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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Católicos podem ser de "direita"?



Olavo (liberal-conservador) e Constantino (radical-liberal): duas figuras que exprimem a síntese que forma a nova direita brasileira. 






O Brasil vive, hodiernamente, o impacto de uma onda direitista de tom liberal-conservador: por um lado há quem defenda liberdades em termos econômicos (liberais), por outro há quem postule costumes tradicionais (conservadores); é verdade que as duas facções da nova direita se dividem em assuntos relevantes, o que mostra uma certa distinção entre conservadores e liberais; todavia é comum, sobretudo entre conservadores, a crença de que é possível aliar costumes tradicionais em termos de moral com liberdades econômicas (liberdade de empreendimento, menor intervenção do estado na atividade produtiva, comercial, bancária, etc). Do lado liberal há o repúdio a costumes tradicionais. Se os conservadores admitem as liberdades liberais na economia, os liberais não reconhecem a importância dos costumes na moral. Isso demonstra que o tom ideológico mais significativo da cosmovisão da neo-direita brasileira é a ideologia liberal: conservadores não conseguem fazer penetrar seu discurso pró-costumes entre os liberais mas são abertos ao discurso pró-liberdades dos liberais, de modo que podemos dizer, com certa segurança, que se algum dia essa nova onda vier a assumir o poder no Brasil a balança vai pender para o lado liberal; a facção conservadora ficará a reboque do mesmo. 

Assim é preciso que católicos minimante conscientes de sua fé - que deve orientar, inclusive, suas opções políticas - pensem sobre a compatibilidade dela com a onda neodireitista; afinal é possível ser católico e endossar posições comuns na direita tupiniquim? Vejamos alguns postulados dela para entender se há ou não compatibilidade entre a mesma e a doutrina da fé:

1- O Estado não deve interferir na livre associação entre os indivíduos de modo que o livre-associativismo deve ser um princípio no qual se funde a sociedade (tese liberal) 

Falso. A Igreja entende a liberdade como um dom moral: livre é o homem que age conforme a lei moral; quem se deixa levar pelas paixões é escravo. O livre-associativismo parte da premissa que o Estado não deve exercer uma vigilância moral sobre as associações. No máximo ele só poderia proibir associações se elas ameaçassem a liberdade alheia. Numa concepção católica cabe ao estado zelar pela lei moral sob a guia da Igreja devendo, portanto, proibir associações que se afastem da lei eterna. 

2- Os costumes e as convenções devem ser seguidas e respeitadas (tese conservadora)

Falso. A Igreja diferencia os costumes segundo a régua da lei eterna. Nem todo o costume é bom, mesmo os imemoriais. Um costume imemorial pode ser uma herança do pecado.  O homem está em estado de queda: nem todos os costumes herdados são expressão da verdade eterna. O cristianismo, nos seus primórdios, desafiou o costume estabelecido. Preconizava a igualdade dos homens perante Deus contra costumes escravistas que viam o escravidão como condição natural.  Um adágio conservador comum é que é preferível um diabo conhecido que outro desconhecido, para justificar a preservação de maus costumes herdados, mas que deram certo, contra inovações imprudentes que poderiam se mostrar piores que os costumes anteriores. Ora, isto é falacioso. Os reis católicos do medievo, para combater costumes pagãos arraigados, não mediram esforços para punir tais práticas com penas e multas. Danças pagãs, festividades sacrílegas, poligamia, bigamia, foram combatidas com base na lei cristã que trazia a novidade da vida em Cristo. Partindo da falsa premissa conservadora a medida mais prudente dos reis católicos teria sido permitir a continuidade destas convenções pagãs para evitar desarranjos que pudessem causar males maiores que aqueles que procuravam combater. No entanto a aplicação de leis novas e mais sábias é necessária para mudar costumes maus e pervertidos pois a sociedade não é mero arranjo político mas algo ordenado a auxiliar na salvação eterna do homem. 

3- Há direitos para os quais o principal reconhecimento público é a antiguidade – incluindo, quase sempre, direitos de propriedade (tese conservadora)

Falso. Nem sempre o que é antigo é mais sábio ou justo. A Igreja mudou a sociedade antiga, substituindo várias prescrições do mundo clássico. Muitos "direitos" de propriedade, reconhecidos pela lei positiva, são fruto direito de rapina, egoísmo, roubo e guerra injusta. Todo direito, inclusive os de propriedade, deve estar fundado na lei moral  para ser legítimo. Caso não esteja, a autoridade pública tem o direito de reformar o uso da propriedade a fim de que ela atenda melhor ao bem comum. O direito a propriedade não é absoluto. 

4- Propriedade e liberdade devem ser a base da ordem social (tese liberal)

Falso. Propriedade e liberdade devem ser reguladas e ajustadas segundo a lei eterna. Quanto mais desregulação em matéria de propriedade - logo, mais liberdade de acumular sem freios legais ou morais - mais chance de que haja concentração de riqueza e menor liberdade para quem tem pouca riqueza, trazendo, inclusive, o risco de conflitos sociais vários. Ademais, o fim a que se ordena a sociedade não deve ser meramente temporal: propriedade e liberdade são valores importantes, porém inferiores ao bem sumo que é Deus. A base da ordem social deve ser o fim último. O Estado e a sociedade devem estar ordenados a Deus. A liberdade e a propriedade, portanto, devem ser moderadas e estabelecidas como meios que sirvam para ordenar os homens a este fim último. 

