quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Olavo "Lutero" de Carvalho

 Olavo mentiu para mim: Episódio 3!







Todos sabem que Olavo se jacta de ser católico mas todos sabem, também, que várias de suas falas destoam, radicalmente, do ensino magisterial da Igreja Católica. 

Mais uma vez o mago de Campinas mostra seu enorme compromisso com a ortodoxia romana ao postular uma doutrina estranha sobre a salvação, pois vejamos: 







O que Carvalho diz, é próximo demais da visão forense de salvação, postulada por Lutero. O heresiarca alemão, responsável pelo movimento protestante, aduzia que a salvação viria somente pela fé, sem a necessidade de obras. O que Olavo assevera não é exatamente isso mas é próximo, muito próximo disso. Segundo Lutero, como somos pecadores e, mesmo depois da atuação da graça em nós pela fé, continuaremos a sê-lo( Lutero identifica pecado e concupiscência; na teologia católica concupiscência é apenas tendência ao pecado) então não poderemos entrar no céu senão por um decreto judicial da parte de Deus: Cristo nos cobrirá com o "manto da justiça" e o Pai, ao invés de olhar para nosso interior pecaminoso e impuro, olhará para o manto de Cristo, onde estão cravados seus méritos. Mesmo impuros, entraremos no céu por conta duma salvação puramente externa, jurídica, fiducial. 

Olavo diz quase o mesmo na primeira postagem: se nossas obras não forem suficientemente marcadas pelo amor de Deus e estiverem enxameadas de impurezas e de amor desordenado às criaturas, então Cristo usará essa má imitação dele por nós, contra os demônios, para nos salvar. Segundo Carvalho até aos demônios repugnará tal decisão arbitrária de Cristo que, mesmo sabendo de que o imitamos mal - o que equivale a dizer que não o imitamos -  nos dará a salvação sem mérito sobrenatural de nossa parte (ou seja, sem que estejamos imbuídos de obras de caridade, de amor  a Deus). Na postagem seguinte a coisa piora; ali ele tenta conciliar duas teses contrárias: a de que somos salvos só pela fé e a de que a fé sem obras é morta; a confusão é total pois quando São Paulo diz que o "justo viverá pela fé" não aduz que a pura fé, a pura confissão de Cristo, basta para a salvação. A argumentação de São Paulo na mesma epístola aos Romanos, onde fala de que o justo vive pela fé, mostra claramente que a fé de Abraão foi operativa: por que ele creu, agiu e ofertou o filho a Deus. A fé leva às boas obras. Essa contradição entre fé e obras só existe na insanidade herética dos protestantes, jamais no interior da doutrina católica. Ademais, a repulsa de São Paulo a certas obras, como via de salvação, se refere às obras antigas, às observâncias da antiga lei e não dos mandamentos da nova lei, trazida por Nosso Senhor Jesus Cristo.  Portanto, Olavo parte de uma premissa protestante, de um pressuposto luterano fundado num falso problema e numa irreal oposição entre salvação por fé e ou por obras, para avaliar a questão da redenção. 

A seguir o bruxo da Virgínia admite que o bem que fazemos não serve à nossa salvação mas apenas serva  para que Deus tenha um "pretexto" para nos salvar. Mais uma vez a heresia luterana se insinua. A doutrina católica admite que sem fé é impossível agradar a Deus mas entende, igualmente, que as obras nos mantém na graça, pois fomos salvos para praticar o que é bom; outrossim o homem, sem a graça, nada pode fazer de bom; a posição católica é clara: a fé nos redime pela graça e nos dá os meios sacramentais necessários para que façamos o bem que agrada a Deus e sem o qual não podemos ser salvos pois nada de impuro pode entrar no céu. Como diz o catecismo tridentino: 

“[…] Tudo atribuindo à Sua bondade [de Deus], agradecemos sem cessar Áquele que nos comunicou o Seu Espírito, por cuja valia nos encorajamos a chamar "Abba, Pai!". Depois, consideraremos, seriamente, o que nos toca fazer, e o que nos toca evitar, a fim de conseguirmos o Reino do céu. Com efeito, Deus não nos chamou para a inércia e preguiça, porquanto chegou até a dizer: ‘O Reino do céu cede à violência, e são os esforçados que o arrebatam’ [Mt 11,12]. E noutra ocasião: ‘Se queres entrar para a vida, observa os Mandamentos’ [Mt 19,17]. Por conseguinte, aos homens não lhes basta pedirem o Reino de Deus, se de sua parte não houver zelo e diligência para o alcançar; precisam pois, colaborar vigorosamente com a graça de Deus [1Cor 3,9], e manter-se no caminho que conduz ao céu” [ Catecismo Romano. Edições Serviço de Animação Eucarística Mariana. Tradução de Frei Leopoldo Pires Martins, O. F. M. Pg 526-527.]


 A tese do "pretexto" é semelhante à da redenção judicial de Lutero pela qual alguém é salvo apesar de suas más obras, ou apesar da insuficiência de caridade de suas boas obras, por um decreto divino que usa o manto de Cristo como pretexto jurídico. Comparem a afirmação de Lutero à de Carvalho: 

“Se és um pregador da graça, então pregue uma graça verdadeira, e não uma falsa; se a graça existe, então deves cometer um pecado real, não fictício. Deus não salva falsos pecadores. Seja um pecador e peque fortemente, mas creia e se alegre em Cristo mais fortemente ainda…Se estamos aqui (neste mundo) devemos pecar…Pecado algum nos separará do Cordeiro, mesmo praticando fornicação e assassinatos milhares de vezes ao dia” [Carta a Melanchthon, 1 de agosto de 1521 - American Edition, Luther’s Works, vol. 48, pp. 281-82, editado por H. Lehmann, Fortress, 1963]

Embora haja uma diferença de tom e forma, em termos de conteúdo as alegações de Lutero e Carvalho são substancialmente próximas. 

Quem tiver olhos que veja: Olavo mentiu. Olavo não é católico. 







terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Francisco, o "Papa Angélico": A heresia joaquimista sentada no trono petrino





Ignazio Silone - italiano, escritor do livro " A aventura de um pobre cristão", sobre o Papa Celestino V, que reinou sobre a Igreja no fim do século 13 - desenvolveu na obra supracitada uma narrativa histórica sobre a tensão entre a liberdade individual e o poder da instituição. O livro traça o contexto da época, que foi um tempo conturbado. Depois da morte de Nicolau IV, em 1294, duas famílias romanas - os Colonna e os Orsini -  passaram a disputar o Papado. Transcorreram suspensões do conclave, surtos de peste, revoltas em Roma, etc. A igreja ficou 27 meses sem Papa. Em 1296 o rei de Nápoles invadiu o conclave e obrigou os cardeais a elegerem alguém. Pedro Morrone, monge idoso, foi eleito e virou o Papa Celestino V.  

Celestino V tinha passado a vida organizando sua comunidade monástica. Pouco entendia da organização burocrática dos estados pontifícios. Para fugir da Cúria transferiu a sede apostólica para Nápoles. Pressionado pelas ambições reais e da cúria romana, Celestino renunciou perante os cardeais, após três meses e voltou a sua vida de penitência. Em seu lugar subiu ao trono pontifício Bonifácio VIII. 

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Ignazio Silone
A eleição de Celestino foi recebida com expectação na época. Durante o século 13 as teses do monge calabrês, Joaquim de Fiore, ganhavam adeptos em várias frentes. Fiore ficara famoso por suas idéias referentes a um esquema triplo de desenvolvimento da história: haveria três eras, a primeira, do Pai, marcada pelo antigo testamento; a segunda, a do Filho, marcada pela prevalência da Igreja Católica e a terceira, a do Espírito Santo, que substituiria a Igreja Hierárquica por uma nova Igreja, pobre, espiritual e sob liderança dos monges. As heresias mais violentas, em termos de tentativa de derrubada da ordem eclesiástica e social da cristandade tiveram relação com as doutrinas joaquimitas. Os primeiros a serem contaminados pelos erros joaquimitas foram os chamados Espirituais Franciscanos, depois os Pseudo-apóstolos, os dolcinianos, etc. 

Sobre as heresias dos espirituais franciscanos - uma facção do franciscanismo que seguia o joaquimismo - é importante notar algumas delas como as seguintes: 

- O Anticristo viria em 1248, - marcaram-se, depois, outras datas - e ele seria o Imperador Frederico II., ou um Papa. 

