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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

As mentiras de Gugu sobre o Catolicismo



Luiz Gonzaga de Carvalho, filho de Olavo e guru esotérico, mente sobre a Igreja Católica.


Pontifica Luiz Gonzaga de Carvalho Neto, vulgo Gugu, a.k.a. Sidi Ahmad, astrólogo errante que já viveu numa penca de cidades brasileiras e na Romênia, vez ou outra dando cursos de religião comparada inclusive aos católicos - sob indiferença ou omissão da "ortodoxia combativa" de seu pai que já teorizou sobre excomunhões e interditos nos quais teriam incorrido (segundo ele) cardeais e até o papa:
"Qualquer padre de ESQUINA na Igreja Ortodoxa, se perguntado: 'por que que a gente tem que ter essa religião aqui', responde 'é simples, meu filho, você tem essa religião pra você realizar um processo que se chama THEOSIS, deificação; você vai fazer isto, isto, isto e aquilo pra você participar da vida divina até atingir a perfeição espiritual.' É perfeitamente claro.
No Ocidente, eu não sei por que, a religião cristã como que se AFEMINOU. Ela virou um discurso de uma novela de amor, é uma história de amor escrita por mulheres para mulheres. As pessoas vão à Igreja no Ocidente para obter experiências emocionais, pedir ajuda, se sentir bem, 'hmmm...', percebe? Mas isso não é o projeto cristão. Se você olhar até a Idade Média, todo mundo sabia que cristianismo não era isso!
Entra numa igreja ortodoxa e pergunta para um padre ortodoxo o que é o cristianismo e por que você deve fazer aquilo. Ele vai te dizer exatamente assim: 'é assim, assim, assim, por causa disso, disso, disso, e o propósito desse negócio é você obter a natureza divina.'
A Igreja Ortodoxa é a única igreja em que a população masculina equivale à população feminina. A única igreja em que os homens vão é a Igreja Ortodoxa. Porque ela não é apenas esse discurso emocional diluído que se tornou a Igreja no Ocidente, onde todo mundo vai à Igreja para aplaudir, pra se sentir bem, pra sentir que Deus te ama e você ama a Deus... Para a maior parte dos homens, isso soa mais ou menos como conversa fiada, papo furado, bobagem. Se tem uma coisa que homem não gosta é quando ele percebe que alguém está tentando manipular as emoções dele, e é geralmente isso que se faz na maior parte das igrejas no Ocidente."
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É verdade que houve uma feminilização - mais espiritual que propriamente comportamental - da sociedade como um todo e também dos leigos e da hierarquia eclesiástica da Igreja Latina.
No entanto, a virilidade católica é um artigo que pode ser encontrado em não poucos meios, mesmo na "Igreja Conciliar" de alguns lugares como a África ocidental, Filipinas, Hungria, Lituânia e Polônia. Sem falar na pujante "Igreja do Silêncio" que está nas catacumbas da China e de outras tiranias vermelhas residuais do Sudeste Asiático e do Extremo Oriente.
Além delas, há as igrejas católicas sui iuris cujas sés primaciais estão no mundo eslavo ou no Levante, mas cujo rebanho de fiéis (diasporizados, "autóctones" ou neoconvertidos) no Ocidente, além de numeroso e crescente, é cada vez mais percentualmente representativo dentro dessas igrejas particulares, o que tende a sepultar de vez certo viés de "capelania étnico-tribal" ainda conservado e entranhado nas igrejas cismáticas "ortodoxas" - tão supostamente mais bem preservadas da corrupção do "Ocidente liberal" quanto mais estáticas e mumificadas no orgulho da própria sofisticação, satisfeitas demais com a "Igreja do primeiro milênio" a ponto de não poderem se dar conta das almas de todas as gerações, estamentos e etnias que não tenham testemunhado desde o berço o esplendor da "Lux Orientalis". No entanto, é de justiça dizer que faz-se hiato a esse narcisismo eclesial triunfalista e acomodado sempre que as demandas dos poderes terrenos queiram usar a pretensa autoridade eclesiástica "ortodoxa" para sanar os desarranjos culturais internos de sociedades indóceis ou imprestáveis à ambição desses poderes, ou ainda, para aliciar deslumbráveis e desiludidos dos países estrangeiros hostis ou desconfiados de tais poderes. Eis aí súmula da "igreja" celebrada pelo Gugu e por ele colocada como modelar para a Igreja Católica.
Ah, permitam-me espichar esse parêntese (não tão parêntese agora) sobre essa questão da idoneidade do cristianismo crido e ensinado por católicos e "ortodoxos": por pior que de fato esteja, a Igreja Católica conserva os poderes de seu Divino Fundador e dos Apóstolos e pode deliberar conclusivamente em concílio acerca de suas perplexidades - como feito em Trento, por exemplo. Na falta de um tal debate, o desenlace dele pode ser protelado indefinidamente até sem prejuízo duradouro e inclusive ordinariamente substituído pelo juízo monocrático apenas aconselhado do papa. Já os cismáticos não demonstram poder fazer isso faz quase mil anos e não podem e/ou não querem dar assentimento a uma instância permanente de arbitragem e deliberação que supra ou substitua a falta de um concílio dogmático, de modo que deveriam admitir alguma das seguintes proposições:
- o poder dos Apóstolos deixou de existir entre os cristãos remanescentes
- o poder dos Apóstolos é supérfluo, desnecessário ou inútil na vida corrente da Igreja,
- o poder dos Apóstolos só age dentro da vida corrente da Igreja servindo-se da espontaneidade ou da correlação de forças de seus membros, sem a possibilidade de mediação por uma inteligência institucional jurídico-burocrática perene e visível a arbitrar disputas e a sanar dúvidas
- a mediação de uma inteligência institucional jurídico-burocrática intrínseca e visível obstaculiza e até impossibilita as operações do poder dos Apóstolos na disciplina e no esclarecimento da Igreja, o que torna a situação atual (misto de dúvida, disputa e estagnação) preferível às definições e ao desenvolvimento trazidos por um concílio dogmático ou pelo papado
- não há cristãos remanescentes que possam usar o poder dos Apóstolos
- tal poder continua a existir mas escapou das mãos dos "ortodoxos" (quem sabe para as mãos de novos guardiões do Evangelho, ou até para as mãos de propositores de um "novo Evangelho" ora ignorado ou ainda por vir ...)
- o poder dos Apóstolos está aquém da plenitude na Terra sem um papa correligionário, o qual só poderia ser dado aos crentes nos dias de hoje com a ereção de um novo papado cuja sede e ocupante ainda não foram (se é que poderiam ser) acordados entre os "ortodoxos", o que TALVEZ pudesse acontecer na conclusão dos trabalhos de um concílio cuja qualificação dogmática teria de ter reconhecimento unânime entre tais crentes, concílio esse que aparentemente não estão em condições de reunir ou de concluir
- o poder dos Apóstolos só serve para exercer uma taxidermia eclesiástica reativa a Roma, e mesmo assim incapaz de produzir uma contestação ampla, cabal e unívoca capaz de sistematizar uma doutrina vinculante respaldada por medidas jurídicas, políticas e pastorais coerentes e sinérgicas contra os erros supostamente levantados desde o Vaticano, tornando assim a "Ortodoxia" um clube de queixosos (quanta virilidade, Gugu!) e de (olha que ironia!) protestantes
- o poder dos Apóstolos continua onde sempre esteve e estará: na Igreja Católica Apostólica Romana, assistida de forma integral pelo Divino Espírito Santo, de modo que só isso explicaria que a Roma ébria de liberalismo e modernismo é salva de si mesma sempre que se esforça para destruir a moral, a disciplina, a liturgia e a espiritualidade sustentados por séculos entre o povo fiel.
Portanto, antes que queiram renovar seus resmungos anti-romanos, os "ortodoxos" deveriam se dar ao trabalho de uniformizar (mediante um concílio com começo, meio e fim cujas conclusões sejam vinculantes e aceitas por todos eles) o entendimento e a aplicação correntes da doutrina do primeiro milênio de cristianismo e responsabilizar e penalizar de forma direta todos os culpados pelos desvios introduzidos pela "Roma novidadeira" que alegam detestar. Até lá, que tratem de ficar quietos - ou de fazer o "mea culpa" pela propagação de supostas heresias que se eximem de condenar com os meios mais eficazes hipoteticamente disponíveis - ou seja, o tal concílio de que falei ou um papado confiável e de reta doutrina restabelecido pelos verdadeiros crentes. Podem ir brincar de headbangers lá no Muro das Lamentações com os deicidas ...
Findo esse parêntese extenso, e considerados os casos talvez ainda promissores dessas igrejas particulares isoladas e precarizadas da recensão do Novus Ordo ou a ela subservientes, há ainda que se considerar também a reserva de espiritualidade varonil dos contingentes cada vez maiores e mais combativos do pessoal ligado à antiga liturgia latina - frequentada até mais pelos homens que pelas mulheres, e mais pelo destemor dos jovens que pelo saudosismo dos velhos.
No mais, que o Gugu trate de abandonar o sincretismo e o ecletismo tariqueiro antes que a barba dele fique completamente chamuscada pelos miasmas sulfúricos do Inferno, miasmas esses que já o estão deixando com a aparência de alguma coisa que lembra a hibridização da Marina Silva de porre com o Schuon usando Jequitilt. Até que ele desista de ser o Seu Madruga sufi que pensa que é a Bruxa do 71, é bom também que ele dê uma melhorada na acurácia das previsões astrológicas com as quais ele cativa elementos que tem mais dinheiro que juízo ou memória. Afinal, não são todos que se esqueceram do mapa astral por ele confeccionado no qual era vaticinada a vitória de Ciro Gomes nas eleições presidenciais de 2002.