5- O indivíduo é soberano (tese liberal)

Falso. A Igreja não fala em termos de indivíduo - uma abstração liberal - mas de pessoa - noção recheada de sentido moral. O indivíduo é o sujeito livre presente nas teses contratuais de Hobbes e Locke. Livre de qualquer autoridade e que entra na vida social por vontade própria a fim de atingir fins imanentes e egoístas: vida, liberdade e propriedade. A concepção católica é outra: não existiu um "estado natural" onde o sujeito era um indivíduo livre, desligado de qualquer autoridade. Desde o Éden o homem está vinculado a autoridade de Deus e de sua lei. As autoridades civis existem para assegurar que os maus sejam punidos e os bons recompensados. A pessoa é um ser moral ordenado a Deus que é seu bem supremo. O indivíduo não é a fonte da lei, nem mesmo os acordos livres entre eles podem ser a fonte última da lei. A vontade individual pode se afastar ou se aproximar da lei eterna; logo, ela não pode ser a fonte das regras civis, que precisam estar espelhadas na lei de Deus. A soberania pertence a Deus e o homem deve obediência a ele e às autoridades que lhe representam na terra, zelando pela sua lei na sociedade. A rebelião só é justa contra o tirano que se afasta da lei eterna.   

Logo concluímos que, partindo das premissas políticas do liberalismo e conservadorismo, comparadas às da Igreja, é impossível ser ao mesmo tempo católico e aderir a nova direita que se forma aqui em nossas terras brasileiras. Os católicos brasileiros, se querem contribuir para a sanidade de nossa pátria, devem formar, quanto antes, uma nova ação católica, que seja capaz de permear nossa sociedade com a doutrina de Cristo aplicada ao campo político, livre dos escolhos ideológicos da nova direita que não é outra coisa senão uma falsa solução para combater a esquerda social-progressista-coletivista.


Rafael G. Queiroz. 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O semipelagianismo de Pe. Paulo Ricardo






Afinal, quem é Pe. Paulo Ricardo? Um sacerdote católico que zela pela doutrina ou só mais um herético com roupagem tradicional para melhor enganar os incautos? Cirilo de Jerusalém ensina que devemos aborrecer até os suspeitos de heresia. Pois bem: a observação que faremos sobre a doutrina de Pe. Paulo é justificada na medida em que ela se afasta da fé católica. 

Contextualizemos: num vídeo de 2012, o referido sacerdote, levanta a tese de que a imensa maioria dos protestantes não se converte à Igreja Católica apenas por ignorância. E suma: eles não teriam culpabilidade alguma nisso. A tese é interessante e bem construída. Ela parte das seguintes premissas (ou melhor dizendo, falácias): 

1- O que o protestante conhece da Igreja é uma caricatura vendida a ele por falsos pregadores que a caracterizam como mariólatra, papólatra, vendida ao mundo, corrupta, herética, contra a bíblia, etc. 

2- Eles acreditam nessa imagem e, evidentemente, se afastam daquilo que lhes parece diabólico, contrário ao evangelho de Nosso Senhor. 

3- Portanto não o fazem por malícia mas por ignorância: não tendo recebido um bom ensino, caem no erro por deficiência e incapacidade de conhecerem e discernirem o verdadeiro do falso. 

Logo, segundo o padre, a maioria dos "reformados" serão salvos pelo "oitavo sacramento", qual seja o da ignorância. 

Aqui cada um pode conferir onde e o que Pe. Paulo fala sobre o assunto: https://www.youtube.com/watch?v=yPjgEqXanuA


Pe. Paulo de forma leviana estende demais a "ignorância invencível". A Igreja admite a ignorância invencível? Sim em certos casos, mas alguns erros devem ser evitados: 

- O primeiro é o que nega uma salvação pelo batismo de desejo ( Heresia defendida pelo Pe. Fenney);

- O segundo é o que considera que essa salvação, por batismo de desejo, se dá facilmente e em casos onde o sujeito, mesmo não tendo esclarecimento das coisas divinas tem, ao menos, os meios disponíveis para se esclarecer. 

O erro de Pe. Paulo é o segundo. Semipelagianismo, ou seja, otimismo demasiado na boa vontade e boa fé de pessoas que tendo acesso a informações sobre a doutrina católica não as buscam, na verdade, por malícia. 

