sábado, 6 de junho de 2020

O imbecil coletivo "conservador" perante a OMS: a burrice bolso-olavete exposta.


Coronavírus: OMS registra 427.630 mortes e 7.690.708 casos no mundo


A doutrina social da Igreja pontua que a saúde é um bem comum, o que significa que o acesso à mesma deve ser universal. Partindo deste pressuposto iniciativas seja do Estado, seja de órgãos internacionais que subsidiam os Estados em ações de saúde, estão perfeitamente em consonância com o ensino social católico na medida em que apoiam iniciativas locais e nacionais de combate a moléstias que transcendem as fronteiras pátrias. No caso do combate a uma epidemia mundial que exige ações em comum a fim de que a vida dos povos seja garantida é perfeitamente aceitável e razoável que haja uma coordenação. É importante frisar isso pois há, neste momento, alguns católicos reverberando uma crítica da direita política bolso-olavista à OMS, ao mesmo tempo que rechaçam seu papel em qualquer caso. Essa crítica acaba, muitas vezes, indo na direção de uma visão ingênua de que qualquer coordenação em termos de política sanitária entre estados-nações via um órgão internacional são um exemplo de “globalismo”.

Primeiro é preciso dizer que é inegável que a OMS nasce dum ideário globalizante enquanto órgão que preconiza medidas padronizadas de saúde pública que muitas vezes não levam em conta a cultura dos povos. Exemplo disso é a campanha da OMS contra a mutilação do clítoris em tribos africanas sob a justificativa de que isto constitui opressão patriarcal ao sexo feminino, desigualdade de gênero e violência. Todavia é sabido que nestas populações a retirada do clítoris se reveste de caráter religioso e cultural, é um rito de passagem e até mesmo as mulheres destas tribos costumeiramente aceitam tal práxis dado que ela é ista como a remoção duma parte “masculina” da genitália, uma limpeza que contribuiria, segundo a maneira de pensar destas populações, para a maior beleza da mulher e maior adequação da mesma ao papel de esposa. Não queremos aqui entrar no mérito da discussão sobre se tal prática é justificável mas é óbvio que este tipo de intervenção da OMS é uma tentativa de invasão na identidade cultural de diversas nações africanas, sob auspício duma visão ocidentalizante do como deve ser tratada a mulher. E aqui temos algo muito interessante: o ideário da OMS não é exatamente “comunista” como querem os idiotas conservadores ao estilo olavista que pululam no Brasil, mas sim ocidentalista. Por outro lado apesar das iniciativas da OMS neste sentido ela não tem poder coercitivo para obrigar países a proibir as práticas de mutilação, agindo mais como fórum de pressão sobre os países ocidentais que financiam a África de modo a submeter ajuda financeira ao cumprimento dos “direitos das mulheres”, fazendo campanhas de conscientização através dos médicos sem fronteiras, etc. Prova disso é que, apesar das suas recomendações no tocante ao trato da Covid-19 houve muitos países que não seguiram os protocolos da mesma, sem sofrerem sanção alguma por conta disso ( Aliás é bom destacar que a maioria dos países que ignoraram a OMS neste caso foram Belarus, Turquestão, Vietnã, Nicarágua, Venezuela, México, todos países que tem governos socialistas ou de esquerda, o que desmonta a tese do bolso-olavismo político de que medidas de locaute ou isolamento seriam de cunho “comunista”).

Por outro lado há iniciativas da OMS muito positivas como os esforços para controlar doenças tropicais negligenciadas – tais como dracunculíase (infecção pelo verme da Guiné), lepra, esquistossomose, filariose linfática e bouba – que resultaram em ganhos progressivos na área da saúde, incluindo a erradicação da dracunculíase. Desde 1989 – quando a maioria dos países endêmicos passou a relatar mensalmente a situação de cada localidade infectada a OMS– o número de novos casos de dracunculíase caiu de 892.055, em 12 países endêmicos, para 3.190, em quatro países, em 2009: uma redução de mais de 99%. Isto foi resultado de ações conjuntas da OMS junto aos estados africanos, numa abordagem plenamente condizente com o princípio da subsidiariedade da Doutrina Social da Igreja, que preconiza que entes superiores deem suporte a entes inferiores a fim de que os segundos consigam dar conta de suas demandas sociais, econômicas, sanitárias, culturais, etc.

Dito isto precisamos contextualizar a recente alegação do governo Bolsonaro de que irá retirar o Brasil da OMS. Os “conservadores” de plantão ( “conservadores” que nada conservam na medida que postulam o liberalismo econômico e a consequente destruição dos instrumentos de defesa e ação do Estado Brasileiro via privatizações do nosso patrimônio ) imaginam que isto será melhor dada a recente atuação falha da OMS no que tange ao Covid-19. Sabe-se que a OMS atrasou o alerta de emergência sanitária por pressão da China como podemos ver aqui:

Depois de sete horas de reuniões entre especialistas na Organização Mundial da Saúde, adiamentos de anúncios e pressões nos bastidores, a entidade com sede em Genebra anunciou na noite de quinta-feira que seria "cedo demais" para declarar uma emergência sanitária global por conta do coronavírus. A decisão, porém, rachou os especialistas convocados de forma extraordinária e demonstrou a dificuldade e pressões sobre um anúncio que poderia ter amplo impacto comercial e político. "Houve uma divisão dos membros", reconheceu Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS....Mas a conclusão da OMS também foi resultado de uma ampla manobra do governo da China para evitar um constrangimento internacional. Politicamente, a declaração de emergência significaria um duro golpe contra a economia local e, em especial, contra o presidente Xi Jinping. Fontes em Genebra acreditam que, se a opção fosse por tal medida, o sinal que se mandaria ao mundo era de que Pequim não estaria sendo capaz de conter um surto, um certificado de uma falha no seu sistema de saúde....” - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/01/24/sob-pressao-china-manobra-para-abafar-emergencia-sanitaria-global.htm?cmpid=copiaecola

Para bem colocarmos a questão é preciso que entendamos como a OMS funciona. Da OMS fazem parte os 194 países membros da ONU, incluso o Brasil. Os Estados- membros nomeiam delegações para a Assembleia Geral da Saúde Mundial que se reúne em Genebra. A saída do Brasil e o corte de recursos advindos dos EUA a OMS – tal como anunciado por Trump – é algo que favorecerá ainda mais a China pois, numa próxima epidemia, ela poderá, mais uma vez, atrasar o aviso de emergência mundial como se deu agora, coisa que não aconteceu no quadro da H1N1 por que os EUA atuavam mais diretamente na OMS. Na época o surto de H1N1 teve início em meados de março de 2009 no México. A OMS, já no começo de Abril, quando o número de infectados era bastante baixo, lançou o alerta mundial de epidemia, permitindo aos países que se preparassem melhor para combater a moléstia. Comparem o trato que a OMS deu ao H1N1 com o que deu ao Covid-19, que é dez vezes mais letal que o H1N1: NO CASO DO COVID-19, CUJOS PRIMEIROS CASOS FORAM REGISTRADOS NO FIM DE DEZEMBRO DE 2019 ATÉ O ALERTA DE EMERGÊNCIA, PASSOU-SE UM MÊS! Nesta altura já havia mortos pelo COVID-19 na China!

Mesmo em fevereiro a OMS, ainda sobre pressão da China, recursou a considerar a coisa como pandemia mesmo o Covid-19 já tendo registros em 37 países como vemos aqui: https://news.un.org/pt/story/2020/02/1705381 ).

Como bem observou Tatiana Prazeres, especialista em relações internacionais:

os Estados Unidos estão mais autocentrados e menos dispostos a liderar uma resposta internacional para a pandemia, o que abre espaço para o avanço dos chineses. A China está ocupando um espaço gerado pela retração dos americanos", aponta ela, que é professora na Universidade de Negócios Internacionais e Economia, em Pequim. "Há realmente o risco de que a mudança geopolítica se dê nessa direção, e é um resultado que depende mais do que os americanos estão deixando de fazer do que o que a China está fazendo." - https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52410557


Desta forma tudo isto expõe a absoluta incapacidade intelectual dos conservadores brasileiros de lerem o contexto político internacional. Se a China pode ser culpada pela pressão feita sobre a OMS, Trump e os EUA também devem ser responsabilizados em razão de seu desinteresse nas questões sanitárias mundiais.

