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sábado, 19 de agosto de 2017

Os Orleanistas maçons na França de 1830, sua ajuda aos judeus e sua luta contra a Igreja



Luís Felipe de Orléans, rei da França de 1830 a 1848, promotor da franco-maçonaria e do liberalismo


O desconhecimento da história é uma das maldições que hoje se abatem sobre nosso país, notadamente entre aqueles que se alinham a chamada nova direita que se autodefine como conservadora mas que não sabe ao certo como e contra quem lutar para conservar certos valores. Esta mesma neo-direita que se define como defensora do papel da religião cristã na cultura, ao mesmo tempo que advoga elementos de liberalismo e até de monarquismo orleanista laico, é a soma de toda a ignorância histórica que nos acomete. 

Para entender o que está em jogo e contra quem lutamos - não somente contra comunistas mas também contra judeus, maçons e liberais - é preciso saber certos fatos faltantes na narrativa de charlatões e desinformantes como Olavo de Carvalho et caterva. 

Sobre isso cabe ressaltar os eventos de 1830 na França. O país, na época, era governado por Carlos X, rei que estava, aos poucos, restaurando os direitos da Igreja, direitos perdidos durante a revolução francesa. Em razão disso a maçonaria organizou o golpe orleanista que elevou Luís Felipe de Orleans, filho do duque Louis-Philippe d´Orléans( Philippe Egalité) que fora grão mestre maçom e que atuou como secretário do Clube dos Jacobinos durante a revolução. Philippe Egalité foi o mentor da execução de Luís 16.

Sobre a revolução liberal de 1830 foram apenas três dias - 26 a 28 de julho de 1830 -  o que as forças orleanistas precisaram para tomar o poder e estabeleceram uma nova monarquia, cheia de liberais. Um maçom da loja dos Trinosofes, Dupin, disse na época que "não creiais que três dias tenha feito tudo. Se a revolução foi tão súbita é por que ela já havia sido preparada. Assim pudemos substituir a velha ordem por uma nova ordem completa imediatamente sem necessidade de transição. Tudo já estava planejado". Dali de Paris um novo movimento anti-católico e anti-social se espalhou pela Europa, clamando pela instalação do liberalismo em todo o continente. A Monarquia de Julho vai financiar rebeliões liberais na Itália em Ancona, na Espanha e em Portugal, e até nos Estados Papais em Roma através do Memorandum. 

O que nos interessa nisso tudo é ressaltar que, na França de antanho, um dos primeiros atos da Monarquia de Luís Felipe foi dar aos judeus total liberdade. O artigo VII da Carta de 1830 igualizará as religiões. Ela previa emolumentos - ajuda financeira - ao culto católico mas, também, ao culto protestante e ao culto judaico! Os rabinos foram inscritos no orçamento, mesmo o judaísmo sendo uma religião absolutamente minoritária na França de então!

O rabino Atruc na obra "Entretiens sur le judaisme son dogme et sa morale" agradecia a Monarquia orleanista nestes termos: "Nossos templos não são mais escondidos e agora nós podemos adorar livremente o Deus da Liberdade Universal( O "deus" da maçonaria, da liberdade revolucionária, o Ain Sof)". 

A solicitação foi feita em 7 de agosto de 1830 pelo franco-maçom Viennet que exigiu a inscrição dos rabinos no orçamento público. Mérilhon, franco-maçom carbonário, ministro dos cultos impôs que os emolumentos dos rabinos fosse duas vezes mais elevados que os dos padres católicos. Um rabino recebia 2015 francos em média. Os padres recebiam em média 1200 francos. Os pastores protestantes recebiam 1900 francos. Uma guerra surda era feita aos católicos. No governo de Napoleão não se reconhecia mais a origem divina da Igreja Católica. No de Luís Felipe um passo mais radical é dado: já não se reconhece sequer a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, na medida em que o governo concede favores aos judeus, que negam o caráter divino de Cristo. 

