da direita bolsonarista, apontou a eleição de Macron como um possível mal menor, ajudando a criar cá dentro, uma corrente de opinião favorável a seu futuro governo. No artigo referido apresentado pelo site do TL aqui https://www.tercalivre.com.br/as-eleicoes-na-franca/ , vemos o articulista - ninguém menos que Luiz Philippe de Orléans de Bragança - O "Louis Liberté", o campeão do liberalismo econômico - deixar claro que Emanuel estava mais próximo do que seria melhor para o mundo que Le Pen - apresentada como, pasmem, uma socialista!

"Do ponto de vista de plano econômico, os planos de Marine Le Pen são mais para o agrado de socialistas e sindicalistas que para os liberais. Os planos de Le Pen tem viés dirigista, centralizadores e reguladores da economia. Uma faca no peito da livre iniciativa e pequenas e médias empresas e em linha com a atual política do socialista Hollande...Do ponto de vista econômico Macron é nitidamente liberal. Seu plano será uma renovação importante para a economia francesa que se encontra estagnada após décadas de políticas socialistas. Do ponto de vista carreira política, Macron também é novidade. Apesar de ter trabalhado com o atual presidente socialista Hollande e de ser considerado um fruto do estamento burocrático francês, Macron é de fato novo no sistema eleitoral."

Depois de ter considerado plausível endossar um globalista descarado como Macron, em vez de defender com todas as forças a candidatura de Marine Le Pen - tida pelo Terça como agente eurasiana aqui https://www.youtube.com/watch?v=Q-VN5G3FM3A&fbclid=IwAR0Rf_hswwfPP96cmsFNA6e_ciNmLbWuXB2QLAh4gXnYTZ5FKLZqauP8Jnk - alguém absolutamente comprometido com pautas ambientais radicais, o Terça Livre agora se posiciona na contramão de Emanuel como vemos aqui https://www.youtube.com/watch?v=P0rp-n2hrig


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Este print mostra bem o atraso mental da direita bolsonarista como bem comenta o amigo Vinícius Mesquita - "Bernardo Kuster, ontem, postou um texto no youtube se gabando por ter afirmado, há 8 meses, que Macron era um idiota. Bem, considero realmente que este post de 8 meses atrás é muito perspicaz da parte dele. Macron foi eleito há dois anos, era um banqueiro empregado dos Rothschild, e Bernardo só percebeu a sua idiotia há 8 meses - e ainda se gaba por isso?! Bernardinho é um gênio!"

Isto tem de ser exposto para que fique claro que o antiGlobalismo do Terça Livre e da direita bolsonarista é uma suma de inconsistências: o TL e essa direita não tem capacidade de entender o lugar que o Brasil ocupa, quem são os nossos potenciais aliados e o que é exatamente o Globalismo. Isto tudo comprova o erro das escolhas geopolíticas deste governo que se quer compromissado com o Brasil. Uma política externa orientada, imediatamente, para uma composição ideológica com o Ocidente Capitalista, só pode levar o pais ao naufrágio. 

Prova do que falamos é o último link acima, que expõe a posição do Terça Livre sobre a crise gerada pela questão da Amazônia, onde vemos o senhor Sepúlveda, figura ligada ao movimento monárquico do Brasil e completamente incapaz de ler a realidade,  falando do discurso ambientalista de Joseph E. Stieglitz como sendo a base das idéias de Macron, ligando Stieglitz ao "esquerdismo internacional" como se interesses capitalistas das potências ocidentais não estivessem em jogo. É como se tudo se reduzisse a uma narrativa das "esquerdas tribalistas em prol dum mundo verde" para usar uma expressão da TFP.  O senhor Sepúlveda representa bem, assim como o Terça Livre, o atraso da mentalidade dos direitistas brasileiros, capachos mentais que são da direita redneck, tea party e republicanista dos EUA; ela não consegue entender, ou não quer, ou quem sabe não pode entender, que existem nichos do capitalismo migrando em peso para a cultura verde, setores que acreditam que o mercado é a ferramenta mais ajustada para unir conservação da natureza com os anseios de consumo por meio de investimento em eficiência energética e reciclagem. Evidente que existe uma utopia verde de esquerda mas há, também, um lobby de empresas capitalistas que tem interesse em impor um novo padrão de produção ao mercado internacional. A direita redneck americanista, ligada como é a nichos de capitalismo mais "poluente", - é exatamente este o caso de Trump que obteve mais votos justamente de regiões onde as indústrias "poluentes" predominam - dentro do linguajar verde, só consegue perceber a pauta ambiental como anticapitalismo quando, no fundo, ela é, inclusive, uma luta interna ao capitalismo entre setores empresariais mais ou menos "poluentes", pelo controle do mercado. 