Autor: Victor Fernandes. 


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Olavo "Lutero" de Carvalho

 Olavo mentiu para mim: Episódio 3!







Todos sabem que Olavo se jacta de ser católico mas todos sabem, também, que várias de suas falas destoam, radicalmente, do ensino magisterial da Igreja Católica. 

Mais uma vez o mago de Campinas mostra seu enorme compromisso com a ortodoxia romana ao postular uma doutrina estranha sobre a salvação, pois vejamos: 







O que Carvalho diz, é próximo demais da visão forense de salvação, postulada por Lutero. O heresiarca alemão, responsável pelo movimento protestante, aduzia que a salvação viria somente pela fé, sem a necessidade de obras. O que Olavo assevera não é exatamente isso mas é próximo, muito próximo disso. Segundo Lutero, como somos pecadores e, mesmo depois da atuação da graça em nós pela fé, continuaremos a sê-lo( Lutero identifica pecado e concupiscência; na teologia católica concupiscência é apenas tendência ao pecado) então não poderemos entrar no céu senão por um decreto judicial da parte de Deus: Cristo nos cobrirá com o "manto da justiça" e o Pai, ao invés de olhar para nosso interior pecaminoso e impuro, olhará para o manto de Cristo, onde estão cravados seus méritos. Mesmo impuros, entraremos no céu por conta duma salvação puramente externa, jurídica, fiducial. 

Olavo diz quase o mesmo na primeira postagem: se nossas obras não forem suficientemente marcadas pelo amor de Deus e estiverem enxameadas de impurezas e de amor desordenado às criaturas, então Cristo usará essa má imitação dele por nós, contra os demônios, para nos salvar. Segundo Carvalho até aos demônios repugnará tal decisão arbitrária de Cristo que, mesmo sabendo de que o imitamos mal - o que equivale a dizer que não o imitamos -  nos dará a salvação sem mérito sobrenatural de nossa parte (ou seja, sem que estejamos imbuídos de obras de caridade, de amor  a Deus). Na postagem seguinte a coisa piora; ali ele tenta conciliar duas teses contrárias: a de que somos salvos só pela fé e a de que a fé sem obras é morta; a confusão é total pois quando São Paulo diz que o "justo viverá pela fé" não aduz que a pura fé, a pura confissão de Cristo, basta para a salvação. A argumentação de São Paulo na mesma epístola aos Romanos, onde fala de que o justo vive pela fé, mostra claramente que a fé de Abraão foi operativa: por que ele creu, agiu e ofertou o filho a Deus. A fé leva às boas obras. Essa contradição entre fé e obras só existe na insanidade herética dos protestantes, jamais no interior da doutrina católica. Ademais, a repulsa de São Paulo a certas obras, como via de salvação, se refere às obras antigas, às observâncias da antiga lei e não dos mandamentos da nova lei, trazida por Nosso Senhor Jesus Cristo.  Portanto, Olavo parte de uma premissa protestante, de um pressuposto luterano fundado num falso problema e numa irreal oposição entre salvação por fé e ou por obras, para avaliar a questão da redenção. 

A seguir o bruxo da Virgínia admite que o bem que fazemos não serve à nossa salvação mas apenas serva  para que Deus tenha um "pretexto" para nos salvar. Mais uma vez a heresia luterana se insinua. A doutrina católica admite que sem fé é impossível agradar a Deus mas entende, igualmente, que as obras nos mantém na graça, pois fomos salvos para praticar o que é bom; outrossim o homem, sem a graça, nada pode fazer de bom; a posição católica é clara: a fé nos redime pela graça e nos dá os meios sacramentais necessários para que façamos o bem que agrada a Deus e sem o qual não podemos ser salvos pois nada de impuro pode entrar no céu. Como diz o catecismo tridentino: 

“[…] Tudo atribuindo à Sua bondade [de Deus], agradecemos sem cessar Áquele que nos comunicou o Seu Espírito, por cuja valia nos encorajamos a chamar "Abba, Pai!". Depois, consideraremos, seriamente, o que nos toca fazer, e o que nos toca evitar, a fim de conseguirmos o Reino do céu. Com efeito, Deus não nos chamou para a inércia e preguiça, porquanto chegou até a dizer: ‘O Reino do céu cede à violência, e são os esforçados que o arrebatam’ [Mt 11,12]. E noutra ocasião: ‘Se queres entrar para a vida, observa os Mandamentos’ [Mt 19,17]. Por conseguinte, aos homens não lhes basta pedirem o Reino de Deus, se de sua parte não houver zelo e diligência para o alcançar; precisam pois, colaborar vigorosamente com a graça de Deus [1Cor 3,9], e manter-se no caminho que conduz ao céu” [ Catecismo Romano. Edições Serviço de Animação Eucarística Mariana. Tradução de Frei Leopoldo Pires Martins, O. F. M. Pg 526-527.]