Logo depois Luís Felipe pôs nas finanças da França vários economistas liberais - alguns deles judeus - que faziam questão de impor a teoria de Adam Smith de que o trabalho é apenas uma mercadoria. Muitos patrões a adotaram pois não pensavam senão em fazer fortuna. A exploração dos operários aumentou e duas tendências se delinearam: de um lado os liberais excitavam os trabalhadores a esquecer dos ensinamentos religiosos que ressaltam a necessidade de buscar a felicidade na vida eterna, fazendo-os crer que através do empenho se chegaria a uma era de prosperidade e progresso, trazendo assim o nascimento de uma corrente anti-clerical no operariado e um culto do trabalho, o que afastou muitos da prática religiosa e da frequência aos sacramentos; por outro lado a exploração do operariado, tendo aumentando, trouxe o crescimento de movimentos socialistas entre os trabalhadores, já dispostos a assumir as teses igualitaristas e anti-religiosas dos comunistas, dado que os liberais já haviam destroçado a religiosidade dos pobres operários e excitado seu desejo por riquezas. Neste período orleanista vemos greves e mais greves, motins e desordens provocadas pelo nascente movimento operário. A luta de classes se instalava na França em decorrência da doutrina liberal dos economistas do governo.

Todavia, na era de Carlos X, rei católico que antecedeu Luís Felipe, por quinze anos reinou a harmonia entre patrões e empregados. Não houve nenhuma grande greve nesta época dado que Carlos X impediu a aplicação da teoria liberal do trabalho como mercadoria - o que reduzia as condições de vida material dos operários. Le Play observa sobre esta época que "na maior parte das oficinas e indústrias de Paris, entre patrões e operários, reinava uma harmonia comparável a que eu vi nas minas, fábricas e fazendas de Hanôver, paz que na Inglaterra inexistia por completo". 

As conclusões que ficam são: 

1- O liberalismo é uma arma usada para promover a liberdade dos judeus e para destroçar a Igreja.
2- A franco-maçonaria é um organismo que trabalha para o poder judaico. 
3- O liberalismo não só destrói o espírito religioso dos trabalhadores como cria as condições para o crescimento do socialismo. 


Philippe de Orleáns e Bragança, descendente de Pedro II, imperador do Brasil e membro do movimento monárquico brasileiro, ele hoje representa a ala orleanista do monarquismo brasileiro, postulando liberalismo econômico radical e laicidade radical. Philippe hoje está associado a Olavo de Carvalho no projeto "Brasil paralelo".

Evidentemente os senhores não verão a canalha da nova direita falando dessa realidade. Para seu guru os católicos devem aliar-se à maçonaria contra a esquerda comunista, deve haver uma síntese entre maçonaria e cristianismo para salvar a civilização, uma monarquia fundada em orleanismo é o que o Brasil precisa para sair do abismo e, claro: os judeus não tem culpa de nada, nem estão por trás de nada, assim como o liberalismo econômico está em  conformidade com a fé católica. 

A nova direita é uma farsa. Acordem. Só o catolicismo pode salvar a civilização. 

Bibliografia: 

Delassus, Henri. A conjuração anticristã. Editora Castela, 2 edição, 2016. ( Com Imprimatur  e Nihil Obstat do Cardeal A. Massart em 12 de novembro de 1910, ano da edição original) 

Le Play. La reforme en Europe et le Salut en France. Alfred Mame et Fils, Libraire Editeurs, Paris, 1872. 

Rémond, Réne. Le XIX Siécle. Editions du Seuil, Paris, 1974. 



4 comentários:

  1. Liberdade econômica e menos intervenção do estado na economia = pleno emprego, altíssimo investimento, prosperidade financeira, carga horária menor, menos problemas psicológicos e stress causado pelo trabalho, mais tempo as pessoas tem para procurar a deus e frequentar a Igreja.
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    Respostas
    1. A História refuta. Quando houve plena liberdade econômica e nada de intervenção estatal a cada dez anos havia uma crise, o desemprego crescia, os salários baixavam, a miséria se alastrava e os operários ficavam a mercê da sorte. A História já refutou isso tem mais de cem anos. Isso nunca deu certo.

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    2. Isso que descrevo acima aconteceu no século 19. Depois da crise de 1873, causada pela desregulamentação das finanças, os estados passaram a intervir, criaram leis trabalhistas e a coisa toda melhorou significativamente.

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