terça-feira, 28 de maio de 2019

9 razões por que Ernesto Araújo é um inepto que não conhece história

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O fenômeno do imbecil coletivo - antes restrito a esquerda - agora toma também a direita. E o pior: se encarna até em personagens que, pela sua condição profissional, deviam prezar pela inteligência aguçada dos fatos e das coisas. Falo aqui no sr. Ministro das relações exteriores e aluno de Olavo de carvalho, Ernesto Araújo. 

Recentemente Araújo lançou um artigo em seu blog "Metapolitica", aproximando - como é de costume na esfera olavética - marxismo e nazismo numa tentativa espúria de santificar a direita. Sim o objetivo é esse: canonizar a direita liberal-conservadora como a única via possível, decente, digna, moral. Aqui o objetivo não é discutir, agora, se nazismo e marxismo prestam. Na verdade esta tendência a abordar as ideologias primariamente por um crivo maniqueísta - é bom ou mau? - beira a infantilidade. Sou professor e costumo receber perguntas deste tipo quando leciono sobre guerras e revoluções, coisa absolutamente compreensível para mentes inexpertas e que ainda não entendem que o mundo é mais "cinzento" que "preto no branco".  O que não é compreensível é que alguém que se considera um intelectual se comporte da mesma maneira. Um aluno a gente perdoa, um diplomata não. 


Não vamos nos ater a refutar ponto a ponto mas a fazer alguns apontamentos gerais que derrubam os pés de barro das alegações de Ernesto. 

Primeiro que fique claro: aliança liberal - conservadora é a bola quadrada. Uma impossibilidade lógica fácil de compreender. Chegamos aqui a pensar que o sr. Araújo fosse razoavelmente inteligente, quando, tempos atrás, nos deparamos com alguns artigos seus, mas foi um rotundo engano. O sr. Araújo pensa que é alguém livre de ideologia mas não é. O sr. Araújo é alguém que reconta a história conforme a conveniência política da hora. 

Sobre a questão de o nazismo ser de esquerda ou não, o sr. Araújo ignora, por exemplo, que:

1- Se Hitler e o NSDAP eram de esquerda, por que Otto Strasser saiu do partido nazi e fundou o Partido Nacional-Socialista revolucionário e que postulava a luta de classes?

2-Por que Hitler fez acordos com os barões da indústria alemã assegurando-lhes a propriedade privada dos meios de produção caso viesse a governar um dia, desagradando a ala strasserista do NSDAP? 

3-Sim o nazismo era anticapitalista mas por que era contra o "capitalismo internacional" e não por que fosse defensor da coletivização dos meios de produção. Como bem mostra o historiador Tyrrel:

 "Hitler entendia que a terra era destinada à coletividade do povo mas o que se produz nela com o talento individual era de posse privada". 

Isso coloca o nazismo na condição de  "terceira posição nacional" e não de esquerda ou direita.  É comum nos meios direitistas e esquerdistas do Brasil reduzir tudo a estas duas categorias. Todavia "esquerda" e "direita", são conceitos cambiantes e relativos e não ajudam muito a entender a realidade múltipla da política. O PT é de direita em face ao PSTU e de esquerda em face ao PSDB. Logo, para entender uma doutrina política não podemos nos valer tão só desta categoria relativística, mas sobretudo duma análise acurada da substância das doutrinas em tela. Por exemplo: tanto o bolchevismo quanto o nazismo falavam de um "novo homem". A uma mente superficial isso pode parecer equivalência mas sabemos que não é. O cristianismo também fala do "novo homem", nem por isso pode ser classificado como irmão do nazismo ou do bolchevismo. O novo homem soviético e o novo homem nazista são tão distantes que jamais se encontram a não ser para se digladiar: não há a mínima chance de conexão ou simbiose aí. Estar a direita, no século 19, era ser contra a igualdade de todos perante a lei. Já hoje o direitista padrão defende a igualdade perante a lei contra as políticas afirmativas da esquerda que postulam privilégios legais para grupos marginalizados. Essa atitude de classificar tudo em termos de direita/esquerda está no plano da sub-intelectualidade e de um método que se baseia apenas na aparência das coisas. Foi Platão quem disse que as aparências eram enganosas e ele tem toda a razão. Sofista é justamente aquele que, não conseguindo ir além das aparências para subir ao céu das idéias, se fixa na doxa produzindo um conceito enganoso da realidade. O sr. Araújo é um sofista. 

4- Foi o nazismo quem lutou contra a URSS e não os EUA. Quem fez acordo com o comunismo em Yalta e Teerã dividindo o mundo com o bolchevismo foram os EUA e a Inglaterra capitalista, países de tradição liberal, e não a Alemanha nazista. 

5- No Mein Kampf, Hitler deixa claro que seu objetivo principal consistia em destroçar a URSS e o bolchevismo. Seu intento não era atacar a Europa Ocidental mas a Rússia. As coisas mudaram em 1939 por que a Inglaterra declarou guerra a Alemanha, obrigando o III Reich a abrir dois fronts na década de 40. 

6- A União Soviética não foi a primeira a tentar um acordo com o Terceiro Reich, mas a última. A Liga das Nações, formada majoritariamente por países capitalistas, antes mesmo do Pacto nazi-soviético - meramente tático, coisa evidenciada pela Operação Barbarossa - já havia concedido a Hitler o direito aos Sudetos e Áustria. Forçar uma proximidade ideológica entre URSS e Terceiro Reich é pura ignorância de fatos que deveriam ser comezinhos para um diplomata. 

7-  Se analisarmos as grandes crises históricas, notaremos que todas elas terminaram por provocar uma concentração do poder nas mãos de um líder mais ou menos autocrático: a Primeira Revolução inglesa desaguou no poder pessoal de Cromwell; a Revolução Francesa, naquele de Robespierre e, sobretudo, anos depois, no de Napoleão; o resultado da revolução dos escravos negros de Santo Domingo foi a ditadura militar, primeiro, de Toussaint Louverture, e mais tarde de Dessalines; a Revolução Liberal na França de 1848 levou ao poder pessoal de Luís Bonaparte ou Napoleão III. A categoria de totalitarismo para dizer que "nazismo é de esquerda"  pode servir, no máximo, à análise comparada das formas práticas de governo a que se recorrem em situações de crise mais ou menos agudas mas nunca para determinar substâncias. Assim, se nos esquecemos do caráter formal dessa categoria e a absolutizarmos, corremos o risco de constituir uma família de irmãos gêmeos demasiadamente numerosa e heterogênea. No que se refere ao período entre as duas grandes guerras mundiais do século XX, são inúmeras as crises que culminaram na instauração de uma ditadura pessoal. De fato, uma análise mais atenta permite observar que esse é que vai ser o destino de quase todos os países da Europa continental e do Hemisfério Norte Ocidental. Os únicos que ficaram fora disto foram os dois países de origem anglo-saxã: EUA  e Inglaterra. Mas inclusive esses países, a despeito de terem atrás de si uma sólida tradição liberal e de gozarem de uma situação geográfica e geopolítica particularmente favorável, viram a manifestação da tendência à personalização do poder, à acentuação do poder executivo sobre o legislativo, à restrição do rule of law: nos Estados Unidos, bastou uma ordem de F. D. Roosevelt para que os cidadãos estadunidenses de origem japonesa fossem presos num campo de concentração. Quer dizer, a análise das práticas de governo, na qual se funda a categoria de totalitarismo, acaba atacando, ou ao menos roçando, até mesmo os mais insuspeitos países. Isso demonstra, por a mais b, que o sr. Araújo não sabe do que fala. 

