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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Eleições 2018: o Brasil entre o americanismo e o utopismo igualizante pós moderno


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Caros leitores, as eleições 2018 em nosso país demonstram o cenário de completa degradação do debate público no Brasil em razão de pautas completamente estranhas ao caráter de nossa nação, tendo em vista sua formação católica, cordial, solidarista e integral. Os candidatos a presidência da república - em sua maioria - postulam posições estranhas ao nosso legado como civilização mostrando, com isso, o atrelamento da nossa opinião pública a idéias estrangeiras cuja relação com nossa realidade é nenhuma ou quase nenhuma. 

Tanto à esquerda quanto à direita vemos isso; de um lado pautas pós modernas e desconstrucionistas como direitos LGBT, anti-racismo, etc, pululam como se o Brasil fosse os EUA onde houve um processo de violento apartheid racial e onde a mestiçagem é quase nula; do outro questões como "menos estado" são ressaltadas sem levar em conta a falta de Estado no saneamento básico, na saúde, na segurança, numa aposta total na iniciativa privada como panacéia para todos os nosso problemas. No meio desse tiroteio entre esquerdas x direitas (ou o que se convencionou chamar de direita e esquerda no Brasil)  temos alguns candidatos alternativos que defendem a Doutrina Social da Igreja - como é o caso de Eymael - outros que postulam um plano nacional de desenvolvimento misturado a religiosidade cristã e solidariedade  como base para o refazimento da malha social do país - Cabo Daciolo - entre outros. Nos extremos Amoedo, um anarco-liberal que fez fortuna através de conluios com figurões do alto escalão de governos passados, Vera Lúcia do PSTU que postula uma rebelião socialista e o fim do modelo político atual ao mesmo tempo que disputa uma eleição dentro das regras do sistema que rechaça, e Boulos do PSOL que dirige uma versão urbana do MST, o MTST, candidato que promove invasões criminosas pelo país ao mesmo tempo que oprime os ocupantes dos imóveis invadidos com "aluguéis"; todo este quadro, digno do apocalipse, revela o total descalabro deste pleito, quiçá aquele que, historicamente, traz os piores candidatos já vistos no Brasil. 

Infelizmente as candidaturas alternativas - nas quais incluo também a de João Goulart Filho, de tom mais trabalhista e que lembra o velho getulismo  - não tiveram vez e voz nesta eleição por razões óbvias: são as únicas que realmente ameaçam o atual sistema e a polarização americanizante que vem sendo imposta ao país por esquerdas e direitas apátridas. E é aí, no terreno de direitas e esquerdas anti-nacionais que o pleito será, muito provavelmente, decidido. 

Neste sentido é preciso considerar que há dois projetos de país aí: um que vê na iniciativa pública, no estado, um papel preponderante na condução da questão social e econômica, e outro que aposta na iniciativa privada e no desmonte do estado. Do lado esquerdo, articulado em torno de um discurso próEstado temos Haddad e Ciro e, em certa medida, Marina. O projeto de Haddad é francamente Lulista: nada de novo sob o sol! O plano é o velho neoliberalismo no campo financeiro e uma política de bolsas no campo social, sem investir pesado num plano de desenvolvimento industrial do país, única via para nos tornar menos dependentes dos poderes globais. Junte a isso a insistência em pautas imorais como LGBT, liberação sexual feminista, aborto, etc. O PT com Haddad fala de retomar investimentos mas não explica como recuperar a confiança dado que, com um novo governo PT, a máfia partidária que saqueou o Estado, voltaria o que faria do Brasil um terreno adverso a qualquer aventura. Fora que um governo Haddad seria marcado por extrema instabilidade pois estaria a sombra de Lula e sempre sob o risco de um indulto que poderia colocá-lo de volta no poder como um superministro, acirrando ainda mais os ânimos no país. Já Ciro, que fez parte do governo PT, tenta se desvencilhar do passado de aliado do petismo, apresentando laivos de um plano nacional de desenvolvimento e de uma proposta geopolítica menos ideológica que a do PT,  mas a pergunta que cabe é se ele não vai governar com o partido dos trabalhadores caso vença o pleito, dado que terá enorme dificuldade de angariar maioria num congresso dominado pelo PMDB com o qual não pretende governar. Ciro não defendeu, nesta eleição, efusivamente pautas LGBT, aborto, etc,  mas sabemos que ele, pessoalmente, se posiciona a favor delas. Diz que não quer ser guru de costumes e que não pretende intervir nestes temas mas forçou a barra, durante as eleições, em acusações de nazismo (o que é uma inverdade dado que Jair é um americanista e um próJudeu convicto o que repudiaria a um nazista) contra o candidato Bolsonaro e encampou algumas propostas de empoderamento feminino: Ciro quer se valer da educação para reforçar a tese de que não haveria uma diferença essencial entre mulher e homem no que tange a papéis profissionais e familiares, endossando um igualitarismo perigoso pois sabemos que, segundo a tradição católica, Deus reservou ao homem o papel de chefe da família e, a mulher, o lugar de sua auxiliar, cabendo ao marido maiores responsabilidades no que tange ao sustento material da família e a mulher o dever primário do cuidado da vida doméstica. Ciro, porém, tem algumas propostas econômicas que o colocam, de certo modo, ao lado da doutrina social da Igreja: defendeu harmonia capital-trabalho postulando políticas para atender o bem estar de produtores e empregados, ofereceu um plano para facilitar o pagamento de dívidas dos cidadãos com os bancos o que é importante para recuperar a vida financeira familiar, isso a juros mais baixos, etc. Marina flerta com ambientalismo o que poria em xeque qualquer alternativa de crescimento industrial para o país, reduzindo, inclusive, nosso potencial agrário. A esquerda Marina é a pior opção. 

Do lado direito, pela demolição ou redução do estado temos Amoedo, Dias, Meirelles, Alckmin (apesar de ser um centrista ele encampa pautas da direita liberal) e Bolsonaro. As propostas de Meirelles, Alckmin e Bolsonaro giram em torno do mesmo eixo: privatizações, abertura indiscriminada ao capital estrangeiro, menos direitos trabalhistas, etc. Dias mistura medidas de redução do estado com posições de centro. Há algumas diferenças: Alckmin e Meirelles defendem efusivamente a reforma da previdência coisa que não acontece com Bolsonaro; Alckmin se opôs ao imposto igual de 20 por cento para todos, proposto por Guedes, o futuro ministro da economia num governo Bolsonaro; Mourão vice de Bolsonaro acenou com fim do décimo terceiro salário. A candidatura de Jair ainda tem outras facetas: a ausência de proposta claras para áreas como saúde, educação, transporte e segurança. Isso o distingue de Alckmin que tem propostas mais concretas. O fato de a candidatura Bolsonaro não apresentar projetos  claros e definidos para o país precisa ser bem entendida. Não é uma ocasionalidade tal fato nem fruto da "burrice" de Jair: ela é fruto de um projeto. O discurso implícito a candidatura de Bolsonaro é que o governo não deve apresentar soluções mas sim diminuir o Estado, inclusive reduzindo a arrecadação, deixando as pessoas livres para que se virem. E suma: a filosofia por trás de tal candidatura é o velho modelo de sociedade americana/estadunidense, o calvinismo politico puro e simples; o estado não fará nada por vocês, não contem com ele, contem somente consigo mesmos. Aqui é que se explica a idéia de armar o cidadão ( algo até justo pois temos o direito de nos defender mas que não é a solução para o combate ao crime organizado nem um enfrentamento efetivo das causas da criminalidade e sim uma medida tópica para combater efeitos ), deixando de lado propostas mais específicas de segurança pública ( Seria possível enfrentar o crime organizado apenas dando armas a particulares? É possível enfrentar a violência coletiva com ações individuais?). Junte a isto a expectativa de uma baixa burguesia de ascender socialmente com menos impostos, o que não passa de ilusão num país descapitalizado e onde o acesso ao dinheiro para financiar a produção é sempre caro; ademais sem mão de obra especializada fica deveras complicado imaginar um salto econômico, coisa que só poderia acontecer com a atuação forte do estado no campo da educação formando quadros mais qualificados a fim de fomentar a iniciativa produtiva do setor privado. Ao que parece a candidatura de Jair não pretende enfrentar a máfia bancária que impõe pesados juros ao país, reduzindo sua atuação a reduzir impostos o que, num quadro de dívida pública monstruosa, pode levar o país a um quadro semelhante ao da Argentina, onde Macri desonerou setores exportadores perdendo receita e acabando na mão do FMI. Outrossim as candidaturas Bolsonaro, Alckmin e Meirelles caso viessem a ganhar o pleito poderiam desencadear, em razão das medidas antipopulares no campo do trabalho, pois prenunciam um arrocho severo sobre os trabalhadores ( "ou tem emprego ou tem direitos", "reforma da previdência", "ajuste fiscal", são os slogans das três candidaturas, respectivamente), uma luta de classes aberta no país, liderada por setores do PT, MST, sindicatos, o que ganharia força pois a classe trabalhadora seria - em razão de tais medidas - jogada no colo dos setores mais radicais da esquerda. O fato é que, muitos, teleguiados pura e simplesmente por uma aversão ao PT apostaram em Bolsonaro como uma alternativa mas ela vem se mostrando falha e incapaz de unir o país. Isso não se deve, como alguns pensam, a sua verve autoritária. Houve líderes autoritários até mais enfáticos que Jair que conseguiram unir nações em torno de um projeto pois souberam conciliar setores, coisa que Bolsonaro e sua campanha não conseguem. A direita liberal/conservadora apostou numa candidatura mambembe, inimiga dos pobres. A recente fala de Mourão, vice de Jair, sobre acabar com o décimo terceiro é mais uma revelação do que nos espera caso o 17 vença. Bolsonaro nunca ofereceu uma proposta para a classe trabalhadora a fim de que pudesse trazê-la para seu lado anulando o perigo do PT, que digamos, nunca esteve de fato compromissado com os mais pobres, se valendo de seu desespero para ofertar bolsas fajutas comprando as eleições com migalhas para depois leiloar o Brasil a poderes financeiros estrangeiros. E nunca ofereceu por que o núcleo da campanha Bolsonaro é composto por olavistas imbecilizados que enxergam comunismo em qualquer ação ou medida do Estado para assegurar o bem estar social, não compreendendo que foi exatamente o Welfare State que impediu que o ocidente caísse nas mãos do comunismo no pós crise de 29 e que o socialismo avançasse sobre a Europa Ocidental no pós Segunda Guerra. Seu discurso se limita a proposta de reduzir impostos para atender a classe produtiva, não mostrando nenhuma disposição em unir capital-trabalho. A candidatura Bolsonaro não se compromete com medidas trabalhistas - aliás exigidas pela doutrina social da Igreja - para o incremento do mercado de consumo e de nossa economia nacional. O script de uma derrota num hipotético segundo turno com Haddad está pronto. E a culpa será da própria direita que não soube dialogar com setores populares deixando-o livre para a ação de utopistas aproveitadores. 