- Haveria um grande castigo  no qual a maior parte dos homens seria eliminada. Mesmo boa parte dos frades franciscanos seria eliminada, sobrevivendo apenas um pequeno resto, que formaria o reino do Espírito Santo.

- Este reino espiritual seria o dos monges, que substituiria a ordem dos sacerdotes. Viria um grande Papa - o "Pastor Angelicus", que vários Papas pretenderam ser - e um grande Imperador que instaurariam o reino do Espírito Santo.

- Assim como a Igreja substituíra a Sinagoga, haveria uma Nova igreja espiritual, igualitária (sem hierarquia) e pobre, sem nenhuma propriedade, que substituiria a Igreja dotada de poder e riqueza. 

-  A lei de Deus seria abolida, sendo instaurada a lei do Amor.

O Papa Celestino conhecia os espirituais franciscanos, e os recebeu com benevolência quando ascendeu ao pontificado. Ouviu as suas queixas e os atendeu; desligou-os de toda obediência com relação à Ordem Franciscana, e autorizou-os a viver nos eremitérios para ali observar a Regra e o Testamento de São Francisco; deu a esse novos Eremitas o nome de Pobres Eremitas, e os colocou sob a proteção do Cardeal Napoleão Orsini. 

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Celestino V


Silone caracteriza Celestino V como um "homem que ignorava a grandeza politica da cristandade". Opondo-se a mentalidade do mesmo teríamos o Cardeal Caetani, futuro Bonifácio VIII, o homem da cúria. A Celestino V repudiava o fato de que a Igreja estivesse organizada como um poder. A Caetani era perfeitamente compreensível que ela fosse um poder, sendo ela não mais um pequeno rebanho, como outrora nos tempos apostólicos, mas uma comunidade supranacional, a maior do mundo. Celestino V queria e acreditava poder governar a Igreja apenas com o pai nosso. Caetani sabia que isto não era suficiente. 

Celestino pensava ser a ambição do poder, o desejo de mando, o problema essencial das relações humanas. Diria o mesmo: " Servir-se de poder? Que ilusão traiçoeira. O poder é que se serve de nós. O poder é como um cavalo difícil de governar.Ele segue seu próprio caminho ou, melhor dito, o que ele consegue seguir. Não se pode exigir que um cavalo voe. É necessário dar-se por contente quando se permanece sobre a sela". O poder é a fonte do mal: " a fonte de todos os males da Igreja encontra-se na tentação do poder", dirá Celestino; ele irá asseverar que "ambição e fome de poder são uma espécie de possessão diabólica que corrói a alma, abala-a, perde-a. Também quando procuramos o poder com boas intenções. A tentação do poder é a mais diabólica na qual o homem pode cair. Satanás provou com ela o próprio Cristo. E o que não conseguiu com Cristo obteve com seus representantes. Esta tentação é mais perigosa que a dos sentidos e ela sucumbem muitos varões castos".

A consequência lógica da mentalidade de Celestino V era aquela que Silone soube retirar com clareza em sua obra: "é impossível ser papa e ser um bom cristão". 

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Joaquim de Fiore anunciava a vinda de dois anjos ou mensageiros de uma nova era para o mundo, e a de um papa angélico, parecido com a "pomba de Noé' que prenunciava a vinda de um novo tempo. Os contemporâneos do século 13 viram em São Francisco e São Domingos, os dois anjos e, em Celestino V, o papa angélico. Uma visão milenarista dominou as mentes no século 13 e 14. Os espirituais franciscanos viam Celestino como aquele que iria conduzir a humanidade aos tempos da Igreja primitiva e, quiçá, aos primórdios da humanidade quando ainda não havia entrado o pecado. Chegava ao fim a Igreja da Lei, nascia a Igreja do Espírito, pensavam. O reino de mil anos começaria.

Estes impulsos milenaristas decorriam, indiretamente, da novidade franciscana e mendicante. O ideal de pobreza, juntamente com outros conselhos evangélicos, estava  virando o símbolo da revolução. São Francisco com sua tônica na nova dimensão da pobreza trouxe a irrupção de novas forças. A vida em conformidade com Cristo é conformidade com o sofrimento de Cristo, não com Cristo-rei em sua glória. São Francisco criou uma forte identificação entre Cristo e o pobre, os humildes e sofredores. Mas o Cristo dos pobres não é o Cristo da hierarquia sacerdotal e régia, nem a cabeça do corpo místico de Cristo - a Igreja - e da humanidade. A evocação de São Francisco, de certo modo, desestabiliza a ordem social medieval baseada no poder de duas ordens (clero e nobreza) como funções do corpo social. E a idéia de Igreja dos Pobres terá consequências históricas impressionantes. Muito da retórica protestante anti-romana nasce da acusação contra o poder do Papa como um poder mundano, como um símbolo do anticristo; o mesmo diga-se das acusações lançadas contra a Igreja Católica pelos cismáticos orientais - ditos ortodoxos - bem explicitada no poema do Grande Inquisidor de Dostoiévisk que diferenciava o apelo de Cristo a liberdade pessoal do homem em face à inquisição e ao poder da Igreja; para Dostoiévisk o Catolicismo buscou "corrigir" a obra de Cristo que teria vindo a terra para que os homens amassem e cressem em Deus por causa de Deus e não por causa dos milagres, para que os homens tivessem fé não por causa da autoridade mas por convicção livre; para o escritor russo o Catolicismo se funda num pragmatismo político em face da humanidade, numa descrença de que se possa levar os homens a Cristo sem fazer uso do poder, da lei, etc. Dostoiévski afirma que, então, o Catolicismo é a negação do Cristo dado que ele teria apelado a pura liberdade espiritual do homem. Dentro destes enfoques, no que eles tem de comum, a ilação lógica é simples: o catolicismo deve ser superado e uma nova Igreja deve surgir. 

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É justamente aqui que entra a figura do Papa Francisco. Façamos um breve histórico. 

O nome Francisco para o novo Papa já vinha sendo defendido pela ala progressista antes do conclave que elegeu Bergoglio. E, ao defender o nome que o Papa devia assumir, defendiam também um programa : "Deponho esta férula de prata: como diz Marcos, não levem para a viagem nada mais do que um bastão. Deponho este chapéu anacrônico: mais do que um pastor, ele me mostra como um sátrapa oriental". Ele se desfolha como uma cebola: do anel de zafira, da cruz de ouro maciço, dos paramentos "luxuosos que deveriam render glória a Deus e se tornam ofensa para os pobres"( http://www.ihu.unisinos.br/noticias/518273-a-hora-impossivel-de-um-papa-francisco-i)

O trecho supracitado é da obra do padre Paolo Farinella que viveu em Jerusalém e que foi amigo do Cardeal Martini. Em 2000, publicou o romance "Habemus Papam, Francesco I", que seria um papa da "caridade e comunhão". Isso demonstra que houve, nos subterrâneos da Igreja, uma conspiração para que este pontificado de Francisco, eleito para cumprir um papel pré-definido, acontecesse. Francisco foi eleito para fazer o joaquimismo sentar-se no trono de Pedro.

Logo após a eleição, Francisco fez questão de romper, de certo modo, com a cúria romana indo morar na Casa Santa Marta. Um gesto parecido com o de Celestino V que foi viver em Nápoles, longe da burocracia pontifícia.( http://www.acidigital.com/noticias/o-papa-francisco-explicou-por-que-mora-na-casa-santa-marta-95263/). 

Ao invés do tradicional anel de ouro, usado pelos papas para designar sua excelsitude enquanto sucessor de Pedro, Francisco adotou o anel de prata( http://veja.abril.com.br/mundo/papa-francisco-usara-anel-de-pescador-de-prata/).

Francisco, por estas e outras, encarna a velha idéia do "Papa Angélico".