8-  A junção URSS - EUA durante a Segunda Guerra Mundial não foi mera necessidade da hora contra um inimigo em comum mas um consórcio possível graças a identidade ideológica entre os dois sistemas. Em 23 de julho de 1944, Alcide De Gasperi, que se preparava para ser o presidente do Conselho na Itália livre do Fascismo, pronunciou um discurso em que afirmava enfaticamente: " Hitler e Mussolini... inventavam aquela pavorosa legislação antijudaica que conhecemos...porém ao mesmo tempo vejo o povo russo, composto por 160 raças, buscar sua fusão, superando a diversidade existente entre a Ásia e a Europa, essa tentativa, esse esforço pela unificação do consórcio humano". As palavras de De Gasperi são bem significativas: mostram que o ideal soviético era o da cosmópolis; o mesmo ideário se encontra nos EUA com sua religião da liberdade universal. O que é interessante é observar que o sr. Araújo, ao mesmo tempo que se diz anti-globalista, aposta justamente numa leitura globalista da história em que exalta o modelo da cosmópolis estadunidense.

A antítese ao esforço nazi-fascista em defesa da supremacia da Europa era não só o universalismo da democracia americana em sua raiz liberal, onde todos os indivíduos são iguais perante a lei independente de seu valor pessoal, ideologia que justificava o anticolonialismo europeu mas também o bolchevismo da URSS na qual a herança européia vinha sendo contestada e destruída desde 1917. O principal inimigo da Europa, a quem Hitler desejava defender, era a União Soviética, que incitava a revolta dos povos (URSS que nada mais era que a expressão da vontade judaica revolucionária de um imperium utopista) contra o senhorio da Europa e de sua cultura tradicional. A partir da ascensão dos bolcheviques ao poder – escrevia Oswald Spengler –, a Rússia retirou a “máscara branca” para se tornar “de novo uma grande potência asiática, mongol, animada pelo ódio contra a humanidade branca. Logo não havia nada de comum, essencialmente falando, entre nazismo e a esquerda bolchevique. A referência ao fato de que nazismo e comunismo ambos "destroem as estruturas tradicionais da sociedade" vale até para o liberalismo que Araújo apoia, dado que, por onde passou, destruiu as antigas corporações e poderes intermediários. Será que o liberalismo é de esquerda também? O que Araújo usa para identificar esquerda e nazismo são aspectos acidentais. Mas aliás, que estruturas tradicionais o nazismo destruiu que já não estivessem destruídas pelo capitalismo liberal, desde o século 19? A afirmação de Araújo é completamente demencial. Se na Rússia o bolchevismo destruiu a antiga sociedade feudal que ainda restava de pé no campo, o nazismo encontra a Alemanha já na era industrial de massas, onde as antigas hierarquias já haviam desaparecido. O que restava delas, precariamente, era o baronato descendente dos junkers prussianos, justamente com quem Hitler atrelou-se. Falta à análise de Ernesto - é até bondade chamar o artigo em tela de análise, que fique bem claro -  uma avaliação séria sobre as doutrinas nazistas e o bolchevismo, talvez por que Araújo não tenha a profundidade intelectual para fazê-la, preferindo repetir um lugar comum da olavosfera, o que lhe coloca na condição, não de um intelectual sério em busca da verdade mas na de um retórico interessado nos aplausos da platéia cativa: ou seja, na de um sofista.  

9- Em suma: EUA/URSS representavam, por suas ideologias de fundo, um cosmopolitismo, quer dizer, repreentavam a idéia de unidade do mundo através da igualdade e liberdade comum a todos os homens. A Alemanha postulava outra coisa: a supremacia da Europa contra a barbárie da massificação liberal/igualitária típica da sociedade pós 1789, ainda que se possa discordar do caminho por ela escolhido em 1933 quando da ascensão do nazismo, o fato inegável é que ela é quem significa, verdadeiramente, uma viragem anticosmopolita. E é essa barbárie significada por EUA/URSS a mesma que está levando-nos ao globalismo, o qual Araújo diz que combate apesar de lhe fazer coro quando defende o ethos americano. 



terça-feira, 23 de abril de 2019

Explicando a aproximação entre Olavo de Carvalho e Steve Bannon.


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Olavo e Bannon juntos contra o Brasil



A NRx, também chamada de Neoreação ou Dark Enlightenment, é uma filosofia fundada por Mencius Moldbug/Curtis Yarvin (meio-judeu) e por Nick Land (cripto-maçon). Na NRx existem três seguimentos (tricotomia): tradicionalistas "cristãos-esotéricos", racialistas etno-nacionalistas e tecno-comercialistas.

No grupo tradicionalista teonomista, conhecido como orthosphere, as grandes influências são autores tradicionalistas católicos e neopagãos, além dos perenialistas. Nesse nicho, acredita-se muito nas idéias de Holiness Spirals e Benedict Option, isso sem falar no conceito de sociedade dividida em castas, não biológicas - como fazem Yarvin e os racialistas -, mas espirituais.

A Alt-Rigth teve, em partes, além de influências duguinistas, uma certa influência do segundo grupo, o grupo racialista, por vezes denominado Heroic Reaction ou HRx. Curtis Yarvin, demonstra simpatizar com o catolicismo jacobita - mesmo sendo filho de pai judeu - e acredita que o ideal para o mundo é um governo étnico e neo-cameralista, algo próximo do Estado de Israel atual, tirando a parte do neo-cameralismo que ainda não existe em Israel. Isso explica um pouco o porquê de muitos supremacistas brancos norte-americanos apoiarem Israel. Esses etno-nacionalistas crêem também em um mundo divido em castas - aliás, os três grandes seguimentos da NRx crêem nisso -, mas castas biológicas e não meramente espirituais.

O último seguimento, o do Land, apoia o aceleracionismo, idéia adaptada de Deleuze, segundo a qual o capitalismo deve ser acelerado ao máximo para só assim ser superado, ou pior, para que a condição decadente do homem seja superada (pós-humanismo). Land estudou esoterismo durante um bom tempo, após juntar-se com alguns alunos e professores e abandonar a universidade.

Vale lembrar que na NRx, por influência de Nick Land, profundo conhecedor de kabbalah e gnosticismo, a divindade passou a ser denominada "Gnon" (Nature Or Nature’s God) ou de TAofU (The Arbiter of the Universe). "Gnon" ou "GNON" (com maiúsculas) é um acrônimo modificado de "Nature or Nature's God". Refere-se à personificação da Lei Divina, ou Lei Natural, dependendo da perspectiva metafísica de quem adota o termo.