Ainda é preciso que se diga que não há um voto católico óbvio nestas eleições. Se há pautas positivas em Bolsonaro - como rechaço a kit gay e a aborto, fim das demarcações de reservas indígenas que comprometem a exploração das riquezas minerais da Amazônia, etc - mesmo elas ficam severamente combalidas se levarmos em consideração a Geopolítica que o referido candidato pretende realizar, dando primazia a EUA - cujo ordenamento jurídico já permite a união gay em todos os estados do país - Israel - único país do Oriente Médio a ter paradas gays e cujo Estado financia o movimento gay- Europa - onde pulula a degeneração moral, o ateísmo, etc. A idéia de um candidato conservador capaz de enfrentar o lobby mundial em torno de pautas feministas, gays, anti-família só funciona de modo muito precário: sua geopolítica e seu projeto econômico impedem ao Brasil independência financeira para poder fazer frente a esta escalada do mal. Cabe lembrar o exemplo do Zimbabué e Uganda que tiveram severos problemas com perda de investimentos europeus e americanos, quando anunciaram leis anti-LGBT no país, tendo que se voltar para outros blocos de poder geopolítico a fim de compensar as perdas financeiras. Outrossim a política anti-trabalhista de Jair, na medida em que  pode precarizar a vida familiar dos mais pobres, acaba podendo ter como efeito, um aumento das taxas de abortos por conta do empobrecimento; quadros de violência também podem piorar já que um a miserabilização pode forçar os pais de família a buscarem "bicos" ficando mais tempo fora de casa deixando os filhos sob os cuidados da rua e da tv ou do tráfico de drogas (sabemos que um dos motivos mais decisivos para a violência é a falta de estrutura familiar). Logo, não há certezas de que seu governo vá ser mesmo uma barreira conservadora a degeneração dos costumes, podendo, até, alimentar o processo por vias indiretas. 

Em suma, o Brasil está numa encruzilhada da qual será bastante difícil escapar. Peçamos a Deus que ajude nossa pátria a se reerguer o que passa por recuperamos nossa identidade como nação a fim de fazermos frente ao colosso do internacionalismo inimigo de Deus que se veste de esquerda ou de direita para levar os povos a ruína. 

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

7 DE SETEMBRO: INDEPENDÊNCIA OU SECESSÃO?




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Afinal, ficamos independentes em 7 de setembro? A versão oficial dos fatos diz que sim. Porém a questão é mais complexa. Antes de respondermos isso precisamos entender o que se passou no Brasil entre 1790 e 1822.

Em primeiro plano precisamos entender que a separação do Brasil de Portugal se dá através de um processo, em etapas. A primeira etapa envolveu a conjuração baiana e a inconfidência mineira que jogaram colonos contra a coroa. A segunda envolve a chegada da família real ao Brasil. Com a abertura dos portos em 1808, Dom João VI, príncipe regente, assegurou nossa liberdade econômica pondo fim ao exclusivo metropolitano, garantindo que os produtores do Brasil pudessem vender e comprar para quem considerassem mais conveniente. A vinda da corte régia para o Brasil atendia ao fim de proteger a coroa de um ataque napoleônico em face do não cumprimento do bloqueio continental decretado por Bonaparte. Fato é que em 1815 as guerras napoleônicas acabam com a derrota de Bonaparte. Mesmo assim Dom João VI decide permanecer no Brasil e elevar-nos a condição de reino unido a Portugal e Algarves. Ao que tudo indica havia um projeto de mudar a sede do Império Marítimo Português para o RJ, fortalecendo a posição de Portugal no Atlântico Sul e impedindo um processo de ruptura que já começava a se desenvolver nas colônias espanholas sob o influxo do interesse inglês.

A Inglaterra nesta época era a maior potência industrial e naval do mundo e a ela interessava abrir portos e mares para a livre circulação de suas mercadorias e ampliação de seus lucros. Ao mesmo tempo o congresso de Viena se realizava sob os auspícios da contra-revolução. Neste sentido é que nasce a Santa Aliança, acordo que envolvia a luta de países como Portugal, Espanha, Rússia, Áustria, contra a expansão dos ideais da revolução francesa e contra a independência da América. Foi a França via Talleyrand que estimulou Dom João VI a ficar no Brasil. O acordo foi feito no tratado de Viena e envolveu uma troca. A França apoiava a empresa de Dom João VI em manter sua corte no RJ e, em troca, recebia de volta a Guiana Francesa, conquistada pelo Brasil em 1809. Evidentemente isto não interessava aos ingleses. Daí que desde 1816/1817 as Lojas Maçônicas, no geral a soldo inglês, resolveram criar um clima para fazer voltar Dom João a Portugal e estimular a secessão do território brasileiro.

Tudo começou com o Areópago do Itambé, primeira organização maçônica do Brasil a se instalar em Pernambuco na área de Itambé em 1796. Como suspeitava da atividade maçônica em Itambé denúncias levaram maçons a fugir dali para o Recife. Em 1816 foi criada uma Loja no RJ: a Beneficência liderada pelo Conde de Paraty. Dom João VI tendo descoberto as atividades desta Loja em semear postulados iluministas que envolviam a idéia de uma contestação ao absolutismo, mandou fechá-la. No Alvará de 1818, Dom João VI, manda fechar todas as Lojas do Brasil e Portugal. Elementos maçons da Beneficência, Loja do RJ, junto com os remanescentes do Itambé, ajudaram a fundar a Grande Loja Provincial que já em 1816 começou a reunir clérigos, juízes, fazendeiros, comerciantes, para uma revolução que explodiria em 1817 e tentaria a separação de Pernambuco com a consequente criação de uma república maçônica no nordeste. No mesmo ano o maçom Domingos José Martins, comerciante que tinha negócios em Londres, voltou da Inglaterra pra liderar a revolução pernambucana. Ele havia jurado a Francisco Miranda, mestre maçom venezuelano que havia fundado a Loja Grande Reunião Americana em Londres, que lideraria a independência de Pernambuco. O movimento falhou e Dom João VI conseguiu manter o controle do Brasil mas em 1820 uma nova investida maçônica viria através da revolução do Porto.