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Voltemos a Silone, autor do livro sobre Celestino V. Ignazio Silone fora militante do PCI - partido comunista italiano. Tendo virado secretário geral do PCI, tornou-se membro do Komintern tendo ido várias vezes a URSS na década de 30. Nestas viagens ficou decepcionado com o regime stalinista e seu sufocamento das liberdades, sua imoralidade, crueldade, etc. Em 1937 ele escreveu um romance na Suíça onde manifestou seu descontentamento com o comunismo. Na obra tocara na possibilidade de subistituir o fascismo pelo comunismo, na Itália; o personagem principal do romance, um comunista dissidente, perseguido por Moscou, que se fantasia de padre para sobreviver, afirma que de nada valeria trocar fascismo por comunismo pois seria o mesmo que trocar a inquisição negra pela vermelha, e que o socialismo burocrático, assim como o fascismo, iria perseguir sem piedade todos os que se atrevessem a pensar de forma livre. Silone foi um dos primeiros pós-marxistas, que abandonando o modelo soviético, continuava a crer na utopia. No livro que escreveu sobre o papa Celestino V a idéia era recuperar a utopia, sob novos moldes. Silone acreditava que uma síntese entre o melhor do cristianismo e o melhor do comunismo seria a base para esta nova utopia: ela seria baseada num sentimento cristão de fraternidade e numa inclinação para com os pobres e fracos; com isso se salvaria a essência do cristianismo - presente no Pai Nosso -  e do socialismo. Cristianismo visto como reino da fraternidade universal e não como religião institucional e dogmática; socialismo como mística do homem e da humanidade e não como burocracia. Um novo socialismo cristão: era nisso que Silone pensava. 

E não é nisso que Francisco pensa? 

Não é isso que Francisco tenta realizar quando chama o MST a Roma? ( http://www.mst.org.br/2016/11/04/joao-pedro-stedile-comenta-encontro-dos-movimentos-populares-com-papa-francisco.html)

Não é isso que Francisco postula, uma nova era de fraternidade universal, sem base na fé católica, mas num ideal genérico de direitos humanitários quando vai a ONU discursar sobre o papel dos governantes no combate a pobreza, sem referência aos seus deveres quanto a reconhecerem o reinado de Jesus Cristo e o poder de sua Igreja na terra? (http://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/discurso-do-papa-francisco-na-onu/). 

Não é a destruição da Igreja da lei, dos canônes, a Igreja da ordem, para dar lugar a nova Igreja do Amor, que Francisco tenta realizar, ao relativizar postulados eternos, abrindo espaço para este humanitarismo socialista-libertário?(https://fratresinunum.com/2016/11/14/bombastico-cardeais-divulgam-carta-e-questionamentos-sobre-amoris-laetitia-que-francisco-se-negou-a-responder/)

Não restam mais dúvidas de que Francisco é o eixo do neo-joaquimismo, dos delírios milenaristas heréticos que acreditam poder recriar o paraíso perdido nesta terra de exílio, com base numa síntese diabólica entre catolicismo e o reino deste mundo, representado pelos poderes e movimentos globais atrelados ao humanismo progressista, ao socialismo liberal, e ao ideário maçônico da Religião do Homem, Homem entronizado no lugar do Deus Trindade, Homem que se assentará no Trono de Deus para ser adorado no lugar dele.

Rafael G. de Queiroz. 


Referências bibliográficas

Boni, Luis Alberto. De Aberlardo a Lutero; estudos sobre filosofia prática na Idade Média. EDIPUCRS, Porto Alegre, 2003. 

Silone, Ignazio. L' avventura d'un povero cristiano. Milano, 1968. 

Souza, J. A eleição de Celestino V em 1294 e a crise da Igreja no final do século 13". In: Veritas 39(1994), n.155, p 481-498. 

sábado, 29 de outubro de 2016

Por que é mentira que Lutero deu a Bíblia ao povo? Desconstruindo a mais nova falácia de Bergoglio!

Mais uma vez o Papa se mostra amigo dos hereges luteranos que fenderam a cristandade em 1517. A quem serve este papa que se posiciona frequentemente contra o parecer milenar da Igreja Católica? 
O Papa Francisco, empenhado que está em promover um ecumenismo a qualquer custo com os pérfidos seguidores do heresiarca de Wittenberg, afirmou que Lutero teria levado a Bíblia às pessoas, repetindo assim um velho chavão consagrado por uma má historiografia que insiste em dizer que antes de Lutero a Bíblia era inacessível. O cerne da acusação é que Lutero teria sido o primeiro a traduzir a bíblia para a língua vernácula, coisa que, segundo os críticos, a Igreja Católica jamais teria feito; para os adversários da catolicidade a Igreja agiu assim com o fim de impedir ao povo o acesso as santas escrituras. Nada mais falso. Explicamos. 

Antes da Bíblia de Lutero já havia traduções da mesma para o vernáculo, feitas por católicos. 

Entre 1445 e 1520 75% das obras produzidas em tipografias eram religiosas o que inclui aí a Bíblia Católica (Janssen, J. Geschichte des deustchen volkes seit dem Ausgang des Mittelalters. Freiburg-im-Breisgau, 1878, p.10). Graças a imprensa, a Bíblia se difundiu mais amplamente entre o público que lia, desde antes da revolução de Lutero. Enumeram-se, pelo menos, dezesseis edições da Bíblia Vulgata em Paris entre 1475 e 1517 (1517 é a data inicial da reforma luterana). Na Espanha, a célebre Bíblia Poliglota de Alcalá (Em latim, hebraico e grego) estava pronta para a publicação em 1514. Em 1516, Erasmo de Roterdã publicou seu Novo Testamento. Da invenção da imprensa até 1520, houve 156 edições latinas da Bíblia(Moreau, E. La crise religieuse du XVI siécle. Paris, 1950, p.95.). 

Para aqueles que sabiam ler mas ignoravam o latim, tendo o domínio apenas da língua vernácula, a Bíblia, traduzida em língua vulgar, se tornou mais acessível como nunca antes havia sido. Desmentindo a tese de que Lutero foi o primeiro a traduzir a Bíblia para a língua do povo alemão entre 1466 e 1520 apareceram vinte e duas versões alemã da Bíblia. A primeira tradução para o italiano acontece em 1471 e a primeira versão em holandês em 1477. Em Paris o rei da França pediu pessoalmente a seu confessor Rély, que mandasse imprimir a primeira Bíblia em francês completa que foi editada em 1487. Na Espanha, uma primeira versão em castelhano foi impressa em Saragoça em 1485. Uma segunda foi publicada em 1512 em Toledo(Delumeau, Jean. Nascimento e afirmação da reforma. Ed Pioneira, São Paulo, 1989, p.77).

Segundo E, Delaruelle (Delaruelle, E. L' Église au temps du Grand Schisme et de la crise conciliaire. Paris, 1964, p.17) temos a seguinte estatística: "número de impressões antes de 1520; da Bíblia em alemão( alto alemão, baixo alemão e em holandês) - 22; da Bíblia em francês - 23; da Bíblia em italiano- 12; outras( catalã, tcheca, polonesa, russa)-6"

Logo, fica demonstrado que Francisco repete a mentira protestante quanto a terem sido eles os divulgadores da Bíblia e os responsáveis por sua tradução para as línguas vulgares. Antes disso reis católicos, bispos católicos e leigos católicos já haviam feito traduções da sagrada escritura para a linguagem do povo e, consequentemente, democratizado a acesso a Bíblia uns 50 anos antes de Lutero.

Rafael G. de Queiroz( Professor de história diplomado pela UERJ/ Docente da rede Seeduc RJ e Faetec RJ). 

Fontes bibliográficas: 

1- Delaruelle, E. L' Église au temps du Grand Schisme et de la crise conciliaire. Paris, 1964.

2- Delumeau, Jean. Nascimento e afirmação da reforma. Ed Pioneira, São Paulo, 1989.

3- Janssen, J. Geschichte des deustchen volkes seit dem Ausgang des Mittelalters. Freiburg-im-Breisgau, 1878. 

4- Moreau, E. La crise religieuse du XVI siécle. Paris, 1950. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Capitalismo: obra de satanás!






Dom Willianson

''O egoísmo não é capaz de criar uma sociedade. (...) Assim, se o capitalismo for definido, além dos termos econômicos, como uma forma de organização da sociedade em que cada cidadão tem a liberdade de produzir tanto capital (ou seja, dinheiro) quanto ele possa e deseje, então o capitalismo mostrará várias contradições. Ele tenta criar uma sociedade exigindo a solidariedade por meio do encorajamento de todos a serem egoístas.