Muitos entusiastas desse sistema filosófico fazem críticas ao globalismo tentando desvinculá-lo do judaísmo e jogá-lo apenas nas costas dos protestantes, em especial dos calvinistas. Eles denominam o sistema globalista ocidental "calvinista" de  The Cathedral e alegam que o mesmo domina a academia, a mídia e outros setores da sociedade. Para eles, não são os revolucionários judeus os grandes culpados pelos males do mundo moderno, mas apenas, unicamente, os calvinistas.

Steve Bannon é influenciado não só por Curtis Yarvin, mas também por autores esotéricos e perenialistas, como Guénon, logo imagino que seu novo amigo guenoniano, Olavo de Carvalho, possa querer trazer isso para o Brasil. O The Movement (a Internacional Populista) de Steve Bannon é simbolicamente o braço político da NRx.

Fiquemos de olhos bem abertos, pois o neoconservadorismo está se desgastando, o que abre espaço para que idéias desse porte ocupem o abismo que o mesmo deixará em breve. É sabido que no Brasil é comum o hábito de importar lixo estrangeiro.


Autor: Fernando Souza

Fontes:

Tricotomia:

http://greyenlightenment.com/nrx-concepts-a-review/
https://techcrunch.com/2013/11/22/geeks-for-monarchy/
https://altexploit.wordpress.com/2017/05/08/the-political-nrx-neoreactionism-archived/
http://neoreaction.net/bestofnrx.html
http://www.xenosystems.net/trichotomy/

Aceleracionismo:

https://jacobitemag.com/2017/05/25/a-quick-and-dirty-introduction-to-accelerationism/
http://www.thedarkenlightenment.com/the-dark-enlightenment-by-nick-land/
https://vastabrupt.com/2018/08/15/ideology-intelligence-and-capital-nick-land/
https://genius.com/Nick-land-meltdown-annotated
https://www.meta-nomad.net/nick-land-accelerationism-neoreaction-overview-guide/
https://www.meta-nomad.net/on-left-and-right-accelerationism/
http://www.xenosystems.net/re-accelerationism/

Ocultismo de Nick Land:

https://not.neroeditions.com/accelerazionismo-esoterico/
energyflashbysimonreynolds.blogspot.com/2009/11/renegade-academia-cybernetic-culture.html?m=1
http://divus.cc/london/en/article/nick-land-ein-experiment-im-inhumanismus
http://merliquify.com/blog/articles/hyperstition-an-introduction/#.XLerKB5v80P
http://www.zero-books.net/books/malign-velocities
http://securemail.kipsu.com/accelerationism-how-a-fringe-philosophy-predicted-the.pdf
http://www.xenosystems.net/pythia-unbound/
Racialismo de Curtis Yarvin:
https://www.unqualified-reservations.org/
http://greyenlightenment.com/nrx-vs-hrx/
https://froudesociety.wordpress.com/2016/03/02/hrx-takes-its-exit/
https://www.socialmatter.net/2016/12/16/a-brief-defense-of-the-hereditarian-caste-system/
http://www.xenosystems.net/caste/
http://www.moreright.net/books/MenciusMoldbug/AmericanCastes.pdf
https://alternativeright.blog/2014/1

sexta-feira, 1 de março de 2019

A mentira de Van Hattem e o papel do ocidente católico na prosperidade européia

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Recentemente o sr. Deputado Marcel Van Hattem deu declarações polêmicas relacionando a pobreza do Brasil ao facto de ser um país católico e de colonização lusitana. Hattem repetiu o velho clichê de que protestantismo é igual a riqueza e desenvolvimento e, com base nesta pretensa relação, exaltou o modelo social e econômico holandês. Partindo daí nosso objetivo neste breve artigo é discutir se isto realmente procede, desde o ponto de vista histórico, ou não.

1- As origens da prosperidade européia

Primeiro é preciso situar a assertiva de Hattem: ela está ligada à conjuntura da expansão comercial européia e de uma sua hegemonia a partir da era colonial-mercantil, coincidente com o que chamamos idade moderna, o que corresponde aos séculos 16/17. Foi aí que a Holanda atingiu a sua independência em face ao Império Espanhol – alcançada em torno dos anos de 1580 – e que ela virou uma nação dedicada ao comércio naval, colonização e finanças. Sabe-se que a Holanda, nesta época, lançou-se em busca dos mercados da Ásia, África e de colônias na América (Vide o caso da conquista do nordeste do Brasil, em 1630) sob o influxo de capitais judaicos que migraram para a região batava, fugindo da península ibérica donde a inquisição, em sua ação persecutória, expulsava frações desta burguesia financeira judia ligada, desde a muito, ao ofício de financiar navegações em troca de lucros advindos das trocas comerciais e dos monopólios coloniais. Segundo Hattem o sucesso da Holanda se deveu, sobretudo, à sua cultura protestante. Basicamente Hattem se vale do argumento de que o capitalismo só amadureceu graças ao influxo da mentalidade reformada, sem a qual, nem a Holanda, nem a Europa, teriam dado um salto econômico. Ainda para Hattem, a reforma, tendo liberado os agentes econômicos de contribuírem com seus dízimos ao Papa, facilitou a desconcentração do capital e da propriedade – antes centralizada nas mãos da Igreja – dinamizando a economia européia e dando, assim, o passo decisivo para que o capitalismo e a prosperidade econômica se estabelecessem.

É preciso examinar se Hattem tem mesmo razão: será que os instrumentos econômicos criados pelos protestantes foram assim tão decisivos para a consolidação do dinamismo econômico europeu nos séculos 16/17? Vejamos.

2- Teologia e negócios: a práxis e a teoria no mundo católico

Cumpre destacar neste assunto os importantes contributos da Escola de Altos Estudos de Paris que, desde 1950, tem ajudado a compreender melhor a vida comercial, bancária e industrial do fim da idade média.

É seguro que a teologia católica recusou, bem para além do século 15, o empréstimo a juros sob qualquer título. Os teólogos admitiam apenas o reembolso das despesas do emprestador, recusando elementos especulativos no negócio bancário. Condenações a usura nos Concílios de Lyon(1274) e de Viena(1312) foram renovadas no Concílio de Latrão de 1515. A posição teórica da teologia católica sobre usura se manteve constante o que é provado pelas inúmeras obras de casuística sobre o tema lançadas entre o século 16/17. Porém a doutrina escolástica sobre o empréstimo a juros aplicasse a um contexto bem preciso: a proteção dos mais pobres contra os emprestadores sob caução. Na prática esta doutrina se revelou inaplicável aos fabricantes de panos que iam dum país a outro e que precisavam tomar emprestado para manter seu negócio – o que implicava em risco significativo ao emprestador – e aos banqueiros que emprestavam a príncipes e papas – sobretudo para financiar guerras. Os canonistas, nestes casos, tiveram que admitir o princípio do “dannum emergens”, do “lucrum cessans” e o do “periculum sortis” ( respectivamente, o cálculo dum possível prejuízo, o ganho deixado de auferir pelo tempo do empréstimo e o risco de falência do tomador de empréstimo e o consequente dever de indenizar).

Isto tudo se dá no contexto dos séculos da expansão naval européia que pode ser dividida em duas fases:

A- A fase inicial ou mediterrânea (séculos 13/14);
B- A fase madura ou atlântica ( séculos 15/16).