Portanto, o Brasil, se quer livrar-se da sanha ambiental radical, precisa entender que nossos interesses devem estar atrelados a uma geopolítica consequente diferente da atual que assume um compromisso ingênuo com USA/UE onde viceja, cada vez mais, um capitalismo verde contra as nações emergentes. 

É preciso pontuar que alguma preocupação ambiental deve haver. Entrar na insânia da direita americanóide que coloca poluidores no carro somente para confrontar a utopia verde é demência. Existem problemas ambientais reais - mais locais que globais. Citemos um exemplo: a Hidroelétrica de Itaipu tinha uma vida útil de cerca de 240 anos. Agora só de cerca de 160 anos pois o lago de Itaipu assoreou. E por quê? Por que o Rio Iguaçu e Paraná, que nascem no Centro Oeste, foram assoreados pela agricultura da soja na região. Muitos fazendeiros desmataram a vegetação ripária colateral às fontes de água. Quando isso acontece a terra é transportada para dentro do rio e ocorre o assoreamento. Ou seja, isto tem que ser levado em conta pois pode atrapalhar a atividade de geração de energia no país no futuro. A questão é que quem deve ficar responsável por isso é o Estado Nação e não a Comunidade Internacional. Temos que trazer a pauta ambiental para nós e ajustá-la às nossas necessidades mas sem a rechaçar. Na era PT a idéia ambientalista foi assumida, aqui, sob clave globalista, agora a rechaçam totalmente sob clave direitóide. Dois erros que só atrapalham o país. E não é com críticas a Macron - que não vai escutar o que está sendo dito pela militância de Bolsonaro - que a coisa vai ser resolvida. Bolsonaro talvez ouça se for criada uma corrente de opinião que deixe claro que ele erra ao insistir em ambientalismo agora num momento em que o Brasil está no abismo econômico e que precisa extrair o máximo de vantagem para si através do acordo UE-Mercosul. É preciso que a política brasileira deixe de ser guiada por imbecis. O enfrentamento ao Lobby ambiental depende da construção duma estrutura e de alianças com países interessados em sair da roda do globalismo o que perpassa o progressivo abandono do padrão dólar e a construção duma nova ordem financeira distante dos ditames de Wall Street e da globalização econômica - tão cara aos direitistas que imaginam poder lutar contra globalismo cultural e político sem rechaçar o econômico. A verdade é que o antiGlobalismo da direita bolsonarista é cego ou então uma oposição controlada ao mesmo. Na prática não há nacionalismo algum no governo Bolsonaro mas só confusão e burrice. 

sábado, 27 de julho de 2019

Apontamentos sobre o futuro do Brasil após os vazamentos da Lava Jato

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Bolsonaro e Moro: dois agentes a serviço dos interesses dos EUA no Brasil. 




