sábado, 27 de julho de 2019

Apontamentos sobre o futuro do Brasil após os vazamentos da Lava Jato

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Bolsonaro e Moro: dois agentes a serviço dos interesses dos EUA no Brasil. 




Não é de hoje senhores que viemos dizendo aqui que esta direita que chegou agora ao poder tem projetos absolutamente maléficos e que se existe alguma diferença acidental entre ela e a esquerda no que tange a ideologia, desde o ponto de vista nacional, ambas conjuram para destruir o que resta de autonomia pátria perante os poderes estrangeiros e globais. Faz tempo que estamos a acompanhar de forma prudente e ponderada os fatos relacionados aos vazamento da Lava Jato. Não temos um parecer definitivo mas, ao que nos parece, tudo se dirige para uma explicação a partir dum complot onde o estímulo dialético às narrativas de direita/ esquerda, alimentadas pelos supostos vazamentos, orienta o país para a radicalização definitiva que permita uma "derrubada do sistema" como pretende Olavo de Carvalho, eminência parda do bolsonarismo. Percebam que os raquers de Moro são todos ideologicamente de direita, sendo o principal deles ligado as operações do bitcoin, moeda virtual que costuma ser usada por gente de linha ideológica anarco-capitalista. Em suma; o perfil dos sujeitos em nada lembra àquele de um militante de esquerda o que nos leva a pensar que a direita tenha "raqueado" Moro para incriminar a esquerda e assim construir a narrativa de que há uma conjura - Bolsonaro não consegue governar pois o congresso, a esquerda, os petistas não deixam, etc - a justificar um estado policial.  Estaríamos perante a velha tática do complot onde um pequeno grupo se articula nas sombras para tentar desenhar os fatos políticos? Qual será o próximo passo? Usar o caso do Intercept para criar uma lei marcial dando superpoderes a Moro? Todas estas questões são pertinentes e merecem um exame atento. 

Cito aqui um comentário do amigo Cassio Gehlen, muito lúcido a respeito destes fatos: 


"Quebrar a criptografia do Telegram é impossível. Um dos donos do Telegram disse que pagaria U$300.000,00 para quem fizesse isso. Porquê esses “hackers “ não receberam a grana? Isso é um circo para criar uma narrativa de insegurança geral para justificar medidas repressoras sobre quem é contra o governo. Vai sobrar para todo mundo que possui alguma relevância na medida que o pessoal em Brasília trabalha com metadados. Eu já vi esse filme: vão colocar no mesmo saco e calar a boca de comunistas, fascistas, nacionalistas ou qualquer “ista” que tenha repercussão junto a um público razoável....não é lógico acreditar que existe hacker sem computador em Araraquara. Aliás, porque o presidente NÃO TEM INTERESSE EM SABER QUEM QUIS MATÁ-LO? Porque Adélio Bispo não tomou umas porradas dos militantes e seguranças? Olha, só não vê que essa merda é uma armação quem não quer... Nem o FSB Russo conseguiu quebrar a criptografia do Telegram. Os donos, que são russos, tiveram que sair da Rússia porque se negaram a repassar dados para o governo de lá. Está baseado em Dubai. Agora aparecem esses paspalhos, uns moleques punheteiros se passando por hackers? Guerrinha híbrida, bem básica aqui no Brasil... E o projeto é esse mesmo ... gerar confusão geral... e finalmente desmontar as instituições e remontá-las de novo.

Foi o que dissemos: já que é simples acessar celular e mensagem de Telegram - está é, pasmem,  a narrativa dos defensores de última hora do atual governo, a de que o suposto hacker teria se valido dum processo simplório acessível até a crianças! -  nos ensinem como faz, afinal precisamos esclarecer tudo isto e, quem sabe, uns dados raqueados nos ajudem a saber se estamos mesmo perante um complot, assunto de extrema importância para a segurança nacional.  

Cabe reiterar que o Telegram ofereceu 1 milhão de reais a quem quebrasse sua criptografia e que, no depoimento do suposto raquer ele teria alegado o seguinte: generosamente, por puro idealismo,  quebrou o sigilo de autoridades e, ao mesmo tempo, oferecido isso ao PT de graça! Vamos imaginar que você seja o raquer que tenha conseguido o que agentes da FSB não conseguiram, o que agentes do PC chinês não conseguiram - dado que as manifestações que acontecem agora contra o governo comunista de Pequim em Hong Kong são todas articuladas via Telegram, o que tem levado o PC chinês a buscar o acesso ao app via raqueamento. O que você faz?

A- Contacta Pavel Durov, dono do app, mostra qual a falha do Telegram, ganha o valor e ainda é contratado por Durov para melhorar a o sistema, ficando rico. 

B- Vende teu conhecimento para o governo russo e chinês, enchendo a conta de dólares para viver num paraíso fiscal pela resto da vida. 

C- Esquece tudo isto e fornece o que você descobriu de graça ao PT se arriscando a ser preso dentro do Brasil e viver o reto dos teus dias numa prisão junto com traficantes e assassinos. 

A  opção C é a mais absurda, demencial, tresloucada e improvável. A maioria ficaria entre A ou B. C jamais! Ninguém minimamente racional escolheria C. 

Então o que tudo isto permite dizer é que: 

1- Não há sequer certeza da veracidade dos vazamentos do The Intercept, faltando elementos mais sólidos que comprovem as mensagens. 

2- Logo, falar peremptoriamente de raquers atuando em consonância com Greenwald contra autoridades é absolutamente temerário nesta altura dos fatos. 

3- Admitir que esta atuação existe é reconhecer alguma veracidade aos vazamentos, o que dá certa verossimilhança a narrativa de Greenwald e isso piora a situação da direita em vez de melhorar.

4- Por que raquers, que tem por objetivo escamotear suas ações, fariam ligações para gente do governo a fim de dar pistas? Não faz sentido.

5- Levando em conta tais inconsistências concluímos que isso tudo tem bastante probabilidade de ser uma false flag.


No início a direita dizia que os vazamentos eram falsos. Agora ela quer que eles sejam verdadeiros para dizer que houve crime cometido pela esquerda petista. A esquerda também quer que eles sejam verdadeiros para poder invalidar o julgamento de Lula. Tudo isso só ajuda os dois lados a se retro-alimentarem gerando o clima ideal para uma guerra civil. A esquerda dirá: se há raqueamento então houve acerto prévio da sentença de Lula/ Moro quer prender  para impedir o acesso aos fatos. A direita vai dizer que tudo isso é crime e que, a esta altura, pouco importa se houve acerto de sentença mas que os culpados sejam presos. Como será impossível chegar a um senso comum a respeito disto tudo o país vai se dividir inexoravelmente, as instituições vão ficar paralisadas e, neste quadro, não é impossível pensar que um conflito explodirá. É uma aposta mas uma aposta que nos parece plausível.


segunda-feira, 15 de julho de 2019

Os erros da direita "católica", por Arthur Rizzi.



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A direita pseudo católica aposta em pessoas como Bolsonaro - um apoiador do liberalismo, sionismo e do protestantismo, doutrinas condenadas pelos papas. 




