domingo, 21 de dezembro de 2014

Olavo "Hegel" de Carvalho: sobre insinuações maçônicas e excomunhão ipso facto.





Uma das marcas da dialética hegeliana é a justaposição dos opostos: na filosofia metafísica clássica, o um é sempre um e o dois sempre dois; na dialética hegeliana não: o um pode virar dois e o dois um tudo a depender do processo histórico, que é o que faz as coisas "serem" o que são; no entanto, não se enganem: o ser, na visão hegeliana, não passa de uma estabilização momentânea a espera da próxima etapa onde o mesmo deixará de ser o que é; em suma tudo é devir, nada é. Por isso tal dialética pode ser considerada como a expressão filosófica da torre de Babel, onde as línguas foram confundidas e ninguém mais se entendia. 

Que marxistas usem a dilética hegeliana não espanta: Marx deu a ela uma forma materialista. Faz parte da tradição marxista - seja de que viés for - o uso largo da mesma. 

O que espanta mesmo é ver alguém como Olavo, que diz lutar contra a esquerda socialista-marxista, fazer uso dela. Mentira? Nada disso: a mais pura verdade. Leiam: 



Vamos analisar algumas frases:

"Defendo as idéias conservadoras porque elas foram excluídas da sociedade e elas são tão necessárias quanto quaisquer outras idéias".

As palavras são suficientes: o que Olavo diz é que idéias conservadoras, liberais, marxistas, etc, são absolutamente necessárias; o que Olavo advoga é o pluralismo ideológico puro e simples, como todo bom liberal faria. E como todo bom marxista também: afinal é preciso que existam idéias contrastantes para que exista luta cultural, política, social, ideológica, e daí, se extraia o progresso dos tempos. Em suma: Olavo diz que não importa se as idéias conservadoras são idéias verdadeiras mas se são úteis politicamente. Além de pluralista, Olavo é pragmatista, o que quer dizer imanentista, o que significa que recai na condenação da Pascendi e, por tabela, em heresia.

"O Brasil precisa de uma corrente política conservadora forte e atuante, para contrabalançar quatro ou cinco décadas de comunismo x tucanismo."

Basta isso: para Olavo basta que o conservadorismo seja o contrapeso. Espanta que ao mesmo tempo ele diga que é preciso banir o comunismo? Só espanta a quem jamais leu Hegel. Para quem leu, entender isso é simples: Olavo fala a vários públicos. O primeiro precisa de palavras de ordem, convocações bélicas e mandamentos absolutos. O segundo, formado por um círculo mais interno de alunos do cof, recebem uma instrução mais precisa: " é o seguinte vamos combater o comunismo mas não é para acabar com ele...é só para abrir espaço...no fundo precisamos do contrapeso, do embate de idéias". 

Como explicar isso senão pela simpatia que Olavo tem pela democracia liberal? E como explicar tal simpatia senão pelo fato de que todo maçom defende a mesma porque ela dá às lojas possibilidades de ação na sociedade através das liberdades que elas proporcionam? E o que a atual democracia senão o espaço da luta ideológica total? 

Olavo mesmo já admitiu - várias vezes -  que o importante não é a unidade doutrinal mas sim a abertura de espírito à "totalidade da realidade", que insistir nisso é desnecessário. Para ele são os símbolos, e não os dogmas, as vias do saber. Nada, portanto, de doutrinas sistemáticas. Nem mesmo no campo político. 

Quem sempre combateu a idéia de unidade doutrinal senão a maçonaria? Não é típico da mesma estimular a divisão doutrinal? Quem diz isso? Olavo mesmo diz:

 "uma sociedade iniciática, qualquer que seja, não tem necessidade de controlar as opiniões de seus membros, já que tem pleno domínio, sobre seu imaginário. Na verdade quanto mais a liberdade de crença vigore ali dentro, quanto mais frouxa e menos dogmática for a doutrina da organização, mais eficaz será esse controle, que tem todas as vantagens em permanecer implícito. Uma organização que timbre em defender um dogma explícito não em outro remédio senão explicitá-lo...a partir desse instante tornam-se objetos de raciocínio, de assentimento ou discordância intelectual, de crítica... Ao contrário de todas as organizações dogmáticas, as sociedades secretas, pela dialética de sua busca de sobrevivência, alimentam as dissidências e as cisões; pois cisão aí, significa automaticamente isolamento e isolamento significa imposibilidade de um confronto direto"-In: Olavo de Carvalho. Jardim das Aflições. Páginas 241-242. Segunda edição, revista, 2004. 

Lendo isso cabe perguntar: Olavo não insiste numa assistematicidade da filosofia? Olavo não insiste no cof sobre a formação do imaginário através, exclusivamente, da literatura que ele indica?

O que ele está a fazer senão impor, por vias implícitas,  seu controle sobre o imaginário do alunado sem dar ao mesmo uma filosofia sistemática e dogmática que possa ser objeto de análise?
    
E qual seu objetivo em termos políticos, quando estimula uma corrente conservadora, senão o mesmo controle do imaginário, sem que seja necessário eliminar as idéias "adversárias", abrindo espaço para o exercício desse poder implícito ? Ou seja o que Olavo advoga para a sociedade é o mesmo que se faz no interior da maçonaria e a mesmíssima coisa que ela faz nas suas ações dentro da sociedade civil. 