 A tese do "pretexto" é semelhante à da redenção judicial de Lutero pela qual alguém é salvo apesar de suas más obras, ou apesar da insuficiência de caridade de suas boas obras, por um decreto divino que usa o manto de Cristo como pretexto jurídico. Comparem a afirmação de Lutero à de Carvalho: 

“Se és um pregador da graça, então pregue uma graça verdadeira, e não uma falsa; se a graça existe, então deves cometer um pecado real, não fictício. Deus não salva falsos pecadores. Seja um pecador e peque fortemente, mas creia e se alegre em Cristo mais fortemente ainda…Se estamos aqui (neste mundo) devemos pecar…Pecado algum nos separará do Cordeiro, mesmo praticando fornicação e assassinatos milhares de vezes ao dia” [Carta a Melanchthon, 1 de agosto de 1521 - American Edition, Luther’s Works, vol. 48, pp. 281-82, editado por H. Lehmann, Fortress, 1963]

Embora haja uma diferença de tom e forma, em termos de conteúdo as alegações de Lutero e Carvalho são substancialmente próximas. 

Quem tiver olhos que veja: Olavo mentiu. Olavo não é católico. 







terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Francisco, o "Papa Angélico": A heresia joaquimista sentada no trono petrino





Ignazio Silone - italiano, escritor do livro " A aventura de um pobre cristão", sobre o Papa Celestino V, que reinou sobre a Igreja no fim do século 13 - desenvolveu na obra supracitada uma narrativa histórica sobre a tensão entre a liberdade individual e o poder da instituição. O livro traça o contexto da época, que foi um tempo conturbado. Depois da morte de Nicolau IV, em 1294, duas famílias romanas - os Colonna e os Orsini -  passaram a disputar o Papado. Transcorreram suspensões do conclave, surtos de peste, revoltas em Roma, etc. A igreja ficou 27 meses sem Papa. Em 1296 o rei de Nápoles invadiu o conclave e obrigou os cardeais a elegerem alguém. Pedro Morrone, monge idoso, foi eleito e virou o Papa Celestino V.  

Celestino V tinha passado a vida organizando sua comunidade monástica. Pouco entendia da organização burocrática dos estados pontifícios. Para fugir da Cúria transferiu a sede apostólica para Nápoles. Pressionado pelas ambições reais e da cúria romana, Celestino renunciou perante os cardeais, após três meses e voltou a sua vida de penitência. Em seu lugar subiu ao trono pontifício Bonifácio VIII. 

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Ignazio Silone
A eleição de Celestino foi recebida com expectação na época. Durante o século 13 as teses do monge calabrês, Joaquim de Fiore, ganhavam adeptos em várias frentes. Fiore ficara famoso por suas idéias referentes a um esquema triplo de desenvolvimento da história: haveria três eras, a primeira, do Pai, marcada pelo antigo testamento; a segunda, a do Filho, marcada pela prevalência da Igreja Católica e a terceira, a do Espírito Santo, que substituiria a Igreja Hierárquica por uma nova Igreja, pobre, espiritual e sob liderança dos monges. As heresias mais violentas, em termos de tentativa de derrubada da ordem eclesiástica e social da cristandade tiveram relação com as doutrinas joaquimitas. Os primeiros a serem contaminados pelos erros joaquimitas foram os chamados Espirituais Franciscanos, depois os Pseudo-apóstolos, os dolcinianos, etc. 

Sobre as heresias dos espirituais franciscanos - uma facção do franciscanismo que seguia o joaquimismo - é importante notar algumas delas como as seguintes: 

- O Anticristo viria em 1248, - marcaram-se, depois, outras datas - e ele seria o Imperador Frederico II., ou um Papa. 

- Haveria um grande castigo  no qual a maior parte dos homens seria eliminada. Mesmo boa parte dos frades franciscanos seria eliminada, sobrevivendo apenas um pequeno resto, que formaria o reino do Espírito Santo.

- Este reino espiritual seria o dos monges, que substituiria a ordem dos sacerdotes. Viria um grande Papa - o "Pastor Angelicus", que vários Papas pretenderam ser - e um grande Imperador que instaurariam o reino do Espírito Santo.

- Assim como a Igreja substituíra a Sinagoga, haveria uma Nova igreja espiritual, igualitária (sem hierarquia) e pobre, sem nenhuma propriedade, que substituiria a Igreja dotada de poder e riqueza. 

-  A lei de Deus seria abolida, sendo instaurada a lei do Amor.

O Papa Celestino conhecia os espirituais franciscanos, e os recebeu com benevolência quando ascendeu ao pontificado. Ouviu as suas queixas e os atendeu; desligou-os de toda obediência com relação à Ordem Franciscana, e autorizou-os a viver nos eremitérios para ali observar a Regra e o Testamento de São Francisco; deu a esse novos Eremitas o nome de Pobres Eremitas, e os colocou sob a proteção do Cardeal Napoleão Orsini. 

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Celestino V


Silone caracteriza Celestino V como um "homem que ignorava a grandeza politica da cristandade". Opondo-se a mentalidade do mesmo teríamos o Cardeal Caetani, futuro Bonifácio VIII, o homem da cúria. A Celestino V repudiava o fato de que a Igreja estivesse organizada como um poder. A Caetani era perfeitamente compreensível que ela fosse um poder, sendo ela não mais um pequeno rebanho, como outrora nos tempos apostólicos, mas uma comunidade supranacional, a maior do mundo. Celestino V queria e acreditava poder governar a Igreja apenas com o pai nosso. Caetani sabia que isto não era suficiente. 

Celestino pensava ser a ambição do poder, o desejo de mando, o problema essencial das relações humanas. Diria o mesmo: " Servir-se de poder? Que ilusão traiçoeira. O poder é que se serve de nós. O poder é como um cavalo difícil de governar.Ele segue seu próprio caminho ou, melhor dito, o que ele consegue seguir. Não se pode exigir que um cavalo voe. É necessário dar-se por contente quando se permanece sobre a sela". O poder é a fonte do mal: " a fonte de todos os males da Igreja encontra-se na tentação do poder", dirá Celestino; ele irá asseverar que "ambição e fome de poder são uma espécie de possessão diabólica que corrói a alma, abala-a, perde-a. Também quando procuramos o poder com boas intenções. A tentação do poder é a mais diabólica na qual o homem pode cair. Satanás provou com ela o próprio Cristo. E o que não conseguiu com Cristo obteve com seus representantes. Esta tentação é mais perigosa que a dos sentidos e ela sucumbem muitos varões castos".

A consequência lógica da mentalidade de Celestino V era aquela que Silone soube retirar com clareza em sua obra: "é impossível ser papa e ser um bom cristão". 

