sábado, 17 de agosto de 2013

Resposta ao Tradição em foco com Roma ao artigo sobre o Rock !!


“ O único fim, o único objetivo de toda música é o louvor a Deus e a recreação da alma. Quando isso se perde de vista, não pode haver mais verdadeira música, restam somente ruídos e gritos infernais.”
                                               Johann Sebastian Bach
As falas do Artigo do Tradição em Foco com Roma estão entre aspas : as minhas sem aspas.

A resposta é de caráter intelectual.Não tem portanto intenções de atingir pessoas.Ao David Conceição , autor do blog , fica a resposta como um contributo ao debate sobre o assunto que ao meu ver é imprescindível.

“Gostar do rock ou do pop não significa absorver a cultura que existe em torno de algumas figuras que propagam esse gênero musical.”
 
Sim significa : o rock não é apenas um ritmo mas um movimento cultural.Ora ouvi-lo é cultivar o hábito musical do rock.O que é cultura senão hábitos ? Que exista quem o ouça mas não se inspire na conduta dos seus próceres não nego.No entanto esse fenômeno é esquizofrênico pois consiste em cultivar um hábito que está ligado a uma filosofia de vida.Consiste em submeter seus ouvidos a uma estética musical sem a devida consciência de suas implicações culturais ; isso torna tal conduta perigosa pois se funda em um gosto semi-inconsciente das implicações morais do movimento rock.E essa semi- inconsciencia abre portas para influencias danosas em vista da ausência de uma reflexão sobe o assunto.
 
Ademais é claro que o cultivo do hábito musical do Rock garante o financiamento do movimento cultural que lhe dá base : shows , eventos , musicais , CDs , DVDs , que em suma espalham a ideologia por trás do ritmo.
 
“Como distração, eu acredito que seja uma coisa em si neutra”.
 
O problema está em considerar o rock , ou qualquer música como distração. A arte enquanto atividade ligada ao Belo , um dos transcendentais , existe pra a educação do homem e não apenas para o deleite ou mero esteticismo.O mundo moderno pretendeu fazer da arte um objeto de consumo e lazer.Isso está errado: música não pode ser mero lazer , tem que ter dimensão educativa.Tem que existir para forjar na alma a idéia do Belo em si.
 
“A princípio, gostaria de lembrar que este tema é uma questão em aberto, não fechada pelo Magistério, portanto, DISCUTÍVEL.”
A questão é discutível mas depende , para ser discutida com objetividade de um recurso a tradição da filosofia do Belo.Fora dos princípios da sã estética não se pode discutir nada que envolva arte musical.E para isso a absorção da tradição filosófica platônica e aristotélica sobre o problema musical é essencial.
“Os dois primeiros são basicamente desconhecidos e suas opiniões são irrelevantes.”
 
Não David , você sabe que ambos não são desconhecidos.E quanto a suas opiniões serem irrelevantes , não elas não são : sobretudo as do Pe  Labouche que tem um estudo extremamente preciso sobre o tema e tão profundo que só quem conhece bem teoria musical entende direito.Há em seu artigo uma ótima análise que envolve a matemática das notas musicais e a relação destas com a harmonia em diversos ritmos que é de tirar o chapéu.Antes de depreciar o trabalho dele você deveria lê-lo aprofundadamente e caso não concordasse produzir uma refutação científica.Não é com um artigo de meia página que se faz isso.Aliás eu não vi aqui nenhuma refutação.A não ser que você considere que dizer que duas pessoas são desconhecidas constitua uma refutação.Ainda que o fossem o mérito de uma tese tem que ser enfrentada em outro contexto e não com recursos retóricos.
Lembrando o que o Pe Labouche diz : "Deixaremos de lado a vida particular e os costumes dos roqueiros. Mas sabemos como a sensibilidade pode ser fortemente desestabilizada pelo emprego de ritmos devastadores ou de dissonâncias sistemáticas, e isso não contribui, evidentemente, para a santificação pessoal,inconcebível sem o domínio das paixões."
Não se trata de discutir a vida pessoal dos rockeiros mas do caráter da música rock.
 “Quanto ao Cardeal, ninguém é obrigado a concordar com o Cardeal Ratzinger escreveu num livro só com sua autoridade de teólogo.”
A questão é a seguinte : o que o Pe Labouche escreveu e o que Ratzinger disse tem mais autoridade que este artigo.A questão é de peso autoritativo maior no âmbito intelectual não de obrigação de fé.
“Ser algo negativo não significa ser algo que leve alguém a pecar.”
O que é ser negativo ? Parece me que você não define claramente aqui o conceito de negativo.

“O cigarro é negativo para a saúde mas não leva por si ao pecado.”
Fumar em si não é pecado; ouvir rock em si também não.Se eu passo pela rua e está tocando um rock em uma loja não peco por isso.Mas a questão é outra : o rock tem ou não potencial de revolucionar a reta ordem da alma através da sujeição dos sentidos ao gosto por um ritmo que –aqui não há dúvida: todos os historiadores , antropólogos e sociólogos do movimento rock  são unânimes em reconhecer seu caráter contra cultural- foi criado para a catarse ? (Eu digo que tem por experiência própria : fui rockeiro quando mais jovem , freqüentei o ambiente underground do mundo rock.Tinha dezenas de CDs , DVDs , etc...como tem o cigarro de desequilibrar a ordem química do cérebro por conta da nicotina).Entre a perversão química e a anímica qual delas é mais danosa?
“Alguns acusam os puritanos de não separar adequadamente as coisas. Eu penso justamente no contrário. O puritano é o que separa demais, analisa demais, desmembra demais as coisas da amálgama que existe e compõe a própria realidade.”
 