Outro ponto em que precisamos insistir é no do financiamento da OMS. A retração do financiamento dos USA à organização vai aumentar a influência de fundações globalistas como a de Bill e Melinda Gates e a da Fundação Rockefeller além dos mega-oligopólios farmacêuticos. Não era a hora de Trump aumentar os recursos para a OMS e fazê-la servir aos países em vez de ser pautada por ONGs e Fundações vincadas ao poder financeiro internacional ( Hoje a OMS recebe recursos de 80 ONGs que não tem compromissos com os estados-nações mas que atuam como Lobbys de causas como a do feminismo, a mesma que embasa a campanha de invasionismo cultural da OMS em tribos da ÁFRICA que extraem o clítoris das meninas ) ? Não é a hora da direita que se diz anti-Globalista tomar a peito a missão de rediscutir o papel da OMS e ONU em vez de simplesmente recusá-las? Não é a hora de fazer essas organizações servirem de entes que subsidiam ações positivas em prol do bem estar geral e dos estados-membros em vez de levar a cabo uma crítica imbecil e desconexa do mundo real que hoje exige ações conjuntas para vencer problemas que acabam transbordando fronteiras? O fato é que a OMS não vai desaparecer quando Brasil e EUA saírem dela. Isto tudo expõe o caráter psicótico do fenômeno bolsonarista; o apoiador médio do presidente hoje encampa o “estado mínimo” legitimando sua opinião na base do combate a corrupção, na base do “já que usaram o estado para roubar, diminuamos o estado!” - isto equivaleria a dizer que devemos ter menos carros circulando porque há quem os utilize para cometer assaltos! Da mesma maneira fazem com a OMS: já que ela foi usada pela China vamos abandoná-la.

Lembramos que Tedros Adhanom, chefe da OMS desde 2017, só pode virar o diretor geral dela por conta do Lobby da China sobre a instituição, ampliado justamente no ano em que Trump subiu ao poder nos USA com a retórica de deixar de lado a atuação dos EUA nos órgãos internacionais. Se um país se faz presente na OMS ele evita que China paute quase exclusivamente a OMS e pode se fazer ouvir. Saindo não há esta chance.

Já passa da hora do imbecil coletivo bolsonarista que repete clichês automaticamente, começar a refletir, se é que isso ainda é possível.


quinta-feira, 21 de maio de 2020

O Nacionalismo, a Religião e o Catolicismo: esclarecendo um mal entendido.

Roman Dmowski | Na historycznej wokandzie - NINATEKA
Roman Dmowisk, líder do nacional-catolicismo polonês


Faz-se mister esclarecer um velho mal entendido, em boa parte fruto dalguns polemistas católicos que acostumaram o público a considerar a “onda nacional” como uma heresia política e a admitir, no máximo, na seara católica, o patriotismo ( uma versão amena do nacionalismo como se esta fosse, sempre, uma absolutização da nação colocada no lugar de Deus ). A confusão foi criada, em certo aspecto, pela ignorância dos tais polemistas em relação a história e, em outro, pela tentativa deliberada de impor conceitos doutrinais a todo e qualquer regime que exibisse o nome de “nacional”, sem pesar fatos e fazer distinções no seio dos amplos espectros deste fenômeno, esquecidos da definição que Rene Remond dá ao mesmo enquanto realidade aberta a uma gama de conteúdos na medida em que este oscilava, durante o século 19 entre aspirações liberais e, logo, revolucionárias, e aspirações tradicionais, portanto reacionárias, a depender do terreno em que se manifestassem.

A primeira onda nacional surge do apelo jacobino à nação francesa contra o poder régio e contra o “complô dos aristocratas”: é o soberanismo popular. A convenção nacional de Robespierre exalta o povo em armas em prol da República. Nação, neste caso, é um conceito meramente útil: é “o coletivo do terceiro estado” contra os aristocratas não só franceses mas do mundo inteiro. A França, pátria da liberdade, não tem por fito estender suas fronteiras mas a da liberdade tomada como um absoluto; o princípio primeiro do Jacobinismo não é a Pátria nas suas tradições mas a liberdade do povo, símbolo da liberdade da humanidade. O horizonte jacobino é, sumamente, humanitarista. Prova de que a nação não tem nenhum conteúdo fixo de tradições na mente dos revolucionários franceses e que ela é tão só uma abstração, é que o mesmo conceito pode ser usado para justificar a subida dos jacobinos em nome da nação soberana como para legitimar sua derrubada.

As guerras de Napoleão (1805-1815) marcaram a luta da França por expandir essa “liberação da humanidade”. Contudo a reação ao invasor francês gerou duas atitudes políticas: uma restauracionista, monárquica e absolutista e outra reacionária-nacionalista. Em alguns casos, como no da Prússia houve uma síntese do sentimento monárquico ao nacional sob a chefia de Frederico Guilherme III que liderou a luta restauracionista prussiana a partir da derrota sofrida em 1807, quando se refugia em Kaliningrado para, junto de alguns militares reformistas como Blucher e Von Stein, empreender uma reforma modernizadora do Estado ( uma modernização conservadora ) a fim de ter meios para enfrentar o poderio napoleônico; isto garantiu a vitória alemã contra a França em 1813 na batalha das nações em Leipzig. É importante destacar isso pois há quem tente vincular, exclusivamente, o pensamento de Rosseau – a filosofia base da revolução francesa – com o ideário nacional. Rosseau era um igualitarista republicano como vemos em sua obra basal, “O Contrato Social”; todavia o mesmo Rosseau escreveu uma proposta de reforma da constituição polonesa onde, chamado a orientar a nobreza polaca às voltas com o problema da nação, em face às ameaças do exterior, Rousseau patrocina a causa de um conservadorismo aristocrático pouco compatível com o igualitarismo republicano que advogava no plano da teoria. Essa questão indica uma contradição absoluta que acompanha as relações entre democracia liberal e nacionalismos, que é o sistemático apequenamento da democracia em nome dos interesses nacionais. Onde um cresce o outro decresce.

Logo há uma idéia nacional que emerge da reação ao “afrancesamento” - identificado com o estado laico e as liberdades -que encontrará uma alta expressão em Herder cuja fama é devida ao fato dele ser o pai das noções de historicismo e de volksgeist, bem como o líder da revolta contra o classicismo, o racionalismo e a fé na onipotência do método científico. Eis o que chamamos de nacional-reacionarismo.

Na França uma reação a revolução também se organizou em torno de idéias nacionais: é no âmbito do conservadorismo e do tradicionalismo que as idéias de nação e o nacionalismo francês vão se desenvolver, seja no contexto da Revolução de 1848 seja como reação à derrota na guerra com a Prússia em 1870, seja como reação à Comuna de Paris, em 1871, seja como reação à crise da Terceira República, no final do século XIX, de que é emblemático o caso Dreyfus. Aqui se trata da reiteração de uma tradição conservadora que tem início com François-René Chateaubriand (1768-1848) e Felicité Robert de Lamennais (1782-1854), e que tem seu trecho intermediário com François P. G. Guizot (1787-1874), Pierre G. F. Le Play (1806-1882), Ernest Renan (1823-1892) e Hippolyte Taine (1828-1893), encerrando-se com os autores nascidos na segunda metade do século XIX: Maurice Barrès (1862-1923) e Charles Maurras (1868-1952). Do tradicionalismo católico e aristocratizante de Chateaubriand e Lamennais ao conservadorismo cientificista e patriótico de Renan-Taine-Le Play, ao nacionalismo monarquista, militarista e anti-judeu de Barrès-Maurras-Péguy. Em todas essas versões, a unidade básica de pensamento é a utilização da idéia de nação como instrumento de luta contra a democracia, contra o movimento popular, contra o socialismo e em prol do catolicismo ( no caso de Lamenais-Barrés-Maurras ) .

A Polônia em seu surto nacionalista também foi marcada pelo reacionarismo além do catolicismo; ele atingirá sua máxima importância na segunda metade do século XIX e na primeira metade do século XX. Suas ondas cruciais seguiram a derrota polonesa na revolta de janeiro de 1864. O levante de janeiro foi uma revolta na antiga República das Duas Nações (atual Polônia , Lituânia , Bielorrússia , Letônia , partes da Ucrânia e da Rússia Ocidental ) contra o império russo. Um elemento importante do nacionalismo polonês foi sua identificação com a religião católica, com base na narrativa do “Cristo das Nações” e sua forte conotação espiritual que acabou se tornando uma das características definidoras da identidade polonesa moderna. Roman Dmowski, um político polonês da época, foi vital na definição desse conceito e foi chamado de "pai do nacionalismo polonês". Dentro da visão do “Cristo das Nações”, a nação polonesa, que seria originária do antigo povo dos sármatas, teria a cumprir um papel especial na história do mundo. A República das Duas Nações devia ser o baluarte da cristandade, o asilo da liberdade e o celeiro da Europa. Esses ideais já tinham sido expressos por Wespazjan Kochowski (1633-1700), poeta e historiador da corte do rei João III Sobieski, representante do chamado barroco sármata.