Não é de hoje senhores que viemos dizendo aqui que esta direita que chegou agora ao poder tem projetos absolutamente maléficos e que se existe alguma diferença acidental entre ela e a esquerda no que tange a ideologia, desde o ponto de vista nacional, ambas conjuram para destruir o que resta de autonomia pátria perante os poderes estrangeiros e globais. Faz tempo que estamos a acompanhar de forma prudente e ponderada os fatos relacionados aos vazamento da Lava Jato. Não temos um parecer definitivo mas, ao que nos parece, tudo se dirige para uma explicação a partir dum complot onde o estímulo dialético às narrativas de direita/ esquerda, alimentadas pelos supostos vazamentos, orienta o país para a radicalização definitiva que permita uma "derrubada do sistema" como pretende Olavo de Carvalho, eminência parda do bolsonarismo. Percebam que os raquers de Moro são todos ideologicamente de direita, sendo o principal deles ligado as operações do bitcoin, moeda virtual que costuma ser usada por gente de linha ideológica anarco-capitalista. Em suma; o perfil dos sujeitos em nada lembra àquele de um militante de esquerda o que nos leva a pensar que a direita tenha "raqueado" Moro para incriminar a esquerda e assim construir a narrativa de que há uma conjura - Bolsonaro não consegue governar pois o congresso, a esquerda, os petistas não deixam, etc - a justificar um estado policial.  Estaríamos perante a velha tática do complot onde um pequeno grupo se articula nas sombras para tentar desenhar os fatos políticos? Qual será o próximo passo? Usar o caso do Intercept para criar uma lei marcial dando superpoderes a Moro? Todas estas questões são pertinentes e merecem um exame atento. 

Cito aqui um comentário do amigo Cassio Gehlen, muito lúcido a respeito destes fatos: 


"Quebrar a criptografia do Telegram é impossível. Um dos donos do Telegram disse que pagaria U$300.000,00 para quem fizesse isso. Porquê esses “hackers “ não receberam a grana? Isso é um circo para criar uma narrativa de insegurança geral para justificar medidas repressoras sobre quem é contra o governo. Vai sobrar para todo mundo que possui alguma relevância na medida que o pessoal em Brasília trabalha com metadados. Eu já vi esse filme: vão colocar no mesmo saco e calar a boca de comunistas, fascistas, nacionalistas ou qualquer “ista” que tenha repercussão junto a um público razoável....não é lógico acreditar que existe hacker sem computador em Araraquara. Aliás, porque o presidente NÃO TEM INTERESSE EM SABER QUEM QUIS MATÁ-LO? Porque Adélio Bispo não tomou umas porradas dos militantes e seguranças? Olha, só não vê que essa merda é uma armação quem não quer... Nem o FSB Russo conseguiu quebrar a criptografia do Telegram. Os donos, que são russos, tiveram que sair da Rússia porque se negaram a repassar dados para o governo de lá. Está baseado em Dubai. Agora aparecem esses paspalhos, uns moleques punheteiros se passando por hackers? Guerrinha híbrida, bem básica aqui no Brasil... E o projeto é esse mesmo ... gerar confusão geral... e finalmente desmontar as instituições e remontá-las de novo.

Foi o que dissemos: já que é simples acessar celular e mensagem de Telegram - está é, pasmem,  a narrativa dos defensores de última hora do atual governo, a de que o suposto hacker teria se valido dum processo simplório acessível até a crianças! -  nos ensinem como faz, afinal precisamos esclarecer tudo isto e, quem sabe, uns dados raqueados nos ajudem a saber se estamos mesmo perante um complot, assunto de extrema importância para a segurança nacional.  

Cabe reiterar que o Telegram ofereceu 1 milhão de reais a quem quebrasse sua criptografia e que, no depoimento do suposto raquer ele teria alegado o seguinte: generosamente, por puro idealismo,  quebrou o sigilo de autoridades e, ao mesmo tempo, oferecido isso ao PT de graça! Vamos imaginar que você seja o raquer que tenha conseguido o que agentes da FSB não conseguiram, o que agentes do PC chinês não conseguiram - dado que as manifestações que acontecem agora contra o governo comunista de Pequim em Hong Kong são todas articuladas via Telegram, o que tem levado o PC chinês a buscar o acesso ao app via raqueamento. O que você faz?