Você não define nem o que seja puritano nem de que puritanismo fala.Daí vira uma acusação vaga : basta não aprovar o rock para ser puritano.Esse termo tem uma história específica , ligado a um movimento protestante.Portanto mais rigor no uso deste conceito.
“Para um tratado de metafísica, seria ótimo, mas para uma avaliação da vida espiritual, não adianta de nada.”
Fazes uma confusão tremenda aqui : decompor e analisar é o método por excelência da razão – consiste em distinguir o que é que ! Então a metafísica tem isso.A vida espiritual exige em certa medida também essa distinção das coisas: distinguir o que é nossa vontade e o que é vontade de Deus , quais são os nossos apetites ( ira , concupiscência ) , nossos afetos , amores , ações para julgar tudo a luza da verdade revelada.A vida espiritual é conhecer a si mesmo a luz de Deus.Enquanto conhecimento que é, exige também a distinção e a análise de nossa vida interior ; é isso que se chama exame de consciência”
 “Nem tudo é separável, e praticamente tudo o que é separável existe apenas como abstração (ou seja, não existe "por si só" na realidade).”
Outra confusão : em termos de realidade as coisas existem juntas o que não quer dizer que não sejam distintas: alma e corpo existem juntas no homem mas uma não se reduz a outra.São absolutamente distintas em termos ontológicos.A abstração o que é ? A intelecção da essência.As essências são reais mas não materiais.São imateriais e imutáveis.Tudo quanto existe nesse mundo físico em que estamos é separável em termos de forma e matéria.Não existe a matéria pura sem forma.Dizer que algo que é separável existe apenas como abstração é dizer que só existe na mente do sujeito conhecedor( Exemplo : a forma de pássaro só existe na mente e não no pássaro  em si.Isso é nominalismo).Creio que você não tenha dito isso mas a construção da frase dá a entender.
“Princípios e tratados não levam ninguém para o céu, nem mesmo decorar a Suma Teológica. Mas enxergar a vida como meta, como projeto, como caminho para a santidade, e precaver-se de tudo o que possa obstrui-la (sem perder tempo com debates pseudo-intelectuais), isso sim é necessário e essencial ao cristão para se salvar”
Sim mas o que isso tem a ver com o assunto ? O que seriam debates pseudo intelectuais ? Muitos consideram o Rock um obstáculo para a vida e santidade.É isso que deve ser discutido e não a Suma ou os princípios !
 
“Há algum tempo, porém, descobri que o rock deve o seu nascimento a igrejas evangélicas dos EUA: surgiu como um ritmo explosivo que acompanhava fortes experiências religiosas.”
Apresente as provas disso !
“não adianta explicar muito em termos técnicos, musicais, rítmicos e históricos, o que é rock e o que não é. Até os músicos estão em desacordo quanto a isso.”
O DESACORDO não prova que não se possa chegar a um conhecimento sobre o assunto.Simplesmente parar o exame por que não há acordo é ridículo.Justamente por que não há é que tem que ser discutido.Não há acordo sobre quase nada nesse mundo.
“Ora, há bandas e bandas, e não se pode generalizar”
Sim se pode ; tanto que o uso do termo Rock para qualificar bandas diferentes indicam isso : que o conceito de rock convém a todas apesar das diferenças acidentais.
“Se quisermos ser santos fazendo a vontade de Deus, teremos que necessariamente nos mortificarmos e termos uma visão espiritual de nossa caminhada, e isso é católico.”
Mortificar implica em deixar gostos também.
“Vamos raciocinar - há uma guerrilha desnecessária contra o Rock - cujo reação de fãs em shows no que se diz respeito a uso de drogas entre outras coisas, pode acontecer com qualquer outro ritmo e qualquer outra aglomeração de pessoas, que estão entrando na onda anti-cristã e que não são poucas.”
O fato é que não acontece : um show de pagode e sertanejo não tem consumo de drogas como em um show de rock.O que não significa que eles sejam bons ( basta lembrar o estímulo que estes ritmos – excluo daí o sertanejo de raiz -  fazem a liberação sexual).O anticristianismo em diversas bandas de rock é mais explícito.E mesmo bandas mais comportadas podem ser porta de entrada para as mais pesadas.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

DOSSIÊ DOM HELDER : O ARCEBISPO QUE COMUNISTIZOU A IGREJA NO BRASIL !



Dom Helder , dito o "profeta da paz"!

Caros amigos são muitos os que chamam Dom Hélder de profeta, santo, etc. Há até quem defenda sua canonização. Há, decerto, os ignorantes : pensam que Dom Hélder era um homem fiel a Igreja e que se notabilizou pelo auxílio aos pobres. Outros, maliciosamente reconhecendo sua preferência pelo socialismo - condenado pelos Papas e proibido de ser professado por católicos sob pena de excomunhão - tentam tergiversar sobre esta faceta obscura de Dom Hélder dando a entender que o "socialismo" do arcebispo era outro e que associá-lo ao marxismo foi produto de uma acusação criada para desmoralizá-lo.

Portanto este de artigo visa provar que Dom Hélder era comunista e que a acusação é pertinente.