A estratégia de Olavo não passa de modus operandi maçônico. 

"Se não elevarmos o patamar de consciência intelectual deste país, o de consciência moral vai permanecer abaixo da linha de pobreza. A moral não existe no ar, solta e independente. Vem com a CULTURA e é parte dela."

Não sr. Olavo: consciência moral não depende - necessaraimente - de elevada consciência intelectual. Fosse isso Satã não seria mau já que se destaca pela grandíssima inteligência. Dizer que uma depende de outra - rigorosamente - seria colocar abaixo toda a teologia moral de Santo Agostinho e da Igreja que admite o pecado de malícia - que é querer o mal sabendo que é o mal. A maior prova de que inteligência não traz, necessariamente, moralidade, são cafajestes como o sr. 

Em tempo: o que Olavo quer é criar uma casta intelectual sob seu controle; como quem determina a moral determina as ações da sociedade e das pessoas, tal casta terá poder absoluto, ou melhor o seu "pai-guru" terá poder absoluto. O que está por trás disso tudo é a tentativa de construir uma nova "casta sacerdotal"( uma elite intelectual portadora da tradição primeva que é nada mais que o perenalismo) no sentido que Guenón dava a isso: casta que estará a serviço do sr. Olavo.  

Imaginação nossa? Não: Olavo mesmo não disse que se soubessem o que ele deseja o considerariam megalomaníaco??? 

Cremos que, com tudo que viemos expondo aqui esse ano, passo a passo, e ao que outros também expuseram - destaco aqui o papel do blog prometeo liberto - fica claro o seguinte:

1- A forma mentis e o modus operandi de Olavo é perenialista/maçônica. 

2- Que Olavo vem, pouco a pouco, ensinando e aplicando princípios maçônicos que orientam a teoria e a prática de seus alunos. 

3- Que, assim sendo, seus alunos, cônscios ou não, promovem, destarte, a maçonaria e um iniciado que está a serviço do Grande Oriente. 

Partindo daí podemos dizer que: 

A- Olavo está excomungado ipso facto. 

B- Os alunos que, tendo tomado ciência de tudo isso, continuam a segui-lo, promovendo-o direta ou indiretamente, mesmo que seja apenas pagando a taxa do cof,  também estão excomungados ipso facto. 

E por que dizemos isso? Por que a Igreja Católica considera motivo de excomunhão quem quer que se aliste na maçonaria como quem quer que a ajude ou promova de algum modo.

Quem tiver olhos que veja. 

Para quem ainda duvida da ligação estreitíssima  de Olavo - a ponto de defender o caráter cristão da mesma - com a maçonaria e seus objetivos, reproduzo aqui um artigo publicado por Mirian Macedo, ex aluna do mesmo. 

O link é este: http://blogdemirianmacedo.blogspot.com.br/2014/06/recordar-e-viver-e-maconaria-olavo-de.html

"sexta-feira, 20 de junho de 2014

Recordar é viver: e a maçonaria, Olavo de Carvalho?
     Mírian Macedo: "Citando René Guénon, o senhor defendeu a união da maçonaria com o cristianismo. E pode?!"
            Olavo de Carvalho: "Parece que houve aí uma divisão de trabalho: a maçonaria ficou com os Pequenos Mistérios e a Igreja com os Grandes Mistérios. Não é preciso dizer que este simples fato é causa de inumeráveis desequilíbrios. Enquanto estas duas ordens de conhecimento não forem de novo articuladas, a unidade espiritual do Ocidente não será reconquistada."

          Íntegra da resposta de Olavo de Carvalho*: "Este problema que você coloca é dos mais cabeludos. Eu dificilmente poderia explicá-lo aqui. Mas é preciso considerar que a maçonaria tal como a conhecemos hoje se origina no século XVIII, a partir da unificação de antigas iniciações de ofícios, sobretudo dos construtores medievais que, durante mil anos, tinha funcionado perfeitamente bem dentro do contexto cristão sem nenhum problema.

     A encrenca começa a partir do momento em que, dentro da própria maçonaria, começam a surgir outras sociedades, estas sim verdadeiramente secretas, que se apossam de áreas inteiras com o objetivo de transformar a maçonaria em instrumento da revolução.
     
     Isto é muito bem explicado num livro já clássico, de um mestre maçom chamado John Robinson, intitulado Proof of Conspiracy. O livro saiu no começo da história republicana aqui nos Estados Unidos.
     
     Evidentemente, foi bastante lido pelos maçons da época, inclusive o presidente George Washington, que, vendo a penetração destas idéias revolucionárias na maçonaria, confirmou que aquilo existia e disse: "Eu espero que isto não se propague aqui nos Estados Unidos (pois isto estava acontecendo na Europa, principalmente na França).
      
      Quando se fala de maçonaria, não se pode falar  de um negócio assim em  bloco, porque existem camadas e camadas de complexidade aí. Mas, em todo caso, o fato da maçonaria originar-se nestas comunidades de ofício mostra que ela não tem originariamente uma inspiração anti-cristã.
      
      Por outro lado, estas comunidades legaram à maçonaria inumeráveis conhecimentos, sobretudo sobre a constituição da ordem política, da ordem do Estado. E estes conhecimentos são realmente  importantes para a administração do mundo. 