A- Contacta Pavel Durov, dono do app, mostra qual a falha do Telegram, ganha o valor e ainda é contratado por Durov para melhorar a o sistema, ficando rico. 

B- Vende teu conhecimento para o governo russo e chinês, enchendo a conta de dólares para viver num paraíso fiscal pela resto da vida. 

C- Esquece tudo isto e fornece o que você descobriu de graça ao PT se arriscando a ser preso dentro do Brasil e viver o reto dos teus dias numa prisão junto com traficantes e assassinos. 

A  opção C é a mais absurda, demencial, tresloucada e improvável. A maioria ficaria entre A ou B. C jamais! Ninguém minimamente racional escolheria C. 

Então o que tudo isto permite dizer é que: 

1- Não há sequer certeza da veracidade dos vazamentos do The Intercept, faltando elementos mais sólidos que comprovem as mensagens. 

2- Logo, falar peremptoriamente de raquers atuando em consonância com Greenwald contra autoridades é absolutamente temerário nesta altura dos fatos. 

3- Admitir que esta atuação existe é reconhecer alguma veracidade aos vazamentos, o que dá certa verossimilhança a narrativa de Greenwald e isso piora a situação da direita em vez de melhorar.

4- Por que raquers, que tem por objetivo escamotear suas ações, fariam ligações para gente do governo a fim de dar pistas? Não faz sentido.

5- Levando em conta tais inconsistências concluímos que isso tudo tem bastante probabilidade de ser uma false flag.


No início a direita dizia que os vazamentos eram falsos. Agora ela quer que eles sejam verdadeiros para dizer que houve crime cometido pela esquerda petista. A esquerda também quer que eles sejam verdadeiros para poder invalidar o julgamento de Lula. Tudo isso só ajuda os dois lados a se retro-alimentarem gerando o clima ideal para uma guerra civil. A esquerda dirá: se há raqueamento então houve acerto prévio da sentença de Lula/ Moro quer prender  para impedir o acesso aos fatos. A direita vai dizer que tudo isso é crime e que, a esta altura, pouco importa se houve acerto de sentença mas que os culpados sejam presos. Como será impossível chegar a um senso comum a respeito disto tudo o país vai se dividir inexoravelmente, as instituições vão ficar paralisadas e, neste quadro, não é impossível pensar que um conflito explodirá. É uma aposta mas uma aposta que nos parece plausível.


segunda-feira, 15 de julho de 2019

Os erros da direita "católica", por Arthur Rizzi.



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A direita pseudo católica aposta em pessoas como Bolsonaro - um apoiador do liberalismo, sionismo e do protestantismo, doutrinas condenadas pelos papas. 




Os dois erros que ainda subsistem na dita direita católica são:

1- A crença falsa, baseada numa fake news de Murray Rothbard, de que a Escola Austríaca é o fruto moderno da Escola de Salamanca.

2- De que subsidiariedade é meramente absenteísmo estatal, de modo em que nada se pode fazer pelos pobres em matéria de governo, pois seria violação do princípio de subsidiariedade, e que portanto, os mais pobres deveriam confiar apenas na providência divina e na caridade individual. ( Para entender melhor isto cabe ler o importante artigo "O mito do distributismo sem Estado" aqui: http://www.integralismo.org.br/?cont=920&ox=21

Os dois erros estão interligados, e ambos se mantém por causa de uma correlação de forças na qual essa mesma direita católica se vê presa.

Como a direita católica não tem meios de mobilização de fiéis própria, não tem apoio da hierarquia, e pela própria natureza costumeira do catolicismo local (apolítico e não doutrinal) ser deveras difícil de mobilizar, eles se veem presos ao governo americanista do Brasil. Governo que como todo americanismo, é liberal e se alicerça sobre as pautas morais dos evangélicos, eles se veem forçados a tolerar e até apoiar o que vem no conjunto do pacote: liberalismo econômico, anti-estatismo burro, sionismo bucéfalo, etc.