O nacional catolicismo polaco reportava-se à visão do martirizado Jesus-Messias (identificado com os eslavos, a Polônia), que devia salvar e unir os pecadores (as outras nações da Europa). As principais características da filosofia do Cristo das Nações, comuns à maioria dos seus representantes conhecidos, são: a convicção a respeito da existência de um Deus pessoal; - a fé na existência da alma; a ênfase ao predomínio das forças espirituais sobre as físicas; a visão da filosofia e/ou da nação como o instrumento para a reforma de vida e a salvação da humanidade; a ênfase ao significado eminentemente metafísico da categoria de nação; a afirmação de que o homem pode realizar-se plenamente apenas no âmbito da nação, numa comunhão de espíritos; o historicismo manifestado na afirmação de que são as nações que determinam o desenvolvimento da humanidade. Dentro deste espírito os nacionalistas polacos imaginavam que a Polônia era quem estava mais qualificada para representar o ideal da nacionalidade, porque, pelo próprio fato da sua existência, era uma testemunha de quão falso e artificial é identificar a nação unicamente com estado, já que a nação podia sobreviver à destruição do estado e recusar-se a ser amalgamada com as potências vitoriosas que a dominavam politicamente. A Polônia estaria, aí, também qualificada para representar o ideal de uma nova ordem internacional baseada em princípios morais e teocêntricos. Importante notar a diferença entre esse nacionalismo polaco – onde a nação é algo anterior ao Estado cujo papel é tão só o de instrumento da nação que é, por tabela, instrumento de Deus – e o alemão-protestante de Fichte que tratará o Estado como síntese final da nação alemã – igualmente tomada como ponto terminal da evolução da humanidade, como o Absoluto.

Durante o século 19/20 religião e nacionalismo vão compartilhar alguns traços e funções comuns: fornecerão mitos de origem, santos e mártires, objetos, lugares e cerimônias santas, um sentido do sacrifício e das funções de legitimação e mobilização. O avanço nos estudos sobre o nacionalismo durante os anos 80 levaria, diferente dum enfoque dado aos estudos sobre o nacionalismo enquanto fenômeno secular, a refletir sobre o lugar do religioso diante de outras referências culturais na ideologia nacionalista. Assim os estudos historiográficos sobre a história das religiões durante as duas últimas décadas deram uma imagem mais atenuada de suas evoluções. No lugar de acentuar a crítica da religião como se manifesta durante o século das Luzes e no século XIX, os estudos insistem sobre as formas diferentes de subsistência, ou seja, de renascimento do "religioso" nas sociedades européias. Georg Mosse destacou o fato, em seu livro sobre a nacionalização das massas, de que o nacionalismo não é somente um movimento político e social, mas utiliza também uma linguagem e símbolos religiosos. Em sua ótica, o nacional-socialismo é a realização dessa osmose entre a nação e a religião no interior da cultura política alemã. O'’Brien explica como a nação é considerada, em seus posicionamentos, enquanto eleita, sagrada ou divina. É também importante observar como a nação é associada à idéia de sacrifício e como esse sacrifício é legitimado. É óbvio que o catolicismo se põe em guarda contra a divinização da nação mas não é exatamente disso que se trata; em uma perspectiva comparada, é surpreendente ver como as políticas da memória e simbólicas se assemelharam nas sociedades européias do século 19 no tocante a construção da identidade. Elas se apoiavam em figuras religiosas do passado, tanto para celebrar a longevidade da unidade nacional criada pela cristianização católica do país – como São Venceslau, na Thecoslováquia; Bonifácio, na Alemanha; Joana d’Arc ou São Luís, na França – quanto para comemorar uma ruptura da unidade católica no passado como o início de uma evolução que conduziria a um estado nacional laico (na linha dum nacionalismo revolucionário) do presente: Jan Hus, Martinho Lutero, Giordano Bruno, uma Joana d’Arc republicana podiam servir de exemplo a isso. A nação e o Estado-nação que a essas tradições se referia deviam ganhar legitimidade histórica e ser colocadas, para além das ações quotidianas, em uma esfera religiosa. Isto significava a elevação da nação ao caráter de uma construção não contingente, como uma entidade fechada, única e holística.

Uma abordagem interessante no que tange ao baixo impacto do secularismo nas ondas nacionais do fim do 19 e começo do 20, é aquela feita por Oliver Janz que estudou as referências religiosas utilizadas, durante a Primeira Guerra, pelos autores de publicações freqüentemente públicas, ou semi-públicas, para se lembrar dos oficiais e soldados italianos mortos nos campos de batalha. Ele avaliou um grupo de 2.300 escritos, dos quais 95% se referiam à nação, sem, no entanto, exprimir sentimentos anticlericais. Em sua análise, esses escritos não mostram o sucesso de uma campanha anticlerical, mas a simbiose entre uma interpretação nacional da guerra e da morte descrita em uma linguagem religiosa. Os mortos são vistos como mártires de uma guerra chamada "santa" e os textos exprimem um culto do sacrifício patriótico que permitiria – com uma clara referência religiosa – o reviver da Itália. A semântica nacional e religiosa é estreitamente relacionada nesses textos ( Não é sem razão que, no decurso do pós primeira guerra se fará a síntese entre o ideal fascista do Facho – que nasce do campo de batalha - e o Catolicismo, reintegrando a Igreja plenamente à vida nacional). Esses estudos apontam que uma versão anticlerical da nação parece ter tido poucos efeitos.

Com a encíclica Rerum Novarum, o papa Leão 13 indicava certa abertura para o mundo moderno e permitia às Igrejas nacionais que se dirigissem a uma política de compromisso com os estados nacionais como explica Burleigh, aplainando o caminho para um Barré e um Maurras na França. Barré que começou liberal terminou na Ligue des Patriotes de Paul Déroulède e depois na Union Sacrée onde chegou a liderar uma campanha pelo reerguimento de Igrejas como pela data nacional do 24 de Junho dedicado a Santa Joana D'Arc como heroína pátria - Cabe dizer que Joana levou a França a uma vitória na Guerra dos Cem Anos contra os Ingleses, depois que as forças militares de Carlos VII Valois foram destroçadas por Henrique V da Inglaterra na Batalha de Azincourt, graças ao fato de ter alcançado superar as divisões e desânimos das tropas dos senhores feudais ( lembrar que o Delfim da França não tinha a disposição um exército regular na época, mas dependia do fornecimento de cavaleiros por parte dos nobres ) com o apelo ao sentimento nacional francês fundado em bases místicas: a França como primigênia da Igreja, nação eleita, braço armado da cristandade à qual Deus enviou uma visionária para salvá-la. A Ligue des Patriotes de Barré, deu origem à Federação Católica Nacional – FNC - que foi criada em 1924 pelo General Édouard de Castelnau, em resposta ao Cartel da Esquerda, que queria relançar a política anticlerical e anticatólica pré-guerra. Grupo de pressão de massa, era constituída pela malha de dioceses e paróquias; Louis Marie Gaston d'Armau de Pouydraguin, que foi diretor geral da Ligue des Patriotes, teve papel decisivo no soerguimento da FNC.

Tudo isto aponta para uma criativa e profícua síntese entre o ideário nacional e o catolicismo entre o fim do século 19 e início dos anos 20, mostrando que o fenômeno nacional em sua linha reacionária não é incompatível com o catolicismo. Voltaremos ao assunto.

Bibliografia

BURLEIGH, M. Earthly Powers. The Clash of Religion and Politics in Europe from the French revolution to the Great War. New York: Cambridge University Press, 2005.

JANZ, O. Konflikt, Koexistenz und Symbiose. Nationale und religiöse Symbolik in Italien vom Risorgimento bis zum Faschismus. In: HAUPT, H.-G.;

LANGEWIESCHE, D. Nation und Religion in Europa. Mehrkonfessionelle Gesellschaften im 19. und 20 Jahrhundert. Campus Frankfurt; New York, 2004.

MICKIEWICZ, Adam. Księgi narodu i pielgrzymstwa polskiego. In: Pisma prozą, część II. Kraków: Czytelnik, 1952.

REMOND, R. Religion et société en Europe. Essai sur la sécularisation des sociétés européennes aux XIXe et XXe siècles (1789-1998). Paris: Seuil, 1998.