A revolução do Porto queria recolonizar o Brasil e reduzir o poder de Dom João VI criando uma monarquia parlamentar, aos moldes liberais e maçônicos. Antes dela o general Gomes Freire, em 1817, já havia conspirado contra Dom João VI. Gomes era grão mestre maçom. Gomes Freire e outros conjurados maçons foram executados sob ordem do Rei. Mas isso não desanimou a maçonaria em Portugal, pois se reorganizou. Foi então que no Porto, o desembargador da Relação, Manuel Fernandes Tomás, fundou o chamado “Sinédrio”. Integrado por maçons, visava “afirmar” o Exército Português no país. Aproveitando a ausência de Beresford no Brasil, o Sinédrio cooptou militares que pudessem materializar o seu projeto revolucionário. O Sinédrio foi uma associação secreta para-maçônica, fundada no Porto em Janeiro de 1818, que interveio na organização da revolução liberal de 24 de Agosto de 1820. Os fundadores (todos maçons) foram, além de Fernandes Thomaz (pertenceu á Loja Fortaleza, à Loja Patriotismo), José Ferreira Borges (advogado, pertenceu à Loja 24 de Agosto), José da Silva Carvalho (advogado, juiz, Ministro da Justiça, da Fazenda e da Marinha, pertenceu à Loja 1º Outubro, Loja 15 de Outubro, foi Grão-Mestre do GOL, fundador do primeiro Supremo Conselho do Grau 33), assim como outros líderes maçônicos.

Ao mesmo tempo que isso acontecia no Porto e forçava a volta de Dom João VI a Portugal, aqui no Brasil, José Moncorvo organizava a Loja Comércio e Artes para preparar a “independência do Brasil”. Uma divisão na Loja Comércio e Artes se deu no que tange a forma de estado que o Brasil deveria assumir depois de independente, se seria republicana – linha defendida por Gonçalves Ledo – ou monárquica – linha de José Bonifácio. A posição de Ledo na maçonaria era mais forte pois Bonifácio só havia sido eleito Grão Mestre por uma necessidade política – organizar a separação do Brasil. A literatura maçônica é unânime em apontá-lo como “profano”, alguém sem iniciação mas que foi aceito na maçonaria por seu papel chave junto a Dom Pedro I, que havia ficado como príncipe do Brasil depois que o pai teve de voltar a Portugal para conter os revolucionários. A ascensão de Bonifácio era uma manobra de Ledo para atrair Dom Pedro I para a causa maçônica. Percebendo que a separação seria proclamada pela maçonaria de qualquer forma, o príncipe para poder fazer parte do movimento se iniciou na Loja Comércio e Artes em 2 de agosto de 1822. Ledo foi entendendo que a melhor forma de conduzir a separação era mantendo a monarquia dado que isso facilitaria a aceitação da mesma pelas casas dinásticas européias. Ademais fazer a independência com república seria não contar com Dom Pedro I como rei, porém ele tinha o apoio da Província do RJ e de SP e sem o apoio destas duas províncias dificilmente se faria a separação. Em 9 de setembro Ledo, na sessão do Grande Oriente Maçônico declarou Dom Pedro I como rei e defensor constitucional do Brasil no que foi seguido pelas demais lideranças maçônicas.

Em razão de todos estes fatos podemos inferir que o processo de nossa separação de Portugal não se tratou de uma independência legítima, dado que ela já havia acontecido em 1815 quando recebemos nossa liberdade política das maos de Dom João Vi pela elevação do Brasil a reino unido a Portugal. Antes sofremos uma secessão, fruto de uma conjura espúria para destruir o belo ideal de Dom João VI de uma união definitiva entre Portugal e Brasil e facilitar o crescente poder da Inglaterra sobre a América assim como da maçonaria. A maçonaria tencionava criar novos países títeres de seu poder e do poder de Londres. Infelizmente o objetivo foi alcançado. O que podemos fazer hoje, passados quase dois séculos? Reconstruir os laços é ideal quase irrealizável mas lutar contra a opressão maçônica sobre o Brasil é algo possível e necessário. Lutemos contra o Grande Oriente e veremos uma autêntica liberdade reinar sobre o Brasil, não a liberdade licenciosa da maçonaria mas a liberdade cristã.



Professor Rafael G. Queiroz. 


Bibliografia


ANDRADE, João. “A Revolução de 1820: a conspiração“. Porto Editora, 1983 

DURÃO, João Ferreira. Pequena história da maçonaria no Brasil. Madras, 2008.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Em decisão inédita, Francisco decide reescrever a Bíblia!



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Diretamente da Cidade do Vaticano, 03 de Agosto de 2018 em #NEWSVA#. 

   Em primeira mão, noticiamos quem em breve a Congregação da Doutrina da Fé irá lançar uma nova versão da Bíblia Sagrada. A decisão inédita na história foi tomada pelo Papa Francisco que assevera "ser necessário adequar o texto bíblico aos novos tempos onde a compreensão da dignidade humana cresce, dos direitos humanos, da não violência, da paz social e da igualdade, de modo que certos trechos da sagrada escritura, que dizem respeito ao contexto cultural de uma época, não tem mais razão de ser, nem de aparecer no bojo das narrativas que são destinadas a liturgia da missa e a catequese"

   Ainda segundo o Papa, estes trechos "serão recolhidos a uma coleção de versículos a serem reunidos numa suma de antiguidades bíblicas, destinada apenas ao estudo cultural e histórico do passado da humanidade, a fim de compreender como crenças arcaicas foram sendo superadas pela evolução dos tempos". 

Os evangelhos, inclusive, serão objeto de modificações, como adiantou o Cardeal Luis Ladaria, SJ, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Ladaria diz que " passagens nas quais Jesus fala que veio trazer a espada e o fogo serão extraídas, assim como as invectivas mais duras contra os fariseus". Ladaria explica que tais passagens, hoje, não são mais necessárias pois vivemos uma época de ecumenismo; para o Cardeal, Jesus usou tais palavras apenas por que, na época, havia uma animosidade entre seus discípulos e os judeus, coisa já superada graças ao diálogo inter-religioso com os judeus.  

Apesar de alguns protestos - isolados - de católicos mais aferrados ao passado - chamados de tradicionalistas - a maioria dos bispos apoia a decisão. Até mesmo um bispo ligado a missa tradicional se pronunciou, tentando tranquilizar os fiéis. Dom Gusmão ensina que "tais passagens nunca foram de fé divina ou mesmo objetos de declarações solenes dos papas; Jesus as usou mais como força de expressão e metáfora...é apenas uma compreensão mais aprofundada do contexto da sagrada escritura, nada mudou". Dom Gusmão ressaltou que os tradicionalistas devem se libertar das concepções do AT sobre a divindade. Segundo o mesmo "Jesus se valeu de uma linguagem didática pois o povo da época não entenderia de outro modo; logo, ele precisou se valer dos conceitos de um Deus terrível, típico do AT...mas o nosso Deus é o Deus da pura misericórdia; não tem nada mais tradicional que isso". 

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Os EUA como origem do movimento gay

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   Há quem diga que existe uma conexão exclusiva entre movimento LGBT e a cultura marxista passando por cima das relações entre a cultura individualista americana e os primeiros grupos ligados a causa sodomita no ocidente. Se é verdade que há doutrinas marcusianas, de tom neomarxista, fundamentando o movimento homossexual, também é verdade que o pós-modernismo ocidental, o individualismo liberal e a revolução sexual e hippie nos EUA - ligada não apenas a cultura gay mas, inclusive, ao império da da pornografia com publicações que revolucionaram o comportamento sexual, estimulando a fornicação, o adultério e a prostituição, como a Playboy - tiveram impacto decisivo na eclosão das pautas LGBT. Cabe explicar que já na década de 20, na Broadway tínhamos uma pré-revolução sexual, movida a música foxtrot e charleston que imprimiam um ritmo alucinante, estimulando o "esfrega-esfrega" entre casais que frequentavam os salões e os bailes da época; marca da década de 20 eram, diga-se de passagem, as dublês de dançarinas prostitutas do charleston que ofertavam seus serviços nos eventos de antanho. 




   Sobre o facto de que foi nos EUA que tiveram origem as lutas gays e as organizações pró-LGBT fizemos um resumo mostrando, como a cultura estadunidense, é a raiz onde prosperou esta árvore maldita: 

- Desde a década de 20 a máfia tinha o poder e os recursos financeiros para criar bares e clubes gay, apesar de proibição oficial. 