Em 1947 , o Padre Hélder organizou o secretariado nacional da ACB ( Ação católica brasileira ) que tinha a finalidade de integrar leigos e a Igreja. Movimento espalhado pelo mundo inteiro e implantado no Brasil pelo Cardeal Leme em 1935, agora ele contaria com a vasta experiência do Padre Hélder que já havia militado no integralismo nos anos 30. Anos depois Dom Hélder diria de sua passagem pelo integralismo que "foi um erro de juventude". O aspecto social não era um forte dos meus mestres no seminário. Nossa visão era de que tudo se dividia em capitalismo e comunismo. E nos sopravam discretamente que dos males o menor. Pouco a pouco foi fácil ver que esse embate não era verdadeiro".

Sabe-se que nos anos 50 a ACB sofreu forte influencia de pensadores católicos humanistas - como Emmanuel Mounier (Mounier, segundo o padre Lima Vaz, "foi o mestre mais seguido pela juventude católica brasileira" dos anos 60 : rejeitando categoricamente o sistema capitalista, ele considera que os cristãos podem aprender enormemente com o marxismo. Definindo sua própria filosofia social, ele escreve em 1947: "O personalismo considera que as estruturas do capitalismo são um obstáculo que se levanta no caminho da libertação do homem e que elas devem ser destruídas em proveito de uma organização socialista da produção e do consumo". E. Mounier, "Qu'est-ce que le personnalisme?" (1947), Oeuvres, III, Paris, 1963, p.244.), Teilhard de Chardin (Chardin teve suas obras condenadas pela Igreja por conta de seu monismo e de seu evolucionismo.O Santo Ofício solicitou ao Arcebispo de Paris que detivesse a publicação das obras. Em 1957, um decreto deste mesmo órgão decidiu que estes livros fossem retirados das bibliotecas dos seminários e institutos religiosos, não fossem vendidos nas livrarias católicas e não fossem traduzidos. Este decreto não teve muita adesão. Cinco anos mais tarde, uma advertência foi publicada, solicitando aos padres, superiores de Institutos Religiosos, seminários, reitores das Universidades que "protejam os espíritos, principalmente o dos jovens, contra os perigos da obra de Teilhard de Chardin e seus discípulos". Segundo esta advertência, "sem fazer nenhum juízo sobre o que se refere às ciências positivas, é bem manifesto que, no plano filosófico e teológico, estas obras regurgitam de ambiguidades tais e até de erros graves que ofendem a doutrina católica") e Jacques Maritain( Pai da noção de uma “cristandade laica”- uma civilização cristã sem um eixo religioso cristão , onde apenas a lei natural seria a norma e onde se faria a síntese do dogma católico com os princípios iluministas da liberdade religiosa e de consciência e igualdade; em suma Maritain defendia uma “cristandade” nova sem referência a Cristo!)  além do Padre Louis Joseph Lebret (1897-1966), dominicano francês ligado ao movimento Economia e Humanismo, que durante a década de 50 influenciou o “pensamento social católico” diretamente ligado aos agentes da ACB.

Em suma : a ACB se transformou, nas mãos de Dom Hélder, em uma plataforma para  uma síntese entre fé católica e marxismo que se realizaria através do influxo teológico e filosófico das idéias de Mounier , Maritain , Chardin , etc.

Na mesma época Dom Helder articulou com a Santa Sé a criação da CNBB ( Conferência nacional dos Bispos do Brasil) com o claro objetivo de unificar a ação pastoral da Igreja no Brasil em torno das novas orientações que impunha a ACB , orientações de cunho socialistizante.

Dom Hélder na época dizia que à CNBB visava “coordenar e subsidiar as atividades de orientação religiosa , de beneficência , de filantropia e assistência social( In : Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro p. 1525)” em todo o Brasil. A atividade da CNBB nos anos que se seguiram ficaram mais marcadas por ações no campo social que por assistência caritativa ou orientação religiosa.

A criação da CNBB por meio da ação direta de Dom Helder tem uma razão específica : enfraquecer a posição do então líder da Igreja no Brasil , o Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara , arcebispo do RJ e herdeiro do Cardeal Leme. O projeto eclesial do Cardeal Leme, continuado pelo Cardeal Barros Câmara, era a romanização dos ambientes católicos do Brasil ainda muito marcados por um catolicismo popular , pietista e sentimental.

Para Dom Hélder a figura de Dom Jaime como líder da Igreja no Brasil e porta voz dela era um escolho pois impedia que a Igreja Brasileira respirasse ares novos. A idéia de criar a CNBB amadureceu durante o Congresso mundial de Leigos em Roma em 1950 onde através de contatos com o Monsenhor Montini – futuro Papa Paulo VI- Dom Hélder consegue do Papa PIO XII a criação da CNBB.

Deste modo a CNBB brota de certo modo da ACB pois Dom Hélder, na qualidade de seu assistente , dela se valeu para convocar os dois primeiros encontros da hierarquia eclesiástica. Com a ligação estreita da ACB com a CNBB a primeira ganhou muito pois, ficando livre das diretrizes de cada bispo diocesano – alguns bispos  avessos a linha progressista da ACB costumavam limitar seriamente seu ativismo- passou a tratar diretamente com um órgão de representação nacional o que lhe trouxe mais autonomia para se manifestar sobre questões de ordem temporal, ou seja , para se posicionar a favor do marxismo sem precisar prestar contas aos bispos. Contando com a ajuda da CNBB a ACB pode se desviar, pouco a pouco, da Doutrina Social da Igreja e experimentar a síntese do pensamento social católico com as idéias marxistas.

No fim da década de 50, a ACB se aproximou decididamente de setores da esquerda política formando o que viria a ser a teologia da libertação.