Assim, o capitalismo só pode sobreviver enquanto os membros de uma sociedade capitalista ainda tiverem valores pré-capitalistas, como senso comum, moderação na busca de dinheiro e respeito pelo bem comum. Mas o capitalismo, tal como definido acima, não faz nada para promover qualquer um desses valores pré-capitalistas. Pelo contrário, age contra eles, como o egoísmo age contra a solidariedade. Portanto, o capitalismo é um parasita minando os valores pré-capitalistas do corpo social em que vive.

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, especialmente, todos os povos têm produzido cada vez mais dinheiro para prover conforto material, que agora preferem, em detrimento do conforto espiritual, que anteriormente dava sentido às suas vidas. Admirando e buscando dinheiro, eles ficaram felizes em deixar os homens do dinheiro se apoderarem de suas sociedades. Ainda mais admirados e buscando com mais vigor, os homens do dinheiro tomaram para si mais e mais dinheiro e poder. Afinal, que freios intrínsecos o dinheiro ou o poder têm para limitar uma busca ainda maior por eles? Nenhum. Os banqueiros se transformaram em verdadeiros gangsters.''

Dom Richard Williamson. ''Desdobramento do capitalismo'', Comentários Eleison (CLXXIX), de 18 de Dezembro de 2010

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Desconstruindo as falácias liberais: A Doutrina Social da Igreja e as leis trabalhistas!

Leão XIII inaugurou o ensino social da Igreja reconhecendo sabiamente a existência duma questão social dentro do capitalismo, o que punha os trabalhadores numa condição de grave risco público. 
"Em todo o caso, estamos persuadidos, e todos concordam nisto, de que é necessário, com medidas prontas e eficazes, vir em auxílio dos homens das classes inferiores, atendendo a que eles estão, pela maior parte, numa situação de infortúnio e de miséria imerecida. O século passado destruiu, sem as substituir por coisa alguma, as corporações antigas, que eram para eles uma protecção; os princípios e o sentimento religioso desapareceram das leis e das instituições públicas, e assim, pouco a pouco, os trabalhadores, isolados e sem defesa, têm-se visto, com o decorrer do tempo, entregues à mercê de senhores desumanos e à cobiça duma concorrência desenfreada. A usura voraz veio agravar ainda mais o mal. Condenada muitas vezes pelo julgamento da Igreja, não tem deixado de ser praticada sob outra forma por homens ávidos de ganância, e de insaciável ambição. A tudo isto deve acrescentar-se o monopólio do trabalho e dos papéis de crédito, que se tornaram o quinhão dum pequeno número de ricos e de opulentos, que impõem assim um jugo quase servil à imensa multidão dos proletários."- Papa Leão XIII, RERUM NOVARUM, número 2. 

É comum entre liberais - aqui, com o termo "liberais" classificamos todos que se ligam as teses econômicas dos liberais clássicos quanto às dos anarcocapitalistas; embora saibamos das diferenças teóricas entre estas duas correntes acreditamos que o termo "liberais" bem as define pois ambas consideram que a atividade econômica deve ser livre da interferência do Estado e dos critérios da moral tradicional, ainda que discordem no que tange ao tamanho ou papel e existência do Estado -  asseverar que sem leis trabalhistas a condição do empregado melhoraria. A falácia é bem montada nos seguintes termos: 

1- Sem encargos sociais sobre o contracheque do empregado sobrariam mais recursos ao capitalista. 
2- Sobrando mais recursos haveria mais capital disponível para investimento.
3- Com mais investimento haveria mais empregos. 
4- Logo o pleno emprego seria o resultado final
5- Com menos encargos mais pessoas empreenderiam e os patrões poderiam, até, pagar salários maiores para estimular o trabalho e o incremento da qualidade do produto final.  
6- O número de empreendimentos aumentaria; com mais concorrentes o preço final do produto seria menor e todos se beneficiariam. 

O raciocínio parece perfeito e irrefutável. Mas não é. 

O primeiro erro é considerar que a economia funciona como uma máquina; desmontar essa premissa liberal é fulcral para desconstruir toda a teorização decorrente da mesma. Os economistas do século 19 e 20 construíram modelos matemáticos e mecânicos de comportamento da economia que levam em conta alguns postulados: a idéia de que é possível equilibrar oferta e demanda, a noção de homem econômico - que age sempre em função de maximizar lucros e reduzir custos - e a de que é pertinente crer num crescimento estável e contínuo da economia. 

A premissa em tela não leva em conta que a economia é feita por fatores humanos, que ela é fruto dum conjunto de decisões humanas fragmentadas, desordenadas, desconectadas e com fins múltiplos. A crença liberal de que a mão invisível do mercado racionalizará, no fim das contas, todas estas ações em prol do equilíbrio do mercado é mais uma falácia que consiste em apostar que, do caos, pode surgir uma ordem como produto espontâneo. As recorrentes crises do capitalismo no século 19 - onde não havia regulação estatal sobre o capitalismo - prova que a tese da mão invisível não funciona quando examinamos a história e que o estado natural da economia capitalista é o desequilíbrio e uma luta contínua pelo equilíbrio teorizado pelos economistas. Logo a ciência econômica atual se aproxima muito de um utopismo que consiste em apostar num paraíso capitalista de produção e consumo. 

A economia não é uma máquina previsível porque ela é feita de homens e homens são imprevisíveis. A noção de homem econômico é uma ficção pois parte da falácia de que produtores e consumidores tem todas as informações e os meios necessários para escolher o que comprar a fim de maximizar a utilidade e o prazer - um trabalhador pobre não tem opção a não ser comprar produtos de baixa qualidade pois é o que seu salário permite(numa visão estritamente liberal, progressivamente este produto seria eliminado do mercado pela concorrência; sabemos, porém, que não é assim). Outrossim, a desconsideração dos fatores relacionais no interior do processo econômico de circulação de mercadorias, de extração de matéria prima, de produção, onde homens trabalham e interagem com outros homens, é outra falha grave do pensamento liberal; onde há relações entre homens há problemas morais - conflitos de interesses, ambições, exploração, mentira comercial, espionagem industrial, injustiças, etc - e onde há problemas deste quilate é necessário intervir estipulando princípios éticos e legais que regulem as ações econômicas em prol do bem comum. O liberalismo simplesmente ignora questões éticas e nunca levanta a interrogação sobre o que é o agir justo do patrão para com o empregado e vice versa, entre comerciantes, entre industriais, dos bancos para com os outros agentes da economia, etc. A ignorância crassa dos liberais sobre tudo isso leva-os a construir esquemas de um mundo econômico que funcionaria perfeitamente apenas com base nas leis venais da oferta e procura. 

Esclarecido isto é um erro cabal crer que empregados serão beneficiados com o fim das leis trabalhistas pelas seguintes razões:

1- É verdade que, sem encargos sociais, haveria mais capital disponível ao empregador para investir; mas nada garante que ele investiria no aumento das vagas de trabalho. 

2- No capitalismo atual vem sendo frequente o investimento pesado em otimização da produtividade o que consiste em ampliar a eficácia da mão de obra. Nesse âmbito o sistema procura fazer que, com o mesmo número de empregados, se produza bem mais que antes. Assim, nada assegura que haveria mais empregos pelo simples fato de não haver encargos que disponibilizassem capital. 

3- Se é verdade que menos encargos tornariam mais fácil a abertura dum empreendimento, não é automaticamente verdade que isso traria empregos com salários maiores. A lógica do sistema, que consiste em maximizar lucros, pode cartelizar o mercado salarial mantendo os pagamentos baixos. Sem encargos não haveria capital para suster os sindicatos. O empregados ficariam a mercê de acordos individuais de trabalho sem mediação de órgãos de representação profissional. Assim poderiam fazer pouco ou nada caso os empresários se articulassem para cartelizar o mercado salarial. 