      Como havia aquela distinção dos Pequenos Mistérios e Grandes Mistérios (Pequenos Mistérios são aqueles que se referem aos conhecimentos de ordem cosmológica, ordem do mundo, constituição do mundo, inclusive do mundo histórico, social, político; e por outro lado, os Grandes Mistérios, que se referem à ordem puramente espiritual, da imortalidade da alma, Deus  etc), parece que houve aí uma divisão de trabalho: a maçonaria ficou com os Pequenos Mistérios e a Igreja com os Grandes Mistérios. 

      Não é preciso dizer que este simples fato é causa de inumeráveis desequilíbrios. Enquanto estas duas ordens de conhecimento não forem de novo articuladas, a unidade espiritual do Ocidente não será reconquistada. 

      Pior ainda: à medida que o tempo passa, aparecem sociedades secretas dentro de sociedades secretas, conspirações dentro de conspirações, tornando tudo uma bagunça monumental. 


     É evidente que as conspirações existem, mas também é tolo imaginar, como faz este senhor Armindo Abreu, que certas sociedades secretas são controladoras do mundo.
Ninguém controla o mundo, o pessoal disputa poder e faz confusão.
     
      Pior ainda, quando os elementos causadores de uma situação contêm um forte elemento secreto, é muito difícil entender até historicamente o que aconteceu. A história do mundo, além de tornar-se extremamente violenta, ainda tem a questão de que ninguém sabe quem fez o quê. A prevalência do segredo como elemento histórico importante é um dado do século XX."

*PS: . Olavo de Carvalho respondeu às minhas perguntas no dia 12/02/2007  (a resposta está no link, a partir de 13 min20seg até 20min36seg. O email (abaixo) foi enviado ao programa True Outspeak. http://www.olavodecarvalho.org/midia/070212true.html



 "Professor Olavo, como vai?
     
     Sou Mírian Macedo, de São Paulo. Tenho acompanhado a sua participação no podcast de Yuri Vieira e ouvido seu programa de rádio True Outspeak. Brilhantes, parabéns. Eles têm sido muito esclarecedores para mim, mas, por outro lado, também me confundiram, principalmente no que se refere à união da maçonaria com o cristianismo. E pode?!

      A propósito: não entendo de profundidades filosóficas, sou só uma esforçada e curiosa ex-jornalista e rainha do lar que tem o vício de gostar de assuntos de que nada entende e que são, em geral, difíceis e complicados. Fazer o quê?

     Na conversa com Yuri, o senhor, citando René Guenón, defendeu a união da maçonaria com o cristianismo como única saída para o furdunço em que está transformado o mundo. O professor falou em maçonaria anti-cristã e maçonaria pró-cristã. O que seria uma e outra? 

     E esta última, é um clube de bondades e bons propósitos, uma entidade de princípios éticos, dedicada ao culto da fraternidade, respeitosa de todas as religiões e do Deus de cada uma? E como fica a encíclica Humanus Genus e o documento que a ratifica, escrita pelo cardeal Ratzinger em 83?

     Outra coisa: falar em mistérios, mesmo que sejam pequenos mistérios, não é contrariar o próprio Senhor Jesus Cristo, que mandou gritar sobre os telhados o que se ouvisse na surdina, garantindo que nada havia para ser ocultado?

     A tese de que todas as religiões (inclusive o cristianismo) têm sua gnose é cara a muitos estudiosos do assunto, como é o caso do romeno Mircea Eliade. Ele cita, em defesa de sua idéia, o Evangelho de Mateus, as obras de Orígenes e Clemente de Alexandria e a carta aos Efésios, de São Paulo. 

      Segundo ele, a hierarquia eclesiástica da Igreja dos primeiros tempos combateu a gnose e o esoterismo pelo temor de que certos gnósticos pudessem introduzir no cristianimso doutrinas e práticas radicalmente opostas ao éthos do Evangelho. Eliade afirma:

      - Não era o " esoterismo" e a "gnose" como tais que se revelaram perigosos, mas as "heresias" que se infiltravam sob o manto do "segredo iniciatório".

       Vale lembrar: Eliade faz a ressalva de que, no caso do cristianismo, a existência de um ensinamento esotérico praticado por Jesus e continuado pelos seus discípulos é negada pelos Padres da Igreja e historiadores antigos e modernos.

       E, de volta à questão: não é heresia negar as próprias palavras de Jesus Cristo de que não existe nada secreto?
        Um abraço.
        Mírian Macedo
São Paulo,capital"

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

As raízes judias do Islã!!




" O islã foi originalmente um movimento heterodoxo no interior do judaísmo...segundo fontes árabes, cerca de vinte tribos em Medida -- cidade que acolheu o apelo de Maomé da sujeição a Alá -   e em volta de Medina eram judias...esas tribos estabelecidas em oásis entregavam-se tanto ao comércio quanto ao pastoreio, e o islã, desde o início foi uma religião semi-urbana de comerciantes, mais do que uma religião do deserto. Mas, o deserto era importante pois judeus que viviam em suas bordas, ou que ali se instalavam para escapar à corrupção da cidade, tais como os nazireus, sempre haviam praticado uma forma mais rigorosa de judaísmo...foi isso que atraiu Maomé. A influência do cristianismo, que não teria sido estritamente monoteísta a seus olhos, foi muito ligeira...o que ele parece ter desejado fazer foi ...dar aos árabes o monoteísmo ético judeu numa língua que podiam compreender e em termos que lhes eram adaptados...o desenvolvimento por Maomé de uma religião separada começou quando ele compreendeu que os judeus de Medina não estavam dispostos a aceitar a sua versão árabe do judaísmo"...(Jhonson, Paul. História dos judeus. Ed. Imago. Rio de Janeiro, 1995. P. 175-176.).