A CNBB, sob influxo de Dom Helder que, segundo Della Cava, se tornou desde então o “líder de fato da Igreja Brasileira” ( In : Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro p. 1526), tornou- se rapidamente um órgão para a socialistização do catolicismo no Brasil : de um catolicismo popular pietista predominante e de uma tentativa de romanização sem sucesso nos anos do Cardeal Leme, para um catolicismo social engajado em lutas temporais. Em 1956 a CNBB liderou uma grande reunião em Campina Grande com ministros do Governo Kubitschek para “discutir os problemas socioeconômicos da região”.

Ainda nessa época Dom Hélder dava inicio à “Cruzada de São Sebastião” com caráter imanentista  que buscava :
1-Promover, coordenar e executar medidas e providências destinadas a dar solução racional,humana e cristã ao problema das favelas do Rio de Janeiro;

2. Proporcionar, por todos os meios ao seu alcance,assistência material e espiritual às famílias que residem nas favelas cariocas; mobilizar os recursos financeiros necessários para assegurar, em condições satisfatórias de higiene, conforto e segurança,moradia estável para as famílias faveladas;

3. Colaborar na integração dos ex-favelados na vida normal do bairro da Cidade.

Embora a Arquidiocese do RJ já tivesse a Fundação Leão XIII que cuidava da assistência social aos mais pobres , Dom Helder resolveu criar a cruzada pelos seguintes motivos :

a)      Aproximação da Fundação Leão XIII com setores políticos conservadores e antimarxistas como a UDN.

b)      A Cruzada São Sebastião se concretizou graças ao apoio do pacto populista representado pelo Partido Social Democrata (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) mais inclinados ao socialismo. 

Vejamos que os objetivos da Cruzada eram primariamente materiais : em primeiro lugar dar assistência material e só depois espiritual. Mas não nos enganemos : a Cruzada não tinha nenhum escopo evangelístico ou catequético. Não havia um plano de assistência religiosa as famílias pobres no sentido de formá-las dentro da fé católica .Os objetivos da Cruzada eram basicamente materiais : dar conforto , higiene , segurança. Há que lembrar que muitos dos moradores das favelas eram imigrantes do interior do Brasil vindos para o sudeste em busca de trabalho, diante do surto industrial que o país vivia. Muitos desses imigrantes perderam ,na vida da cidade grande,  a cálida experiência de religiosidade e piedade tradicional católica  proporcionada pela vida no campo. Ainda que esta experiência de piedade católica fosse marcada por supertições populares, elas criavam um caldo de cultura  -ainda que apenas superficialmente católica- que mantinha gerações e gerações ligadas umbilicalmente a Igreja. Nos ambientes urbanos essa cultura não existia. A assistência da Igreja se fez sentir no campo social , mas no campo religioso essa assistência era de menor grau ou nula. A despreocupação do clero com a questão da catequese abriu espaço para a proliferação das seitas neopentecostais de cunho protestante que invadiram os grandes centros urbanos e se espalharam , sobretudo sobre as periferias. A "cruzada" de cruzada só tinha o nome : não visava a conquista espiritual dos pobres mas apenas a atenuação de sua pobreza material

A cruzada contou ,  para o plano de urbanização, com a ajuda de arquitetos que buscavam, através do planejamento dos imóveis a serem construídos para abrigar os favelados, estimular o empoderamento do pobre em face das classes superiores dando-lhe acesso a vida em apartamentos que lhes proporcionassem uma nova consciência capaz  de afrontar a questão da desigualdade de classes : “nos anos 40, o apartamento já era um símbolo de status para parte do universo das camadas médias brasileiras: “(…) o apartamento não surgiu, entre nós, como um recurso para atender às necessidades das classes modestas; até uma certa época, cuja limitação ainda não se pode definir perfeitamente pelo efeito da proximidade dos dias que correm, o apartamento foi, pode-se dizer, um luxo; hoje, se ainda não deixou de ser um luxo, tornou-se para a pequena burguesia dos funcionários públicos e empregados uma necessidade de aparência, de aproximação com a classe superior.” (In : CONSTRUÇÃO CIVIL.O observador Econômico e Financeiro, Rio de Janeiro, ano 7, n. 76, p. 13-21, mai. 1942. p. 14-15.) A cruzada seguiu uma tendência inovadora na arquitetura da habitação social brasileira, a qual fora influenciada pela vanguarda moderna e socialista européia dos anos 20 (formada por expoentes de movimentos e tendências artísticos como o Construtivismo russo, De Stijl e Bauhaus).O objetivo era claro : comunistizar a mentalidade dos pobres através de uma experiência estética e arquitetônica que dessa vasão a ideais coletivistas

Muitos bispos , clérigos e leigos marginalizados com a nova orientação que a Igreja no Brasil tomava se engajaram sob a liderança de Plínio Correa de Oliveira na criação da “Sociedade de defesa da Tradição , Família e Propriedade(TFP)" contrária ao catolicismo com engajamento social criado por Dom Hélder e asseclas. O núncio Dom Lombardi , porém , apoiava a facção social da CNBB , o que demonstra que ,sob o Pontificado de João XXIII, haviam ventos favoráveis soprando para Dom Hélder e a CNBB confirmando – os nessa linha de engajamento social marxistizante.

A influência de Dom Hélder não pararia na CNBB, mas se estenderia por toda a América Latina: em 1958 foi delegado do Brasil na 1 reunião do CELAM ( Conferencia Episcopal Latino Americana). Depois em 1960 foi eleito segundo vice presidente do CELAM.