Os dois erros que ainda subsistem na dita direita católica são:

1- A crença falsa, baseada numa fake news de Murray Rothbard, de que a Escola Austríaca é o fruto moderno da Escola de Salamanca.

2- De que subsidiariedade é meramente absenteísmo estatal, de modo em que nada se pode fazer pelos pobres em matéria de governo, pois seria violação do princípio de subsidiariedade, e que portanto, os mais pobres deveriam confiar apenas na providência divina e na caridade individual. ( Para entender melhor isto cabe ler o importante artigo "O mito do distributismo sem Estado" aqui: http://www.integralismo.org.br/?cont=920&ox=21

Os dois erros estão interligados, e ambos se mantém por causa de uma correlação de forças na qual essa mesma direita católica se vê presa.

Como a direita católica não tem meios de mobilização de fiéis própria, não tem apoio da hierarquia, e pela própria natureza costumeira do catolicismo local (apolítico e não doutrinal) ser deveras difícil de mobilizar, eles se veem presos ao governo americanista do Brasil. Governo que como todo americanismo, é liberal e se alicerça sobre as pautas morais dos evangélicos, eles se veem forçados a tolerar e até apoiar o que vem no conjunto do pacote: liberalismo econômico, anti-estatismo burro, sionismo bucéfalo, etc.

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O professor Arthur Rizzi

Isso faz com que liberais que são maus católicos (católico liberal não existe), ajudem a criar uma defesa intelectual e teórica desse tipo de promiscuidade ideológica. O que faz perpetuar essas duas falsas noções acima.

Agregue-se ainda, o fato de que o meio tradicional e conservador da Igreja, embora esteja crescendo para setores das classes C e D devido a internet, concentra-se em indivíduos das classes B e A. Nesse caso entra ainda o interesse de classe em jogo. Foi basicamente o que ocorreu no caso da TFP e seu liberalismo prático.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

4 de Julho ou os EUA como início da Babilônia anticristã

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O governo Bolsonaro - talvez o mais identificado com os EUA, na história do Brasil - representa a entrada definitiva do país no esfera da ideologia da grande Babilônia moderna



Há uma verdadeira tara por parte dos “conservadores” brasileiros em torno dos EUA e de símbolos como a data de sua independência – o infausto 4 de Julho - que torna deveras contraditória a posição conservantista dos mesmos, afinal, a idéia por trás dela é a de que o “conservadorismo” seria a ideologia perfeita para garantir, dentro da vida social, a prevalência de certos costumes morais e religiosos contra a degeneração da new left, ou nova esquerda, a mesma que defende direitos lgbt, feminismo, laicismo, cotismo, relativismo moral, etc. O americanismo dos “conservadores” brasileiros é uma posição esquizóide pois postula “conservar” uma tradição – a dos EUA - estranha à sua própria nação. O que esperar, normalmente, de conservadores senão que conservem a própria forma de viver, ser, pensar? Todavia aqui no Brasil a atual onda de “conservadorismo” é um fato sui generis, único na história e no mundo: é a primeira que visa , não a sua identidade mas a dos outros, o que prova que o Brasil caminha – infelizmente – para deixar de ser um país normal. Não custa lembrar que o culpado mor deste processo de deformação moral, que acontece agora aqui, é o senhor Olavo de Carvalho. O velho guru acostumou o seu público cativo a acreditar em três coisas:

1- Os EUA são a nação mais cristã da história;

2- A independência dos EUA não foi uma revolução mas uma contra-revolução (um oposto, portanto, da revolução francesa, que seria aí o símbolo mor das revoluções) e portanto o antídoto para todas as revoluções.

3- O Brasil deve adotar o modelo social americano para evitar o comunismo e virar uma civilização.

Primeiro é preciso que se diga que os EUA não são a maior nação cristã da História mas a maior nação protestante da História. Alguns vão objetar que “protestantes são cristãos”, o que não deixa de ser verdade mas uma verdade fraturada pois eles só são cristãos pela metade. O ato fundador dos EUA, como modelo de sociedade, foi a chegada do Navio Mayflower em 1620, época das 13 colônias. Em que consistiu este fato senão na idéia de que aquela nova terra era uma terra de liberdade onde todas as profissões de fé, modos de ser, variedades de costumes, poderiam florescer sem a interferência do poder do rei da Inglaterra que impunha uma religião oficial aos súditos, opondo à liberdade, uma autoridade absoluta? Os calvinistas do Mayflower só queriam um lugar onde pudessem adorar a Deus do seu modo, com liberdade. A lógica por trás da colonização começada em 1620, de forma espontânea sem a interferência inglesa, era a de que se você era um calvinista que fosse para uma colônia puritana, se fosse quaker que fosse para uma colônia quaker, se fosse batista que fosse para uma colônia batista. Havia tantas colônias e vilas quanto o número de cabeças e de filosofias/religiões. O que estava em jogo ali não era assegurar a reconstrução da sociedade católica destroçada pelos reis anglicanos da Inglaterra. Se 1620 significasse um êxodo dos perseguidos pelo rei para refazer a cidade católica que fora a glória e salvação da Inglaterra anterior ao ato de supremacia de Henrique VIII, em 1532 , aí a história americana seria uma epopéia digna de ser louvada e cantada pelos séculos. Entretanto as 13 colônias foram a vitória da renascença pagã no mundo cristão protestante – e nada mais anticristão que o renascimento e seu culto da liberdade de pensamento, ou seja, da liberdade de renunciar aos dogmas da fé. As 13 colônias eram um “paraíso” anárquico onde a liberdade de pensamento renascentista, na forma de liberdade religiosa, finalmente podia florescer, longe do poder autocrático dos monarcas absolutos – preocupados em manter alguma unidade de pensamento em seus domínios, alguma unidade moral/religiosa. 

Segundo que, por tudo isto, a Independência dos EUA, iniciada em 1776, foi apenas um capítulo dum longo processo de maturação duma nova sociedade que nascia, não baseada na obrigatoriedade do dogma ou da lei divina, ou na obrigatoriedade da obediência mas no direito de desobedecer e de pensar livremente. E, por isso, ela foi uma revolução pois ela coloca início ao fim da era moderna dos reis absolutos em que se apostava na união entre rei-igreja e no controle do pensamento, sujeitando-o à verdade religiosa. Ela poderia ter sido uma revolta justa se seus colonos, rechaçando seus pais fundadores protestantes dissessem: nós queremos voltar a ser católicos e então vamos desobedecer às leis intoleráveis de Jorge III e restaurar aqui a Inglaterra Católica. Só aí ela não seria uma revolução mas uma contra-revolução que sempre tem caráter restaurador. Entretanto a Independência teve móveis mais mundanos: luta contra os impostos, considerados abusivos já que os colonos não tinham representação no Parlamento Inglês, o que inaugurava uma nova era, a da liberdade negativa, aquela que não afirma nenhuma verdade mas nega todas elas a fim de dar ao homem infinitas possibilidades; luta contra a autoridade, o que implodia a noção tradicional de nobreza, trazendo, com isso, a era da autonomia do indivíduo frente ao poder constituído, o que constitui uma inversão, uma reviravolta política, e, logo, uma revolução pois o que são elas senão mudanças de 360 graus na história? Neste caso os governantes, que antes tutelavam, passam a ser governados e tutelados pelos indivíduos e pelo pacto social; em suma a autoridade e o poder, que antes seguia de cima para baixo, agora passava a vir de baixo para cima.