-No início dos anos 1960, Dick Leitsch, o presidente do Mattachine Society de Nova York, defendeu a ação direta em prol dos direitos gays, encenando a primeira apresentação pública de manifestações homossexuais na década de 1960. Frank Kameny, fundador da Mattachine de Washington em 1961, havia defendido uma ação militante recordativa da campanha de direitos civis dos negros, ao mesmo tempo defendendo a moralidade da homossexualidade.

-O Julius Bar (Nova Iorque), em Greenwich Village, foi o primeiro estabelecimento gay na história ocidental reconhecida e registrada legalmente. O caso ganhou uma atenção extensiva da mídia em vista da ação judicial contra o um órgao público local; a partir de então não era mais possível revogar licenças com base na solicitação de homossexuais. 

-Em 1969 foi alterada a política de Nova York de aprisionamento dos gays pela polícia. 

- Los Angeles viu o primeiro grande movimento gay em 1967 trazendo uma demonstração de centenas de pessoas durante vários dias depois protestando contra invasões da polícia em bares gays.

-Em 1966 Adrian Ravarour e Billy Garrison fundaram a "Vanguard, Incorporated" uma organização de juventude LGBT que em seus discursos, humanizaram a homossexualidade como uma relação humana normal. A Vanguarda também realizou um fim de semana de danças do mesmo sexo. Em agosto de 1966 um protesto no Doggie Diner foi seguido pelo apoio do Compton's Cafeteria. No final de 1966 o grupo juvenil se mudou para um teatro e depois para a Grove Street, 330, onde mudou seu nome para o The Gay and Lesbian Center (Centro de gays e lésbicas), o primeiro no ocidente.

-Em 28 de março de 1969 em San Francisco, Laurence Leo (o editor da Vetor, a revista da maior organização dos Estados Unidos sobre a homossexualidade, a Sociedade pelos Direitos Individuais) conclamou a uma "Revolução Homossexual de 1969", exortando os homens gays e lésbicas a se unir a um grupo militante, o Comitê de Liberdade Homossexual com Gale Whittington - um jovem que tinha sido demitido da States Steamship Company por ser abertamente gay, depois que sua foto apareceu na Berkley Barb, ao lado da manchete "HOMOS, Don't Hide It!", artigo revolucionário escrito por Leo Laurence. No mesmo mês Carl Wittman, um membro da CHF, começou a escrever o "Refugiados da Amerika: Um Manifesto Gay" (Refugees from Amerika: A Gay Manifesto), que mais tarde seria descrito como "a bíblia da libertação gay". Foi primeiramente publicado pela pela San Francisco Free Press e distribuído a nível nacional até a cidade de Nova York. 


Bibliografia: 

- Carter, David, 2004. Stonewall:The Riots that Sparked the Gay Revolution.

- Sibalis, Michael. 2005. Gay Liberation Comes to France: The Front Homosexuel d’Action Révolutionnaire (FHAR), Published in 'French History and Civilization. Papers from the George Rudé Seminar. Volume 1. ( In: https://h-france.net/rude/wp-content/uploads/2017/08/vol1_Sibalis2.pdf)


sábado, 2 de junho de 2018

Reconhecer o Estado de Israel é sionismo? Resposta ao Padre Tenório.

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Padre Marcelo Tenório



1- Introdução

Recentemente um vídeo espalhou uma denúncia sobre o sacerdote Marcelo Tenório. O referido padre rezou no Muro das Lamentações em Israel o que escandalizou muitas almas católicas mais aferradas a tradição. Tenório, tendo se indignado ante a denúncia passou a defender-se asseverando que embora ele reconheça a existência do Estado de Israel não se considera um sionista, base da acusação levantada pelo vídeo. Segundo o padre Marcelo a existência de Israel seria um fato positivo para a população cristã da região dado que o Estado Judeu, protegeria os cristãos de ataques muçulmanos; assim, se a terra de Israel não estivesse em mãos judias, a condição dos cristãos seria bem pior o que traria perseguições e mortes, segundo padre Marcelo. Ainda segundo o sacerdote o Estado de Israel deve existir pois para onde iriam os judeus sem um Estado?  Em suma, são estes os argumentos utilizados por Tenório para justificar a reza no Muro e sua posição ante Israel. 

Num primeiro momento é preciso explicar que é o sionismo para podermos responder esta pergunta. Antes, porém, precisamos entender, teologicamente, o que significa o dom da terra no contexto da palavra de Deus. 

2- A “terra da promissão” na sagrada escritura

A bíblia na versão hebraica não conhece o termo "terra prometida" pois tal palavra inexiste no hebraico. O termo que se encontra em Êxodo é jurar: terra que a teus pais jurou dar-te (Ex 13, 5). A expressão se refere a um juramento feito por Deus a Abraão em decorrência da promessa da descendência: a terra é a garantia de uma descendência. Trata-se aí da Terra de Canaã (Gn 17,8). Depois de Moisés ter guiado o povo para Canaã, Deus apela a que os hebreus mantenham a terra sem mancha pois nela habita o Altíssimo (Nm 35,34). Na tradição bíblica só Deus é proprietário do país. A terra não é um privilégio dos hebreus mas um dom, um direito conferido ao povo; direito implica deveres, consignados num pacto entre Deus e os israelitas no Sinai: se obedecerdes o meu mandamento tereis a benção, a terra e ela produzirá frutos; caso desobedeçam serão malditos, a terra dará cardos e espinhos e sereis dominados por povos pagãos, perdendo a terra. Os israelitas habitam nela a título de "estrangeiros e inquilinos" (Gn 23, 4; Ex 6,4). Só na medida em que o povo se mantiver longe dos deuses estranhos (Js 24,14-24) é que a terra será protegida por Deus. 


Na história do povo hebreu foram várias as ocasiões onde o mesmo foi conquistado e levado como escravo para o exterior por conta de sua infidelidade ao pacto e a Deus. Foi o caso da conquista Assíria do reino de Israel e o caso do Reino de Judá, destruído pelo Império Neo-Babilônico de Nabucodonosor II. Porém Deus sempre deixou a porta aberta para um retorno a terra, desde que o povo soubesse se arrepender de suas faltas e clamar ao Senhor pelo perdão. A volta dos judeus a Canaã com Ciro da Pérsia - que domina a Babilônia e liberta os israelitas - marca essa restauração de Jerusalém e do Templo. Mesmo sendo um espaço geográfico limitado, no ensino dos profetas, ela vai ganhando um caráter universal: na visão de Isaías (Is 2, 1-4) ela vira o pólo de atração para as nações onde se anuncia uma redenção universal. E aí é que entra a temática da terra no Novo Testamento na epístola aos Hebreus (Hb 11, 9) que sublinha a terra como dom ao povo de Israel, como algo provisório, incompleto, orientado ao futuro absoluto da História: a terra de Israel tem o único intento de orientar os fiéis a uma pátria celeste. A terra no Novo Testamento equivale ao Reino dos Céus: a era messiânica corresponde a um novo céu e terra. Os judeus, porém, permaneceram na crença de que esta era se daria cá embaixo por meio de um reino político universal de Israel. Na descrição dada pelos padres, os judeus se tornaram carnais, incapazes de uma visão espiritual da terra da promissão. 

3- O sionismo: um messianismo anticristão


Então o que é, exatamente, o sionismo? 

Para compreendê-lo é necessário entender o proto-sionismo. 

Durante os anos de exílio judaico - do ano 70 D.C. em diante - os israelitas experimentaram um desejo de retorno a Canaã. Pensadores e religiosos judeus que se expressaram em obras escritas, mostravam o desejo ancestral de retornar às suas raízes históricas através da volta para Canaã. A "nostalgia de Sião" se manifestou claramente nos discursos de diversos místicos judeus surgidos ao longo dos séculos de duração da Diáspora, como Sabbatai Zevi, no século XVII, passando pelos poemas de Yehudah Halevi e por vários místicos. Todos tendiam a dizer que o exílio vivido pelo povo seria similar ao da Babilônia, uma grande provação onde, depois de um grande sofrimento, o povo voltaria a Canaã, o que inauguraria a era messiânica. Cabe dizer que os judeus, por negarem a Jesus a condição divina de Filho de Deus, rechaçam que já estaríamos em plena era messiânica, na era da graça onde se prepara a terra definitiva, o reino celestial do Pai para os fiéis em Cristo. Eles esperam, portanto, o desencadear de uma salvação e de um redentor. No passado os judeus chegaram mesmo a crer que Zevi era o Messias. Mas sua conversão ao Islão em 1666 frustrou as expectativas. 