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O professor Arthur Rizzi

Isso faz com que liberais que são maus católicos (católico liberal não existe), ajudem a criar uma defesa intelectual e teórica desse tipo de promiscuidade ideológica. O que faz perpetuar essas duas falsas noções acima.

Agregue-se ainda, o fato de que o meio tradicional e conservador da Igreja, embora esteja crescendo para setores das classes C e D devido a internet, concentra-se em indivíduos das classes B e A. Nesse caso entra ainda o interesse de classe em jogo. Foi basicamente o que ocorreu no caso da TFP e seu liberalismo prático.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

4 de Julho ou os EUA como início da Babilônia anticristã

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O governo Bolsonaro - talvez o mais identificado com os EUA, na história do Brasil - representa a entrada definitiva do país no esfera da ideologia da grande Babilônia moderna



Há uma verdadeira tara por parte dos “conservadores” brasileiros em torno dos EUA e de símbolos como a data de sua independência – o infausto 4 de Julho - que torna deveras contraditória a posição conservantista dos mesmos, afinal, a idéia por trás dela é a de que o “conservadorismo” seria a ideologia perfeita para garantir, dentro da vida social, a prevalência de certos costumes morais e religiosos contra a degeneração da new left, ou nova esquerda, a mesma que defende direitos lgbt, feminismo, laicismo, cotismo, relativismo moral, etc. O americanismo dos “conservadores” brasileiros é uma posição esquizóide pois postula “conservar” uma tradição – a dos EUA - estranha à sua própria nação. O que esperar, normalmente, de conservadores senão que conservem a própria forma de viver, ser, pensar? Todavia aqui no Brasil a atual onda de “conservadorismo” é um fato sui generis, único na história e no mundo: é a primeira que visa , não a sua identidade mas a dos outros, o que prova que o Brasil caminha – infelizmente – para deixar de ser um país normal. Não custa lembrar que o culpado mor deste processo de deformação moral, que acontece agora aqui, é o senhor Olavo de Carvalho. O velho guru acostumou o seu público cativo a acreditar em três coisas:

1- Os EUA são a nação mais cristã da história;

2- A independência dos EUA não foi uma revolução mas uma contra-revolução (um oposto, portanto, da revolução francesa, que seria aí o símbolo mor das revoluções) e portanto o antídoto para todas as revoluções.

3- O Brasil deve adotar o modelo social americano para evitar o comunismo e virar uma civilização.

Primeiro é preciso que se diga que os EUA não são a maior nação cristã da História mas a maior nação protestante da História. Alguns vão objetar que “protestantes são cristãos”, o que não deixa de ser verdade mas uma verdade fraturada pois eles só são cristãos pela metade. O ato fundador dos EUA, como modelo de sociedade, foi a chegada do Navio Mayflower em 1620, época das 13 colônias. Em que consistiu este fato senão na idéia de que aquela nova terra era uma terra de liberdade onde todas as profissões de fé, modos de ser, variedades de costumes, poderiam florescer sem a interferência do poder do rei da Inglaterra que impunha uma religião oficial aos súditos, opondo à liberdade, uma autoridade absoluta? Os calvinistas do Mayflower só queriam um lugar onde pudessem adorar a Deus do seu modo, com liberdade. A lógica por trás da colonização começada em 1620, de forma espontânea sem a interferência inglesa, era a de que se você era um calvinista que fosse para uma colônia puritana, se fosse quaker que fosse para uma colônia quaker, se fosse batista que fosse para uma colônia batista. Havia tantas colônias e vilas quanto o número de cabeças e de filosofias/religiões. O que estava em jogo ali não era assegurar a reconstrução da sociedade católica destroçada pelos reis anglicanos da Inglaterra. Se 1620 significasse um êxodo dos perseguidos pelo rei para refazer a cidade católica que fora a glória e salvação da Inglaterra anterior ao ato de supremacia de Henrique VIII, em 1532 , aí a história americana seria uma epopéia digna de ser louvada e cantada pelos séculos. Entretanto as 13 colônias foram a vitória da renascença pagã no mundo cristão protestante – e nada mais anticristão que o renascimento e seu culto da liberdade de pensamento, ou seja, da liberdade de renunciar aos dogmas da fé. As 13 colônias eram um “paraíso” anárquico onde a liberdade de pensamento renascentista, na forma de liberdade religiosa, finalmente podia florescer, longe do poder autocrático dos monarcas absolutos – preocupados em manter alguma unidade de pensamento em seus domínios, alguma unidade moral/religiosa. 