Terceiro que, por mais que os ridículos “conservadores” brasileiros tentem afirmar uma diferença cabal entre a Independência dos EUA – ou melhor dizendo, revolução americana, a mãe de todas as revoluções – e a revolução francesa, o fato é que a história desautoriza esta leitura. O amor das liberdades chegou a França através da Inglaterra e dos EUA. A juventude nobre da França, contagiada pelo exemplo de 1776, mostrava enorme entusiasmo pelas maneiras igualitárias e desprezo pelo “espírito aristocrático” já na década de 1770/1780, anos que antecederam a revolução em Paris. A jovem nobreza, a primeira a ser invadida pelo contágio do espírito filosófico, trazia, do exemplo americano ,um gosto entusiasmado pelas formas do governo representativo e pelas liberdades da tribuna. 1776 passara a servir de farol aos que pensavam em revolucionar também a França:

“Embora não houvesse dez republicanos de verdade, em Paris em 1789, como disse Camilo Desmoulins, que era certamente um desses dez, era “chic”, em Versalhes, dizer-se republicano, à moda americana. Foi por isso que muitos jovens nobres seguiram Laffayete à América, para ajudar a causa dos rebeldes democráticos yankees (L. Madelin - Les Hommes de la Révolution, pg. 8).

“O entusiasmo pela jovem América se manifestou inicialmente em panfletos, canções, libelos contra a monarquia caduca; mas não parou lá; toda a jovem nobreza, de repente enamorada pela democracia, embarcou e atravessou o Oceano, indo até aos EUA, para contemplar de perto a aurora dos novos tempos” (G.Lenotre, En France, jadis-pg.190).

A mania democrática chegou a tal ponto que se deixou de jogar o whist, jogo inglês, e se passou a jogar o “Boston”, cujo nome – que lembrava o Tea Party, episódio da independência americana - dava ao jogador um “que” de insurreto. (Hugues de Montbas, La Police Parisienne seus Louis XVI, pg.169).

Não sem razão Hanna Arendt, em sua obra “ A vida Do Espírito”, examinando a mentalidade dos pais fundadores dos EUA, nota que 1776 buscava ser um novo começo para a história, um novo início da humanidade, identificada na frase lapidar que se encontra num dos símbolos numismáticos do país, o dito “Novus Ordo Seclorum”, ou seja, Nova Ordem dos Tempos. 1776 quis ser o sepulcro do passado e o nascedouro do futuro – da era de liberdade/igualdade, da era maçônica. Para ritualizar esta nova fundação do mundo – não mais em Deus mas no Homem feito um “deus” - George Washington, primeiro presidente dos EUA, ergueu a pedra inicial do futuro Capitólio, vestido com os paramentos maçônicos, onde, dirigindo orações ao “deus” natureza, à divindade da maçonaria, se valeu do rito do lançamento da pedra angular existente nas Lojas do Grande Oriente, em que  consagrava a mesma com trigo, vinho e azeite e a media, simbolicamente, com um triângulo de madeira e um régua em T, significando que aquela era a Nova Pedra Fundamental do Mundo, a pedra perfeita. Ora sabemos que, na tradição cristã, Cristo é a Pedra Angular. Porém não foi nesta pedra que os EUA foram fundados e sim na Pedra Maçônica que significa o esforço do homem em tornar-se, pelo uso da razão em liberdade e igualdade, alguém que seja capaz de despertar, em si, a “centelha divina”. A idéia aí é: o homem deve desenvolver ao máximo o seu poder até igualar-se a divindade. Os EUA são a concretização desta ideia na forma política, um Estado que serve ao homem como a um “deus”. Esta é a mesma base ideológica na qual a new left se escora, new left pela qual os conservadores brasileiros sentem repulsa. E isto só prova que o movimento criado pelo senhor Carvalho é, não a alta cultura, mas Satanás revestido de anjo de luz; no fim das contas trata-se de um regimento de imbecis crentes de que estão a servir a Deus quando, na verdade, estão a acender uma vela para o cabrunco e a preparar, sem saber, o seu reinado definitivo sobre o mundo.

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Washington lançado a pedra maçônica de fundação do capitólio em 1793

Em quarto lugar nos 243 ANOS da Independência Americana o que tivemos foram guerras contra monarquias católicas, saque ao México, apoio a revolucionários de toda sorte, criação da cultura de massas, revolução sexual, expansão da democracia iluminista laica, nascimento do tráfico internacional de drogas na década de 1920, bombas atômicas, apoio irrestrito ao infame ESTADO DE ISRAEL, 5 MILHÕES DE MAÇONS, guerras ininterruptas – de modo que os historiadores falam de intervalos pequeníssimos sem algum envolvimento em conflitos bélicos por parte dos EUA, ao longo de sua existência como Estado – etc. Não há nada a comemorar nem a aprender de positivo com os norte americanos. O Brasil não precisa emulá-lo para se tornar uma civilização pois os EUA não são uma civilização mas uma barbárie com verniz de prosperidade econômica. O homem de hoje, levado pelo brilho da matéria e do poder do dinheiro se deixa fascinar por esta sociedade neopagã mas aqueles que realmente amam a Deus e querem conservar a vera tradição cristã não podem ter outra atitude senão odiar, do mais fundo da alma, a Babilônia do Norte.





terça-feira, 28 de maio de 2019

9 razões por que Ernesto Araújo é um inepto que não conhece história

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O fenômeno do imbecil coletivo - antes restrito a esquerda - agora toma também a direita. E o pior: se encarna até em personagens que, pela sua condição profissional, deviam prezar pela inteligência aguçada dos fatos e das coisas. Falo aqui no sr. Ministro das relações exteriores e aluno de Olavo de carvalho, Ernesto Araújo. 

Recentemente Araújo lançou um artigo em seu blog "Metapolitica", aproximando - como é de costume na esfera olavética - marxismo e nazismo numa tentativa espúria de santificar a direita. Sim o objetivo é esse: canonizar a direita liberal-conservadora como a única via possível, decente, digna, moral. Aqui o objetivo não é discutir, agora, se nazismo e marxismo prestam. Na verdade esta tendência a abordar as ideologias primariamente por um crivo maniqueísta - é bom ou mau? - beira a infantilidade. Sou professor e costumo receber perguntas deste tipo quando leciono sobre guerras e revoluções, coisa absolutamente compreensível para mentes inexpertas e que ainda não entendem que o mundo é mais "cinzento" que "preto no branco".  O que não é compreensível é que alguém que se considera um intelectual se comporte da mesma maneira. Um aluno a gente perdoa, um diplomata não. 


Não vamos nos ater a refutar ponto a ponto mas a fazer alguns apontamentos gerais que derrubam os pés de barro das alegações de Ernesto. 

Primeiro que fique claro: aliança liberal - conservadora é a bola quadrada. Uma impossibilidade lógica fácil de compreender. Chegamos aqui a pensar que o sr. Araújo fosse razoavelmente inteligente, quando, tempos atrás, nos deparamos com alguns artigos seus, mas foi um rotundo engano. O sr. Araújo pensa que é alguém livre de ideologia mas não é. O sr. Araújo é alguém que reconta a história conforme a conveniência política da hora. 