Na primeira fase as cruzadas tiveram um papel decisivo pois a necessidade urgente de fornecer víveres às tropas católicas no oriente exigia a formação de portos e de emprestadores que garantissem transporte, navios, armas, cavalos e alimentos para os soldados. Isto trouxe a formação de cidades portuárias como Gênova na Itália, que não só fornecia suprimentos como recebia as mercadorias que vinham das praças conquistadas ( ouro, especiarias, tecidos, etc) que impulsionavam as feiras da época. Os Templários, neste sentido, criaram as primeiras técnicas comerciais-bancárias avançadas. Quando da fundação da Ordem do Templo ela passou a funcionar não só como milícia católica na Palestina mas como banco, senhora feudal, casa comercial. Os templários inventaram o cheque, o que permitia que nobres entregassem suas terras na Europa para a Ordem em troca de um resgate em dinheiro vivo que lhes seria pago na Palestina a fim de que pudessem comprar armas, contratar homens, construir fortes e castelos, etc. Esta operação de crédito envolvia não a usura, proibida na época, mas despesas de comissão, corretagem, hipoteca e amortização, taxas que garantiam um lucro vultoso, dinamizando a velocidade das trocas na Europa, gerando portanto, as condições para sua prosperidade. Por outro lado havia muitas doações de fazendas e praças fortes urbanas ao Templo feitas por príncipes, barões, duques cristãos interessados em ajudar nas cruzadas. Tais áreas eram livres de dízimas, impostos, direitos feudais, etc, o que, evidentemente, favorecia o comércio e a multiplicação de agentes econômicos privados. Por outro lado a Ordem se tornou uma corporação comercial que fazia exploração de minérios na Palestina, vendia armas, mobiliário, curtumes, lã, etc, o que representou um avanço industrial no fim do medievo, abrindo perspectiva para a transição em direção a uma economia manufatureira. Seu serviço bancário incluía o transporte de valores em dinheiro por via marítima assim como o depósito e a guarda de tesouros reais. Os peregrinos que partiam para a Terra Santa também designavam à Ordem seus bens em moeda a fim de que não fossem pilhados no caminho, valor que resgatavam via cartas de crédito. O papel dos Templários, durante as cruzadas, foi decisivo para criar um novo modelo de negócio onde a segurança das trocas financeiras foi assegurada, tornando o ambiente mais favorável ao comércio e às atividades financeiras. Outrossim a oferta de moeda pelos bancos templários pode assegurar que a economia européia não ficasse paralisada em face ao aumento seja da demanda por produtos do oriente, seja do afluxo destes produtos, garantindo os meios financeiros para manter e ampliar as trocas comerciais entre ocidente e oriente.

Isto vai resultar que os teólogos passarão a admitir o “trinus contractus”, ou contrato de participação nos lucros e perdas. Passou-se a admitir o ágio de uma divisa sobre outra, nas operações de câmbio. No fim do medievo, o ocidente católico usava amplamente, no dia a dia, o empréstimo a certo juros, camuflado por detrás dos câmbios de praça e dos empréstimos públicos fixados aos detentores de títulos como taxa de transação de compra e venda. Desde 1387 o Bispo de Genebra – muito antes de Calvino chegar por lá com sua teologia que relacionava salvação e prosperidade – Ademar Fabri, concedeu à cidade o direito legal do uso do juros com a condição do respeito às taxas urbanas reguladoras do máximo permitido. Mesmo os frades mendicantes, que veneravam a pobreza, em razão de viverem nas cidades e não no campo como os monges, perceberam a utilidade social do mercador, grandes financiadores da atividade dos mendicantes. Foi, portanto, dentro do mundo medieval católico que surgiram as condições sem as quais nem o espírito capitalista nem o modelo de empresa mercantil internacionalizada, fulcral para a expansão européia, teriam existido. A legislação canônica embora impusesse limites morais não bloqueou este processo. Ela, antes, obrigou os agentes comerciais/financeiros a criar técnicas legais que permitiam contornar a proibição da usura, assegurando o crescimento do comércio.

A reforma protestante, ao inverso, não acelerou, notadamente em seu começo, o crescimento comercial e financeiro. No século 16 todos os banqueiros da família Fugger permaneceram católicos. Durante as guerras de religião de Flandres e na França, a mais importante praça bancária da Europa seguiu sendo Gênova e seus principais banqueiros eram espanhóis, florentinos ou genoveses, todos católicos. Quais eram as maiores empresas industriais do século 16? As dos Fugger, as minas de alúmen de Tolfa e o arsenal de Veneza, três empresas católicas. Outrossim Antuérpia, cidade do Flandres, no decorrer do século 15 e 16 tinha muito mais relevância que a protestante Amsterdã. O porto antuerpino adquiriu grande relevância no comércio internacional, com a pioneira fundação de primitiva "bolsa" na cidade, que rapidamente transformou Antuérpia num dos mais bem sucedidos centros comerciais e produtores da época. Os primeiros capitalistas de Antuérpia foram estrangeiros, muitos deles italianos Duas bolsas funcionavam na cidade, bem antes de existirem bolsas em Amsterdã: a de mercadorias e a de instrumentos financeiros, como as letras de câmbio, hipotecas e certificados de aforro, uma experiência que herdara e melhorara de Bruges. Logo é falso dizer que a Bolsa de Amsterdã é a primeira da história. Bem antes dela tal instituição existiu na Antuérpia católica, que, naquele tempo, era uma cidade cosmopolita, uma comuna livre ao final da Idade Média, uma cidade de igrejas e de congregações religiosas católicas, fortemente apoiadas pela população rica. Quando os católicos portugueses abriram a rota marítima para a Índia, Antuérpia se tornou um centro de comércio ainda mais proeminente, porque o rei de Portugal para lá enviava quase tudo que chegava a Lisboa, vindo da Ásia; as corporações da cidade compravam carregamentos inteiros que daí seguiam para o resto do mundo ofuscando o brilho comercial de Veneza. Com os portugueses, instalou-se igualmente forte colônia mercantil espanhola, passando os negócios das coroas ibéricas a fazer-se por Antuérpia. Assim, ao longo do século 16, Antuérpia tornou-se centro da "economia do mundo". Cabe dizer que o historiador H. Luthy, em sua obra “La Banque Protestante em France”, mostra que Antuérpia foi superada por Amsterdã no século 17 não em razão da superioridade econômica das instituições holandesas mas em face a guerra que moveu contra sua rival: no dizer de Luthy, “pelo assassinato metódico de Antuérpia”.

Por fim a reforma protestante trouxe um desmoronamento econômico na Alemanha. Enquanto isto, no Principado de Liége, governado por um príncipe bispo, um estado católico e principado do Sacro Império Romano Germânico, portanto parte da Alemanha, vivia-se um boom financeiro sob a direção dos funcionários cônegos do principado, que promoveram várias inovações econômicas. Na mesma época a Genebra de Calvino, conforme foi exposto pelo historiador e economista André Sayoux no artigo publicado na Revue Economique Internationale “A banca de Genebra nos séculos 16,17 e 18”, não viu nenhum crescimento capitalista significativo contrariamente ao que pensaram Weber e Troeltsch. Genebra fora mais parada economicamente no ´seculo 16, sob controle protestante, que no século 15 quando ali havia feiras e quando os Médicis, família católica da nobreza italiana, tinham filiais de seus negócios por lá.