Liberais poderiam argumentar dizendo que, aumentando o número de empreendimentos haveria mais vagas de trabalho; num quadro de manutenção da oferta de mão de obra isso exigiria o aumento salarial para segurar o trabalhador e manter a produção. Numa situação dessa haveria mais competitividade o que exigiria dos patrões uma política de manutenção da mão de obra com bons salários para poder concorrer com qualidade. Num certo sentido tal argumento faria sentido mas levemos em conta que, num horizonte de liberalismo total, não haveria encargos nem regulação estatal; logo, a competição seria amplíssima e ferocíssima num dado momento; depois deste momento ela seria reduzida pela mesma lógica da concorrência: os mais fortes e mais eficazes venceriam e dariam origem a oligopólios, sobretudo nos nichos mais altos da economia, onde o aporte de capital necessário para investir precisa ser maior. Se, num momento inicial haveria um possível aumento salarial, no momento posterior haveria queda; as empresas que tivessem sido vencidas ou desapareceriam ou iriam se especializar em atender os nichos inferiores da economia, onde a qualidade é menor e os salários pagos são pequenos. As empresas fechadas liberariam mão de obra e barateariam seu preço, reduzindo salários por efeito do aumento de sua oferta. 

Em suma: nada demonstra que o fim dos encargos e das leis trabalhistas irá melhorar a situação do empregado. Outrossim, ainda que a renda média aumentasse, a segurança diminuiria; não haveria mais aposentadoria por invalidez, por exemplo. Não haveria mais licença saúde. Em que condições ficaria um empregado que, tendo exercido seu ofício por dez anos, adquirisse uma doença incapacitante? Se numa sociedade liberal não haveria lugar para direitos trabalhistas haveria para um programa de ajuda pública aos inválidos? Evidente que não. Um programa desse exigiria impostos sobre o mundo da produção, coisa que todo liberal repudia. A única saída para o empregado seria poupar radicalmente durante seus anos de trabalho. A poupança forçada para o tempo de velhice e de uma possível invalidez, reduziria o consumo. Com redução do consumo nas faixas médias e baixas da população, teríamos um impacto profundo na produção. 

O cenário, nesse caso, seria tétrico, mesmo se observarmos a questão apenas dum ponto de vista econômico. Dum ponto de vista social seria mais que tétrico. A seguir esse caminho, veríamos a classe trabalhadora cair no "colo" dos comunistas, pesadelo de qualquer liberal. A tese dos liberais, de que o fim das leis do trabalho trariam prosperidade geral é pouco sustentável e efetivamente arriscadíssima para a sociedade. 

Rafael G. Queiroz. 





terça-feira, 2 de agosto de 2016

Papa Francisco e seu diálogo com o Islam: conexões ocultas!

Francisco, o rabino Skorka e o islamita Abboud no muro das lamentações em Israel. 







INTRODUÇÃO

Não é de hoje que Bergoglio – o papa Francisco – se notabiliza por manter boas relações com o mundo islâmico. Recentemente, durante a JMJ, mais um capítulo desta novela macabra se realizou. O pontífice negou que o terrorismo tenha a ver com a jihad islâmica. Para o mesmo o terror é resultante da pobreza, da injustiça social, etc. O Islão não teria culpa alguma. É uma religião essencialmente pacífica, segundo o parecer de Francisco. Ao mesmo tempo que insiste em considerar o terror islamita como produto de questões sociais e econômicas, fala de "fundamentalismo religioso", dando a entender que luta deve ser mesmo é contra o radicalismo e não contra os pretensos problemas econômicos que gerariam o terror. 

Ainda para Bergoglio – como ele mesmo deixou claro na entrevista dada após o fim da JMJ2016 em Cracóvia: 

Não é justo falar que o Islã é terrorista, eu não gosto de falar de violência islâmica. Senão teremos que falar também em violência católica. Na Itália, um mata a namorada outro a sogra, são católicos batizados, são violentos católicos. Em todas as religiões existem os fundamentalistas”( In: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2016/08/papa-francisco-fala-sobre-terrorismo-com-jornalistas-no-aviao-papal.html).

Para o papa a violência de um católico que, negando-se a cumprir os mandamentos de sua religião, mata o próximo, é idêntica a de um muçulmano que mata em razão de um mandamento expresso do Corão. É verdade que nem todo o muçulmano adota a tática terrorista, mas também é verdade que não é possível dissociar completamente o terrorismo islâmico de fontes alcorânicas e de uma certa interpretação do texto sagrado islamita. Todavia Bergoglio faz vistas grossas a tudo isso e deliberadamente se nega a reconhecer publicamente os problemas inerentes a fé maometana. Antes o pontífice remete a questão a um vago "fundamentalismo" que seria comum a todas as religiões de raiz abrâamica, fundamentalismo que teria que ser combatido com todas as forças. 

Um das leis básicas da História é que nada se compreende fora dum contexto mais amplo e de longa ou média duração. Assim, a atuação de Francisco no curso das relações com o Islão se explicam a partir deste contexto maior. É o que buscaremos esclarecer abaixo. 

BERGOGLIO E SUA AMIZADE COM O ISLÃO

Bergoglio costuma dizer que para ser um bom católico, antes se deve ser um bom judeu. É capaz de finalizar uma missa em um colégio católico anunciando aos presentes que vai orar com os evangélicos. Sem acanhamento, disse certa vez que gostaria que muitos cristãos tivessem o compromisso e a integridade de um amigo dele que é ateu...e hpa poucos dias pediu que os católicos se reconciliassem com os muçulmanos. Quem é Francisco? Certamente o homem de toda as religiões”( In: Himitian, Evangelina. A vida de Francisco. Objetiva, Rio de Janeiro, 2013, p. 159).

O trecho acima, de uma biografia de Bergoglio, escrita por Evangelina Himitian, pesoa bastante próxima de Francisco, deixa bem claro a natureza moral do Papa. Um homem de todas as religiões. A definição não poderia ser mais verdadeira.

Quanto a isso é importante destacar as relações de Francisco com o Islão, relações que provém da época em que era arcebispo de Buenos Aires. Estas começaram através de seu contato com Omar Abboud, presidente do Instituto de Diálogo Inter-Religioso de Buenos Aires, instituto criado por Bergoglio, Omar e o rabino Daniel Goldman – rabino que estudou Talmudismo no Hebrew Union College nos EUA. Goldman é ligado a comunidade judia Bet El que postula, entre outras coisas, um movimento neoconservador no interior do judaísmo que: 


Goldman, o rabino talmudista amigo de Francisco. 


"postula la devoción a la tradición y ley judía (masoret y halajá), con un acercamiento abierto y positivo al mundo moderno, al pluralismo y al sionismo y al estado de Israel. Es uno de los grandes movimientos religiosos que combina la Tradición con el cambio.”( In: http://betel.org.mx/index.php?pageId=45D1E796-A99C-8D98-65C4-EC476D85A74D). 

Em suma: o Bet El postula a conciliação entre tradição judaica e mundo moderno( O mesmo não poderíamos dizer de Francisco que busca uma relação cada vez mais profunda entre Igreja e Mundo?).

Quanto a Abboud, a amizade de Bergoglio com o líder muçulmano perpassa a idéia de considerar o Islão uma religião pacífica, uma tradição válida e aliada na luta pelos “direitos humanos”: 

"Bergoglio – observou Abboud – sempre denunciou com palavras muito claras e duras todo tipo de terrorismo”. “É um homem de grande cultura, com uma capacidade de análise de situações sociais não comuns. Sempre me tocou desde quando o conheço – explicou – o fato de que não é ligado à política, mas interessado em chamar a atenção da política para temas como a pobreza e a exclusão. As suas, são sempre homilias, nunca comícios. Entende o povo e não perde a ocasião para assinalar ao poder temporal os seus erros”. ( In: http://www.catolicanet.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3104%3Aabboud-o-amigo-muculmano-conta-bergoglio&catid=86%3Alista-meio&Itemid=81).

Notem que Abboud não é o muçulmano típico mas um intelectual islâmico ocidentalizado e crente nas idéias modernas de tolerância iluminista. O papel e o discurso de Abboud é amplamente validado por agências de notícias judias que dão destaque positivo a suas ações no sentido de “derrubar muros” entre judeus, muçulmanos e cristãos, o que em outras palavras significa abrir fronteiras. O próprio Abboud afirma que:

 “ Yo no estoy en condiciones de representar a los musulmanes del mundo, porque de hecho muchos de los musulmanes del mundo piensan distinto de lo que pienso yo ( In: http://www.prensajudia.com/shop/detallenot.asp?notid=37911). 


Omar Abboud



Se Abboud afirma categoricamente que muitos muçulmanos não pensam como ele no que tange a diálogo com o cristianismo por que então o Papa insiste em dizer que o mundo muçulmano não admita, no fundo, uma jihad contra o Ocidente, ainda que as interpretações sobre a mesma sejam divergentes quanto a método?