Sobre os dois erros disse o Santo Ofício em 1949:

"Entre as coisas que a Igreja sempre pregou e nunca deixa de pregar, está contida aquela sentença infalível que nos ensina que "fora da Igreja não há salvação". Este dogma, entretanto, deve ser entendido no sentido em que a própria Igreja o entende. Nosso Senhor, de fato, não confiou à explicação das coisas contidas no depósito da fé aos julgamentos privados, mas sim ao magistério eclesiástico...Pois, para se obter a salvação, não se exige a incorporação real (reapse), como membro, à Igreja, mas é exigido, pelo menos, a adesão a esta pelo voto e o desejo (voto et desiderio). Não é necessário que este voto seja sempre explícito, como se exige dos catecúmenos. Se o homem sofre de ignorância invencível, Deus aceita um voto implícito, assim chamado porque contido naquela boa disposição da alma com a qual o homem quer a sua vontade conforme à vontade de Deus...Estas coisas são claramente ensinadas na [encíclica de Pio XII Mystici Corporis Christi] em relação ao Corpo Místico de Jesus Cristo [...] Quase no final desta encíclica [...] convidando à unidade, com o espírito cheio de amor, aqueles que não pertencem à estrutura da Igreja Católica [o Sumo Pontífice] recorda aqueles que, "por anseio ou desejo inconsciente, estão ordenados para o Corpo Místico do Redentor"; não os exclui absolutamente da salvação eterna, mas, por outro lado, afirma que eles se encontram em um estado no qual "nada pode assegurar-lhes a salvação [...] pois que são privados de muitos e grandes socorros e favores celestes que só podem ser desfrutados na Igreja católica...Com estas prudentes palavras, desaprova tanto aqueles que excluem da salvação eterna todos os que aderem à Igreja apenas com um voto implícito, como aqueles que defendem falsamente que os homens podem ser igualmente salvos em qualquer religião...E não se deve nem mesmo pensar que seja suficiente um desejo qualquer de aderir à Igreja para que o homem seja salvo. Exige-se, realmente, que o desejo mediante o qual alguém é ordenado à Igreja seja moldado pela perfeita caridade; e o voto implícito não poderá ter efeito se o homem não tiver a fé sobrenatural" (Carta do Santo Ofício ao Arcebispo de Boston, 1949. Denzinger, 3866 -3872). 

O ensinamento é claro: "se o homem sofre de ignorância invencível"...Deus poderá salvá-lo. Mas quando ele sofre? O novo catecismo, no número 1859, tem sobre isso uma passagem interessante: 

"A ignorância involuntária pode diminuir e até escusar a imputabilidade de uma falta grave, mas supõe-se que ninguém ignora os princípios da lei moral inscritos na consciência de todo homem".

Em alguns casos a ignorância involuntária sequer elimina o pecado mas apenas reduz sua gravidade! E via de regra supõe-se que todos sabem distinguir o bem do mal, o falso do verdadeiro, e se não sabem devem buscar instrução para que saibam. Caso não busquem são culpados. 

Será que protestantes estão em ignorância involuntária? Pe. Paulo fala, até, do caso de católicos que teriam se tornado protestantes por pura ignorância sobre doutrina. Ou seja, estes teriam permanecido na Igreja por anos sem buscar esclarecimento e saíram dela quando ouviram o primeiro falso profeta lhes dizer que devoção mariana é culto a demônio, logo idolatria e satanismo. Alguém que tenha sido católico e que não tenha tido, durante a época em que o foi, o zelo de buscar conhecer a fé através de uma catequese, da leitura de obras devotas, das homilias, do catecismo romano,  pode ser mesmo tido como ignorante involuntário? Se esta pessoa nunca se interessou em saber, ao certo, o que a Igreja ensina sobre a devoção mariana, preferindo dar ouvidos a um falso pregador , ela tem mesmo boa vontade? O caso é só de ignorância inculpável? 

Se Pe. Paulo realmente crê assim então ele recaiu, evidentemente, em semipelagianismo, ou seja, ele reduziu, consideravelmente, a abrangência da ferida da natureza humana decorrente do pecado para lançar quase todo mundo num estado de bem aventurança. Parece-nos que a marmota de Pe. Paulo visa, inclusive, a legitimar o ecumenismo - que ele defende - com os protestantes. Nada melhor que "pintá-los' como gente inocente e ignorante, dotada de boa fé, para legitimar o diálogo ecumênico como se bastasse lhes mostrar o verdadeiro caráter do catolicismo para que se convertesseem 

Um índio, impossibilitado de conhecer a Igreja, estaria em estado de ignorância invencível. Um hotentote da selva africana idem. Um aborígene australiano também. Nunca, porém, um protestante ( a não ser que ele sofra de problemas mentais que impossibilitem o reto uso da razão) . Por várias razões: 

1- Um protestante não pode alegar ignorância invencível para conhecer a Igreja verdadeira, pois tem muitos meios de estudar as origens históricas do protestantismo, e a vida de Lutero, assim como os seus escritos, tomando ciência de que Lutero ensinou que se deve “Crer firmemente, e pecar muitas vezes”. Lutero ensinou a tese da santidade do pecado. E isso vai diretamente contra o que o protestante lê em sua Bíblia.

2- Todo protestante lê a Bíblia. Ora em São Paulo ele lê que “a Fé vem pelo ouvido”(Romanos 10, 17). E a fé do protestante vem pelos olhos, pela leitura da Bíblia. 