O Sionismo se delineou de vez com o nacionalismo judaico do século 19, onde pensadores judeus secularizados - para os quais a prática religiosa já não tinha tamanha importância e que insistiam numa identidade judaica com base nos pressupostos da liberdade/igualdade da revolução francesa e americana - começaram a defender um lar judeu, um Estado como base de autoafirmação do povo. Moses Hess, neste sentido, teve um papel muito destacado. Hess focava a história da humanidade a partir das noções de luta de raças e nacionalidades. Preconizou um socialismo sionista - Hess foi colaborador de Karl Marx - onde idealizava uma sociedade futura perfeita, em que terra seria colonizada por judeus operosos, um Estado Ideal, a Israel Restaurada mas sob os auspícios socialistas. Segundo Hess esse novo Estado seria a forma futura da sociedade humana na sua mais elevada perfeição. E este Estado seria Israel. Israel - o Estado - seria então o Messias da Humanidade.  Hess afirmou que a história marcha sobre a influência do Espírito para um novo Éden. Quem teria o papel de realizar este feito seria nada mais que o povo judeu organizado num Estado. Estas idéias foram absorvidas por Theodor Herzl, fundador do movimento sionista em 1897 com o fito de criar tal Estado. A idéia era organizá-lo em torno da migração possibilitada pela compra de terrenos na Palestina e, depois, criar os Kibutz, terras comunais que misturavam elementos socialistas e nacionalistas. Os kibutz foram a base da migração e da colonização judia da Palestina a partir de 1900 quando judeus começaram a colonizar a região para forçar a criação de um Estado Judeu na área. 

Havia, é verdade, várias facções entre os Kibutzim - membros dos Kibutz, judeus que vinham de vários lugares do mundo para colonizar a terra dentro de um modelo de terra comunal - mas a maioria era socialista; em 1927, alguns novos Kibutzim fundados pelo Hashomer Hatzair uniram-se para formar uma associação de alcance nacional, Kibutz Artzi. Por décadas, Kibutz Artzi seria a esquerda dos Kibutzim. Em 1936, a Federação do Kibutz Artzi fundou seu próprio partido político chamado a Liga Socialista da Palestina mas popularmente conhecida como Hashomer Hatzair. Fundiu-se com outro partido de esquerda para se tornar Mapam (o atual Meretz) tão logo o Estado de Israel se estabeleceu. Os Kibutzim da Artzi eram devotados à igualdade dos sexos. Uma mulher de um Kibutz da era dos anos 1920-1930 chamaria seu marido ishi — "Meu homem" — ao invés da palavra usual hebraica, ba'ali, que, literalmente, significa "Meu mestre". Os Kibutzim do Kibutz Artzi eram seculares, mesmo firmemente ateus, orgulhosamente tentando ser "monastérios sem Deus". A maioria dos Kibutzim da corrente principal também desdenhavam o Judaísmo Ortodoxo de seus pais, mas eles queriam que suas novas comunidades tivessem características judaicas mesmo assim. As noites de Sexta-feira ainda eram Shabat, com um pano de mesa branco e comida de qualidade, e trabalho não era feito aos sábados se pudesse ser evitado. Mais tarde, alguns Kibutzim adotaram o Yom Kipur como o dia para discutir receios em relação ao futuro do kibutz. Os Kibutzim também tinham bar mitzvá coletivos para suas crianças. Embora os kibutzniks não rezassem diversas vezes ao dia, marcavam festividades como Shavuot, Sucot e Pessach com danças, banquetes e celebrações. Um feriado judaico, Tu B'shvat, o "aniversário das árvores" era substancialmente revivido por Kibutzim. Em todos eles, feriados com algum componente natural, como Pessach e Sucot, eram os mais importantes para os Kibutzim. Logo, os Kibutzim era uma síntese de secularismo, relgião e socialismo. Neste sentido a ideologia dos Kibutzim tendia ao Utopismo Comunista. O espiritualismo dos pioneiros do movimento Kibutz consistiam de sentimentos místicos sobre trabalho judaico, articulados por sionistas como Berl Katznelson, que disse, "onde quer que o trabalhador judeu vai, a divina presença vai com ele." É redenção pelo trabalho. Em adição à redenção da nação judaica através do trabalho, também havia um elemento de redenção de Eretz Yisrael, Palestina, na ideologia do Kibutz. Os membros do Kibutz tinham prazer em trazer a terra de volta à vida plantando árvores, drenando pântanos e incontáveis outras atividades que fizeram com que a terra ficasse mais fértil. Quando solicitavam doações, os Kibutzim e outras atividades de assentamento sionistas apresentavam a si mesmas como "fazendo o deserto florescer". A idéia do deserto que floresce é fundada na benção que o trabalho da mão judaica traz ao mundo: seria como se só esta mão pudesse trazer a redenção a terra e mais nenhuma. 

Logo podemos ver que a base fulcral da organização social dos judeus na Palestina antes da fundação do Estado de Israel é uma estrutura utopista de fundo socialista. O que é bastante interessante pois a nova direita brasileira que postula uma defesa férrea de Israel, considera qualquer relação com o socialismo como abjeção política, como totalitarismo, identificando-o com o império do mal; porém quando se trata do socialismo subjacente à formação de Israel há um silêncio absoluto. A pergunta é: por quê? 

4- A teologia do sionismo

Os religiosos que aderem ao sionismo consideram o projeto de Herzl não um objetivo humano mas expressão da vontade divina. Segundo a teologia do sionismo o movimento trouxe uma nova época para a história humana, ligada a liberação dos três juramentos e pelo fim da passividade política dos judeus. Segundo tal teologia o Estado de Israel é a materialização das promessas dos profetas do AT. Vejam que, dentro de uma visão cristã, tais promessas se efetivaram em Jesus Cristo e na Igreja. Deste modo um cristão que adere e apoia o Estado Israelita, flerta com a apostasia. O rabino Avraham Kook, que foi o primeiro rabino chefe da comunidade local que se formava no meio dos Kibutz, antes da fundação do Estado, chegou a dizer que “o Estado de Israel será a base do trono de Deus no mundo”. Segundo Kook mesmo os sionistas seculares, que não compartilhavam da visão religiosa dele, ajudavam na redenção pois construíam a base material para a era messiânica. Comparou-os aos pedreiros estrangeiros do Templo de Salomão, que construíam sem saber a verdadeira função do santuário. Ainda para Kook a redenção só se desencadearia quando os sionistas reconhecerem o sentido espiritual de sua atividade. Com o suposto Holocausto e a criação de Israel os religiosos sionistas, antes marginalizados dentro da religião judia, passaram a ter respeitabilidade e a receber apoio de outros setores religiosos do judaísmo talmúdico. 

O filho de Kook, Yehuda Kook, virou o líder do processo de colonização judaica da Cisjordânia. Para Yehuda, que virou a liderança espiritual dos colonos, incentivou a não retirada já que “estando na era messiânica, não se pode ceder nenhum quilômetro de terra, devemos acumular conquistas”. Desde a ocupação em 1967 até 1993, os palestinos da Cisjordânia estiveram sob a administração militar israelense. Sobre a Cisjordânia, em diversas ocasiões, Israel instaurou a plena administração militar sobre a área que é disputada com os palestinos. Após a Segunda Intifada, o governo israelense iniciou a construção do chamado "Muro da Cisjordânia", que avança sobre o território da Cisjordânia. A posição de Yehuda foi muito importante para legitimar as ações violentas de Israel na região o que mostra que o fundo teológico do sionismo trabalha para justificar as pretensões do Estado de Israel e o massacre e expulsão de populações palestinas.