O’BRIEN, C. C. God Land. Reflections on Religion and Nationality. Cambridge Mass.:Harvard University Press, 1988

quarta-feira, 20 de maio de 2020

QUEM É CARLOS LATUFF? DESMASCARANDO UM IMBECIL: Por Rodrigo Sobota


Carlos Latuff – Wikipédia, a enciclopédia livre







QUEM É CARLOS LATUFF? DESMASCARANDO UM IMBECIL 


O Sr. Carlos Latuff já exibe uma certa personalidade que, a meu ver, cresceu na última década e que por isso merece nossa devida avaliação, dissecação e devida refutação. O Sr. Carlos Latuff representa, a meu ver, em seu cerne, uma personificação de tudo o que há de mais imbecilizante e degenerado na existência da esquerda brasileira. A esquerda brasileira, já vazia de méritos ou de intelectualidade própria, passa agora aos insultos e sátiras de baixo calão como uma forma de assim tentar manter-se no páreo político. Mas a sua viabilidade, e sua visibilidade, diminuem a cada instante. Como último exemplo disso, temos não apenas a desastrosa derrota do PT em 2016, mas também o fato que organizações esquerdistas históricas como a UNE estão perdendo seus nichos e seus membros para organizações de cunho conservador liberal. Eu não sou um adepto dessa ou daquela ideologia. Me vejo além do espectro político liberal conservador e esquerdista que paira sobre nosso país. 

Mas a situação em si merece alguns comentários bem colocados. Carlos Latuff é um satirista de baixa qualidade que obteve um certo nicho em locais esquerdistas devido às suas sátiras à máquina sionista e americana. Que de certa forma o poderio americano é um câncer, isso é correto. Mas o que propõe o sr. Carlos Latuff? O Sr. Carlos Latuff nos responde firmemente e concisamente qual é sua ideologia, em uma de suas charges: Ou seja, aqui temos um exemplo desse trabalho vulgar, imbecil, de baixa qualidade que sai da pena deste pretenso cartunista. Vamos ao cerne: temos aqui uma cena completamente gratuita de sexo, como se a nossa sociedade já não estivesse saturada de uma vulgaridade abissal e da pornografia barata que desvaloriza e banaliza o caráter do ato sexual, e temos aqui uma apologia a um pseudointelectual histórico, um verme chamado Wilhelm Reich. Wilhelm Reich poderia até ser esquecido pela história – assim como todos da satânica e niilista Escola de Frankfurt - não fosse pela sua excentricidade, e sua abertura a tecnicismos excêntricos, alternativos e inovadores com os órgons, talvez o ponto realmente mais sincero e inovador de sua história. E de fato, não há nada de bom em Wilhelm Reich, nem mesmo em seu pretenso estudo da psicologia de massa do fascismo, que é uma obra em si que não vale nada e que não tem muitos méritos próprios além de ser um distilamento da velha babaquice esquerdista e progressista sob uma roupagem pós-moderna e hipercrítica. E depois da apologia de baixo calão, pornográfica, vulgar, imbecilizante, inane, digna de uma pornochanchada barata e escrota das madrugadas do Canal Brasil, ao gozo, vemos o Sr. Carlos Latuff desenhando uma foice e um martelo. 


Carlos Latuff on Twitter: "Em tempos de barbárie fascista, GOZAR é ...

Ou seja, o sr. Carlos Latuff passa da crítica de um “fascismo” imaginário, que ele vê englobado em liberais imbecis como o sr. Jair Bolsonaro, para a apologia ao Comunismo despótico e autoritário, demonstrando assim suas verdadeiras cores autoritárias e dogmáticas de ativista de esquerda. Sugiro que o sr. Carlos Latuff, que nunca viveu debaixo de um sistema comunista e coletivista verdadeiro, experimente voltar ao tempo – provavelmente numa das máquinas do dr. Reich – e entre na Albânia Comunista de 1969, no auge da tirania Hoxhaista, ou talvez na Rússia Stalinista de 1937. Sugiro que ele desenhe e publique a mesma charge de sexo explícito. Agora, o que é que acontece com o Sr. Carlos Latuff depois disso? Bem, talvez ele fique só 5, e não 50 anos dentro de um Gulag, passando fome e frio, comendo serragem, e sendo chicoteado no lombo enquanto faz suas jornadas de 20hs diárias quebrando pedra. Tudo isso em nome da “liberdade”, da “correção educacional”, e da “Revolução Proletária”. Isso se a polícia secreta comunista não mandar torturá-lo, ou se livrar dele como um inconveniente – tal qual o fez com milhões de suas vítimas. Isso se ele tiver sorte, e não perder os dentes, ou um olho, ou ficando deformado pelo resto da vida devido aos maus tratos da polícia política comunista, sem dúvida a mais brutal de todas no mundo em toda a história. Assim sendo, a minha opinião a apologistas do Genocídio vermelho como o sr. Carlos Latuff só pode ser uma: que esse tipo de pessoa inescrupulosa, que disfarça suas atitudes totalitárias e sua vontade de poder ilimitada debaixo das roupagens de uma ideologia de “justiça, liberdade e combate ao fascismo” seja desmascarada pelo que eles realmente constituem – fascistas vermelhos sem vergonha sedentos de poder e dominação autocrática. 

 Eu, aliás, dedico essa crítica às centenas de milhões de vítimas do sistema Comunista no mundo inteiro. Incluindo a metade da população do Camboja, cerca de 4 milhões, que foi massacrado por Pol Pot em busca da utopia vermelha. Pois é, pra todos os vermelhinhos que gostam de falar de Hitler e comparar tudo o que não é deles à dita cuja personalidade, saibam bem: o Comunismo foi mais vil, autoritário, truculento, opressivo e matou muito mais que os Nazistas. O “Fascismo” na sua essência, englobado e limitado ao experimento italiano, é uma brincadeira de criança se comparado à tirania de regimes comunistas no mundo inteiro. O fascismo italiano, ou mesmo o autoritarismo histórico de Franco, Pinochet, Geisel, etc… é uma brincadeira de criança se comparado ao autoritarismo dos regimes vermelhos. E como colaborador em círculos cristãos ortodoxos, queria fazer a menção a uma vítima do sistema Comuno-Esquerdista. O sr. Pavel Florensky, um ancião e padre ortodoxo de destaque, polímata, gênio, que foi morto pelos comunistas em 1937 só por que era um cristão ortodoxo. Quanto mais precisamos de figuras como o sr. Florensky, e quanto menos precisamos de ideólogos da baixeza como o Sr. Latuff, inúteis, tolos, mentecaptos, pacóvios, com sua cabeça lavada pela ideologia socialista mais vulgar e massificante, e pelo apelo ao que há de mais baixo e animalístico na natureza humana. Em suma, um verdadeiro produto da pós-modernidade capitalista, um socialista imbecil e imbecilizante de iPhone, que não deixa de usufruir do capitalismo e não se desprende do consumismo “fashion” americanizado da mesma forma que os denuncia, hipocritamente, para seus confrades da esquerda caviar se entreterem em meio à sua cegueira, e à sua demência.

 Talvez não seja novidade, mas sendo a desonestidade o cerne da esquerda brasileira, não nos surpreendemos de ver uma charge como essa: uma verdadeira obra de arte da politicagem baixa, uma verdadeira imbecilidade feita apenas para pegar os trouxas doutrinados e cegos da forma mais iníqua o possível: Essa charge é ridícula e barata. Primeiro, porque tanto o PT quanto o PSDB tinham uma política neoliberal. Segundo, porque o PT nada fez para resolver as contradições econômicas e o subdesenvolvimento deste país. Terceiro: porque apenas um idiota, que não se adentrou das realidades da análise econômica nesse país, não tem noção que o PT nada fez além de prolongar a política econômica do PSDB, andando no boom das commodities, e depois que esse boom das commodities acabou, o país afundou de vez; sendo que o PT foi completamente incapaz – debaixo do lodaçal da sua incompetência e analfabetismo econômico – de fazer qualquer coisa que evitasse a crise. Esses são apenas mais alguns exemplos desse trabalho de baixa qualidade, do Sr. Latuff, que previsivelmente já enfrentou uma onda de repúdio à sua doutrinação simiesca e quase satânica nos pontos do esquerdismo revolucionário brasileiro, uma corrente sórdida, repleta de figuras psicopáticas que não são dignas de nossa menção, e que talvez mereçam apenas o seu lugar verdadeiro e natural em uma das latrinas da história. 

A começar pelo sr. Carlos Marighella, um narcoguerrilheiro assassino e medíocre, e seus amiguinhos de cabeça lavada do Araguaia, todos comunistas caviar da pior espécie. Não vou me prolongar aqui nas críticas a Israel. Apenas digo isso: a vontade que Latuff tem de criticar Israel, é talvez indicadora de um antissemitismo profundo que ele tenta – ao máximo – velar debaixo dos disfarces mais engenhosos. Mas não nos prenderemos aqui. A ironia apenas fica, quando vemos que o sr. Latuff se digna a chamar os eleitores do liberal Bolsonaro de “admiradores de Hitler”, ao mesmo tempo em que cai num antissemitismo profundo evidente a todos os olhos, marca talvez de sua doutrinação socialista, pois os doutrinadores históricos dos sistemas socialistas eram profundamente antissemitas, e da mesma forma que o sr. Latuff, o disfarçaram muito bem de forma a transformá-lo numa arma política efetiva na época do pós-guerra. 