3- Conclusão: a tese de Hattem é falsa!

A Holanda protestante-calvinista foi uma força naval/financeira hegemônica por pouco tempo: basicamente entre 1620/1650, época que coincide com o avanço batavo sobre o nordeste do Brasil e com o controle sobre a navegação no Mar do Norte que acabou com os atos de navegação de Oliver Cromwell em 1652, ano que marca o começo da hegemonia inglesa nos mares e a consequente queda do poder marítimo holandês. Segundo Hattem o sucesso do holandês protestante deveria ser contrastado com o fracasso econômico do Portugal católico mas o facto é que a Holanda jamais chegou a ter um império marítimo universal como teve Portugal. Os holandeses exerceram poder numa breve janela da história do século 17, em boa parte por que Portugal se encontrava sob ocupação espanhola (1580-1640), a Espanha envolvida na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e a Inglaterra enfrentava conflitos políticos (Desde a ascensão de Carlos I nos anos de 1620) que acabaram num guerra civil e na revolução puritana. O máximo que a Holanda conseguiu consolidar nesta fase foi um certo domínio sobre o Caribe. Depois de 1648 o controle Holandês foi destruído na Angola, tendo-a recuperado o rei português Dom João IV.

Portugal, diferentemente da Holanda, mesmo sendo um país pequeno, conseguiu montar o primeiro império verdadeiramente global da história, espargido por América. África, Ásia, que só viria a cair em 1974, isto por que os lusitanos souberam transcender as forças da história, impondo-se sobre suas limitações territoriais até ao ponto de moldar a história, feito este jamais igualado pela Holanda. O legado do Portugal católico, país de cruzados, aventureiros e navegantes pioneiros, para a história mundial, é muito mais significativo que o da Holanda protestante, um país de lojistas/ banqueiros e atravessadores; a diferença entre Portugal e Holanda é, ainda, aquela distinção entre a casta guerreira, dotada da qualidade de inventar instituições politicas e sociais sólidas construindo grandes culturas, e a casta dos mercadores, meros possibilitadores das trocas materiais que, na escala tradicional de valores, deve ser uma atividade subordinada aos fins estipulados pela casta guerreira. No máximo o que a casta mercantil consegue criar é a miragem do “homo economicus” como observou Sombart quando notou a destruição espiritual e o vazio que o homem criou em torno de si mesmo, depois que ele se tornou materialista em seus objetivos últimos - obra da reforma protestante - e um grande empreendedor capitalista o que forçou-o a transformar sua atividade (lucro, negócios, prosperidade) num fim em si mesma, para amá-la e desejá-la pelo seu próprio propósito até que ele caisse vítima da vertigem do abismo e o horror de uma vida que é totalmente sem sentido. Se a reforma teve um “mérito” econômico foi este: o de subordinar todas as atividades humanas a um fim material, na medida em que fez do trabalho um fim e não mais um meio para atingir fins superiores. Nada define melhor o espírito holandês que isto. Todavia, é preciso dizer que a reforma protestante forneceu apenas uma nova justificação para a atividade de fazer dinheiro: no plano da técnica econômica, a Holanda e o mundo protestante não tiveram o pioneirismo que o ocidente católico teve já que, muito antes dele já havia criado, como demonstramos, os meios materiais da expansão econômica européia – que aliás, sem o espírito guerreiro e aventureiro português singrando os mares e abrindo os caminhos do globo, teriam sido ineficazes por si sós.

Bibliografia

Fanfany, A. Cattolicesimo e protestantesimo nella formazione storica del capitalismo. Roma, Saggi, 2006.

Heers, J. L'Occident aux XIV et XV siécles. Paris, Nouvelle Clio, Paris, 1963.

Luthy, H. La banque protestante en France de la révocation de l’édit de Nantes à la révolution. Ecole Pratique des Hautes Etudes, Vlème section, Centre de Recherches Historiques. Collection “Affaires et gens d’affaires", XIX. Tome I.

Sombart, W. Le Bourgeois. Paris, 1926.




sábado, 9 de fevereiro de 2019

Como a direita dos EUA conjurou contra o dogma da moral sexual católica na década de 60: ou o perigo da aliança cega direita-catolicismo!



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Padre Hesburgh ao lado de Condoleezza Rice, secretária do estado do governo George W. Bush, aliado de Rockefeller e agente da direita americanista dentro da Igreja Católica. 





No verão de 1965 o padre Theodor Hesburgh, que então era presidente da universidade de Notre Dame em Indiana, EUA, organizou um encontro entre Jhon Rockefeller III e Paulo VI. Rockefeller se propôs ajudar Paulo VI a escrever uma encíclica sobre controle de natalidade. O que estava acontecendo na época? A tentativa de perversão pela direita americana – os chamados WASPs ( Brancos, anglo-saxões e protestantes) – contra a mentalidade anti-contraceptiva da Igreja Católica, pois o resultado do “Baby Boom” pós segunda guerra nos EUA foi o crescimento alarmante da população católica já que os protestantes passaram a praticar, maciçamente, a contracepção. O resultado é que os protestantes temiam ser superados numericamente pelos católicos. Como a civilização estadunidense e suas instituições liberais estão radicalmente na dependência de uma mentalidade protestante, os mesmos iniciaram um projeto de corroer o ensino da Igreja Católica sobre natalidade, compreendendo que demografia é poder político.

Rockefeller não conseguiu convencer Paulo VI. Mas, todavia, depois do Vaticano II, a campanha da direita americana obteve sucesso em convencer padres e bispos a apoiar medidas de contracepção e a deixarem de condenar, desde o alto dos púlpitos, as práticas anti-natalidade.


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John Rockefeller III

A propósito segue um excerto do historiador Donald Critchlow sobre o tema:

"Foi o Rev. Hesburgh quem, a pedido do próprio Rockefeller que desejava discutir com o Papa longa e seriamente a questão populacional, obteve para Rockefeller, através do Monsenhor Paul Marcinkus, uma audiência com Paulo VI ocorrida no Vaticano em julho de 1965. Já antes disso Rockefeller havia criado uma comissão especial em Roma para estudar a posição da Igreja em questões populacionais, pois à época parecia-lhe que Paulo VI poderia aprofundar as tendências liberais de João XXIII. No encontro, do qual Rockefeller afirmou que Paulo VI havia sido "caloroso e cordial, ouvindo-o com muita atenção e intercalando seus próprios comentários", ele expôs ao Papa a sua posição moral sobre a questão populacional, a urgência do problema, a possibilidade da Igreja aceitar novos métodos de controle de nascimentos e a preocupação dos líderes mundiais sobre o problema. Nos três anos seguintes houve cinco trocas de longas correspondências entre Rockefeller e o Papa sobre a questão populacional, a qual foi definitivamente encerrada por iniciativa de Rockefeller quando da publicação de Paulo VI de sua encíclica Humanae Vitae em 1967"

Pouco depois disso houve a liberação do aborto nos EUA em 1973, quando a Suprema Corte resolveu o caso conhecido como Roe versus Wade. A decisão da Suprema Corte foi de que a mulher tem o direito constitucional de praticar aborto. A maioria da população norte-americana, segundo frequentes pesquisas de opinião pública, apóia o direito ao aborto. Apenas cerca de 15% defendem a tese de que todo aborto deve ser posto fora da lei. Em torno de 33% acham que todo aborto deve ser legal e 50% acreditam que apenas em certas circunstâncias.