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O  suposto Holocausto também influenciou na transformação da postura ortodoxa frente ao sionismo. Primeiro é preciso que se diga que segundo o Talmud e outras fonte rabínicas, o povo judeu e as nações do mundo fizeram três juramentos ante Deus, no início do exílio judaico do ano 70: os judeus prometeram não forçar a volta à Terra do Israel antes do tempo messiânico (“não subir os muros”) e não se revoltar contra os povos entre o quais viviam exilados; já as demais nações juraram não maltratar os judeus “em demasia”. O Talmud da Babilônia, Tratado Ketubot 111a, traz o seguinte:  “Três Juramentos: Um, que Israel não suba os muros; o segundo, que [Deus] fez Israel jurar que não se rebelaria contra as nações do mundo; e o terceiro, que [Deus] fez os idólatras jurarem que não oprimiriam Israel em demasia”. Os Três Juramentos, foi o que, durante os séculos de exílio, barrou a migração judia de duas maneiras: como consolo para a difícil situação existencial vivida pelos judeus e como bloqueio moral contra movimentos messiânicos de imigração em massa para a Terra de Israel. No judaísmo medieval em terras muçulmanas, entre os anos 600 e 1100 DC, a imigração judaica para a Terra de Israel foi fenômeno raro. Porém, logo em seguida, vemos Maimônides utilizando os Três Juramentos para tentar impedir um movimento de imigração de tendência messiânica que aflorou na comunidade judaica do Iêmen. No século XIII, outro rabino de renome, Moshe ben Nachman, o Nachmânides, deixou sua comunidade em Girona (Espanha) e imigrou para a Terra de Israel. Ele foi o primeiro a legislar que assentar-se na Terra Santa era um mandamento divino para o indivíduo judeu. De tendência cabalista, Nachmânides sublinhou o significado místico da vida religiosa na Terra de Israel e decretou que a imigração era uma “mitzvah positiva que todos estão obrigados, para todas as gerações, mesmo em época de exílio”. Assim surgiu no judaísmo a distinção entre a louvável imigração individual à Terra de Israel por motivos religiosos e a condenável imigração coletiva, que desafiava os Três Juramentos. No século XV, uma nova onda de imigração judaica, levou a uma repetida condenação baseada nos Três Juramentos. Apesar de tudo isso é para ressaltar que a proibição de imigração derivada dos Três Juramentos sempre teve caráter mais ideológico e teológico do que legal no judaísmo. A proibição não chegou a ser incorporada realmente no corpus legal rabínico.  Diga-se que o precursor da posição da ortodoxia anti-sionista foi o rabino húngaro Chaim Elazar Shapira (1872-1937). Para ele, a imigração de judeus em massa para a Terra de Israel, ainda mais sob a liderança de não-religiosos como os sionistas, representava a condenável ação de forçar o Final dos Tempos; em sua visão, os judeus deveriam esperar pacientemente por intervenção divina e ser totalmente passivos do ponto-de-vista político. A imigração à Terra de Israel somente poderia acontecer na era messiânica, quando ocorreria de forma supranatural. O rabino Shapira 322 via a Terra de Israel como um lugar único no mundo, dotado de uma sacralidade imensa. Inspirado pela mística judaica, afirmou que a Terra Santa é um lugar especial onde acontece uma luta frontal entre forças divinas e satânicas. Viver ali representaria até um perigo de vida para o judeu “mediano”. Se este pecasse na Terra de Israel, deveria esperar um castigo divino bem mais rigoroso do que se transgredisse fora dela. Nem mesmo seus discípulos tinham estatura moral para viver ali e Shapira advertiu-os, em 1937, a não imigrar para a Palestina. 

Mas tudo mudou quando os judeus começaram a se questionar se a criação de Israel estaria assinalando, pelo menos, o começo da redenção. O Holocausto aumentou ainda mais a perplexidade ortodoxa frente ao fenômeno sionista. Haveria algum significado religioso entre a destruição do judaísmo europeu e a criação do Estado de Israel, logo em seguida? O suposto massacre dos judeus europeus poderia ter sido um castigo divino motivado justamente pela proibição de “subir os muros” ou antes uma recompensa pelo sofrimento do suposto holocausto? Então começou a nascer – como mostramos acima – uma linha de pensamento que passou a ver o “holocausto” como o sofrimento que prepara a redenção e a era messiânica; desta forma o “holocausto” passou a ser considerado como um sinal escatológico. 

o rabino Zvi Yehuda Hacohen Kook (1891-1981) continuou a linha do pai Avraham Kook e levou-a até seus limites. Em 30 anos de atuação, influenciou a formação do grupo político-religioso Gush Emunim (“Bloco dos Fiéis”). Yehuda vai se valer do conceito teológico para justificar o apoio ao Estado de Israel que diz respeito ao processo messiânico. Sobre a era messiânica o judaísmo traz dentro de si diferentes visões sobre este processo e a ala ortodoxa sionista esposou uma delas, segundo a qual não há necessidade de um Messias na etapa inicial do processo. A redenção acontecerá em etapas, afirmam, culminando no aparecimento desta personalidade histórica (Messias) apenas num estágio posterior, após uma série de fases vencidas, para fechar o processo. Nesta etapa inicial o Estado de Israel é fulcral, dizem. 

Aqui entra uma questão importante: a de que a linha de Yehuda virou a fonte basal da política de Estado de todos os governos de Israel no que tange a não concessão de territórios aos árabes-palestinos. Para Zvi Yehuda, os Três Juramentos talmúdicos que proibiam a imigração em massa à Terra de Israel foram abolidos por decreto divino. Ele afirmou: “Não somos nós, de carne-e-osso, que agimos para forçar o Final dos Tempo, mas sim o Dono da Casa, o Senhor do Mundo, que está nos forçando; não é a voz de uma pessoa de carne-e-osso, mas sim a voz do Deus Vivo que destruiu o muro que deixou de nos separar de nossa terra, convocando-nos: ‘Subam’. 

Segundo o rabino, já não se trata mais de discutir se o Estado de Israel representa ou não o início da redenção. Numa declaração feita após a Guerra do Yom Kipur (1973), o rabino afirmou que a humanidade já se encontrava no interior do processo messiânico: “Há pessoas que falam que vivemos o início da redenção (…) mas temos que ver com olhos abertos que já estamos no meio da redenção (…) O início foi há mais de cem anos, quando recomeçou o assentamento judaico na Terra de Israel”. Na concepção de Zvi Yehuda, o Estado de Israel, como elemento fundamental do processo de redenção, ganha contornos extraordinários. “O Estado (de Israel) é todo santo, sem nenhum defeito. O valor deste Estado não está condicionado à quantidade de observantes dos mandamentos que vivem em seu interior. Claro, a aspiração é que todo o povo se ligue à Torá e aos mandamentos, mas este Estado é sagrado de qualquer maneira”. 

A teologia de Zvi Yehuda levou-o a se posicionar contra qualquer concessão territorial aos vizinhos árabes. Para o rabino, sua posição política era reflexo do desejo de Deus. “O Todo-Poderoso tem uma política própria. E, de acordo com ela, processa-se a política aqui de baixo. Parte da redenção é a conquista da terra e o assentamento nela. Esta é a determinação da política divina, que nenhuma política aqui de baixo pode contrariá-la”. Exatamente esta política que o Estado de Israel vem aplicando faz décadas, inclusive afastando cristãos de cidades sagradas como Belém onde, há 20 anos atrás, tínhamos 80 por cento de população cristã. Hoje são só 35 por cento. Em Jerusalém a seis décadas os cristãos eram 20 por cento da população. Agora são 2 por cento apenas. 

Embora ourtos grupos ortodoxos como o Agudat e o Lubavitch não partilhem da mesma visão dos seguidores de Yehuda, ambos legitimam o Estado de Israel como algo que melhora o estado material dos judeus embora não liguem o Estado de Israel, diretamente, a redenção. O Agudat – que virou um partido - desde a década de 90,  têm se aproximado da direita política em Israel. Porém  posição do Lubavitch e do Agudat não devem ser entendidas como um distanciamento absoluto da posição de Yehuda. Para estes grupos, os eventos políticos do último século podem ser vistos como sinais de intervenção divina e até mesmo uma janela de oportunidade para a tão-esperada redenção, de modo que, queiram ou não, o Estado de Israel passa a ser visto, mesmo pelos judeus ortodoxos como ou um elemento da redenção, ou algo que abre caminho para ela: em suma, algo que diz respeito ao DOMÍNIO UNIVERSAL DOS JUDEUS E DO SEU FALSO MESSIAS.   


5- Respondendo ao Padre Marcelo Tenório.

Por tudo isto que foi exposto acima fica claro que: 

- A terra nunca foi um direito do povo hebreu mas um dom; Deus era o proprietário dela; sua posse, por parte da descendência de Abraão, decorria, exclusivamente, da fidelidade ao pacto mosaico e aos mandamentos. Os pecados do povo hebreu justificaram a perda da terra diversas vezes, por mandato divino. 

- Cristo como Messias verdadeiro, foi rejeitado pelo povo judeu, tendo sido assassinado por ele. Deste modo a terra santa – um dom conferido em razão da fidelidade do povo – não tinha mais motivo para continuar na mão dos judeus que se tornaram infiéis. A destruição do Templo e a perda de Jerusalém, inclusive, são uma punição por sua infidelidade e empedernimento no deicídio como profetizada por Jesus em Marcos 13. 

- A culpa do deicídio não é apenas dos judeus do tempo de Cristo nem apenas dos chefes do povo. Segundo o padre Tenório nós é que teríamos matado Cristo porque ele foi entregue por nossos pecados. Isto é apenas meia verdade. 