Segundo que, por tudo isto, a Independência dos EUA, iniciada em 1776, foi apenas um capítulo dum longo processo de maturação duma nova sociedade que nascia, não baseada na obrigatoriedade do dogma ou da lei divina, ou na obrigatoriedade da obediência mas no direito de desobedecer e de pensar livremente. E, por isso, ela foi uma revolução pois ela coloca início ao fim da era moderna dos reis absolutos em que se apostava na união entre rei-igreja e no controle do pensamento, sujeitando-o à verdade religiosa. Ela poderia ter sido uma revolta justa se seus colonos, rechaçando seus pais fundadores protestantes dissessem: nós queremos voltar a ser católicos e então vamos desobedecer às leis intoleráveis de Jorge III e restaurar aqui a Inglaterra Católica. Só aí ela não seria uma revolução mas uma contra-revolução que sempre tem caráter restaurador. Entretanto a Independência teve móveis mais mundanos: luta contra os impostos, considerados abusivos já que os colonos não tinham representação no Parlamento Inglês, o que inaugurava uma nova era, a da liberdade negativa, aquela que não afirma nenhuma verdade mas nega todas elas a fim de dar ao homem infinitas possibilidades; luta contra a autoridade, o que implodia a noção tradicional de nobreza, trazendo, com isso, a era da autonomia do indivíduo frente ao poder constituído, o que constitui uma inversão, uma reviravolta política, e, logo, uma revolução pois o que são elas senão mudanças de 360 graus na história? Neste caso os governantes, que antes tutelavam, passam a ser governados e tutelados pelos indivíduos e pelo pacto social; em suma a autoridade e o poder, que antes seguia de cima para baixo, agora passava a vir de baixo para cima.

Terceiro que, por mais que os ridículos “conservadores” brasileiros tentem afirmar uma diferença cabal entre a Independência dos EUA – ou melhor dizendo, revolução americana, a mãe de todas as revoluções – e a revolução francesa, o fato é que a história desautoriza esta leitura. O amor das liberdades chegou a França através da Inglaterra e dos EUA. A juventude nobre da França, contagiada pelo exemplo de 1776, mostrava enorme entusiasmo pelas maneiras igualitárias e desprezo pelo “espírito aristocrático” já na década de 1770/1780, anos que antecederam a revolução em Paris. A jovem nobreza, a primeira a ser invadida pelo contágio do espírito filosófico, trazia, do exemplo americano ,um gosto entusiasmado pelas formas do governo representativo e pelas liberdades da tribuna. 1776 passara a servir de farol aos que pensavam em revolucionar também a França:

“Embora não houvesse dez republicanos de verdade, em Paris em 1789, como disse Camilo Desmoulins, que era certamente um desses dez, era “chic”, em Versalhes, dizer-se republicano, à moda americana. Foi por isso que muitos jovens nobres seguiram Laffayete à América, para ajudar a causa dos rebeldes democráticos yankees (L. Madelin - Les Hommes de la Révolution, pg. 8).