Assim é que devemos entender o “antissionismo” de boa parte da esquerda. “Antissionismo” esse, que existe como apologista e serviçal do autoritarismo de regimes ditatoriais no Oriente Médio. Sou Pró-Irã, mas isso não significa que eu defenda todo o tipo de ditadorzinho árabe, coisa que o sr. Latuff, um verdadeiro ideólogo socialista doutrinado, o faz sem nenhuma vergonha devido à sua orientação política mercenária de um esquerdismo cego, que sempre esteve alinhando aos interesses da URSS, e portanto sempre foi o mesmo apologista acrítico e marionete de tiranos árabes que se alinhavam estrategicamente ao regime comunista. Isso não é segredo. Que o sr. Latuff, se ponha a criticar Israel excessivamente, mas fique cego com relação à realidade do povo árabe, apenas demonstra que seu tino doutrinal de esquerda está funcionando em prol daqueles que buscaram usar – por meio da lavagem cerebral – as pessoas, direcionando-as a uma ideologia de defesa do autoritarismo, desde que esse autoritarismo fosse alinhado politicamente aos donos dessa ideologia. E para a esquerda, bandido bom é sempre um bandido que trabalha pra mim. Assim sendo, devemos compreender que o trabalho do Sr. Latuff, em especial com relação às críticas à Polícia Militar, tem um viés ideológico, ao mesmo tempo que político, tanto velado e explícito. Velado, porque a defesa dos ditos “Direitos Humanos” no Brasil sempre esteva aliada à apologia ao narcotráfico. As ligações de boa parte esquerda brasileira com as FARC, PCC, e outras organizações de tráfico de drogas são evidentes. 

O próprio chefe do DH neste país, é, ele mesmo, um receptáculo de propinas e favores da criminalidade: https://oglobo.globo.com/brasil/vice-presidente-do-conselho-de-direitos-humanos-desp-preso-por-suposta-ligacao-com-faccao-criminosa-20515620 Manchete: O GLOBO “Vice-presidente do Conselho de Direitos Humanos de SP é preso por suposta ligação com facção criminosa” Ora quando o Sr. Latuff se propõe, detrás de sua alminha esquerdista caviar e seu apê de luxo no Leblon, a criticar a Polícia Militar, a Rota, o Bope, desonrando e insultando seus membros da forma mais covarde e de baixo calão possível, ele apenas revela o que todo o esquerdista quer e sonha no cerne de sua alma pervertida. 

A esquerda brasileira é totalmente alinhada aos interesses da criminalidade e do narcotráfico, além da corrupção. Que o PT, partido chefe da esquerda brasileira, tenha sido o partido mais corrupto da história do Brasil durante seu julgo de 13 anos, superando até mesmo a nossa patética direita liberal, essa direita que já foi representada por figuras tão abissais como Maluf, Sarney, Azeredo, dentre outros, já nos diz muita coisa sobre isso. Que o PT seja alinhado ideologicamente não só ao regime cubano, que matou muito mais proporcionalmente de sua população do que a “ditadura” brasileira, e que esse mesmo partido seja também profundamente aliado às FARC e ao narcotráfico, não deve escapar ao leitor atento. Não devemos permitir que a nossa força policial, em sua difícil e perene luta contra o crime, seja desonrada e tenha sua reputação destruída por esquerdistas mimados e alienados de apartamento no Leblon, cujo melhor sonho é abandonar este país, trair o seu povo e ir para os EUA (e nunca para a Cuba que tanto adoram), tal qual fez por exemplo o Sr. Wagner Moura. Não devemos permitir que, mediante uma retórica superficial, hipócrita, fraudulenta e deliberadamente enganosa de “luta pela liberdade e pelos direitos contra o ‘fascismo’”, que nosso país, o Brasil, seja tomado pelos lobos em pele de cordeiro, que visam a implantação da corrupção generalizada sistêmica e da rendição das nossas forças de segurança ao aparato do crime organizado nacional e internacional, encorpado em redes que alimentam o extremismo político, ao mesmo tempo que assassinam milhares de pessoas todos os anos e prosperam em cima do medo, e sobre o comércio ilegal de entorpecentes. 

Todos somos vítimas deles, enquanto que a Esquerda busca apenas servi-los, como escrava fiel da bandidagem mais descarada. Somos um país soberano, e como tal, devemos ter noção de nossa soberania. Devemos ter noção que tão somente um governo que não esteja alinhado com essas forças nefárias trará de volta a segurança e nos salvará do verdadeiro genocídio, da verdadeira opressão, do verdadeiro câncer da criminalidade em todos os redutos deste país. Que o patriotismo saudável, é um elemento que nos coloca à parte da esquerda caviar, que não tem nenhum apego a este país e que apenas propugna o politicamente correto como disfarce para sua total irrelevância e seu espírito que odeia e despreza o nosso povo brasileiro. E isso inclui o respeito, a dignidade a que as forças que lutam por esta autêntica soberania merecem, em face aos tentáculos da criminalidade organizada que se instauram sorrateiramente na política do Brasil, debaixo dos partidos de Esquerda, e que encontram seu principal porta-voz no apologista sem-vergonha do narcotráfico e do genocídio Comunista, o sr. Carlos Latuff. 

Essa ideologia demoníaca, aviltante, opressiva, delirante, essa carcaça carcomida do Comunismo latino-americano, deve ser expurgada pelo bem moral e social do Brasil antes que sejamos engolidos pela sua imoralidade perversa e pelo seu satanismo. Este veneno, este câncer, que engloba personalidades como Latuff, e que, sem dúvida, resultaria plenamente na instauração de um autoritarismo cucaracha vagabundo, em primeiro lugar, com o expurgo de toda a dissidência e a criação de cópias terceiro-mundistas do GULAG em lugares como a Amazônia, deve ser exposto pelo que é. E atenção especial deve ser tomada à charge do Lobão, abaixo, outra produção de péssimo gosto do Sr. Latuff: Ora, primeiramente, a esquerda instrumentaliza a morte de Vladimir Herzog. Que Vlado Herzog foi vítima do autoritarismo de estado, é inequivocável. Assim como a mesma esquerda instrumentaliza o ato covarde, assassino, do psicopata fanático, desequilibrado e radical sr. Adélio Bispo, um covarde. Agora, que Vlado Herzog era um anjo, é falso. Vlado Herzog era um agente comunista, subversivo, que pretendia transformar o Brasil em uma nova Cuba. 

E se os Comunistas conseguissem fazer isso, eles estariam no poder até agora, sufocando toda a sua identidade distinta, toda a sua expressão, e toda a sua liberdade individual limitada, e monopolizando todo o poder para si mesmos, tal como o fazem os Comunistas da China, do Vietnã, e de tantos outros países. Sem dúvida, uma charge apropriada ao Sr. Latuff seria essa: o Sr. Latuff, rindo e fazendo ojeriza, de forma descontrolada, dos milhões de vítimas do Gulag, incluindo o sr. Pavel Florensky, e fazendo descaso total, demonstrando sua indiferença ideológica de cabeça lavada a um genocídio que faz qualquer ditadura brasileira parecer brincadeira de criança. Desvelando, assim, seu autêntico caráter de pretendente a déspotazinho comunista sanguinário. Talvez não um Hitler, mas sim um Stalinzinho tropical, ou um Enver Hoxha do mato, ou pior. Deus nos livre que esses ditadorezinhos vermelhos saiam de seus redutos e se ponham a julgar o mundo, debaixo de sua arrogância intelectual vinda de suas cabecinhas ocas. Não devemos nos iludir quanto ao caráter sanguinário do Comunismo em terras brasileiras, e aquilo que seus apologistas e proponentes mais enfáticos buscam: o genocídio, a matança, a destruição de nossa cultura, a submersão de nossos parâmetros morais debaixo de um pós-modernismo niilista, degenerado, relativista e imbecilizante – aqui paradoxalmente esposado como sendo o cume da intelectualidade humana por essa horda de mentecaptos vermelhos intelectualmente defasados. 