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Joaquim de Fiore anunciava a vinda de dois anjos ou mensageiros de uma nova era para o mundo, e a de um papa angélico, parecido com a "pomba de Noé' que prenunciava a vinda de um novo tempo. Os contemporâneos do século 13 viram em São Francisco e São Domingos, os dois anjos e, em Celestino V, o papa angélico. Uma visão milenarista dominou as mentes no século 13 e 14. Os espirituais franciscanos viam Celestino como aquele que iria conduzir a humanidade aos tempos da Igreja primitiva e, quiçá, aos primórdios da humanidade quando ainda não havia entrado o pecado. Chegava ao fim a Igreja da Lei, nascia a Igreja do Espírito, pensavam. O reino de mil anos começaria.

Estes impulsos milenaristas decorriam, indiretamente, da novidade franciscana e mendicante. O ideal de pobreza, juntamente com outros conselhos evangélicos, estava  virando o símbolo da revolução. São Francisco com sua tônica na nova dimensão da pobreza trouxe a irrupção de novas forças. A vida em conformidade com Cristo é conformidade com o sofrimento de Cristo, não com Cristo-rei em sua glória. São Francisco criou uma forte identificação entre Cristo e o pobre, os humildes e sofredores. Mas o Cristo dos pobres não é o Cristo da hierarquia sacerdotal e régia, nem a cabeça do corpo místico de Cristo - a Igreja - e da humanidade. A evocação de São Francisco, de certo modo, desestabiliza a ordem social medieval baseada no poder de duas ordens (clero e nobreza) como funções do corpo social. E a idéia de Igreja dos Pobres terá consequências históricas impressionantes. Muito da retórica protestante anti-romana nasce da acusação contra o poder do Papa como um poder mundano, como um símbolo do anticristo; o mesmo diga-se das acusações lançadas contra a Igreja Católica pelos cismáticos orientais - ditos ortodoxos - bem explicitada no poema do Grande Inquisidor de Dostoiévisk que diferenciava o apelo de Cristo a liberdade pessoal do homem em face à inquisição e ao poder da Igreja; para Dostoiévisk o Catolicismo buscou "corrigir" a obra de Cristo que teria vindo a terra para que os homens amassem e cressem em Deus por causa de Deus e não por causa dos milagres, para que os homens tivessem fé não por causa da autoridade mas por convicção livre; para o escritor russo o Catolicismo se funda num pragmatismo político em face da humanidade, numa descrença de que se possa levar os homens a Cristo sem fazer uso do poder, da lei, etc. Dostoiévski afirma que, então, o Catolicismo é a negação do Cristo dado que ele teria apelado a pura liberdade espiritual do homem. Dentro destes enfoques, no que eles tem de comum, a ilação lógica é simples: o catolicismo deve ser superado e uma nova Igreja deve surgir. 

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É justamente aqui que entra a figura do Papa Francisco. Façamos um breve histórico. 

O nome Francisco para o novo Papa já vinha sendo defendido pela ala progressista antes do conclave que elegeu Bergoglio. E, ao defender o nome que o Papa devia assumir, defendiam também um programa : "Deponho esta férula de prata: como diz Marcos, não levem para a viagem nada mais do que um bastão. Deponho este chapéu anacrônico: mais do que um pastor, ele me mostra como um sátrapa oriental". Ele se desfolha como uma cebola: do anel de zafira, da cruz de ouro maciço, dos paramentos "luxuosos que deveriam render glória a Deus e se tornam ofensa para os pobres"( http://www.ihu.unisinos.br/noticias/518273-a-hora-impossivel-de-um-papa-francisco-i)

O trecho supracitado é da obra do padre Paolo Farinella que viveu em Jerusalém e que foi amigo do Cardeal Martini. Em 2000, publicou o romance "Habemus Papam, Francesco I", que seria um papa da "caridade e comunhão". Isso demonstra que houve, nos subterrâneos da Igreja, uma conspiração para que este pontificado de Francisco, eleito para cumprir um papel pré-definido, acontecesse. Francisco foi eleito para fazer o joaquimismo sentar-se no trono de Pedro.

Logo após a eleição, Francisco fez questão de romper, de certo modo, com a cúria romana indo morar na Casa Santa Marta. Um gesto parecido com o de Celestino V que foi viver em Nápoles, longe da burocracia pontifícia.( http://www.acidigital.com/noticias/o-papa-francisco-explicou-por-que-mora-na-casa-santa-marta-95263/). 

Ao invés do tradicional anel de ouro, usado pelos papas para designar sua excelsitude enquanto sucessor de Pedro, Francisco adotou o anel de prata( http://veja.abril.com.br/mundo/papa-francisco-usara-anel-de-pescador-de-prata/).

Francisco, por estas e outras, encarna a velha idéia do "Papa Angélico".

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Voltemos a Silone, autor do livro sobre Celestino V. Ignazio Silone fora militante do PCI - partido comunista italiano. Tendo virado secretário geral do PCI, tornou-se membro do Komintern tendo ido várias vezes a URSS na década de 30. Nestas viagens ficou decepcionado com o regime stalinista e seu sufocamento das liberdades, sua imoralidade, crueldade, etc. Em 1937 ele escreveu um romance na Suíça onde manifestou seu descontentamento com o comunismo. Na obra tocara na possibilidade de subistituir o fascismo pelo comunismo, na Itália; o personagem principal do romance, um comunista dissidente, perseguido por Moscou, que se fantasia de padre para sobreviver, afirma que de nada valeria trocar fascismo por comunismo pois seria o mesmo que trocar a inquisição negra pela vermelha, e que o socialismo burocrático, assim como o fascismo, iria perseguir sem piedade todos os que se atrevessem a pensar de forma livre. Silone foi um dos primeiros pós-marxistas, que abandonando o modelo soviético, continuava a crer na utopia. No livro que escreveu sobre o papa Celestino V a idéia era recuperar a utopia, sob novos moldes. Silone acreditava que uma síntese entre o melhor do cristianismo e o melhor do comunismo seria a base para esta nova utopia: ela seria baseada num sentimento cristão de fraternidade e numa inclinação para com os pobres e fracos; com isso se salvaria a essência do cristianismo - presente no Pai Nosso -  e do socialismo. Cristianismo visto como reino da fraternidade universal e não como religião institucional e dogmática; socialismo como mística do homem e da humanidade e não como burocracia. Um novo socialismo cristão: era nisso que Silone pensava. 

E não é nisso que Francisco pensa? 

Não é isso que Francisco tenta realizar quando chama o MST a Roma? ( http://www.mst.org.br/2016/11/04/joao-pedro-stedile-comenta-encontro-dos-movimentos-populares-com-papa-francisco.html)

Não é isso que Francisco postula, uma nova era de fraternidade universal, sem base na fé católica, mas num ideal genérico de direitos humanitários quando vai a ONU discursar sobre o papel dos governantes no combate a pobreza, sem referência aos seus deveres quanto a reconhecerem o reinado de Jesus Cristo e o poder de sua Igreja na terra? (http://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/discurso-do-papa-francisco-na-onu/). 