“O entusiasmo pela jovem América se manifestou inicialmente em panfletos, canções, libelos contra a monarquia caduca; mas não parou lá; toda a jovem nobreza, de repente enamorada pela democracia, embarcou e atravessou o Oceano, indo até aos EUA, para contemplar de perto a aurora dos novos tempos” (G.Lenotre, En France, jadis-pg.190).

A mania democrática chegou a tal ponto que se deixou de jogar o whist, jogo inglês, e se passou a jogar o “Boston”, cujo nome – que lembrava o Tea Party, episódio da independência americana - dava ao jogador um “que” de insurreto. (Hugues de Montbas, La Police Parisienne seus Louis XVI, pg.169).

Não sem razão Hanna Arendt, em sua obra “ A vida Do Espírito”, examinando a mentalidade dos pais fundadores dos EUA, nota que 1776 buscava ser um novo começo para a história, um novo início da humanidade, identificada na frase lapidar que se encontra num dos símbolos numismáticos do país, o dito “Novus Ordo Seclorum”, ou seja, Nova Ordem dos Tempos. 1776 quis ser o sepulcro do passado e o nascedouro do futuro – da era de liberdade/igualdade, da era maçônica. Para ritualizar esta nova fundação do mundo – não mais em Deus mas no Homem feito um “deus” - George Washington, primeiro presidente dos EUA, ergueu a pedra inicial do futuro Capitólio, vestido com os paramentos maçônicos, onde, dirigindo orações ao “deus” natureza, à divindade da maçonaria, se valeu do rito do lançamento da pedra angular existente nas Lojas do Grande Oriente, em que  consagrava a mesma com trigo, vinho e azeite e a media, simbolicamente, com um triângulo de madeira e um régua em T, significando que aquela era a Nova Pedra Fundamental do Mundo, a pedra perfeita. Ora sabemos que, na tradição cristã, Cristo é a Pedra Angular. Porém não foi nesta pedra que os EUA foram fundados e sim na Pedra Maçônica que significa o esforço do homem em tornar-se, pelo uso da razão em liberdade e igualdade, alguém que seja capaz de despertar, em si, a “centelha divina”. A idéia aí é: o homem deve desenvolver ao máximo o seu poder até igualar-se a divindade. Os EUA são a concretização desta ideia na forma política, um Estado que serve ao homem como a um “deus”. Esta é a mesma base ideológica na qual a new left se escora, new left pela qual os conservadores brasileiros sentem repulsa. E isto só prova que o movimento criado pelo senhor Carvalho é, não a alta cultura, mas Satanás revestido de anjo de luz; no fim das contas trata-se de um regimento de imbecis crentes de que estão a servir a Deus quando, na verdade, estão a acender uma vela para o cabrunco e a preparar, sem saber, o seu reinado definitivo sobre o mundo.

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Washington lançado a pedra maçônica de fundação do capitólio em 1793

Em quarto lugar nos 243 ANOS da Independência Americana o que tivemos foram guerras contra monarquias católicas, saque ao México, apoio a revolucionários de toda sorte, criação da cultura de massas, revolução sexual, expansão da democracia iluminista laica, nascimento do tráfico internacional de drogas na década de 1920, bombas atômicas, apoio irrestrito ao infame ESTADO DE ISRAEL, 5 MILHÕES DE MAÇONS, guerras ininterruptas – de modo que os historiadores falam de intervalos pequeníssimos sem algum envolvimento em conflitos bélicos por parte dos EUA, ao longo de sua existência como Estado – etc. Não há nada a comemorar nem a aprender de positivo com os norte americanos. O Brasil não precisa emulá-lo para se tornar uma civilização pois os EUA não são uma civilização mas uma barbárie com verniz de prosperidade econômica. O homem de hoje, levado pelo brilho da matéria e do poder do dinheiro se deixa fascinar por esta sociedade neopagã mas aqueles que realmente amam a Deus e querem conservar a vera tradição cristã não podem ter outra atitude senão odiar, do mais fundo da alma, a Babilônia do Norte.