"A sua visão - de Maomé -  não podia ser um logro, pensava Khadija - esposa judia de Maomé -  que foi se aconselhar a respeito dela com um parente, próselito judeu, e conhecido pela simpatia que mantinha pelos hanifs"(Azzedine Guellouz , Andre Miguel e Dominique Chevalier. Les Arabes, L´Islam et L´Europe. Flamarion, 1991.).

"judeus receberam Maomé e seus seguidores com honras em Medina. Tribos judias uniram-se em torno dele depois que os coraixitas de Meca exigiram uma espécie de extradição"(Blacheré, R., Introduction au Coran, Maissouneneuve et Larose, 1991).

"O exilado encontrou, entre as tribos judias de Medina, uma audiência que ultrapassava o círculo dos convertidos em virtude de expectativas messiânicas"( In : P. Crone e M. Hinds, God´s Caliph, Cambridge, 1986)

"O apoio religioso e econômico dos judeus deu a Maomé meios para promover e constituir sua liderança em Medina; só quando as pretensões de Maomé foram além da Torah é que a articulação com os judeus se rompeu; o sinal dessa ruptura é a mudança da direção para onde se voltava a comunidade durante a prece: de Jerusalém para Meca."( Hanna Zakarias. L´Islam, enterprise juive de Moisé a Mohammed, Cahors, 1960)

" A exegese muçulmana do Corão é herdeira das tradições rabínicas com as quais Maomé teve contato na fase medinense, onde o Islã se corporificou"(I. Goldziber. Vorlesungen uber den Islam, Heildelberg, 1910).

"Em relação a fugura de Cristo é provável que Maomé - graças a sua proximidade de círculos rabínicos- tenha se valido do ensino do Rabi Eliezer que não via heresia formal em seu ensino e considerava que o nazareno teria lugar no mundo vindouro"(I. Goldziber. Muhammedanisch Studien, Halle, 1980)

"A lei islâmica funciona tendo como base uma infraestrutura de origem judaica"(P. Crone. Cambridge, 1987)

"Antes da chegada de Maomé os árabes estavam fascinados pelos judeus e invejavam sua revelação na própria lingua."( Paolo Branca. Los musulmanes, Historia Alianza Editorial, 2000)

domingo, 16 de novembro de 2014

Missa Rock na Catedral: mais um fruto do Concílio Vaticano II !


O título é esse mesmo: missa roqueira, definição do sacerdote espanhol Joan Enric Reverté, mais conhecido como Padre Jony. A cerimônia foi celebrada na semana passada em homenagem a padroeira da cidade de Tortosa, a Nossa Senhora da Consolação, ou Virgem da Cinta.

Acompanhado por guitarras e baixos elétricos, bateria, teclado, iluminação colorida e vídeos, o sacerdote vocalista cantou no altar suas versões roqueiras de clássicos do cancioneiro católico, como O Pescador de Homens.(https://www.youtube.com/watch?v=Q5VFC_TDkYM)

Para conseguir autorização da diocese de Tarragona (responsável pela catedral de Tortosa) para realizar sua liturgia heterodoxa, Padre Jony reconheceu que passou por dificuldades e teve que esconder vários detalhes da missa roqueira até a última hora.

"Tinha que ocultar as surpresas até o último momento para evitar outras. Eu entendo e aceito que muita gente não compreenda, nem goste deste tipo de iniciativas, mas estou muito consciente do que fazendo".

Apesar do sucesso da celebração litúrgica, o sacerdote espanhol duvida que possa haver outra missa roqueira em uma catedral.

"Acho muito difícil que se repita, porque foi uma circunstância especial, uma comemoração de um centenário da Corte de Honra à Virgem. E com a repercussão que teve, não acredito que deixem fazer isso de novo."

Ele, disse, entretanto, que é possível que haja celebrações semelhantes em outras igrejas.

"Já há pedidos. Há gente esperando algo assim, com mentes abertas e que querem ouvir mensagens de fé de uma outra forma dentro da igreja católica."

Apesar da estética e linguagem modernas, a missa roqueira teve os elementos litúrgicos de uma celebração religiosa habitual.

O sermão foi uma declaração de fé na Virgem Maria, no qual o Padre Jony alertou os jovens fiéis sobre o perigo do consumo de drogas e álcool e a falta de compromisso social com os mais carentes.

O sacerdote já tem um livro (em castelhano: Notas de un cura roquero ou, em tradução livre, Notas de um padre roqueiro) e dois discos, cuja arrecadação é destinada a obras sociais.

Padre Jony também já celebrou eventos religiosos em espaço aberto na Espanha e em outros países da América Latina. O maior deles, na Guatemala, reuniu cerca de três mil fiéis.


AGORA TENTE CONSEGUIR AUTORIZAÇÃO PARA CELBRAR UMA MISSA TRADICIONAL EM UMA CATEDRAL PARA VER O QUE ACONTECE! O CLERO ATUAL ESTÁ, COM RARAS EXCEÇÕES VENDIDO. 