Não é a destruição da Igreja da lei, dos canônes, a Igreja da ordem, para dar lugar a nova Igreja do Amor, que Francisco tenta realizar, ao relativizar postulados eternos, abrindo espaço para este humanitarismo socialista-libertário?(https://fratresinunum.com/2016/11/14/bombastico-cardeais-divulgam-carta-e-questionamentos-sobre-amoris-laetitia-que-francisco-se-negou-a-responder/)

Não restam mais dúvidas de que Francisco é o eixo do neo-joaquimismo, dos delírios milenaristas heréticos que acreditam poder recriar o paraíso perdido nesta terra de exílio, com base numa síntese diabólica entre catolicismo e o reino deste mundo, representado pelos poderes e movimentos globais atrelados ao humanismo progressista, ao socialismo liberal, e ao ideário maçônico da Religião do Homem, Homem entronizado no lugar do Deus Trindade, Homem que se assentará no Trono de Deus para ser adorado no lugar dele.

Rafael G. de Queiroz. 


Referências bibliográficas

Boni, Luis Alberto. De Aberlardo a Lutero; estudos sobre filosofia prática na Idade Média. EDIPUCRS, Porto Alegre, 2003. 

Silone, Ignazio. L' avventura d'un povero cristiano. Milano, 1968. 

Souza, J. A eleição de Celestino V em 1294 e a crise da Igreja no final do século 13". In: Veritas 39(1994), n.155, p 481-498. 

sábado, 29 de outubro de 2016

Por que é mentira que Lutero deu a Bíblia ao povo? Desconstruindo a mais nova falácia de Bergoglio!

Mais uma vez o Papa se mostra amigo dos hereges luteranos que fenderam a cristandade em 1517. A quem serve este papa que se posiciona frequentemente contra o parecer milenar da Igreja Católica? 
O Papa Francisco, empenhado que está em promover um ecumenismo a qualquer custo com os pérfidos seguidores do heresiarca de Wittenberg, afirmou que Lutero teria levado a Bíblia às pessoas, repetindo assim um velho chavão consagrado por uma má historiografia que insiste em dizer que antes de Lutero a Bíblia era inacessível. O cerne da acusação é que Lutero teria sido o primeiro a traduzir a bíblia para a língua vernácula, coisa que, segundo os críticos, a Igreja Católica jamais teria feito; para os adversários da catolicidade a Igreja agiu assim com o fim de impedir ao povo o acesso as santas escrituras. Nada mais falso. Explicamos. 

Antes da Bíblia de Lutero já havia traduções da mesma para o vernáculo, feitas por católicos. 

Entre 1445 e 1520 75% das obras produzidas em tipografias eram religiosas o que inclui aí a Bíblia Católica (Janssen, J. Geschichte des deustchen volkes seit dem Ausgang des Mittelalters. Freiburg-im-Breisgau, 1878, p.10). Graças a imprensa, a Bíblia se difundiu mais amplamente entre o público que lia, desde antes da revolução de Lutero. Enumeram-se, pelo menos, dezesseis edições da Bíblia Vulgata em Paris entre 1475 e 1517 (1517 é a data inicial da reforma luterana). Na Espanha, a célebre Bíblia Poliglota de Alcalá (Em latim, hebraico e grego) estava pronta para a publicação em 1514. Em 1516, Erasmo de Roterdã publicou seu Novo Testamento. Da invenção da imprensa até 1520, houve 156 edições latinas da Bíblia(Moreau, E. La crise religieuse du XVI siécle. Paris, 1950, p.95.). 

Para aqueles que sabiam ler mas ignoravam o latim, tendo o domínio apenas da língua vernácula, a Bíblia, traduzida em língua vulgar, se tornou mais acessível como nunca antes havia sido. Desmentindo a tese de que Lutero foi o primeiro a traduzir a Bíblia para a língua do povo alemão entre 1466 e 1520 apareceram vinte e duas versões alemã da Bíblia. A primeira tradução para o italiano acontece em 1471 e a primeira versão em holandês em 1477. Em Paris o rei da França pediu pessoalmente a seu confessor Rély, que mandasse imprimir a primeira Bíblia em francês completa que foi editada em 1487. Na Espanha, uma primeira versão em castelhano foi impressa em Saragoça em 1485. Uma segunda foi publicada em 1512 em Toledo(Delumeau, Jean. Nascimento e afirmação da reforma. Ed Pioneira, São Paulo, 1989, p.77).

Segundo E, Delaruelle (Delaruelle, E. L' Église au temps du Grand Schisme et de la crise conciliaire. Paris, 1964, p.17) temos a seguinte estatística: "número de impressões antes de 1520; da Bíblia em alemão( alto alemão, baixo alemão e em holandês) - 22; da Bíblia em francês - 23; da Bíblia em italiano- 12; outras( catalã, tcheca, polonesa, russa)-6"

Logo, fica demonstrado que Francisco repete a mentira protestante quanto a terem sido eles os divulgadores da Bíblia e os responsáveis por sua tradução para as línguas vulgares. Antes disso reis católicos, bispos católicos e leigos católicos já haviam feito traduções da sagrada escritura para a linguagem do povo e, consequentemente, democratizado a acesso a Bíblia uns 50 anos antes de Lutero.

Rafael G. de Queiroz( Professor de história diplomado pela UERJ/ Docente da rede Seeduc RJ e Faetec RJ). 

Fontes bibliográficas: 

1- Delaruelle, E. L' Église au temps du Grand Schisme et de la crise conciliaire. Paris, 1964.

2- Delumeau, Jean. Nascimento e afirmação da reforma. Ed Pioneira, São Paulo, 1989.

3- Janssen, J. Geschichte des deustchen volkes seit dem Ausgang des Mittelalters. Freiburg-im-Breisgau, 1878. 

4- Moreau, E. La crise religieuse du XVI siécle. Paris, 1950. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Capitalismo: obra de satanás!






Dom Willianson

''O egoísmo não é capaz de criar uma sociedade. (...) Assim, se o capitalismo for definido, além dos termos econômicos, como uma forma de organização da sociedade em que cada cidadão tem a liberdade de produzir tanto capital (ou seja, dinheiro) quanto ele possa e deseje, então o capitalismo mostrará várias contradições. Ele tenta criar uma sociedade exigindo a solidariedade por meio do encorajamento de todos a serem egoístas.

Assim, o capitalismo só pode sobreviver enquanto os membros de uma sociedade capitalista ainda tiverem valores pré-capitalistas, como senso comum, moderação na busca de dinheiro e respeito pelo bem comum. Mas o capitalismo, tal como definido acima, não faz nada para promover qualquer um desses valores pré-capitalistas. Pelo contrário, age contra eles, como o egoísmo age contra a solidariedade. Portanto, o capitalismo é um parasita minando os valores pré-capitalistas do corpo social em que vive.

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, especialmente, todos os povos têm produzido cada vez mais dinheiro para prover conforto material, que agora preferem, em detrimento do conforto espiritual, que anteriormente dava sentido às suas vidas. Admirando e buscando dinheiro, eles ficaram felizes em deixar os homens do dinheiro se apoderarem de suas sociedades. Ainda mais admirados e buscando com mais vigor, os homens do dinheiro tomaram para si mais e mais dinheiro e poder. Afinal, que freios intrínsecos o dinheiro ou o poder têm para limitar uma busca ainda maior por eles? Nenhum. Os banqueiros se transformaram em verdadeiros gangsters.''