Sobre a questão de o nazismo ser de esquerda ou não, o sr. Araújo ignora, por exemplo, que:

1- Se Hitler e o NSDAP eram de esquerda, por que Otto Strasser saiu do partido nazi e fundou o Partido Nacional-Socialista revolucionário e que postulava a luta de classes?

2-Por que Hitler fez acordos com os barões da indústria alemã assegurando-lhes a propriedade privada dos meios de produção caso viesse a governar um dia, desagradando a ala strasserista do NSDAP? 

3-Sim o nazismo era anticapitalista mas por que era contra o "capitalismo internacional" e não por que fosse defensor da coletivização dos meios de produção. Como bem mostra o historiador Tyrrel:

 "Hitler entendia que a terra era destinada à coletividade do povo mas o que se produz nela com o talento individual era de posse privada". 

Isso coloca o nazismo na condição de  "terceira posição nacional" e não de esquerda ou direita.  É comum nos meios direitistas e esquerdistas do Brasil reduzir tudo a estas duas categorias. Todavia "esquerda" e "direita", são conceitos cambiantes e relativos e não ajudam muito a entender a realidade múltipla da política. O PT é de direita em face ao PSTU e de esquerda em face ao PSDB. Logo, para entender uma doutrina política não podemos nos valer tão só desta categoria relativística, mas sobretudo duma análise acurada da substância das doutrinas em tela. Por exemplo: tanto o bolchevismo quanto o nazismo falavam de um "novo homem". A uma mente superficial isso pode parecer equivalência mas sabemos que não é. O cristianismo também fala do "novo homem", nem por isso pode ser classificado como irmão do nazismo ou do bolchevismo. O novo homem soviético e o novo homem nazista são tão distantes que jamais se encontram a não ser para se digladiar: não há a mínima chance de conexão ou simbiose aí. Estar a direita, no século 19, era ser contra a igualdade de todos perante a lei. Já hoje o direitista padrão defende a igualdade perante a lei contra as políticas afirmativas da esquerda que postulam privilégios legais para grupos marginalizados. Essa atitude de classificar tudo em termos de direita/esquerda está no plano da sub-intelectualidade e de um método que se baseia apenas na aparência das coisas. Foi Platão quem disse que as aparências eram enganosas e ele tem toda a razão. Sofista é justamente aquele que, não conseguindo ir além das aparências para subir ao céu das idéias, se fixa na doxa produzindo um conceito enganoso da realidade. O sr. Araújo é um sofista. 

4- Foi o nazismo quem lutou contra a URSS e não os EUA. Quem fez acordo com o comunismo em Yalta e Teerã dividindo o mundo com o bolchevismo foram os EUA e a Inglaterra capitalista, países de tradição liberal, e não a Alemanha nazista. 

5- No Mein Kampf, Hitler deixa claro que seu objetivo principal consistia em destroçar a URSS e o bolchevismo. Seu intento não era atacar a Europa Ocidental mas a Rússia. As coisas mudaram em 1939 por que a Inglaterra declarou guerra a Alemanha, obrigando o III Reich a abrir dois fronts na década de 40. 

6- A União Soviética não foi a primeira a tentar um acordo com o Terceiro Reich, mas a última. A Liga das Nações, formada majoritariamente por países capitalistas, antes mesmo do Pacto nazi-soviético - meramente tático, coisa evidenciada pela Operação Barbarossa - já havia concedido a Hitler o direito aos Sudetos e Áustria. Forçar uma proximidade ideológica entre URSS e Terceiro Reich é pura ignorância de fatos que deveriam ser comezinhos para um diplomata. 

7-  Se analisarmos as grandes crises históricas, notaremos que todas elas terminaram por provocar uma concentração do poder nas mãos de um líder mais ou menos autocrático: a Primeira Revolução inglesa desaguou no poder pessoal de Cromwell; a Revolução Francesa, naquele de Robespierre e, sobretudo, anos depois, no de Napoleão; o resultado da revolução dos escravos negros de Santo Domingo foi a ditadura militar, primeiro, de Toussaint Louverture, e mais tarde de Dessalines; a Revolução Liberal na França de 1848 levou ao poder pessoal de Luís Bonaparte ou Napoleão III. A categoria de totalitarismo para dizer que "nazismo é de esquerda"  pode servir, no máximo, à análise comparada das formas práticas de governo a que se recorrem em situações de crise mais ou menos agudas mas nunca para determinar substâncias. Assim, se nos esquecemos do caráter formal dessa categoria e a absolutizarmos, corremos o risco de constituir uma família de irmãos gêmeos demasiadamente numerosa e heterogênea. No que se refere ao período entre as duas grandes guerras mundiais do século XX, são inúmeras as crises que culminaram na instauração de uma ditadura pessoal. De fato, uma análise mais atenta permite observar que esse é que vai ser o destino de quase todos os países da Europa continental e do Hemisfério Norte Ocidental. Os únicos que ficaram fora disto foram os dois países de origem anglo-saxã: EUA  e Inglaterra. Mas inclusive esses países, a despeito de terem atrás de si uma sólida tradição liberal e de gozarem de uma situação geográfica e geopolítica particularmente favorável, viram a manifestação da tendência à personalização do poder, à acentuação do poder executivo sobre o legislativo, à restrição do rule of law: nos Estados Unidos, bastou uma ordem de F. D. Roosevelt para que os cidadãos estadunidenses de origem japonesa fossem presos num campo de concentração. Quer dizer, a análise das práticas de governo, na qual se funda a categoria de totalitarismo, acaba atacando, ou ao menos roçando, até mesmo os mais insuspeitos países. Isso demonstra, por a mais b, que o sr. Araújo não sabe do que fala. 

8-  A junção URSS - EUA durante a Segunda Guerra Mundial não foi mera necessidade da hora contra um inimigo em comum mas um consórcio possível graças a identidade ideológica entre os dois sistemas. Em 23 de julho de 1944, Alcide De Gasperi, que se preparava para ser o presidente do Conselho na Itália livre do Fascismo, pronunciou um discurso em que afirmava enfaticamente: " Hitler e Mussolini... inventavam aquela pavorosa legislação antijudaica que conhecemos...porém ao mesmo tempo vejo o povo russo, composto por 160 raças, buscar sua fusão, superando a diversidade existente entre a Ásia e a Europa, essa tentativa, esse esforço pela unificação do consórcio humano". As palavras de De Gasperi são bem significativas: mostram que o ideal soviético era o da cosmópolis; o mesmo ideário se encontra nos EUA com sua religião da liberdade universal. O que é interessante é observar que o sr. Araújo, ao mesmo tempo que se diz anti-globalista, aposta justamente numa leitura globalista da história em que exalta o modelo da cosmópolis estadunidense.