Livro que prova a ligação da JUC com o PC do B
Nesse contexto nasce a JUC ( Juventude Universitária Católica) no seio da ACB que era dominada pelo Arcebispo dos pobres. a JUC dos anos 1960-62 representou a primeira tentativa, em todo o continente, de desenvolver um pensamento “católico” utilizando elementos do marxismo. Apesar de seu fracasso imediato, lançou sementes que iriam germinar mais tarde - no Brasil e no conjunto da América Latina. Com razão Pablo Richard se refere ao Congresso dos 10 anos da JUC (1960) como "o início de uma nova etapa na história do cristianismo brasileiro e latinoamericano"(in :Pablo Richard; Morte das cristandades e nascimento da Igreja, S.Paulo, Edições Paulinas, 1984, p.154.). Cabe acrescentar que se tratava não só do movimento estudantil universitário : a JUC foi para o  campo da educação popular (MEB) e mais tarde para o terreno da ação política (AP).

Os ideólogos jucistas diziam não se inspirar em Marx mas ao mesmo tempo rejeitavam o tabu anti-marxista( rejeitam portanto que sejam contrários ao marxismo , ao menos lhe reconhecem alguns méritos e algum valor ); segundo dizia o líder da JUC Herbert de Souza( O conhecido sociólogo Betinho que nos anos 90 criou o programa "Natal Sem Fome"), "não temos Marx como mestre, pois já tínhamos um outro, antes. Mas sabemos ler também Marx". As principais referências dos documentos da JUC são estritamente católicas: Santo Tomás, Leão XIII, Pio XII, João XXIII, etc. Porém cabe dizer que embora a  JUC não  tenha aderido a nenhum modelo existente de marxismo no Brasil -como o PCB, ou alguma de suas dissidências -  trata de fazer sua própria leitura do pensamento de Marx e da realidade brasileira e chega a ter até conclusões bem mais radicais que o PCB, alinhado com o populismo governamental.

Diante disso tudo fica a questão : Por que o Brasil foi o primeiro país em que esta mistura absurda , herética e diabólica de cristianismo e marxismo pôde se desenvolver - conseguindo, no curso dos anos de 30 a 60, maior impacto do que em qualquer outra Igreja da América Latina?

A resposta é clara : não fosse a articulação de Dom Helder isso não teria sido possível. Foi através dele que o marxismo chegou a ACB e por meio dela aos mais diversos ambientes eclesiais. Sem a fundação da CNBB, sob os auspícios de Dom Hélder, a generalização da linha socializante de ação da Igreja no Brasil não teria sido possível. Sem as articulações de Dom Helder a JUC não existiria e nem tampouco a Teologia da Libertação. Dom Helder é o culpado pela socialistização da Igreja no Brasil.

Gramsci , pai do marxismo cultural.
Dom Hélder atuou aí como um intelectual orgânico do marxismo,  infiltrado na Igreja para fins de subversão , dentro dos quadros teóricos do pensamento de Antônio Gramsci que entendia ser fundamental “terrestrializar o pensamento” para efetivar o socialismo. Como afirma Olavo de Carvalho “Gramsci, teórico do socialismo e militante do partido comunista italiano ,  estava particularmente impressionado com a violência das guerras que o governo revolucionário da Rússia tivera de empreender para submeter ao comunismo as massas recalcitrantes, apegadas aos valores e praxes de uma velha cultura. Gramsci descobriu que era necessário amestrar o povo para o socialismo antes de fazer a revolução. Fazer com que todos pensassem, sentissem e agissem como membros de um Estado comunista enquanto ainda vivendo num quadro externo capitalista. Quando viesse o comunismo, as resistências possíveis já estariam neutralizadas de antemão e todo mundo aceitaria o novo regime com a maior naturalidade. O que interessa realmente é mudar as estruturas profundas de pensamento: os valores, os símbolos, a linguagem etc., e tudo, de preferência, sem nem falar em propaganda comunista. Isto vai criar uma mutação cognitiva, as pessoas vão passar a julgar de outra maneira, e é preciso que esse processo seja tão lento que seja imperceptível. Gramsci percebeu que era necessário infiltrar-se nas organizações dedicadas à cultura, nas redações dos jornais, nas comunidades religiosas.”

Nesse quadro nada era melhor que usar a Igreja Católica como aliada na luta pelo marxismo.

Dom Hélder ao deslocar o eixo da Igreja no Brasil dos assuntos de cima( salvação , santidade, vida terna , pecados , virtudes , oração ) para os de baixo ( salário , moradia , emprego , justiça social ) , apelando para a caridade cristã com o próximo , atua subvertendo o sentido ínsito da fé católica com propósitos revolucionários marxistas mas não sem vestir tal subversão com uma capa de aparências piedosas –  o apelo a virtude da caridade e ao desapego aos bens materiais na verdade serviam, dentro do projeto da CNBB, não à edificação do homem católico e da cristandade, mas sim a um projeto político ideológico identificado com o socialismo.

Se trata aí da tática gramsciana dos marxistas, que descobriram que o método mais promissor para chegar ao poder é dominando a cultura nacional o que implica em um processo para lograr uma forte influência na religião, nas escolas, nos meios de comunicação e nas universidades. É neste contexto que se deve entender a teologia da libertação: como uma doutrina política disfarçada de crença religiosa com um significado anti-papal e anti-livre empresa, destinada a enfraquecer a independência da sociedade face ao controle estatista-socialista. 

sábado, 3 de agosto de 2013

Evo Morales a ponto de criar uma Igreja Católica Nacional na Bolívia

Depois de participar da missa de encerramento da JMJ Rio2013, o presidente da Bolívia, Evo Morales, regressou a seu país com novos brios para reforçar a fundação da denominada “Igreja Católica Apostólica Renovada do Estado Plurinacional”.
 