Dom Richard Williamson. ''Desdobramento do capitalismo'', Comentários Eleison (CLXXIX), de 18 de Dezembro de 2010

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Desconstruindo as falácias liberais: A Doutrina Social da Igreja e as leis trabalhistas!

Leão XIII inaugurou o ensino social da Igreja reconhecendo sabiamente a existência duma questão social dentro do capitalismo, o que punha os trabalhadores numa condição de grave risco público. 
"Em todo o caso, estamos persuadidos, e todos concordam nisto, de que é necessário, com medidas prontas e eficazes, vir em auxílio dos homens das classes inferiores, atendendo a que eles estão, pela maior parte, numa situação de infortúnio e de miséria imerecida. O século passado destruiu, sem as substituir por coisa alguma, as corporações antigas, que eram para eles uma protecção; os princípios e o sentimento religioso desapareceram das leis e das instituições públicas, e assim, pouco a pouco, os trabalhadores, isolados e sem defesa, têm-se visto, com o decorrer do tempo, entregues à mercê de senhores desumanos e à cobiça duma concorrência desenfreada. A usura voraz veio agravar ainda mais o mal. Condenada muitas vezes pelo julgamento da Igreja, não tem deixado de ser praticada sob outra forma por homens ávidos de ganância, e de insaciável ambição. A tudo isto deve acrescentar-se o monopólio do trabalho e dos papéis de crédito, que se tornaram o quinhão dum pequeno número de ricos e de opulentos, que impõem assim um jugo quase servil à imensa multidão dos proletários."- Papa Leão XIII, RERUM NOVARUM, número 2. 

É comum entre liberais - aqui, com o termo "liberais" classificamos todos que se ligam as teses econômicas dos liberais clássicos quanto às dos anarcocapitalistas; embora saibamos das diferenças teóricas entre estas duas correntes acreditamos que o termo "liberais" bem as define pois ambas consideram que a atividade econômica deve ser livre da interferência do Estado e dos critérios da moral tradicional, ainda que discordem no que tange ao tamanho ou papel e existência do Estado -  asseverar que sem leis trabalhistas a condição do empregado melhoraria. A falácia é bem montada nos seguintes termos: 

1- Sem encargos sociais sobre o contracheque do empregado sobrariam mais recursos ao capitalista. 
2- Sobrando mais recursos haveria mais capital disponível para investimento.
3- Com mais investimento haveria mais empregos. 
4- Logo o pleno emprego seria o resultado final
5- Com menos encargos mais pessoas empreenderiam e os patrões poderiam, até, pagar salários maiores para estimular o trabalho e o incremento da qualidade do produto final.  
6- O número de empreendimentos aumentaria; com mais concorrentes o preço final do produto seria menor e todos se beneficiariam. 

O raciocínio parece perfeito e irrefutável. Mas não é. 

O primeiro erro é considerar que a economia funciona como uma máquina; desmontar essa premissa liberal é fulcral para desconstruir toda a teorização decorrente da mesma. Os economistas do século 19 e 20 construíram modelos matemáticos e mecânicos de comportamento da economia que levam em conta alguns postulados: a idéia de que é possível equilibrar oferta e demanda, a noção de homem econômico - que age sempre em função de maximizar lucros e reduzir custos - e a de que é pertinente crer num crescimento estável e contínuo da economia. 

A premissa em tela não leva em conta que a economia é feita por fatores humanos, que ela é fruto dum conjunto de decisões humanas fragmentadas, desordenadas, desconectadas e com fins múltiplos. A crença liberal de que a mão invisível do mercado racionalizará, no fim das contas, todas estas ações em prol do equilíbrio do mercado é mais uma falácia que consiste em apostar que, do caos, pode surgir uma ordem como produto espontâneo. As recorrentes crises do capitalismo no século 19 - onde não havia regulação estatal sobre o capitalismo - prova que a tese da mão invisível não funciona quando examinamos a história e que o estado natural da economia capitalista é o desequilíbrio e uma luta contínua pelo equilíbrio teorizado pelos economistas. Logo a ciência econômica atual se aproxima muito de um utopismo que consiste em apostar num paraíso capitalista de produção e consumo. 

A economia não é uma máquina previsível porque ela é feita de homens e homens são imprevisíveis. A noção de homem econômico é uma ficção pois parte da falácia de que produtores e consumidores tem todas as informações e os meios necessários para escolher o que comprar a fim de maximizar a utilidade e o prazer - um trabalhador pobre não tem opção a não ser comprar produtos de baixa qualidade pois é o que seu salário permite(numa visão estritamente liberal, progressivamente este produto seria eliminado do mercado pela concorrência; sabemos, porém, que não é assim). Outrossim, a desconsideração dos fatores relacionais no interior do processo econômico de circulação de mercadorias, de extração de matéria prima, de produção, onde homens trabalham e interagem com outros homens, é outra falha grave do pensamento liberal; onde há relações entre homens há problemas morais - conflitos de interesses, ambições, exploração, mentira comercial, espionagem industrial, injustiças, etc - e onde há problemas deste quilate é necessário intervir estipulando princípios éticos e legais que regulem as ações econômicas em prol do bem comum. O liberalismo simplesmente ignora questões éticas e nunca levanta a interrogação sobre o que é o agir justo do patrão para com o empregado e vice versa, entre comerciantes, entre industriais, dos bancos para com os outros agentes da economia, etc. A ignorância crassa dos liberais sobre tudo isso leva-os a construir esquemas de um mundo econômico que funcionaria perfeitamente apenas com base nas leis venais da oferta e procura. 

Esclarecido isto é um erro cabal crer que empregados serão beneficiados com o fim das leis trabalhistas pelas seguintes razões:

1- É verdade que, sem encargos sociais, haveria mais capital disponível ao empregador para investir; mas nada garante que ele investiria no aumento das vagas de trabalho. 

2- No capitalismo atual vem sendo frequente o investimento pesado em otimização da produtividade o que consiste em ampliar a eficácia da mão de obra. Nesse âmbito o sistema procura fazer que, com o mesmo número de empregados, se produza bem mais que antes. Assim, nada assegura que haveria mais empregos pelo simples fato de não haver encargos que disponibilizassem capital. 

3- Se é verdade que menos encargos tornariam mais fácil a abertura dum empreendimento, não é automaticamente verdade que isso traria empregos com salários maiores. A lógica do sistema, que consiste em maximizar lucros, pode cartelizar o mercado salarial mantendo os pagamentos baixos. Sem encargos não haveria capital para suster os sindicatos. O empregados ficariam a mercê de acordos individuais de trabalho sem mediação de órgãos de representação profissional. Assim poderiam fazer pouco ou nada caso os empresários se articulassem para cartelizar o mercado salarial. 