3- Na Bíblia, o protestante lê que Jesus disse: “Ide e ensinai”(São Mateus, XXVIII, 19). Cristo não disse: “Ide e imprimi”, "ide e vendei bíblias". Isso não existe na Bíblia.

4- Na Bíblia, o protestante lê que não adianta ler a bíblia, pois o escravo da raínha de Candace,quando o diácono Felipe lhe pergunta: “Compreendes o que lês?,respondeu:” Como poderei compreender, se não houver alguém que mo explique”(Atos dos Apostolos, VIII, 30-31). Logo, o protestante lê, na Bíblia, que não adianta só ler a Bíblia, se não houver alguém - ou seja a Igreja - que a explique, ensinando.

Etc. 

De modo que nenhum protestante pode ser salvo. Se Pe. Paulo Ricardo crê assim, então ele não é católico. 


Rafael G. Queiroz. 








segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Anticomunismo não basta pra ser bom católico




Um ensinamento claro sobre o engano de alguns setores neoconservadores católicos, dado pelo padre Luiz Cláudio Camargo da FSSPX, sobre a posição do Pe. Paulo Ricardo, um notório crítico do comunismo mas por um viés olavista e liberal:



[A] condenação (ou não) do comunismo, mesmo com toda a sua urgente atualidade e inegável conveniência, é problema menor no Vaticano II. Essa ausência de condenação [...] é um indício evidente da mentalidade não católica que reinou no Vaticano II. Certamente não é possível ser católico e ai mesmo tempo aprovar o comunismo, nem teórico nem prático. A Igreja já o condenou solene e definitivamente várias vezes. Já ensinou pelo seu Magistério autêntico que esse pensamento é incompatível com a Fé católica. Isso é certíssimo e qualquer católico sabe disso, ou deveria saber. Mas - esta é a primeira observação que queria fazer - não basta ser anticomunista para ser católico. O anticomunismo não é o critério último e definitivo do catolicismo autêntico. É possível, apoiado numa doutrina liberal também condenada pela Igreja, reprovar o comunismo. É possível ser anticomunista e estar completamente fora do pensamento da Igreja." - Padre. Luiz Cláudio Camargo (FSSPX) / Revista Permanência. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O que está por trás do antiTrumpismo delirante?


     

Bremmer, um pateta a serviço de Wall Street. 




     Aqui não temos a ilusão de ver Trump como o "messias" que vai salvar o mundo da degeneração da Nova Ordem Mundial. Evidente que isso passaria por um ressurgimento cristão amplo, só possível se a crise na Igreja Católica for resolvida. Contudo não podemos nos dar ao luxo de não considerar que Trump, em diversas linhas, se opõe às forças globalistas. Suas recentes ações referentes a disposição de cancelar acordos climáticos mundialistas - que sabemos põe em risco o crescimento industrial dos EUA mas também de países emergentes como o Brasil - e de nomear ministros vinculados ao antiabortismo, mostram que, apesar de algumas graves limitações de seu governo, existem sinais decisivamente positivos quanto ao seu papel antiglobalista.  

     Um dos signos que evidenciam o antiglobalismo de Trump é a maquinação mundial de todos os grandes canais de mídia - que obedecem, via de regra, ao financismo mundial - para manchar de todos os modos a sua reputação. Acusações vagas de "homofobia", "sexismo", "racismo" são lançadas contra o novo presidente americano - sem que nada disso seja provado, acusações destinadas a atingir a imaginação moldável das massas através da repetição de injúrias em todos os canais, para dar a impressão de unanimidade - enquanto, por outro lado, "análises" geopolíticas fajutas são vendidas à classe intelectual como expressão do "perigo real e imediato" representado por Trump, que seria o ponto de inflexão da globalização, sempre apresentada como um processo inevitável de progresso da humanidade que não poderia ser parado sem prejuízo dos "direitos humanos". 

     Aqui no Brasil esta pantomima midiática é representada, sobremaneira, pela Globo News que resolveu trazer ao público uma entrevista de Ian Bremmer, guru de geopolítica do The Economist. Bremmer é um sujeito que teve a carreira financiada por grupos financeiros ligados a Wall Street. Ele é um intelectual orgânico, a serviço do mundo bancário . Seu papel é dizer que a globalização promove paz, progresso, prosperidade e que governos que se opõem à mesma criam instabilidade e abrem espaço para guerras, conflitos, atraso, pobreza, etc. 

      Entre seus compromissos profissionais, Bremmer atua como professor na Universidade de Nova Iorque, é o colunista de assuntos externos e editor da Time , um colaborador para o Financial Times e também publicou artigos no Washington Post , no New York Times , no Wall Street Journal , em Harvard Business Review , Foreign Affairs e muitas outras publicações. Ele aparece regularmente na CNBC, CNN, Fox News Channel, Bloomberg Television, Rádio Pública Nacional, a BBC e outras redes. Trabalha no Conselho do Presidente da Fundação para o Oriente Próximo , no Conselho de Liderança da Cúpula de Concordia e no Conselho de Curadores da Intelligence Squared. Em 2007, foi nomeado como "Líder Global Jovem" do Fórum Econômico Mundial e, em 2010, fundou e foi nomeado Presidente do Conselho da Agenda Global para Risco Geopolítico do Fórum.