Em suma, uma autocracia duríssima na qual somente eles, uma elite autoritária iluminada, buscam o controle total e absoluto. E assim, como cidadãos deste país, devemos nos armar contra a sandice psicopática, o sadismo cruel e mórbido, destes aspirantezinhos a Stalin, desses Fideis Castro de plantão. A missão dos Nacionalistas constitui, assim, em salvar o Brasil dos fantoches comunistas, da sandice e da imbecilidade pós-moderna, e assim gerar os frutos de uma nação nova e próspera – livre da contaminação ideológica dos antros acadêmicos que criaram e nutriram imbecis e pacóvios como Derrida, Reich, Marcuse, Foucault e outros adeptos do pós-modernismo; que tão somente constituem os propagadores de sandices abissais e representantes da doença mórbida da civilização ocidental, doença dessa da qual devemos salvar o Brasil no futuro, pois o Brasil não é Ocidente, e ainda há aquilo de bom e puro neste Brasil, não contaminado pela modernidade e pelo niilismo de esquerda ou direita liberais, ou pela intransigência infantil e estúpida de senhores como o apologista comunista e fantoche globalista sr. Carlos Latuff. Por um Brasil livre de Comunismo e livre de doenças ideológicas pós-modernas. 



Por Rodrigo Sobota

terça-feira, 5 de maio de 2020

A Revolução Brasileira: do PT a Olavo e Moro, a dialética da destruição do país.


Olavo, Moro e Bolsonaro | Missão Política
Olavo-Rosseau, Bolsonaro-Robespierre e Moro-Napoleão: a trinca revolucionária que vai matar o Brasil


O episódio Moro x Bolsonaro nos lançou, de vez, numa nova etapa da dialética que vem sendo aplicada no país faz tempo. Os dois fenômenos se imbricam num primeiro momento ( tese ) porém agora se distinguiram defnitivamente ( antítese ): Morismo e Bolsonarismo não são a mesma coisa mas fazem parte do mesmo processo. (Ver quadro no fim do artigo!)

Para entender este processo é preciso remontar à campanha dos anos 90 – então encabeçada pelo Petismo contra Collor – de “Ética na Política” um marco no “combate a corrupção” e a primeira etapa de embate contra as velhas elites políticas fisiológicas e oligárquicas, vistas como um resquício da “ditadura militar”, um elemento estranho à nova ordem surgida com a Constituição Federal de 1988 que encarnava o sentido duma “revolução francesa” para o Brasil onde se daria a emergência duma nova era de direitos em oposição ao autoritarismo. A ideologia da nova república nascida em 1988 é caracterizada pela velha idéia revolucionária, jacobina e americanista de império da lei, da virtude republicana, do interesse público, etc.

É justamente neste enquadramento que devemos avaliar os últimos fatos da nossa vida política. A ascensão do petismo, do Bolso-Olavismo e do Morismo são, nada mais que faces duma mesma realidade essencial, momentos dialéticos do mesmo “processo revolucionário”. Alguns poderão dizer que não faria sentido encaixar o Bolso-Olavismo como momentos dum processo de revolução dado seu rechaço ao “comunismo” o que não quer dizer absolutamente nada: revolução não significa apenas socialismo mas quebra e ruptura dum velha ordem em prol da criação dum nova ordem política e social seja ela qual for.

Olavo de Carvalho vem tratando, ultimamente, do tema “revolução brasileira”, diferenciando-a do que ele chama de revolução no sentido de “concentração de poder na mão duma elite revolucionária”. Segundo Carvalho a tal “revolução brasileira” se daria quando o povo, passando por cima das elites políticas, tomasse as rédeas do poder e do destino nacional. Para Olavo de Carvalho esta noção está calcada em vários autores nacionais. Um deles – pasmem – é Sérgio Buarque de Holanda – um dos fundadores do PT. No seu livro “Raízes do Brasil” ele fala do descompasso entre “sociedade e política” no Brasil: dum lado teríamos uma sociedade oligárquica/coronelista ao mesmo tempo que uma política fundada em elementos da revolução francesa e americana como um mero aparato jurídico incapaz de, sozinho, mudar a substância do Brasil no caminho duma democracia efetiva. A solução para tal descompasso, segundo Buarque é, exatamente a tal “revolução brasileira” que consistiria em fazer uma mudança vertical e mudar a substância da política tradicional brasileira trazendo à tona atores novos que substituíssem de vez a velha elite com seu estilo de mando oligárquico: nesta revolução vertical o mote seria a despersonalização democrática, o povo como agente político mor, o povo como hipóstase ( como uma idéia, substância, realidade suma, algo que remete à vontade popular/geral de Rosseau). É exatamente este o cariz das falas recentes do sr. Carvalho: revolução do povo, o povo nas ruas, o povo no poder, democracia direta e quebra das velhas elites. Isto integra o Bolso-Olavismo e ao Morismo ao mesmo processo no qual está o PT: se Lula/Dilma foram responsáveis pela integração do povo ao reino do consumo ( até então reservado às classes altas ), se criaram uma classe média do terciário, do setor de serviços, agora é a hora de superar esta fase e seguir para a próxima, que é a da luta extremada contra a “corrupção” ( símbolo da luta contra a oligarquia patrimonialista ), afinal o PT fez tudo isso se alinhando à velha elite fisiológica pmdebista, aos estamentos e ao “deep state” ainda contaminado pelo coronelismo. Neste ponto o Bolso-Olavismo e o Morismo são consequências lógicas do luta petista por “ética na política” contra a velha política.

A distinção entre Morismo e Bolso-Olavismo começou, justamente, quando o papel de Olavo como ideólogo mor do governo ficou delineado – em meados de 2019. Como dissemos no ano passado, Olavo pretende dirigir o processo de revolução brasileira desde que encabeçado por Jair Bolsonaro pois assim, ele teria o controle das etapas revolucionárias seguintes, onde a sua nova elite – seus alunos e seu círculo de adeptos – surgiriam como a mais tenra liderança de Estado depois dele ser varrido dos atuais congressistas, do STF, da ala militar nomeada por Lula/ Dilma, etc:

“Nos seus últimos vídeos, já prevendo a crise iminente entre setores pró-LavaJato, que defendem o combate a corrupção em geral, e as necessidades de sobrevivência do governo Bolsonaro – que envolvem o arquivamento das investigações sobre o Senador Flávio Bolsonaro, que poderiam resvalar no presidente, abrindo brechas para a queda do governo – o velho abriu fogo e lançou críticas ao lavajatismo acusando-o de descolar o combate à corrupção do combate ideológico ao PT. Para Carvalho o fato da LavaJato realizar-se sob os auspícios da neutralidade da lei impossibilita um combate eficaz ao petismo – razão de ser máxima do governo Bolsonaro, para o astrólogo – que, no fim das contas, seria a única coisa que de fato interessaria. Isto tudo permite dizer que, pouco a pouco, Olavo vai atingindo seus fins, quais sejam o de alcançar a hegemonia ideológica sobre a direita bolsonarista reaglutinando-a em torno do combate ao “fantasma petista” - a tal palavra talismã – apresentado-se como o único que tem o conhecimento efetivo para dar cabo de tal ameaça.” - In: https://catolicidadetradit.blogspot.com/2019/09/a-estrategia-criminal-de-olavo-de.html

E onde o Morismo entra nesta dialética? É bem simples: Moro é um produto da luta anti-Corrupção e da luta anti-Petista iniciada desde a emergência da crítica ao mensalão ( em 2006 ); o Morismo é a mais avançada etapa de modernização do Estado e da sociedade brasileira: pois é isto que está em jogo. O Petismo, o Bolso-Olavismo e o Morismo são recusas do “Brasil Real”, a vontade política revolucionária de levar até ao fim o ideal democrático da CF88 substituindo o brasileiro cordial por um novo brasileiro de cariz liberal-igualitário, um brasileiro moderno, ocidentalizado.

Onde o PT falhou em levar adiante a tal “revolução brasileira” o Bolso-Olavismo e o Morismo se colocam na vanguarda. Sobre o Bolso-Olavismo que ninguém se iluda com os ares autoritários de Bolsonaro: todas as vezes que o presidente invoca ações da FA em prol de, nas entrelinhas, “fechar o regime” são no quadro de defesa da “democracia e liberdade” como disse o presidente nas manifestações do dia 03/05/2020, na capital federal:

“Chegamos ao limite...temos as FAs ao nosso lado para defender a democracia e a liberdade”

Quem definiria o significado de “democracia” num regime autoritário de clave bolsonarista seria, evidentemente, Olavo de Carvalho que chamará o pretenso regime de força, de democrático pelo fato de ser a expressão da “vontade direta do povo”, da relação direta “povo – presidente” sem a mediação das elites políticas, aquelas que precisam desaparecer para dar lugar à “revolução brasileira”.