A antítese ao esforço nazi-fascista em defesa da supremacia da Europa era não só o universalismo da democracia americana em sua raiz liberal, onde todos os indivíduos são iguais perante a lei independente de seu valor pessoal, ideologia que justificava o anticolonialismo europeu mas também o bolchevismo da URSS na qual a herança européia vinha sendo contestada e destruída desde 1917. O principal inimigo da Europa, a quem Hitler desejava defender, era a União Soviética, que incitava a revolta dos povos (URSS que nada mais era que a expressão da vontade judaica revolucionária de um imperium utopista) contra o senhorio da Europa e de sua cultura tradicional. A partir da ascensão dos bolcheviques ao poder – escrevia Oswald Spengler –, a Rússia retirou a “máscara branca” para se tornar “de novo uma grande potência asiática, mongol, animada pelo ódio contra a humanidade branca. Logo não havia nada de comum, essencialmente falando, entre nazismo e a esquerda bolchevique. A referência ao fato de que nazismo e comunismo ambos "destroem as estruturas tradicionais da sociedade" vale até para o liberalismo que Araújo apoia, dado que, por onde passou, destruiu as antigas corporações e poderes intermediários. Será que o liberalismo é de esquerda também? O que Araújo usa para identificar esquerda e nazismo são aspectos acidentais. Mas aliás, que estruturas tradicionais o nazismo destruiu que já não estivessem destruídas pelo capitalismo liberal, desde o século 19? A afirmação de Araújo é completamente demencial. Se na Rússia o bolchevismo destruiu a antiga sociedade feudal que ainda restava de pé no campo, o nazismo encontra a Alemanha já na era industrial de massas, onde as antigas hierarquias já haviam desaparecido. O que restava delas, precariamente, era o baronato descendente dos junkers prussianos, justamente com quem Hitler atrelou-se. Falta à análise de Ernesto - é até bondade chamar o artigo em tela de análise, que fique bem claro -  uma avaliação séria sobre as doutrinas nazistas e o bolchevismo, talvez por que Araújo não tenha a profundidade intelectual para fazê-la, preferindo repetir um lugar comum da olavosfera, o que lhe coloca na condição, não de um intelectual sério em busca da verdade mas na de um retórico interessado nos aplausos da platéia cativa: ou seja, na de um sofista.  

9- Em suma: EUA/URSS representavam, por suas ideologias de fundo, um cosmopolitismo, quer dizer, repreentavam a idéia de unidade do mundo através da igualdade e liberdade comum a todos os homens. A Alemanha postulava outra coisa: a supremacia da Europa contra a barbárie da massificação liberal/igualitária típica da sociedade pós 1789, ainda que se possa discordar do caminho por ela escolhido em 1933 quando da ascensão do nazismo, o fato inegável é que ela é quem significa, verdadeiramente, uma viragem anticosmopolita. E é essa barbárie significada por EUA/URSS a mesma que está levando-nos ao globalismo, o qual Araújo diz que combate apesar de lhe fazer coro quando defende o ethos americano. 



terça-feira, 23 de abril de 2019

Explicando a aproximação entre Olavo de Carvalho e Steve Bannon.


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Olavo e Bannon juntos contra o Brasil



A NRx, também chamada de Neoreação ou Dark Enlightenment, é uma filosofia fundada por Mencius Moldbug/Curtis Yarvin (meio-judeu) e por Nick Land (cripto-maçon). Na NRx existem três seguimentos (tricotomia): tradicionalistas "cristãos-esotéricos", racialistas etno-nacionalistas e tecno-comercialistas.

No grupo tradicionalista teonomista, conhecido como orthosphere, as grandes influências são autores tradicionalistas católicos e neopagãos, além dos perenialistas. Nesse nicho, acredita-se muito nas idéias de Holiness Spirals e Benedict Option, isso sem falar no conceito de sociedade dividida em castas, não biológicas - como fazem Yarvin e os racialistas -, mas espirituais.

A Alt-Rigth teve, em partes, além de influências duguinistas, uma certa influência do segundo grupo, o grupo racialista, por vezes denominado Heroic Reaction ou HRx. Curtis Yarvin, demonstra simpatizar com o catolicismo jacobita - mesmo sendo filho de pai judeu - e acredita que o ideal para o mundo é um governo étnico e neo-cameralista, algo próximo do Estado de Israel atual, tirando a parte do neo-cameralismo que ainda não existe em Israel. Isso explica um pouco o porquê de muitos supremacistas brancos norte-americanos apoiarem Israel. Esses etno-nacionalistas crêem também em um mundo divido em castas - aliás, os três grandes seguimentos da NRx crêem nisso -, mas castas biológicas e não meramente espirituais.

O último seguimento, o do Land, apoia o aceleracionismo, idéia adaptada de Deleuze, segundo a qual o capitalismo deve ser acelerado ao máximo para só assim ser superado, ou pior, para que a condição decadente do homem seja superada (pós-humanismo). Land estudou esoterismo durante um bom tempo, após juntar-se com alguns alunos e professores e abandonar a universidade.

Vale lembrar que na NRx, por influência de Nick Land, profundo conhecedor de kabbalah e gnosticismo, a divindade passou a ser denominada "Gnon" (Nature Or Nature’s God) ou de TAofU (The Arbiter of the Universe). "Gnon" ou "GNON" (com maiúsculas) é um acrônimo modificado de "Nature or Nature's God". Refere-se à personificação da Lei Divina, ou Lei Natural, dependendo da perspectiva metafísica de quem adota o termo.

Muitos entusiastas desse sistema filosófico fazem críticas ao globalismo tentando desvinculá-lo do judaísmo e jogá-lo apenas nas costas dos protestantes, em especial dos calvinistas. Eles denominam o sistema globalista ocidental "calvinista" de  The Cathedral e alegam que o mesmo domina a academia, a mídia e outros setores da sociedade. Para eles, não são os revolucionários judeus os grandes culpados pelos males do mundo moderno, mas apenas, unicamente, os calvinistas.

Steve Bannon é influenciado não só por Curtis Yarvin, mas também por autores esotéricos e perenialistas, como Guénon, logo imagino que seu novo amigo guenoniano, Olavo de Carvalho, possa querer trazer isso para o Brasil. O The Movement (a Internacional Populista) de Steve Bannon é simbolicamente o braço político da NRx.

Fiquemos de olhos bem abertos, pois o neoconservadorismo está se desgastando, o que abre espaço para que idéias desse porte ocupem o abismo que o mesmo deixará em breve. É sabido que no Brasil é comum o hábito de importar lixo estrangeiro.