Simples: tanto o Papa quanto Abboud e Goldman representam duas facetas duma realidade que vem sendo gestada a longo prazo; uma das facetas é referente a estratégia de perpetrar o caos no Ocidente através da penetração islâmica para efetivar um projeto de poder global colocado nas mãos de grandes magnatas, politicos progressistas, maçons, etc,  vinculados a fóruns, clubes e organismos com esfera de influência universal; dentro dessa estratégia e preciso convencer a opinião pública do ocidente de que não há perigo em abrir fronteiras e que aliás isso é um dever moral, humanitário e até cristão; nesse ponto convencer o Ocidente de que o islão é essencialmente pacífico é fulcral;  outra faceta é referente ao fomento da uma religião mundial maçônica, síntese de todas as crenças, religião necessária a subsistência da aldeia global que se está criando a nossos olhos. Nenhum poder político pode dispensar um poder espiritual que lhe dê a legitimação moral. O fato é que, o que ainda impede a implementação desse governo mundial de cariz progressista, são as tradições religiosas. Cumpre superá-las e unir todos os credos em torno de "valores comuns".  

BERGOGLIO E SEU EMPENHO POR CRIAR A RELIGIÃO MUNDIAL

Em 2007, em Buenos Aires, na Catedral Metropolitana, em maio os líderes da URI – Organização das Religiões Unidas, em português -  se uniram com o Bispo Swing e Cardeal Bergoglio– hoje Papa Francisco – para comemorar o 10º aniversário da primeira reunião da URI na América Latina. Esse evento pouco conhecido explica o atual envolvimento de Francisco com o diálogo com o Islão: a URI está para as religiões como a ONU está para as nações.

O papel da URI é a luta contra o fundamentalismo e o proselitismo, aliás temas recorrentes nas falas do Papa, o que prova que seu discurso remete não a Tradição Católica mas a uma agenda da ONU. Importante ressaltar que Robert Muller, ex Subsecretário-Geral das Nações Unidas, declarou que:

“os sistemas de crença inflexível” do fundamentalismo “desempenham um papel incendiário em conflitos globais”. “A paz será impossível”, disse ele, “sem a domesticação do fundamentalismo através das Religiões Unidas que professam fidelidade apenas à espiritualidade global e a saúde do planeta.” (Inplainsite. Cf. The United Religions Initiative. Cf. New Oxford Review. The United Religions Initiative, A Bridge Back to Gnosticism).

Bergoglio, apoiou a URI na Argentina, promovendo e participando, inclusive, como concelebrante em seus cultos pan ecumênicos. (The Remnant. Pope Francis and the United Religions Initiative.).

Como bem expõe o padre Delassus em sua obra “A conjuração Anticristã”, nas páginas 361 a 363: 
"o Humanitarismo já é considerado um substituto do Cristianismo”

Este humanitarismo, filho da revolução francesa e do iluminismo, proposta inclusive pela Aliança Israelita Universal - que em 1860 falava de direitos universais para todos os homens de todas as religiões como meio de ajudar os judeus a se integrarem aos países ocidentais com cidadãos de plenos direitos( cabe dizer também que a Aliança comprometeu-se com a promoção do Sionismo nos anos seguintes!!!) – é o conteúdo mesmo das ações da URI e de Bergoglio.

Delassus se refere a isso asseverando que:

 “ a tarefa que a Aliança Israelita Universal se propôs realizar para preparar a edificação do Templo do Homem, é pois, introduzir no catolicismo, e no que resta de firme nas outras religiões, elementos de dissolução que as levarão a confundir-se todas numa vaga religiosidade humanitária...há muito tempo se trabalha para diminuir as barreiras dogmáticas e para unificar as confissões de maneira a favorecer os caminhos do humanitarismo.”( In: A Conjuração Anticristã- o templo maçônico que se quer erguer sobre as ruínas da Igreja Católica. Castela Editorial, página 363).  

CONCLUSÃO

Sabe-se que Francisco tem pelo cardeal Walter Kasper uma grande admiração. Logo no começo de seu pontificado recomendou um dos livros do mesmo cujo tônica é a misericórdia, conceito que em Kasper tem relação com a abertura. Não seria essa a tônica de Francisco em todo o seu pontificado? A abertura as diferentes tradições religiosas e culturais? A abertura ao mundo e seus anseios?

Talvez não seja uma mera coincidência que Kasper e Francisco estejam associados( Recordemos que Kasper foi aquele que teve o papel de, no Sínodo último sobre a família, levantar temas polêmicos sobre comunhão para divorciados e etc) e que o discurso de Francisco – altamente humanitarista – encontre eco na pretensão de Kasper de reduzir as distinções entre cristianismo e judaísmo como mostramos aqui: http://catolicidadetradit.blogspot.com.br/2014/03/cardeal-kasper-prepara-o-terreno-para-o.html.

Talvez também não seja mera coincidência que a Maçonaria – que sempre trabalhou por ecumenismo e humanitarismo, embasada na idéia duma religião universal, uma religião do culto do Homem- através do Grande Oriente da Itália, tenha saudado a eleição de Francisco como uma nova época para o mundo e para a Igreja como vemos aqui: http://www.grandeoriente-democratico.com/Grande_Oriente_Democratico_saluta_il_nuovo_Papa_Francesco.html

Talvez tudo isso indique que o atual papa não seja nada mais que um agente a serviço de forças ocultas e inimigas da Igreja. O tempo dirá.

Rafael G. Queiroz. 





segunda-feira, 30 de maio de 2016

Por que o feminismo conspira contra o Ocidente e contra o Brasil?



Onde há feminismo há a pauta do aborto e onde há a pauta do aborto há interesses políticos. O que prova que o feminismo não existe em si mesmo como movimento autônomo. Ele é um braço político a serviço de poderes bem discerníveis. Só a feminista militante é que não sabe nem entende isso.
1- Introdução

O caso da menor do RJ que teria sido estuprada por mais de 30 foi o mote para que coletivos feministas causassem uma histeria coletiva sobre uma suposta cultura do estupro existente no Brasil e para militar pela causa dos “direitos da mulher”. Cooptado para dentro da militância feminista, o caso serviu à repetição extrema de clichês sociológicos rasos para, no fundo, implementar uma nova lógica civilizatória: sim pois é disso que se trata quando falamos de feminismo; o que o movimento postula não são os direitos da mulher – retórica usada para desviar a atenção dos objetivos mais profundos do mesmo – mas uma reconstrução da sociedade como um todo. É disso que iremos tratar aqui.

2- Origens do feminismo

O feminismo tem três origens ideológicas; uma no marxismo, outra no capitalismo de mercado e sua ideologia do trabalho e outra na retórica democrática-liberal;

O marxismo no século 19 assimilou a condição da mulher à condição do operário; como o segundo era explorado pelo patrão a primeira o era mas só que pelo marido; Marx e Engels, em escritos que datam de 1848, diziam que a opressão sobre as mulheres não surgiu da cabeça dos homens, mas do desenvolvimento da propriedade privada e, com ele, da emergência de uma sociedade de classes. Para eles, a emancipação das mulheres é inseparável da luta pelo fim da sociedade de classes, isto é, da luta pelo socialismo. Assim seria preciso não apenas destruir o capitalismo mas seu subproduto: o poder econômico do pai de família sobre filhos e mulher.
O esquema mental simplório do marxismo( burguês x operário) foi a base ideológica do movimento feminista que, como um todo, está baseado em simplificações boçais.


O capitalismo de mercado assimilou a retórica feminista por emancipação de forma mais forte quando, já nos fins do século 19, mulheres precisaram ir ao mercado de trabalho para compor renda; organizações trabalhistas femininas surgiram em razão disso; na primeira guerra mundial houve um novo incremento de trabalho feminino quando, em razão disso, muitos homens tiveram que ir ao front de batalha, exigindo que mulheres assumissem postos nas fábricas dentro do esforço bélico necessário.
 

Já a onda democrática-liberal investiu na idéia de voto feminino; esse movimento foi forte sobretudo nos EUA onde grupos de mulheres lutaram em prol da lei seca, associando a luta política da mulher à sua emancipação da tutela do marido e ao direito a votar.