Quatro foram os que mataram Jesus: em primeiro lugar o povo judeu que, representado por seus sacerdotes deram a sentença de morte no Sinédrio, e representado pelos que estavam em Jerusalém para a Páscoa, pediu sua crucificação a Pilatos; em segundo lugar os romanos que executaram a pena, dando-lhe cumprimento no Gólgota; em terceiro lugar a democracia que foi o método usado para decidir sobre a soltura ou não de Jesus; em quarto lugar cada um nós por causa de nossos pecados. Os judeus podiam tê-lo reconhecido como Profeta, Messias e Deus mas se recusaram por má vontade. Os romanos não o conheceram por que não tinham as profecias. Erraram mais por ignorância que por má vontade: ainda que Pilatos soubesse que Jesus era um homem justo, aplicou a sentença mais por medo do povo que por ódio a Cristo. Bem diferente foi o caso dos Judeus que odiavam Cristo e queriam matar-lhe desde os primórdios de seu ministério.

Os judeus (líderes e povo) foram os agentes principais do deicídio porque é óbvio, a partir dos Evangelhos, que o gentio mais envolvido, Pôncio Pilatos nunca teria condenado Jesus à morte, se os líderes judeus não tivessem levantado o grito do povo para a sua crucificação (Mateus 27, 20). Certamente os líderes foram mais culpados do que as pessoas ignorantes, diz Santo Tomás de Aquino (Suma III, 47, 5), mas todos em uníssono pediram que seu sangue caísse sobre eles e seus filhos, como mostra o evangelho segundo São Mateus 27, 25. O Papa Leão XIII considerando este pedido, reconheceu que havia verdadeira solidariedade entre os judeus que clamaram então para Jesus ser morto e a coletividade dos judeus de todos os tempos que permanecem na infidelidade: assim a culpa do deicídio se estende a todos os membros do povo judeu, não sendo, portanto, aceitável que qualquer parte deste povo ocupe a terra santa na qualidade de donos de um Estado: isto, na prática, significa um desafio ao decreto de Nosso Senhor Jesus Cristo quando decidiu pela destruição de Jerusalém e pela diáspora do povo como castigo até que digam “Bendito o que vem em nome do Senhor” (Lucas 13, 31-35) reconhecendo sua divindade. 

- Quanto ao termo 'pérfidos' judeus o padre Tenório, reduz sua gravidade como se ele significasse apenas o desejo dos judeus de “permanecer em sua fé” - per mais fides, diz ele seria apenas "permanecer na fé". Mas o que, afinal, quer dizer pérfidos quando se trata dos judeus na tradição da Igreja? 

Primeiro que este termo implica em negação; os judeus são negadores de Deus. Negaram a Deus várias vezes por impaciência e maldade. Quando Moisés demorou no Sinai, recebendo os mandamentos, depois da saída do Egito, eles cansados de esperar, resolveram adorar um bezerro; impacientes em esperar as demoras de Deus no que tange ao envio da sua salvação e do seu salvador, se desviaram várias vezes aos ídolos. Depois de punidos e admoestados pelos profetas se reaproximaram de Deus e voltaram a esperar seus Messias: quando ele veio e satisfez as esperanças dos homens, realizando portentosos milagres, parecia que eles iam recebê-lo, cansados de esperar, mas voltaram a seu antigo hábito de negar. 

Segundo que sua perfídia consiste em permanecer na negação – e não na fé como diz Tenório – e dizer que ele – Jesus – não é o Messias e esperar outro. 

Esta perfídia consiste em três negações: 

- Negaram ao Messias a Divindade pois negaram que ele é Senhor. 

-Negaram a SUA vinda pois negaram que ELE já veio

-Negaram a pessoa pois negaram que Jesus seja o Messias. 


O termo "pérfidos" para  a coletividade dos judeus indica que quebraram um pacto e que agiram de má-fé para com Deus que com eles fez uma aliança, tratando-os como seu povo dileto. Tendo recebido a confiança de Deus para guardar sua santa lei eles o atraiçoaram, matando-o no Calvário, na Pessoa de Jesus Cristo. O pérfido é o desleal que não cumpre com sua palavra num acordo. Os judeus não a cumpriram perante Deus. Logo o padre Tenório falseia toda a questão envolvendo os judeus e sua perfídia, perfeitamente assinalada pela doutrina da Igreja pelos séculos e consignada na missa tridentina, na liturgia da sexta da paixão. 


Sobre o que o padre Tenório diz referente a que “Reconhecer o Estado de Israel não é sionismo” fica provado,  a partir de tudo que foi exposto acima, que: 

- Há uma relação direta entre sionismo e crença num papel messiânico do povo e ou estado judeu na história; 

- Os sionistas que planejaram a criação do Estado de Israel viam-no como a realização de uma utopia política terrestre onde Israel se tornaria uma espécie de paraíso social; 

- Os kibutz são a faceta socialista e utopista que deu base a estrutura social-econômica do estado de Israel, onde a terra foi colonizada segundo moldes comunistas; 

- Progressivamente o sionismo foi sendo incorporado e aceito por uma teologia judaica que passou a ver o Estado de Israel – fruto direto do sionismo -  como etapa da redenção e da vinda do Messias o que significa, em termos judaicos, DOMÍNIO ABSOLUTO DOS JUDEUS SOBRE A TERRA, o que implicará numa luta contra a Igreja Católica, opondo a ela um “UNIVERSALISMO” JUDEU onde seu falso messianismo buscará substituir o cristianismo ( Sobre isso é importante frisar o papel realizado pela Aliança Israelita Universal criada na França no século 19 e bem analisada por Henri Delassus em sua obra “A conjuração anticristã”, nas páginas 361-368, onde o mesmo fala de um ISRAELISMO HUMANITÁRIO dirigido por forças judaicas que buscam solapar o papel da Igreja no mundo). 


Logo, reconhecer o Estado de Israel leva a incorrer em uma “apostasia implícita” dado que não se pode reconhecer um Estado que se atribui caráter messiânico sem renegar o Messias, Jesus Cristo, e o papel ordenador de sua Igreja Católica – a ela é que cabe o papel de reger os povos para a salvação eterna, ela é a voz do Messias na Terra e não um  Estado Judaico.  

Evidente que há, entre os católicos, ignorantes que podem reconhecer Israel como Estado de Facto, sem levar em consideração as suas bases ideológicas e teológicas. Não cremos que seja o caso do Padre em tela. Se for o caso ele peca por imprudência – para dizer o mínimo – dado que deveria se informar melhor sobre o assunto pois que tem o papel de cura das almas. Reconhecer, ao Estado de Israel, um estatuto de direito é um pecado grave e consiste, pelo menos, em sionismo implícito.

Não somos nazistas mas católicos e como tal afirmamos a velha doutrina da Igreja sobre o assunto: o padre referido tenta, desgraçadamente, dizer que afirmá-la é "anti-semitismo" usando uma velha peça de propaganda para calar a voz dos que querem defender a verdade cristã contra pretensões israelitas de poder. Mas de nada adianta pois estamos com Deus e com a verdade e ela vencerá, ainda que seja no dia final!   


Bibliografia

BACH, H.I. – The German Jew – A Synthesis of Judaism and Western Civilization
1730-1930, Oxford University Press, Oxford, 1984 


BERKOVITS, Eliezer – “Authenticity of Being” in Judaism Transcends Catastrophe
– God, Torah and Israel Beyond the Holocaust, editado por Jacob Neusner, Vol. I,
Mercer University Press, Georgia, 1996 

DELASSUS, Henri. A conjuração anticristã. Castela, 2016. 

FINGUERMAN, Ariel – A Eleição de Israel – Um Estudo Histórico-Comparativo
sobre a Doutrina do “Povo Eleito”, Humanitas, São Paulo, 2003 


GREENBERG, Irving – “Judaism and History: Historical Events and Religious
Change” in Ancient Roots and Modern Meanings: A Contemporary Reader in Jewish
Identity, editado por Jerry V. Diller, Bloch Publishing Company, New York, 1978

PEDROSO, Francisco. Exhortaçaõ dogmatica contra a perfidia judayca feyta aos reos penitenciados no Auto publico da Fè, que se celebrou na praça do Rocio junto aos paços da Inquisição desta Cidade de Lisboa em 9 de Julho de 1713 : sendo prezentes Sua magestade, e Suas Altezas: por mandado do Senhor cardeal Nuno da Cunha de Attaide / pelo Padre Francisco Pedrozo da Congregaçaõ do Oratorio, Qualificador do Santo Officio. - Lisboa : na Officina de Miguel Manescal, Impressor do Santo Officio, & da Serenissima Casa de Bragança, 1713. 