Desde então o Morismo passa a ser a oposição a esta captura jacobina à direita do Estado se tornando o Partido da Lei contra o “Robespierre Bolsonaro”: se a direita jacobina bonorista incorpora a idéia do presidente como “chefe que vai conduzir o povo na revolução brasileira contra as elites”, o Morismo subentende o Judiciário como o mediador dessa revolução, como o lídimo representante da revolução brasileira que teria que se dar sob o Império da Constituição e não do Presidente como Encarnação dela ( Lembram de Bolsonaro falando “Eu sou a Constituição”?). É comum, nas revoluções históricas, surgirem diferentes partidos mais ou menos radicais na implantação dos princípios que elas carregam. E nós estamos num franco processo revolucionário. Prova disto é que a Lava Jato desencadeou a formação de uma gama de novos partidos que se fizeram fortemente presentes na eleição de 2018, reduzindo o papel da velha elite fisiológica. O Morismo aí é a fase mais avançada desta revolução pois a que melhor encarna a tal “despersonalização democrática” da qual fala Sérgio Buarque pois descolada do culto à personalidade como expressou Moro quando falou que “Há lealdades maiores que as pessoais” ( A lealdade de Moro é, sobremaneira, à CF88 como uma “bíblia”, como encarnação do Rule Of Law num sentido americanista: algo que está sob o controle do juiz como intérprete final do sentido dela). Ambos os partidos em luta agora são, nada mais que aquilo que já viemos revelando aqui faz tempo: facetas do americanismo, ódio ao Brasil profundo, dialética que continua, do lado direito, o processo de destruição de nossa identidade iniciada pela esquerda. Se o Bolsonarismo é diabólico, o Morismo é satânico ao cubo pois o primeiro ainda consegue fazer acertos com a velha política – via Centrão – já o Morismo encarna o purismo revolucionário . Neste sentido a fase Morista da revolução brasileira poderá nos lançar num quadro ainda pior que aquele no qual o Bolsonarismo nos colocou.




Esquema de sucessão lógica da “revolução brasileira”:


Momento 1 ( Tese/ Petismo ) → O PT eleva as massas à condição de consumidoras/ O PT cria uma nova classe média do terciário via ações do Estado

Momento 2 ( Antítese A/ Antipetismo ) → Esta nova condição cria uma nova mentalidade de classe social vincada ao modelo de “American Way of Life” ( o modo estadunidense de vida ) e uma nova forma de ver a política → ( “Mais Brasil, Menos Brasília” = Federalismo a lá USA/ A burguesia se sentindo confiante para seguir sem o Estado, passa a exigir liberalismo econômico para promover um novo salto de prosperidade) + caldo de formação da nova direita

Momento 3 ( Antítese B/ Antipetismo ) → Judiciário como reserva moral da nação = modelo americano de justiça onde o Poder Judiciário passa a ter Poder Legislativo para compor as lacunas da Constituição a fim de assegurar os direitos da sociedade civil na sua luta contra os abusos do Estado + ideologia do Estado Mínimo + Moro = herói na luta para suprir, com seu ativismo judicial, as lacunas da CF88 ( Interferência judicial no MP para assegurar a condenação da corrupção petista que emperra a “revolução brasileira”).

Momento 4 ( Síntese das antíteses antipetistas – Nova Tese: Bolsonarismo ) Bolsonarismo incorpora o American Way Of Life, o federalismo, o liberalismo e o judicialismo.

Momento 5 ( Antíteses dentro da Nova Tese Bolsonarista)

Olavismo breca o judicialismo ( Nada de Lava Jato eterna/ Combate a corrupção? Só a do PT – o combate tem de ser ao socialismo/ A revolução brasileira é contra o socialismo e não a luta pelo Império Abstrato da Lei representado pelo LavaToguismo do PSL e agora pelo Morismo) = Ruptura entre Bolso-Olavismo e Morismo:

Momento 5 ( Nova Tese: Bolso-Olavismo ) → Revolução Brasileira sob auspício do Chefe ( Presidente) / O Chefe é o Povo/ Nova Elite; círculo de alunos do COF

Momento 6 ( Nova Tese: Morismo ) → Revolução Brasileira sob auspício da Idéia Abstrata de Lei/ O Judiciário é quem guia o processo/ Nova Elite: Togados Esclarecidos.



segunda-feira, 20 de abril de 2020

Pio 12 pelo Nacional-Catolicismo: Ustasi




BOG I HRVATI POSUDI PA NE VRATI Papa: Hrvatski oprost je uzor za ...


Bog i hrvatski”: Deus e o croata. Ditado antigo recuperado pela Ustasi





É verdade que no contexto racionalista do século XX, o Papa Pio 12, na época, se opôs veementemente a idéias racistas de fundo biologicista. Mas muito errada é a visão de católicos que veem nas encíclicas papais uma condenação a todo a terceira posição nacional. Não há outra fonte que postule isso senão a liberal. Nada como o próprio proceder da Santa Sé e do Sumo Pontífice frente a movimentos de terceira posição nacional de caráter próprio e específico (colocar todos os nacionalismos/fascismos1 no mesmo saco é um erro!). Vejamos o exemplo croata:



A Croácia, país eslavo, que foi cristianizado na idade média e sempre apresentou uma devoção católica muito acentuada, desenvolveu-se dentro do rito oriental;porém os croatas absorveram muitos elementos da devoção ocidental, principalmente a Sua Devoção Mariana (A Croácia teve, no século 18, uma aparição da Virgem), O Rosário e a devoção a São Bento.



Entre 1929 e 1945, o Estado Independente da Croácia formalizou a Ustasi, uma organização multifuncional. Uma autoridade que tinha o cariz de ser Estado-Partido-Exército- Escola Catequizadora. Partido porque havia somente este, de modo que o regime pode ser de terceira posição nacional. Exército-Catequizador pois os generais dos Esquadrões de combate Ustasi tinham nas palavras de Ante Pavelic,como fim primário: “a conversão dos ortodoxos ao catolicismo romano”. Isso se deve à direção espiritual absoluta do movimento que estava debaixo da autoridade espiritual do arcebispo cardeal Stepinac.


O arcebispo croata Stepinac fora nomeado como cardeal por Sua Santidade Pio 12. Mas antes disso ele já era amigo pessoal do Papa, de modo que na vigência da Ustasi, trocavam cartas todo mês (e mais, particularmente sobre a Ustasi). Em 1929 Stepinac imediatamente lançou uma bênção pública em escrito à Ustasi e aos seus diretores leigos, pedindo orações do povo pela prosperidade do regime e sucesso dos governantes.

Do mesmo modo, respondeu favoravelmente o gladio temporal, O Estado, que se pôs a serviço do interesse do Vaticano. Há tempos ambos notaram o malefício espiritual que os ortodoxos, principalmente, junto de judeus, faziam aos croatas.2 Pio 12 expressava intensa preocupação com a conversão não só dos muitos croatas que historicamente foram forçados a se tornarem ortodoxos, bem como dos próprios sérvios. Foi fixado que a política da Ustasi seria o proselitismo romano, o que no falso-dogma moderno é considerado “violência”. O nacionalismo croata nada mais era que o braço armado do catolicismo romano em terras eslavas. A Ustasi era equivalente ao que o rei Clóvis foi para a França e o Papa: o braço armado de Deus na terra, a espada a serviço da Igreja de Cristo. 3




Cabe recordar que Stepinac foi participante direto na criação do Estado Independente da Croácia (NDH). Por várias vezes ele apareceu em público com o Poglavnik (o líder Ustaše Ante Pavelić) e cantou o Te Deum no aniversário da criação do NDH.

Considerando o papel marginal da Igreja na arena política durante o período entreguerras, a criação do NDH ( Nezavisna Država Hrvatska - Estado Independente Croata) ofereceu a Igreja e o movimento católico croata uma oportunidade. Os líderes do novo estado estavam dispostos a trabalhar com os líderes da Igreja e, assim, reduzirem a marginalização que a Igreja foi sujeita dentro do estado iugoslavo

Ainda é preciso dizer que o Papa Pio 12, em 1941, enviou Abbott Marcone como seu visitante apostólico, que atuou como núncio papal, o que satisfez o Stepinac, já que isso significava que "o Vaticano reconhecia de fato o novo estado”.







1 - Vide A Espanha do, nas palavras de Pio 12, “cristiano y governante ejemplar!”, Francisco Franco. Se você considera-o fascista, tire as conclusões...

2- Por exemplo: Stepinac parabenizou o excelente governo pela: "Proibição estrita de todas as publicações pornográficas, que foram primeiramente e muito mais publicadas por judeus e ortodoxos!"

3- Ortodoxos escancaradamente acusam (e precipitadamente) a “liga Vaticano-Ustase” de genocídio de 1 milhão de sérvios, todos tidos por mártires. Veja você mesmo: https://www.youtube.com/watch?v=s03Tv6cWFuc



Por João Pedro F. Cardnes

quinta-feira, 16 de abril de 2020

UM EGÓLATRA NO PODER: por Gabriel Larré!