Na década de 80 João Paulo II se aliou a direita americana através de Reagan, para combater o aborto. Foi com base na proposta de combate ao aborto que a Igreja apoiou a candidatura de Reagan. Como sabemos Reagan não proibiu o aborto e usou o apoio da Igreja apenas para derrubar o Muro de Berlim. A Igreja foi passada para trás pela direita americana.

A onda conservadora de Reagan só trouxe, efetivamente, espaço para políticas neoliberais na área econômica. As políticas conservadoras – combate a pornografia, ao aborto e a liberação sexual – não foram adiante. Ficaram só na promessa. Um exemplo disso é que esta direita se valeu da ajuda de João Paulo II para a queda do comunismo no Leste Europeu. Na Polônia, após o fim do comunismo o que se estabeleceu foi o liberalismo ocidental estadunidense e não a doutrina social da Igreja – o que seria o mais coerente dado que o Movimento Solidariedade, de Lech Walesa era de fundo católico - o que provocou a liberação da pornografia e de todo o lixo comportamental da revolução sexual norte americana. Os católicos vem sendo usados pela direita, faz tempo, para implementar liberalismo em nome de uma defesa do conservadorismo moral – que aliás nunca acontece. Estaremos vivendo o mesmo no Brasil de agora? O tempo dirá.


Créditos ao Carlos Felipe Lombizani pelas informações.

Bibliografia

Michael Jones, E. “John Cardinal Krol and the cultural revolution”. Fidelity Press; 1st edition (April 1, 1995).

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

O falso patriotismo de Bolsonaro ou o globalismo disfarçado.

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Desde que o novo governo Bolsonaro tomou posse, o mesmo assumiu um discurso oficial de aparência nacional-patriótica. Tanto o presidente, quanto seu ministro do exterior, buscam passar a impressão de que estão em luta contra o globalismo para colocar os interesses pátrios em primeiro plano. Como diz o velho ditado as aparências enganam e as massas, como de costume, deixam se levar pelo que elas indicam. A crença no tom nacional-populista deste governo é partilhada até pela mídia estrangeira que faz comparações entre Bolsonaro, Viktor Orban e Trump (Enquanto Orban e Trump protegem a indústria nacional de seus respectivos países, Bolsonaro quer abertura total para acabar de desindustrializar o Brasil; logo a comparação é no máximo possível quanto a método de se comunicar às expensas da mídia tradicional, uso de verborragia autoritária, etc, mas nunca no plano ideológico).

Evidentemente que isto tudo não passa de fogo fátuo e de vulgaridade analítica. O fato é que Bolsonaro e seu ministro – Ernesto Araújo – não passam de capachos do interesse estadunidense. E para que isso fique claro vamos aos fatos reais.



1- Que é globalismo?



Segundo Fraga "Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural”.

Por essa frase vê-se bem a influência de Olavo de Carvalho sobre Fraga, cuja tese é que os meta-capitalistas, ao conquistarem o domínio da economia global, viraram socialistas desejosos de controle estatal máximo e governo global para instaurar o “comunismo”. Comunismo com monopólios capitalistas! Lênin, no começo do século 20, chamava o sistema de monopólio mundial das mega empresas capitalistas de fase avançada do imperialismo capitalista e dizia que a revolução socialista poria fim a isso em breve. Em suma: o pensamento ortodoxo marxista jamais endossou a idéia de sistema comunista ao lado de empresas capitalistas monopolistas. Olavo e seus pupilos dirão que o comunismo mudou, que ele é um movimento camaleônico que não tem mais os mesmos atributos de antes: então o que seria comunismo neste caso? Segundo Olavo um “projeto de poder”! Pois é: riam a vontade. O que não poderia ser definido como projeto de poder? Tudo! Se o comunismo é isso, o que não é comunismo?

Socialismo significa, rigorosamente falando, um regime econômico-social e político onde temos coletivização dos meios de produção, ditadura do proletariado, partido único e planificação. Sem estes elementos constitucionais não há que falar de regime socialista ou de socialismo. Ter um partido com intenções socialistas dentro de um regime constitucional-liberal não é socialismo, regulação estatal sobre atividades privadas não é socialismo, imposto não é socialismo. Se a direita do sr. Olavo e Bolsonaro podem usar o termo "socialismo" fora deste esquadro de rigor conceitual por que a esquerda não pode deixar de ser rigorosa quando usa o termo homem/mulher? Sócrates mostra no diálogo "Górgias" que foi quando os partidos políticos começaram a usar as palavras conforme sua conveniência, que o senso de verdade e justiça se correou em Atenas. O passo seguinte foi a decadência final da Grécia.

Mas voltando ao tema precisamos dizer que globalismo e marxismo cultural não são sinônimos. Acreditar nisso é loucura. O ideário e a práxis globalizante é uma síntese de liberalismo e igualitarismo, coletivismo e individualismo. Não entender isso é imperdoável para um diplomata com formação intelectual de alto nível. O próprio conceito de marxismo cultural repugnaria a Marx que considerava a cultura mero subproduto das forças econômicas e da luta de classes e não algo dotado de autonomia própria que pudesse servir de motor a uma revolução. O termo mais certo seria neo-marxismo ou desconstrucionismo.

É verdade que Fraga rechaça os concertos internacionais ao dizer que "A aplicação dessa ideologia à diplomacia produz a obsessão em seguir os “regimes internacionais”. Produz uma política externa onde não há amor à pátria mas apenas apego à “ordem internacional baseada em regras”...O remédio é voltar a querer grandeza. Encha o peito e diga: Brasil Grande e Forte", mas a questão não é só esta: o palavreado é bonito e pomposo mas não se enganem.

Na verdade um Brasil forte ou fraco perpassa o seguinte: num regime de uni-polarismo, onde os EUA atuam como única potência global, situação imposta ao mundo desde 1991 com a queda da URSS, é impossível um país grande e forte sob as asas dos USA. Regime internacional para olavetes é apenas ONU quando, na verdade, é também os EUA onde tudo isso foi parido. Afinal quem é o maior financiador da ONU senão os USA? Sob que auspícios a ONU atua senão sob os dos direitos individuais levados a todo globo, o que é nada mais que a expansão da revolução americana de 1776? Olavo costuma separar EUA de Globalismo mas não há separação absoluta a não ser na cabeça oca dos trumpistas brasileiros que acreditam em "nacionalismo americano". O nacionalismo dos EUA só faz sentido internamente aos EUA, como não atrelamento do governo de Washington a moções da ONU, como independência do Estado Americano no plano internacional (Algo que G. W. Bush fez quando atacou Iraque e Afeganistão sem consentimento do Conselho de Segurança da ONU). Nacionalismo estadunidense é o EUA como maior player internacional, ao invés dos órgãos globais, é "pax imperial/global estadunidense" em vez de "pax imperial da ONU", é Trump mandando míssil na Síria sem passar pela ONU.