     Bremmer defende a tese que o mundo entrou num estágio de G-Zero desde 2008, ou seja, em que há uma crise de liderança global. Os EUA com Trump deixariam de ser a liderança global que sempre foram. Bremmer fala que há três aspectos principais dessa liderança americana que serão afetados pela administração Trump, ampliando o impacto do  “mundo G-Zero”, em que cada país cuida de si: o papel dos Estados Unidos como guarda do mundo; a arquitetura do comércio internacional e a defesa de valores globais.

      Sobre isso Bremmer aduz que:

"Não é para ser assim. Somos o número um, os Estados Unidos são o todo poderoso. Americanização e globalização, há várias gerações, são praticamente a mesma coisa. Seja com a Organização Mundial do Comércio, com o FMI, o Banco Mundial, os Acordos de Bretton Woods sobre a moeda; essas eram instituições americanas, nossos valores, nossos amigos, nossos aliados, nosso dinheiro, nossos padrões. Era assim que o mundo funcionava."(https://www.ted.com/talks/ian_bremmer_how_the_us_should_use_its_superpower_status?language=pt-br)

    Em suma: para Bremmer o erro de Trump é descolar os EUA da globalização. Os EUA devem servir à globalização, aos seus mecanismos financeiros em outras palavras. Ele afirma que se os EUA agora não podem liderar da forma tradicional ao menos deveriam liderar por exemplos, fornecendo os valores globais( direitos humanos universais, liberdade geral de comércio, democracia, igualitarismo, etc). 

    A presença dele na Globo News é uma estratégia: formar a opinião da classe letrada brasileira contra o trumpismo deixando claro o seguinte:

1- A Globalização precisa de um EUA interventor na política internacional senão como polícia da Nova Ordem para manter a Paz, ao menos como ator exemplar para espalhar valores morais que legitimem a globalização; 

2- Com Hillary esse papel ia continuar e com isso o mundo seria mais seguro(para os investidores de Wall Street é claro);

3- Com Trump isso acabou e assim a chance de haver "guerras por todo o globo" aumenta e muito;

   Bremmer é um prestidigitador; se pensarmos na quantidade de guerras que a atuação dos EUA como promotor do globalismo geraram, fica evidente sua má fé analítica: guerra do Golfo, do Iraque, do Afeganistão, balcanização do norte da África(primavera árabe), balcanização da Síria (com financiamento direito aos rebeldes sunitas), criação das condições para a fundação do Daesh, invasão da Europa por refugiados africanos e asiáticos provenientes das áreas balcanizadas, etc. Essa é "paz global americana" oferecida por Bremmer: um mundo seguro para os investidores da classe bancária mas altamente problemático para países pobres e fracos, para a Europa(cada vez mais ameaçada pela islamização graças aos valores globais ligados à abertura total de fronteiras), para os países do Oriente Médio que tem a coragem de enfrentar a banca americanista(lembremos do financiamento a grupos jihadistas que ajudam os EUA a enfraquecer os países árabes, como a Síria, que se insurgem contra seu intervencionismo político-econômico no Oriente Médio), para a América Latina(destinada a ser o "lugar de ganho" do globalismo, onde os lucros do mercado financeiros são altos enquanto o desenvolvimento nacional não decola pois fica a mercê do pagamentos de altos juros aos mega bancos mundiais) e para todos que são vítimas, agora, da engenharia política assassina e mamonista da casta globalista dos EUA. 

    O antitrumpismo é isso e mais nada: reação desesperada do mamonismo globalista. Feministas, militantes de direitos humanos e a classe acadêmica que vão às ruas protestar são apenas os peões convocados pelos filhos de Mamom para dar aparência de "humanitarismo" à luta contra Trump.


Rafael G. Queiroz (Bacharel e licenciado em História pela UERJ; especialista em História das Relações Internacionais pela UERJ).






sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Judeus: os pais do internacionalismo e do globalismo






   O historiador argentino Federico Rivanera, revela em sua obra, "La última etapa de la globalización: el gobierno mundial judío", páginas 23 a 25, a origem do internacionalismo que visa, entre outras coisas, atacar a noção de nacionalidade e de cultura. 

     O objetivo é claro: destroçar o que ainda resta de ocidente cristão para abrir caminho para o domínio duma elite política-econômica judaica. 

       Confiram abaixo: 










sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

As mentiras de Gugu sobre o Catolicismo



Luiz Gonzaga de Carvalho, filho de Olavo e guru esotérico, mente sobre a Igreja Católica.