Bolsonaro e as eleições de 2018: o inferno somos nós - Rede Brasil ...

Demitir Mandetta - gostem dele ou não - é burrice até do ponto de vista bolsonarista. Até o novo ministro tomar as rédeas da estrutura do MS -fui funcionário concursado do MS e a máquina é super complexa - vai uma semana ou dez dias perdidos. Quando os governadores decretarem mais quarentena pelo atraso dos hospitais de campanha não chorem. 
Do ponto de vista argumentativo e fático o Bolsonarismo foi, definitivamente, "para o saco". Só permanece de pé em cima de contrafactualismo e de fé cega. 

Abaixo reproduzo uma pertinente observação de Gabriel Larré

"UM EGÓLATRA NO PODER

Mandetta foi um herói em tempos de obscurantismo: ousou tratar esta crise da maneira que ela merece ser tratada - com seriedade, sobriedade e capacidade técnica. Foi massacrado pela seita que hoje defende os delírios bolsonaristas a qualquer custo, mas nos legou uma postura que agora – mais do que nunca – merece ser cultivada, divulgada e defendida: a da sobriedade, da honestidade intelectual, da hombridade e da inteligência.

Sua demissão representa um erro em todos os aspectos. Vejamos:

1- ELEITORAL: Mandetta é o ministro mais bem avaliado do Governo; a maioria da população era contra sua demissão.

2- POLÍTICO: Mandetta contava com o respaldo do Congresso, do Presidente da Câmara e do Senado, dos Governadores, do STF. Além disso, o Ex-Ministro conseguiu domar um dos entes mais complexos do Poder Público.

3- SANITÁRIO: as Políticas Públicas de combate ao Coronavírus serão prejudicadas com esta demissão, ainda mais se o novo ministro for adepto do obscurantismo.

4- MORAL: A demissão de um Ministro da Saúde que implementava – e defendia – políticas públicas testadas mundialmente, isso em plena pandemia, é um ato de covardia e extrema imoralidade.

5- IDEOLÓGICO: Bolsonaro prometeu nomear e respeitar seus Ministros Técnicos. Tratava-se, como podemos constatar, de um estelionato eleitoral.

P. S.: A boa notícia é que o Novo Ministro da Saúde, Nelson Teich, parece tecnicamente capaz e é um defensor do Isolamento Horizontal. Ou seja: Bolsonaro engana apenas sua seita e coloca no lugar do “Ministro do Centrão” um técnico que tem a mesmíssima postura.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Caminho do Meio como solução para a Crise do CoronaVírus.



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A solução para o corona perpassa por uma discussão séria que demanda que estejamos com os pés no chão, no plano dos fatos.

No plano empírico/lógico temos modelos epidemiológicos que mostram, num quadro de total inação dos governos, uma contaminação de 40 a 70 por cento da população mundial – uma média de 3 bilhões de pessoas por baixo – com 3,5% de mortos – cerca de 160/180 milhões de pessoas – o que impactaria severamente a economia e os sistemas de saúde de vários países. Isto é um prognóstico mas que se embasa em dados empíricos e modelos matemáticos desenvolvidos pelos especialistas e que, por isso mesmo, goza de autoridade. Caso alguém discorde desse modelo deve apresentar uma alternativa científica e embasada em dados. Até aqui só vimos palpiteiros opinando com base em narrativas políticas que beiram a irracionalidade.

Partindo do modelo que temos podemos delinear uma ação condizente para o Brasil onde economia e saúde possam ser conciliados em certa medida. Antes de falarmos disto é bom lembrar que saúde está acima de dinheiro. Não adianta estar rico e morto. Melhor é estar pobre mas vivo. Há quem esteja forçando uma discussão como se a escolha fosse entre economia ou saúde e como se ambas as coisas não estivessem, de certo modo, imbricadas; caso haja um alto número de mortes isso impactaria a economia fortemente; caso haja muita gente necessitando de equipamentos e em estado grave teríamos o colapso do sistema de saúde o que, também, afetaria a economia de maneira trágica. A idéia é ajustar as coisas para que o sistema de saúde receba de forma sustentada os casos graves. Isso só é possível num modelo – no mínimo – de mitigação. A inação deve ser descartada. A supressão total também. O que temos de adotar é um caminho do meio.

Em primeiro lugar é bom recordar que:

1- Se o governo do Brasil tivesse fechado fronteira e fizesse testagem total como na Coréia do Sul não precisaria de supressão. Pelo contrário não temos testado ninguém que entra aqui.

2- Se houvesse um governo federal responsável o presidente apresentaria um plano articulado de combate onde seriam adotadas diferentes estratégias em cada zona do território nacional, criando cordões sanitários e medidas em conjunto com governos estaduais.

A falta dessa estratégia é prova cabal da incompetência severa de Jair Bolsonaro. Ele é incapaz de apresentar um plano alternativo e viável ao do lockdown que critica.

Por outro lado as medidas de supressão sozinhas, não vão resolver dados os reclamos de médios e pequenos empresários - o fato é que a ajuda proposta pelo BNDES é fraca e não resolve/ sem o governo federal realmente tomando a iniciativa de arcar com os salários vai ficar impossível para o país se levantar depois dessa - dos autônomos - quem vai viver com 200 por mês? - e dos trabalhadores de baixa renda - sem nenhum horizonte. A coisa vai tomando delineamentos trágicos no país onde a escolha vai ser entre morrer de Corona ou morrer de fome. Parece que ninguém sabe como conciliar saúde e economia nessa hora. Mas repito: tudo isso poderia ter sido evitado se o presidente tivesse fechado fronteira já em fevereiro. A culpa, no fim, é toda dele.

O método a ser adotado no quadro que temos, conciliando saúde e economia, é o seguinte:

A- Mitigação maior ou menor a depender da área.

B- Supressão pontual no máximo em alguns dias (em áreas mais contaminadas).

C- O método do lockdown pode ser aplicado de forma escalonada e parcial com alguns dias de fechamento e reabertura em outros.
D- A medida central consistiria em fechar fronteira. Na verdade se este método tivesse sido adotado junto com todo o Mercosul – Imaginem que o Brasil conseguisse articular um cordão sanitário com Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai? Teríamos uma zona livre de lockdowns e mitigações onde a dinâmica econômica seria mantida. Mas isso tornou-se impossível por várias razões, uma delas pelo fato de Paulo Guedes não dar ênfase ao Mercosul – o que se mostrou um erro crasso já que tendo fronteiras em comum, num quadro de crise a solidariedade do Cone Sul poderia ajudar nossa economia a se recuperar enquanto o mundo vivesse um inverno produtivo.

E- Por outro lado se toda a questão está na falta de leitos hospitalares e respiradores, por que não uma resposta de política pública nacional de uma “economia de guerra” para suprir o défice na infra estrutura de saúde sem precisar parar o país?

Agora pensem: se partirmos para o método Bolsonaro de quase inação – voltar às atividades sem nenhuma mitigação ou mesmo supressões pontuais, nada de “economia de guerra” para manter país trabalhando sem risco de colapso do sistema de saúde, existem duas alternativas quais sejam, muitos mortos ou poucos mortos; sendo assim:


-Caso muita gente morra? Ele tem um plano B caso não seja uma “gripezinha”?

-E se houver baixa das empresas com muito número de mortos? Como vai ser resolvida a baixa de mão de obra? Tem vários problemas que podem aparecer e para os quais o presidente não tem uma resposta antecipada. Ninguém sabe que resultados vão existir com inação. Pode não ser tão grave ou muito grave. Se for muito? O que se fará? Qual o plano B que o presidente oferece? Nenhum.

Outrossim sem um pacotão do governo não vai ter como manter supressão. O que está em jogo é que o presidente, sob a batuta de Guedes, não quer fazer política fiscal, não quer criar um pacotão como ofereceram Alemanha, Inglaterra e Até Trump. Sem ele os governadores estão fritos. Trabalhador, empresário, todos estão fritos. Sem pacotão o país vai passar fome. Vejam: até o partido republicano dos EUA, normalmente contra tais políticas, aprovou um pacote. O presidente fala que segue os mesmos protocolos de Trump o que é falso. Trump falar de reabrir os EUA apenas daqui a três semanas. Trump fechou aeroportos. Trump está escalonando mitigação e supressão e agindo em harmonia com os governadores. Trump tem um pacote de salvação para a economia. Trump anuncia medidas de contenção dos preços.

Aqui nada. Fomos lançados no limbo. Bolsonaro está muito aquém de Trump e é preciso que seus apoiadores cegos entendam isso e pressionem o mesmo para que mude de rota.