O bispo de Oruro, uma das dioceses onde se faz esse experimento, Dom Cristóbal Bialasic, adverte que o governo (de Morales) pretende dividir a fé dos bolivianos com isso que “não é bem uma Igreja, mas sim uma seita”.
 
“Sejamos sinceros – disse Dom Bialsasic –, é uma seita que se começou a formar e é promovida pelo Estado, nem tanto pelo Estado, mas pelo governo”.
 
O bispo afirma que é arbitrária a maneira como se quer consolidar esta iniciativa. O próprio Morales em 2008 qualificou a Igreja Católica como um “instrumento de dominação”. 
 
A estratégia do presidente boliviano é similar à medida do – em 1926 – regime perseguidor da Igreja no México, liderado por Plutarco Elías Calles, que nomeou o sacerdote cismático José Joaquín Pérez Budar (Santiago Juxtlahuaca, 16 de agosto de 1851 - Cidade do México, 9 de outubro de 1931) como patriarca da “Igreja católica apostólica mexicana” para substituir a Igreja Católica.
 
Na Bolívia já se fala da imposição de um “arcebispo primaz”, o ex-sacerdote católico Ariel Ticona, um padre que foi expulso da Igreja Católica por mau comportamento. 
 
Como boa parte das estratégias seguidas por Morales, esta é reflexo de algo que já se fez na Venezuela, no Peru e no Equador: atacar a Igreja Católica.
 
Em uma ocasião recente, Evo Morales manifestou suas dúvidas de que os roubos de bens da Igreja católica na Bolívia não tinham sido cometidos pelos próprios bispos desse país. 
 
A imprensa boliviana qualificou de “oportunista” a viagem de Evo Morales ao Brasil para participar da missa de encerramento da JMJ. O que ele queria, segundo a imprensa, eram fotos com o Papa Francisco, que ele considera um partidário da teologia da libertação. 
 
“São atitudes lamentáveis”, considera Dom Bialasic. “É uma invenção do governo. Dá pena porque muita gente vai se deixar levar por esse engano”, afirmou.
 
A “Igreja Católica Apostólica Renovada do Estado Plurinacional” está completamente alinhada com o regime político, que tenta impor um novo culto oficial no país.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Resposta ao sr Guilherme vocalista do Rosa de Saron

Visual "católico" do vocalista Guilherme do Rosa.Jesus aprova !!
Bom srs o Vocalista do Rosa de Saron pronuciou recentemente diversas heresias na rede globo :

Chama católicos que creem no Dogma "Fora da Igreja não há salvação" de bitolados

Afirma que isso é coisa do século passado, ou seja , afirma que Dogmas de fé podem ficar caducos

Fala de respeito as outras religiões : o que a Igreja venera nelas são as sementes de verdade natural que orientam para Cristo e não elas em si mesmas.

Fora isso cometem erros crassos : falam de João Paulo II e passam por cima de Bento XVI - que certamente devem odiar - dizem que a China tem 1 bilhão de habitantes ( Nem Geografia eles conhecem : a China tem 1,2 Bilhões ) todos não católicos : Não ! A China tem um grande contingente de Católicos sim e que são perseguidos !

Depois da critica bem feita pelo Padre Paulo Ricardo aos disparates dele o cara se revoltou e apelou : 

Depois de receber críticas certeiras do pe Paulo Ricardo os caras se revoltaram : soltaram um nota.O Rosa de Saron , maliciosamente usou uma carta encíclica de João Paulo II que não fala de salvação fora da Igreja ,mas do chamado universal a salvação , para defender sua posição herética.  

O que se deve dizer do Rosa de Saron ? Minha resposta a eles é esta : 


Os srs do Rosa de Saron impuseram a juventude católica nestes ultimos anos em que fizeram sucesso a desordem do Rock que eles acham que pode ser batizado.O mesmo rock que produzido durante a revolução cultural dos anos 60 pretendia com seu ritmo catártico criar um clima de liberação das paixões com o fito de destruir o que restava da sociedade civilizada de origem cristã no ocidente.Malditos sejam ! Vcs são arautos do inferno , enviados de belzebu.Lançam a impressão de que são católicos para fisgar as almas para a desordem que reina em vossos espíritos amantes das coisas modernas.O sr Guilherme sem a mínima responsabilidade se vale de um visual andrógino , quase gay , que influencia negativamente a juventude a assumir posturas libertárias , ferindo assim aquilo que a doutrina católica diz sobre a dignidade do corpo.O sr Guilherme com suas musiquetas de fundo emotivo , estimula a 4 revolução , a revolução tribal tão bem explicada por Plinio Correa de Oliveira em sua obra magistral.O sr Guilherme é um agente da 4 revolução infiltrado na Igreja.O sr Guilherme auxilia o inferno sob pretexto de encaminhar ao céu.Sua obra portanto é como as dos heresiarcas do passado que em nome de Deus que é verdade pregavam a mentira.O sr Guilherme confraterniza com inimigos preclaros da Igreja Católica promovendo em seus shows apresentações de bandas protestantes que estão em conluio claro com a heresia.Por tudo isso vocês são indgnnos de carregar o nome de banda católica que  não são e nunca foram.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Patriarca russo chama homossexualismo de "sinal do apocalipse"



Hilary White
MOSCÚ, 25 de julio de 2013 (Notifam).Tradução nossa Em seu sermão de domingo neste fim de semana passado na Catedral Kazan, em Moscou, o Patriarca Kirill, Primaz da Igreja Ortodoxa Russa, alertou para o aumento extraordinário em muitos países ocidentais, o movimento homossexual. Kirill disse que a tendência de legalizar o "casamento gay" é um "sinal muito perigoso do Apocalipse".