Pontifica Luiz Gonzaga de Carvalho Neto, vulgo Gugu, a.k.a. Sidi Ahmad, astrólogo errante que já viveu numa penca de cidades brasileiras e na Romênia, vez ou outra dando cursos de religião comparada inclusive aos católicos - sob indiferença ou omissão da "ortodoxia combativa" de seu pai que já teorizou sobre excomunhões e interditos nos quais teriam incorrido (segundo ele) cardeais e até o papa:
"Qualquer padre de ESQUINA na Igreja Ortodoxa, se perguntado: 'por que que a gente tem que ter essa religião aqui', responde 'é simples, meu filho, você tem essa religião pra você realizar um processo que se chama THEOSIS, deificação; você vai fazer isto, isto, isto e aquilo pra você participar da vida divina até atingir a perfeição espiritual.' É perfeitamente claro.
No Ocidente, eu não sei por que, a religião cristã como que se AFEMINOU. Ela virou um discurso de uma novela de amor, é uma história de amor escrita por mulheres para mulheres. As pessoas vão à Igreja no Ocidente para obter experiências emocionais, pedir ajuda, se sentir bem, 'hmmm...', percebe? Mas isso não é o projeto cristão. Se você olhar até a Idade Média, todo mundo sabia que cristianismo não era isso!
Entra numa igreja ortodoxa e pergunta para um padre ortodoxo o que é o cristianismo e por que você deve fazer aquilo. Ele vai te dizer exatamente assim: 'é assim, assim, assim, por causa disso, disso, disso, e o propósito desse negócio é você obter a natureza divina.'
A Igreja Ortodoxa é a única igreja em que a população masculina equivale à população feminina. A única igreja em que os homens vão é a Igreja Ortodoxa. Porque ela não é apenas esse discurso emocional diluído que se tornou a Igreja no Ocidente, onde todo mundo vai à Igreja para aplaudir, pra se sentir bem, pra sentir que Deus te ama e você ama a Deus... Para a maior parte dos homens, isso soa mais ou menos como conversa fiada, papo furado, bobagem. Se tem uma coisa que homem não gosta é quando ele percebe que alguém está tentando manipular as emoções dele, e é geralmente isso que se faz na maior parte das igrejas no Ocidente."
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É verdade que houve uma feminilização - mais espiritual que propriamente comportamental - da sociedade como um todo e também dos leigos e da hierarquia eclesiástica da Igreja Latina.
No entanto, a virilidade católica é um artigo que pode ser encontrado em não poucos meios, mesmo na "Igreja Conciliar" de alguns lugares como a África ocidental, Filipinas, Hungria, Lituânia e Polônia. Sem falar na pujante "Igreja do Silêncio" que está nas catacumbas da China e de outras tiranias vermelhas residuais do Sudeste Asiático e do Extremo Oriente.
Além delas, há as igrejas católicas sui iuris cujas sés primaciais estão no mundo eslavo ou no Levante, mas cujo rebanho de fiéis (diasporizados, "autóctones" ou neoconvertidos) no Ocidente, além de numeroso e crescente, é cada vez mais percentualmente representativo dentro dessas igrejas particulares, o que tende a sepultar de vez certo viés de "capelania étnico-tribal" ainda conservado e entranhado nas igrejas cismáticas "ortodoxas" - tão supostamente mais bem preservadas da corrupção do "Ocidente liberal" quanto mais estáticas e mumificadas no orgulho da própria sofisticação, satisfeitas demais com a "Igreja do primeiro milênio" a ponto de não poderem se dar conta das almas de todas as gerações, estamentos e etnias que não tenham testemunhado desde o berço o esplendor da "Lux Orientalis". No entanto, é de justiça dizer que faz-se hiato a esse narcisismo eclesial triunfalista e acomodado sempre que as demandas dos poderes terrenos queiram usar a pretensa autoridade eclesiástica "ortodoxa" para sanar os desarranjos culturais internos de sociedades indóceis ou imprestáveis à ambição desses poderes, ou ainda, para aliciar deslumbráveis e desiludidos dos países estrangeiros hostis ou desconfiados de tais poderes. Eis aí súmula da "igreja" celebrada pelo Gugu e por ele colocada como modelar para a Igreja Católica.
Ah, permitam-me espichar esse parêntese (não tão parêntese agora) sobre essa questão da idoneidade do cristianismo crido e ensinado por católicos e "ortodoxos": por pior que de fato esteja, a Igreja Católica conserva os poderes de seu Divino Fundador e dos Apóstolos e pode deliberar conclusivamente em concílio acerca de suas perplexidades - como feito em Trento, por exemplo. Na falta de um tal debate, o desenlace dele pode ser protelado indefinidamente até sem prejuízo duradouro e inclusive ordinariamente substituído pelo juízo monocrático apenas aconselhado do papa. Já os cismáticos não demonstram poder fazer isso faz quase mil anos e não podem e/ou não querem dar assentimento a uma instância permanente de arbitragem e deliberação que supra ou substitua a falta de um concílio dogmático, de modo que deveriam admitir alguma das seguintes proposições:
- o poder dos Apóstolos deixou de existir entre os cristãos remanescentes
- o poder dos Apóstolos é supérfluo, desnecessário ou inútil na vida corrente da Igreja,
- o poder dos Apóstolos só age dentro da vida corrente da Igreja servindo-se da espontaneidade ou da correlação de forças de seus membros, sem a possibilidade de mediação por uma inteligência institucional jurídico-burocrática perene e visível a arbitrar disputas e a sanar dúvidas
- a mediação de uma inteligência institucional jurídico-burocrática intrínseca e visível obstaculiza e até impossibilita as operações do poder dos Apóstolos na disciplina e no esclarecimento da Igreja, o que torna a situação atual (misto de dúvida, disputa e estagnação) preferível às definições e ao desenvolvimento trazidos por um concílio dogmático ou pelo papado
- não há cristãos remanescentes que possam usar o poder dos Apóstolos
- tal poder continua a existir mas escapou das mãos dos "ortodoxos" (quem sabe para as mãos de novos guardiões do Evangelho, ou até para as mãos de propositores de um "novo Evangelho" ora ignorado ou ainda por vir ...)
- o poder dos Apóstolos está aquém da plenitude na Terra sem um papa correligionário, o qual só poderia ser dado aos crentes nos dias de hoje com a ereção de um novo papado cuja sede e ocupante ainda não foram (se é que poderiam ser) acordados entre os "ortodoxos", o que TALVEZ pudesse acontecer na conclusão dos trabalhos de um concílio cuja qualificação dogmática teria de ter reconhecimento unânime entre tais crentes, concílio esse que aparentemente não estão em condições de reunir ou de concluir
- o poder dos Apóstolos só serve para exercer uma taxidermia eclesiástica reativa a Roma, e mesmo assim incapaz de produzir uma contestação ampla, cabal e unívoca capaz de sistematizar uma doutrina vinculante respaldada por medidas jurídicas, políticas e pastorais coerentes e sinérgicas contra os erros supostamente levantados desde o Vaticano, tornando assim a "Ortodoxia" um clube de queixosos (quanta virilidade, Gugu!) e de (olha que ironia!) protestantes
- o poder dos Apóstolos continua onde sempre esteve e estará: na Igreja Católica Apostólica Romana, assistida de forma integral pelo Divino Espírito Santo, de modo que só isso explicaria que a Roma ébria de liberalismo e modernismo é salva de si mesma sempre que se esforça para destruir a moral, a disciplina, a liturgia e a espiritualidade sustentados por séculos entre o povo fiel.
Portanto, antes que queiram renovar seus resmungos anti-romanos, os "ortodoxos" deveriam se dar ao trabalho de uniformizar (mediante um concílio com começo, meio e fim cujas conclusões sejam vinculantes e aceitas por todos eles) o entendimento e a aplicação correntes da doutrina do primeiro milênio de cristianismo e responsabilizar e penalizar de forma direta todos os culpados pelos desvios introduzidos pela "Roma novidadeira" que alegam detestar. Até lá, que tratem de ficar quietos - ou de fazer o "mea culpa" pela propagação de supostas heresias que se eximem de condenar com os meios mais eficazes hipoteticamente disponíveis - ou seja, o tal concílio de que falei ou um papado confiável e de reta doutrina restabelecido pelos verdadeiros crentes. Podem ir brincar de headbangers lá no Muro das Lamentações com os deicidas ...
Findo esse parêntese extenso, e considerados os casos talvez ainda promissores dessas igrejas particulares isoladas e precarizadas da recensão do Novus Ordo ou a ela subservientes, há ainda que se considerar também a reserva de espiritualidade varonil dos contingentes cada vez maiores e mais combativos do pessoal ligado à antiga liturgia latina - frequentada até mais pelos homens que pelas mulheres, e mais pelo destemor dos jovens que pelo saudosismo dos velhos.
No mais, que o Gugu trate de abandonar o sincretismo e o ecletismo tariqueiro antes que a barba dele fique completamente chamuscada pelos miasmas sulfúricos do Inferno, miasmas esses que já o estão deixando com a aparência de alguma coisa que lembra a hibridização da Marina Silva de porre com o Schuon usando Jequitilt. Até que ele desista de ser o Seu Madruga sufi que pensa que é a Bruxa do 71, é bom também que ele dê uma melhorada na acurácia das previsões astrológicas com as quais ele cativa elementos que tem mais dinheiro que juízo ou memória. Afinal, não são todos que se esqueceram do mapa astral por ele confeccionado no qual era vaticinada a vitória de Ciro Gomes nas eleições presidenciais de 2002.