QUE DEUS SE APIEDE DOS VERDADEIROS CATÓLICOS E DÊ UM BASTA NISSO O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL. 


sábado, 15 de novembro de 2014

Drogas no Ocidente: a culpa - escamoteada - dos EUA!

Ahmed Rashid

É comum ouvir nos círculos olávicos e da neodireita tupiniquim neoconservadora( que no fundo quer conservar o liberalismo e suas conquistas - configuradas na revolução inglesa e americana - que são a segunda etapa do processo da revolução que acomete o ocidente e o mundo desde o século 15-16, cujo fim é a destruição da ordem sobrenatural-cristã e da ordem natural-moral) que a Rússia é a grande culpada pela extensão do tráfico de drogas no ocidente com o claro fim de jogar lama apenas num dos lados da revolução que citamos acima, escondendo os crimes do outro lado da mesma, o lado direito dela, que tem nos EUA seu bastião.

Porém os fatos são outros: o jornalista paquistanês Ahmed Rashid relata como a CIA apoiou os extremistas islâmicos que cultivavam ópio no Afeganistão. Logo se temos atulamente um tráfico de heroína em escala mundial devemos "agradecer" aos EUA. 

Ahmed Rashid estuda o Afeganistão há mais de duas décadas. O jornalista paquistanês estava em Cabul em 1979 quando os soviéticos invadiram a capital afegã. Rashid também foi o único jornalista a ter acesso aos líderes do Taleban e seus esconderijos. O autor do livro Taliban – Islam, oil and the new great game in Central Asia fala, nesta obra, sobre como os EUA e a CIA apoiaram Talibã e deram liberdade para que o mesmo produzisse drogas: 

"Nos anos 80, ainda durante a guerra fria, os mujahedin (guerrilheiros islâmicos) tinham apoio dos americanos, que incentivavam milhares de não-muçulmanos e muçulmanos a vir ao Afeganistão para lutar contra os soviéticos. E, entre eles, estava o saudita Osama Bin Laden, que tinha uma ligação muito próxima com a CIA. Muitos desses guerrilheiros árabes que lutaram contra as tropas soviéticas foram treinados e armados pela CIA...Os americanos apoiaram o Taleban, quando essa milícia estava na oposição, entre 1994 e 1996, porque queriam usar a organização na sua política anti-Irã. Além disso, os dois aliados americanos na região, o Paquistão e a Arábia Saudita davam suporte militar  àquele grupo fundamentalista. Outra razão para que o governo americano apoiasse o Taleban foi  porque os EUA queriam uma rota que transportasse óleo e gás da Ásia Central para a região do  Paquistão. E o caminho mais curto passaria pelo Afeganistão. Em vez de buscar ajuda dos países vizinhos para prover segurança aos oleodutos, o Taleban passou a abrigar extremistas islâmicos de várias nacionalidades. Foi quando Osama Bin Laden chegou ao Afeganistão e, a partir daí, passou a haver uma enorme preocupação dos americanos com esse fato. No final, os tais oleodutos nunca foram construídos... A produção de ópio começou no Afeganistão nos anos 80, durante a ocupação soviética. A droga financiou grande parte da guerra contra Moscou e por isso Washington fez vista grossa. "


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Por que é lícito, ao católico, votar nulo nas eleições presidenciais 2014?







Respondendo aqui a uma grave acusação que o senhor Sidney Silveira fez contra aqueles católicos que, guiados por uma avaliação sérias das alternativas desta eleição presidencial, decidiram votar nulo, reproduzo uma magistral resposta de um conhecido à pataquada do senhor Sidney que, infelizmente, se aproxima, dia a dia, de uma falsa direita e de seu guru, que suspeitamos - fundados em fatos e mais fatos -  seja um servo do poder americano e da maçonaria que dá base ao mesmo.

"A comparação com Pilatos, ao meu ver caro Sidney, cairia melhor se fosse aplicada aos entusiastas do 'mal menor', afinal, foi Pilatos quem cometeu o "mal menor" ao escorraçar Jesus --mesmo sabendo que Ele era inocente(!)-- tentando assim, acalmar o povo Judeu e resguardar a vida de Jesus (bem maior)... Desnecessário dizer que tal empreitada não obteve sucesso.

Do mesmo modo, os apoiadores mais energéticos de Aécio, tentam evitar o suposto mal maior (Dilma), ainda que seja averiguável que, no campo moral, que é o primordial para os católicos, não há diferença SUBSTANCIAL entre os candidatos [indivíduos] ou mesmo nos planos OFICIAIS de seus partidos [grupo]. Logo, preferem fazer vista grossa (ou, neste caso, lavarem suas mãos) em relação á essas similaridades gritantes.

Agora, é sabido e notório, também, que em "certos casos e circunstancias" a Igreja e inúmeros de seus grandes teólogos "toleram" o voto "per accidens" no mal menor, mas estes males jamais são "obrigatórios" aos católicos, salvo se houver um candidato que reconheça e preze pelas leis da moralidade cristã; sabemos que esse não é o caso no Brasil ou em qualquer outro país do nosso mundo apóstata.