Liberais poderiam argumentar dizendo que, aumentando o número de empreendimentos haveria mais vagas de trabalho; num quadro de manutenção da oferta de mão de obra isso exigiria o aumento salarial para segurar o trabalhador e manter a produção. Numa situação dessa haveria mais competitividade o que exigiria dos patrões uma política de manutenção da mão de obra com bons salários para poder concorrer com qualidade. Num certo sentido tal argumento faria sentido mas levemos em conta que, num horizonte de liberalismo total, não haveria encargos nem regulação estatal; logo, a competição seria amplíssima e ferocíssima num dado momento; depois deste momento ela seria reduzida pela mesma lógica da concorrência: os mais fortes e mais eficazes venceriam e dariam origem a oligopólios, sobretudo nos nichos mais altos da economia, onde o aporte de capital necessário para investir precisa ser maior. Se, num momento inicial haveria um possível aumento salarial, no momento posterior haveria queda; as empresas que tivessem sido vencidas ou desapareceriam ou iriam se especializar em atender os nichos inferiores da economia, onde a qualidade é menor e os salários pagos são pequenos. As empresas fechadas liberariam mão de obra e barateariam seu preço, reduzindo salários por efeito do aumento de sua oferta. 

Em suma: nada demonstra que o fim dos encargos e das leis trabalhistas irá melhorar a situação do empregado. Outrossim, ainda que a renda média aumentasse, a segurança diminuiria; não haveria mais aposentadoria por invalidez, por exemplo. Não haveria mais licença saúde. Em que condições ficaria um empregado que, tendo exercido seu ofício por dez anos, adquirisse uma doença incapacitante? Se numa sociedade liberal não haveria lugar para direitos trabalhistas haveria para um programa de ajuda pública aos inválidos? Evidente que não. Um programa desse exigiria impostos sobre o mundo da produção, coisa que todo liberal repudia. A única saída para o empregado seria poupar radicalmente durante seus anos de trabalho. A poupança forçada para o tempo de velhice e de uma possível invalidez, reduziria o consumo. Com redução do consumo nas faixas médias e baixas da população, teríamos um impacto profundo na produção. 

O cenário, nesse caso, seria tétrico, mesmo se observarmos a questão apenas dum ponto de vista econômico. Dum ponto de vista social seria mais que tétrico. A seguir esse caminho, veríamos a classe trabalhadora cair no "colo" dos comunistas, pesadelo de qualquer liberal. A tese dos liberais, de que o fim das leis do trabalho trariam prosperidade geral é pouco sustentável e efetivamente arriscadíssima para a sociedade. 

Rafael G. Queiroz. 





terça-feira, 2 de agosto de 2016

Papa Francisco e seu diálogo com o Islam: conexões ocultas!

Francisco, o rabino Skorka e o islamita Abboud no muro das lamentações em Israel. 







INTRODUÇÃO

Não é de hoje que Bergoglio – o papa Francisco – se notabiliza por manter boas relações com o mundo islâmico. Recentemente, durante a JMJ, mais um capítulo desta novela macabra se realizou. O pontífice negou que o terrorismo tenha a ver com a jihad islâmica. Para o mesmo o terror é resultante da pobreza, da injustiça social, etc. O Islão não teria culpa alguma. É uma religião essencialmente pacífica, segundo o parecer de Francisco. Ao mesmo tempo que insiste em considerar o terror islamita como produto de questões sociais e econômicas, fala de "fundamentalismo religioso", dando a entender que luta deve ser mesmo é contra o radicalismo e não contra os pretensos problemas econômicos que gerariam o terror. 

Ainda para Bergoglio – como ele mesmo deixou claro na entrevista dada após o fim da JMJ2016 em Cracóvia: 

Não é justo falar que o Islã é terrorista, eu não gosto de falar de violência islâmica. Senão teremos que falar também em violência católica. Na Itália, um mata a namorada outro a sogra, são católicos batizados, são violentos católicos. Em todas as religiões existem os fundamentalistas”( In: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2016/08/papa-francisco-fala-sobre-terrorismo-com-jornalistas-no-aviao-papal.html).

Para o papa a violência de um católico que, negando-se a cumprir os mandamentos de sua religião, mata o próximo, é idêntica a de um muçulmano que mata em razão de um mandamento expresso do Corão. É verdade que nem todo o muçulmano adota a tática terrorista, mas também é verdade que não é possível dissociar completamente o terrorismo islâmico de fontes alcorânicas e de uma certa interpretação do texto sagrado islamita. Todavia Bergoglio faz vistas grossas a tudo isso e deliberadamente se nega a reconhecer publicamente os problemas inerentes a fé maometana. Antes o pontífice remete a questão a um vago "fundamentalismo" que seria comum a todas as religiões de raiz abrâamica, fundamentalismo que teria que ser combatido com todas as forças. 

Um das leis básicas da História é que nada se compreende fora dum contexto mais amplo e de longa ou média duração. Assim, a atuação de Francisco no curso das relações com o Islão se explicam a partir deste contexto maior. É o que buscaremos esclarecer abaixo. 

BERGOGLIO E SUA AMIZADE COM O ISLÃO

Bergoglio costuma dizer que para ser um bom católico, antes se deve ser um bom judeu. É capaz de finalizar uma missa em um colégio católico anunciando aos presentes que vai orar com os evangélicos. Sem acanhamento, disse certa vez que gostaria que muitos cristãos tivessem o compromisso e a integridade de um amigo dele que é ateu...e hpa poucos dias pediu que os católicos se reconciliassem com os muçulmanos. Quem é Francisco? Certamente o homem de toda as religiões”( In: Himitian, Evangelina. A vida de Francisco. Objetiva, Rio de Janeiro, 2013, p. 159).

O trecho acima, de uma biografia de Bergoglio, escrita por Evangelina Himitian, pesoa bastante próxima de Francisco, deixa bem claro a natureza moral do Papa. Um homem de todas as religiões. A definição não poderia ser mais verdadeira.

Quanto a isso é importante destacar as relações de Francisco com o Islão, relações que provém da época em que era arcebispo de Buenos Aires. Estas começaram através de seu contato com Omar Abboud, presidente do Instituto de Diálogo Inter-Religioso de Buenos Aires, instituto criado por Bergoglio, Omar e o rabino Daniel Goldman – rabino que estudou Talmudismo no Hebrew Union College nos EUA. Goldman é ligado a comunidade judia Bet El que postula, entre outras coisas, um movimento neoconservador no interior do judaísmo que: 


Goldman, o rabino talmudista amigo de Francisco. 


"postula la devoción a la tradición y ley judía (masoret y halajá), con un acercamiento abierto y positivo al mundo moderno, al pluralismo y al sionismo y al estado de Israel. Es uno de los grandes movimientos religiosos que combina la Tradición con el cambio.”( In: http://betel.org.mx/index.php?pageId=45D1E796-A99C-8D98-65C4-EC476D85A74D). 

Em suma: o Bet El postula a conciliação entre tradição judaica e mundo moderno( O mesmo não poderíamos dizer de Francisco que busca uma relação cada vez mais profunda entre Igreja e Mundo?).