Autor: Victor Fernandes. 


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Olavo "Lutero" de Carvalho

 Olavo mentiu para mim: Episódio 3!







Todos sabem que Olavo se jacta de ser católico mas todos sabem, também, que várias de suas falas destoam, radicalmente, do ensino magisterial da Igreja Católica. 

Mais uma vez o mago de Campinas mostra seu enorme compromisso com a ortodoxia romana ao postular uma doutrina estranha sobre a salvação, pois vejamos: 







O que Carvalho diz, é próximo demais da visão forense de salvação, postulada por Lutero. O heresiarca alemão, responsável pelo movimento protestante, aduzia que a salvação viria somente pela fé, sem a necessidade de obras. O que Olavo assevera não é exatamente isso mas é próximo, muito próximo disso. Segundo Lutero, como somos pecadores e, mesmo depois da atuação da graça em nós pela fé, continuaremos a sê-lo( Lutero identifica pecado e concupiscência; na teologia católica concupiscência é apenas tendência ao pecado) então não poderemos entrar no céu senão por um decreto judicial da parte de Deus: Cristo nos cobrirá com o "manto da justiça" e o Pai, ao invés de olhar para nosso interior pecaminoso e impuro, olhará para o manto de Cristo, onde estão cravados seus méritos. Mesmo impuros, entraremos no céu por conta duma salvação puramente externa, jurídica, fiducial. 