Portanto, se de acordo com a sua consciência, um eleitor chegar a conclusão de que dê [sim!] para votar em Aécio, esta ação talvez possa vir a ser legítima. O que não seria legítimo é se, por outro lado, o outro tipo de eleitor --aquele que não votaria em Aécio-- fosse quase "condenado" por negar apoio á um apóstata público, com filhos bastardos paparicados pela mídia, que apoia abertamente o aborto, o acasalamento anti-natural sodomita (inclusive com deboches crassos) e todas estas aberrações que ambos partidos apoiam publicamente; tal comportamento seria um abuso da extensão e/ou da tolerância dada pela Igreja no quesito do voto no mal menor.

E diria mais, creio que mesmo no plano financeiro, ambos continuarão sendo escravos do FMI/ONU/NOM/Etc. No campo de envolvimento com Cuba e/ou cartéis de drogas etc., também creio que ambos não apresentariam diferenças substanciais. Esta é minha posição e não me acho melhor ou mais puro que ninguém por causa dela, só queria expô-la pois parece-me que está havendo um crescente ataque á estas posições no mundo virtual brasileiro, "talvez" ela abra ao menos um pouco os olhos daqueles que a veem com desdenho ou preconceito.

Este último tipo de eleitor que se nega a votar em Aécio, que aliás eu me encaixaria nele se fosse eleitor brasileiro, vê tais eleições não como Mal Maior x Mal Menor, e sim como Satanás x Belzebu; aonde qualquer um dos dois candidatos estariam tentando saciar, uma vez mais, o desejo daquele mesmo povo que Pilatos tentou apaziguar... mas lembremos que eles não se contentam com pouco!

Rezemos o Rosário diariamente, nobre amigo, pois em breve, o que aprendemos nos livros dos santos e mártires, estará saindo das páginas para bater em nossas portas, independente de quem saia vencedor nas 'sofisticadas' eleições de urna eletrônica!"
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domingo, 28 de setembro de 2014

O que está por trás da perseguição a Dom Livieres?

Dom Rogelio Livieres.



A recente destituição, absurda e arbitrária, de Dom Rogelio Livieres, ex bispo de Ciudad del Este, reabre a discussão sobre a natureza do pontificado de Francisco. Os fatos são tão claros que, negar que são o que são demonstra ou grave deficiência intelectual, ou doença mental ou malícia.

Cremos que ela revela, de modo definitivo, o que é este pontificado, qual seu projeto e que efeitos ele visa causar na vida interna da Igreja. Caso restasse alguma dúvida em face do mesmo este episódio esclareceria de forma cabal as dúvidas ainda de pé. Como para alguns ainda restam dúvidas é preciso expor o que ela significa. E para isso é preciso fazer um histórico desse caso. Em fins de 2008, Dom Livieres entregou uma carta a Bento XVI denunciando graves situações morais relativas ao episcopado paraguaio, entre elas a situação de Lugo, recém eleito presidente da república, em dissonância com a disciplina que a lei canônica pede nesses casos: Lugo haveria mantido relações com mulheres das quais teriam nascido filhos(acusação que depois veio a ser comprovada). Livieres ficou marcado, também, por ter criado um seminário em Ciudad del Estes, em razão da deficiente formação dada pelo Seminário Nacional do Paraguai. Desejando assegurar a boa formação de seu futuro clero, retirou de lá seus seminaristas e foi zeloso na busca por uma séria educação católica que fosse fiel a doutrina e ao magistério da Igreja. 

Na época Bergoglio - intimamente unido ao episcopado progressista do Paraguai- deu início a uma perseguição a Dom Livieres, encaminhando reclamações a Roma sobre trânsito de seminaristas que saíam de Buenos Aires para Ciudad del Este. Por pedido do então Cardeal Bergoglio a Santa Sé processou o bispo paraguaio - leia-se Dom Livieres - por haver recebido um seminarista sem pedir as informações canõnicas e tendo-o ordenado sem os requisitos acadêmicos. O projeto bergogliano então, apoiado por bispos do Celam e pelo episcopado comunista do Paraguai, era o de enfraquecer o seminário de Dom Livieres, pois este aparecia como uma resistência ao progressismo. Trânsito de seminaristas aconteciam, então, aos montes na Argentina. Por que Bergloglio preferiu tratar do caso do seminário de Livieres e não dos da Argentina? A resposta é fácil: os seminários argentinos não representavam, como o de Dom Livieres, ameaças ao seu projeto liberalizante-esquerdizante de Igreja. 

A chegada de Bergoglio ao Papado deu ao mesmo a oportunidade para colocar em prática seu antigo plano. É sabido na Argentina que Bergoglio, quando cardeal, costumava acusar seus desafetos ou de prática gay ou de afinidade gay ou de proteger gays. Quando essa acusação não funcionava usava dossiês para provar que os mesmos tinham problemas psiquiátricos. A mesma estratégia está sendo usada agora: Dom Livieres é acusado de não dar conta do caso de um padre que teria cometido abusos sexuais. Ora é preciso ser muito, mas muito ingênuo para acreditar que isso bastaria para que Roma tomasse a atitude de destituir Dom Livieres. Tais casos pululam no Brasil, em dioceses conhecidas, mas nada acontece. Aqui mesmo em Nova Iguaçu - RJ onde vivemos houve um caso de abuso sexual cometido por um padre, recentemente. O que fez o Bispo? O transferiu de paróquia. Hoje ele se encontra em Minas. Roma fez o quê? Nada. Em 2007 e 2011 eu mesmo enviei cartas a Roma com dados sobre os problemas da diocese. Nenhuma resposta. Uma das cartas foi entregue nas mãos do Cardeal Canizares. Nada. O que prova que os punidos são selecionados. Quando há um interesse político na punição, ela acontece. Faltando este nada acontece. 