Dentro da visão marxiana a mulher caseira é um instrumento útil ao grande capital; para Marx é importante para o capitalismo que as mulheres fiquem em casa, cuidando dos filhos dos operários para que eles possam ir a fábrica trabalhar sem preocupações; segundo Marx, na medida em que a mulher é integrada ao mercado de trabalho pelo desenvolvimento do capitalismo as bases materiais para a existência da família já não fazem mais sentido. A mulher emancipada poderia organizar-se em coletivos independentes da organização familiar. A Revolução Bolchevique de 1917 produziu um igualitarismo entre homem e mulher como nunca antes se vira. O divórcio, o aborto e a contracepção estavam livremente disponíveis. A educação das crianças tornaram-se responsabilidade da sociedade. Iniciou-se a utilização de restaurantes, lavanderias e creches comunitárias, que livrava a mulher da condição de esposa e mãe.

Na visão dum feminismo democrático-liberal/ capitalista de mercado a questão é balizada dentro de outro quadro: ao invés da questão ser abordada na esfera da luta de classes e da produção econômica a condição da mulher – de opressão – é associada ao patriarcado, a psicologia masculina, ao machismo, etc. Esse feminismo pressupõe que a opressão está acima da divisão da sociedade em classes. Os movimentos feministas ocidentais das décadas de 60 para cá foram dominados por mulheres da “nova classe média”, jornalistas, escritoras, professoras e executivas, o que mostra seu caráter liberal: as demandas envolvem quase sempre mais possibilidades de ascensão social ou de prazer sexual.

Assim sendo é importante que frisemos o seguinte: o feminismo, seja lá qual for, é sempre um braço político seja do socialismo marxista, seja do liberalismo. O que está por trás das pautas feministas é a defesa de modelos civilizacionais e um projeto de poder, que se insinuam por trás do clichês dos “direitos da mulher”. O que ambos os feminismos tem em comum é pauta de destruição do poder marital e ou paterno. No feminismo marxista o homem é símbolo do poder da classe monetária sobre a mulher; no feminismo liberal o homem encarna o modelo eterno do “patriarca” castrador dos impulsos sexuais da mulher; nos dois casos o homem deve ser reconstruído a fim de que nasça uma nova civilização mais adequada aos anseios de liberdade-radical do capitalismo liberal ou de igualdade total do socialismo.

2- O feminismo hoje.

O feminismo como braço político tem agora múltiplas dimensões que integram aquelas duas básicas que forjaram sua origens; o tom socialista e ou liberal de suas reivindicações hoje são menos discerníveis quanto a diferenciação de pautas; praticamente todos os grupos feministas incorporaram um pouco de cada ideologia misturando isso tudo ao multiculturalismo e a ideologia de gênero.

Todavia é possível discernir alguns pontos fulcrais nas teses feministas indicando, ao mesmo tempo, qual seu alcance político e o que visam.

Um dos traços diz respeito ao caráter colonizador do feminismo; a maioria dos lugares comuns do movimento saem do establishment cultural-universitário dos EUA-Europa; lugares comuns que nascem dentro dos departamentos de sociologia e antropologia multicultural; é o caso do conceito de “rape culture”( ou cultura do racismo) que compreenderia um complexo de crenças e símbolos construídos socialmente que legitimariam o direito do homem de violentar a mulher. É comum que teóricas do feminismo vejam o “macho latino” como exemplo acabado desse tipo de homem; não é a toa que a revista do coletivo feminista “Nosotras” surgida na França nos idos da década de 70 falava da luta específica que o feminismo devia travar na América Latina – bem diferente daquela travada na Europa e EUA onde uma tradição de liberdade já existia consolidada por várias revoluções. A experiência do coletivo “Nosotras” - formada por mulheres que haviam fugido das ditaduras militares sulamericanas – foi amplamente baseada no modelo de “consciousnessraising groups” existente nos EUA que eram pequenos grupos que partiam das experiências pessoais e cotidianas das mulheres com o objetivo de forjar uma identidade comum. Tais grupos evidentemente formatavam a visão dessas mulheres dentro dum contexto mais amplo onde a luta feminista era vista sob duplo caráter: um de cunho mundial, outro de cunho local, onde certas metas gerais deviam ser adaptadas ao contexto de cada país.

Segundo a revista “Nosotras”,

a realidade de cada país, marca profundamente as táticas de uma luta política. E o feminismo é político. Algumas tradições profundas de nossos povos, como a religião católica e o "machismo", dão um caráter específico às reivindicações que só poderão ser formuladas, teórica e concretamente pelas feministas de cada país latino-americano.”In: Danda e Mariza. "Feminismo". Nosotras, Paris, n. 5, maio 1974.

Em suma: a teorização feminista implica que, no caso da América Latina o influxo da religião católica – de caráter hierarquizante – e nossa tradição patriarcalista – basta lembrar da colonização hispânica e portuguesa, marcada pela figura do senhor de terras, o patriarca que tinha amplo poder sobre dependentes e familiares, gênese do caudilho e do coronel – são determinantes para a opressão da mulher. Caberia nesse contexto lutar contra essas duas instituições – Igreja e Patriarcado – e contra as tradições sociais e culturais que elas legitimam.

Logo o feminismo, no que tange a Brasil, não passa do seguinte: colonização cultural. O feminismo aparece aí como braço politico dum projeto novordista; o Brasil é a “terra do estupro” por que é pouco americano e pouco europeu, ainda católico demais e patriarcal em excesso.

Não é sem razão que o caso da menor supostamente abusada esteja sendo repercutido por tantos órgãos de mídia- inclusive internacionais.
Feminismo não é questão de igualdade. Nunca foi.


3- Dados do Ipea: a colonização cultural do Brasil pelo feminismo anglo-europeu.

Recentemente o Ipea – que é órgão de pesquisa econômica associado a presidência da república e que produz, normalmente dados obre inflação e desemprego – insistiu em tratar de tema criminal e fez um estudo sobre o estupro que se divide em duas pesquisas: uma baseada em “dados”, outra em opinião. A pesquisa de dados é uma “nota técnica” de 30 páginas e se intitula “Estupro no Brasil: Uma Radiografia Segundo os Dados da Saúde”, assinada pelos pesquisadores Daniel Cerqueira, doutor em Economia pela PUC-RJ, e Danilo de Santa Cruz Coelho, doutor em Economia pela Universidade Autônoma de Barcelona(Doutores em economia produzindo trabalho sobre um assunto criminal? Não seria mais adequado que juristas, criminologistas, psicólogos, fossem responsáveis por tal trabalho? ) Já a pesquisa de opinião – que teve como tema a “Tolerância Social à Violência contra as Mulheres” – foi lastreada no Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) do Ipea, criado para “captar a percepção das famílias acerca das políticas públicas implementadas pelo Estado, independentemente destas serem usuárias ou não dos seus programas e ações”. Foi essa segunda pesquisa, com um total de 40 páginas, que transformou o Brasil numa "nação de estupradores".

Para quem lê a pesquisa do Ipea fica evidenciado que a causa central de tantos “estupros” no Brasil é atribuída, em primeiro lugar, aos pais de família e depois a nossa cultura; seríamos um país ainda pré-civilizado e nossos pais de família, formados numa cultura pré-civilizada, seriam monstros sexuais em potencial, capazes de devorar até mesmo suas próprias filhas.

Com base num questionário sobre vitimização que levou a campo em 2013, o Ipea estimou que, a cada ano no Brasil, “0,26% da população sofre violência sexual, o que indica que haja anualmente 527 mil tentativas ou casos de estupros consumados no país, dos quais 10% são reportados à polícia”. Essa informação, segundo os pesquisadores, é consistente com os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que, em seu Anuário de 2013, apontou 50.617 casos de estupro notificados no País em 2012. Todavia, o Ipea se esquece de considerar que esse índice de estupros, tanto os casos estimados quantos os denunciados à polícia, decorre de uma mudança substancial na definição de estupro, que, a partir da Lei 12.015, de 7 de agosto de 2009, passou a englobar o que antes era considerado “atentado violento ao pudor”, tipo penal que deixou de existir.

Essa nova lei – já implantada em vários outros países graças ao Lobby feminista internacional – revolucionou o conceito de estupro, pois vejamos:

Estupro( na antiga lei do CP)

Art. 213 Constranger mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça:

Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.