Autor: Fernando Souza

Fontes:

Tricotomia:

http://greyenlightenment.com/nrx-concepts-a-review/
https://techcrunch.com/2013/11/22/geeks-for-monarchy/
https://altexploit.wordpress.com/2017/05/08/the-political-nrx-neoreactionism-archived/
http://neoreaction.net/bestofnrx.html
http://www.xenosystems.net/trichotomy/

Aceleracionismo:

https://jacobitemag.com/2017/05/25/a-quick-and-dirty-introduction-to-accelerationism/
http://www.thedarkenlightenment.com/the-dark-enlightenment-by-nick-land/
https://vastabrupt.com/2018/08/15/ideology-intelligence-and-capital-nick-land/
https://genius.com/Nick-land-meltdown-annotated
https://www.meta-nomad.net/nick-land-accelerationism-neoreaction-overview-guide/
https://www.meta-nomad.net/on-left-and-right-accelerationism/
http://www.xenosystems.net/re-accelerationism/

Ocultismo de Nick Land:

https://not.neroeditions.com/accelerazionismo-esoterico/
energyflashbysimonreynolds.blogspot.com/2009/11/renegade-academia-cybernetic-culture.html?m=1
http://divus.cc/london/en/article/nick-land-ein-experiment-im-inhumanismus
http://merliquify.com/blog/articles/hyperstition-an-introduction/#.XLerKB5v80P
http://www.zero-books.net/books/malign-velocities
http://securemail.kipsu.com/accelerationism-how-a-fringe-philosophy-predicted-the.pdf
http://www.xenosystems.net/pythia-unbound/
Racialismo de Curtis Yarvin:
https://www.unqualified-reservations.org/
http://greyenlightenment.com/nrx-vs-hrx/
https://froudesociety.wordpress.com/2016/03/02/hrx-takes-its-exit/
https://www.socialmatter.net/2016/12/16/a-brief-defense-of-the-hereditarian-caste-system/
http://www.xenosystems.net/caste/
http://www.moreright.net/books/MenciusMoldbug/AmericanCastes.pdf
https://alternativeright.blog/2014/1

sexta-feira, 1 de março de 2019

A mentira de Van Hattem e o papel do ocidente católico na prosperidade européia

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Recentemente o sr. Deputado Marcel Van Hattem deu declarações polêmicas relacionando a pobreza do Brasil ao facto de ser um país católico e de colonização lusitana. Hattem repetiu o velho clichê de que protestantismo é igual a riqueza e desenvolvimento e, com base nesta pretensa relação, exaltou o modelo social e econômico holandês. Partindo daí nosso objetivo neste breve artigo é discutir se isto realmente procede, desde o ponto de vista histórico, ou não.

1- As origens da prosperidade européia

Primeiro é preciso situar a assertiva de Hattem: ela está ligada à conjuntura da expansão comercial européia e de uma sua hegemonia a partir da era colonial-mercantil, coincidente com o que chamamos idade moderna, o que corresponde aos séculos 16/17. Foi aí que a Holanda atingiu a sua independência em face ao Império Espanhol – alcançada em torno dos anos de 1580 – e que ela virou uma nação dedicada ao comércio naval, colonização e finanças. Sabe-se que a Holanda, nesta época, lançou-se em busca dos mercados da Ásia, África e de colônias na América (Vide o caso da conquista do nordeste do Brasil, em 1630) sob o influxo de capitais judaicos que migraram para a região batava, fugindo da península ibérica donde a inquisição, em sua ação persecutória, expulsava frações desta burguesia financeira judia ligada, desde a muito, ao ofício de financiar navegações em troca de lucros advindos das trocas comerciais e dos monopólios coloniais. Segundo Hattem o sucesso da Holanda se deveu, sobretudo, à sua cultura protestante. Basicamente Hattem se vale do argumento de que o capitalismo só amadureceu graças ao influxo da mentalidade reformada, sem a qual, nem a Holanda, nem a Europa, teriam dado um salto econômico. Ainda para Hattem, a reforma, tendo liberado os agentes econômicos de contribuírem com seus dízimos ao Papa, facilitou a desconcentração do capital e da propriedade – antes centralizada nas mãos da Igreja – dinamizando a economia européia e dando, assim, o passo decisivo para que o capitalismo e a prosperidade econômica se estabelecessem.

É preciso examinar se Hattem tem mesmo razão: será que os instrumentos econômicos criados pelos protestantes foram assim tão decisivos para a consolidação do dinamismo econômico europeu nos séculos 16/17? Vejamos.

2- Teologia e negócios: a práxis e a teoria no mundo católico

Cumpre destacar neste assunto os importantes contributos da Escola de Altos Estudos de Paris que, desde 1950, tem ajudado a compreender melhor a vida comercial, bancária e industrial do fim da idade média.

É seguro que a teologia católica recusou, bem para além do século 15, o empréstimo a juros sob qualquer título. Os teólogos admitiam apenas o reembolso das despesas do emprestador, recusando elementos especulativos no negócio bancário. Condenações a usura nos Concílios de Lyon(1274) e de Viena(1312) foram renovadas no Concílio de Latrão de 1515. A posição teórica da teologia católica sobre usura se manteve constante o que é provado pelas inúmeras obras de casuística sobre o tema lançadas entre o século 16/17. Porém a doutrina escolástica sobre o empréstimo a juros aplicasse a um contexto bem preciso: a proteção dos mais pobres contra os emprestadores sob caução. Na prática esta doutrina se revelou inaplicável aos fabricantes de panos que iam dum país a outro e que precisavam tomar emprestado para manter seu negócio – o que implicava em risco significativo ao emprestador – e aos banqueiros que emprestavam a príncipes e papas – sobretudo para financiar guerras. Os canonistas, nestes casos, tiveram que admitir o princípio do “dannum emergens”, do “lucrum cessans” e o do “periculum sortis” ( respectivamente, o cálculo dum possível prejuízo, o ganho deixado de auferir pelo tempo do empréstimo e o risco de falência do tomador de empréstimo e o consequente dever de indenizar).

Isto tudo se dá no contexto dos séculos da expansão naval européia que pode ser dividida em duas fases:

A- A fase inicial ou mediterrânea (séculos 13/14);
B- A fase madura ou atlântica ( séculos 15/16).

Na primeira fase as cruzadas tiveram um papel decisivo pois a necessidade urgente de fornecer víveres às tropas católicas no oriente exigia a formação de portos e de emprestadores que garantissem transporte, navios, armas, cavalos e alimentos para os soldados. Isto trouxe a formação de cidades portuárias como Gênova na Itália, que não só fornecia suprimentos como recebia as mercadorias que vinham das praças conquistadas ( ouro, especiarias, tecidos, etc) que impulsionavam as feiras da época. Os Templários, neste sentido, criaram as primeiras técnicas comerciais-bancárias avançadas. Quando da fundação da Ordem do Templo ela passou a funcionar não só como milícia católica na Palestina mas como banco, senhora feudal, casa comercial. Os templários inventaram o cheque, o que permitia que nobres entregassem suas terras na Europa para a Ordem em troca de um resgate em dinheiro vivo que lhes seria pago na Palestina a fim de que pudessem comprar armas, contratar homens, construir fortes e castelos, etc. Esta operação de crédito envolvia não a usura, proibida na época, mas despesas de comissão, corretagem, hipoteca e amortização, taxas que garantiam um lucro vultoso, dinamizando a velocidade das trocas na Europa, gerando portanto, as condições para sua prosperidade. Por outro lado havia muitas doações de fazendas e praças fortes urbanas ao Templo feitas por príncipes, barões, duques cristãos interessados em ajudar nas cruzadas. Tais áreas eram livres de dízimas, impostos, direitos feudais, etc, o que, evidentemente, favorecia o comércio e a multiplicação de agentes econômicos privados. Por outro lado a Ordem se tornou uma corporação comercial que fazia exploração de minérios na Palestina, vendia armas, mobiliário, curtumes, lã, etc, o que representou um avanço industrial no fim do medievo, abrindo perspectiva para a transição em direção a uma economia manufatureira. Seu serviço bancário incluía o transporte de valores em dinheiro por via marítima assim como o depósito e a guarda de tesouros reais. Os peregrinos que partiam para a Terra Santa também designavam à Ordem seus bens em moeda a fim de que não fossem pilhados no caminho, valor que resgatavam via cartas de crédito. O papel dos Templários, durante as cruzadas, foi decisivo para criar um novo modelo de negócio onde a segurança das trocas financeiras foi assegurada, tornando o ambiente mais favorável ao comércio e às atividades financeiras. Outrossim a oferta de moeda pelos bancos templários pode assegurar que a economia européia não ficasse paralisada em face ao aumento seja da demanda por produtos do oriente, seja do afluxo destes produtos, garantindo os meios financeiros para manter e ampliar as trocas comerciais entre ocidente e oriente.