Olavo diz quase o mesmo na primeira postagem: se nossas obras não forem suficientemente marcadas pelo amor de Deus e estiverem enxameadas de impurezas e de amor desordenado às criaturas, então Cristo usará essa má imitação dele por nós, contra os demônios, para nos salvar. Segundo Carvalho até aos demônios repugnará tal decisão arbitrária de Cristo que, mesmo sabendo de que o imitamos mal - o que equivale a dizer que não o imitamos -  nos dará a salvação sem mérito sobrenatural de nossa parte (ou seja, sem que estejamos imbuídos de obras de caridade, de amor  a Deus). Na postagem seguinte a coisa piora; ali ele tenta conciliar duas teses contrárias: a de que somos salvos só pela fé e a de que a fé sem obras é morta; a confusão é total pois quando São Paulo diz que o "justo viverá pela fé" não aduz que a pura fé, a pura confissão de Cristo, basta para a salvação. A argumentação de São Paulo na mesma epístola aos Romanos, onde fala de que o justo vive pela fé, mostra claramente que a fé de Abraão foi operativa: por que ele creu, agiu e ofertou o filho a Deus. A fé leva às boas obras. Essa contradição entre fé e obras só existe na insanidade herética dos protestantes, jamais no interior da doutrina católica. Ademais, a repulsa de São Paulo a certas obras, como via de salvação, se refere às obras antigas, às observâncias da antiga lei e não dos mandamentos da nova lei, trazida por Nosso Senhor Jesus Cristo.  Portanto, Olavo parte de uma premissa protestante, de um pressuposto luterano fundado num falso problema e numa irreal oposição entre salvação por fé e ou por obras, para avaliar a questão da redenção. 

A seguir o bruxo da Virgínia admite que o bem que fazemos não serve à nossa salvação mas apenas serva  para que Deus tenha um "pretexto" para nos salvar. Mais uma vez a heresia luterana se insinua. A doutrina católica admite que sem fé é impossível agradar a Deus mas entende, igualmente, que as obras nos mantém na graça, pois fomos salvos para praticar o que é bom; outrossim o homem, sem a graça, nada pode fazer de bom; a posição católica é clara: a fé nos redime pela graça e nos dá os meios sacramentais necessários para que façamos o bem que agrada a Deus e sem o qual não podemos ser salvos pois nada de impuro pode entrar no céu. Como diz o catecismo tridentino: 

“[…] Tudo atribuindo à Sua bondade [de Deus], agradecemos sem cessar Áquele que nos comunicou o Seu Espírito, por cuja valia nos encorajamos a chamar "Abba, Pai!". Depois, consideraremos, seriamente, o que nos toca fazer, e o que nos toca evitar, a fim de conseguirmos o Reino do céu. Com efeito, Deus não nos chamou para a inércia e preguiça, porquanto chegou até a dizer: ‘O Reino do céu cede à violência, e são os esforçados que o arrebatam’ [Mt 11,12]. E noutra ocasião: ‘Se queres entrar para a vida, observa os Mandamentos’ [Mt 19,17]. Por conseguinte, aos homens não lhes basta pedirem o Reino de Deus, se de sua parte não houver zelo e diligência para o alcançar; precisam pois, colaborar vigorosamente com a graça de Deus [1Cor 3,9], e manter-se no caminho que conduz ao céu” [ Catecismo Romano. Edições Serviço de Animação Eucarística Mariana. Tradução de Frei Leopoldo Pires Martins, O. F. M. Pg 526-527.]


 A tese do "pretexto" é semelhante à da redenção judicial de Lutero pela qual alguém é salvo apesar de suas más obras, ou apesar da insuficiência de caridade de suas boas obras, por um decreto divino que usa o manto de Cristo como pretexto jurídico. Comparem a afirmação de Lutero à de Carvalho: 

“Se és um pregador da graça, então pregue uma graça verdadeira, e não uma falsa; se a graça existe, então deves cometer um pecado real, não fictício. Deus não salva falsos pecadores. Seja um pecador e peque fortemente, mas creia e se alegre em Cristo mais fortemente ainda…Se estamos aqui (neste mundo) devemos pecar…Pecado algum nos separará do Cordeiro, mesmo praticando fornicação e assassinatos milhares de vezes ao dia” [Carta a Melanchthon, 1 de agosto de 1521 - American Edition, Luther’s Works, vol. 48, pp. 281-82, editado por H. Lehmann, Fortress, 1963]

Embora haja uma diferença de tom e forma, em termos de conteúdo as alegações de Lutero e Carvalho são substancialmente próximas. 

Quem tiver olhos que veja: Olavo mentiu. Olavo não é católico.