Nova redação:

Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.

Em suma: a nova redação deixa em aberto o conceito de ato libidinoso – um beijo roubado poderia ser tido pela vítima como tal – o que permite a elevação artificiosa dos casos de violência sexual do homem contra a mulher (Dados comprovam que a maioria dos casos de estupros e violência sexual não passam de...farsa!!! In: http://extra.globo.com/noticias/rio/nas-varas-de-familia-da-capital-falsas-denuncias-de-abuso-sexual-podem-chegar-80-dos-registros-5035713.html/ http://www.jcnet.com.br/Geral/2013/02/falsos-estupros-atrapalham-policia.html)

Qual o fim de tudo isso? Primeiro precisamos pensar por que a pesquisa do Ipea repete o clichê presente nos artigos feministas, publicados nos EUA e Europa sobre "machismo latino americano", de que somos “pré-civilizados”, etc. Não restam dúvidas de que o discurso por trás disso é que a cultura brasileira precisa superar certos “escolhos” e se encaminhar para um libertarismo moral e um igualitarismo já consolidado no países do Norte. Como já dissemos: se trata de uma colonização cultural.

Por outro lado é notório que tais países estão, hoje,  integrados ao projeto novordista ( Nova Ordem Mundial) o que implica na necessária destruição da velha cultura pátria para a consecução do projeto de estado global fundado numa cultura global – fundada num mix de liberdade de mercado junto a esquerdismo cultural – e numa sociedade global – livre de padrões hierarquizantes tradicionais – uma sociedade parecida com a idéia de aldeia global, horizontalista(O conceito de aldeia global foi desenvolvido por Marshall McLuhan na década de 60, como forma de explicar os efeitos da comunicação de massa sobre a sociedade contemporânea, no mundo todo. De acordo com sua teoria a abolição das distâncias e do tempo, bem como a velocidade cada vez maior que ocorreria no processo de comunicação em escala global, nos levaria a um processo de retribalização, onde barreiras culturais, étnicas, geográficas, entre outras, seriam relativizadas, nos levando a uma homogeneização sócio-cultural. Neste caso, imaginava ele, ações sociais e políticas, por exemplo, poderiam ter inicio simultaneamente e em escala global e as pessoas seriam guiadas por ideais comuns de uma “sociedade mundial”). Para isso é fundamental destruir o papel do pai como figura de autoridade na família – coisa ainda presente na cultura latinoamericana. Uma sociedade onde o pai de família ainda é autoridade não pode virar aldeia global pois ao invés de ela se pautar em critérios estipulados pela comunicação de massa, ela se fundará em tradições consolidadas que remetem à religião paterna, cultura local, hábitos herdados, atavismos morais, etc. 

4- Conclusão.

O caso da menina em tela mostra o caráter criminal do que está em curso no Brasil agora. Os coletivos feministas e as redes de tv – sumamente a Globo – repetem  à exaustão a tese do “estupro consumado”. As incongruências do evento pouco importam. Importa dizer que houve estupro a todo custo.

A substituição do delegado que investigava o caso é mostra dessa articulação de poderes para destruir a malha moral tradicional que ainda resta de pé no Brasil – o pouco que anda resta, digamos.

A indignação de pais e mães de família que se perguntam sobre as responsabilidades dos genitores da menina em tela não repercutem na mídia. As únicas falas que a mídia reproduz são as da militância feminista: “ não importa com quem , ou o que ela fazia, nenhuma mulher merece ser estuprada”. Ao dizerem o óbvio – pois ninguém em sã consciência defenderá que alguma mulher merece ser estuprada – tentam capturar a boa vontade da população para mais uma farsa bem montada.

A farsa serve, mais uma vez, a criminalização geral da cultura brasileira. Somos machistas e estupradores natos! É isso que a tv nos diz!! Somos uma sociedade de tarados!!!

Para que não duvidemos da conspiração midiática em seu conluio com os coletivos feministas, acabam de mudar o delegado - depois das fortes pressões feitas por reportagens orientadas -que fazia as perguntas certas que poderiam levar a esclarecer o real problema do país – não o machismo, mas a ausência de uma moral familiar mais consistente, em enormes faixas da população brasileira, vitimadas pela cultura da pornografia, oriunda das telas da tv, das rádios, da internet, da nossa “música”, etc; vitimada por um capitalismo selvagem que impõe, a homens e mulheres, que saiam cedo de casa e que cheguem tarde para prover o sustento dos seus filhos que, sem a presença cotidiana dos pais acabam ficando a mercê das programações da Globo, pródigas em exaltar a liberdade do sexo; ausência que explica por que uma menina de apenas 16 anos está envolvida em um caso tão grotesco; não nos espantemos: não é de hoje que vídeos de meninas menores de idade vazam na internet; no Brasil isso virou moda e só virou por que estão destroçando nossas famílias.

Não por acaso Vladimir Putin, presidente russo, vem reprimindo com força o movimento feminista. A Rússia – que quer voltar a ter poder geopolítico – sabe que não existe nação forte sem famílias fortes. E que isso é impossível sem mulheres que valorizem seus papéis de mães e esposas e sem pais que exerçam autoridade capaz de forjar a moralidade dos filhos. Já o projeto novordista – que consiste, como bem disse David Rockefeller, no encontro do clube Bilderberg em 1991, em superar a era dos estados nacionais – não pode existir onde existam nações fortes. As nações devem enfraquecer e o feminismo lhe dá uma ajuda importante enfraquecendo a família natural.

Não é possível colonizar sem afeminar, sem desvirilizar. O psicólogo indiano Ashis Nandy descreveu a maneira que os britânicos insistiam em afeminar os súditos colonizados na Índia(In: Nandy, A. The Intimate Enemy – Loss and Recovery of Self under Colinialism. Oxford University Press, 1983.) E agora é disso que se trata quando falamos de feminismo no Brasil. Estamos a ser vítimas da imposição de valores “afeminantes” que pretendem criminalizar e exorcizar a masculinidade brasileira como desviada, doentia, a fim de que o homem latino vire uma espécie de hipster europeu multiculturalista e sensível, o mesmo tipo humano que hoje assiste a invasão da Europa por muçulmanos, asiáticos e africanos com impassibilidade estóica.
 
Rafael G. Queiroz

Obs: Enquanto se fala de cultura de estupro a Globo aproveita para falar de aborto( http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/exigencias-fora-da-lei-dificultam-acesso-aborto-apos-estupro-diz-pesquisa-16666374). Segundo a matéria o aborto deve ser garantido bastando a palavra da mulher. Imaginem a enxurrada de abortos que isso poderá facultar caso a norma técnica do Ministério da Saúde – que só exige a palavra da estuprada, sem necessidade de comprovação do estupro – torne-se conhecida da grande massa?

O Conselho Populacional da ONU funcionou como cabeça pensante para gestar a implantação do aborto no mundo, estabelecendo uma política global de controle populacional, em fases distintas. Na quarta fase (de 1978 até hoje), houve uma mudança de estratégia. O que antes era pesado investimento na contracepção, hoje os abortistas passaram a investir na modificação da moral sexual, pois o movimento populacional não conseguia ganhar espaço no governo norte-americano, nem dentro da ONU. Com a mudança de paradigma cultural, buscou-se atacar a moral do aborto, para viabilizar sua aceitação junto à opinião pública. Daí os investimentos na dissidência da Igreja Católica, no movimento homossexual, na educação sexual liberal, etc. A partir de então, a mídia deu evidência cada vez maior ao feminismo radical, especialmente após as Conferências Populacionais promovidas pela ONU, de Bucareste, do México, do Cairo e de Pequim. Hoje, há uma forte pressão dentro da ONU, para reconhecer o aborto como direito humano, intensificando a pressão sobre os governos da América Latina para a sua legalização. Em 2003, mais de 700 Ongs financiadas para promoverem o aborto no mundo, reuniram-se em Londres, estabelecendo a meta de tornar o aborto legal e disponível em todo o mundo, até 2015. O governo brasileiro firmou compromisso com essas metas e está condicionado por elas para fazer de tudo para legalizar o aborto, o quanto antes.

Mais uma vez vemos aí qual o lugar do feminismo no que diz respeito as políticas globalistas e como ele está atrelado à destruição da natalidade do povo brasileiro.