Isto vai resultar que os teólogos passarão a admitir o “trinus contractus”, ou contrato de participação nos lucros e perdas. Passou-se a admitir o ágio de uma divisa sobre outra, nas operações de câmbio. No fim do medievo, o ocidente católico usava amplamente, no dia a dia, o empréstimo a certo juros, camuflado por detrás dos câmbios de praça e dos empréstimos públicos fixados aos detentores de títulos como taxa de transação de compra e venda. Desde 1387 o Bispo de Genebra – muito antes de Calvino chegar por lá com sua teologia que relacionava salvação e prosperidade – Ademar Fabri, concedeu à cidade o direito legal do uso do juros com a condição do respeito às taxas urbanas reguladoras do máximo permitido. Mesmo os frades mendicantes, que veneravam a pobreza, em razão de viverem nas cidades e não no campo como os monges, perceberam a utilidade social do mercador, grandes financiadores da atividade dos mendicantes. Foi, portanto, dentro do mundo medieval católico que surgiram as condições sem as quais nem o espírito capitalista nem o modelo de empresa mercantil internacionalizada, fulcral para a expansão européia, teriam existido. A legislação canônica embora impusesse limites morais não bloqueou este processo. Ela, antes, obrigou os agentes comerciais/financeiros a criar técnicas legais que permitiam contornar a proibição da usura, assegurando o crescimento do comércio.

A reforma protestante, ao inverso, não acelerou, notadamente em seu começo, o crescimento comercial e financeiro. No século 16 todos os banqueiros da família Fugger permaneceram católicos. Durante as guerras de religião de Flandres e na França, a mais importante praça bancária da Europa seguiu sendo Gênova e seus principais banqueiros eram espanhóis, florentinos ou genoveses, todos católicos. Quais eram as maiores empresas industriais do século 16? As dos Fugger, as minas de alúmen de Tolfa e o arsenal de Veneza, três empresas católicas. Outrossim Antuérpia, cidade do Flandres, no decorrer do século 15 e 16 tinha muito mais relevância que a protestante Amsterdã. O porto antuerpino adquiriu grande relevância no comércio internacional, com a pioneira fundação de primitiva "bolsa" na cidade, que rapidamente transformou Antuérpia num dos mais bem sucedidos centros comerciais e produtores da época. Os primeiros capitalistas de Antuérpia foram estrangeiros, muitos deles italianos Duas bolsas funcionavam na cidade, bem antes de existirem bolsas em Amsterdã: a de mercadorias e a de instrumentos financeiros, como as letras de câmbio, hipotecas e certificados de aforro, uma experiência que herdara e melhorara de Bruges. Logo é falso dizer que a Bolsa de Amsterdã é a primeira da história. Bem antes dela tal instituição existiu na Antuérpia católica, que, naquele tempo, era uma cidade cosmopolita, uma comuna livre ao final da Idade Média, uma cidade de igrejas e de congregações religiosas católicas, fortemente apoiadas pela população rica. Quando os católicos portugueses abriram a rota marítima para a Índia, Antuérpia se tornou um centro de comércio ainda mais proeminente, porque o rei de Portugal para lá enviava quase tudo que chegava a Lisboa, vindo da Ásia; as corporações da cidade compravam carregamentos inteiros que daí seguiam para o resto do mundo ofuscando o brilho comercial de Veneza. Com os portugueses, instalou-se igualmente forte colônia mercantil espanhola, passando os negócios das coroas ibéricas a fazer-se por Antuérpia. Assim, ao longo do século 16, Antuérpia tornou-se centro da "economia do mundo". Cabe dizer que o historiador H. Luthy, em sua obra “La Banque Protestante em France”, mostra que Antuérpia foi superada por Amsterdã no século 17 não em razão da superioridade econômica das instituições holandesas mas em face a guerra que moveu contra sua rival: no dizer de Luthy, “pelo assassinato metódico de Antuérpia”.

Por fim a reforma protestante trouxe um desmoronamento econômico na Alemanha. Enquanto isto, no Principado de Liége, governado por um príncipe bispo, um estado católico e principado do Sacro Império Romano Germânico, portanto parte da Alemanha, vivia-se um boom financeiro sob a direção dos funcionários cônegos do principado, que promoveram várias inovações econômicas. Na mesma época a Genebra de Calvino, conforme foi exposto pelo historiador e economista André Sayoux no artigo publicado na Revue Economique Internationale “A banca de Genebra nos séculos 16,17 e 18”, não viu nenhum crescimento capitalista significativo contrariamente ao que pensaram Weber e Troeltsch. Genebra fora mais parada economicamente no ´seculo 16, sob controle protestante, que no século 15 quando ali havia feiras e quando os Médicis, família católica da nobreza italiana, tinham filiais de seus negócios por lá.

3- Conclusão: a tese de Hattem é falsa!

A Holanda protestante-calvinista foi uma força naval/financeira hegemônica por pouco tempo: basicamente entre 1620/1650, época que coincide com o avanço batavo sobre o nordeste do Brasil e com o controle sobre a navegação no Mar do Norte que acabou com os atos de navegação de Oliver Cromwell em 1652, ano que marca o começo da hegemonia inglesa nos mares e a consequente queda do poder marítimo holandês. Segundo Hattem o sucesso do holandês protestante deveria ser contrastado com o fracasso econômico do Portugal católico mas o facto é que a Holanda jamais chegou a ter um império marítimo universal como teve Portugal. Os holandeses exerceram poder numa breve janela da história do século 17, em boa parte por que Portugal se encontrava sob ocupação espanhola (1580-1640), a Espanha envolvida na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e a Inglaterra enfrentava conflitos políticos (Desde a ascensão de Carlos I nos anos de 1620) que acabaram num guerra civil e na revolução puritana. O máximo que a Holanda conseguiu consolidar nesta fase foi um certo domínio sobre o Caribe. Depois de 1648 o controle Holandês foi destruído na Angola, tendo-a recuperado o rei português Dom João IV.