"Significa que as pessoas estão escolhendo um caminho de auto-destruição", disse ele. Ele disse que apoia a proibição nacional, recentemente aprovado em propaganda homossexual que proibiu festas do orgulho gay tornaram-se uma característica marcante da vida nacional em outro lugar.


"Ultimamente, temos enormes tentações. Há uma série de países que optam por um pecado a ser aprovado e justificado pela lei, e há aqueles que, de boa consciência, e estão sendo punidos por lutar contra essas leis impostas por uma minoria ", disse Kirill.
Ele acrescentou que tudo deve ser feito para evitar posoble aprovar pecado "nos espaços da Santa Rússia". Caso contrário, "as pessoas estarão embarcando no caminho da auto-destruição".
A palestra ocorreu no domingo, após a aprovação na Grã-Bretanha do projeto de lei chamado "casamento gay" governo Cameron. Os líderes religiosos e defensores da democracia alertou fortemente o governo a ameaçar seriamente a aprovação liberdades democráticas fundamentais.
Forças colossais procuram "convencer a todos nós que o único valor é a liberdade de escolher", disse o patriarca ", e ninguém tem o direito de invadir esse valor, mesmo quando a pessoa escolhe o mal, mesmo quando um pessoa escolhe um comportamento socialmente perigoso. "
Mesmo as leis mais perfeitas, no entanto, não pode erradicar a corrupção, mentiras, mal e confronto, disse: "Estes podem ser erradicado apenas pela pessoa que fez uma escolha em favor do bem."
Nos últimos meses, Kirill surgiu como a voz mais forte religiosa na Europa contra o movimento internacional gigante político supostamente imparável homossexual. Seus comentários ontem, além de sua advertência em uma reunião em Moscou, em maio deste ano com o Secretário-Geral do Conselho da Europa, Thorbjorn Jagland, na qual ele disse: "Hoje nós temos um desenvolvimento muito perigoso, as leis sobre casamentos entre pessoas do mesmo sexo ea adoção de crianças, que são contra a natureza moral do homem. "
"Se as pessoas escolhem este estilo de vida," a notícia Polaco serviço Interfax citou como dizendo, "é o seu direito, mas o dever da Igreja é que é um pecado diante de Deus."
O que preocupa a Igreja Ortodoxa Russa, Kirill disse: "Não é o fato de a existência deste pecado, sempre existiu. Mas estamos muito preocupados que, pela primeira vez na história da raça humana, a lei é justificar o pecado. Isso abre a possibilidade de um desenvolvimento poderoso, que irá contribuir para a degradação moral da humanidade.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Possessão , doença mental ou destruição pensada da civilização ?

Mais uma da Marcha das Vadias :

 


Em minha opinião há do ponto de vista psiquiátrico visiveis sinais de que tais indivíduos são portadores de desvios sexuais graves , do ponto de vista psicanalítico é evidente que não possuem um superego que deve ter se desfeito a medida que foram sendo doutrinados pela ideologia de gênero , do ponto de vista psicológico exprimem uma incapacidade de empatia , uma ausência de senso social e talvez a presença de graves neuroses.Do ponto de vista da teologia esses indívíduos fortemente desordenados em sua natureza humana são decerto vítimas de possessão ou de infestação diabólica.

Do ponto de vista civilizacional a marcha das vadias corresponde sem tirar nem por a 4 revolução bem explicada por Plínio Correa de Oliveira :

"IV Revolução e tribalismo: uma eventualidade
 
- Como? - É impossível não perguntar se a sociedade tribal sonhada pelas atuais correntes estruturalistas dá uma resposta a esta indagação. O estruturalismo vê na vida tribal uma síntese ilusória entre o auge da liberdade individual e do coletivismo consentido, na qual este último acaba por devorar a liberdade. Segundo tal coletivismo, os vários “eus” ou as pessoas individuais, com sua inteligência, sua vontade e sua sensibilidade, e conseqüentemente seus modos de ser, característicos e conflitantes, se fundem e se dissolvem na personalidade coletiva da tribo geradora de um pensar, de um querer, de um estilo de ser densamente comuns.

Bem entendido, o caminho rumo a este estado de coisas tribal tem de passar pela extinção dos velhos padrões de reflexão, volição e sensibilidade individuais, gradualmente substituídos por modos de pensamento, deliberação e sensibilidade cada vez mais coletivos. É, portanto, neste campo que principalmente a transformação se deve dar.

- De que forma? - Nas tribos, a coesão entre os membros é assegurada sobretudo por um comum pensar e sentir, do qual decorrem hábitos comuns e um comum querer. Nelas, a razão individual fica circunscrita a quase nada, isto é, aos primeiros e mais elementares movimentos que seu estado atrofiado lhe consente. “Pensamento selvagem” [1], pensamento que não pensa e se volta apenas para o concreto. Tal é o preço da fusão coletivista tribal. Ao pajé incumbe manter, num plano místico, esta vida psíquica coletiva, por meio de cultos totêmicos carregados de “mensagens” confusas, mas “ricas” dos fogos fátuos ou até mesmo das fulgurações provenientes dos misteriosos mundos da transpsicologia ou da parapsicologia. É pela aquisição dessas “riquezas” que o homem compensaria a atrofia da razão.
[1] Cfr. Claude Lévy-Strauss, La pensée sauvage, Plon, Paris, 1969.
Da razão, sim, outrora hipertrofiada pelo livre exame, pelo cartesianismo, etc., divinizada pela Revolução Francesa, utilizada até o mais exacerbado abuso em toda escola de pensamento comunista, e agora, por fim, atrofiada e feita escrava a serviço do totemismo transpsicológico e parapsicológico...