Precisamos compreender que há duas formas de globalismo: um a direita, outra a esquerda. A diferença é pequena, até existe, mas no fim a globalização acaba sendo, sempre, a americanização do mundo. A direita republicana dos EUA defende uma globalização via imperialismo nacional dos USA. Ocupações militares no Oriente Médio e o uso do “hard power” tem sido os métodos preferidos pelos republicanos. Ao fim e ao cabo tais métodos acabam dando em estabelecimento de regimes democráticos liberais, na expansão da economia capitalista ocidental e no domínio financeiro de Wall Street sob tais regiões. A esquerda democrata quer globalização com direitos humanos, o “soft power”, defesa de minorias, humanitarismo amplo, expansão do mercado junto com igualitarismo legal, etc.

A diferença está aí, mas sempre resulta na mesma coisa; onde a globalização chega temos abertura dos mercados, fluxo livre de capitais, direitos individuais, igualdade jurídica, cultura igualitária (homem e mulher são iguais, todos devem ter a mesma oportunidade, quebra das hierarquias sociais tradicionais baseadas em religião ou família, etc), em suma temos o estabelecimento da cultura política dos EUA.

Assim o pensamento de Fraga, exprime a contradição do patriotismo típico dos olavetes de plantão: querem um Brasil forte e combate ao globalismo com o Tio Sam do lado. Algo impossível.



2- Por que os EUA são hoje a cabeça do globalismo?



Não só a estrutura do estado dos EUA como sua estrutura econômica são o eixo em torno do qual o globalismo se desenvolve.

Desde Reagan o sistema financeiro americano foi desenvolvido para garantir o fluxo mais livre possível de capital. Reagan junto com o FED, trabalhou para que bancos comuns ou bancos de depósito, pudessem aplicar seus capitais fortemente em especulação, nos mercados futuros e de derivativos, assegurando, dentro de um modelo neoliberal em que o estado desregulava o setor bancário acabando com a velha distinção entre bancos de investimento e bancos populares, as estruturas para que o capital se expandisse sem limites pelo globo.

Depois da queda da URSS em 1991, o modelo financeiro de Reagan expandiu-se rapidamente no mundo, garantindo aos fundos financeiros dos EUA o controle definitivo do fluxo financeiro mundial dado que não havia mais um bloco socialista. Os ex-países socialistas adotaram o capitalismo e o dólar, abrindo de vez o caminho para um sistema mundo em termos de economia, circulação de informação e de padrões culturais, que é o que chamamos de globalização ou globalismo. As empresas de internet e computação consolidaram de vez essa tendência, empresas cujo eixo gira em torno do Vale do Silício nos EUA. Isso tudo contribuiu para que grupos financeiros se tornassem mega poderosos e estendessem seus tentáculos pelo planeta. A maioria deles tem sede em Wall Street.

Um exemplo é o Carlyle é a maior empresa de private equity do mundo que controla mais de 56 bilhões de dólares e tem filiais em 18 países. Empresas de private são fundos que compram participações em empresas com o fim de alavancá-las no mercado. O Carlyle, hoje, tornou-se o controlador do maior fluxo de caixa da economia global. Muita gente investiu dinheiro no Carlyle sem saber que estava investindo. Pelo Carlyle passaram grandes figuras da política americana: o ex-secretário de estado James Baker, o ex-secretário de defesa Frank Carlucci, o ex-diretor de orçamento da Casa Branca Dick Darman, o ex-chefe da comissão federal das comunicações, Willian Kennard, o ex-presidente da comissão de câmbio, Arthur Levitt. A sede do Carlyle fica em Washington entre a Casa Branca e o Capitólio. Sua influência sobre o establishment político americano é notório. Desde o 11 de setembro a empresa lucrou com a guerra contra o terrorismo. Ela investiu na U. S. information services (Usis) uma companhia particular de investigação que atua no departamento federal de aviação, nas alfândegas, e no ministério da defesa. Rubenstein, o maior acionista da Carlyle, forma, junto com seus sócios, uma poderosa rede global com a capacidade de investir dinheiro em países, mercados, setores, de apoiar candidatos em eleições pelo mundo, de participar de fóruns de definição de prioridades políticas, etc. A atuação da Carlyle deixa claro como existe nos EUA, uma sociedade entre políticos e megaempresários das finanças a moldar a política estadunidense no sentido de exportar, por exemplo, mecanismos de condução de mercado que favoreçam a facilidade das trocas financeiras globais que, evidentemente, favorecem o dólar e os grandes fundos de equity nas mãos da super-elite financeira dos EUA.

Tudo isto prova, sem precisar insistir muito, que um patriotismo antiglobalista que elege os EUA como parceiro preferencial é nada mais que uma farsa, um engodo tremendo. Não é preciso insistir que Bolsonaro e sua equipe querem estreitar laços com os EUA, isto é notório. Dentro disso a visão de Brasil de Bolsonaro é a seguinte: se pauta na idéia de Brasil como um binômio de “Minérios/Terras agricultáveis”. As patriotadas de Jair e seu ministro – na verdade um mero fantoche do sr. Carvalho, um sujeito sem autonomia intelectual alguma – se fundam na idéia da “grandeza do Brasil” (idéia meramente retórica com fins demagógicos ao estilo caneta bic enquanto se alia ao rentismo mundial) como mina e fazenda, algo que nos leva, diretamente de volta não a 1964 mas a época da República Velha em que nossa elite, sem nenhum projeto nacional, contentava-se com os lucros do café enquanto o país naufragava no atraso técnico em face às grandes nações. A história se repete como tragédia ou farsa. Agora se repete como farsa, sobretudo perante um povo que não consegue enxergar que, numa época de aceleração das inovações científicas no campo da informática, robótica, eletrônica, etc, investir num projeto de “Brasil Grande” via minérios e bananas é suicídio nacional, é colocar as futuras gerações condenadas ao atraso eterno e insuperável, destinadas a viver de sub-empregos pouco rentáveis.

3- Por que aliar-se ao EUA sempre foi um mau negócio para o Brasil?

Nos tempos do presidente JK o Brasil buscou um novo modelo de crescimento. O café, na época, sofreu uma queda brusca nas exportações para os EUA: em 1956 tivemos um lucro de 1 bilhão de dólares contra 845 milhões de dólares em 1957. Isso, em pleno boom industrial nacional, forçou o Brasil a buscar novos mercados. Nesse mesmo momento o FMI impunha ao Brasil medidas monetaristas que impediam JK de tomar empréstimos, atrasando nosso crescimento. O governo dos EUA afiançou a decisão do FMI que forçava, então, toda a América Latina a entrar em políticas de combate a inflação o que significava reduzir investimentos em indústria. Esta política trouxe violentos protestos no Peru e na Venezuela. Isso levou JK a enquadrar os EUA exigindo nova política econômica para a América Latina sob o risco de vê-la caindo sob o tacão do comunismo. Formou-se então a Operação Pan Americana que visava fazer os EUA estabilizar os preços de compra das nossas commodities ou a reinvestir nossos excedentes em empréstimos que promovessem nosso crescimento. Para a OPA as desigualdades profundas dentro do Continente Americano reforçavam o sub-desenvolvimento gerando as condições sociais para uma revolução comunista.