Portugal, diferentemente da Holanda, mesmo sendo um país pequeno, conseguiu montar o primeiro império verdadeiramente global da história, espargido por América. África, Ásia, que só viria a cair em 1974, isto por que os lusitanos souberam transcender as forças da história, impondo-se sobre suas limitações territoriais até ao ponto de moldar a história, feito este jamais igualado pela Holanda. O legado do Portugal católico, país de cruzados, aventureiros e navegantes pioneiros, para a história mundial, é muito mais significativo que o da Holanda protestante, um país de lojistas/ banqueiros e atravessadores; a diferença entre Portugal e Holanda é, ainda, aquela distinção entre a casta guerreira, dotada da qualidade de inventar instituições politicas e sociais sólidas construindo grandes culturas, e a casta dos mercadores, meros possibilitadores das trocas materiais que, na escala tradicional de valores, deve ser uma atividade subordinada aos fins estipulados pela casta guerreira. No máximo o que a casta mercantil consegue criar é a miragem do “homo economicus” como observou Sombart quando notou a destruição espiritual e o vazio que o homem criou em torno de si mesmo, depois que ele se tornou materialista em seus objetivos últimos - obra da reforma protestante - e um grande empreendedor capitalista o que forçou-o a transformar sua atividade (lucro, negócios, prosperidade) num fim em si mesma, para amá-la e desejá-la pelo seu próprio propósito até que ele caisse vítima da vertigem do abismo e o horror de uma vida que é totalmente sem sentido. Se a reforma teve um “mérito” econômico foi este: o de subordinar todas as atividades humanas a um fim material, na medida em que fez do trabalho um fim e não mais um meio para atingir fins superiores. Nada define melhor o espírito holandês que isto. Todavia, é preciso dizer que a reforma protestante forneceu apenas uma nova justificação para a atividade de fazer dinheiro: no plano da técnica econômica, a Holanda e o mundo protestante não tiveram o pioneirismo que o ocidente católico teve já que, muito antes dele já havia criado, como demonstramos, os meios materiais da expansão econômica européia – que aliás, sem o espírito guerreiro e aventureiro português singrando os mares e abrindo os caminhos do globo, teriam sido ineficazes por si sós.

Bibliografia

Fanfany, A. Cattolicesimo e protestantesimo nella formazione storica del capitalismo. Roma, Saggi, 2006.

Heers, J. L'Occident aux XIV et XV siécles. Paris, Nouvelle Clio, Paris, 1963.

Luthy, H. La banque protestante en France de la révocation de l’édit de Nantes à la révolution. Ecole Pratique des Hautes Etudes, Vlème section, Centre de Recherches Historiques. Collection “Affaires et gens d’affaires", XIX. Tome I.

Sombart, W. Le Bourgeois. Paris, 1926.




sábado, 9 de fevereiro de 2019

Como a direita dos EUA conjurou contra o dogma da moral sexual católica na década de 60: ou o perigo da aliança cega direita-catolicismo!



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Padre Hesburgh ao lado de Condoleezza Rice, secretária do estado do governo George W. Bush, aliado de Rockefeller e agente da direita americanista dentro da Igreja Católica. 





No verão de 1965 o padre Theodor Hesburgh, que então era presidente da universidade de Notre Dame em Indiana, EUA, organizou um encontro entre Jhon Rockefeller III e Paulo VI. Rockefeller se propôs ajudar Paulo VI a escrever uma encíclica sobre controle de natalidade. O que estava acontecendo na época? A tentativa de perversão pela direita americana – os chamados WASPs ( Brancos, anglo-saxões e protestantes) – contra a mentalidade anti-contraceptiva da Igreja Católica, pois o resultado do “Baby Boom” pós segunda guerra nos EUA foi o crescimento alarmante da população católica já que os protestantes passaram a praticar, maciçamente, a contracepção. O resultado é que os protestantes temiam ser superados numericamente pelos católicos. Como a civilização estadunidense e suas instituições liberais estão radicalmente na dependência de uma mentalidade protestante, os mesmos iniciaram um projeto de corroer o ensino da Igreja Católica sobre natalidade, compreendendo que demografia é poder político.

Rockefeller não conseguiu convencer Paulo VI. Mas, todavia, depois do Vaticano II, a campanha da direita americana obteve sucesso em convencer padres e bispos a apoiar medidas de contracepção e a deixarem de condenar, desde o alto dos púlpitos, as práticas anti-natalidade.


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John Rockefeller III

A propósito segue um excerto do historiador Donald Critchlow sobre o tema:

"Foi o Rev. Hesburgh quem, a pedido do próprio Rockefeller que desejava discutir com o Papa longa e seriamente a questão populacional, obteve para Rockefeller, através do Monsenhor Paul Marcinkus, uma audiência com Paulo VI ocorrida no Vaticano em julho de 1965. Já antes disso Rockefeller havia criado uma comissão especial em Roma para estudar a posição da Igreja em questões populacionais, pois à época parecia-lhe que Paulo VI poderia aprofundar as tendências liberais de João XXIII. No encontro, do qual Rockefeller afirmou que Paulo VI havia sido "caloroso e cordial, ouvindo-o com muita atenção e intercalando seus próprios comentários", ele expôs ao Papa a sua posição moral sobre a questão populacional, a urgência do problema, a possibilidade da Igreja aceitar novos métodos de controle de nascimentos e a preocupação dos líderes mundiais sobre o problema. Nos três anos seguintes houve cinco trocas de longas correspondências entre Rockefeller e o Papa sobre a questão populacional, a qual foi definitivamente encerrada por iniciativa de Rockefeller quando da publicação de Paulo VI de sua encíclica Humanae Vitae em 1967"

Pouco depois disso houve a liberação do aborto nos EUA em 1973, quando a Suprema Corte resolveu o caso conhecido como Roe versus Wade. A decisão da Suprema Corte foi de que a mulher tem o direito constitucional de praticar aborto. A maioria da população norte-americana, segundo frequentes pesquisas de opinião pública, apóia o direito ao aborto. Apenas cerca de 15% defendem a tese de que todo aborto deve ser posto fora da lei. Em torno de 33% acham que todo aborto deve ser legal e 50% acreditam que apenas em certas circunstâncias.

Na década de 80 João Paulo II se aliou a direita americana através de Reagan, para combater o aborto. Foi com base na proposta de combate ao aborto que a Igreja apoiou a candidatura de Reagan. Como sabemos Reagan não proibiu o aborto e usou o apoio da Igreja apenas para derrubar o Muro de Berlim. A Igreja foi passada para trás pela direita americana.

A onda conservadora de Reagan só trouxe, efetivamente, espaço para políticas neoliberais na área econômica. As políticas conservadoras – combate a pornografia, ao aborto e a liberação sexual – não foram adiante. Ficaram só na promessa. Um exemplo disso é que esta direita se valeu da ajuda de João Paulo II para a queda do comunismo no Leste Europeu. Na Polônia, após o fim do comunismo o que se estabeleceu foi o liberalismo ocidental estadunidense e não a doutrina social da Igreja – o que seria o mais coerente dado que o Movimento Solidariedade, de Lech Walesa era de fundo católico - o que provocou a liberação da pornografia e de todo o lixo comportamental da revolução sexual norte americana. Os católicos vem sendo usados pela direita, faz tempo, para implementar liberalismo em nome de uma defesa do conservadorismo moral – que aliás nunca acontece. Estaremos vivendo o mesmo no Brasil de agora? O tempo dirá.


Créditos ao Carlos Felipe Lombizani pelas informações.

Bibliografia

Michael Jones, E. “John Cardinal Krol and the cultural revolution”. Fidelity Press; 1st edition (April 1, 1995).