Em geral esse interesse se constitui sobre a noção de que o bispo ou padre em xeque não estão em comunhão, o que quer dizer que estão atrapalhando as reformas trazidas pelo Concílio Vaticano II.  É essa acusação que pesa, hoje, contra Dom Livieres. Ele mesmo o relata em sua recente carta, onde fala de uma conversa com o Núncio: 

"As conversas que tivemos, aparentemente (porque eu não vi os documentos oficiais), dão como justificativas para uma tão grave decisão uma tensão na comunhão eclesial entre os bispos do Paraguai, a minha pessoa e a Diocese: “Nós não estamos em comunhão”, o Núncio havia declarado em sua conferência."

O que é estar em comunhão hoje? Tendo sido acusado da mesma coisa aqui em minha diocese, em razão de defender a fé contra abusos do clero e de leigos, entendi que essa alegação significa que a vida eclesial hoje em dia, depois da traumática experiência do Concílio Vaticano II - responsável direto por essa noção pacifista de comunhão - deve estar fundada na concordãncia mecânica com esquemas pastorais construídos coletivamente segundo um sentir novo: esse sentir novo exclui, de cara, qualquer defesa de conteúdos dogmáticos. Esse sentir novo exige que cada católico, se ajuste as novidades do tempo presente e que aceite, no interior da Igreja, "ajustes"(o termo certo é mudanças) litúrgicos, doutrinais, pastorais aos novos tempos. O pedido de João XXIII, quando da convocação do Concílio, em prol da adaptação da doutrina ás circunstâncias dos tempos e lugares, é a base da idéia - nova - de comunhão. Comunhão sempre foi entendida na Igreja como união com a fé dos santos, apóstolos e doutores. Hoje é vista como "unidade" de ação e pensamento com as estratégias pastorais de agora. A noção de Jaques Maritain de irreversibilidade do mundo moderno e da modernidade como realizadora de certos ideais cristãos é assumida, de forma consciente em alguns, inconsciente em outros,como o novo dogma a ser assumido por católicos: a Igreja deve se pautar pelo que acontece agora no mundo, nas tendências morais de cada época; estar em comunhão é "entrar na dança": quem quer que fique "preso" a formas tradicionais é acusado de estar fora da comunhão. 

Esse primado da pastoral, dogma da neoigreja, que se impôs a partir do Concílio Vaticano II é a versão teológica do primado da práxis de Karl Marx, para o qual "é na práxis que o homem deve demonstrar a verdade, ou seja, a realidade e o poder, o que há de mundano em seu pensamento". A práxis, ou resultado político da ação na história, é, para Marx, o critério sumo da verdade das idéias. A partir do Concílio Vaticano II ficou a noção de que a missão dos pastores não é transmitir dogmas mas transformar a História por meio da fé, mas de uma fé sem dogmas é claro.Isso se esclarece a partir do que dizia o Cardeal Bea: " os frutos do Concílio devem ser procurados não nos textos fixados no papel, mas nas experiências feitas pelos participantes...isto aplica-se de modo especial ao campo ecumênico"( Bea, Agostino. Il cammino all' unione dopo il Concilio. Morcelliana, Brescia, 1966, p.10). Na neoigreja a ortopráxis passa a ser o critério de verificação da fé: se a práxis de fé altera a história no sentido de uma utopia social, então ela é verdadeira.Como Dom Livieres não conseguiu caminhar nesse sentido foi punido.

O que está por trás da destituição de Dom Livieres, senão a colocação em prática desse projeto de "Igreja" em comunhão com o mundo, projeto acalentado faz 50 anos, e hoje aplicado com afinco no novo pontificado que depois de ter vitimado os franciscanos da imaculada, afastado os poucos elementos conservadores da cúria - incluído aí o Cardeal Burke - agora persegue um bom e zeloso bispo? 

Rezemos por esse mártir da fé e pela libertação da Igreja dessa malta de hereges que hoje a governam.





quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Filosofia cristã : Tomás de Aquino e o conhecimento!


 Santo Tomás, o doutor angélico, fonte seguríssima para os católicos inclinados a filosofia.


Entre tantos objetivos, nosso blog quer contribuir para a reativação de uma autêntica visão de mundo católica, hoje abandonada até pelo clero, em avançado estado de putrefação modernizante desde o Concílio Vaticano II. 

Uma das causas dessa putrafação dogmática, moral, pastoral, etc, foi o abandono da teologia e da filosofia de Santo Tomás, apresentado por Leão XIII como a base sobre a qual o ensino da teologia nos seminários, deve estar fundado.

Para piorar ainda mais essa situação, hoje nos meios católicos ditos conservadores, a influência deletéria de Olavo de Carvalho, que ao contrário do que ensina Santo Tomás, preconiza um  método intuitivo de conhecimento, é a base de formação filósofica destes mesmos católicos, incapacitados em geral, para reconhecer os riscos e problemas daí advindos. 