A. IV Revolução e o preternatural

“Omnes dii gentium dæmonia”, diz a Escritura [2]. Nesta perspectiva estruturalista, em que a magia é apresentada como forma de conhecimento, até que ponto é dado ao católico divisar as fulgurações enganosas, o cântico a um tempo sinistro e atraente, emoliente e delirante, ateu e fetichisticamente crédulo com que, do fundo dos abismos em que eternamente jaz, o príncipe das trevas atrai os homens que negaram Jesus Cristo e sua Igreja?
[2] “Todos os deuses dos pagãos são demônios” - Sl. 95, 5.
É uma pergunta sobre a qual podem e devem discutir os teólogos. Digo os teólogos verdadeiros, ou seja, os poucos que ainda crêem na existência do demônio e do inferno. Especialmente os poucos, dentre esses poucos, que têm a coragem de enfrentar os escárnios e as perseguições publicitárias, e de falar.

B. Estruturalismo - Tendências pré-tribais

Seja como for, na medida em que se veja no movimento estruturalista uma figura - mais exata ou menos, mas em todo caso precursora - da IV Revolução, determinados fenômenos afins com ele, que se generalizaram nos últimos dez ou vinte anos devem ser vistos, por sua vez, como preparatórios e propulsores do próprio ímpeto estruturalista.

Assim, a derrocada das tradições indumentárias do Ocidente, corroídas cada vez mais pelo nudismo, tende obviamente para o aparecimento ou consolidação de hábitos nos quais se tolerará, quando muito, a cintura de penas de ave de certas tribos, alternada, onde o frio o exija, com coberturas mais ou menos à maneira das usadas pelos lapões.

O desaparecimento rápido das fórmulas de cortesia só pode ter como ponto final a simplicidade absoluta (para empregar só esse qualificativo) do trato tribal.

A crescente ojeriza a tudo quanto é raciocinado, estruturado e metodizado só pode conduzir, em seus últimos paroxismos, à perpétua e fantasiosa vagabundagem da vida das selvas, alternada, também ela, com o desempenho instintivo e quase mecânico de algumas atividades absolutamente indispensáveis à vida.

A aversão ao esforço intelectual, notadamente à abstração, à teorização, ao pensamento doutrinário, só pode induzir, em última análise, a uma hipertrofia dos sentidos e da imaginação, a essa “civilização da imagem” para a qual Paulo VI julgou dever advertir a humanidade [3].
[3] “Nós sabemos bem que o homem moderno, saturado de discursos, se demonstra muitas vezes cansado de ouvir e, pior ainda, como que imunizado contra a palavra. Conhecemos também as opiniões de numerosos psicólogos e sociólogos, que afirmam ter o homem moderno ultrapassado já a civilização da palavra, que se tornou praticamente ineficaz e inútil; e estar a viver, hoje em dia, na civilização da imagem” (cfr. Exortação apostólica “Evangelii Nuntiandi”, 8/12/1975, Documentos Pontifícios, nº 188, Vozes, Petrópolis, 1984, 6ª ed., p. 30).
São sintomáticos também os idílicos elogios, sempre mais freqüentes, a um tipo de “revolução cultural” geradora de uma futura sociedade pós-industrial, ainda incompletamente esboçada, e da qual o comunismo chinês seria - conforme por vezes é apresentado - um primeiro espécimen.
C. Despretensioso contributo
Bem sabemos quanto são passíveis de objeções, em muitos de seus aspectos, os quadros panorâmicos, por sua natureza vastos e sumários como este.
Necessariamente abreviado pelas delimitações de espaço do presente capítulo, este quadro oferece seu despretensioso contributo para as elucubrações dos espíritos dotados daquela ousada e peculiar finura de observação e de análise que, em todas as épocas, proporciona a alguns homens prever o dia de amanhã.

D. A oposição dos banais

Os outros farão, a esse propósito, o que em todas as épocas fizeram os espíritos banais e sem ousadia. Sorrirão e tacharão de impossíveis tais transformações, porque são de molde a alterar seus hábitos mentais. Porque elas aberram do bom senso, e aos homens banais o bom senso parece a única via normal do acontecer histórico. Sorrirão incrédulos e otimistas ante essas perspectivas, como Leão X sorriu a propósito da trivial “querela de frades”, que foi só o que conseguiu discernir na I Revolução nascente. Ou como o feneloniano Luís XVI sorriu ante as primeiras efervescências da II Revolução, as quais se lhe apresentavam em esplêndidos salões palacianos, embaladas por vezes ao som argênteo do cravo. Ou então luzindo discretamente nos ambientes e nas cenas bucólicas à maneira do “Hameau” de sua esposa. Como sorriem, ainda hoje, otimistas, céticos, ante os manejos do risonho comunismo pós-staliniano, ou as convulsões que prenunciam a IV Revolução, muitos representantes altos, e até dos mais altos, da Igreja e da sociedade temporal no Ocidente.

Se algum dia a III ou a IV Revolução tomar conta da vida temporal da humanidade, acolitada na esfera espiritual pelo progressismo ecumênico, devê-lo-ão mais à incúria e colaboração destes risonhos e otimistas profetas do “bom senso”, do que a toda a sanha das hostes e dos serviços de propaganda revolucionário"