Quanto a Abboud, a amizade de Bergoglio com o líder muçulmano perpassa a idéia de considerar o Islão uma religião pacífica, uma tradição válida e aliada na luta pelos “direitos humanos”: 

"Bergoglio – observou Abboud – sempre denunciou com palavras muito claras e duras todo tipo de terrorismo”. “É um homem de grande cultura, com uma capacidade de análise de situações sociais não comuns. Sempre me tocou desde quando o conheço – explicou – o fato de que não é ligado à política, mas interessado em chamar a atenção da política para temas como a pobreza e a exclusão. As suas, são sempre homilias, nunca comícios. Entende o povo e não perde a ocasião para assinalar ao poder temporal os seus erros”. ( In: http://www.catolicanet.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3104%3Aabboud-o-amigo-muculmano-conta-bergoglio&catid=86%3Alista-meio&Itemid=81).

Notem que Abboud não é o muçulmano típico mas um intelectual islâmico ocidentalizado e crente nas idéias modernas de tolerância iluminista. O papel e o discurso de Abboud é amplamente validado por agências de notícias judias que dão destaque positivo a suas ações no sentido de “derrubar muros” entre judeus, muçulmanos e cristãos, o que em outras palavras significa abrir fronteiras. O próprio Abboud afirma que:

 “ Yo no estoy en condiciones de representar a los musulmanes del mundo, porque de hecho muchos de los musulmanes del mundo piensan distinto de lo que pienso yo ( In: http://www.prensajudia.com/shop/detallenot.asp?notid=37911). 


Omar Abboud



Se Abboud afirma categoricamente que muitos muçulmanos não pensam como ele no que tange a diálogo com o cristianismo por que então o Papa insiste em dizer que o mundo muçulmano não admita, no fundo, uma jihad contra o Ocidente, ainda que as interpretações sobre a mesma sejam divergentes quanto a método?

Simples: tanto o Papa quanto Abboud e Goldman representam duas facetas duma realidade que vem sendo gestada a longo prazo; uma das facetas é referente a estratégia de perpetrar o caos no Ocidente através da penetração islâmica para efetivar um projeto de poder global colocado nas mãos de grandes magnatas, politicos progressistas, maçons, etc,  vinculados a fóruns, clubes e organismos com esfera de influência universal; dentro dessa estratégia e preciso convencer a opinião pública do ocidente de que não há perigo em abrir fronteiras e que aliás isso é um dever moral, humanitário e até cristão; nesse ponto convencer o Ocidente de que o islão é essencialmente pacífico é fulcral;  outra faceta é referente ao fomento da uma religião mundial maçônica, síntese de todas as crenças, religião necessária a subsistência da aldeia global que se está criando a nossos olhos. Nenhum poder político pode dispensar um poder espiritual que lhe dê a legitimação moral. O fato é que, o que ainda impede a implementação desse governo mundial de cariz progressista, são as tradições religiosas. Cumpre superá-las e unir todos os credos em torno de "valores comuns".  

BERGOGLIO E SEU EMPENHO POR CRIAR A RELIGIÃO MUNDIAL

Em 2007, em Buenos Aires, na Catedral Metropolitana, em maio os líderes da URI – Organização das Religiões Unidas, em português -  se uniram com o Bispo Swing e Cardeal Bergoglio– hoje Papa Francisco – para comemorar o 10º aniversário da primeira reunião da URI na América Latina. Esse evento pouco conhecido explica o atual envolvimento de Francisco com o diálogo com o Islão: a URI está para as religiões como a ONU está para as nações.

O papel da URI é a luta contra o fundamentalismo e o proselitismo, aliás temas recorrentes nas falas do Papa, o que prova que seu discurso remete não a Tradição Católica mas a uma agenda da ONU. Importante ressaltar que Robert Muller, ex Subsecretário-Geral das Nações Unidas, declarou que:

“os sistemas de crença inflexível” do fundamentalismo “desempenham um papel incendiário em conflitos globais”. “A paz será impossível”, disse ele, “sem a domesticação do fundamentalismo através das Religiões Unidas que professam fidelidade apenas à espiritualidade global e a saúde do planeta.” (Inplainsite. Cf. The United Religions Initiative. Cf. New Oxford Review. The United Religions Initiative, A Bridge Back to Gnosticism).

Bergoglio, apoiou a URI na Argentina, promovendo e participando, inclusive, como concelebrante em seus cultos pan ecumênicos. (The Remnant. Pope Francis and the United Religions Initiative.).

Como bem expõe o padre Delassus em sua obra “A conjuração Anticristã”, nas páginas 361 a 363: 
"o Humanitarismo já é considerado um substituto do Cristianismo”

Este humanitarismo, filho da revolução francesa e do iluminismo, proposta inclusive pela Aliança Israelita Universal - que em 1860 falava de direitos universais para todos os homens de todas as religiões como meio de ajudar os judeus a se integrarem aos países ocidentais com cidadãos de plenos direitos( cabe dizer também que a Aliança comprometeu-se com a promoção do Sionismo nos anos seguintes!!!) – é o conteúdo mesmo das ações da URI e de Bergoglio.

Delassus se refere a isso asseverando que:

 “ a tarefa que a Aliança Israelita Universal se propôs realizar para preparar a edificação do Templo do Homem, é pois, introduzir no catolicismo, e no que resta de firme nas outras religiões, elementos de dissolução que as levarão a confundir-se todas numa vaga religiosidade humanitária...há muito tempo se trabalha para diminuir as barreiras dogmáticas e para unificar as confissões de maneira a favorecer os caminhos do humanitarismo.”( In: A Conjuração Anticristã- o templo maçônico que se quer erguer sobre as ruínas da Igreja Católica. Castela Editorial, página 363).  

CONCLUSÃO

Sabe-se que Francisco tem pelo cardeal Walter Kasper uma grande admiração. Logo no começo de seu pontificado recomendou um dos livros do mesmo cujo tônica é a misericórdia, conceito que em Kasper tem relação com a abertura. Não seria essa a tônica de Francisco em todo o seu pontificado? A abertura as diferentes tradições religiosas e culturais? A abertura ao mundo e seus anseios?

Talvez não seja uma mera coincidência que Kasper e Francisco estejam associados( Recordemos que Kasper foi aquele que teve o papel de, no Sínodo último sobre a família, levantar temas polêmicos sobre comunhão para divorciados e etc) e que o discurso de Francisco – altamente humanitarista – encontre eco na pretensão de Kasper de reduzir as distinções entre cristianismo e judaísmo como mostramos aqui: http://catolicidadetradit.blogspot.com.br/2014/03/cardeal-kasper-prepara-o-terreno-para-o.html.

Talvez também não seja mera coincidência que a Maçonaria – que sempre trabalhou por ecumenismo e humanitarismo, embasada na idéia duma religião universal, uma religião do culto do Homem- através do Grande Oriente da Itália, tenha saudado a eleição de Francisco como uma nova época para o mundo e para a Igreja como vemos aqui: http://www.grandeoriente-democratico.com/Grande_Oriente_Democratico_saluta_il_nuovo_Papa_Francesco.html

Talvez tudo isso indique que o atual papa não seja nada mais que um agente a serviço de forças ocultas e inimigas da Igreja. O tempo dirá.

Rafael G. Queiroz.