Começamos aqui um estudo sistemático da filosofia de Santo Tomás de Aquino a partir de sua noção de abstração, pois entendemos que sua filosofia é o remédio para os os males atuais. 

Segundo Tomás o homem conhece, partindo, sempre dos sentidos: corpo e alma que somos, nossa forma de conhecer é conexa a nossa natureza. Dependemos, portanto, dos sentidos para iniciar nossa trajetória para o saber. O que captamos com os sentidos são os entes particulares (Ex.: Um cão da raça dálmata, fêmea, 2 anos, ou seja um ente com marcas particularíssimas, não encontradas em outro ente). As imagens ou fantasmas(gravadas na memória) dos particulares depois de captados, armazenados e preparados, progressivamente, pelos sentidos externos(olhos, ouvidos, etc.) e internos(memória), respectivamente são o terreno de onde nosso intelecto parte para obter o conhecimento. Cabe ao intelecto, ir até eles e extrair ou abstrair, desses, a sua essência (quididade), que passa a ser o objeto próprio de sua atividade, conforme diz o próprio Tomás: “O intelecto humano, unido ao corpo, tem como objeto próprio a quididade ou a natureza existente na coisa corpórea [...] que ele abstrai dos fantasmas..."(S. Th., q. 84, a. 7/85, a. 8). 

O santo estabelece que o intelecto tem duas operações básicas:

1- A intelecção dos indivisíveis: por ela conhecemos o que a coisa é. 

Ela é de acordo com o grau que ocupa entre os entes quer seja uma coisa completa(logo uma substância: um homem é uma substância pois em si mesmo é uma coisa distinta de outras,com atributos próprios) quer seja uma parte(logo um acidente: o sexo de uma pessoa humana é acidental em relação a sua natureza - para ser homem não é preciso ser macho ou fêmea, sendo acidental o sexo do mesmo- já que é aquilo que não é necessário existir para que o homem seja humano). 

2- Composição e divisão: por elas se formam enunciados verbais afirmativos ou negativos onde podemos dizer que algo é(composição) ou que não é( divisão). 

Por exemplo: enunciamos uma composição quando dizemos que o homem é racional( a racionalidade é atributo do homem compondo sua natureza) e enunciamos uma divisão quando dizemos que a cor é acidente do móvel( a cor marrom, preta ou branca de um móvel não é atributo de sua natureza, mas apenas um acidente). 

Nesta operação não podemos separar o que está unido na coisa. Não podemos, por exemplo, separar no homem, o corpo da alma, pois somos seres anímico-físicos, não somos anjos. Podemos sim distinguir o corpo da alma, como dois princípios diferentes. Não se separa na árvore o tronco do galho: na coisa substancial que é a árvore tronco e galho são partes da mesma substância. 

É na primeira operação que se dá a abstração. O intelecto agente é, eminentemente, ativo e tem duas funções: primeiro, a de extrair a natureza universal dos fantasmas, que se encontra em potência, e, segundo, atualizá-lo, para que seja impresso no intelecto possível ou passivo, agora já em forma de ato, conforme diz o próprio Tomás: “É necessário admitir-se uma virtude, no intelecto, que atualize os inteligíveis, abstraindo as espécies das condições materiais. É essa a necessidade de se admitir um intelecto agente” (S. Th. I, q. 79, a. 30).

Há dois modos de abstração:

1- Do todo em relação a parte.

Por exemplo: o estado(todo)em face de suas instituições(partes).

2- Da forma em relação a matéria.

Por exemplo: o móvel(forma) em relação a matéria(madeira) de que é feito.

Toda coisa é inteligível na medida em que está em ato que é aquilo a partir do qual uma natureza obtém sua determinação ou razão de ser. 

Quando uma natureza comporta uma dependência em relação a "algo de outro", então ela não pode ser compreendida sem este outro: 

Esta relação pode ser de três tipos:

1- Da parte em relação ao todo( o pé - parte - de um animal - todo. O pé do animal só poder inteligido como pé de um animal referido a natureza do animal.)

2- Da forma com a matéria( Arrebitado - forma - para com a matéria nariz. Arrebitado é forma própria de narizes).

3-Necessária em se tratando de coisas distintas( Pai para com o filho - um pai só é pai se tem filho).

Quando algo não depende de outro, de acordo com a determinação de sua natureza, então pode ser abstraído desse outro e ser inteligido sem ele, seja qual for a relação que tenham. 

Por exemplo : no enunciado " A brancura de um homem" temos brnacura e homem, duas coisas que podem ser inteligidas por si mesmas pois não estão referidos, necessariamente um ao outro. 

Terminamos aqui o primeiro artigo sobre a filosofia tomista. Adiante seguiremos. 

Bibliografia:

1-AQUINO, Tomás de. Suma contra gentios. Trad. de Odilão Moura, 
Ludgero Jasper e Luis Alberto de Boni. Porto Alegre: SULINA, EST, 
UCS, 1990.

2- ______. Suma teológica – parte I, questões de 75-89. In: DE BONI, 
Luis Alberto. Textos (sel. e trad.). Porto alegre: Edipucrs, 2000, p. 
223-261.

3-BOEHNER, Philotheus ; GILSON, Etienne. História da fi losofi a cristã: desde as origens até Nicolau de Cusa. 5. ed. Trad. de Raimundo 
Vier. Petrópolis: Vozes, 1995. p. 471.