O Brasil queria, como disse então JK, “formar ao lado do Ocidente mas não desejamos constituir seu proletariado”. O interesse americano aqui era, unicamente, garantir o acesso as reservas de petróleo da Venezuela, de cobre do Chile, de estanho da Bolívia e de urânio, tório e manganês do Brasil, a fim de garantir o abastecimento de suas indústrias. O que ocupava os estadunidenses era manter um clima de estabilidade nestes países que proporcionassem a exploração privada destas jazidas dado que aventuras comunistas ou nacionalistas podiam significar estatizações que fariam sua indústria perder matéria-prima basilar. Os americanos interferiam sempre e apenas em prol da manutenção do bom clima para os negócios de sua indústria.

Na mesma época, em face a insensibilidade dos EUA aos apelos da OPA, JK pensou em buscar acordos comerciais com a URSS que elevou, no ano de 1957, em 1,6 bilhões de dólares, a ajuda aos países subdesenvolvidos com juros baixos e facilidade de escoamento de produtos agrícolas. O Objetivo de JK e do Itamaraty era retomar laços com a URSS usando tal meio como barganha para conseguir concessões do lado dos EUA em face as exigências da OPA. O clima de guerra fria e o medo do comunismo levaram a opinião pública brasileira a não apoiar a idéia de aproximação com a URSS que não foi aplicada muito também por que os EUA, perante a revolução cubana, acabou aceitando algumas condições da OPA, destinando 500 milhões de dólares para projetos assistenciais de colonização de terras, higiene e habitação para os países da América Latina. Todavia isso ficou aquém do esperado por JK que reivindicava capitais públicos dos EUA para dinamizar a indústria nacional e o mercado brasileiro. Nada disso aconteceu. Este fato exemplifica bem a continuidade da política dos EUA em face a América Latina, sempre vista como seu quintal, como seu mercado consumidor de produtos de alto valor agregado e fornecedor de matérias-primas baratas. Se mesmo o perigo comunista não fez os EUA arrefecer nesta sua tradicional política de dependência imposta aos países latino-americanos, por que ela arrefeceria agora?


4- Conclusão


Alguns poderiam objetar que os interesses da China e da Rússia poderiam ser usados, estrategicamente, pelo governo Bolsonaro, para obter vantagens ao Brasil no contexto duma relação bilateral com os USA. Mas isso só seria possível se tivéssemos um ministro do exterior que não fosse ideologicamente cooptado por um pseudo-filósofo que serve bovinamente aos interesses dos EUA em troca de sua estadia confortável por lá. Na época de JK a reorientação do Itamaraty, no sentido de pressionar os USA, foi obra de Augusto Frederico e San Tiago Dantas que, oriundos da direita nacionalista, pois ambos integralistas, influenciaram JK a tomar iniciativa verdadeiramente patriótica. Porém com esta direita apátrida que temos aqui agora, uma direita que lambe as botas de Trump, é impossível que isto se dê pois falta-lhe a devida independência ideológica.

Tudo isto prova que o governo Bolsonaro é tudo menos patriótico. Seguir acreditando nisso, depois de tudo que expomos, é cretinice intelectual ou comprometimento espúrio com um plano de desmanche do país.







domingo, 30 de dezembro de 2018

O projeto Bolsonaro- Israel: O que os judeus querem no Brasil?

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A aproximação oficial de Bolsonaro a Netanyahu e ao Estado de Israel leva-nos a pensar no que isso representa de facto. 

Evidente que tal proximidade tem, a depender do enfoque, várias dimensões que tentaremos desdobrar na medida em que os fatos forem se tornando mais claros, porém nos parece que uma das dimensões basilares desta política tem a ver com a questão agrícola no Brasil. Segundo alguns amigos, especialistas em economia, o plano Paulo Guedes para o país consistiria em fortalecer nossa posição como "fazendão" ao mesmo tempo que transformaria centros do sudeste - RJ, BH, SP - em pólos financeiros, algo semelhante ao que se vê no Chile, onde Santiago opera como um semi-paraíso fiscal enquanto o resto do país se especializa em produção de minérios. Guedes visaria substituir demanda interna por externa levando ao fim e ao cabo, até as últimas consequências, nossa tendência a nos desindustrializar. 

Podemos então ver entre a idéia do Brasil como "fazendão" e a proximidade com Israel, uma conexão de eventos e uma possível interpretação para o fenômeno. 

A agricultura israelita hoje é fortemente baseada nas startups. Apenas para citar algumas startups israelenses, se destacam empresas como a Farm Dog e a Taranis, que criaram sistemas para manejo de pragas; temos também a CropX, a Neotop e a Emefcy, que aplicam tecnologias para otimizar o uso de água. No caso da CropX,  temos o modelo de agricultura conectada. Através da estruturação de redes interligadas, os fazendeiros israelenses fazem a coleta, monitoramento e análise de dados em tempo real, que são acessados em tablets, smartphones e laptops para auxiliar na tomada de decisões na gestão da lavoura.

Vejam: A Taranis, vale registrar, definiu o Brasil como um mercado prioritário após levantar uma rodada de US$ 7,5 milhões da qual participaram vários investidores, entre eles a Mindset Ventures, parceira da Microsoft; a Finistere Ventures e a Vertex Ventures.

“Escolhemos o Brasil como um mercado estratégico pois sabemos que tem muitos clientes em potencial. Além disso, a extensão de terras é enorme em comparação com outros lugares do mundo. Descobrimos que, para enfrentar as necessidades, os fazendeiros brasileiros são early-adopters de tecnologias e abertos à inovação”. 

Liron Brish, CEO e co-fundador da Farm Dog, em entrevista de abril de 2018, deixa claro que quer trazer sua startup para o Brasil pois vê no país um potencial comprador da tecnologia israelense para a agricultura. Como nosso país tem potencial para se tornar líder em agro-negócio global, o interesse judaico é o de exportar sua tecnologia pondo nossa produção sob dependência de suas inovações técnicas. O Volcani Institute - centro de pesquisa agrícola de Israel - tem interesse direto em nosso agronegócio. Uma das atividades de destaque no Volcani é seu banco genético. Ainda em março de 2018, gente do Volcani, como Beni Lew, esteve no Brasil na "Sociedade Rural Brasileira" para vender sua tecnologia aos fazendeiros. A Volcani vende, por exemplo, métodos de tratamento de água baseado em robotização. 

O modelo de desenvolvimento de Bolsonaro para o Brasil é a velha dependência técnico-científica-industrial a que estamos sujeitos a décadas. Além de isso aprofundar nossa desindustrialização, impedirá a criação de metodologia nacional de agrotech que poderia, não só criar empregos na área de inovação, como baratear o preço final de nossas commodities com tecnologia menos custosa e cem por cento nacional.   Cabe dizer que Israel já tem boa parte do setor de petróleo e gás brasileiro sob a batuta de suas tecnologias como acontece com tecnologia usada pela Odebrecht e pela Petrobrás.