POLIAKOV, Léon – The History of Anti-Semitism (Vol. I) – From Roman Times to
the Court Jews, Routledge & Kegan Paul, London, 1974

POLIAKOV, Léon – The History of Anti-Semitism (Vol. II) – From Mohammed to
the Marranos, Routledge & Kegan Paul, London, 1974

SAFRAI, Shmuel - “Epoca de la Misna y el Talmud” in Historia del Pueblo Judío,
editado por H.H. Ben-Sasson, Alianza Editorial, Madrid, 1988 

The Talmud of Babylonia – An Academic Commentary – editado por Jacob Neusner,
South Florida Academic Commentary Series, Scholars Press, Atlanta, 1996

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Nota sobre a greve dos caminhoneiros, Nougué e a inconsciência de certos católicos.


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O Brasil vive um caos político, moral, social, econômico poucas vezes vista em toda a sua história. Tomado por gangues políticas da pior espécie, o país sangra sob sua batuta, somada a desinformação gerada pela grande mídia que não quer que a população acorde e se una. 

A greve recente dos caminhoneiros é um momento importante para fazer uma análise geral do que está acontecendo com nosso país. No entanto, nos meios católicos, vige uma espécie de criticismo de origem claramente midiática contra a greve, vista por alguns elementos como agenda petista ou como mero egoísmo de classe dos motoristas. 

Este criticismo fica bem patente numa fala recente do professor Carlos Nougué que disse: 


O referido professor repete a lenga lenga jornalística de que tal greve seria responsável pelo caos mas, ora, o caos é anterior a mesma: 13 milhões de desempregados, violência urbana a níveis estratosféricos, trabalhadores que estão deixando de comprar o essencial para sobreviver com menos que o básico, indústrias paradas, lojas falidas, etc. Os caminhoneiros não visam o desabastecimento mas uma melhora do preço do diesel para desestrangular nossos transportes. De facto: não se pode fazer omeletes sem quebrar ovos. Que Nougué mostre- nos qual a façanha capaz de dar origem a uma omelete sem que se faça isso! Nougué inverte a realidade ao dizer que efeitos de uma crise geral são meios visados conscientemente. Inverte ainda mais quando fala de "país ainda mais falido" quando ignora que sem custeio de combustível e energia podemos parar. O país não pode se limitar a pagar dívidas: deve estimular crescimento ainda que o governo só possa fazer isso timidamente, é preciso voltar a investir, e a desoneração do diesel passa por isso; sem investimentos é que o pagamento da dívida ficará impossível. Há um caso recente que mostra que, sem subsídio a combustível, não há crescimento! A Malásia, que passou a subsidiar 30% da gasolina e do diesel, puxou seu recente crescimento assim. Nos últimos dois anos isso trouxe aumento dos gastos públicos mas, por outro lado, ajudou o país a reduzir sua dívida pública em dois bilhões ( https://pt.tradingeconomics.com/malaysia/government-debt-to-gdp) . Segundo o diretor da UHY, Eric Waidergorn, em pesquisa recente, “enquanto o governo da Malásia perde uma grande quantidade de dinheiro por ter um subsídio aos combustíveis, ele argumenta que faz tal contribuição para ajudar no crescimento do PIB do e que está disposto a aceitar a perda. Isso poderia ser um estímulo para o pensamento do governo brasileiro“. O preço dos combustíveis influencia diretamente o custo dos bens de consumo e alimentos no Brasil, uma vez que 60% da produção industrial nacional é transportada por rodovias.

Mesmo que a gestão da dívida seja posta em primeiro plano há que dizer que o Brasil só retomará investimentos puxando a produção. E isso só com subsídio do Estado, já ensinava Keynes. Numa crise as forças de mercado tendem a estagnar a economia. Isso é facto histórico indiscutível. Com uma economia parada é que ninguém paga dívida nenhuma. A leitura dos factos é uma só: de um lado há quem defenda o neoliberalismo de Temer e seus preços flutuantes e doutro há quem queira a retomada do papel indutor do estado na economia, subsidiando uma área estratégica - dos transportes - levando o país a sair aos poucos da lógica perversa em que foi lançado a dois anos - sem nenhum resultado consistente na geração de empregos. A opção é entre ficar refém da dívida ou tentar ajustar aqui e ali para puxar a produção.

Sobre tal situação consideramos que a fala do amigo Lucas Muniz Hadade foi a melhor leitura do que está acontecendo agora: 

"Empresariado nacional e trabalhadores brasileiros VS Burocratas vendidos e especuladores internacionais

A greve dos caminhoneiros tem, obviamente, a articulação e o apoio das transportadoras, do patronato - por isso é tão eficiente. Tudo isso mostra que a cooperação entre classes é muito mais forte e intimidadora aos burocratas e especuladores internacionais que a "luta de classes" - não à toa essa última sempre foi fomentada pelo grande capital especulativo, vide a história das revoluções.

De um lado está a força produtiva nacional (transportadoras e caminhoneiros); do outro estão os burocratas e especuladores internacionais (políticos financiados por carteis bancários, agentes da usura que ganham dinheiro com juros e também precificando moedas e ações, gente que nada produz). Uns querem nossa petrolífera servindo a quem produz, a quem usa dos insumos produzidos para agregar valor transportando bens e prestando serviços; outros querem apenas o produto sendo vendido a preço de mercado internacional para que possam tirar dividendos de negociatas.

A grande mídia, em especial a Globo, já divulgou uma notícia falsa que houve acordo, quando não houve. Já há colunistas criticando a participação da classe patronal chamando tudo de "locaute". Pois eu digo que o empresariado brasileiro do setor de transporte e seus funcionários estão de parabéns por darem aula do que a cooperação entre classes pode fazer.

Escolham seus lados."


Alguns católicos que fizeram críticas a esta greve devem lembrar do Solidariedade da Polônia que em 1989 parou o país por meses, fechando inclusive linhas férreas, montando milícias operárias e tudo com apoio de João Paulo II. O governo ficou tão desesperado que teve cortar as linhas telefônicas para impedir a articulação. Devem lembrar também dos Cristeros que, sob a liderança do padre Vega, mataram 51 civis dum comboio do governo; devem se lembrar de Victoriano Ramirez, um dos chefes Cristeros, que matou 14 sujeitos que haviam sido contratados para matá-lo. A brigada Cristera de Zapopan roubava armas, provisões e dinheiro para suster a frente de batalha. Assim como não há maquiavelismo algum aí,  não teve maquiavelismo algum na greve dos caminhoneiros. Eles deixaram passar caminhão que visava forças armadas, hospitais e serviços essenciais. A pauta do diesel - pouco interessa agora se ela de início foi uma pauta só de uma classe ou não - mostrou sua capacidade de unir pessoas de diversas classes numa unidade nacional contra três inimigos: o governo Temer, o legado petista e o globalismo financeiro. Evidente que a mídia não poderia deixar isto acontecer. Ela precisava inventar que agora vai faltar comida - como se estivéssemos comprando tudo a preço baixo e como se todo mundo não tenha deixado de comprar muita coisa nestes últimos anos - e que o caos se instalará como se 13 milhões de desempregados já não fosse o caos. Infelizmente - aí sim infelizmente - muitos católicos se deixaram levar por este discurso mentiroso e farsesco da mídia. 


O advogado Roberto Cavalcanti, deu, a nosso ver a melhor caracterização deste cenário midiático: 

"Na mídia corporativa entra em cena o ingrediente emocional: falta de medicamentos, carências nos hospitais, tudo, enfim, por causa do movimento dos caminhoneiros. Porém, nada disso é novidade na estrutura da saúde pública de nosso país. Eu reforço, então, com um solene "CENSURADO"! O movimento deve continuar a estrangular a população, conduzindo-a não contra o caminhoneiro, mas contra o verdadeiro inimigo: o Governo Federal. Deve ser declarada GUERRA TOTAL ao Governo Federal, e em todo tipo de GUERRA o elemento "SACRIFÍCIO" é FUNDAMENTAL. Em toda GUERRA há baixas, e essa GUERRA é legítima! Este sacrifício, aliás, nos ELEVA como seres humanos. A cultura de paz, que é o que a Rede Globo mais quer, nos torna passivos e auto-suficientes. A cultura de guerra fomenta um comportamento ativo e solidário entre membros de um mesmo povo, a ponto de nos vermos como elos de uma mesma cadeia."


Senhor Nougué! Não é maquiavelismo! É sacrifício em prol dum bem maior.